“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 28 DE JANEIRO DE 2025
28 de janeiro de 2025“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 30 DE JANEIRO DE 2025
30 de janeiro de 2025Quarta-feira da Semana III do Tempo Comum
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Do Livro do Deuteronómio 29, 1-5.9-28
Maldição dos transgressores da aliança
Naqueles dias, Moisés convocou todo o Israel e disse-lhes:
«Vós próprios vistes tudo o que o Senhor fez diante dos vossos olhos na terra do Egipto, ao Faraó, aos seus servidores e a todo o seu país: essas grandes provas que os vossos olhos contemplaram, esses extraordinários sinais e prodígios. No entanto, até ao dia de hoje o Senhor não vos deu coração para compreender, nem olhos para ver, nem ouvidos para escutar.
Conduzi-vos durante quarenta anos pelo deserto: não se vos romperam os vestidos no corpo, nem se gastou o vosso calçado nos pés. Não comestes pão, não bebestes vinho nem bebida fermentada, para poderdes reconhecer que Eu sou o Senhor, vosso Deus.
Hoje estais aqui todos reunidos na presença do Senhor vosso Deus – os chefes das vossas tribos, os anciãos, os magistrados, todos os homens de Israel, os vossos filhos, as vossas mulheres, os estrangeiros que estão contigo no acampamento, desde o que corta a lenha até ao que vai buscar água – para entrares na aliança do Senhor teu Deus e aceitar o pacto que o Senhor teu Deus vai estabelecer hoje contigo, a fim de hoje mesmo te constituir seu povo e Ele próprio ser o teu Deus, como te prometeu e jurou aos teus pais Abraão, Isaac e Jacob.
Não é só convosco que eu vou estabelecer esta aliança e este pacto, mas também com aquele que se encontrar aqui hoje connosco na presença do Senhor nosso Deus, bem como com aquele que hoje não está aqui. Bem sabeis como vivemos na terra do Egipto e como andámos errantes no meio das nações que tivemos de atravessar. Vistes os abomináveis ídolos de madeira, de pedra, de prata e oiro que há entre eles.
Não haja entre vós homem ou mulher, família ou triboque hoje desvie o coração do Senhor nosso Deus, para ir servir os deuses daquelas nações; não haja no meio de vós qualquer raiz que produza frutos venenosos ou amargos. E se ao ouvir as cláusulas desse pacto, alguém se julgar abençoado e disser: ‘Gozarei de bem-estar, ainda que me obstine em seguir as tendências do meu coração, como a abundância de água faz desaparecer toda a sede’, o Senhor não lhe perdoará: a cólera e a ira do Senhor inflamar-se-ão e arderão contra esse homem, todas as maldições escritas neste livro cairão sobre ele, e o Senhor apagará o seu nome de quanto existe debaixo do céu. Para sua desgraça, o Senhor separá-lo-á de todas as tribos de Israel, com todas as maldições escritas neste livro da Lei.
E as gerações futuras, os filhos que vos hão-de suceder e o estrangeiro que vier de país distante, ao verem os flagelos deste país e as moléstias que o Senhor lhe tiver infligido, dirão: ‘Toda a sua terra é enxofre, sal e fogo; nunca mais será semeada, aí nada germinará, não crescerá qualquer verdura, como na destruição de Sodoma, Gomorra, Admá e Seboim, que o Senhor devastou na sua indignação e no seu furor’. E todas as nações perguntarão: ‘Porque tratou o Senhor assim este país? Porquê tal ardor na sua ira?’. E a resposta será: ‘Porque abandonaram a aliança que o Senhor Deus de seus pais firmara com eles, quando os fez sair da terra do Egipto, porque serviram e adoraram outros deuses que não conheciam e que o Senhor não lhes tinha dado em herança. Por isso se inflamou contra esta nação a ira do Senhor, fazendo cair sobre ela todas
as maldições escritas neste livro.
