“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 15 DE FEVEREIRO DE 2025
15 de fevereiro de 2025“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 17 DE FEVEREIRO DE 2025
17 de fevereiro de 2025DOMINGO VI DO TEMPO COMUM (Ano C)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Início do Livro dos Provérbios 1, 1-7.20-33
Exortação para escolher a sabedoria
Provérbios de Salomão, filho de David, rei de Israel,
para conhecer a sabedoria e a disciplina,
para compreender as sentenças profundas,
para adquirir uma formação esclarecida,
– justiça, equidade e rectidão –,
para dar aos inexperientes a prudência
e ao jovem a ciência e a reflexão.
Escute o sábio e aumentará o seu saber
e o homem inteligente alcançará o dom do conselho,
para compreender os provérbios e os enigmas,
as máximas dos sábios e as suas alegorias.
O temor do Senhor é o princípio da sabedoria,
mas os insensatos desprezam a sabedoria e a instrução.
A sabedoria clama pelas ruas,
eleva a sua voz nas praças;
nos lugares de ajuntamento dirige os seus apelos,
junto às portas da cidade profere os seus discursos:
«Até quando, inexperientes, amareis a inexperiência?
Até quando os zombadores se hão-de comprazer em suas mofas
e os insensatos aborrecerão a ciência?
Convertei-vos às minhas advertências:
vou derramar sobre vós o meu espírito,
dar-vos a conhecer as minhas palavras.
Uma vez que vos chamei e recusastes o meu apelo,
estendi a mão e ninguém atendeu,
já que desprezastes todos os meus conselhos
e não aceitastes as minhas advertências,
também Eu me hei-de rir da vossa desventura e zombar,
quando o terror se abater sobre vós,
quando o pânico cair sobre vós como uma tempestade,
quando a desgraça vos surpreender como um furacão,
quando vos atingirem a tribulação e a angústia.
Então chamarão por Mim, mas Eu não responderei;
hão-de procurar-Me e não Me encontrarão.
Porque eles odiaram a ciência
e não aceitaram o temor do Senhor,
não quiseram saber dos meus conselhos
e rejeitaram todas as minhas advertências.
Por isso comerão do fruto dos seus caminhos
e saciar-se-ão dos seus planos.
Pois é a obstinação que mata os inexperientes
e a irreflexão que perde os insensatos.
Mas aquele que me escuta viverá tranquilo,
seguro e sem temer nenhum mal».
RESPONSÓRIO Rom 12, 16b; 1 Cor 3, 18b-19a; 1, 23a.24b
R. Não vos considereis como sábios: se alguém entre vós se julga sábio aos olhos do mundo, faça-se louco para se tornar sábio. * A sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus.
V. Nós pregamos Cristo crucificado, poder de Deus e sabedoria de Deus. * A sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus.
SEGUNDA LEITURA
Do Comentário de Santo Efrém, diácono, sobre o Diatéssaron
(1, 18-19: SC 121, 52-53) (Sec. IV)
A palavra de Deus é fonte inesgotável de vida
Quem poderá compreender, Senhor, toda a riqueza de uma só das vossas palavras? Como o sedento que bebe da fonte, muito mais é o que perdemos do que o que tomamos. A palavra do Senhor apresenta aspectos muito diversos, segundo as diversas perspectivas dos que a estudam. O Senhor pintou a sua palavra com muitas cores, a fim de que cada um dos que a escutam possa descobrir nela o que mais lhe agrada. Escondeu na sua palavra muitos tesouros, para que cada um de nós se enriqueça em qualquer dos pontos que medita.
A palavra de Deus é a árvore da vida, que de todos os lados oferece um fruto bendito, como a rocha que se abriu no deserto, jorrando de todos os lados uma bebida espiritual. Comeram, diz o Apóstolo, uma comida espiritual e beberam uma bebida espiritual.
