“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 26 DE ABRIL DE 2025
26 de abril de 2025“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 28 DE ABRIL DE 2025
28 de abril de 2025Domingo II da Páscoa (Ano C)
ou da Divina Misericórdia
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Da Epístola do apóstolo São Paulo aos Colossenses 3, 1-17
Vida nova
Irmãos: Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. Porque vós morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar, então também vós vos manifestareis com Ele na glória. Portanto, mortificai os vossos membros terrenos: imoralidade, impureza, paixões, maus desejos e a avareza, que é uma idolatria. Por causa destes vícios é que vem a ira de Deus sobre os rebeldes. Vós também vos comportáveis assim, quando vivíeis entre eles. Mas agora, afastai de vós tudo o que é cólera, irritação, malícia, insulto, linguagem torpe. Não mintais uns aos outros, vós que vos despojastes do homem velho, com as suas acções, e vos revestistes do homem novo, que, para alcançar a verdadeira ciência, se vai renovando à imagem do seu Criador. Aí não há grego ou judeu, não há circunciso ou incircunciso, nem bárbaro ou cita, escravo ou homem livre. O que há é Cristo, que é tudo e está em todos. Portanto, como eleitos de Deus, santos e predilectos, revesti- vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai- -vos mutuamente, se algum tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, assim deveis fazer vós também. E acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só corpo. E vivei em acção de graças. Habite em vós com abundância a palavra de Cristo, para vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros com toda a sabedoria. E com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai de todo o coração a Deus a vossa gratidão. E tudo o que fi zerdes por palavras ou por obras, seja tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças, por Ele, a Deus Pai.
RESPONSÓRIO Col 3, 1. 2. 3
R. Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus: * Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às coisas da terra. Aleluia.
V. Porque vós morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. * Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às coisas da terra. Aleluia.
SEGUNDA LEITURA
Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo
(Sermão 8 na oitava da Páscoa 1, 4: PL 46, 838. 841) (Sec. V)
A nova criação em Cristo
A vós me dirijo, crianças recém-nascidas, pequeninos em Cristo, nova prole da Igreja, beleza do Pai, fecundidade da Mãe, rebento santo, multidão renovada, flor da nossa honra e fruto do nosso trabalho, minha alegria e coroa, a todos vós que permaneceis firmes no Senhor. É com palavras do Apóstolo que vos falo: Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não satisfaçais os desejos da carne, nas suas concupiscências, para que vos revistais da vida que vos foi comunicada no sacramento. Todos vós que recebestes o Baptismo de Cristo fostes revestidos de Cristo. Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher: todos vós sois um só em Cristo. Nisto está a eficácia do sacramento: é o sacramento da vida nova, que começa no tempo presente pela remissão de todos os pecados passados e atingirá a sua plenitude na ressurreição dos mortos. Fostes sepultados com Cristo pelo Baptismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, também vós caminheis numa vida nova. Agora caminhais pela fé, vivendo neste corpo mortal como peregrinos longe do Senhor. Mas o vosso caminho seguro é Aquele mesmo para quem vos dirigis, Jesus Cristo, que Se dignou fazer-Se homem por amor de nós. Para os seus fiéis Ele tem preparado um grande tesouro de felicidade, que há-de revelar e comunicar em plenitude a todos os que n’Ele esperam, quando recebermos em realidade aquilo que recebemos agora só em esperança. Hoje é o oitavo dia do vosso nascimento. Hoje completa-se em vós o sinal da fé, que, entre os antigos patriarcas, se realizava pela circuncisão da carne, no oitavo dia do nascimento segundo a carne. Assim, também o próprio Senhor, ao ressuscitar, despojando-Se da mortalidade da sua carne e revestindo-Se de um corpo não diferente mas imortal, consagrou com a sua ressurreição o «dia do Senhor», que é o terceiro depois da sua paixão, mas na contagem semanal dos dias, a partir de sábado, é o oitavo e coincide com o primeiro da semana. Por isso também vós participais no mesmo mistério, não ainda na realidade perfeita mas na certeza da esperança, porque recebestes a garantia do Espírito: Se ressuscitastes com Cristo, saboreai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus; procurai as coisas do alto e não as da terra. Porque vós morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, Se manifestar, então também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória.