O Senhor arrancou-os à sua terra, no furor da sua ira e indignação, e dispersou-os por outro
país até ao dia de hoje’. As coisas ocultas pertencem ao Senhor nosso Deus, mas as reveladas destinam-se a nós e aos nossos filhos para sempre, a fim de que sejam postas em prática todas as palavras desta lei».
RESPONSÓRIO cf. Gal 3, 13-14, cf. Deut 8, 14
R. Cristo tornou-se maldição por amor de nós, a fim de que a bênção de Abraão se estendesse aos gentios. * Para que nós recebêssemos, por meio da fé, o Espírito prometido.
V. Deus fez-nos sair da terra do Egipto, libertou-nos da casa da escravidão. * Para que nós recebêssemos, por meio da fé, o Espírito prometido.
SEGUNDA LEITURA
Dos Sermões de São Bernardo, abade, sobre o Cântico dos Cânticos
(Serm. 61, 3-5: Opera omnia 2, 150-151) (Sec XII)
Onde abundou o pecado superabundou a graça
Onde poderá a nossa fraqueza encontrar um descanso seguro e tranquilo, senão nas chagas do Salvador? Nelas habito com segurança, porque sei que Ele pode salvar-me. Agita-se o mundo, atormenta-me o corpo, o diabo arma-me ciladas, mas eu não caio, porque estou fundado sobre rocha firme. Se pequei gravemente, perturba-se-me a consciência, mas recupero a paz, porque me lembro das chagas do Senhor: Ele foi ferido por causa das nossas iniquidades. Que há de tão mortal que não encontre redenção na morte de Cristo? Se me vem ao pensamento esta medicina tão poderosa e eficaz, já não me atemoriza aflição alguma, por maligna que seja.
Por isso não tinha razão aquele que disse: O meu pecado é demasiado grande para merecer perdão. Isso só se explica porque ele não era membro de Cristo: não podia apropriar-se nem chamar seus os méritos de Cristo, como membro do corpo cuja cabeça é o Senhor.
Por mim, o que me falta vou buscá-lo confiadamente ao coração do Senhor, porque é imensa a sua misericórdia e estão abertos os canais que derramam as suas graças: trespassaram as suas mãos e os seus pés e com a lança abriram o seu lado: por estas feridas posso saborear o mel dos rochedos e o azeite da rocha duríssima, quer dizer, posso saborear e ver como o Senhor é bom.
Os seus pensamentos eram de paz e eu ignorava-o. Quem, na verdade, conheceu o pensamento do Senhor? Quem foi o seu conselheiro? Mas o cravo penetrante tornou-se para mim uma chave para me abrir o conhecimento da vontade do Senhor. E que vejo através das suas chagas abertas? O cravo e a ferida proclamam que Deus está verdadeiramente em Cristo, reconciliando o mundo consigo. A lança trespassou a sua alma e aproximou-se do seu coração, para mostrar que Ele é capaz de Se compadecer das minhas fraquezas.
Através das feridas do corpo manifestam-se os segredos do seu coração, revela-se o grande mistério de piedade, as entranhas de misericórdia do nosso Deus que das alturas nos visitou como sol nascente. Como pode não estar patente o vosso coração através das santas chagas? Certamente, Senhor, as vossas chagas foram o meio mais claro de nos mostrar que sois manso, humilde e cheio de misericórdia. Ninguém, na verdade, manifesta maior misericórdia do que aquele que dá a vida por quem está condenado à morte.
O meu mérito está na misericórdia do Senhor. Nunca serei pobre de méritos enquanto Ele for rico de misericórdia: se são abundantes as misericórdias do Senhor, também são muitos os meus méritos; e se tenho consciência de muitos pecados, onde abundou o pecado, superabundou a graça. Se a misericórdia do Senhor é eterna, também eu cantarei eternamente as misericórdias do Senhor. Cantarei também a minha justiça? Senhor, somente recordarei a vossa justiça. Ela é também realmente minha, porque em Vós me tornei justiça de Deus.
