“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 02 DE AGOSTO DE 2025
2 de agosto de 2025“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 4 DE AGOSTO DE 2025
4 de agosto de 2025DOMINGO XVIII DO TEMPO COMUM (Ano C)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Início da Profecia de Amós 1, 1 – 2, 3
Sentenças do Senhor contra as nações pagãs
Palavras de Amós, um dos pastores de Técua; visão que teve
acerca de Israel, no tempo de Ozias, rei de Judá, e de Jeroboão,
filho de Joás, rei de Israel, dois anos antes do terramoto.
Disse o profeta:
«O Senhor rugirá de Sião,
de Jerusalém fará ouvir a sua voz.
Os prados dos pastores estarão desolados
e o cimo do Carmelo ficará ressequido.
Assim fala o Senhor:
‘Por três e por quatro crimes de Damasco,
não revogarei a minha decisão,
porque eles despedaçaram Galaad com grades de ferro.
Lançarei fogo à casa de Hazael
e esse fogo devorará os palácios de Ben‑Hadad;
quebrarei os ferrolhos de Damasco,
exterminarei os habitantes de Bigat‑Aven
e o que tem o ceptro na mão em Bet‑Eden.
E o povo arameu será deportado para Quir,
diz o Senhor’.
Assim fala o Senhor:
‘Por três e por quatro crimes de Gaza,
não revogarei a minha decisão,
porque deportaram uma multidão de cativos
para os entregar aos edomitas.
Lançarei fogo às muralhas de Gaza
e esse fogo devorará os seus palácios;
exterminarei os habitantes de Azot
e o que tem na mão o ceptro de Ascalon.
Levantarei a mão contra Acaron
e o resto dos filisteus perecerá,
diz o Senhor’.
Assim fala o Senhor:
‘Por três e por quatro crimes de Tiro,
não revogarei a minha decisão,
porque entregaram aos edomitas uma multidão de cativos
e esqueceram a aliança fraterna.
Lançarei fogo às muralhas de Tiro
e esse fogo devorará os seus palácios’.
Assim fala o Senhor:
‘Por três e por quatro crimes de Edom,
não revogarei a minha decisão,
porque ele perseguiu à espada o seu irmão,
calcando aos pés toda a piedade;
porque ele continuou a alimentar a sua cólera
e guardou obstinadamente o seu rancor.
Lançarei fogo a Temã
e esse fogo devorará os palácios de Bosra’.
Assim fala o Senhor:
‘Por três e por quatro crimes dos filhos de Amon,
não revogarei a minha decisão,
porque desventraram as mulheres grávidas de Galaad
para alargarem as suas fronteiras.
Lançarei fogo às muralhas de Rabá
e esse fogo devorará os seus palácios,
no clamor do dia da batalha,
no turbilhão do dia da tempestade;
o seu rei partirá para o exílio e com ele os seus chefes,
diz o Senhor’.
Assim fala o Senhor:
‘Por três e por quatro crimes de Moab,
não revogarei a minha decisão,
porque queimaram e calcinaram os ossos do rei de Edom.
Lançarei fogo a Moab
e esse fogo devorará os palácios de Cariot.
Moab perecerá no meio do tumulto,
entre gritos de guerra e sons de trombeta;
exterminarei o seu juiz
e farei morrer com ele todos os seus chefes,
diz o Senhor’».
RESPONSÓRIO Salmo 9, 8b.9; Amós 1, 2a
R. O Senhor firmou o seu trono para julgar. Ele julga a terra com justiça * Governa os povos com rectidão.
V. O Senhor rugirá desde Sião, fará ouvir a sua voz desde Jerusalém. * Governa os povos com rectidão.
SEGUNDA LEITURA
Início da chamada Epístola de Barnabé
(Cap. 1, 1-8; 2, 1-5: Funk 1, 3-7) (Sec. II)
A esperança da vida é o princípio e o fim da nossa fé
Eu vos saúdo na paz, filhos e filhas, em nome do Senhor que nos amou.
Grandes e abundantes são os dons de justiça que Deus vos concedeu; por isso me alegro profundamente, ao saber que as vossas almas são bem‑aventuradas e gloriosas, porque acolhestes a graça do dom espiritual que se implantou entre vós. Cresce mais ainda a minha alegria e a esperança da minha própria salvação, ao contemplar como foi derramada sobre vós a abundância do Espírito que procede da fonte do Senhor. Foi deveras maravilhoso o espectáculo que oferecestes à minha vista.
Estou plenamente convencido e consciente de que ao falar convosco vos ensinei muitas coisas, porque o Senhor me acompanhou no caminho da justiça; e sinto‑me fortemente estimulado a amar‑vos mais do que a minha própria vida, porque é grande a vossa fé e a vossa caridade, fundadas na esperança da vida divina. Tudo isto me leva a considerar que, se me empenho em comunicar‑vos alguma coisa do que eu mesmo recebi, não me faltará a recompensa por ter prestado este serviço às vossas almas; por isso resolvi escrever‑vos brevemente, a fim de que se enriqueça a vossa fé com um conhecimento mais perfeito.