RESPONSÓRIO Col 3, 3-4; Rom 6, 11
R. Vós morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. * Quando Cristo, vossa vida, Se manifestar, então também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória. Aleluia.
V. Considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus, Nosso Senhor. * Quando Cristo, vossa vida, Se manifestar, então também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória. Aleluia.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
Atos 10, 40-43
Deus ressuscitou Jesus ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se, não a todo o povo, mas às testemunhas de antemão designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos. Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. É d’Ele que todos os Profetas dão o seguinte testemunho: quem acredita n’Ele recebe, pelo seu nome, a remissão dos pecados.
Em vez do RESPONSÓRIO, diz-se:
Ant. Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria. Aleluia.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA
CONFISSÕES DE SANTO AGOSTINHO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-ii-da-pascoa-ano-c/>]
Domingo II da Páscoa
ou da Divina Misericórdia
Pelas tuas chagas somos curados
O poder da morte desfaz-se diante da alegria da ressurreição. Aqueles que caíram diante da tristeza que a morte provoca são recuperados para a vida pela luz da ressurreição. Os que se fecharam com medo, saem para a rua anunciando a misericórdia presente nas chagas de Cristo.
LEITURA I Atos 5, 12-16
Pelas mãos dos apóstolos
realizavam-se muitos milagres e prodígios entre o povo.
Unidos pelos mesmos sentimentos,
reuniam-se todos no Pórtico de Salomão;
nenhum dos outros se atrevia a juntar-se a eles,
mas o povo enaltecia-os.
Uma multidão cada vez maior de homens e mulheres
aderia ao Senhor pela fé,
de tal maneira que traziam os doentes para as ruas
e colocavam-nos em enxergas e em catres,
para que, à passagem de Pedro,
ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles.
Das cidades vizinhas de Jerusalém,
a multidão também acorria,
trazendo enfermos e atormentados por espíritos impuros,
e todos eram curados.
Após a ressurreição de Jesus e o Pentecostes, a atuação dos apóstolos prossegue a missão do Mestre. Ao redor deles, espontaneamente, reúnem-se inúmeras pessoas que, pela fé, aderem ao Senhor. Pedro, então, assume um papel de líder, e por onde passa, todos são curados.
Salmo Responsorial 117 (118), 2-4.22-24.25-27ª (R. 1)
Nas palavras do salmo 117 ressoa o cântico daqueles que, como Pedro, testemunharam a ressurreição, e daqueles que, como Cornélio, encontraram em Jesus o Ungido, por meio de quem, no batismo, renasceram para uma nova vida na Vigília Pascal.
LEITURA II Ap 1, 9-11a.12-13.17-19
Eu, João, vosso irmão e companheiro
nas tribulações, na realeza e na perseverança em Jesus,
estava na ilha de Patmos,
por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
No dia do Senhor, fui movido pelo Espírito
e ouvi atrás de mim uma voz forte,
semelhante à da trombeta, que dizia:
«Escreve num livro o que vês
e envia-o às sete Igrejas».
Voltei-me para ver de quem era a voz que me falava;
ao voltar-me, vi sete candelabros de ouro
e, no meio dos candelabros,
alguém semelhante a um filho do homem,
vestido com uma longa túnica
e cingido no peito com um cinto de ouro.
Quando o vi, caí a seus pés como morto.
Mas ele poisou a mão direita sobre mim e disse-me:
«Não temas.
Eu sou o Primeiro e o Último, o que vive.
Estive morto, mas eis-Me vivo pelos séculos dos séculos
e tenho as chaves da morte e da morada dos mortos.
Escreve, pois, as coisas que viste,
tanto as presentes como as que hão de acontecer depois destas».
João, no Apocalipse, escreve aos cristãos perseguidos da Ásia animando-os com a notícia da vitória de Jesus sobre a morte e o seu domínio sobre a morada dos mortos.
EVANGELHO Jo 20, 19-31
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,
estando fechadas as portas da casa
onde os discípulos se encontravam,
com medo dos judeus,
veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes:
«A paz esteja convosco».
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado.
Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.
Jesus disse-lhes de novo:
«A paz esteja convosco.
Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes:
«Recebei o Espírito Santo:
àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados;
e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».
Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo,
não estava com eles quando veio Jesus.