RESPONSÓRIO Is 53, 5; 1 Pedro 2, 24
R. Ele foi trespassado por causa das nossas culpas, esmagado de dor por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre Ele o castigo que nos salva. * Pelas suas chagas fomos curados.
V. Suportou os nossos pecados no seu corpo, sobre o madeiro da cruz, a fim de que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça. * Pelas suas chagas fomos curados.
Oração
Deus todo-poderoso e eterno, dirigi a nossa vida segundo a vossa vontade, para que mereçamos produzir abundantes frutos de boas obras, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
Jó 1, 21; 2, 10b
Saí nu do ventre de minha mãe, e nu para ele voltarei. O Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor. Se aceitamos os bens da mão de Deus, porque não havemos de aceitar também os males?
RESPONSÓRIO BREVE
V. Inclinai, Senhor, o meu coração para as vossas ordens.
R. Inclinai, Senhor, o meu coração para as vossas ordens.
V. Fazei-me viver segundo a vossa palavra.
R. Inclinai, Senhor, o meu coração para as vossas ordens.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Inclinai, Senhor, o meu coração para as vossas ordens.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/quarta-feira-da-semana-iii-do-tempo-comum-7/>]
Quarta-feira da Semana III do Tempo Comum
São Tomás de Aquino, presbítero e doutor da Igreja
Memória
Tomás nasceu por volta do ano 1225, na família dos Condes de Aquino. Estudou, primeiramente no mosteiro do Monte Cassino e, depois, em Nápoles. Entrou na Ordem dos Pregadores e completou os seus estudos em Paris e em Colónia, tendo tido como professor santo Alberto Magno. Escreveu muitas obras de grande erudição, com destaque para a Summa de Teologia, e exerceu o professorado, contribuindo notavelmente para o progresso da Filosofia e da Teologia. Chamado pelo beato papa Gregório X para participar no Concílio Ecuménico de Lyon II, morreu durante a viagem, no mosteiro de Fossanova, perto de Terracina, no Lácio, no dia 7 de março de 1274. A sua memória celebra-se a 28 de janeiro, dia em que o seu corpo foi trasladado para o convento dominicano de Tolosa, em França, no ano 1369.
Leitura I Heb 10, 11-18
Todo o sacerdote da antiga aliança
se apresenta cada dia para exercer o seu ministério
e oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios,
que nunca poderão perdoar os pecados.
Cristo, ao contrário,
tendo oferecido pelos pecados um único sacrifício,
sentou-Se para sempre à direita de Deus,
esperando desde então que os seus inimigos
sejam postos como escabelo dos seus pés.
Porque, com uma única oblação,
tornou perfeitos para sempre os que Ele santifica.
O Espírito Santo também no-lo confirma,
porque, depois de ter declarado:
«Esta é a aliança que estabelecerei com eles,
depois daqueles dias»,
o Senhor acrescenta:
«Hei-de imprimir as minhas leis no seu coração
e gravá-las no seu espírito
e não Me recordarei mais dos seus pecados e iniquidades».
Ora, onde há remissão dos pecados,
já não há necessidade de oblação pelo pecado.
compreender a palavra
Estabelecendo a relação entre os sacrifícios judaicos da antiga aliança e o sacrifício de Cristo na cruz, a carta aos Hebreus mostra a distância entre estes sacrifícios. Os sacerdotes ofereciam anualmente sacrifícios pelos pecados do povo, mas esses sacrifícios não obtinham a remissão e tinham que se repetir continuamente. O sacrifício de Cristo é totalmente diferente. O Pai aceitou o único sacrifício de Cristo que, por ser eficaz, não precisa de repetir-se. No único sacrifício remiu os nossos pecados tornando perfeitos os que nele santificou.