Aquele que chegou a alcançar uma parte deste tesouro, não pense que nessa palavra está só o que encontrou, mas saiba que apenas viu alguma coisa de entre o muito que lá está. E porque apenas chegou a entender essa pequena parte, não considere pobre e estéril esta palavra; incapaz de apreender toda a sua riqueza, dê graças pela sua imensidade inesgotável. Alegra-te pelo que alcançaste, e não te entristeças pelo que ficou por alcançar. O que tem sede alegra-se quando bebe, e não se entristece por não poder esvaziar a fonte. Vença a fonte a tua sede, e não a tua sede a fonte, porque se a tua sede fica saciada sem que se esvazie a fonte, poderás ainda beber dela quando voltares a ter sede; se, ao contrário, saciada a sede, secasse a fonte, a tua vitória seria a tua desgraça.
Dá graças pelo que recebeste e não te entristeças pelo que sobrou e deixaste. O que recebeste e alcançaste é a tua parte, e o que deixaste é ainda a tua herança. O que não podes receber imediatamente por causa da tua fraqueza, poderás recebê-lo noutra altura, se perseverares. E não tentes avaramente tomar dum só fôlego o que não podes abarcar duma vez, nem desistas, por preguiça, do que podes ir conseguindo pouco a pouco.
RESPONSÓRIO Ef 4, 1.3-4
R. A palavra do Senhor permanece eternamente: * Esta é a palavra que vos foi anunciada.
V. Ela é o livro dos mandamentos de Deus e a lei que permanece eternamente. * Esta é a palavra que vos foi anunciada.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
Ez 36, 25-27
Derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de todas as imundícies; purificar-vos-ei de todos os vossos deuses. Dar-vos-ei um coração novo e infundirei em vós um espírito novo; arrancarei do vosso peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Infundirei em vós o meu espírito e farei que vivais segundo os meus preceitos, que observeis e ponhais em prática as minhas leis.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
V. Anunciamos as vossas maravilhas.
R. E invocamos o vosso nome.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-vi-do-tempo-comum-ano-c/>]
DOMINGO VI DO TEMPO COMUM (Ano C)
Homens que não param
De onde vens? Esse teu ar de viajante diz que vens de longe. Essa mochila colada às costas, essas botas desgastadas nos pés e esse cajado afagado pelas mãos, dizem-me que vens de longe.
Para onde vais? O teu andar ligeiro, o sorriso fácil do teu rosto, a serenidade dos teus olhos, dizem-me que sabes para onde queres ir.
Fica um pouco por aqui. Aqui também podemos ser felizes. Não achas que já andaste demais?
LEITURA I Jr 17, 5-8
Eis o que diz o Senhor:
«Maldito quem confia no homem
e põe na carne toda a sua esperança,
afastando o seu coração do Senhor.
Será como o cardo na estepe,
que nem percebe quando chega a felicidade:
habitará na aridez do deserto,
terra salobre, onde ninguém habita.
Bendito quem confia no Senhor
e põe no Senhor a sua esperança.
É como a árvore plantada à beira da água,
que estende as suas raízes para a corrente:
nada tem a temer quando vem o calor
e a sua folhagem mantém-se sempre verde;
em ano de estiagem não se inquieta
e não deixa de produzir os seus frutos».
O profeta Jeremias sabe que as decisões dos chefes do seu povo, em muitas situações, foram uma recusa de Deus. Foram decisões erradas que trouxeram consequências desastrosas para eles e para todo o povo. Confiar em Deus pode parecer a decisão mais difícil, mas é a mais certa, aquela que conduz à verdadeira felicidade.
Salmo Responsorial Salmo 1, 1-2.3.4.6 (R. Salmo 39,5a)
O salmista confia na lei do Senhor e sabe que tem na lei a orientação para o caminho da bem-aventurança. Rejeitar a lei é seguir pelo caminho dos ímpios e terminar na perdição.
LEITURA II 1Cor 15, 12.16-20
Irmãos:
Se pregamos que Cristo ressuscitou dos mortos,
porque dizem alguns no meio de vós
que não há ressurreição dos mortos?
Se os mortos não ressuscitam,
também Cristo não ressuscitou.
