“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 19 DE JULHO DE 2025
19 de julho de 2025“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 21 DE JULHO DE 2025
21 de julho de 2025XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM (Ano C)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Início da Segunda Epístola de São Paulo aos Coríntios 1, 1-14
Acção de graças no meio das tribulações
Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo por vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à Igreja de Deus que está em Corinto e aos cristãos que vivem em toda a Acaia: A graça e a paz vos sejam dadas da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as nossas tribulações, para podermos consolar aqueles que estão atribulados, por meio da consolação que nós mesmos recebemos de Deus. Na verdade, assim como abundam em nós os sofrimentos de Cristo, também por Cristo abunda a nossa consolação. Se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação; se somos consolados, é para vossa consolação, a m de suportardes com fortaleza os mesmos sofrimentos que nós suportamos. A nossa esperança a vosso respeito é rme, porque sabemos que, participando nos sofrimentos, também participareis na consolação. Não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que tivemos na ásia. Fomos oprimidos além das nossas forças, a tal ponto que chegámos a desesperar da própria vida. Sentimos dentro de nós a sentença de morte, para que já não con emos em nós próprios, mas em Deus, que ressuscita os mortos. Foi Ele que nos livrou e nos livra de morte tão cruel. D’Ele esperamos que ainda nos livrará, contribuindo também vós com a oração em nosso favor, para que esta graça, que nos foi concedida por intercessão de tantas pessoas, seja também para muitos um motivo de acção de graças a nosso respeito. Porque esta é a nossa glória: o testemunho da nossa consciência, que nos diz que temos procedido para com todos, especialmente para convosco, segundo a simplicidade e a sinceridade que vêm de Deus, não com a sabedoria carnal, mas com a graça divina. Não vos escrevemos outra coisa senão o que podeis ler e compreender. Espero que o compreendereis inteiramente, como já compreendestes em parte: que somos a vossa glória, como também vós sereis a nossa, no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo.
RESPONSÓRIO Salmo 93 (94), 18-19; 2 Cor 1, 5
R. A vossa bondade, Senhor, me sustenta. * Quando se multiplicaram as angústias do meu coração, as vossas consolações confortaram a minha alma.
V. Assim como abundam em nós os sofrimentos de Cristo, também por Cristo abunda a nossa consolação. * Quando se multiplicaram as angústias do meu coração, as vossas consolações confortaram a minha alma.
SEGUNDA LEITURA
Início da Epístola de Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir, aos Magnésios (Nn. 1, 1 – 5, 2: Funk 1, 191-195) (Sec. I)
Não basta ter o nome de cristão, é preciso sê-lo deveras
Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja de Magnésia do Meandro, abençoada pela graça de Deus Pai, em Jesus Cristo nosso Salvador, no qual a saúdo com votos de muita felicidade, em Deus Pai e em Jesus Cristo. Ao saber que a vossa caridade está muito bem orientada, segundo Deus, senti uma grande alegria e resolvi dirigir-vos a palavra na fé de Jesus Cristo. Honrado com um nome de esplendor divino, por causa das cadeias que levo comigo por toda a parte, canto um hino de louvor às Igrejas, a quem desejo a perfeita união com a Carne e o Espírito de Jesus Cristo, nossa eterna vida, a união na fé e na caridade que se deve procurar acima de tudo, e principalmente a união com Jesus e com o Pai, no qual afrontamos e vencemos todos os ataques do príncipe deste mundo e alcançaremos a Deus. Tive a honra de vos ver na pessoa do vosso bispo Damas, homem verdadeiramente digno de Deus, dos santos presbíteros basso e Apolónio, e do diácono Sozião, meu companheiro no serviço do Senhor. Possa eu continuar a gozar da companhia de Sozião, porque está sujeito ao seu bispo como à graça de Deus e ao colégio presbiteral como à lei de Cristo. Entretanto não deveis abusar da pouca idade do vosso bispo; tratai-o com toda a reverência, considerando a autoridade que lhe vem de Deus Pai. Sei que os vossos santos presbíteros não abusam da sua juventude que é manifesta, mas, como pessoas sensatas em Deus, se lhe submetem, não a ele, mas ao Pai de Jesus Cristo, que é o bispo de todos. Em atenção Àquele que nos ama, devemos obedecer sem sombra de hipocrisia; porque, desobedecendo, não era a este bispo visível que tentaríamos enganar, mas ao bispo invisível; quer dizer, neste caso, não se trata já de ir contra um homem mortal, mas contra Deus que conhece o segredo de todas as coisas. É necessário, portanto, não apenas ter o nome de cristão, mas sê-lo deveras. Alguns, de facto, mencionam continuamente o nome do bispo, mas fazem tudo sem ele. Não me parece que estes procedam em boa consciência, porque as suas assembleias não são legítimas, segundo o preceito do Senhor. Todas as coisas têm fim e os dois termos que se nos apresentam são a vida e a morte. Cada um irá para o seu lugar. É como se houvesse duas moedas, uma de Deus e outra do mundo. Cada uma delas tem gravado o seu próprio cunho. Os in éis têm a imagem do mundo; os que permanecem éis na caridade têm a imagem de Deus Pai, por intermédio de Jesus Cristo. Se não estivermos dispostos a morrer para imitarmos a sua paixão, também não teremos em nós a sua vida.