meditar a palavra
O sacrifício de Cristo, oferecido pelos nossos pecados, foi aceite pelo Pai e, por isso, não precisa repetir-se, é único. Temos ao nosso alcance este sacrifício na Eucaristia, não como uma repetição, mas como a celebração memorial do único sacrifício de Cristo na cruz. O sacramento torna presente em cada tempo e lugar o mesmo sacrifício para que, participando nele, alcancemos a remissão dos nossos pecados, a santificação em Cristo.
rezar a palavra
Na Eucaristia encontro-me com o mistério que me salva da minha fragilidade, do meu pecado. Porque entregaste a tua vida por amor posso alcançar a perfeição no teu corpo entregue e no teu sangue derramado. Lava, Senhor, purifica o teu servo de todas as iniquidades.
compromisso
Participo na Eucaristia para receber o dom de Deus que me santifica.
Evangelho Mc 4, 1-20
Naquele tempo,
Jesus começou a ensinar de novo à beira mar.
Veio reunir-se junto d’Ele tão grande multidão
que teve de subir para um barco e sentar-Se,
enquanto a multidão ficava em terra, junto ao mar.
Ensinou-lhes então muitas coisas em parábolas.
E dizia-lhes no seu ensino:
«Escutai: Saiu o semeador a semear.
Enquanto semeava,
uma parte da semente caiu à beira do caminho;
vieram as aves e comeram-na.
Outra parte caiu em terreno pedregoso,
onde não havia muita terra;
logo brotou, porque a terra não era funda.
Mas, quando o sol nasceu, queimou-se
e, como não tinha raiz, secou.
Outra parte caiu entre espinhos;
os espinhos cresceram e sufocaram-na
e não deu fruto.
Outras sementes caíram em boa terra
e começaram a dar fruto, que vingou e cresceu,
produzindo trinta, sessenta e cem por um».
E Jesus acrescentava:
Quem tem ouvidos para ouvir, oiça».
Quando ficou só,
os que O seguiam e os Doze
começaram a interrogá-l’O acerca das parábolas.
Jesus respondeu-lhes:
«A vós foi dado a conhecer o mistério do reino de Deus,
mas aos de fora tudo se lhes propõe em parábolas,
para que, ao olhar, olhem e não vejam,
ao ouvir, oiçam e não compreendam;
senão, convertiam-se e seriam perdoados».
Disse-lhes ainda:
«Se não compreendeis esta parábola,
como haveis de compreender as outras parábolas?
O semeador semeia a palavra.
Os que estão à beira do caminho, onde a palavra foi semeada,
são aqueles que a ouvem,
mas logo vem Satanás e tira a palavra semeada neles.
Os que recebem a semente em terreno pedregoso
são aqueles que, ao ouvirem a palavra,
logo a recebem com alegria;
mas não têm raiz em si próprios, são inconstantes,
e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra,
sucumbem imediatamente.
Outros há que recebem a semente entre espinhos.
Esses ouvem a palavra,
mas os cuidados do mundo, a sedução das riquezas
e todas as outras ambições
entram neles e sufocam a palavra,
que fica sem dar fruto.
E os que receberam a palavra em boa terra
são aqueles que ouvem a palavra, a aceitam
e frutificam, dando trinta, sessenta ou cem por um».
compreender a palavra
Esta parábola faz parte de um conjunto de três, sendo esta a maior de todas e a única que apresenta uma explicação só para os discípulos. O semeador é Deus, a semente é a sua Palavra e o terreno é o coração de cada homem, o que se anuncia é a chegada do Reino. Aparentemente há um fracasso, porque apenas um grupo de ouvintes tem um coração onde a palavra germina e produz trinta, sessenta e cem por um. No entanto, ainda é tempo de preparar o terreno, acolher a semente e esperar confiado. O tempo decisivo ainda virá e aí se decide quem deu fruto e quem só deu espinhos.