E se Cristo não ressuscitou,
é vã a vossa fé, ainda estais nos vossos pecados;
e assim, os que morreram em Cristo pereceram também.
Se é só para a vida presente
que temos posta em Cristo a nossa esperança,
somos os mais miseráveis de todos os homens.
Mas não.
Cristo ressuscitou dos mortos,
como primícias dos que morreram.
Os cristãos de Corinto têm dificuldade em acreditar na ressurreição. Paulo esclarece que sem ressurreição a fé não tem sentido. A nossa ressurreição tem na ressurreição de Cristo a sua segurança e vale a pena a creditar.
EVANGELHO Lc 6, 17.20-26
Naquele tempo,
Jesus desceu do monte, na companhia dos Apóstolos,
e deteve-Se num sítio plano,
com numerosos discípulos e uma grande multidão
de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e Sidónia.
Erguendo então os olhos para os discípulos, disse:
Bem-aventurados vós, os pobres,
porque é vosso o reino de Deus.
Bem-aventurados vós que agora tendes fome,
porque sereis saciados.
Bem-aventurados vós que agora chorais,
porque haveis de rir.
Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem,
quando vos rejeitarem e insultarem
e proscreverem o vosso nome como infame,
por causa do Filho do homem.
Alegrai-vos e exultai nesse dia,
porque é grande no Céu a vossa recompensa.
Era assim que os seus antepassados tratavam os profetas.
Mas ai de vós, os ricos,
porque já recebestes a vossa consolação.
Ai de vós, que agora estais saciados,
porque haveis de ter fome.
Ai de vós que rides agora,
porque haveis de entristecer-vos e chorar.
Ai de vós quando todos os homens vos elogiarem.
Era assim que os seus antepassados
tratavam os falsos profetas.
Lucas oferece quatro bem-aventuranças e quatro maldições. São dois caminhos que cada um é convidado a escolher, na certeza de que as aparências enganam. Os bem-aventurados podem parecer infelizes aos olhos dos homens mas sabem que encontram em Deus a felicidade que desejam no seu coração.
Reflexão da Palavra
Jeremias fala num contexto histórico concreto em que experiencia a ação dos governantes, sobretudo dos reis, que, em vez de depositarem a sua confiança no Senhor e viverem fiéis à aliança, fazem alianças com os povos mais poderosos, colocando neles a sua esperança, para salvaguardarem a independência. Do mesmo modo em relação à fé, Jeremias verifica que os reis, muitas vezes corrompendo também os sacerdotes, permitem e favorecem a idolatria.
Perante esta situação, o profeta alerta para as consequências de uma tal decisão, afirmando “maldito quem confia no homem e põe na carne a sua confiança”. O profeta não quer estabelecer a desconfiança entre os homens, mas realçar a má decisão do rei e de todos aqueles que, em vez de confiarem no Senhor, confiam em si próprios, nas alianças com os poderes humanos e nas jogadas políticas que arquitetam de forma engenhosa.
“Maldito” não é uma ameaça ou maldição, mas um alerta que convida a ter cuidado porque as opções podem conduzir ao deserto, a uma “terra salobre, onde ninguém habita”, onde, ainda que por ali passe a felicidade, não será percebida porque o coração se tornou insensível longe do Senhor.
Os que são fiéis ao Senhor e põem nele a sua confiança podem parecer insensatos por não acautelarem a sua segurança diante dos homens mas, no final, serão estes os que permanecem, pois, mesmo que venham as dificuldades, são como árvores plantadas à beira da água. Aquele que escolhe colocar a sua segurança no Senhor “nada tem a temer”, “não se inquieta e não deixa de produzir os seus frutos”.
Este alerta é também para hoje, porque somos obrigados a fazer opções e, quem sabe escolher, escolhe confiar no Senhor e permanecer fiel à sua aliança.
