“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 16 DE AGOSTO DE 2025
16 de agosto de 2025“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 18 DE AGOSTO DE 2025
18 de agosto de 2025Domingo XX do Tempo Comum (Ano C)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Do Livro de Isaías 6, 1-13
Vocação do profeta Isaías
No ano em que morreu Ozias, vi o Senhor, sentado num trono alto e sublime; a fímbria do seu manto enchia o templo. À sua volta estavam serafins de pé, que tinham seis asas cada um: com duas asas cobriam o rosto, com outras duas cobriam os pés e com as outras duas voavam. E clamavam alternadamente, dizendo: «Santo, Santo, Santo é o Senhor do Universo. A sua glória enche toda a terra».
Com estes brados as portas oscilavam nos seus gonzos e o templo enchia‑se de fumo. Então exclamei: «Ai de mim, que estou perdido, porque sou homem de lábios impuros. Moro no meio de um povo de lábios impuros, e os meus olhos viram o Rei, Senhor do Universo».
Um dos serafins voou ao meu encontro, tendo na mão um carvão ardente que tirara do altar com uma tenaz. Tocou‑me com ele na boca e disse‑me: «Isto tocou os teus lábios: desapareceu o teu pecado, foi perdoada a tua culpa».
Ouvi então a voz do Senhor, que dizia: «Quem enviarei? Quem irá por Nós?». Eu respondi: «Eis‑me aqui; podeis enviar‑me ». Ele ordenou: «Vai dizer a esse povo: ‘Escutai, sem chegar a compreender; olhai, sem chegar a ver’. Endurece o coração desse povo, ensurdece‑lhe os ouvidos, cega‑lhe os olhos, de modo que não veja com os olhos, não oiça com os ouvidos, não compreenda com o coração, nem se converta e seja curado».
E eu perguntei: «Até quando, Senhor?». Ele respondeu‑me: «Até que as cidades fiquem devastadas e sem habitantes, as casas sem ninguém e os campos desertos. O Senhor desterrará os homens e aumentará a desolação dentro do país. E se restar a décima parte, será também lançada ao fogo como o terebinto e o carvalho, que só deixam um cepo quando são cortados. Mas este cepo será a semente santa».
RESPONSÓRIO Ap 4, 8c; Is 6, 3
R. Santo, Santo, Santo, Senhor Deus Omnipotente, Aquele que era, que é e que há‑de vir. * Toda a terra está cheia da sua glória.
V. Os serafins clamavam alternadamente: Santo, Santo, Santo é o Senhor, Deus do Universo. * Toda a terra está cheia da sua glória.
SEGUNDA LEITURA
Das Homilias de São João Crisóstomo, bispo, sobre o Evangelho de São Mateus
(Hom. 15, 6.7: PG 57, 231-232) (Sec. IV)
Sal da terra e luz do mundo
Vós sois o sal da terra. A palavra que vos é confiada, diz o Senhor, não se destina só a vós mas ao mundo inteiro. Nem vos envio a duas, a dez ou a vinte cidades, nem a um só povo, como no tempo dos Profetas, mas à terra, ao mar e ao mundo inteiro, a este mundo tão pervertido. Ao dizer: Vós sois o sal da terra, o Senhor declara que toda a natureza humana perdeu o sabor e está corrompida pelo pecado. Por isso exige dos discípulos as virtudes que são mais necessárias e úteis para a salvação dos outros homens. Quem é manso, humilde, misericordioso e justo não possui estas virtudes só para seu proveito, mas faz com que essas fontes excelentes corram também para utilidade dos outros. E quem é puro de coração, amante da paz e da verdade, dedica a sua vida ao bem de todos.
Não penseis, parece dizer, que sois chamados a pequenas lutas ou a empreendimentos insignificantes: Vós sois o sal da terra. Que significa isto? Que eles tornaram são o que tinha apodrecido? De modo algum. De nada serve deitar sal ao que já está podre. Não foi esta a função dos Apóstolos; o que eles fizeram foi deitar sal e conservar em bom estado os corações que o Senhor lhes confiara depois de os ter renovado e libertado da corrupção. Libertar da corrupção do pecado foi obra do poder de Cristo; mas não recair no precedente estado de corrupção é fruto da diligência e solicitude dos Apóstolos.