Disseram-lhe os outros discípulos:
«Vimos o Senhor».
Mas ele respondeu-lhes:
«Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos,
se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado,
não acreditarei».
Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa
e Tomé com eles.
Veio Jesus, estando as portas fechadas,
apresentou-Se no meio deles e disse:
«A paz esteja convosco».
Depois disse a Tomé:
«Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos;
aproxima a tua mão e mete-a no meu lado;
e não sejas incrédulo, mas crente».
Tomé respondeu-Lhe:
«Meu Senhor e meu Deus!».
Disse-lhe Jesus:
«Porque Me viste acreditaste:
felizes os que acreditam sem terem visto».
Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos,
que não estão escritos neste livro.
Estes, porém, foram escritos
para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus,
e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.
O evangelho marca o ritmo semanal da celebração da ressurreição de Cristo, já presente na vida das comunidades cristãs dos primeiros anos. É no meio da comunidade, celebrando a ressurreição de Jesus, que todos são curados da cegueira que os impede de reconhecer em Jesus o Messias, o enviado pela misericórdia de Deus.
Reflexão da Palavra
No livro dos Atos dos Apóstolos encontramos três resumos da vida da comunidade de Jerusalém: At 2,42-47; 4,32-35; 5,12- 16. O texto que faz a primeira leitura do segundo domingo da Páscoa, é um desses resumos que informa o leitor sobre a união dos cristãos, a missão dos apóstolos e a adesão de muitos à fé em Jesus.
A cena passa-se no Templo de Jerusalém, mais concretamente “no Pórtico de Salomão”. Trata-se de um lugar amplo, aberto, onde qualquer pessoa pode entrar, mesmo que não seja judeu. Estas caraterísticas proporcionam o encontro de todos os crentes, como diz o texto: “unidos pelos mesmos sentimentos, reuniam-se todos”.
Este “todos” refere-se aos que tinham “abraçado a fé” em Jesus, desde a manhã de Pentecostes. Porque além destes “todos” há também “os outros”, “nenhum dos outros se atrevia a juntar-se a eles”. Esta referência revela que, os cristãos, são um grupo que frequenta o templo, mas que está à parte.
O autor do livro, Lucas, estabelece de seguida, um paralelo entre Pedro e Jesus. Do mesmo modo que, no evangelho, adianta que traziam os doentes a Jesus e ele a todos curava (Lc 4,40-41), agora atribui a Pedro esta ação como se pode ler na segunda parte do texto (v. 15-16). Lucas deixa bem claro que os crentes aderem a Jesus e não aos apóstolos e que esta adesão não se deve aos milagres, mas, pelo contrário, os milagres sucedem em consequência da adesão à fé.
O salmo 117, é uma longa ação de graças realizada no templo, provavelmente pelo rei depois de uma vitória, em nome de todo o povo. O salmo começa por convidar a todos para esta ação de graças, reconhecendo que o Senhor é bom, é eterna a sua misericórdia. O povo e o rei, passaram por momentos difíceis, “na minha angústia clamei ao Senhor”, mas “o Senhor escutou-me e pôs-me a salvo”, por isso todos vêm em cortejo ao templo, dar graças ao Senhor.
Já usado na liturgia do domingo de Páscoa, este salmo canta o dia em que se deu a maior vitória que o homem pode testemunhar, a ressurreição de Jesus, na qual vê a sua própria ressurreição.
João, autor do livro do Apocalipse, dá, logo de início, algumas indicações preciosas. Primeiro recorda que a sua situação é a de um exilado na ilha de Patmos, por causa da Palavra e do testemunho. Ele faz parte e identifica-se com a Igreja perseguida que vive momentos de grande tribulação. Em segundo lugar, recorda o dia mais importante para os cristãos, o primeiro dia da semana. Nesse dia ele próprio experiencia uma revelação que o conduz a uma visão que deve escrever e transmitir às Igrejas. Trata-se das sete Igrejas da Ásia menor: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.
Na revelação ele revive o que já tinha experienciado no Pentecostes, a manifestação do Espírito por entre o ruído de uma voz que é como uma trombeta. Na visão contempla sete candelabros e alguém semelhante a um filho do homem. Os candelabros representam a Igreja o Filho do homem é Jesus.
