“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 30 DE AGOSTO DE 2025
30 de agosto de 2025“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 1 DE SETEMBRO DE 2025
1 de setembro de 2025Domingo XXII do Tempo Comum (Ano C)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Do Livro de Jeremias 11, 18-20; 12, 1-13
O profeta manifesta a tristeza da sua alma
Quando o Senhor me avisou, eu compreendi;
Vi então as maquinações dos meus inimigos.
Eu era como manso cordeiro levado ao matadouro
e ignorava a conjura que tramavam contra mim, dizendo:
«Destruamos a árvore no seu vigor.
Arranquemo-la da terra dos vivos,
para não mais se falar no seu nome».
Senhor do Universo,
que julgais com justiça e sondais os sentimentos e o coração,
seja eu testemunha do castigo que haveis de aplicar-lhes,
pois a Vós confio a minha causa.
Vós, Senhor, sois demasiado justo
para que eu possa queixar-me de Vós.
Quero, contudo, propor-Vos um caso de justiça:
Porque prospera o caminho dos maus?
Porque vivem em paz os pérfidos traidores?
Vós os plantastes, e eles lançam raízes,
crescem e frutificam.
Estais perto dos seus lábios,
mas longe do seu coração.
Mas Vós, Senhor, bem me conheceis e me vedes.
Vós sondais o meu coração e sabeis que está junto de Vós.
Separai-os como ovelhas para o matadouro,
destinai-os para o dia da matança.
Até quando estará a terra de luto
e seca toda a erva dos campos?
Por causa da maldade dos seus habitantes
morrem os animais e as aves.
Porque eles dizem: «Deus não vê os nossos caminhos».
«Se te cansas a correr com os que andam a pé,
como poderás competir com os cavalos?
Se num país em paz não te sentes seguro,
que farás em plena selva do Jordão?
Até os teus irmãos e a família do teu pai te atraiçoam,
eles próprios vão atrás de ti gritando em altos brados.
Não te fies neles, quando te disserem palavras amáveis.»
«Abandonei a minha casa,
renunciei à minha herança,
entreguei a mãos inimigas
o que Me era mais caro.
A minha herança tornou-se para Mim
como um leão na floresta que ruge contra Mim;
por isso comecei a detestá-la.
A minha herança é para Mim um pássaro de cores variegadas
cercado pelas aves de rapina.
Vinde, reuni-vos, feras do campo,
vinde devorar.
Numerosos pastores devastaram a minha vinha,
espezinharam a minha herdade;
reduziram a minha herdade maravilhosa
a um triste deserto,
fizeram dela uma ruína;
aí está diante de Mim, triste e desolada.
Todo o país foi assolado e ninguém se preocupa.»
De todas as dunas do deserto irrompem os salteadores,
porque o Senhor tem uma espada
que devora dum extremo ao outro do país;
ninguém poderá escapar.
Semearam trigo e colheram espinhos,
cansaram-se inutilmente.
Envergonhai-vos das vossas colheitas,
por causa da ira ardente do Senhor.
RESPONSÓRIO Jo 12, 27-28; Salmo 41 (42), 6a
R. Agora a minha alma está perturbada; que hei-de dizer? Pai, salva-Me desta hora? Mas para isto cheguei a esta hora. * Pai, glorifica o teu nome.
V. Porque estás triste, minha alma, e desfaleces? * Pai, glorifica o teu nome.
SEGUNDA LEITURA
Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo
(Sermão 23 A, 1-4: CCL 41, 321-323) (Sec. V)
O Senhor compadeceu-Se de nós
Somos verdadeiramente felizes, se pomos em prática o que ouvimos e cantamos. De facto, o que ouvimos é a semente, e o que pomos em prática é o fruto da semente. Com esta introdução quero advertir a vossa caridade, para que não frequenteis a igreja de maneira infrutuosa, ouvindo tantas coisas boas e não praticando o bem. É pela graça que fomos salvos, como diz o Apóstolo, e não pelas obras, para que ninguém se glorie; é pela graça que fomos salvos. Na verdade, não havia anteriormente na nossa vida qualquer mérito que pudesse atrair a complacência e o amor de Deus e O levasse a dizer: «Vamos ajudar estes homens, porque a sua vida santa o merece». A Deus desagradava a nossa vida, desagradava-Lhe tudo o que fazíamos; só não Lhe desagradava o que Ele tinha feito em nós. Por isso condenará o que nós fizemos e salvará o que Ele fez.