São três os ensinamentos do Senhor: a esperança da vida é o princípio e o fim da nossa fé; a justiça é o princípio e o fim do julgamento; a caridade, que traz consigo a felicidade e a alegria, é o testemunho de que as nossas obras são justas. Efectivamente, o Senhor deu‑nos a conhecer por meio dos Profetas o passado e o presente, e fez‑nos saborear as primícias do futuro. Ao contemplarmos como todas estas coisas se vão realizando a seu tempo, conforme Ele anunciou, devemos progredir sempre no santo temor de Deus, cada vez mais perfeito e profundo. Quanto a mim, quero mostrar‑vos algumas coisas que vos sirvam de alegria na situação presente. Não vos falo como mestre, mas como irmão.
Os dias são maus e o adversário exerce o seu poder diabólico. Por isso temos de velar por nós mesmos e investigar cuidadosamente os desígnios do Senhor. O temor e a perseverança são o amparo da nossa fé; e os nossos companheiros de luta são a paciência e o domínio próprio. Se estas virtudes permanecerem puras diante do Senhor, possuiremos também a alegria da sabedoria, da inteligência, da ciência e do conhecimento.
Deus revelou‑nos, por meio de todos os Profetas, que não tem necessidade de sacrifícios, holocaustos e oblações. Eis o que Ele diz em certa passagem: De que Me serve a multidão dos vossos sacrifícios? – diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura dos vitelos; não quero o sangue de touros e cabritos. Porque vindes à minha presença? Quem reclamou isso das vossas mãos? Não continueis a pisar os meus átrios. Se Me ofereceis a flor da farinha, é em vão; o fumo de incenso Me repugna; já não suporto as vossas luas novas e os vossos sábados.
RESPONSÓRIO Gal 2, 16; Gen 15, 6
R. Sabemos que o homem não é justificado senão pela fé em Jesus Cristo. * Nós acreditamos em Cristo Jesus, para sermos justificados pela fé em Cristo.
V. Abraão acreditou no Senhor, e isto foi-lhe atribuído como justiça. * Nós acreditamos em Cristo Jesus, para sermos justificados pela fé em Cristo.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
Ez 36, 25-27
Derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de todas as imundícies; purificar-vos-ei de todos os vossos deuses. Dar-vos-ei um coração novo e infundirei em vós um espírito novo; arrancarei do vosso peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Infundirei em vós o meu espírito e farei que vivais segundo os meus preceitos, que observeis e ponhais em prática as minhas leis.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
V. Anunciamos as vossas maravilhas.
R. E invocamos o vosso nome.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-xviii-do-tempo-comum-ano-c/>]
DOMINGO XVIII DO TEMPO COMUM (Ano C)
LEITURA I Co (Ecle) 1, 2; 2, 21-23
Vaidade das vaidades _ diz Coelet _
vaidade das vaidades: tudo é vaidade.
Quem trabalhou com sabedoria, ciência e êxito,
tem de deixar tudo a outro que nada fez.
Também isto é vaidade e grande desgraça.
Mas então, que aproveita ao homem todo o seu trabalho
e a ânsia com que se afadigou debaixo do sol?
Na verdade, todos os seus dias são cheios de dores,
e os seus trabalhos cheios de cuidados e preocupações;
e nem de noite o seu coração descansa.
Também isto é vaidade.
Muito longe de ser um pessimista, Qohélet, é um homem consciente da realidade. As coisas deste mundo, mesmo as de maior valor, não são a segurança nem a garantia da nossa vida. Tudo o que é deste mundo é passageiro e termina na morte. A única garantia do homem, a única segurança, é Deus.
Salmo 89 (90), 3-6.12-14.17 (R. 1)
O salmista tem consciência, como Qohélet, que a vida é breve e se não cuidarmos desaproveitamos o pouco tempo que temos. Ele pede a Deus que o ensine a contar os seus dias e a aproveitá-los num trabalho digno e abençoado para não ser inútil a sua passagem pela terra.
LEITURA II Col 3, 1-5.9-11
Irmãos:
Se ressuscitastes com Cristo,
aspirai às coisas do alto,
onde Cristo está sentado à direita de Deus.
Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra.
Porque vós morrestes,
e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.
Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar,
também vós vos manifestareis com Ele na glória.
Portanto, fazei morrer o que em vós é terreno:
imoralidade, impureza, paixões, maus desejos e avareza,
que é uma idolatria.
Não mintais uns aos outros,
vós que vos despojastes do homem velho com as suas ações
e vos revestistes do homem novo,
que, para alcançar a verdadeira ciência,
se vai renovando à imagem do seu Criador.
Aí não há grego ou judeu, circunciso ou incircunciso,
bárbaro ou cita, escravo ou livre;
o que há é Cristo,
que é tudo e está em todos.
Apesar de terem passado pelo batismo, continua diante dos colossenses a possibilidade de viverem como homens espirituais ou como homens terrenos. Já nasceram como homens novos, a sua vida já “está escondida com Cristo em Deus”, mas permanece a possibilidade de se manifestar neles o homem velho. Por isso, exorta: “fazei morrer o que em vós é terreno”
EVANGELHO Lc 12, 13-21
Naquele tempo,
alguém, do meio da multidão, disse a Jesus:
«Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo».
