“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 7 DE MARÇO DE 2025
7 de março de 2025“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 9 DE MARÇO DE 2025
9 de março de 2025Sábado depois das Cinzas
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Do Livro do Êxodo 3, 1-20
Vocação de Moisés e revelação do nome de Deus
Naqueles dias, Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã. Ao levar o rebanho para além do deserto, chegou ao monte de Deus, Horeb. Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor numa chama ardente, do meio de uma sarça. Moisés olhou para a sarça, que estava a arder, e viu que a sarça não se consumia.
Então disse Moisés: «Vou aproximar-me para ver tão assombroso espectáculo: por que motivo não se consome a sarça?». O Senhor viu que ele se aproximava para ver. Então Deus chamou-o do meio da sarça: «Moisés, Moisés!». Ele respondeu: «Aqui estou!». Continuou o Senhor: «Não te aproximes. Tira as sandálias dos pés, porque o lugar que pisas é terra sagrada». E acrescentou: «Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob». Então Moisés cobriu o rosto, com receio de olhar para Deus.
Disse-lhe o Senhor: «Eu vi a situação miserável do meu povo no Egipto; escutei o seu clamor provocado pelos opressores. Conheço, pois, a sua dor. Desci para o libertar das mãos dos egípcios e o levar deste país para uma terra boa e espaçosa, onde corre leite e mel, para a região onde habitam o cananeu, o hitita, o amorreu, o ferezeu, o hivita e o jebuseu. O clamor dos fi lhos de Israel chegou até Mim; vi também a violência com que os egípcios os oprimem. Agora põe-te a caminho, que Eu vou enviar-te ao Faraó, para que tires do Egipto o meu povo, os filhos de Israel».
Moisés disse a Deus: «Mas quem sou eu, para ir à presença do faraó e tirar do Egipto os fi lhos de Israel?». Deus respondeu-lhe: «Eu estarei contigo, e este é o sinal de que fui Eu que te enviei: Quando tirares o povo do Egipto, adorareis a Deus neste monte».
Moisés disse a Deus: «Vou então procurar os filhos de Israel e dizer-lhes: “O Deus dos vossos pais enviou-me a vós”. Mas, se me perguntarem qual é o seu nome, que hei-de responder-lhes?».
Disse Deus a Moisés: «Eu sou ‘Aquele que sou’». E prosseguiu: «Assim falarás aos fi lhos de Israel: “O que Se chama ‘Eu Sou’ é que me enviou a vós”». Deus disse ainda a Moisés: «Assim falarás aos fi lhos de Israel: “O Senhor (Aquele que é), o Deus dos vossos pais, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob, enviou-me a vós. Este é o meu nome para sempre; assim Me chamareis de geração em geração”.
Vai reunir os anciãos de Israel e diz-lhes: “O Senhor, o Deus dos vossos pais, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, apareceu-me e disse-me: ‘Visitei-vos e vi como vos tratam no Egipto; e decidi libertar-vos da opressão do Egipto e levar-vos para a região dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos ferezeus, dos hivitas e dos jebuseus, para uma terra onde corre leite e mel’”. Eles escutarão o teu apelo, e tu irás com os anciãos de Israel à presença do rei do Egipto e dir-lhe-ás: “O Senhor, Deus dos hebreus, apareceu-nos. Permite que façamos uma viagem de três dias através do deserto, para irmos oferecer um sacrifício ao Senhor nosso Deus”.
Eu sei que o rei do Egipto não vos deixará partir senão à força. Mas Eu estenderei a minha mão e ferirei o Egipto com toda a espécie de prodígios que nele hei-de realizar. Depois deixar-vos-á partir».
RESPONSÓRIO Ex 3, 14; Is 43, 11
R. Aparecerá no céu o sinal do Filho do homem. * Assim falarás aos filhos de Israel: O que Se chama «Eu Sou» é que me enviou a vós.
V. Eu sou o Senhor, e fora de Mim não há Salvador. * Assim falarás aos filhos de Israel: O que Se chama «Eu Sou» é que me enviou a vós.