RESPONSÓRIO 1 Tim 4, 11.16.15
R. Sê o modelo dos féis na palavra, no comportamento, na caridade, na fé e na pureza. * Se procederes desse modo, salvar-te-ás a ti e àqueles que te ouvem.
V. Atende a estas coisas e ocupa-te nelas com todo o empenho, para que o teu progresso seja manifesto a todos. * Se procederes desse modo, salvar-te-ás a ti e àqueles que te ouvem.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente .
Oração
Concedei, Senhor nosso Deus, que Vos adoremos de todo o coração e amemos todos os homens com sincera caridade. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
2 Tim 2, 8.11-13
Lembra-te de que Jesus Cristo, descendente de Davi, ressuscitou dos mortos. É digna de fé esta palavra: Se morremos com Cristo, também com Ele viveremos; se sofremos com Cristo, também com Ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; se formos infiéis, ele permanecerá fiel, porque não pode negar-se a si mesmo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Nós vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
R. Nós vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
V. Anunciamos as vossas maravilhas
R. E invocamos o vosso nome.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Nós vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM (Ano C)
Ano C>]
LEITURA I Gn 18, 1-10a
Naqueles dias,
o Senhor apareceu a Abraão junto do Carvalho de Mambré.
Abraão estava sentado à entrada da sua tenda,
no maior calor do dia.
Ergueu os olhos e viu três homens de pé diante dele.
Logo que os viu, deixou a entrada da tenda
e correu ao seu encontro;
prostrou-se por terra e disse:
«Meu Senhor, se agradei aos vossos olhos,
não passeis adiante sem parar em casa do vosso servo.
Mandarei vir água, para que possais lavar os pés
e descansar debaixo desta árvore.
Vou buscar um bocado de pão, para restaurardes as forças
antes de continuardes o vosso caminho,
pois não foi em vão que passastes diante da casa do vosso servo».
Eles responderam: «Faz como disseste».
Abraão apressou-se a ir à tenda onde estava Sara e disse-lhe:
«Toma depressa três medidas de flor da farinha,
amassa-a e coze uns pães no borralho».
Abraão correu ao rebanho e escolheu um vitelo tenro e bom
e entregou-o a um servo que se apressou a prepará-lo.
Trouxe manteiga e leite e o vitelo já pronto
e colocou-o diante deles;
e, enquanto comiam, ficou de pé junto deles debaixo da árvore.
Depois eles disseram-lhe:
«Onde está Sara, tua esposa?».
Abraão respondeu: «Está ali na tenda».
E um deles disse:
«Passarei novamente pela tua casa daqui a um ano,
e então Sara, tua esposa, terá um filho».
No meio dos impossíveis da vida, e debaixo de um calor intenso, Abraão levanta-se e acolhe três personagens que não têm nome. No gesto de lavar os pés, sentar à mesa, servir uma refeição preparada de propósito para as visitas, Abraão sabe que recebe na sua casa o próprio Deus. Do fundo da sua alma ergue-se um grito “não passeis adiante sem parar em casa do vosso servo” e no seu coração fica uma promessa “Sara tua esposa terá um filho”.
Salmo 14 (15), 2-3a.3cd-4ab.5 (R. 1a)
Este hino de peregrinação, que é o salmo 14, questiona sobre a dignidade com que nos apresentamos diante de Deus. Seremos dignos de entrar na sua casa e de nos sentarmos à sua mesa? O salmo diz que é necessário ter um coração puro para nos apresentarmos diante de Deus.