Perante o medo de João, a voz faz-se ouvir revelando quem é “Eu sou o Primeiro e o Último, o que vive. Estive morto, mas eis-Me vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e da morada dos mortos”. Esta é a revelação de que necessitam todos os que são perseguidos. Os perseguidores parecem mais fortes, dominar e vencer, mas a vitória não lhes pertence, porque Aquele que esteve morto e agora está vivo, é que tem a vitória, porque é mais forte que a morte.
Após a descoberta do túmulo vazio e da aparição a Maria Madalena, o evangelista João apresenta a nova semana, o início de uma nova criação, que nasce da ressurreição de Jesus e da manifestação do Espírito Santo. O primeiro dia da semana, o Dies Dominicus, é o dia em que surge a luz. Jesus ressuscitado ilumina a noite que se apoderou dos discípulos com a sua morte. A cena narrada por João dá-se “na tarde daquele dia”, à hora em que as trevas descem sobre a terra e, estando eles de portas e janelas fechadas, impedidos de ver a luz.
Jesus rompe as trevas com a sua presença, deposita a paz nos corações inquietos e perturbados dos discípulos, que estavam “com medo dos judeus”. Revela-lhes os sinais da sua vida e da sua missão cumprida na cruz quando disse: “tudo está consumado”. As mãos e os pés marcados pelos cravos e o lado aberto pela lança, apresentados após a morte, são sinais da vitória de Jesus e da cura para todas as feridas da humanidade.
Há um contraste entre a paz, a liberdade e a segurança de Jesus e o fechamento, insegurança e medo dos discípulos. A presença de Jesus dá aos apóstolos uma nova relação com a realidade. A morte abriu as portas para uma nova vida, pelo que, já não há razões para temer os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Do medo surge a alegria, cumprindo-se o que Jesus tinha dito antes: “também vós vos sentis agora tristes, mas eu hei de ver-vos de novo! Então, o vosso coração há de alegrar-se e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria” (Jo 16,22).
Do mesmo modo que Deus, no início, insuflou nas narinas do homem o sopro da vida (Gn 2,7), Jesus sopra sobre os discípulos “soprou sobre eles”, dando-lhes o Espírito Santo, “recebei o Espírito Santo”, para que recomecem na vida nova que é missão, “assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós”. A missão de Jesus é perdão. Quebrar as barreiras que separam os homens de Deus e tornar fácil o reencontro com a vida que brota do lado aberto de Jesus: “àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos”.
Nas mãos dos apóstolos fica apenas o poder de perdoar e se eles não fizerem chegar a todos a notícia do perdão de Deus serão culpados por não cumprirem a missão que lhes foi confiada. E só fica de fora do perdão quem não acreditar que Deus, no seu amor, perdoa sempre e a todos.
O segundo quadro do texto evangélico deste domingo, recorda aos crentes a razão pela qual eles se reúnem todos os primeiros dias da semana. Jesus regressou em cada primeiro dia da semana para se encontrar com os seus. O segundo quadro é semelhante ao primeiro. Jesus entra onde eles estão, dá-lhes a paz e mostra as chagas. Desta vez é a Tomé, porque os outros já tinham visto, “põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado”. Era a resposta que Tomé precisava e pedia para acreditar, “se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei”. É tudo quanto o leitor do evangelho precisa para acreditar. O próprio João diz ao terminar o evangelho: “estes, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome”.
O que se vê, porém, não é tudo. O mais importante é o que se crê e não o que se vê. Por essa razão é mais feliz aquele que crê sem ter visto.
Meditação da Palavra
O mesmo grupo de discípulos, antes impulsionado por um entusiasmo que os fez abandonar tudo para seguir Jesus da Galileia a Jerusalém, enfrenta agora a dolorosa experiência do fracasso. Uma atmosfera sombria paira sobre eles como resultado dos recentes acontecimentos, num misto de profunda tristeza e remorso. A memória de terem abandonado o Mestre às mãos daqueles que o levaram à morte, e de o terem negado, com palavras covardes, como Pedro, ou com a fuga silenciosa, como os demais, encerrou-os na casa do medo sem portas nem janelas por onde possam sair.