Repara como Ele vai mostrando gradualmente que estes são superiores aos Profetas. Não diz que são mestres da Palestina, mas de todo o mundo. «Não vos admireis, portanto – parece dizer‑lhes Jesus – se vos falo a vós de preferência a tantos outros e vos chamo para enfrentar tão graves dificuldades. Considerai o número e a grandeza das cidades, povos e nações a que vou enviar‑vos. Por isso quero que não vos limiteis a ser prudentes para vós mesmos, mas que torneis os outros semelhantes a vós. Se assim não for, nem sequer a vós podereis ser úteis.
Na verdade, se os outros perderem o sabor, podem recuperá‑lo pelo vosso ministério; mas se sois vós que vos tornais insípidos, arrastareis também os outros com a vossa ruína. Quanto mais importantes são os encargos, tanto maior deve ser a vossa solicitude». Por isso diz Jesus: Se o sal perde o seu sabor, com que o havemos de salgar? Não serve para mais nada senão para ser lançado fora e pisado pelos homens.
E para que não temam lançar‑se para o combate, ao ouvirem aquelas palavras: Quando vos insultarem e perseguirem e disserem toda a espécie de mal contra vós, diz‑lhes de modo equivalente: «Se não estais dispostos a estas provas, em vão fostes escolhidos. São certamente inevitáveis estas maledicências; mas em vez de vos prejudicarem, serão testemunhas da vossa firmeza. Contudo, se o temor das afrontas vos leva à simulação e cobardia, então será maior o vosso sofrimento: todos falarão mal de vós e sereis para toda a gente objecto de censura e escárnio. É isto que quer dizer ser pisado pelos homens».
Depois continua com uma analogia mais elevada: Vós sois a luz do mundo. Novamente se refere ao mundo: não a um só povo nem a vinte cidades, mas a todo o orbe da terra; e a luz, como o sal de que antes falou, deve entender‑se em sentido espiritual, luz mais esplendorosa que os raios do sol que nos alumia. Fala primeiro do sal, depois fala da luz, para mostrar a grande eficácia que tem uma pregação vigorosa e uma doutrina exigente e luminosa. Deste modo nos obriga a seguir uma certa norma na pregação, sem divagações inconvenientes, para que ela possa iluminar a vista de quem nos rodeia: Não se pode ocultar uma cidade situada sobre um monte, nem se acende uma lâmpada para a colocar sob um alqueire. Com estas palavras insiste o Senhor na perfeição de vida que hão‑de levar os seus discípulos, estimulando‑os à vigilância e à solicitude pela própria santificação, porque estão expostos ao olhar de todos os homens e travam o seu combate diante de toda a terra.
RESPONSÓRIO Actos 1, 8; Mt 5, 16
R. Recebereis a fortaleza do Espírito Santo que descerá sobre vós; * E sereis minhas testemunhas até aos confins da terra.
V. Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus. * E sereis minhas testemunhas até aos confins da terra.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
2 Tim 2, 8.11-13
Lembra-te de que Jesus Cristo, descendente de David, ressuscitou dos mortos. É digna de fé esta palavra: Se morremos com Cristo, também com Ele viveremos; se sofremos com Cristo, também com Ele reinaremos; se O negarmos, também Ele nos negará; se formos infiéis, Ele permanecerá fiel, porque não pode negar-Se a Si mesmo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
V. Anunciamos as vossas maravilhas
R. E invocamos o vosso nome.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-xx-do-tempo-comum-ano-c/>]
Domingo XX do Tempo Comum (Ano C)
Atolados no lodo da incompreensão
Não era difícil notar que ele era diferente. Tinha uma voz doce e segura. Seus olhos muito azuis transmitiam paz. Os gestos serenos davam segurança. O sorriso provocava em todos uma atração inconsciente.
Todos gostavam dele e o convidavam para suas casas, sentindo que podia ser da família.
A desconfiança surgiu quando, uma onda de assaltos, semeou o medo na aldeia. Dali em diante, os olhares voltaram-se para ele. Mesmo sem falarem, a dúvida cresceu nos corações. Pelo bem de todos, ele pegou nas suas poucas coisas e partiu. Ninguém lhe pediu que ficasse.
LEITURA I Jr 38, 4-6.8-10
Naqueles dias,
os ministros disseram ao rei de Judá:
«Esse Jeremias deve morrer,
porque semeia o desânimo entre os combatentes
que ficaram na cidade e também todo o povo
com as palavras que diz.
Este homem não procura o bem do povo,
mas a sua perdição».