LEITURA II Col 1, 24-28
Irmãos:
Agora alegro-me com os sofrimentos que suporto por vós
e completo na minha carne o que falta à paixão de Cristo,
em benefício do seu corpo, que é a Igreja.
Dela me tornei ministro,
em virtude do cargo que Deus me confiou a vosso respeito,
isto é, anunciar-vos em plenitude a palavra de Deus,
o mistério que ficou oculto ao longo dos séculos
e que foi agora manifestado aos seus santos.
Deus quis dar-lhes a conhecer
em que consiste, entre os gentios,
a glória inestimável deste mistério:
Cristo no meio de vós, esperança da glória.
E nós O anunciamos, advertindo todos os homens
e instruindo-os em toda a sabedoria,
a fim de os apresentarmos todos perfeitos em Cristo.
Paulo está maravilhado ao ver que o mistério de Cristo é anunciado, manifestado e acolhido entre os não judeus. Ele tornou-se servidor do mistério de Cristo e não encontra maior alegria do que sentir a força que faz com que a Palavra de Deus se realize plenamente em todos os homens.
EVANGELHO Lc 10, 38-42
Naquele tempo,
Jesus entrou em certa povoação,
e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa.
Ela tinha uma irmã chamada Maria,
que, sentada aos pés de Jesus,
ouvia a sua palavra.
Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço.
Interveio então e disse:
«Senhor, não Te importas
que minha irmã me deixe sozinha a servir?
Diz-lhe que venha ajudar-me».
O Senhor respondeu-lhe:
«Marta, Marta,
andas inquieta e preocupada com muitas coisas,
quando uma só é necessária.
Maria escolheu a melhor parte,
que não lhe será tirada».
Este pequeno texto de Lucas recorda que a Palavra de Jesus é o mais importante. Quando damos a nós mesmos o tempo para estar a sós com Jesus ou quando a vida nos obriga a realizar as tarefas de cada dia, a palavra de Jesus é sempre o mais importante. Aquele que tem em si a Palavra de Jesus não deixa que o seu coração se agite ao ponto de reclamar com tudo e com todos. Pelo contrário, realiza todas as coisas saboreando nelas a atitude de serviço e disponibilidade que Jesus nos propõe no evangelho.
Reflexão da Palavra
O texto que temos diante de nós surge no livro dos Genesis depois de vários anúncios da promessa de Deus a Abraão. De facto, desde o capítulo 12, em que Deus desafia Abrão a deixar a sua terra, a família e a casa do Pai, que ele aguarda o cumprimento da palavra de Deus “farei de ti um grande povo, abençoar-te-ei, engrandecerei o teu nome e será uma fonte de bênçãos” (12, 2).
Durante os mais de vinte anos que separam o primeiro encontro de Deus com Abraão e esta visita “junto dos carvalhos de Mambré”, Abraão viveu suspenso na promessa, chegando a acreditar que não seria um filho seu, mas um escravo, o herdeiro. Primeiro Eliézer (15,2) e depois Ismael. Deus sempre lhe disse “não é ele que será o teu herdeiro, mas aquele que sairá das tuas entranhas”. Abraão vive na expetativa do dia em que se cumprirá a promessa. Há pressa em Abraão ao sentir que o tempo passa e se torna cada vez mais difícil tornar-se realidade este desejo. Por isso, o texto de hoje põe Abraão a correr.
O texto é muito interessante e cheio de pormenores, sendo que um deles se sobrepõe a todos os outros, Deus veio hospedar-se na tenda de Abraão. Abraão está numa terra emprestada por Mambré, o dono dos carvalhos, a cuja sombra ele montou a tenda. Abraão não tem morada fixa. Está sentado à porta da tenda, nem dentro nem fora e tem diante dele todo o horizonte. À hora de maior calor, em que já não se espera que apareça alguém, o horizonte longínquo aproxima-se de Abraão na figura de três homens. É Deus quem vem a casa de Abraão na figura de três homens. Abraão percebe que está diante de Deus e não pode perder aquela oportunidade, que pode ser única, de o receber em sua casa, e corre a gritar “meu Senhor, se mereci o teu favor, peço-te que não passes adiante, sem parar em casa do teu servo” (18, 3). Deus aceita hospedar-se em casa de Abraão, veio para isso e para dar cumprimento à promessa feita há muitos anos, por isso diz: “Faz como disseste”.
