“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 29 DE DEZEMBRO DE 2024
29 de dezembro de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 31 DE DEZEMBRO DE 2025
31 de dezembro de 2024SEGUNDA-FEIRA DA OITAVA DO NATAL
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Da Epístola aos Colossenses 1, 15 – 2, 3
Cristo, cabeça da Igreja, e Paulo, seu servo
Irmãos: Cristo Jesus é a imagem de Deus invisível, o Primogénito de toda a criatura, porque n’Ele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, visíveis e invisíveis, Tronos e Dominações, Principados e Potestades: por Ele e para Ele tudo foi criado. Ele é anterior a todas as coisas e n’Ele tudo subsiste. Ele é a Cabeça da Igreja, que é o seu Corpo. Ele é o Princípio, o Primogénito de entre os mortos; em tudo Ele tem o primeiro lugar. Aprouve a Deus que n’Ele residisse toda a plenitude e por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas, estabelecendo a paz, pelo Sangue da sua cruz, com todas as criaturas na terra e nos céus. Outrora, éreis estranhos a Deus e na vossa mente seus inimigos pelas vossas más acções. Mas agora Deus reconciliou-vos consigo pela morte de Cristo no seu corpo de carne, para vos apresentar diante d’Ele santos, puros e irrepreensíveis, firmemente consolidados na fé e inabaláveis na esperança prometida pelo Evangelho que ouvistes, do qual eu, Paulo, fui constituído ministro. Agora alegro-me com os sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta à paixão de Cristo, em benefício do seu Corpo, que é a Igreja. Dela me tornei ministro, em virtude do cargo que Deus me confiou a vosso respeito, isto é, anunciar-vos em plenitude a palavra de Deus, o mistério que ficou oculto ao longo dos séculos e que foi agora manifestado aos seus santos. Deus quis dar-lhes a conhecer as riquezas e a glória deste mistério entre os gentios: Cristo no meio de vós, esperança da glória. E nós O anunciamos, advertindo todos os homens e instruindo-os em toda a sabedoria, a fim de os apresentarmos todos perfeitos em Cristo. É para isso que eu trabalho, combatendo com o apoio da sua força, que actua em mim poderosamente. Quero que saibais como é grande a luta que sustento por vós, pelos de Laodiceia e por tantos outros que não me viram pessoalmente. Luto para que os seus corações sejam confortados e, estreitamente unidos na caridade, alcancem em toda a sua riqueza a plenitude da inteligência, o conhecimento do mistério de Deus, que é Cristo, no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.
RESPONSÓRIO Col 1, 18. 17
R. Cristo é a Cabeça do Corpo que é a Igreja, Ele é o Primogénito de entre os mortos, * Em tudo Ele tem o primeiro lugar.
V. Ele é anterior a todas as coisas e n’Ele tudo subsiste. * Em tudo Ele tem o primeiro lugar.
SEGUNDA LEITURA
Do Tratado de Santo Hipólito, presbítero: “Refutação de todas as heresias”
(Cap. 10, 33-34: PG 16, 3452-3453) (Sec. III)
O Verbo, que Se fez homem, diviniza o homem
Não fundamentamos a nossa fé em palavras sem sentido, nem nos deixamos arrastar por efémeros impulsos do coração ou seduzir pelo encanto de discursos eloquentes; a nossa fé fundamenta-se nas palavras pronunciadas pelo poder divino.
Deus confiou estas palavras ao Verbo, e o Verbo pronunciou-as para arrancar o homem à desobediência; não o quis obrigar pela força como a um escravo, mas apelou para a sua decisão livre e responsável.
Na plenitude dos tempos, o Pai enviou à terra o Verbo, porque já não queria que Ele falasse por meio dos Profetas nem fosse anunciado por meio de prefigurações obscuras, mas desejava que Se manifestasse de forma visível, a fim de que o mundo, ao vê-l’O, pudesse salvar-se.
Sabemos que o Verbo assumiu um corpo no seio da Virgem e transformou o homem velho numa nova criação. Sabemos que Se fez homem da nossa mesma substância. Se não fosse assim, em vão nos mandaria que o imitássemos como mestre. Se este homem tivesse sido formado de outra substância, como poderia impor-me a mim, débil por nascimento, as mesmas coisas que Ele fez? Como poderíamos, em tal caso, dizer que Ele é bom e justo?