O rei Sedecias respondeu:
«Ele está nas vossas mãos;
o rei não tem poder para vos contrariar».
Apoderaram-se então de Jeremias
e, por meio de cordas,
fizeram-no descer à cisterna do príncipe Melquias,
situada no pátio da guarda.
Na cisterna não havia água, mas apenas lodo,
e Jeremias atolou-se no lodo.
Entretanto, Ebed-Melec, o etíope,
saiu do palácio e falou ao rei:
«Ó rei, meu senhor, esses homens procederam muito mal
tratando assim o profeta Jeremias:
meteram-no na cisterna, onde vai morrer de fome,
pois já não há pão na cidade».
Então o rei ordenou a Ebed-Melec, o etíope:
«Leva daqui contigo três homens
e retira da cisterna o profeta Jeremias,
antes que ele morra».
Distantes no tempo, Jeremias e Jesus estão muito próximo no seu destino. As palavras que escutamos relativamente a Jeremias, escutamo-las também no evangelho da paixão. Denunciando a infidelidade a Deus e a corrupção da classe política e religiosa, Jeremias é ameaçado de morte.
Salmo 39 (40), 2.3.4.18 (R. 14b)
O salmista traduz os sentimentos que podem encontrar-se em Jeremias ao ver-se salvo da morte, por intervenção de Deus que agiu através do etíope Ebed-Melec. Quando estava no abismo e no lamaçal, clamou ao Senhor e esperou “com toda a confiança”. O Senhor ouviu o seu clamor e “assentou os meus pés na rocha e firmou os meus passos”. O salmista reconhece a sua pobreza e infelicidade e louva o Senhor porque, apesar disso, ele transformou a sua vida e mudou o clamor dos seus lábios em cânticos e hinos de louvor. Todos os que lhe queriam mal “hão de temer” e aprenderão, também eles, a confiar no Senhor.
LEITURA II Heb 12, 1-4
Irmãos:
Estando nós rodeados de tão grande número de testemunhas,
libertemo-nos de todo o impedimento e do pecado que nos cerca
e corramos com perseverança para o combate
que se apresenta diante de nós,
fixando os olhos em Jesus,
guia da nossa fé e autor da sua perfeição.
Renunciando à alegria que tinha ao seu alcance,
Ele suportou a cruz, desprezando a sua ignomínia,
e está sentado à direita do trono de Deus.
Pensai n’Aquele que suportou contra Si
tão grande hostilidade da parte dos pecadores,
para não vos deixardes abater pelo desânimo.
Vós ainda não resististes até ao sangue,
na luta contra o pecado.
Na sequência da leitura do domingo passado a carta aos Hebreu faz referência a todos os que, no passado, viverem a fé e se tornaram verdadeiras testemunhas. Diante de tão grandes testemunhos somos todos convidados a viver na perseverança lutando contra o pecado. Mas é sobretudo com os olhos postos em Jesus, porque ele é “guia da nossa fé e autor da sua perfeição”, e imitando-o no seu despojamento, que chegaremos sem desânimo à meta que nos propomos como seus discípulos
EVANGELHO Lc 12, 49-53
Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Eu vim trazer o fogo à terra
e que quero Eu senão que ele se acenda?
Tenho de receber um batismo
e estou ansioso até que ele se realize.
Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra?
Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão.
A partir de agora,
estarão cinco divididos numa casa:
três contra dois e dois contra três.
Estarão divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai,
a mãe contra a filha e a filha contra a mãe,
a sogra contra a nora e a nora contra a sogra».
Jesus fala de um fogo, um batismo e de divisão. São palavras enigmáticas com as quais nos diz que a sua vida foi toda ela uma experiência radical forjada no fogo do amor e que este fogo virá para todos com o Espírito Santo. A batismo é a sua radical entrega que implica uma morte que será fonte de vida. E a divisão é provocada pela incompreensão de todos os que não entenderem a opção radical dos discípulos de Cristo.
Reflexão da Palavra
Jeremias, já o sabemos de outras reflexões, foi um profeta muito perseguido por causa da missão que o Senhor lhe confiou. Exerceu o seu ministério na sua terra, o que, à partida não augura nada de bom, e num tempo difícil em que, tanto o poder político como o poder religioso, viviam na infidelidade e na corrupção. Por diversas vezes se vê ameaçado de morte por aqueles contra quem fala em nome de Deus.