Mergulhados na mais profunda angústia pela perda do Mestre, em quem tinham depositado a sua esperança, os discípulos sentem-se incapazes de encontrar uma saída. Somente Jesus, aquele que experimentou a morte mas agora vive e detém as chaves do reino dos mortos, pode libertá-los daquela situação. Naquele primeiro dia da semana, estando ainda prisioneiros da escuridão e do peso esmagador da culpa, Jesus surge, rompendo as barreiras que os cegam e fazendo brilhar para eles a luz da ressurreição. Concede-lhes a paz e fá-los experimentar o perdão recriando neles uma nova relação.
Só o perdão possui a força de arrancar o homem das profundezas da depressão existencial. O perdão oferecido por Jesus representa para eles a oportunidade para recomeçar, sem medo do passado que já não interessa. A paz restabelecida nos corações dos discípulos e a vida recriada pelo perdão marcam o início de uma nova alegria, aquela que Jesus anunciara ao dizer “o vosso coração há de alegrar-se e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria”.
Assim aconteceu com os apóstolos: “ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor”. Esta alegria dissipa as dúvidas e revela no ressuscitado ali presente o mesmo Jesus que os tinha chamado outrora, quando, transbordantes de entusiasmo, deixaram tudo para o seguir. O mesmo Jesus que eles viram cercado por multidões, multiplicando pães, curando enfermos, oferecendo perdão e acolhendo a todos que, em busca de consolo, se aproximavam. O mesmo Jesus que, à mesa, lhes legou o memorial da comunidade reunida no primeiro dia da semana, a refeição partilhada no amor. O mesmo Jesus que entregou sua vida ao Pai como supremo sinal de obediência à sua vontade.
A consequência desta obediência é visível nas chagas, nas mãos e nos pés trespassados pelos cravos e no lado aberto pela lança – sinais da misericórdia divina, que a Igreja celebra neste segundo domingo da páscoa, lembrando as palavras proféticas: “pelas suas chagas fomos curados” (Is 53,5). O remédio para as nossas feridas, tanto as individuais quanto as da humanidade, reside na inesgotável misericórdia de Deus.
A misericórdia manifestada na cruz e visível nas chagas, tem o poder de conduzir à fé, como aconteceu com Tomé. Essa mesma misericórdia foi confiada por Jesus como missão aos apóstolos, para que a Igreja, portadora do perdão divino, cure as feridas de todos os homens, crentes e não crentes, daqueles que sofrem as injustiças e são despojados da sua dignidade pela incompreensão e condenação do mundo e de todos os que de algum modo experimentam o sofrimento.
De modo semelhante aos apóstolos encontramos as comunidades perseguidas à quais João se dirige no livro do Apocalipse, de onde foi extraída a segunda leitura. O medo das consequências da perseguição e a consciência da misericórdia como missão misturam-se no espírito dos crentes de todos os tempos. A tentação de se fechar diante do temor dos outros, de suas opiniões e vexames, do ostracismo que podem impor, frequentemente impede a alegria da missão realizada através da atenção às feridas dos irmãos. Estas feridas, dos crentes e do mundo, só a misericórdia de Jesus pode sarar – e de fato cura, hoje, por meio da Igreja e de cada cristão.
Hoje, como nos primeiros tempos, narrados na primeira leitura tirada do livro dos Atos dos Apóstolos, o anúncio do evangelho encontra eco no coração dos homens quando aqueles que anunciam são homens de portas abertas, homens visitados na sua casa por Cristo ressuscitado, habitados pela alegria e pela paz que vêm do encontro com Jesus. Homens assim, são uma luz no meio do mundo porque em todas as pequenas coisas das suas vidas sabem estar a cumprir o mandato do Senhor: “Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós”.
Rezar a Palavra
Senhor Jesus ressuscitado, que a tua presença no meio da comunidade onde celebro a fé ilumine meus olhos para superar a tentação de me isolar. Capacita-me para cumprir a missão que confiaste aos teus discípulos e à tua Igreja, para também eu ser instrumento da tua misericórdia que cura todas as feridas.
Compromisso semanal
Quero trazer em mim os sinais da cruz de Jesus que têm poder para curar as feridas da humanidade.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2025/04/santos-do-dia-da-igreja-catolica-27-de-abril/>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 27 de Abril
Postado em: por: marsalima
Santa Zita

Zita foi empregada doméstica durante trinta anos em Luca, na Itália. Hoje em dia, as comunidades de baixa renda sofrem grande injustiça social, principalmente quando trabalham em serviços domésticos, como ela, mas no século XIII as coisas eram bem piores.