Mas para que ninguém pensasse que era diferente de nós, suportou o trabalho, quis ter fome, não recusou a sede, dormiu para descansar, não rejeitou o sofrimento, submeteu-Se à morte e manifestou a sua ressurreição. Em tudo isto, ofereceu a sua humanidade como primícias, para que tu não desanimes no meio do sofrimento, mas, reconhecendo-te homem, esperes também tu receber o que a Ele foi oferecido.
Quando contemplares a Deus tal qual é, terás um corpo imortal e incorruptível, como a alma, e possuirás o reino dos Céus, tu que, peregrinando na terra, conheceste o Rei dos Céus. Viverás então na intimidade de Deus, serás herdeiro com Cristo e já não estarás sujeito a concupiscências, paixões ou enfermidades, porque foste elevado à condição divina.
Todos os males que suportaste, enquanto homem, Deus os permitia precisamente por seres homem. Mas Deus prometeu também fazer-te participante das suas prerrogativas, quando fores divinizado e revestido de imortalidade. Conhece-te a ti mesmo, reconhecendo a Deus que te criou; pois conhecer a Deus e ser conhecido por Ele é a sorte daquele que foi chamado por Deus.
Não vos envolvais em contendas como inimigos, nem penseis em retroceder. Cristo é o Deus que está acima de todas as coisas, que decidiu libertar os homens do pecado, renovando o homem velho que Ele tinha criado à sua imagem desde o princípio, e manifestando nesta imagem renovada o amor que tem por ti. Se obedeceres aos seus santos mandamentos e imitares com a tua bondade o Bem supremo, serás semelhante a Ele e Ele te glorificará. Tudo possui e tudo pode o Deus que te fez deus para sua glória.
RESPONSÓRIO Jo 1, 14; cf. Bar 3, 38
R. O Verbo Se fez carne e habitou entre nós. * Nós vimos a sua glória, a glória do Filho Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade.
V. Apareceu na terra e começou a viver entre os homens. * Nós vimos a sua glória, a glória do Filho Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
Is 9, 5
Um Menino nasceu para nós, um Filho nos foi dado. Tem o poder sobre os seus ombros e será chamado «Conselheiro Admirável, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz».
RESPONSÓRIO BREVE
V. O Senhor deu a conhecer a salvação. Aleluia, Aleluia.
R. O Senhor deu a conhecer a salvação. Aleluia, Aleluia.
V. Aos olhos das nações revelou a sua justiça.
R. Aleluia, Aleluia.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. O Senhor deu a conhecer a salvação. Aleluia, Aleluia.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4599-liturgia-de-30-de-dezembro-de-2024>]
SEGUNDA FEIRA DA OITAVA DO NATAL
(branco, glória, pref. do Natal – ofício do dia)
Antífona
– Quando um tranquilo silêncio envolvia todas as coisas e a noite chegava ao meio de seu curso, a vossa Palavra onipotente Senhor, desceu do céu, do vosso trono real. (Sb 18,14s).
Coleta
– Concedei, ó Deus todo-poderoso, que o novo nascimento de vosso Filho em nossa carne nos liberte da antiga escravidão que nos mantém sob o jugo do pecado. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e conosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos
1ª Leitura: 1 Jo 2,12-17
Salmo Responsorial: Sl 96,7-8a.8b-9.10 (R: 11a)
– O céu se rejubile e exulte a terra!
R: O céu se rejubile e exulte a terra!
– Ó família das nações, dai ao Senhor, ó nações, dai ao Senhor poder e glória, dai-lhe a glória que é devida ao seu nome!
R: O céu se rejubile e exulte a terra!
– Oferecei um sacrifício nos seus átrios, adorai-o no esplendor da santidade, terra inteira, estremecei diante dele!
R: O céu se rejubile e exulte a terra!
– Publicai entre as nações: “Reina o Senhor !” Ele firmou o universo inabalável, e os povos ele julga com justiça.
R: O céu se rejubile e exulte a terra!