Jesus respondeu-lhe:
«Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?».
Depois disse aos presentes:
«Vede bem, guardai-vos de toda a avareza:
a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens».
E disse-lhes esta parábola:
«O campo dum homem rico tinha produzido excelente colheita.
Ele pensou consigo:
‘Que hei de fazer,
pois não tenho onde guardar a minha colheita?
Vou fazer assim:
Deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores,
onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens.
Então poderei dizer a mim mesmo:
Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos.
Descansa, come, bebe, regala-te’.
Mas Deus respondeu-lhe:
‘Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma.
O que preparaste, para quem será?’.
Assim acontece a quem acumula para si,
em vez de se tornar rico aos olhos de Deus».
Jesus pergunta sobre o que nos move nas decisões de cada dia. Se o que nos move é a cobiça das coisas deste mundo, ser grandes e ricos aos olhos dos homens, então, somos insensatos, porque vai chegar o momento em que teremos que deixar todas essas coisas. Se o que nos move é o olhar de Deus sobre nós, então, devemos preocupar-nos em ser ricos a seus olhos.
Reflexão da Palavra
Qohélet é um crente que “estudou, investigou e compôs numerosas sentenças” e “ensinou a ciência ao povo” (Ecl 12,9-10). O seu livro começa e termina com as mesmas palavras “vaidade das vaidades: tudo é vaidade”. Não se trata de vaidade moral, mas de um modo de ver o mundo e a vida, no sentido de ilusão, miragem, aparência. O homem pode viver nesta ilusão, cego para o que está à sua frente, convencido de algo que não é verdadeiro, colocando a confiança no que é efémero.
Qohélet tem diante de si, como fonte de reflexão a vida do rei Salomão, um sábio que alcançou glória e poder e se tornou motivo de inveja para muitos reis do seu tempo. Ninguém alcançou tanta glória como Salomão, no entanto, pergunta Qohélet, para que serviu tudo isso? No final ele próprio caiu na idolatria e por fim, na morte, e teve que deixar tudo a outro, ao filho Absalão que deitou tudo a perder.
Qohélet tira uma conclusão “vaidade das vaidades: tudo é vaidade”, que aplica a todas as atividades do homem, para dizer no final, que tudo isto é inútil, é como “correr atrás do vento” (2, 26), se não houver algo definitivo, verdadeiro e seguro. Para ele, seguro é Deus e o que Deus faz, “reconheci que tudo o que Deus faz é para sempre, sem que se possa acrescentar nada ou tirar nada” (3, 14). Esta é a verdadeira sabedoria que todos devem procurar. Portanto, todas as coisas serão inúteis se não servem para procurar a Deus: “Que aproveita ao homem todo o seu trabalho e a ânsia com que se afadigou debaixo do sol?”.
O salmo 89 contém uma introdução, uma meditação e uma súplica. O salmista reflete sobre a gradeza de Deus e a pequenez do homem. Deus é Deus “desde sempre”, desde antes da terra, do mundo e das montanhas. Com uma única palavra pode fazer o homem voltar ao pó da terra. Ele é Senhor do tempo e da eternidade.
O homem é apenas pó, um suspiro, como a erva do campo, de existência breve, está exposto diante de Deus com a sua miséria, o seu pecado e à mercê da sua ira.
Que resta ao homem senão esperar no Senhor? Que ele o ensine a usar o tempo da sua vida para “chegar ao coração da sabedoria”, que Deus atue nele para que o trabalho das suas mãos alcance o fruto desejado e possa “cantar e exultar todos os dias”.
Para Paulo há uma forma de viver a que devem aderir aqueles que ressuscitaram com Cristo. Trata-se de uma vida espiritual, centrada nas coisas do alto. A partir do batismo tudo se transforma para o cristão porque encontra em Cristo a sua inspiração. O mundo continua a ser o lugar onde vivem cristãos e não cristãos. A sociedade tem as suas normas e exigências e cada um tem na sociedade e no mundo um papel a desempenhar e o batismo não anula o estatuto de cada um. O que muda com o Batismo é o modo como cada um vive neste mundo.
Pelo batismo o cristão tornou-se um homem novo e, por isso, abandonou os critérios do mundo para assumir os critérios do Espírito. Agora, todos, judeus ou gregos, circuncisos ou incircuncisos, bárbaros ou citas, escravos ou livres, homens ou mulheres, todos são irmãos porque, o que os define é a vida nova em Cristo e não as questões da natureza, da sociedade, da cultura e dos costumes. Por isso, Paulo exorta os cristãos a morrer para o que é terreno, a retirar a importância às coisas deste mundo, porque isso é próprio dos que não conhecem a Cristo, e a revestirem-se do homem novo à imagem do Criador.