Tal como a primeira leitura, o salmo 1, opõe os justos aos ímpios. No salmo podemos encontrar três partes distintas. A primeira é a bem-aventurança do justo, “feliz o homem”, porque rejeita o caminho dos ímpios e pecadores e ama a lei do Senhor meditando-a noite e dia. A segunda parte do salmo compara o justo com a “árvore plantada à beira da água” e o ímpio com “a palha que o vento leva”. Finalmente apresenta uma conclusão “o Senhor vela pelo caminho dos justos,
mas o caminho dos pecadores leva à perdição”.
Perante as muitas circunstâncias da vida, sobretudo quando se vive no meio de uma sociedade materialista e insensível aos valores espirituais, esquece-se o mais importante, o que dá sentido à esperança e é fundamento da fé. À semelhança do que acontece hoje com muitas pessoas, os coríntios acreditam que Cristo ressuscitou, mas têm dificuldade em acreditar que eles também hão de ressuscitar.
Paulo, confrontado com esta maneira de pensar recorda que a fé na ressurreição de Cristo está ligada à fé na nossa ressurreição. Não acreditar na nossa ressurreição é afirmar que também Cristo não ressuscitou e, esta afirmação, revela uma fé vazia, sem conteúdo, pois o fundamento da fé cristã é ressurreição. Para que serve a fé se não é para alcançar a vida eterna da ressurreição?
São muitos os que hoje, mesmo dizendo-se cristãos, não acreditam que vão ressuscitar. Daí, a negar a ressurreição de Cristo é apenas um pequeno passo que conduz à sua negação como salvador e esvazia a fé do seu conteúdo central. Para que serve uma fé sem Cristo salvador? Como pode salvar-nos se não ressuscitou? De que nos salva Cristo se não ressuscitamos?
Paulo esforça-se em afirmar que a ressurreição de Cristo é a verdade fundamental da nossa fé e, porque também nós estamos habitados pelo mesmo Espírito de Cristo, com ele ressuscitaremos. Cristo é o primeiro de uma série, ele é “como primícias”, o primeiro de muitos que tendo sido destruídos pela morte não ficam na morte, porque o poder de Deus se manifesta mais forte e a morte já não tem domínio sobre aqueles em quem habita o Espírito de Cristo.
O texto de Lucas que escutamos no evangelho deste domingo, opõe os bem-aventurados aos amaldiçoados. Ao contrário de Mateus, Lucas apresenta quatro bem-aventurança e quatro maldições. Bem-aventurados são os pobres, os famintos, os que choram e os perseguidos. Os amaldiçoados são os ricos, os saciados, os que riem e os elogiados.
A sentença apresentada está estreitamente relacionada com a entrada ou não no reino de Deus. Os bem-aventurados têm lugar no reino e os amaldiçoados não têm lugar, porque a sua recompensa ou consolação a recebem egoisticamente aqui, já neste mundo, como mais à frente Lucas recorda na parábola do rico e de Lázaro (Lc 16,19-31), “lembra-te de que recebeste os teus bens em vida, enquanto Lázaro recebeu somente males”.
Reconhecendo a realidade das comunidades, Lucas salienta a preferência de Jesus pelos pobres, os famintos, os que choram e os perseguidos, em detrimento dos ricos, dos saciados, dos que riem e são elogiados. Perante esta palavra, os ricos podem reconhecer a possibilidade de seguirem por um caminho que os coloca fora do reino de Deus, sobretudo se não fizerem, como Jesus, uma opção pelos mais fracos. Do mesmo modo, recorda aos pobres que a justiça é feita por Deus, no momento decisivo da história, dando-lhes o que eles merecem por terem sabido escolher o lado onde permanecer durante a vida.
Entretanto, pobres e ricos podem converter as suas vidas ao evangelho e encontrar nele o caminho para o reino. Os pobres são desde já preferidos e é deles o reino, os famintos sabem que chegará o dia de serem saciados, os que choram também são consolados e os perseguidos receberão a recompensa. Os ricos podem assumir a atitude do homem rico que, podendo deixar tudo para seguir Jesus, lhe volta as costas mesmo sabendo que a única recompensa que encontra longe dele é a tristeza. Mas podem assumir a atitude de Zaqueu que, reconhecendo que a sua riqueza, mesmo que tenha sido acumulada de forma justa, não lhe pertence enquanto houver pobres e decide repartir convertendo-se do caminho egoísta em que estava instalado.