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Um dia sagrado brilhou para nós: nações, vinde todas adorar o Senhor, pois hoje desceu grande luz sobre a terra!
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 2,36-40
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/segunda-feira-6-o-dia-da-oitava-do-natal/>]
Leitura I 1Jo 2, 12-17
Escrevo-vos, meus filhos,
porque os vossos pecados foram perdoados,
pelo nome de Jesus.
Escrevo-vos, pais,
porque conheceis Aquele que existe desde o princípio.
Escrevo-vos, jovens,
porque vencestes o Maligno.
Escrevo-vos, meus filhos,
porque conheceis o Pai.
Escrevo-vos, pais,
porque conheceis Aquele que existe desde o princípio.
Escrevo-vos, jovens,
porque sois fortes e a palavra de Deus permanece em vós
e vencestes o Maligno.
Não ameis o mundo nem o que existe no mundo.
Se alguém ama o mundo,
não está nele o amor do Pai.
Porque tudo o que há no mundo
– concupiscência da carne, concupiscência dos olhos
e orgulho da riqueza –
não vem do Pai, mas do mundo.
Ora o mundo passa com as suas concupiscências,
mas aquele que faz a vontade de Deus
permanece eternamente.
Compreender a palavra
João escreve para pessoas que foram perdoadas, conhecem Aquele que existe, são fortes, a palavra de Deus permanece neles e, por isso, venceram o maligno. Podiam ter amado o que há no mundo, ter-se deixado dominar pela concupiscência da carne, dos olhos e da riqueza, mas amaram o Pai e fizeram a sua vontade.
Meditar a palavra
Olhar para a minha vida e reconhecer que também sou daqueles que foram perdoados, acolheram a palavra de Deus e venceram o maligno respondendo ao Pai com amor e não se deixando levar pela concupiscência é um desejo permanente que trago em mim. Nem sempre isto é real na minha vida, mas está presente como um desejo que me faz lutar diariamente para alcançar. Ouvir as palavras de João dirigidas aos fiéis, aos pais e aos jovens, é para mim um estimulo a continuar o trabalho árduo mas feliz da minha santificação.
Rezar a palavra
Que a tua palavra, Senhor, permaneça em mim e seja na minha vida a força que preciso para vencer-me, vencer o maligno e a concupiscência. A certeza do teu perdão é para mim a possibilidade de sonhar chegar a ser, não por mim mas pela tua graça, também daqueles que venceram o mundo e fizeram a tua vontade. Sê o meu amparo e auxílio, Senhor, nesta luta quotidiana.
Compromisso
Contar com a graça de Deus e com a sua palavra é já caminho de santidade.
Evangelho Lc 2, 36-40
Quando os pais de Jesus levaram o Menino a Jerusalém,
a fim de O apresentarem ao Senhor,
estava no templo uma profetiza,
Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser.
Era de idade muito avançada
e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela
e viúva até aos oitenta e quatro.
Não se afastava do templo,
servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações.
Estando presente na mesma ocasião,
começou também a louvar a Deus
e a falar acerca do Menino
a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.
Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor,
voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré.
Entretanto, o Menino crescia
e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria.
E a graça de Deus estava com Ele.
Compreender a palavra
O texto relata o segundo encontro dos pais de Jesus no templo de Jerusalém quando cumpriam as prescrições da lei. Desta vez encontram-se com uma mulher. É uma mulher especial. Chama-se Ana que quer dizer agraciada, abençoada. Filha de Fanuel que significa rosto de Deus, rosto feliz de Deus. Da tribo de Aser, a tribo da felicidade. Esta mulher é assim uma mulher abençoada desde o nascimento, pois seu pai era ele também um homem abençoado. Mas não é uma mulher sem sofrimentos, ela é viúva, o que nos diz que passou por situações de sofrimento. Viveu a morte do marido e, desde aí, porque não tem filhos que a acompanhem na sua viuvez e na sua velhice, vive sozinha. Mas o relato fala mais alto. Diz que esteve casada sete anos, foi um tempo curto mais muito feliz, muito realizador. Foi um casamento bem vivido. Depois ficou viúva, mas não amargurada, até aos oitenta e quatro anos. Oitenta e quatro é igual a 7×12. Os dois números da plenitude juntos dão uma vida grande, longa mas feliz, muito completa e abençoada. Não era amargurada porque servia a Deus dia e noite. No serviço ao Senhor encontrou uma resposta feliz para a sua viuvez e para a sua velhice. E esperava a libertação de Israel.