A propósito do pedido de um homem que está preocupado porque o irmão não quer fazer as partilhas, Jesus ensina uma nova atitude sobre a posse e o uso das riquezas: “a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens”. E, para deixar bem clara a sua posição, conta uma parábola que tem no centro um homem rico que coloca nos seus bens a segurança e garantia da sua vida. Este homem diz a si mesmo: “Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, come, bebe, regala-te”. Esta atitude, porém, revela insensatez, pois, como diz Qohélet, até o comer, beber e o bem-estar vêm da mão de Deus (Ecl 2,24) e não dos bens que se possuem. Pelo contrário, os bens são fonte de cuidado e preocupação (Ecl 2,26). Também Jesus diz “arranjai um tesouro inesgotável no céu, onde o ladrão não chega e a traça não rói. Onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração” (Lc 12,33-34).
A garantia da vida do homem está, portanto, na mão de Deus, o único que decide sobre a alma, “esta noite terás de entregar a tua alma”. Prevenindo para que as riquezas não façam definhar a alma, Jesus convida a ser “rico aos olhos de Deus”.
Meditação da Palavra
Diante dos nossos olhos está a palavra de Jesus: “que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? (Mt 16,26). Julgar que, por ter muitos bens o homem está seguro e tem garantida a vida para muitos anos, bons e felizes, é uma ilusão.
Vendo a preocupação daquele homem a quem o irmão impede de participar na herança do pai, Jesus alerta todos os presentes para o perigo das riquezas. A possibilidade e o direito a possuir bens terrenos, seja por via de um trabalho honesto ou por herança familiar, não pode sobrepor-se à liberdade interior de quem reconhece “a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens”. A decisão mais importante não está nas mãos do homem, mas na mão de Deus. Por isso Jesus alerta para a possibilidade de nos acontecer o mesmo que ao homem da parábola que, depois de ter recolhido bens em abundância, diz a si mesmo “tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, come, bebe, regala-te’”, mas nessa noite, chegará sempre uma noite, em que “terás de entregar a tua alma”.
Qohélet apresenta o exemplo de Salomão, o mais poderoso e sábio de todos os reis e, apesar disso, também ele foi insensato, porque não vigiou sobre o seu coração e caiu na idolatria. Também ele foi insensato porque, como todos, teve que “deixar tudo a outro que nada fez”.
A ilusão de julgar que os bens são a segurança da vida, impede o homem de ver o perigo das riquezas, pois, diz Qohélet, Deus dá ao pecador o “cuidado de recolher e acumular bens” (ECl 2,26) que se tornam para ele numa inquietação permanente “nem de noite o seu coração descansa”. Na posse dos bens deste mundo esconde-se a ilusão de poder comer, beber e gozar sem restrições. Mas, diz Qohélet, até isso vem das mãos de Deus e lhe pode ser retirado a qualquer momento, como reconhece o salmista ao dizer: “Tu podes reduzir o homem ao pó, dizendo apenas: “Voltai ao pó, seres humanos”.
Se a riqueza torna o homem insensato, a brevidade da vida deve fazê-lo pensar em usar bem o pouco tempo que lhe é dado, recolhendo o ensinamento do salmista que pede a Deus “Ensinai-nos a contar os nossos dias, para chegarmos à sabedoria do coração”.
De que modo se pode aproveitar o tempo da vida? Qohélet pergunta-se “que aproveita ao homem todo o seu trabalho e a ânsia com que se afadigou debaixo do sol?” querendo dizer que o trabalho, a preocupação, o acumular riqueza e prestígio são uma ilusão, uma inutilidade, é “correr atrás do vento”. E propõe que procuremos as coisas de Deus que permanecem, porque “tudo o que Deus faz é para sempre” (Ecl 3,14). Paulo, aos cristãos Colossenses, convida a afeiçoarem-se “às coisas do alto e não à da terra”, a fazer morrer “o que em vós é terreno” e a revestirem-se “do homem novo… à imagem do Criador”.
Jesus convida a ser rico aos olhos de Deus, acumulando “um tesouro inesgotável no céu, onde o ladrão não chega e a traça não rói” porque, “onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração”.
O sentido da vida, uma vida segura, com garantia permanente, independentemente da sua duração e dos trabalhos e fadigas por que se tenha que passar, parece ser uma vida gasta na buca de Deus, como diz Qohélet, “na busca do coração da sabedoria”, como afirma o salmista, numa experiência espiritual, como exorta Paulo, e acumulando tesouros no céu, como conclui Jesus.
Rezar a Palavra
Ensina-me, Senhor, a sabedoria do coração para que os trabalhos de cada dia e a ânsia de felicidade não consumam todas as minhas energias, ao ponto de colocar no fruto das minhas mãos todo o sentido da minha vida. Ensina-me a viver do teu Espírito, para traduzir em mim as atitudes do homem novo, à imagem do criador, acumulando tesouros no céu.
Compromisso semanal
Aprendo a usar os bens deste mundo com liberdade de coração.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]
DOMINGO XVIII DO TEMPO COMUM (Ano C)
Aprender a contar os dias
Desde o dia em que o testamento do pai foi lido, a paz de espírito desapareceu. Recorda bem os pedidos do pai para que tomasse conta do irmão e que nunca se desentendessem. No entanto, aquele documento transformou a sua vida num desassossego. O seu irmão, sempre fora tudo para ele, mas agora, o sentimento amargo de ter sido prejudicado está a destruí-lo.