Para todos os que escutam o evangelho, Lucas alerta para a possibilidade de não entrarem no reino, apenas por uma má decisão. Estamos ainda no início do evangelho e, é possível ao leitor, neste caso o Teófilo (o amigo de Deus) abrir o coração e converter-se.
Meditação da Palavra
A felicidade é um princípio que atravessa a história da humanidade e a vida de cada pessoa. Formulada de uma forma ou de outra, a verdade é que todos querem ser felizes. Não é mal querer ser feliz, mal é quando alguém não quer ser feliz. Bem diferente é o que cada um entende por felicidade e bem diferentes as razões pelas quais alguém diz ser infeliz. No fundo, percebe-se muito pouco o que significa ser feliz e não se dominam as coordenadas que conduzem à felicidade.
As leituras de hoje esforçam-se por revelar o caminho da felicidade e as condicionantes para a alcançar. Não propõem os critérios que habitualmente a sociedade oferece para lá chegar, muito pelo contrário, parece que os critérios habituais conduzem, de acordo com a palavra deste domingo, a uma infelicidade.
As leituras que escutamos apresentam dois caminhos que podem ser escolhidos livremente por todos os homens, mas chamam a atenção para o facto de um dos caminhos conduzir à bem-aventurança e outro à maldição. Assim, a primeira leitura diz que bem-aventurado é o homem que põe a sua confiança no Senhor e todo aquele que põe a confiança em si mesmo ou no outro homem, esse é “maldito”, “maldito quem confia no homem e põe na carne toda a sua esperança”.
Confiar ou colocar em si ou nos homens a esperança é uma espécie de idolatria que afasta o coração de Deus. Longe de Deus o homem torna-se insensível, só vê o seu próprio interesse e julga poder ser feliz sozinho. Não se apercebe que está a caminhar para o deserto, para uma “terra salobre, onde ninguém habita”. Quando der conta percebe que esteve perto da felicidade, mas acabou sozinho, infeliz. Não é esta a sorte do homem que confia no Senhor. Este, mesmo que passe por situações difíceis sabe que será saciado porque é “como a árvore plantada à beira da água”.
No evangelho Jesus recorre à linguagem do profeta para alertar também os seus discípulos e as multidões para a possibilidade de escolherem de forma errada. Por momentos, é possível que todos os homens tenham inveja de quem aparenta estar bem na vida, dos ricos, dos que participam em grandes banquetes, dos que riem porque tudo lhes corre bem, dos que recebem elogios e são bajulados por todos. Mas, eles caminham por terreno escorregadio. Estão no caminho que os conduz à maldição. Em breve se verá a sua desgraça.
Pelo contrário, os pobres, os que passam fome, os que choram e os perseguidos por causa de Jesus, não são invejados por ninguém, podem até ser considerados os mais miseráveis dos homens. Mas a sua esperança está em Deus e de Deus virá a resposta que fará justiça aos oprimidos e humilhados, porque encontram alegria “na lei do Senhor, e nela meditam dia e noite”.
A justiça do Senhor é apresentada na forma de reino de Deus. Aquele que espera no Senhor, o que não está satisfeito consigo próprio nem coloca a sua alegria nas riquezas, no prazer, na fama e no elogio, esse tem um lugar no reino de Deus. O que vive parado em si mesmo, nos seus bens, na sua satisfação pessoal, sem ir ao encontro do irmão pobre e humilhado, esse não tem lugar no reino de Deus.
Jesus está a dizer aos seus discípulos, no meio da multidão, que eles fizeram uma escolha. Fizeram a escolha certa, mas essa escolha leva-os pelo caminho da pobreza, das lágrimas, da fome e da perseguição como ele e por causa dele, o pobre entre os pobres, o rejeitado por todos os poderosos deste mundo. Os discípulos têm lugar no reino porque não escolheram com critérios mundanos, mas divinos.