Meditar a palavra
A Profetiza Ana mostra-nos que a vida não pode apagar em nós o ânimo, a vontade de viver e ser feliz. A vida não pode apagar em nós a luz que dá sentido a todas as coisas, a centelha de esperança que nos faz andar em frente. Ela, apesar dos sofrimentos vividos não se deixou apagar para a vida nem deixou a vida apagar-se dentro dela. Não permitiu que o seu coração se entregasse ao desgaste da tristeza. Não se ocupou a mastigar sofrimentos, desgraças, desilusões e fracassos. Encontrou dentro de si e no amor ao Senhor a força para dizer palavras de louvor. No serviço ao Senhor encontrou os irmãos a quem anunciava e falava de quem era aquele Menino, o salvador. Servir o Senhor com alegria e generosidade tornou-se numa verdadeira razão de viver, viver feliz, viver com qualidade, apagando mágoas e libertando o coração das saudades de tempos passados e de acontecimentos vividos. Servir o Senhor com generosidade liberta a vida abrindo fronteiras de eternidade. Sirvo o Senhor com alegria e boa vontade? Encontro no Senhor a raiz da minha alegria? Deixo-me vencer pelo desânimo e encho a minha vida de saudades de coisas que passaram e de nostalgia pelas coisas que nunca chegaram?
Rezar a palavra
Senhor, quando olho para a profetiza Ana, na sua serenidade, alegria e gosto de viver, de te amar e servir, penso em mim. Penso nos anos que vivi e pergunto-me se cheguei a encontrar a mesma alegria que ela experimentou. Pergunto se, com todas as coisas que a vida me tem dado e com todas as alegrias experimentadas, cheguei a reconhecer que tudo é dom da tua bondade e se soube louvar-te por isso. Pergunto se, quando chegar à velhice, serei uma pessoa agradecida, serena, doce, e feliz por ter gasto a vida amando-te e servindo-te nas tarefas da minha vida diária e nas pessoas das minhas relações mais próximas. Senhor, enche o meu coração da tua paz. Preenche-me com a tua graça. Volta para mim o teu rosto e mostra-me o teu olhar para que não me perca por caminhos de desilusão e desânimo. Quero ser o teu rosto feliz.
Compromisso
1. Vou refletir sobre a minha vida e procurar razões para a alegria.
2. Vou rezar louvando a Deus pelos dons que me dá mesmo nas dificuldades.
3. Vou pensar em uma ou duas pessoas a quem posso falar de Jesus e mandar-lhe esta mensagem.
4. Vou procurar uma tarefa concreta e habitual em que posso servir o Senhor no seu templo.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/12/santos-do-dia-da-igreja-catolica-30-de-dezembro/>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 30 de Dezembro
Postado em: por: marsalima
São Rugero
Rugero nasceu entre 1060 e 1070, na célebre e antiga cidade italiana de Cane. O seu nome, de origem normanda, sugere que seja essa a sua origem. Além dessas poucas referências imprecisas, nada mais se sabe sobre sua vida na infância e juventude. Mas ele era respeitado, pelos habitantes da cidade, como um homem trabalhador, bom, caridoso e muito penitente. Quando o bispo de Cane morreu, os fiéis quiseram que Rugero ficasse no seu lugar de pastor. E foi o que aconteceu: aos trinta anos de idade, ele foi consagrado bispo de Cane.
No século II, essa cidade havia sido destruída pelo imperador Aníbal, quando expulsou o exército romano. Depois, ela retomou sua importância no período medieval, sendo até mesmo uma sede episcopal. No século XI, mais precisamente em 1083, por causa da rivalidade entre o conde de Cane e o duque de Puglia, localidade vizinha, a cidade ficou novamente em ruínas.
O bispo Rugero assumiu a direção da diocese dentro de um clima de prostração geral.