A promessa de Deus renova-se na vida de Abraão com data marcada, “passarei novamente pela tua casa daqui a um ano e então Sara tua esposa terá um filho”. A espera é longa, mas Deus, não se esquece da sua aliança.
Pode Deus hospedar-se na casa de um homem? E o homem, pode hospedar-se na casa de Deus? É esta a pergunta do salmo. Composto em três partes, o salmo 14 é usado em Jerusalém na liturgia de receção aos peregrinos. O salmo abre com uma pergunta, depois responde à pergunta e no final tira uma conclusão. A pergunta aparece no texto litúrgico deste domingo como refrão: “Quem habitará, Senhor, no vosso santuário?” O salmista pergunta sobre as condições necessárias para entrar na casa do Senhor, no seu templo, para estar de consciência tranquila e em paz com Deus. O peregrino ou o crente que em cada sábado sobe ao templo para rezar, questiona-se “quem poderá, Senhor, habitar no teu santuário?”, que é como quem pergunta “sou eu digno de entrar neste lugar sagrado?”.
Na casa do Senhor ninguém se deve apresentar sem as condições necessárias, sem o traje de cerimónia, sem a alma purificada. Na parábola de Jesus, o rei, ao entrar “viu um homem que não trazia o traje nupcial- E disse-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem traje nupcial?” (Mt 22, 11-12).
Que condições são necessárias para entrar e habitar na casa do Senhor? O salmista responde com uma série de requisitos do coração, “uma vida sem mancha”, “pratica a justiça”, “diz a verdade que tem no coração”, “não levanta calúnias”, “não faz mal ao próximo”, “não prejudica ninguém”, “despreza o que é desprezível”, “estima o que teme o Senhor”, “não falta ao juramento”, “não empresta dinheiro com usura” e “não se deixa subornar”. A conclusão é simples: “Quem assim proceder jamais será abalado”.
Paulo tornou-se ministro da Igreja no dia em que acolheu Jesus pela fé e a sua vida transformou-se numa experiência de sofrimento que ele vive unido a Cristo na Cruz, por isso diz: “alegro-me com os sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta à paixão de Cristo, em benefício do seu corpo que é a Igreja”. Esta situação já tinha sido prevenida por Cristo quando foi dizendo aos discípulos que ele próprio tinha que sofrer e eles também haviam de sofrer, porque “o discípulo não é mais do que o Mestre” (Lc 6,40). Se o mestre “vai ser entregue às mãos dos homens” (Lc 9,44), “tem de sofrer muito” (Lc 9,22), o mesmo pode acontecer aos discípulos “vão deitar-vos as mãos e perseguir-vos, entregando-vos nas prisões; hão de conduzir-vos perante reis e governadores por causa do meu nome” (Lc 21,12).
De onde resulta este sofrimento? Da necessidade e urgência de anunciar a Palavra de Deus, “anunciar-vos em plenitude a palavra de Deus”, na qual se revela o “mistério de Cristo” que estava “oculto ao longo dos séculos”, e que foi, agora revelado também aos gentios, pois “Deus quis dar-lhes a conhecer… a glória inestimável deste mistério” que é “esperança e glória”. Ora, o mundo opõe-se a este mistério e ao anúncio feito por Paulo e pelos demais discípulos e pregadores, do mesmo modo que se opôs ao próprio Cristo até o levar à morte. Aquele que se tornou ministro por encargo de Deus, como Paulo, não pode calar-se, tem que fazer como o apóstolo “nós O anunciamos, advertindo todos os homens e instruindo-os em toda a sabedoria, a fim de os apresentarmos todos perfeitos em Cristo”.
Esta experiência de Paulo, apesar de dolorosa é fonte de alegria. Aquele que conhece o mistério, isto é, recebeu o anúncio que diz de Cristo que ele é “a imagem de Deus invisível, o primogénito de toda a criatura”, que “Ele é anterior a todas as coisas e nele tudo subsiste”, que “Ele é a cabeça da Igreja que é o seu corpo” e que nele e no seu sangue Deus reconciliou todas as coisas do céu e da terra, encontra motivo de alegria, mesmo que faça a experiência do sofrimento. É Paulo quem o diz “alegro-me com os sofrimentos” e adverte os filipenses “a vós foi dada a graça de assim atuardes por Cristo: não só a de nele acreditar, ma também a de sofrer por ele”.