Zita nasceu em 1218, no povoado de Monsagrati, próximo a Luca, e, como tantas outras meninas, ela foi colocada para trabalhar em casa de nobres ricos. Era a única forma de uma moça não se tornar um peso para a família, pobre e numerosa. Ela não ganharia salário, trabalharia praticamente como uma escrava, mas teria comida, roupa e, quem sabe, até um dote para conseguir um bom casamento, se a família que lhe desse acolhida se afeiçoasse a ela e tivesse interesse em vê-la casada.
Zita tinha apenas doze anos quando isso aconteceu. E a família para quem foi servir não costumava tratar bem seus criados. Ela sofreu muito, principalmente nos primeiros tempos. Era maltratada pelos patrões e pelos demais empregados. Porém aguentou tudo com humildade e fé, rezando muito e praticando muita caridade. Aliás, foi o que tornou Zita famosa entre os pobres: a caridade cristã. Tudo que ganhava dos patrões, um pouco de dinheiro, alimentos extras e roupas, dava aos necessitados. A consequência disso foi que, em pouco tempo, Zita dirigia a casa e comandava toda a criadagem. Conquistou a simpatia e a confiança dos patrões e a inveja de outros criados.
Certa vez, Zita foi acusada de estar dando pertences da despensa da casa para os mendigos, por uma das criadas que invejavam sua posição junto aos donos da mansão. Talvez não fosse verdade, mas dificilmente a moça poderia provar isso aos patrões. Assim, quando o patriarca da casa perguntou o que levava escondido no avental, ela respondeu: “são flores”, e soltando o avental uma chuva delas cobriu os seus pés. Esta é uma de suas tradições mais antigas citadas pelos seus fervorosos devotos.
A sua vida foi uma obra de dedicação total aos pobres e doentes que durou até sua morte, no dia 27 de abril de 1278. Todavia, sua interferência a favor deles não terminou nesse dia. O seu túmulo, na basílica de São Frediano, conserva até hoje o seu corpo, que repousa intacto, como foi constatado na sua última exumação, em 1652, e se tornou um lugar de graças e de muitos milagres comprovados e aceitos. Acontecimentos que serviram para confirmar sua canonização em 1696, pelo papa Inocêncio XII.
Apesar da condição social humilde e desrespeitada, a vida de santa Zita marcou de tal forma a história da cidade que ela foi elevada à condição de sua padroeira. E foi uma vida tão exemplar que até Dante Alighieria a cita na Divina Comédia. O papa Pio XII proclamou-a padroeira das empregadas domésticas.
Tiago Alberione (Bem-Aventurado)

Padre Tiago Alberione, Fundador da Família Paulina, foi um dos mais carismáticos apóstolos do século XX. Nascido em San Lorenzo di Fossano (Cuneo), no dia 4 de abril de 1884, recebeu o batismo já no dia seguinte. A família Alberione, constituída por Miguel e Teresa Allocco e por seis filhos, era do meio rural, profundamente cristã e trabalhadora.
O pequeno Tiago, o quarto filho, desde cedo passa pela experiência do chamado de Deus: na primeira série do ensino primário, perguntado pela professora o que faria quando se tornasse adulto, ele responde: Vou tornar-me padre! Os anos da infância se encaminham nessa direção.
Com 16 anos, Tiago é recebido no Seminário de Alba. Desde logo se encontra com aquele que para ele será pai, guia, amigo e conselheiro por 46 anos: o cônego Francisco Chiesa.
No final do Ano Santo de 1900, já estimulado pela encíclica de Leão XIII Tametsi futura (Ainda que se trate de coisas futuras), Tiago vive a experiência decisiva de sua existência. Na noite de 31 de dezembro de 1900, noite que divide os dois séculos, põe-se a rezar por quatro horas diante do Santíssimo Sacramento e, na luz de Deus, projeta o seu futuro. Uma “luz especial” veio ao seu encontro, desprendendo-se da Hóstia e a partir daquele momento ele se sente “profundamente comprometido a fazer alguma coisa para o Senhor e para as pessoas do novo século”: “o compromisso de servir à Igreja”, valendo-se dos novos meios colocados à disposição pelo engenho humano.