De facto, nós não éramos bons. E Ele compadeceu-Se de nós e enviou o seu Filho para morrer, não pelos bons mas pelos maus, não pelos justos mas pelos ímpios. Diz a Escritura: Cristo morreu pelos ímpios. E que diz a seguir? Dificilmente alguém morre por um justo; por um homem de bem talvez alguém ousasse morrer. Talvez se encontre alguém que ouse morrer por um homem de bem. Mas por um injusto, por um ímpio, por um iníquo, quem aceitaria a morte senão Cristo, que era de tal modo justo que pôde justificar os injustos?
Meus irmãos, nós não tínhamos nenhumas obras boas; todas as nossas acções eram más. Mas apesar de serem más as acções dos homens, a misericórdia divina não os abandonou. E Deus enviou o seu Filho para nos salvar, não com ouro ou prata, mas com o preço do seu Sangue derramado, o Sangue d’Aquele Cordeiro sem mancha, levado ao matadouro como vítima pelas ovelhas manchadas, se é que estavam simplesmente manchadas e não totalmente corrompidas. Recebemos, portanto, esta graça. Vivamos de modo digno deste dom que recebemos, a fim de não tornarmos inútil tão grande graça. O médico divino veio ao nosso encontro e perdoou todos os nossos pecados. Se queremos recair na doença, não só nos prejudicaremos a nós mesmos, mas também seremos ingratos para com o nosso médico.
Sigamos, portanto, os caminhos que Ele nos indicou, principalmente o caminho da humildade que Ele tomou para vir ao nosso encontro. Ele mostrou-nos este caminho da humildade não só com os seus ensinamentos, mas também com o seu exemplo, percorrendo-o até morrer por nós. Para poder morrer por nós Aquele que era imortal, o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Assim o imortal Se revestiu de mortalidade, para poder morrer por nós e destruir a nossa morte com a sua morte.
Isto fez o Senhor, este é o dom que nos ofereceu. Sendo grande, humilhou-Se; humilhado, quis morrer; tendo morrido, ressuscitou e foi exaltado, para não nos deixar mortos no inferno, mas para exaltar em Si, pela ressurreição dos mortos, aqueles que neste mundo tinha exaltado apenas pela fé e pela confissão do seu nome. Assim nos deu e mostrou o caminho da humildade. Se o seguirmos, daremos glória ao Senhor e cantaremos com toda a verdade: Nós Vos damos graças, Senhor; nós Vos damos graças e invocamos o vosso nome.
RESPONSÓRIO Salmo 85 (86), 12-13a; 117 (118), 28
R. Louvar-Vos-ei de todo o coração, Senhor meu Deus, e glorificarei o vosso nome para sempre; * Porque tem sido grande a vossa misericórdia para comigo.
V. Vós sois o meu Deus: eu Vos darei graças; Vós sois o meu Deus: eu Vos exaltarei. * Porque tem sido grande a vossa misericórdia para comigo.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
Ezequiel 36, 25-27
Derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de todas as imundícies; purificar-vos-ei de todos os vossos deuses. Dar-vos-ei um coração novo e infundirei em vós um espírito novo; arrancarei do vosso peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Infundirei em vós o meu espírito e farei que vivais segundo os meus preceitos, que observeis e ponhais em prática as minhas leis.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
V. Anunciamos as vossas maravilhas.
R. E invocamos o vosso nome.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-xxii-do-tempo-comum-ano-c/>]
Domingo XXII do Tempo Comum (Ano C)
Os invisíveis são caminho para o reino
O coração, os olhos e os ouvidos estão preparados para funcionar automaticamente. No entanto posso sempre afinar o funcionamento destes órgãos de modo que amem, vejam e escutem aquilo que mais me interessa.
Há corações que amam os pobres e corações que não sentem a desgraça do outro. Há olhos que veem as dificuldades dos que nada têm e olhos para quem eles são invisíveis. Há ouvidos que escutam o clamor dos que sofrem e ouvidos surdos para a dor. Por esse motivo muitos não encontram o caminho do reino.
LEITURA I Sir 3, 19-21.30-31 (gr.17-18.20.28-29)
Filho, em todas as tuas obras procede com humildade
e serás mais estimado do que o homem generoso.
Quanto mais importante fores, mais deves humilhar-te,
e encontrarás graça diante do Senhor.
Porque é grande o poder do Senhor,
e os humildes cantam a sua glória.
A desgraça do soberbo não tem cura,
porque a árvore da maldade criou nele raízes.
O coração do sábio compreende as máximas do sábio,
e o ouvido atento alegra-se com a sabedoria.