Experimentando a angústia, a solidão e o abandono, lamenta-se, chegando a amaldiçoar o dia em que nasceu. No meio da desgraça volta-se para Deus e pede-lhe contas pela forma como ele exerce a justiça, deixando-o à mercê dos inimigos, quando lhe prometeu estar com ele e não permitir que os inimigos o dominassem.
As palavras de Jeremias despertam os piores sentimentos, “este homem não procura o bem do povo”, “semeia o desânimo entre os combatentes”. Ao longo do seu livro são frequentes expressões como estas e piores, mais violentas e agressivas. Os chefes do povo não resistem às suas críticas e procuram dar-lhe a morte: “Esse Jeremias deve morrer”. Diante disto, o rei, que não tem personalidade, deixa-se convencer facilmente, “Ele está nas vossas mãos; o rei não tem poder para vos contrariar”.
Diante deste panorama Deus parece estar em silêncio, mas na verdade está atento ao seu sofrimento e envia-lhe um estrangeiro, o etíope Ebed-Melec que intercede junto do rei e consegue a sua libertação. Deus cumpria, assim, a sua promessa inicial “eu estou contigo para te salvar” (Jr 1,19).
Os poucos versículos do salmo 40, que aqui se reúnem, traduzem de modo bem explícito a situação de Jeremias. Como o profeta, também o salmista se encontra numa situação de “abismo e lamaçal”. Também ele invocou o Senhor, “invoquei o Senhor com toda a confiança” e foi atendido, “Ele inclinou-se para mim e ouviu o meu clamor”. A ação do Senhor foi libertadora “retirou-me do abismo e do lamaçal, assentou os meus pés na rocha e firmou os meus passos” e transformou as suas palavras de suplica, lamentação e angústia, em “cântico novo, um hino de louvor ao nosso Deus”, de modo que todos ficam admirados e cheios de temor ao ver um “pobre e infeliz” encontrar em Deus proteção. Perante isto, o salmista só pode afirmar, “Feliz o homem que confia no Senhor” e não se coloca ao lado dos poderosos que são “idolatras… que seguem a mentira”.
Perante a fragilidade dos cristãos em tempo de perseguição, o autor da carta aos Hebreus incita-os a olhar para os testemunhos do Antigo Testamento, mas sobretudo para Jesus, “guia da nossa fé e autor da sua perfeição”, para encontrar no seu sofrimento, “Ele suportou a cruz”, a força para resistirem “até ao sangue, na luta contra o pecado”.
Na escalada da fé não estamos sós, envolvem-nos todos os que perseveraram e temos sobretudo Jesus que é origem e fim da nossa fé. Com o incentivo da sua perseverança, também nós “corremos para o combate que se apresenta diante de nós”.
O evangelho apresenta três ideias aparentemente enigmáticas que estão ligadas pela pessoa de Jesus. É ele quem traz o fogo, é ele quem recebe o batismo e é ele a causa da divisão entre os membros a família.
O fogo é toda a vida de Jesus animada pelo Espírito, é o fogo do evangelho vivido e anunciado por ele, e é o Espírito Santo quem faz com que a novidade de Jesus se espalhe pela terra. É importante que este fogo não se apague.
O batismo que Jesus tem que receber é a paixão “o Filho do Homem vai ser entregue aos gentios. Vai ser escarnecido, maltratado e coberto de escarros; e, depois de o açoitarem, vão dar-lhe a morte” (Lc 18, 31-32).
A divisão entre os membros da família acontece por causa da opção radical que fazem aqueles que se convertem, os que aderem ao evangelho. A proposta de Jesus põe em causa toda a estrutura social e religiosa do seu tempo, de tal modo que judeus e gentios encontram no evangelho uma oposição ao modo de entender a vida, as relações, os estratos sociais, a exclusão dos mais fracos, dos pobres e dos doentes. E provoca uma oposição dentro da família de cada convertido. A proposta de Jesus não pode ser aceite por quem não se deixou transformar no coração, como bem recordam as parábolas do remendo e dos odres “Ninguém recorta um bocado de roupa nova para o deitar em roupa velha… E ninguém deita vinho novo em odres velhos… Mas deve deitar-se vinho novo em odres novos”.