No dia 29 de junho de 1907 foi ordenado sacerdote. Como passo seguinte, uma breve, mas significativa experiência pastoral em Narzole (Cuneo), na qualidade de vice-pároco. Lá encontra o bem jovem José Giaccardo, que para ele será o que foi Timóteo para o Apóstolo Paulo. Ainda em Narzole, Padre Alberione amadurece sua reflexão sobre o que pode fazer a mulher engajada no apostolado.
No Seminário de Alba desempenha o papel de Diretor Espiritual dos seminaristas maiores (filósofos e teólogos) e menores (estudantes do ensino médio), e de professor de diversas disciplinas. Dispõe-se a pregar, a catequizar, a dar conferências nas paróquias da diocese. Dedica também bastante tempo ao estudo da realidade da sociedade civil e eclesial do seu tempo e às novas necessidades que se projetam.
Conclui que o Senhor o convoca para uma nova missão: pregar o Evangelho a todos os povos, segundo o espírito do Apóstolo Paulo, usando os modernos meios da comunicação. Justificam essa direção os seus dois livros: Apontamentos de teologia pastoral (1912) e A mulher associada ao zelo sacerdotal (1911-1915).
Essa missão, para ser desenvolvida com carisma e continuidade, deve ser assumida por pessoas consagradas, considerando-se que “as obras de Deus se edificam mediante as pessoas que são de Deus”. Desse modo, no dia 20 de agosto de 1914, enquanto em Roma morria o sumo pontífice, Pio X, em Alba, o Padre Alberione dava início à “Família Paulina” com a fundação da Pia Sociedade São Paulo. O começo é marcado pela extrema pobreza, em conformidade com a pedagogia divina: “inicia-se sempre no presépio”.
A família humana – na qual o Padre Alberione se inspira – é constituída por irmãos e irmãs. A primeira mulher a seguir o Padre Alberione é uma moça de vinte anos, de Castagnito (Cuneo): Teresa Merlo. Com o apoio dela, Alberione dá início à congregação das Filhas de São Paulo (1915). Pouco a pouco, a “Família” cresce, as vocações masculinas e femininas aumentam, o apostolado toma seu curso e assume sua forma.
Em 1918 (dezembro) registra-se o primeiro envio das “filhas” para Susa: inicia-se uma história muito corajosa de fé e de empreendimento, que gera também um estilo característico, denominado (estilo) “paulino”.Em 1923, quando o Padre Alberione adoece gravemente e o diagnóstico médico não sugere um quadro de esperanças, o Fundador, milagrosamente, retoma o caminho: “Foi São Paulo quem me curou”, dirá em seguida. A partir daquele período aparece nas capelas paulinas a inscrição que em sonho ou em revelação o Divino Mestre dirige ao Fundador: Não temam – Eu estou com vocês – Daqui quero iluminar – Arrependam-se dos pecados.
No ano seguinte vem à luz a segunda congregação feminina: as Pias Discípulas do Divino Mestre, para o apostolado eucarístico, sacerdotal e litúrgico. Para orientá-las na nova vocação, Padre Alberione chama a jovem Irmã M. Escolástica Rivata, que morrerá nonagenária, em odor de santidade.
Ao mesmo tempo cresce o edifício espiritual: o Fundador inculca o espírito de dedicação mediante “devoções” de grande peso apostólico: a Jesus Mestre e Pastor “Verdade, Caminho e Vida”; a Maria Mãe, Mestra e Rainha dos Apóstolos; a São Paulo apóstolo. É exatamente a referência ao Apóstolo que caracteriza na Igreja as novas instituições como “Família Paulina”. A meta que o Fundador quer que seja assumida como desafio primordial, é a conformidade plena com Cristo: abraçar por inteiro o Cristo Verdade Caminho e Vida em toda a pessoa, mente, vontade, coração e forças físicas. Diretriz sintetizada em um pequeno volume: Donec formetur Christus in vobis (1932).
Em outubro de 1938, Padre Alberione funda a terceira congregação feminina: as Irmãs de Jesus Bom Pastor ou “Pastorinhas”, que se dedicam ao apostolado pastoral destinado a auxiliar os Pastores.