Assim, depois desse desastre, seu primeiro dever era tratar da sobrevivência da população abatida pelo flagelo das epidemias do pós-guerra. Ele transformou a sua sede numa hospedaria aberta dia e noite, para abrigar viajantes, peregrinos e as viúvas com seus órfãos. Possuindo o dom da cura, socorria a todos, incansável, andando por todos os cantos, descalço. Doava tudo o que fosse possível e a sua carruagem era usada apenas para transportar os doentes e as crianças.
Todavia esse século também foi um período conturbado para a história da Igreja. Com excessivo poder civil estava dividida entre religiosos corruptos e os que viviam em santidade. Rugero estava entre os que entendiam o episcopado como uma missão e não como uma posição de prestígio para ser usada em benefício próprio. Vivia para o seu rebanho, seguindo o ensinamento de são Paulo: “Tudo para todos”.
Por tudo isso e por seus dons de conselho e sabedoria, no seu tempo foi estimado por dois papas: Pascoal II e Celásio II. Para ambos, executou missões delicadas e os aconselhou nas questões das rivalidades internas da Igreja, que tentava iniciar sua renovação.
Entrou rico de merecimentos no Reino de Deus, no dia 30 de dezembro de 1129, em Cane, onde foi sepultado na catedral. Considerado taumaturgo em vida, pelos prodígios que promovia com a força de suas orações, logo depois de sua morte os devotos divulgaram a sua santidade.
No século XVIII, a cidade de Cane praticamente já não existia. A população se transferira para outra mais próspera, Barleta. Mas eles já cultuavam o querido bispo Rugero como santo. Pediram a transferência das suas relíquias para a igreja de Santa Maria Maior, em Barleta. Depois, foi acolhido na sepultura definitiva na igreja do Mosteiro de Santo Estêvão, atual Santuário de São Rugero. Os devotos o veneram no dia de sua morte como o bispo de Cane e o padroeiro de Barleta. Em 1946, são Rugero foi canonizado pela Igreja.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE DEZEMBRO DE 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Deut 4, 7
Não há nação tão grande, que tenha a divindade tão perto de si, como está perto de nós o Senhor, nosso Deus, sempre que O invocamos.
V. O Senhor lembrou-Se da sua misericórdia e fidelidade, Aleluia.
R. Em favor da casa de Israel. Aleluia.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Is 12, 5-6
Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas: anunciai-as em toda a terra. Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.
V. Todos os confins da terra, Aleluia,
R. Viram a salvação do nosso Deus. Aleluia.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Tob 14, 6-7
Todas as nações da terra se converterão e temerão a Deus na verdade. Todos abandonarão os ídolos que os extraviaram na mentira dos seus erros e louvarão em justiça o Deus dos séculos. Todos os filhos de Israel que forem salvos naquele dia se lembrarão de Deus com sinceridade e virão reunir-se em Jerusalém; e alegrar-se-ão todos os que amam a Deus na verdade.
V. Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade. Aleluia.
R. Abraçaram-se a paz e a justiça. Aleluia.
Oração
Concedei, Deus omnipotente, que o novo nascimento, segundo a carne, de vosso Filho Unigénito nos liberte da antiga escravidão em que nos retém o jugo do pecado. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Pedro 1, 3-4
Cristo, com o seu poder divino, deu-nos tudo o que é necessário à vida e à piedade, fazendo-nos conhecer Aquele que nos chamou pela sua glória e poder. Por Ele entramos na posse das maiores e mais preciosas promessas, para nos tornarmos participantes da natureza divina, livres da corrupção que a concupiscência gerou no mundo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. O Verbo Se fez carne. Aleluia, Aleluia.
R. O Verbo Se fez carne. Aleluia, Aleluia.
V. E habitou entre nós.
R. Aleluia, Aleluia.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. O Verbo Se fez carne. Aleluia, Aleluia.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Deut 6, 4-7
Escuta, Israel. O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. As palavras que hoje te prescrevo ficarão gravadas no teu coração. Hás-de recomendá-las a teus filhos, e nelas meditarás, quer estando sentado em casa quer andando pelos caminhos, quando te deitas e quando te levantas.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.