A opção por Jesus é radical, atinge todo o ser, transforma o coração e estabelece novos laços, uma nova família, que não nasce do sangue, mas do Espírito, “Aquilo que nasce da carne é carne, e aquilo que nasce do Espírito é espírito… ‘Vós tendes de nascer do Alto’” (Jo 3,6), ou, como Jesus diz em outro lugar, “minha mãe e meus irmãos são aqueles que escutam a palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 8, 21).
Jesus é sinal de contradição no meio do mundo. Ele que veio como Messias para trazer a paz, não pode implantar a paz se ela não significar mudança de coração, por isso, os critérios da paz que são critérios do evangelho vão provocar a divisão e não a paz. O evangelho anunciado no meio do mundo provoca esta oposição entre os que aderem e os que não aderem ao projeto de Jesus.
Meditação da Palavra
A difícil experiência dos que creem.
“Fixando os olhos em Jesus”, como nos recomenda a carta aos Hebreus, percebemos que não tem vida fácil todo aquele que se deixa tomar pelo fogo do evangelho. A boa notícia trazida por Jesus é a força do amor que domina o coração, a mente, as articulações, a medula e a respiração daquele que, ouvindo, se deixa converter.
A conversão, que tem no batismo o seu momento mais determinante, é uma experiência de fé que começa no encontro com Cristo e termina quando nos dissolvemos nele pela morte, realidade que a carta aos Hebreus exprime dizendo que Jesus é o “guia da nossa fé e autor da sua perfeição” querendo dizer que Jesus está na origem e no fim da nossa fé.
O fogo que nos devora não pode ficar em nós como não ficou em Jesus, tem que ser comunicado para chegar a todo o mundo, mesmo que para isso seja necessário o batismo do martírio, à semelhança do que viveu Jesus, o mestre. É disso exemplo Jeremias que, tendo sido chamado e enviado por Deus para falar em seu nome, se viu perseguido até se atolar no lodo, sem terra firme onde assentar os pés, experimentando a angústia de se sentir só e abandonado. Ele que anunciava a palavra da paz, vê-se envolvido pelas trevas do erro que interpretam mal a sua mensagem, para não inverterem o caminho pensado sem Deus. Enquanto ele propõe o regresso à fidelidade a Deus eles insinuam que “semeia o desânimo”, quer “a sua perdição” e “não procura o bem do povo”.
Foi também este o caminho que conduziu Jesus à cruz. As suas palavras foram interpretadas como subversivas, e o caminho por ele proposto, como uma ameaça à segurança, até que, a única saída foi dar-lhe a morte “convém que morra um só homem pelo povo, e não pereça a nação inteira” (Jo 11,50).
O grito dos ministros do rei ecoa juntamente com o grito da multidão diante de Pilatos “deve morrer”. O abandonado Jeremias vê-se salvo por Deus através de um estrangeiro, o etíope Ebed-Melec e Jesus é salvo pela força do amor que vence a morte, como ele próprio anunciara, “mas ao terceiro dia ressuscitará”.
Os cristãos perseguidos, a quem se dirige a carta aos Hebreu, encontram nos patriarcas, nos homens grandes de Israel, nos profetas e, particularmente, em Jesus, o incentivo para enfrentarem a adversidade como uma oportunidade para perseverarem, resistindo até ao sangue na “luta contra o pecado”.
Os cristãos de hoje, experimentando tantas vezes a divisão de que fala Jesus no evangelho, são chamados a confiar, como Jeremias e o salmista, e a renunciar como Jesus, a fim de não se deixarem abater pelo desânimo, viverem animados pelo fogo do evangelho e dispostos ao receber o batismo de Jesus que os mártires protagonizaram com serenidade.
Rezar a Palavra
No tempo presente, em muito lugares do mundo, há homens que sofrem o horror da perseguição por causa do evangelho. Outros, mesmo não cristãos, sentem o peso da incompreensão pela diferença cultural, religiosa, sexual ou outra. Por vezes julgamos ser detentores da verdade. Escutamos pouco o que dizes nos nossos corações e perdemos a humanidade. Tornamo-nos frios, insensíveis e incapazes de conviver sem violência e ódio. Continua a ensinar os nossos pobres corações e a confortar com a tua presença aqueles que são alvo da perseguição.