SEGUNDA LEITURA
Do Tratado de Santo Ireneu, bispo, «Contra as heresias»
(Liv. 4, 13, 4 – 14, 1: SC 100, 534-540) (Sec. II)
A amizade de Deus
Nosso Senhor, o Verbo de Deus, que primeiramente atraiu os homens para serem servos de Deus, libertou depois os que se Lhe submeteram, como Ele próprio diz aos seus discípulos: Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; Eu chamo-vos amigos, porque tudo o que ouvi a meu Pai vo-lo dei a conhecer. A amizade de Deus é fonte de imortalidade para aqueles que se Lhe aproximam.
No princípio, Deus formou Adão, não porque tivesse necessidade do homem, mas para ter alguém que pudesse receber os seus benefícios. De facto, não só antes de Adão, mas antes de toda a criatura, o Verbo glorificava o Pai, permanecendo n’Ele, e era glorificado pelo Pai, segundo as suas próprias palavras: Glorifica-Me, ó Pai, com a glória que Eu tinha junto de Ti, antes de o mundo existir.
Também não foi por precisar dos nossos serviços que nos mandou segui-l’O, mas para nos dar a salvação. Seguir o Senhor é receber a salvação, tal como seguir a luz é receber a luz.
Não são os que estão na luz que iluminam a luz, mas é esta que os ilumina e faz resplandecer; eles nada lhe dão, são eles que beneficiam da luz e por ela são iluminados.
Do mesmo modo, o serviço que prestamos a Deus nada acrescenta a Deus, porque Ele não precisa do serviço dos homens; mas àqueles que O servem e seguem, Deus dá a vida, a incorruptibilidade e a glória eterna. Favorece com os seus dons aqueles que O servem, precisamente porque O servem, e aqueles que O seguem, precisamente porque O seguem; mas nenhum benefício recebe deles, porque é perfeito e de nada carece.
Se Deus reclama o serviço dos homens, é porque, na sua bondade e misericórdia, deseja conceder os seus dons aos que o homem é que precisa da comunhão com Deus.
A glória do homem consiste em perseverar e permanecer no serviço de Deus. Por isso dizia o Senhor aos seus discípulos: Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi, dando assim a entender que não eram eles que O glorificavam com o seu seguimento, mas que, por terem seguido o Filho de Deus, eram por Ele glorificados. E disse ainda: Quero que, onde Eu estou, eles estejam também comigo, para que vejam a minha glória.
RESPONSÓRIO Cf. Deut 10, 12; Mt 22, 38
R. Eis o que te pede o Senhor teu Deus: * Que temas o Senhor teu Deus, O ames e O sirvas com todo o teu coração e com toda a tua alma.
V. Este é o maior e o primeiro mandamento: * Que temas o Senhor teu Deus, O ames e O sirvas com todo o teu coração e com toda a tua alma.
Oração
Deus eterno e omnipotente, olhai benigno para a nossa fraqueza e protegei-nos com o poder do vosso braço. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
Isaías 1, 16-18
Lavai-vos, purificai-vos, afastai dos meus olhos a malícia das vossas ações. Deixai de praticar o mal e aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva. Vinde então, para discutirmos as nossas razões, diz o Senhor. Ainda que os vossos pecados sejam como o escarlate, tornar-se-ão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã.
RESPONSÓRIO BREVE
V. O Senhor me livrará do laço do caçador.
R. O Senhor me livrará do laço do caçador.
V. A sua fidelidade é escudo e couraça.
R. O Senhor me livrará do laço do caçador.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. O Senhor me livrará do laço do caçador.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/sabado-depois-das-cinzas-7/>]
Sábado depois das Cinzas
Leitura I: Is 58, 9b-14
Eis o que diz o Senhor:
«Se tirares do meio de ti toda a opressão,
os gestos de ameaça e as palavras ofensivas,
se deres do teu pão ao faminto
e matares a fome ao indigente,
brilhará na escuridão a tua luz
e a tua noite será como o meio-dia.
O Senhor será sempre o teu guia
e saciará a tua alma nos lugares desertos.
Dará vigor aos teus ossos
e tu serás como o jardim bem regado,
como nascente cujas águas nunca faltam.
Reconstruirás as ruínas antigas
e levantarás os alicerces seculares;
e serás chamado ‘reparador de brechas’,
‘restaurador de casas em ruínas’.