Bem Sira coloca diante dos nossos olhos a sorte dos soberbos e a sorte dos humildes. O soberbo só se escuta a si mesmo O humilde escuta Deus e os outros. Por isso, o humilde será estimado enquanto o soberbo permanece de coração obstinado e solitário. O humilde é sábio porque é um escutador que só vai até onde pode ir.
Salmo Responsorial Salmo 67 (68), 4-7ab.10-11 (R. cf. 11b)
Nos versículos do salmo 67 que a Igreja escolhe para a liturgia deste domingo, canta-se a preferência de Deus pelos humildes. Deus é “pai dos órfãos e defensor das viúvas”, “aos abandonados prepara uma casa”, “conduz os cativos à liberdade” e prepara uma terra para o oprimido. Diante da bondade do Senhor para com os humildes, dispersam-se e fogem os inimigos e alegram-se os justos.
LEITURA II Heb 12, 18-19.22-24a
Irmãos:
Vós não vos aproximastes de uma realidade sensível,
como os Israelitas no monte Sinai:
o fogo ardente, a nuvem escura,
as trevas densas ou a tempestade,
o som da trombeta e aquela voz tão retumbante
que os ouvintes suplicaram que não lhes falasse mais.
Vós aproximastes-vos do monte Sião,
da cidade do Deus vivo, a Jerusalém celeste,
de muitos milhares de Anjos em reunião festiva,
de uma assembleia de primogénitos inscritos no Céu,
de Deus, juiz do universo,
dos espíritos dos justos que atingiram a perfeição
e de Jesus, mediador da nova aliança.
O autor da carta aos Hebreus recorda o episódio do Sinai, quando Deus se manifestou a Moisés e ao povo. Comunicando através de manifestações da natureza provoca medo no povo, de modo que o povo pede para Deus não voltar a manifestar-se daquela forma. Os cristãos, novo povo de Deus, nascido de Cristo, vivem uma experiência nova, que não é material mas espiritual, e não assusta, pelo contrário, atrai. Os cristãos aproximaram-se “de Jesus, o mediador da nova aliança”.
EVANGELHO Lc 14, 1.7-14
Naquele tempo,
Jesus entrou, num sábado,
em casa de um dos principais fariseus
para tomar uma refeição.
Todos O observavam.
Ao notar como os convidados escolhiam os primeiros lugares,
Jesus disse-lhes esta parábola:
«Quando fores convidado para um banquete nupcial,
não tomes o primeiro lugar.
Pode acontecer que tenha sido convidado
alguém mais importante do que tu;
então, aquele que vos convidou a ambos, terá que te dizer:
‘Dá o lugar a este’;
e ficarás depois envergonhado,
se tiveres de ocupar o último lugar.
Por isso, quando fores convidado,
vai sentar-te no último lugar;
e quando vier aquele que te convidou, dirá:
‘Amigo, sobe mais para cima’;
ficarás então honrado aos olhos dos outros convidados.
Quem se exalta será humilhado
e quem se humilha será exaltado».
Jesus disse ainda a quem O tinha convidado:
«Quando ofereceres um almoço ou um jantar,
não convides os teus amigos nem os teus irmãos,
nem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos,
não seja que eles por sua vez te convidem
e assim serás retribuído.
Mas quando ofereceres um banquete,
convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos;
e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te:
ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos.
Como o sábio da primeira leitura e o justo do salmo, todo aquele que está aberto aos que não têm direitos nem importância ao ponto de os convidar para sua casa, será feliz porque não procura recompensa alguma, mas apenas o bem dos infelizes.
Reflexão da Palavra
O texto da primeira leitura, tirado do livro conhecido como Eclesiástico, escrito por volta do ano 180 a.C. por Jesus, filho de Sira, apresenta a humildade como a virtude fundamental no caminho para a sabedoria que é o mesmo que felicidade. A humildade bíblica não tem a conotação negativa que costuma ser-lhe atribuída. Quando o autor propõe em nome de Deus “quanto mais importante fores, mais deves humilhar-te”, não se refere a submissão ou dependência em relação a outrem, mas reconhecimento de que tudo lhe foi dado, nada lhe pertence e foi-lhe dado para pôr ao serviço de todos.
A maior desgraça do homem é a soberba. Deus resiste aos soberbos (Pr 3,34) porque eles não têm cura, deixaram enraizar neles a árvore do mal e, cheios de si mesmos, estão impedidos de se relacionarem com Deus e com os outros. Ao contrário, os humildes estão atentos a Deus e aos outros, estão de ouvido atento a Deus e meditam no seu coração (Sir 3,29).