Não consegue entender o critério usado pelo pai para repartir a herança, sentindo-se profundamente lesado. Aquele assunto consume-o, destruindo a sua paz interior. Evita o olhar do irmão, sente falta do seu abraço, mas o ressentimento afasta-o. Não precisa de dizer uma palavra; todos percebem que “já não é o mesmo”. E, compreensivos, desculpam-no: “Foi a morte do pai.”
LEITURA I Co (Ecle) 1, 2; 2, 21-23
Vaidade das vaidades _ diz Coelet _
vaidade das vaidades: tudo é vaidade.
Quem trabalhou com sabedoria, ciência e êxito,
tem de deixar tudo a outro que nada fez.
Também isto é vaidade e grande desgraça.
Mas então, que aproveita ao homem todo o seu trabalho
e a ânsia com que se afadigou debaixo do sol?
Na verdade, todos os seus dias são cheios de dores,
e os seus trabalhos cheios de cuidados e preocupações;
e nem de noite o seu coração descansa.
Também isto é vaidade.
Muito longe de ser um pessimista, Qohélet, é um homem consciente da realidade. As coisas deste mundo, mesmo as de maior valor, não são a segurança nem a garantia da nossa vida. Tudo o que é deste mundo é passageiro e termina na morte. A única garantia do homem, a única segurança, é Deus.
Salmo 89 (90), 3-6.12-14.17 (R. 1)
O salmista tem consciência, como Qohélet, que a vida é breve e se não cuidarmos desaproveitamos o pouco tempo que temos. Ele pede a Deus que o ensine a contar os seus dias e a aproveitá-los num trabalho digno e abençoado para não ser inútil a sua passagem pela terra.
LEITURA II Col 3, 1-5.9-11
Irmãos:
Se ressuscitastes com Cristo,
aspirai às coisas do alto,
onde Cristo está sentado à direita de Deus.
Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra.
Porque vós morrestes,
e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.
Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar,
também vós vos manifestareis com Ele na glória.
Portanto, fazei morrer o que em vós é terreno:
imoralidade, impureza, paixões, maus desejos e avareza,
que é uma idolatria.
Não mintais uns aos outros,
vós que vos despojastes do homem velho com as suas ações
e vos revestistes do homem novo,
que, para alcançar a verdadeira ciência,
se vai renovando à imagem do seu Criador.
Aí não há grego ou judeu, circunciso ou incircunciso,
bárbaro ou cita, escravo ou livre;
o que há é Cristo,
que é tudo e está em todos.
Apesar de terem passado pelo batismo, continua diante dos colossenses a possibilidade de viverem como homens espirituais ou como homens terrenos. Já nasceram como homens novos, a sua vida já “está escondida com Cristo em Deus”, mas permanece a possibilidade de se manifestar neles o homem velho. Por isso, exorta: “fazei morrer o que em vós é terreno”
EVANGELHO Lc 12, 13-21
Naquele tempo,
alguém, do meio da multidão, disse a Jesus:
«Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo».
Jesus respondeu-lhe:
«Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?».
Depois disse aos presentes:
«Vede bem, guardai-vos de toda a avareza:
a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens».
E disse-lhes esta parábola:
«O campo dum homem rico tinha produzido excelente colheita.
Ele pensou consigo:
‘Que hei de fazer,
pois não tenho onde guardar a minha colheita?
Vou fazer assim:
Deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores,
onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens.
Então poderei dizer a mim mesmo:
Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos.
Descansa, come, bebe, regala-te’.
Mas Deus respondeu-lhe:
‘Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma.
O que preparaste, para quem será?’.
Assim acontece a quem acumula para si,
em vez de se tornar rico aos olhos de Deus».
Jesus pergunta sobre o que nos move nas decisões de cada dia. Se o que nos move é a cobiça das coisas deste mundo, ser grandes e ricos aos olhos dos homens, então, somos insensatos, porque vai chegar o momento em que teremos que deixar todas essas coisas. Se o que nos move é o olhar de Deus sobre nós, então, devemos preocupar-nos em ser ricos a seus olhos.
Reflexão da Palavra
Qohélet é um crente que “estudou, investigou e compôs numerosas sentenças” e “ensinou a ciência ao povo” (Ecl 12,9-10). O seu livro começa e termina com as mesmas palavras “vaidade das vaidades: tudo é vaidade”. Não se trata de vaidade moral, mas de um modo de ver o mundo e a vida, no sentido de ilusão, miragem, aparência. O homem pode viver nesta ilusão, cego para o que está à sua frente, convencido de algo que não é verdadeiro, colocando a confiança no que é efémero.
Qohélet tem diante de si, como fonte de reflexão a vida do rei Salomão, um sábio que alcançou glória e poder e se tornou motivo de inveja para muitos reis do seu tempo. Ninguém alcançou tanta glória como Salomão, no entanto, pergunta Qohélet, para que serviu tudo isso? No final ele próprio caiu na idolatria e por fim, na morte, e teve que deixar tudo a outro, ao filho Absalão que deitou tudo a perder.