meditar a palavra
A força da Palavra de Deus é evidente e põe a descoberto a atitude dos ouvintes. Deus, que dá à palavra o poder de gerar fruto naqueles que a escutam, nem por momentos, tem como intenção obrigar o homem a aceitar a verdade que lhe comunica. A liberdade de cada um gera situações diferentes criando quatro grupos distintos entre os ouvintes. Aquele que escuta corre sérios riscos de tomar a pior decisão. Duas conclusões podemos tirar: a primeira, a situação da Palavra na nossa vida exige um tempo de espera para que se vejam os frutos trazidos pela chegada do Reino até nós; a segunda, a importância da Palavra exige que me questione sobre a qualidade do terreno do meu coração. Como estou a preparar o coração para acolher a Palavra e o reino que nela me é anunciado?
rezar a palavra
Senhor, é evidente a força da tua Palavra. Dela surgiram todas as coisas e ao sopro da tua boca todas te obedecem. Quiseste criar-me à tua imagem e semelhança e deste-me a possibilidade de decidir, de acordo com a minha liberdade. No limite, esta liberdade, pode recusar-te e rejeitar a tua voz. Ao contrário de todas as criaturas, eu posso recusar ouvir a tua voz e rejeitar a tua palavra. É loucura, porque sem o teu sopro não posso viver. Sei que posso esquecer-me de ti, mas sei também que se te esquecesses de mim deixaria de existir. Peço-te que, na minha liberdade, seja capaz de compreender que, sem a tua voz, sem a tua Palavra, sem o sopro que sai da tua boca, não viverei.
compromisso
Quero prestar atenção ao modo como estou a acolher a Palavra de Deus na minha vida.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2025/01/santos-do-dia-da-igreja-catolica-29-de-janeiro/>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 29 de Janeiro
Postado em: por: marsalima
Santo Valério de Treviri
Nesta data as homenagens da Igreja estão voltadas para dois santos com o mesmo nome, Valério e ambos bispos, mas viveram em séculos bem distantes. O primeiro a ser canonizado, foi o da diocese de Treviri. O segundo foi o de Ravena, que pode ser encontrado na outra página.
Uma tradição muito antiga nos conta que o bispo de Treviri, chamado Valério, foi discípulo do apóstolo Pedro. Este o teria consagrado bispo e enviado para evangelizar a população da Alemanha. Mas, isto não ocorreu, São Pedro testemunhou a fé pelo menos dois séculos antes.
Entretanto, Valério realmente foi o bispo de Treviri e prestou um relevante trabalho de evangelização para a Igreja de Roma. Primeiro auxiliando Eucario, que foi o primeiro bispo desta diocese e depois colaborando com Materno, seu contemporâneo; os quais foram incluídos no Livro dos Santos, como grandes apóstolos da Alemanha.
Nos registros posteriores, revistos pelo Vaticano no final do primeiro milênio, onde foram narrados os motivos da santidade dos religiosos até então, encontramos o seguinte, sobre Valério: “converteu multidões de pagãos e operou milagres singelos e expressivos”. Talvez o mais significativo, tenha sido quando Valério, trouxe de volta a vida do companheiro Materno com o simples toque do seu bastão episcopal. Depois, o outro companheiro de missão, que já havia falecido, Eucario, o teria avisado em sonho que no dia 29 de janeiro ele seria recebido no Reino de Deus. Valério morreu neste dia de um ano ignorado, no início do século IV.
A fama de sua santidade aumentou com a sua morte e os devotos procuravam a sua sepultura para agradecer ou pedir a sua intercessão. O culto se intensificou com a construção de muitas igrejas dedicadas a São Valério, principalmente entre os povos de língua germânica. Muitas cidades o elegeram como seu padroeiro. As suas relíquias, conservadas numa urna de prata, se encontram na basílica de São Matias, na cidade de Treviri, atualmente chamada de Tries, na Alemanha. A festa litúrgica ocorre no dia de sua morte.