A caminho de Jerusalém, Jesus, vai ensinando aos doze uma série de atitudes necessárias a todo aquele que quiser ser seu discípulo. No domingo passado, com a parábola do Bom Samaritano, ensinou que o amor não é uma teoria, mas uma atitude que beneficia alguém com algo concreto. Este domingo ensina que o verdadeiro discípulo escuta a sua palavra.
O texto começa com a disponibilidade de Marta para com Jesus recebendo-o em sua casa. Com esta atitude, Marta mostra ter lugar para o outro, capacidade para o acomodar na sua vida, dispor do seu tempo para com ele, dedicar-lhe uma atenção especial, colocar-se inteiramente ao seu serviço. Jesus aceita esta disponibilidade e vai para sua casa com os doze.
Em casa de Marta a cena coloca em confronto a atitude desta Marta com a da sua irmã, Maria. Não porque Marta tenha agido mal, mas porque Jesus quer ensinar aos doze a verdadeira atitude do discípulo, servindo-se de Maria como exemplo. Diz Jesus que ela “escolheu a melhor parte”. Com isso, ensina que, acolhe-lo não é o mesmo que acolher outra pessoa. O verdeiro discípulo acolhe primeiro a Palavra, escutando atentamente, e só depois se ocupa e preocupa com as outras coisas que, sendo necessárias, não são o mais importante. Para Jesus, em todo o evangelho, a escuta da palavra é uma prioridade e é decisivo para todo o discípulo. Podemos recordar aqui parábolas como a do semeador e a da casa construída sobre a rocha, por exemplo.
Quando falta a palavra, alteram-se as prioridades e o modo como se vivem as circunstâncias. Marta “atarefava-se com muito serviço”, mas esse não é o seu problema. Jesus toca-lhe na ferida quando lhe diz “andas inquieta e preocupada com muitas coisas”. Na realidade, para Jesus, “uma só é necessária”. Jesus vai dizê-lo mais adiante “não vos inquieteis quanto à vossa vida” (Lc 12, 22) e conclui, “não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber, nem andeis ansiosos, pois as pessoas do mundo é que andam à procura de todas estas coisas” (Lc 12, 29-30).
Marta vive como as pessoas do mundo ocupada com muitas coisas, Maria escolheu a única coisa que é necessária e os discípulos de Jesus têm que fazer uma escolha entre as coisas do mundo e a palavra de Deus.
Meditação da Palavra
“Maria escolheu a melhor parte”
No caminho para Jerusalém, Jesus aproveita para ensinar aos doze alguns princípios básicos que devem ser assimilados por qualquer dos seus discípulos, a verdadeira caridade, a escuta da palavra e a oração. Ao ser recebido em casa de Marta, mulher que manifestou ter um coração capaz de acolher qualquer pessoa sem medir nem contabilizar esforços, Jesus senta-se a ensinar. O evangelho não diz qual era o assunto. O que interessa a Lucas é o que Jesus diz no diálogo com Marta.
Ocupada com as tarefas da cozinha, preocupada para que a comida esteja pronta a horas de servir aos convidados e com a abundância necessária porque eram muitos, Marta perde-se de Jesus, enquanto Maria sentada aos seus pés escuta atentamente.
Para uma família do tempo de Jesus a presença de Maria na sala, juntamente com os homens, não era normal. As mulheres estavam à parte e cuidavam das tarefas domésticas. Por isso, Marta tem razão e todos concordam, quando se dirige a Jesus para lhe dizer “não te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir?”. O normal seria Jesus repreender Maria e mandá-la ajudar a irmã, como esta esperava.
Jesus, já o sabemos, não está muito preocupado com as normas sociais. Para ele há coisas mais importantes. E, querendo ensinar os seus discípulos e alertar Marta ao mesmo tempo para o facto de nos deixarmos influenciar pelo mundo, onde as pessoas andam preocupadas com muitas coisas, Jesus ‘repreende’ Marta e não Maria: “Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas”.
Para Jesus, também já o sabemos, não devemos andar preocupados e inquietos com o que havemos de comer, beber ou vestir, porque o pai do céu, que cuida das flores e dos passarinhos sem que eles trabalhem, também cuida de nós porque bem sabe do que necessitamos.