Se te abstiveres de profanar o sábado
e de tratar de negócios no dia santificado,
se chamares ao sábado as tuas delícias
e o consagrares à glória do Senhor,
se o respeitares não fazendo viagens,
evitando os teus negócios e empreendimentos,
então encontrarás no Senhor as tuas delícias;
Eu te levarei em triunfo às alturas da terra
e farei que te alimentes da herança de teu pai Jacob».
Assim falou a boca do Senhor.
compreender a palavra
Continuando o texto bíblico proclamado na celebração de Sexta-feira, Isaías, aprofunda a reflexão sobre as obras que agradam ao Senhor, as obras de misericórdia, que podemos dividir em duas partes. Na primeira parte Deus identifica-se com o oprimido, o faminto e o pobre. O que fizeres ao outro reverterá numa recompensa inesperada, serás como um jardim, como uma nascente de água. O bem feito aos irmãos é importante aos olhos de Deus e vem em primeiro lugar, mas, aquele que assim ama os irmãos, volta-se para o Senhor de todo o coração. Por isso, na segunda parte do texto, Isaías recorda a importância do Sábado como dia do Senhor. Respeitar o Sábado, libertando-o dos interesses materiais simbolizados nos negócios, é caminho para o encontro com o Senhor e a recompensa será a herança prometida a Jacob.
meditar a palavra
O texto de Isaías recorda o juízo final de Mateus, “o que fizestes ao mais pequenino foi a mim que o fizestes… ou deixastes de fazer”. Na verdade quando saciamos o faminto o Senhor sacia-nos a nós, não deixando que a farinha se esgote na panela nem o azeite na almotolia (Cf. 1Reis 17). Quando afastamos de nós a opressão o Senhor torna-se o guia para os nossos passos. A vida dada aos outros transforma-se num jardim, numa nascente de água que não se esgota. “Dai e dar-se-vos-á” (Lc 6), dirá Jesus mais tarde. Quem assim trabalha, constrói, edifica, repara, restaura. Os passos que nos orientam para os pobres são passos que nos levam a Deus. Por isso Isaías alerta para a necessidade de respeitar o dia do Senhor e fazer deste dia um dia de “delícias”, um dia que encanta e alegra a nossa vida.
rezar a palavra
Sacia-me Senhor… e guia os meus passos pelos teus caminhos. Que eu saiba encontrar-te no oprimido e servir-te no faminto. Que eu saiba acolher-te no pobre e amar-te no indigente. Que a tua luz brilhe sobre mim como o sol do meio dia e o meu coração se transforme numa nascente de água que sacia os sedentos de amor. Que eu possa ser como um jardim aprazível onde todos encontram descanso e saiba descansar em ti, de todas as minhas preocupações.
compromisso
Vou repartir uma parte dos bens que o Senhor me oferecer ao longo do dia.
Evangelho: Lc 5, 27-32
Naquele tempo,
Jesus viu um publicano chamado Levi,
sentado no posto de cobrança,
e disse-lhe: «Segue-Me».
Ele, deixando tudo, levantou-se e seguiu Jesus.
Levi ofereceu-lhe um grande banquete em sua casa.
Havia grande número de publicanos e de outras pessoas
com eles à mesa.
Os fariseus e os escribas murmuravam,
dizendo aos discípulos:
«Porque comeis e bebeis com os publicanos e os pecadores?»
Então Jesus, tomando a palavra, disse-lhes:
«Não são os que têm saúde que precisam de médico,
mas sim os doentes.
Eu não vim chamar os justos,
vim chamar os pecadores, para que se arrependam».
compreender a palavra
Mateus (Levi) experimenta a força do olhar e do chamamento de Jesus e abandona tudo. Esta mudança na sua vida coloca-o sob o olhar dos fariseus e dos escribas. Mateus, porém, não se importando muito convida Jesus para um banquete e enche a casa de publicanos. Diante desta visão os fariseus não se atrevem a dizer a Jesus, mas aproximam-se dos discípulos para criticar aquela situação: “Porque comeis e bebeis com os publicanos e os pecadores?”. A resposta de Jesus deixa claro que o pecado só atinge aquele que o deixa entrar no seu coração. Eles não entraram no banquete e, no entanto estão contaminados no seu coração. Jesus entrou no banquete lado a lado com pecadores e não se deixou contaminar.