Porque deve o discípulo escolher o lado difícil da vida? Porque a sua esperança não está nas coisas deste mundo. Podendo usufruir dos bens desta terra, a sua esperança não se limita à posse das realidades deste mundo. A esperança do discípulo de Jesus está na vida eterna. Paulo insiste com os coríntios sobre a fé na ressurreição. Se a fé deles está posta apenas nas coisas deste mundo a fé é vazia e acaba num caminho sem saída. A esperança cristã tem como conteúdo a fé na ressurreição. Acreditar que Cristo morreu e ressuscitou implica acreditar também na nossa ressurreição, caso contrário é inútil a nossa fé.
Quem não acredita na ressurreição procura a riqueza deste mundo e põe nela toda a sua esperança. Abrir-se à fé na ressurreição é o primeiro passo para aceitar as limitações da vida presente, na certeza de que Deus tem para nós a plenitude da felicidade que tanto ansiamos.
Rezar a Palavra
Senhor, há decisões difíceis de assumir. Quando me desafias a seguir-te sabes o que implica esta decisão, mas eu nem sempre sei. Vou-me dando conta à medida que dou passos contigo e vou escutando a tua palavra. Hoje, pedes que deposite em ti toda a minha confiança, que a minha esperança esteja só em ti e parece-me bem, mas depois percebo que isso pode implicar ser pobre, passar fome, ser homem de lágrimas e um perseguido sem nome. E tu continuas a dizer que esta é a decisão certa. Ensina-me a caminhar, a não ficar parado em mim e nas minhas coisas. Ensina-me a ver que só tu me podes preencher totalmente e saciar todo este desejo de felicidade que trago dentro de mim.
Compromisso semanal
Quero ser feliz a caminho com Jesus.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2025/02/santos-do-dia-da-igreja-catolica-16-de-fevereiro/>]
Santos do Dia da Igreja Católica -16 de Fevereiro
Postado em: por: marsalima
Santo Onésimo
Onésimo era o nome do escravo de um importante e rico cidadão chamado Filemon que viveu na Frígia, atual Turquia, na Ásia Menor. Filemon, sua esposa e filho, em certa ocasião ouvindo o apóstolo Paulo se converteram, tocados pela palavra de Cristo. Paulo batizou a toda a família e os dois se tornaram amigos. Este escravo, cujo nome em grego significa útil, roubou dinheiro de seu amo. Assim, temendo ser castigado resolveu fugir.
O castigo para os escravos recapturados era ter a letra “F” marcada em brasa na testa e para os ladrões era a morte. Por isto foi para Roma onde deve ter cometido alguma infração, pois foi preso e algum tempo depois libertado. No cárcere conheceu o apóstolo Paulo que mais uma vez era prisioneiro dos romanos. Ouvindo sua palavra, o escravo foi tocado pela Paixão de Cristo e se arrependeu. Procurando o apostolo, confessou sua culpa e foi perdoado. Assim, Onésimo se converteu e recebeu o batismo do próprio Paulo, que o enviou de volta para o também amigo Filemon com uma carta.
Nela, o santo apóstolo explicou que estaria disposto a pagar em dinheiro pelo erro do escravo, caso Filemon não o perdoasse, pois estava convencido de que Onésimo estava mudado e se emendara completamente. Narrou a sua conversão e, inspirado pelo Espírito Santo escreveu: “Venho suplicar-te por Onésimo, meu filho, que eu gerei na prisão. Ele outrora não te foi de grande utilidade, mas agora será muito útil, tanto a mim como a ti. Eu envio-o a ti como se fosse o meu próprio coração….Portanto, se me consideras teu irmão na fé, recebe-o como a mim próprio”. (Fm 18 e 19)
Sabedor da sinceridade e do poder que Paulo tinha para fazer pessoas se converterem à vida cristã, para dali em diante viverem na honestidade e na caridade, Filemon perdoou Onésimo. Depois, deu total apoio ao seu ex-escravo que passou a trabalhar com a palavra e também com seu próprio exemplo.