Santo Valério de Ravena
Recordamos hoje dois santos bispos com o mesmo nome, Valério. O primeiro, morreu cinco séculos antes, na sua sede episcopal em Treviri, na Alemanha, e pode ser lido na outra página. O segundo, faleceu no dia 15 de março de 810 e foi o bispo de Ravena, em Roma, na Itália.
Este Valério, bispo de Ravena, que faleceu em março, passou a ser comemorado no dia 29 de janeiro, por ser confundido com o primeiro que faleceu neste dia, o qual já tinha um culto cristalizado entre os peregrinos e devotos. O erro partiu de um copista do Vaticano, em 1286, que acreditou se tratasse de um santo só. Excluiu a festa de março e manteve no calendário da Igreja a data da comemoração mais antiga, e assim ficou.
Valério de Ravena, também sofreu fortes perseguições políticas dentro do próprio clero. Mas o pior foi que para agradar o imperador Carlos Magno, que não simpatizava com ele, o bispo foi vítima de uma sórdida intriga política. No dia 8 de abril de 808, dia de Palmas, dois nobres condes paladinos chegaram cedo na cúria, conversaram com Valério que os acolheu e deu hospedagem. Participaram de todas as celebrações pertinentes à data e depois de almoçarem com o bispo, partiram agradecidos.
Depois, em troca de favores da corte, estes nobres mandaram uma carta ao papa Leão III, informando que durante a refeição, daquele dia, o bispo Valério, havia proferido palavras tão impróprias, que não poderiam ser repetidas nem por escrito. Mais tarde quando surgiram outras divergências políticas, o papa Leão III escreveu numa carta à Carlos Magno, que ele mesmo contestava a santidade do bispo e lhe contou sobre os dois condes.
Outras fontes históricas da Santa Sé, entretanto, comprovaram que o arcebispo de Ravena era um pastor zeloso e batalhador pela causa do bem da doutrina cristã, especialmente na luta contra a heresia ariana. Valério administrou a diocese de Ravena entre 788 e 810. O arcebispo Simeão trasladou suas relíquias para a catedral, em 1222, concedendo uma indulgência especial à basílica de santo Apolinário, por “reverências ao bem-aventurado Valério”.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 29 DE JANEIRO DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Cor 13, 4-7
A caridade é paciente, a caridade é benigna; não é invejosa, não é altiva nem orgulhosa; não é inconveniente, não procura o próprio interesse; não se irrita, não guarda ressentimento, não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
V. Exultem e alegrem-se em Vós, Senhor, todos os homens
R. E digam sempre: «Louvado seja Deus».
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Cor 13, 8-9.13
O dom da profecia acabará, o dom das línguas há-de cessar, a ciência desaparecerá; mas a caridade não acaba nunca. De maneira imperfeita conhecemos, de maneira imperfeita profetizamos. Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade.
V. Desça sobre nós a vossa bondade, Senhor,
R. Porque em Vós esperamos.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Col 3, 14-15
Acima de tudo, revesti-vos da caridade que é o vínculo da perfeição. Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só Corpo. E vivei em acção de graças.
V. Os mansos possuirão a terra
R. E gozarão de imensa paz.
Oração
Senhor Jesus Cristo, que, de braços abertos na cruz, morrestes pela salvação dos homens, fazei que todas as nossas acções Vos sejam agradáveis e sirvam para manifestar no mundo a vossa redenção. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Ef 3, 20-21
Deus, pelo poder que exerce em nós, é capaz de fazer mais, imensamente mais do que possamos pedir ou imaginar. Glória a Ele, na Igreja e em Cristo Jesus, em todas as gerações, pelos séculos dos séculos. Amen.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Salvai-me, Senhor, e tende piedade de mim.
R. Salvai-me, Senhor, e tende piedade de mim.
V. Não permitais que a minha alma se junte com os pecadores.
R. Tende piedade de mim.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Salvai-me, Senhor, e tende piedade de mim.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ef 4, 26-27
Não pequeis. Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento. Não deis lugar ao demónio.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.