Compromisso semanal
Penso em tantos homens e mulheres privados de liberdade devido ao ódio e à violência discriminação.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2025/08/santos-do-dia-da-igreja-catolica-17-de-agosto/>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 17 de Agosto
Postado em: por: marsalima
São Jacinto
Batizado com o nome de Jacko, ele nasceu em 1183, na antiga Kramien, hoje Cracóvia, na Polônia. Alguns biógrafos dizem que pertencia à piedosa família Odrovaz, da pequena nobreza local. Desde cedo, aprendeu a bondade e a caridade, despertando, assim, sua vocação religiosa. Antes de ingressar na Ordem dos Predicadores de São Domingos, ele era cônego na sua cidade natal.
Foi em Roma que conheceu Domingos de Gusmão, fundador de uma nova Ordem, a dos padres predicadores. Pediu seu ingresso e foi aceito na nova congregação. Depois de um breve noviciado, concluído em Bolonha, provavelmente em 1221, vestiu o hábito dominicano e tomou o nome de frei Jacinto. Na ocasião, foi o próprio são Domingos que o enviou de volta à sua pátria com um companheiro, frei Henrique da Morávia.
Assim iniciou sua missão de grande pregador. O trabalho que ele teria de desenvolver na Polônia fora claramente fixado pelo fundador. Jacinto fundou, em Cracóvia, um mosteiro da Ordem de São Domingos. Depois de pregar por toda a diocese, mandou alguns dominicanos missionários para a Prússia, Suécia e Dinamarca, pois esses países pagãos careciam de evangelização.
O grande afluxo de religiosos à nova Ordem permitiu, em 1225, por ocasião do capítulo provincial, que se decidisse a fundação de cinco novos mosteiros na Polônia e na Boêmia.
Passados três anos, após ter participado do capítulo geral da Ordem em Paris, foi para Kiev, na Rússia, onde desenvolveu mais uma eficiente missão evangelizadora, levando a Ordem dos dominicanos para aquela região.
Jacinto foi um incansável pregador da Palavra de Cristo e um dos mais pródigos colaboradores do estabelecimento da nova Ordem naquelas regiões tão distantes de Roma. Foram quarenta anos de intensa vida missionária.
No ano dia 15 de agosto 1257, morreu no Mosteiro de Cracóvia, Polônia, consumido pelas fadigas, aos setenta e dois anos de idade. Considerado pelos biógrafos uma das glórias da Ordem Dominicana, foi canonizado em 1524 pelo papa Clemente VII.
A festa de são Jacinto, o “apóstolo da Polônia”, era tradicionalmente celebrada um dia depois da sua morte, mas, em razão da veneração da Assunção de Maria, foi transferida para o dia 17 de agosto.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 17 DE AGOSTO DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Cor 6, 19-20
Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus? Não vos pertenceis a vós mesmos: fostes resgatados por grande preço. Glorificai a Deus no vosso corpo.
V. A minha alma suspira pelos átrios do Senhor,
R. O meu coração e a minha carne exultam no Deus vivo
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Deut 10, 12
Agora, Israel, que te pede o Senhor teu Deus? Que respeites o Senhor teu Deus, que sigas todos os seus caminhos, que O ames e sirvas com todo o teu coração e com toda a tua alma.
V. Quem habitará, Senhor, no vosso santuário?
R. O que vive sem mancha e diz a verdade que tem no coração.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Cant 8, 6b-7
O amor é forte como a morte, e a paixão é violenta como o abismo. É uma chama ardente, um fogo divino. As águas torrenciais não conseguem apagar o amor, nem os rios o podem submergir.
V. Eu Vos amo, Senhor, minha fortaleza,
R. Meu protector, minha defesa e meu salvador.
Oração
Deus de bondade infinita, que preparastes bens invisíveis para aqueles que Vos amam, infundi em nós o vosso amor, para que, amando‑Vos em tudo e acima de tudo, alcancemos as vossas promessas, que excedem todo o desejo. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Hebr 12, 22-24
Vós aproximastes-vos do monte Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celeste, de muitos milhares de Anjos em reunião festiva; de uma assembleia dos primogénitos cujos nomes estão inscritos no Céu; de Deus, juiz do universo; dos espíritos dos justos que atingiram a perfeição; de Jesus, Mediador da Nova Aliança, e do Sangue de aspersão que fala mais eloquentemente que o sangue de Abel.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
V. Infinita é a sua sabedoria
R. Admirável é o seu poder.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
CÂNTICO EVANGÉLICO (Magnificat) Lc 1, 46-55
Ant. Eu vim trazer o fogo à terra. E que quero Eu senão que Ele se acenda?
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.