Qohélet tira uma conclusão “vaidade das vaidades: tudo é vaidade”, que aplica a todas as atividades do homem, para dizer no final, que tudo isto é inútil, é como “correr atrás do vento” (2, 26), se não houver algo definitivo, verdadeiro e seguro. Para ele, seguro é Deus e o que Deus faz, “reconheci que tudo o que Deus faz é para sempre, sem que se possa acrescentar nada ou tirar nada” (3, 14). Esta é a verdadeira sabedoria que todos devem procurar. Portanto, todas as coisas serão inúteis se não servem para procurar a Deus: “Que aproveita ao homem todo o seu trabalho e a ânsia com que se afadigou debaixo do sol?”.
O salmo 89 contém uma introdução, uma meditação e uma súplica. O salmista reflete sobre a gradeza de Deus e a pequenez do homem. Deus é Deus “desde sempre”, desde antes da terra, do mundo e das montanhas. Com uma única palavra pode fazer o homem voltar ao pó da terra. Ele é Senhor do tempo e da eternidade.
O homem é apenas pó, um suspiro, como a erva do campo, de existência breve, está exposto diante de Deus com a sua miséria, o seu pecado e à mercê da sua ira.
Que resta ao homem senão esperar no Senhor? Que ele o ensine a usar o tempo da sua vida para “chegar ao coração da sabedoria”, que Deus atue nele para que o trabalho das suas mãos alcance o fruto desejado e possa “cantar e exultar todos os dias”.
Para Paulo há uma forma de viver a que devem aderir aqueles que ressuscitaram com Cristo. Trata-se de uma vida espiritual, centrada nas coisas do alto. A partir do batismo tudo se transforma para o cristão porque encontra em Cristo a sua inspiração. O mundo continua a ser o lugar onde vivem cristãos e não cristãos. A sociedade tem as suas normas e exigências e cada um tem na sociedade e no mundo um papel a desempenhar e o batismo não anula o estatuto de cada um. O que muda com o Batismo é o modo como cada um vive neste mundo.
Pelo batismo o cristão tornou-se um homem novo e, por isso, abandonou os critérios do mundo para assumir os critérios do Espírito. Agora, todos, judeus ou gregos, circuncisos ou incircuncisos, bárbaros ou citas, escravos ou livres, homens ou mulheres, todos são irmãos porque, o que os define é a vida nova em Cristo e não as questões da natureza, da sociedade, da cultura e dos costumes. Por isso, Paulo exorta os cristãos a morrer para o que é terreno, a retirar a importância às coisas deste mundo, porque isso é próprio dos que não conhecem a Cristo, e a revestirem-se do homem novo à imagem do Criador.
A propósito do pedido de um homem que está preocupado porque o irmão não quer fazer as partilhas, Jesus ensina uma nova atitude sobre a posse e o uso das riquezas: “a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens”. E, para deixar bem clara a sua posição, conta uma parábola que tem no centro um homem rico que coloca nos seus bens a segurança e garantia da sua vida. Este homem diz a si mesmo: “Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, come, bebe, regala-te”. Esta atitude, porém, revela insensatez, pois, como diz Qohélet, até o comer, beber e o bem-estar vêm da mão de Deus (Ecl 2,24) e não dos bens que se possuem. Pelo contrário, os bens são fonte de cuidado e preocupação (Ecl 2,26). Também Jesus diz “arranjai um tesouro inesgotável no céu, onde o ladrão não chega e a traça não rói. Onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração” (Lc 12,33-34).
A garantia da vida do homem está, portanto, na mão de Deus, o único que decide sobre a alma, “esta noite terás de entregar a tua alma”. Prevenindo para que as riquezas não façam definhar a alma, Jesus convida a ser “rico aos olhos de Deus”.
Meditação da Palavra
Diante dos nossos olhos está a palavra de Jesus: “que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? (Mt 16,26). Julgar que, por ter muitos bens o homem está seguro e tem garantida a vida para muitos anos, bons e felizes, é uma ilusão.
Vendo a preocupação daquele homem a quem o irmão impede de participar na herança do pai, Jesus alerta todos os presentes para o perigo das riquezas. A possibilidade e o direito a possuir bens terrenos, seja por via de um trabalho honesto ou por herança familiar, não pode sobrepor-se à liberdade interior de quem reconhece “a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens”. A decisão mais importante não está nas mãos do homem, mas na mão de Deus. Por isso Jesus alerta para a possibilidade de nos acontecer o mesmo que ao homem da parábola que, depois de ter recolhido bens em abundância, diz a si mesmo “tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, come, bebe, regala-te’”, mas nessa noite, chegará sempre uma noite, em que “terás de entregar a tua alma”.
Qohélet apresenta o exemplo de Salomão, o mais poderoso e sábio de todos os reis e, apesar disso, também ele foi insensato, porque não vigiou sobre o seu coração e caiu na idolatria. Também ele foi insensato porque, como todos, teve que “deixar tudo a outro que nada fez”.