Onésimo ficou muito ligado ao apóstolo Paulo, que o enviou à cidade de Colossos como evangelizador. Depois foi consagrado bispo de Efeso, onde substituiu Timóteo. Durante sua missão episcopal, a fama de suas virtudes ultrapassou os limites de sua diocese. Segundo uma tradição antiga, na época do imperador Domiciano foi preso e levado a Roma, onde morreu apedrejado, como mártir cristão.
Embora este acontecimento não tenha total comprovação, a Igreja incluiu Santo Onésimo entre seus santos, porque são fortes os indícios de que seja realmente um mártir do cristianismo dos primeiros tempos.
José Allamano (Bem-Aventurado)
Ele nasceu em Castelnuovo d’Asti, Itália, em 21 de janeiro de 1851. Também a cidade natal de São João Bosco, “o apóstolo da juventude”; e de seu tio São José Cafasso, irmão de sua mãe. Ambos foram seus orientadores e educadores desde a infância. Assim, José Allamano viveu no seio de uma família extremamente cristã.
Com vontade própria e decidido, ingressou no Oratório do Seminário Diocesano de Turim, onde recebeu a ordenação sacerdotal aos 22 anos e se formou em teologia um ano depois. Com 25 anos, foi convocado para continuar no mesmo seminário, como Diretor espiritual, demonstrando ter, apesar de jovem, excelentes qualidades de formador. Repetiu e inculcou, biblicamente aos noviços, a seguinte frase: “Fazer bem o Bem”.
Quando padre Allamano foi nomeado Reitor do conceituado Santuário Mariano da “Consolata”, tinha apenas 29 anos e permaneceu na função durante quarenta e seis anos, quando faleceu. A “Consolata” se tornou o campo de ação para todas as suas atividades sacerdotais. Muito atento, e com a mente aberta às necessidades e exigências pastorais do seu tempo, direcionou todas as iniciativas da diocese em favor da promoção da ação social da Igreja, da imprensa católica, da defesa e assistência ao clero, das associações operárias.
Também foi o Cônego da catedral, Superior de comunidades religiosas, membro de comissões e comitês diocesanos. Fundou em 1901 o Instituto Missões Consolata, composto de sacerdotes e de irmãos leigos. Em 1910 iniciou o Instituto das Irmãs Missionárias da Consolata.
Padre José Allamano tinha uma saúde frágil, mas este servo de Deus era de uma fortaleza heróica. Sem abandonar as atividades da diocese, priorizou e se ocupou da formação do clero, dos missionários e missionárias. O ideal que propunha era de servir as missões com dedicação total de mente, palavra e coração.
Este mestre e benfeitor do clero morreu serenamente na sua residência, junto ao Santuário da Consolata, a 16 de fevereiro de 1926. Seu corpo repousa em paz na Capela da Casa Mãe dos Missionários da Consolata, em Turim, Itália.
Em Roma, no dia 7 de outubro de 1990, o papa João Paulo II beatificou José Allamano. Nesta ocasião os dois Institutos missionários da “Consolata”, fundados por ele, contavam com mais de dois mil membros espalhados em vinte e cinco países.
Beato José Allamano foi um visionário de pensamento avançado para seu tempo, sua beatificação teve um significado de especial reconhecimento, não apenas pelo exemplo de sua vida santificada, mas por ter antecipado que era obrigação de cada Igreja local se abrir à missão universal.
Felipa Mareri (Bem-Aventurada)
Felipa pertenceu à nobre família dos Mareri. Nasceu em 1200, no castelo situado no povoado de São Pedro do Molito, nos arredores de Rieti, em Nápolis, Itália. Este pequeno burgo, no período medieval, foi passagem obrigatória da estrada que de Assis levava a Roma. Certo dia, neste castelo, a baronesa Felipa Mareri se encontrou com Francisco de Assis, que com o ardor da sua palavra a convenceu, como tinha acontecido algum tempo antes com Clara de Assis, a abandonar as riquezas da casa de sua família, para se dedicar inteiramente ao Senhor.