A nós deve preocupar-nos apenas uma coisa, a mais importante e que Maria escolheu, que é escutar Jesus. A palavra de Deus, que dá forma à vida, caminho por onde ir e meta aonde chegar, não pode perder-se. Jesus manifesta uma grande preocupação com a palavra. Na parábola do semeador adverte que, alguns “ouvem, mas o diabo vem e tira-lhes a palavra do coração… Outros acreditam por algum tempo e afastam-se na hora da provação… outros ouviram, mas são sufocados pelos cuidados, pelas riquezas e pelos prazeres da vida” (Lc 8,12-14).
Isto pode acontecer aos discípulos e Marta é apresentada como exemplo. Sem deixar de ser boa pessoa, disponível e acolhedora, esquece-se do mais importante, de modo que, tudo o que faz se transforma num sofrimento que não tem descanso, nem alegria nem paz, correndo o risco de se tornar uma pessoa amarga.
Os discípulos não podem ser como Marta, precisam ser como a Maria e pôr-se ao serviço com a alegria que vem da força que neles atua através da palavra. É desta alegria que fala Paulo na carta aos Colossenses. Também ele se tornou discípulo de Cristo desde o momento em que ouviu a sua voz no caminho de Damasco. A partir daquele encontro determinante fez uma opção que o levou a mudar de vida. Deixou de perseguir a Igreja e tornou-se seu ministro, dedicando-se por inteiro ao anúncio da palavra que revela o mistério de Cristo, que é “esperança e glória”.
A escolha feita naquele tem-lhe causado muitos sofrimentos, tanto entre os gentios como entre os judeus, como sabemos. Mas Paulo, iluminado pela palavra, consciente da esperança a que foi chamado e cheio de confiança naquele em quem acreditou, não perde a alegria, antes se une a Cristo na sua paixão.
Todo o discípulo sabe que a sua adesão a Cristo implica passar pela experiência do sofrimento. O próprio Cristo o disse de si mesmo “o filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens” (Lc 9,44), “tem de sofrer muito (Lc 9,22) e o mesmo pode suceder àqueles que o seguem “vão deitar-vos as mãos e perseguir-vos, entregando-vos nas prisões; hão de conduzir-vos perante reis e governadores por causa do meu nome” (Lc 21,12).
Será a palavra a torna-los fortes, “a minha palavra está em vós”, e aquele que “escuta a minha palavra e a põe em prática é como uma casa construída sobre a rocha”. A figura de Abraão, surge como o testemunho da confiança em Deus e na sua palavra. Tendo escutado a voz de Deus quando estava em Ur com a família, Abraão viveu toda a sua vida confiado naquela voz que lhe sussurrou a promessa de um filho. As circunstâncias da vida quiseram fazê-lo tremer na sua fé, porque não era provável que um homem de quase cem anos e uma mulher de idade avançada tivessem um filho das próprias entranhas.
Abraão, atravessou a noite escura, com lágrimas e dúvidas, mas não vacilou em relação a voz que conduziu toda a sua vida. Naquela tarde de calor, sentado à porta da tenda, a palavra torna-se presença e ele corre ao perceber que, naqueles três personagens é o próprio Deus que vem, e grita prostrado a seus pés “se agradei aos vossos olhos, não passeis adiante sem parar em casa do vosso servo”.
Abraão sentiu que podia ser a sua última oportunidade e aproveitou-a. Acolheu Deus na sua tenda e ouviu-o dizer: “passarei novamente pela tua casa daqui a um ano e então Sara tua esposa terá um filho”.
Marta não aproveitou a presença de Jesus na sua casa como fez Maria e foi advertida. Paulo ao conhecer o evangelho tomou consciência da grandeza do mistério de Cristo e aproveitou a oportunidade para lhe entregar a sua vida experimentando a alegria no meio do sofrimento.
Hoje pode ser a nossa última oportunidade de deixar a voz de Deus ecoar nos nossos corações e de o receber em nossa casa. Estamos dispostos?
Rezar a Palavra
Só um Deus grande como tu pode caber na pequenez da minha tenda, por isso quero dizer-te como Abraão: “Se agradei aos vossos olhos, não passeis adiante sem parar em casa do vosso servo”. Deixa que te lave os pés e prepare para ti a mesa. Comeremos juntos, falaremos de ti e de mim, habitaremos um no outro, serás eu, serei tu, eu na tua cruz, tu na minha, cumprindo em nós a mesma promessa.