A ilusão de julgar que os bens são a segurança da vida, impede o homem de ver o perigo das riquezas, pois, diz Qohélet, Deus dá ao pecador o “cuidado de recolher e acumular bens” (ECl 2,26) que se tornam para ele numa inquietação permanente “nem de noite o seu coração descansa”. Na posse dos bens deste mundo esconde-se a ilusão de poder comer, beber e gozar sem restrições. Mas, diz Qohélet, até isso vem das mãos de Deus e lhe pode ser retirado a qualquer momento, como reconhece o salmista ao dizer: “Tu podes reduzir o homem ao pó, dizendo apenas: “Voltai ao pó, seres humanos”.
Se a riqueza torna o homem insensato, a brevidade da vida deve fazê-lo pensar em usar bem o pouco tempo que lhe é dado, recolhendo o ensinamento do salmista que pede a Deus “Ensinai-nos a contar os nossos dias, para chegarmos à sabedoria do coração”.
De que modo se pode aproveitar o tempo da vida? Qohélet pergunta-se “que aproveita ao homem todo o seu trabalho e a ânsia com que se afadigou debaixo do sol?” querendo dizer que o trabalho, a preocupação, o acumular riqueza e prestígio são uma ilusão, uma inutilidade, é “correr atrás do vento”. E propõe que procuremos as coisas de Deus que permanecem, porque “tudo o que Deus faz é para sempre” (Ecl 3,14). Paulo, aos cristãos Colossenses, convida a afeiçoarem-se “às coisas do alto e não à da terra”, a fazer morrer “o que em vós é terreno” e a revestirem-se “do homem novo… à imagem do Criador”.
Jesus convida a ser rico aos olhos de Deus, acumulando “um tesouro inesgotável no céu, onde o ladrão não chega e a traça não rói” porque, “onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração”.
O sentido da vida, uma vida segura, com garantia permanente, independentemente da sua duração e dos trabalhos e fadigas por que se tenha que passar, parece ser uma vida gasta na buca de Deus, como diz Qohélet, “na busca do coração da sabedoria”, como afirma o salmista, numa experiência espiritual, como exorta Paulo, e acumulando tesouros no céu, como conclui Jesus.
Rezar a Palavra
Ensina-me, Senhor, a sabedoria do coração para que os trabalhos de cada dia e a ânsia de felicidade não consumam todas as minhas energias, ao ponto de colocar no fruto das minhas mãos todo o sentido da minha vida. Ensina-me a viver do teu Espírito, para traduzir em mim as atitudes do homem novo, à imagem do criador, acumulando tesouros no céu.
Compromisso semanal
Aprendo a usar os bens deste mundo com liberdade de coração.

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2025/08/santos-do-dia-da-igreja-catolica-03-de-agosto/>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 03 de Agosto
Postado em: por: marsalima
Santa Lídia
Os apóstolos Silas, Timóteo e Lucas acompanhavam Paulo em sua segunda missão na Europa, quando chegaram em Filipos, uma das principais cidades da Macedônia, que desfrutava de direitos de colônia romana. Lá encontraram uma mulher que lhes foi de grande valor.
Eles já haviam passado alguns dias na cidade. Mas Paulo e seus companheiros pensavam em ficar até o sábado, pelo menos, pois era o dia em que os correligionários judeus se reuniriam para as orações. Como Filipos não tinha sinagoga, o local mais provável para o encontro seria às margens do pequeno rio Gangas, que passava fora da porta da cidade.
Assim entendendo, ao procurarem o lugar ideal para suas preces, como nos narra são Lucas nos Atos dos Apóstolos, eles foram para lá e começaram a falar com as mulheres que já estavam reunidas. Entre elas estava Lídia, uma comerciante de púrpura, nascida em Tiatira, na Ásia.
Ela escutava com muita atenção, pois não era pagã idólatra, acreditava em Deus, o que quer dizer que tinha se convertido à fé dos judeus. E o Senhor abrira o seu coração para que aderisse às palavras de Paulo.
Lídia era uma proprietária de sucesso, rica, influente e popular, exercendo sua liderança entre os filipenses e, principalmente, dentro da própria família. Isso porque a púrpura era um corante usado em tecidos finos, como a seda e a lã de qualidade. Na época, o tecido já tingido era chamado de púrpura, e o mais valioso existente. Usado como símbolo de alta posição social, era consumido apenas pela elite das cortes.
Quando terminou a pregação, Lídia tornou-se cristã. Com o seu testemunho, conseguiu converter e batizar toda a sua família. Depois disto, ela os convidou: “Se vocês me consideram fiel ao Senhor, permaneçam em minha casa”. E os forçou a aceitar.
Esta, com certeza, foi a primeira e maior conquista dos primeiros apóstolos de Cristo. A casa de Lídia tornou-se a primeira Igreja católica no solo europeu.
Lídia usou todo o seu prestígio social, sucesso comercial e poder de sua liderança para, junto de outras mulheres, levar para dentro dos lares a palavra de Cristo, difundindo, assim, a Boa-Nova entre os filipenses. A importância de Lídia foi tão grande na missão de levar o Evangelho para o Ocidente que cativou o apóstolo Paulo, criando um forte e comovente laço de amizade cristã entre eles.
O culto a santa Lídia é uma tradição cristã das mais antigas de que a Igreja Católica tem notícia. A sua veneração é respeitada, pois seus atos são sinais evidentes de sua santidade. Considerada a Padroeira dos Tintureiros, santa Lídia é festejada no dia 3 de agosto.