Durante quatro anos, Felipa fez do iluminado irmão Francisco o seu orientador espiritual. Depois deste período, tomou a resolução de se consagrar a Deus, com tanta determinação que nem as pressões dos parentes, nem as ameaças do irmão Tomás, nem os pedidos dos pretendentes, a fizeram mudar de ideia. Inclusive, teve de seguir o exemplo de Clara de Assis e fugiu de casa. Com algumas companheiras se refugiou numa gruta nas proximidades da propriedade dos Mareri, hoje chamada “Gruta de Santa Felipa”.
Após três anos, esta pequena comunidade de “religiosas da gruta” ganhou fama devido a dedicação e seriedade das religiosas, que além da atividade espiritual se dedicavam ao atendimento dos doentes pobres, que lhes pediam auxílio. Nesta ocasião, seus dois irmãos, Tomás e Gentil, foram ao seu encontro e lhe doaram o castelo de São Pedro de Molito e as terras onde estava construída a pequena igreja do povoado.
Felipa foi para lá com suas seguidoras, criando assim uma nova ordem religiosa, que ficou sob sua direção. A vida da nova Ordem foi organizada segundo o programa traçado por São Francisco para as Clarissas de São Damião. A observância espiritual do mosteiro foi confiada ao beato Rugero de Todi, pelo próprio São Francisco.
Sob esta direção o mosteiro se tornou uma escola de santidade e a fundadora o exemplo da vida espiritual. A ocupação principal da comunidade era o culto e o louvor a Deus, a vida litúrgica, a literatura e o estudo da Bíblia. Mas ao lado destas atividades espirituais, o trabalho de assistência aos doentes foi assumido como meta do apostolado comunitário. No mosteiro eram feitos os medicamentos para serem distribuídos gratuitamente aos pobres.
Felipa com o seu estilo de vida, fez reviver algumas páginas do Evangelho, num mundo que as tinha esquecido. Ela morreu com fama de santidade no dia 16 de fevereiro de 1236. A sua sepultura se tornou meta de peregrinação e logo começou a registrar graças e favores celestiais, concedidos por Deus, pela intercessão desta sua serva.
O Papa Inocêncio IV, em 1247, beatificou a irmã Felipa Mareri, que se tornou a primeira religiosa da Segunda Ordem Franciscana, sendo festejada no dia de sua morte. Em 1706, os seus restos mortais foram trasladados para a Cripta da capela da igreja do mosteiro e o seu coração que estava incorrupto, colocado num relicário de prata, onde se mantém até hoje.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 16 DE FEVEREIRO DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 5, 1-2.5
Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
V. Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor
R. E para sempre proclamarei a sua fidelidade.
Oração
Deus eterno e omnipotente, que governais o céu e a terra, escutai misericordiosamente as súplicas do vosso povo e concedei a paz aos nossos dias. Por Nosso Senhor.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 26
O Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis.
V. A Vós, Senhor, se eleva a minha súplica:
R. Dai-me inteligência segundo a vossa palavra.
Oração
Deus eterno e omnipotente, que governais o céu e a terra, escutai misericordiosamente as súplicas do vosso povo e concedei a paz aos nossos dias. Por Nosso Senhor.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Cor 1, 21-22
Quem nos confirma em Cristo – a nós e a vós – é Deus. Foi Ele que nos concedeu a unção, nos marcou com um sinal e imprimiu em nossos corações o penhor do Espírito.
V. O Senhor é minha luz e salvação,
R. O Senhor é o protector da minha vida.
Oração
Deus eterno e omnipotente, que governais o céu e a terra, escutai misericordiosamente as súplicas do vosso povo e concedei a paz aos nossos dias. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Tes 2, 13-14
Devemos continuamente dar graças a Deus por vós, irmãos amados por Deus, porque Deus vos escolheu como primícias para serdes salvos pelo Espírito que santifica e pela fé na verdade. Foi para isso que Ele vos chamou por meio do Evangelho, para possuirdes a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
V. Infinita é a sua sabedoria.
R. Admirável é o seu poder.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.