O humilde é, curiosamente, entendido como o último, o que fica a perder, aquele que não sabe aproveitar as oportunidades. No entanto, porque não se escuta a si mesmo mas a Deus e medita sobre tudo o que o rodeia, é-lhe dada a sabedoria divina para compreender os mistérios que estão vedados aos sábios e aos e inteligentes.
O longo salmo 67 canta o poder de Deus manifestado na libertação do seu povo. O salmista apresenta Deus como ator principal. Deus aparece aqui em plena atividade salvadora, próximo do seu povo, envolvido nos seus problemas, empenhado na vitória.
Deus levanta-se, sai, avança, faz cair, esmaga, domina, faz ouvir a sua voz. Diante do Senhor os inimigos, dispersam-se, fogem e tremem. Os justos alegram-se, exultam de alegria, reconhecem o poder do Senhor, louvam, cantam. O Senhor está do lado dos mais fracos, dos humildes, é pai dos órfãos, defensor das viúvas, prepara uma casa para o pobre, reconforta-o, cuida de nós, salva, livra da morte, avança pelos céus eternos e resplandece. Diante do poder do Senhor os reis da terra virão com presentes, levantarão as mãos e cantam hinos ao Deus de Israel.
Na segunda leitura continuamos a ler a carta aos Hebreus. O autor da carta recorda aos convertidos do judaísmo o episódio do êxodo, quando o Senhor, no Sinai, se manifestou a Moisés e ao povo através do “fogo ardente, a nuvem escura, as trevas densas ou a tempestade, o som da trombeta e aquela voz tão retumbante”, estabelecendo com eles uma aliança. Perante tão grande manifestação o povo, maravilhado, encheu-se de medo e pediu a Deus nunca mais se manifestasse daquela forma, “suplicaram que não lhes falasse mais”.
Com esta afirmação, o autor da carta pretende que os seus leitores, de origem judaica, reconheçam que há uma continuidade entre aquela aliança estabelecida por Deus com o seu povo através de Moisés, e a nova aliança realizada por meio de Jesus. Simultaneamente, salienta a diferença que existe entre as duas alianças. No deserto, o povo estava impedido de subir ao monte. Mantendo-se à distância e de rosto coberto para não ver, tinha com Deus uma relação de medo, de verdadeiro temor.
Na nova aliança estabelecida por Deus com o seu novo povo, formado pelos que aderem ao evangelho, todos se podem aproximar, “Vós aproximastes-vos”, mas não de realidades palpáveis. Na aliança realizada no sangue de Jesus, todos podem aproximar-se e participar de Deus, da sua intimidade, e viver com ele uma experiência espiritual. Todos se podem aproximar de “Jesus, mediador da nova aliança”.
O evangelho apresenta Jesus numa das várias situações em que ele é convidado para comer em casa de alguém. Em todas estas situações Jesus aproveita para ensinar. Esta refeição acontece num dia de Sábado e em casa de um fariseu importante, pelo que, aparecem muitos convidados. Há um pormenor neste acontecimento que o texto litúrgico não inclui e que faz a diferença. A chegada dos convidados é interrompida pela pergunta de Jesus “é permitido ou não curar ao sábado?”, por causa de um homem doente que ali se encontrava e que Lucas narra nos versículos 2 a 6. Sem resposta da parte deles, Jesus curou o homem.
Após este acontecimento, o texto de Lucas volta a nossa atenção para os convidados que procuram os melhores lugares à mesa e é aí que a liturgia apresenta a mensagem de Jesus. As refeições são uma oportunidade para falar do Reino de Deus. São muitas as imagens da Escritura e parábolas de Jesus que associam o Reino de Deus a um banquete.
Jesus aproveita, precisamente esta refeição para chamar a atenção para o comportamento dos presentes. Escolher o melhor lugar significa julgar-se mais digno do que os outros. Com a sua chamada de atenção Jesus quer dizer que é o dono da casa, o dono do Reino, quem distribui os lugares, pois só ele conhece a dignidade de cada um. O humilde sabe isso e vai para o último lugar, enquanto o soberbo assume-se com direito ao primeiro lugar e não deixa que ninguém lho tire. Jesus deixa bem clara a sua visão ao concluir “Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado”.