O desvelo do Fundador é sempre o mesmo: quer que todos entendam que “o primeiro cuidado da Família Paulina deve ser a santidade de vida, o segundo a pureza de doutrina”. Sob essa luz deve ser entendido o seu projeto de uma enciclopédia sobre Jesus Mestre (1959).
O pequeno volume Abundantes divitiae gratiae suae (As abundantes riquezas da sua graça), é considerado como a “história carismática da Família Paulina”. Família que foi se completando entre 1957 e 1960, com a fundação da quarta congregação feminina, o Instituto Rainha dos Apóstolos para as Vocações (Irmãs Apostolinas) e dos Institutos de vida secular consagrada: São Gabriel Arcanjo, Nossa Senhora da Anunciação, Jesus Sacerdote e Sagrada Família. Dez Instituições (inclusive os Cooperadores Paulinos) unidas entre si pelo mesmo ideal de santidade e de apostolado: viver e anunciar Jesus Cristo Caminho, Verdade e Vida.
Nos anos de 1962-1965, o Padre Alberione foi protagonista silencioso, mas atento do Concílio Vaticano II, cujas sessões ele participou diariamente.
Padre Alberione viveu 87 anos. No dia 26 de novembro de 1971 deixou a terra para assumir o seu lugar na Casa do Pai. As suas últimas horas tiveram o conforto da visita e da bênção do papa Paulo VI, que jamais ocultou a sua admiração e veneração pelo Padre Alberione. É sempre comovente o testemunho que deu na Audiência concedida à Família Paulina em 28 de junho de 1969 (o Fundador tinha 85 anos):
«Aí está ele: humilde, silencioso, incansável, sempre vigilante, sempre entretido com os seus pensamentos, que se mobilizam entre a oração e a ação, sempre atento para perscrutar os “sinais dos tempos”.
Em 25 de junho de 1996 o papa João Paulo II assinou o Decreto por meio do qual eram reconhecidas as virtudes heróicas de Alberione.
Foi beatificado por João Paulo II, aos 27 de Abril de 2003, na Praça de S. Pedro, em Roma.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 27 DE ABRIL DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Cor 15, 3b-5
Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze.
V. Este é o dia que o Senhor fez. Aleluia.
R. Exultemos e cantemos de alegria. Aleluia.
Ef 2, 4-6
Deus, que é rico em misericórdia, pela grande caridade com que nos amou, a nós que estávamos mortos por causa dos nossos pecados, restituiu-nos à vida com Cristo – é pela graça que fostes salvos – com Ele nos ressuscitou e nos fez sentar nos Céus com Cristo Jesus.
V. Este é o dia que o Senhor fez. Aleluia.
R. Exultemos e cantemos de alegria. Aleluia.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Ef 2, 4-6
Deus, que é rico em misericórdia, pela grande caridade com que nos amou, a nós que estávamos mortos por causa dos nossos pecados, restituiu-nos à vida com Cristo – é pela graça que fostes salvos – com Ele nos ressuscitou e nos fez sentar nos Céus com Cristo Jesus.
V. Este é o dia que o Senhor fez. Aleluia.
R. Exultemos e cantemos de alegria. Aleluia.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 6, 4
Fomos sepultados com Cristo pelo Baptismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos para glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova.
V. Este é o dia que o Senhor fez. Aleluia.
R. Exultemos e cantemos de alegria. Aleluia.
Oração
Deus de eterna misericórdia, que reanimais a fé do vosso povo na celebração anual das festas pascais, aumentai em nós os dons da vossa graça, para compreendermos melhor as riquezas inesgotáveis do Baptismo com que fomos purificados, do Espírito em que fomos renovados e do Sangue com que fomos redimidos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Hebr 10, 12-14
Cristo, tendo oferecido pelos pecados um único sacrifício, sentou-Se para sempre à direita de Deus, esperando desde então que os seus inimigos sejam postos como escabelo dos seus pés. Por uma única oblação tornou perfeitos para sempre os que Ele santifica.
Em vez do RESPONSÓRIO, diz-se:
Ant. Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria. Aleluia.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
Em vez do RESPONSÓRIO, diz-se:
Ant. Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria. Aleluia.
confraria@catolicospraticantes.com.br
catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