Compromisso semanal
Como Maria escolho a melhor parte.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santo do dia 21 de julho: São Lourenço de Brindisi, enérgico pregador capuchinho
20 de julho de 2025
São Lourenço dormia sobre tábuas, levantava-se à noite para rezar salmos, jejuava com pão e verduras, fugia de receber honras e tentava estar sempre alegre e de bom humor com todos

Por ACI Digital
São Lourenço nasceu em Brindisi (Itália) em 1559. Desde pequeno se destacou nos estudos e por ter uma boa memória. Quando era adolescente, pediu para ingressar no convento dos capuchinhos, onde teve um diálogo interessante com o superior que o advertiu sobre a vida dura e austera que levaria.
“Padre, em minha cela haverá um crucifixo?”, perguntou o jovem. “Sim, terá”, respondeu o superior. “Pois isso me basta. Ao olhar Cristo Crucificado, terei forças para sofrer, por amor a Ele, qualquer padecimento”, disse o rapaz que, ao tomar o hábito religioso, recebeu o nome de Lourenço.
Como diácono, obteve muitas conversões à fé, graças a sua pregação. Tempos depois, ordenado sacerdote, o Papa Clemente VIII lhe pediu que trabalhasse na conversão dos judeus, missão na qual também se destacou, apoiado em seu conhecimento do hebraico. Certo dia, um sacerdote lhe perguntou qual era seu segredo para pregar e o santo respondeu: “Em boa parte, deve-se à minha boa memória. Em outra boa parte, a que dedico muitas horas me preparando. Mas a causa principal é que encomendo muito a Deus minhas pregações e, quando começo a pregar me esqueço de todo o plano que tinha e começo a falar como se estivesse lendo em um livro misterioso vindo do céu”.
São Lourenço dormia sobre tábuas, levantava-se à noite para rezar salmos, jejuava com pão e verduras, fugia de receber honras e tentava estar sempre alegre e de bom humor com todos.
Foi canonizado em 1881 e, em 1959, São João XXIII lhe outorgou o título de Doutor da Igreja.”
A pedido do imperador Rodolfo II, foi e obteve a ajuda dos príncipes alemãs contra os turcos, chegando até mesmo a capelão geral do exército. Em uma campanha, discursou aos combatentes, foi à frente deles sem armas e com um crucifixo, e os turcos sofreram uma esmagadora derrota.
Diz-se que em seu regresso, o santo se deteve no convento de Gorizia, onde o Senhor apareceu a ele no coro e lhe deu a comunhão. Depois, serviu em várias missões diplomáticas que favoreceram à paz em diversas regiões da Europa.
Mais tarde, São Lourenço se retirou ao convento de Caserta e era frequentemente arrebatado em êxtase durante a celebração da Missa. Partiu para a Casa do Pai em 22 de julho de 1619, o mesmo dia do seu aniversário. Foi canonizado em 1881 e, em 1959, São João XXIII lhe outorgou o título de Doutor da Igreja.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 20 DE JULHO DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Cor 6, 19-20
Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus? Não vos pertenceis a vós mesmos: fostes resgatados por grande preço. Glorificai a Deus no vosso corpo.
V. A minha alma suspira pelos átrios do Senhor,
R. O meu coração e a minha carne exultam no Deus vivo
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Deut 10, 12
Agora, Israel, que te pede o Senhor teu Deus? Que respeites o Senhor teu Deus, que sigas todos os seus caminhos, que O ames e sirvas com todo o teu coração e com toda a tua alma.
V. Quem habitará, Senhor, no vosso santuário?
R. O que vive sem mancha e diz a verdade que tem no coração.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Cant 8, 6b-7
O amor é forte como a morte, e a paixão é violenta como o abismo. É uma chama ardente, um fogo divino. As águas torrenciais não conseguem apagar o amor, nem os rios o podem submergir.
V. Eu Vos amo, Senhor, minha fortaleza,
R. Meu protector, minha defesa e meu salvador.
Oração
Concedei, Senhor nosso Deus, que Vos adoremos de todo o coração e amemos todos os homens com sincera caridade. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Hebr 12, 22-24
Vós aproximastes-vos do monte Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celeste, de muitos milhares de Anjos em reunião festiva; de uma assembleia dos primogénitos cujos nomes estão inscritos no Céu; de Deus, juiz do universo; dos espíritos dos justos que atingiram a perfeição; de Jesus, Mediador da Nova Aliança, e do Sangue de aspersão que fala mais eloquentemente que o sangue de Abel.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
V. Infinita é a sua sabedoria
R. Admirável é o seu poder.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