meditar a palavra
O relato de Lucas deixa-me a pensar no coração de Mateus que se deixou olhar por Jesus a ponto de sentir o seu chamamento a segui-lo e dispor-se a deixar tudo. Sinto no meu coração esta aventura e sinto-me necessitado do olhar sedutor de Jesus. Sem este olhar não serei capaz de mudar nada na minha vida. Por outro lado compreendo-me no lugar dos fariseus que estão de fora. Há neles uma inveja de não estar com Jesus. Queriam estar com ele à mesa, até mereciam mais que os outros pelo seu comportamento, mas têm as suas condições. Na sua mesa não se sentam os impuros, os contaminados, os pecadores. Tantas vezes eu sou assim. Não aguento a proximidade de certas pessoas tidas como pecadoras ou excluídas por alguma outra razão. Mas Jesus procura a proximidade dos que precisam dele, da sua misericórdia. Se não me converter aos pecadores, aos pobres, aos excluídos, corro o risco de me sentar sozinho à mesa a criticar os que fazem festa com Jesus. Nesta quaresma tenho que me converter aos últimos e caminhar com eles e com Jesus.
rezar a palavra
Olha-me, Senhor, como olhaste Levi, o cobrador de impostos. Olha-me e desperta os meus ouvidos para o teu chamamento. Olha-me e arrasta-me contigo para o meio dos pecadores, dos doentes, dos carentes de amor. Olha-me a abre o meu coração em festa, a festa dos últimos, daqueles que não tendo nada sabem sorrir, saltar, dançar, alegrar-se com a tua presença.
compromisso
Desprendo-me dos preconceitos que me afastam dos excluídos.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2025/03/santos-do-dia-da-igreja-catolica-08-de-marco/>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 08 de Março
Postado em: por: marsalima
São João de Deus
João Cidade Duarte nasceu no dia 08 de março de 1495 em Montemor-o-novo, perto de Évora, Portugal. Seu pai era vendedor de frutas na rua. Da sua infancia sabemos apenas que, João, aos oito ou fugiu ou foi raptado por um viajante, que se hospedou em sua casa. Depois de vinte dias, sua mãe não resistiu e morreu. O pai acabou seus dias no convento dos franciscanos, que o acolheram.
Enquanto isso, João foi à pé para a Espanha rumo à cidade de Madrid, junto com mendigos e sanltimbancos. Nos arredores de Toledo, o viajante o deixou aos cuidados de um bom homem, Francisco Majoral, administrador dos rebanhos do Conde de Oropesa, conhecido por sua caridade. Foi nessa época que ganhou o apelido de João de Deus, porque ninguém sabia direito quem era ou de onde vinha.
Por seis anos Francisco o educou como um filho, ao lado de sua pequenina filha. Dos catorze anos até os vinte e oito João trabalhou e viveu como um pastor. E quando Francisco decideu casa-lo com sua filha, de novo ele fugiu, começando sua vida errante.
Alistou-se como soldado de Carlos V e participou da batalha de Paiva, contra Francisco I. Vitorioso, abandonou os campos de batalha e ganhou o mundo. Viajou por toda a Europa, foi para a África, trabalhou como vendedor ambulante em Gibraltar. Então, qual filho pródigo, voltou à sua cidade natal, onde ninguém o reconheceu, pois os pais já tinham falecido; novamente rumou à Espanha, onde abriu uma livraria em Granada.
Nessa cidade, em 1538, depois de ter ouvido um inflamado sermão proferido por João d’Ávila, que a Igreja também canonizou, arrependido dos seus pecados e tocado pela graça, saiu correndo da igreja, e gritou: “misericórdia, Senhor, misericórdia”. Todos riram dele, mas João de Deus não se importou. Distribuiu todos os seus bens aos pobres e começou a fazer rigorosas penitências. Tomado por louco foi internado num hospital psiquiátrico, onde foi tratado desumanamente. Depois de ter experimentado todas as crueldades que aí se praticavam e orientado por João d’Ávila decidiu fundar uma casa-hospitalar, para tratar os loucos. Criou assim uma nova Ordem religiosa, a dos Irmãos Hospitaleiros.