Eustáquio van Lieshout (Bem-Aventurado)

Humberto van Lieshout, mais tarde conhecido como Padre Eustáquio, nasceu no dia 3 de novembro de 1890, em Aarle Rixtel, na Holanda. Em 1913, ingressou na Congregação dos Sagrados Corações e, no dia 10 de agosto de 1919, foi ordenado sacerdote. Foi Mestre de Noviços, vigário paroquial, cuidando de famílias belgas que, em l914, tiveram que deixar a Pátria por causa da invasão alemã.
Foi enviado como missionário,em 1924, na Espanha e, no ano seguinte, no Rio de Janeiro, Brasil. Em 1925, assumiu, com outros missionários, a pastoral do Santuário da Abadia de Água Suja e outras paróquias de Diocese de Uberaba, e atendimento a outras comunidades. Em 26 de março de 1926, foi nomeado Reitor do Santuário Nossa Senhora da Abadia e Conselheiro da Congregação dos Sagrados Corações no Brasil.
Em suas orientações e curas físicas, Padre Eustáquio falava da disposição de Deus de curar a pessoa integralmente. Indicava medicamentos. Servia-se de folhas e raízes e muitos procuravam sua ajuda. De Romaria, foi transferido para Poá – São Paulo. Por causa do aglomerado de pessoas que o procuravam e pelo transtorno, foi enviado à cidade de Araguari, onde se comunicava quase só com seu amigo Padre Gil. Em 12 de fevereiro passou a coordenar a paróruia de Ibiá. E, no dia 7 do mesmo ano, o encontramos na Capital mineira, na Paróquia de Cristo Rei.
O povo afluía pedidno bênçãos e curas. Em 9 de setembro de 1942, Juscelino Kubitscheck, então Prefeito da Capital, beneficiado por milagre de Padre Eustáquio, doou um terreno, onde foi construída a Igreja dos Sagrados Corações, cuja pedra fundamental foi benzida por Dom Cabral. Padre Eustáquio assim se expressou: “Não verei o fim da guerra. Comecei a igreja, mas não a terminarei”.
Em 23 de agosto, após celebrar a missa – durante o retiro que pregava às alunas do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte – sentiu-se desfalecer. O diagnóstico do médicos acusou um tipo de tifo causado por uma picada de carapato. Padre Eustáquio tinha certeza de que não iria sobreviver. Chamava pelo Padre Gil. Enquanto aguardava, renovou os votos religiosos. E, ante a emoção dos presentes, repetiu a fórmula da profissão religiosa; e, renovou os votos de Pobreza, Castidade e Obediencia, como irmão da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria. Depois disse aos irmãos: “Graças a Deus, estou pronto! Mas, como demora o Padre Gil!”. Até que dia 30 de agosto, Padre Gil conseguiu chegar. Assim que o viu, Padre Eustáquio conseguiu erguer-se do leito com grande esforço, e disse: “Padre Gil, graças a Deus!” E desfaleceu para sempre.
Belo Horizonte amanheceu de luto, e a Imprensa noticiava seu falecimento. Após sua morte, constatou-se que um devoto foi curado de um câncer. O relato consta no processo de beatificação, iniciado em 1997. E outros milagres se sucederam.
Padre Eustáquio dizia que sua vocação era “amar e fazer amar a Deus”. Após o reconhecimento de sua vida e de seus milagres, por parte da Santa Sé, Padre Eustáquio foi beatificado em Belo Horizonte, Brasil, pelo Cardeal José Saraiva Martins, a 15 de junho do ano 2006.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 3 DE AGOSTO DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 5, 1-2.5
Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
V. Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor
R. E para sempre proclamarei a sua fidelidade.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 26
O Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis.
V. A Vós, Senhor, se eleva a minha súplica:
R. Dai-me inteligência segundo a vossa palavra.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Cor 1, 21-22
Quem nos confirma em Cristo – a nós e a vós – é Deus. Foi Ele que nos concedeu a unção, nos marcou com um sinal e imprimiu em nossos corações o penhor do Espírito.
V. O Senhor é minha luz e salvação,
R. O Senhor é o protector da minha vida.
Oração
Mostrai, Senhor, a vossa imensa bondade aos filhos que Vos imploram e dignai‑Vos renovar e conservar os dons da vossa graça naqueles que se gloriam de Vos ter por seu criador e sua providência. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Tes 2, 13-14
Devemos continuamente dar graças a Deus por vós, irmãos amados por Deus, porque Deus vos escolheu como primícias para serdes salvos pelo Espírito que santifica e pela fé na verdade. Foi para isso que Ele vos chamou por meio do Evangelho, para possuirdes a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
V. Infinita é a sua sabedoria.
R. Admirável é o seu poder.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
CÂNTICO EVANGÉLICO (Nunc dimittis)
Ant. Salvai-nos, Senhor, quando velamos e guardai-nos quando dormimos, para estarmos vigilantes com Cristo e descansarmos em paz.
confraria@catolicospraticantes.com.br
catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.