Ao todo foram mais de oitenta casas-hospitalares fundadas, para abrigar loucos e doentes terminais. Para cuidar deles, usava um processo todo seu, sendo considerado o precursor do método psicanalítico e psicossomático, inventado quatro séculos depois por Freud e seus discípulos. João de Deus, que nunca se formou em medicina, curava os doentes mentais utilizando a fé e sua própria experiência. Partia do princípio de que curando a alma, meio caminho havia sido trilhado para curar o corpo. Ele sentia a dualidade da situação do doente, por te-la vivenciado dessa maneira. João de Deus sentia-se pertencer ao mundo dos loucos e ao mundo dos pecadores e indignos e, por isso, se motivou a trabalhar na dignificação, reabilitação e inserção de ambas as categorias. Um modelo de empatia e convicções profundas tão em falta, que várias instituições seguiram sua orientação nesse sentido, tempos depois e ainda hoje.
Depois, João de Deus e seus discípulos passaram a atender todos os tipos de enfermos. Seu mote era: “fazei o bem, irmãos, para o bem de vós mesmos”. Ele morreu no mesmo dia em que nasceu, aos cinqüenta e cinco anos, no dia 8 de março de 1550. Foi canonizado pelo Papa Leão XIII que o proclamou padroeiro dos hospitais, dos doentes e de todos aqueles que trabalham pela cura dos enfermos.
Hoje a Ordem Hospitaleira São João de Deus, é um instituto religioso, internacional, com sede em Roma, composto de homens que por amor a Deus se consagram à hospitalidade misericordiosa para com os doentes e necessitados em quarenta e cinco países dos cinco continentes.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE .. DE MARÇO DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Ap 3, 19-20
Eu repreendo e corrijo aqueles que amo. Sê zeloso e arrepende- te. Eu estou à porta e chamo. Se alguém ouvir a minha voz e Me abrir a porta, entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo.
V. Criai em mim, ó Deus, um coração puro,
R. Renovai em mim a firmeza de alma.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Is 44, 21-22
Lembra-te de que és meu servo. Eu te formei, Israel, meu servo, e não te esquecerei. Dissipei como nuvem as tuas iniquidades e como névoa os teus pecados. Volta para Mim, porque Eu te resgatei..
V. Desviai o vosso rosto das minhas culpas,
R. Purificai-me de todos os meus pecados.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Cor 6, 1-4a
Nós vos exortamos a que não recebais a graça de Deus em vão. Porque Ele diz: «No tempo favorável Eu te ouvi, nos dias da salvação Eu te ajudei». Eis o tempo favorável, eis os dias da salvação. Não dêmos escândalo a ninguém, para que o nosso ministério não seja desacreditado, mas mostremo-nos em tudo como ministros de Deus.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Tende compaixão de nós, Senhor, porque somos pecadores.
R. Tende compaixão de nós, Senhor, porque somos pecadores.
V. Cristo, ouvi as súplicas dos que Vos imploram.
R. Porque somos pecadores.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Tende compaixão de nós, Senhor, porque somos pecadores.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Cor 6, 1-4a
Nós vos exortamos a que não recebais a graça de Deus em vão. Porque Ele diz: «No tempo favorável Eu te ouvi, nos dias da salvação Eu te ajudei». Eis o tempo favorável, eis os dias da salvação. Não dêmos escândalo a ninguém, para que o nosso ministério não seja desacreditado, mas mostremo-nos em tudo como ministros de Deus.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Tende compaixão de nós, Senhor, porque somos pecadores.
R. Tende compaixão de nós, Senhor, porque somos pecadores.
V. Cristo, ouvi as súplicas dos que Vos imploram.
R. Porque somos pecadores.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Tende compaixão de nós, Senhor, porque somos pecadores.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Deut 6, 4-7
Escuta, Israel. O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. As palavras que hoje te prescrevo ficarão gravadas no teu coração. Hás-de recomendá-las a teus filhos, e nelas meditarás, quer estando sentado em casa quer andando pelos caminhos, quando te deitas e quando te levantas.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.