A segunda parte do texto dirigida àquele que o convidou, insinua precisamente um caminho novo proposto por Jesus. O fariseu que tinha convidado os seus amigos e pessoas da sua categoria social, compreende que Jesus lhe propõe esse outro caminho ao dizer-lhe “Quando ofereceres um almoço ou um jantar… convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos”, ou seja, aqueles que são sinal da chegada do Reino que se destina em primeiro lugar para eles “e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te: ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos”.
Meditação da Palavra
“Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado”.
A palavra deste domingo ensina um caminho para chegar até Deus. No centro do capítulo 14 de Lucas está a parábola do grande banquete do Reino de Deus para o qual todos estão convidados, mas só participam os pobres, os estropiados, os cegos e os coxos, porque os outros encontram sempre uma desculpa para não comparecer.
Com o olhar neste banquete do Reino dos céus, podemos compreender aquele dia na casa do fariseu importante que convidou Jesus para uma refeição. Alguns convidados entendem ter o direito de escolher o lugar e lançam-se apressadamente na corrida pelos lugares mais importantes, porque não lhes basta estar presentes é necessário que sejam reconhecidos como importantes.
Jesus recorda o que já está escrito no livro dos Provérbios 25,6-7, “quando fores convidado para um banquete nupcial, não tomes o primeiro lugar”. Não se trata apenas de uma regra de boa educação, mas uma recomendação para a vida toda, como ensina Ben Sira na primeira leitura, “em todas as tuas obras procede com humildade”. O ensinamento de Jesus segue esta orientação, pois ele mesmo conclui “quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado”.
A humildade, porém, esbarra com os interesses pessoais. Para muitos a humildade é a arma dos fracos, que se deixam pisar, que se submetem à vontade de outros, que não têm autoestima nem amor próprio. Ser humilde implica ser o último e ninguém quer ser o último, por isso correm para os melhores lugares a fim de serem considerados pelos homens. Jesus, porém, recorda que o valor do homem não está no prestígio, no poder nem no reconhecimento dos homens. O prestígio está no coração com que se tomam as decisões fundamentais da vida. Já Ben Sira dizia: “Quanto mais importante fores, mais deves humilhar-te e encontrarás graça diante do Senhor”, porque o humilde conhece a sabedoria que vem de Deus e reconhece que tudo o que é e tem é dom de Deus, e não fruto das suas mãos.
Esquecer que vêm de Deus todos os bens de que se pode usufruir significa uma desgraça, e o soberbo sofre desta desgraça, da qual não pode curar-se porque, “a desgraça do soberbo não tem cura”, deixou que a raiz da maldade dominasse o seu coração.
Jesus vai mais além quando desafia o dono da casa a considerar importantes “os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos” e não os que habitualmente tem por costume convidar, “os teus amigos, os teus irmãos, os teus parentes, os teus vizinhos ricos”, pois estes podem retribuir o convite criando um círculo do qual não se pode sair porque é socialmente aceite. No banquete do Reino dos céus entram primeiro, “os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos” que são considerados os últimos entre os homens.
Já não é a primeira vez que Jesus fala destes que não podem retribuir o convite, em Lucas 6, 32-36 ele diz “se amais os que vos amam, que agradecimento mereceis?…se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis?… e se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis?… amai os vossos inimigos, fazei bem e emprestai, sem nada esperar em troca. Então a vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo”. A afirmação de Jesus, no final do texto deste domingo, corresponde a esta, “serás feliz por eles não terem com que retribuir-te: ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos”.
O que está em jogo nas palavras de Jesus é sempre a condição daquele que o escuta. Queres ser meu discípulo? Queres ser filho do Altíssimo? Queres entrar no reino? Então, tens que ir mais além, a proposta do evangelho é para ti. És tu o bem-aventurado que pensa nos pobres, nos humildes, nos injustiçados, nos peregrinos, nos doentes e nos presos. És tu o bem-aventurado que ama os inimigos e reza pelos que o perseguem.
Perante as palavras de Jesus, um dos convidados mostra entender o que Jesus acaba de dizer afirmando “Feliz o que comer no banquete do Reino de Deus”.
De facto, Jesus está claramente a dizer que é feliz quem entra no Reino, mas no Reino de Deus não se entra pela ordem de importância dos convidados aos banquetes humanos. No Reino entram os humildes, os pobres, os que não são reconhecidos, os que ficam à porta dos senhores deste mundo, os que não são considerados dignos nem tidos como pessoas. Numa palavra, no Reino não entram os soberbos que se julgam acima de toda e qualquer suspeita. No Reino entram os que têm o coração livre da maldade e desapegado das coisas deste mundo, sempre disponíveis para escutar.
Perante a palavra deste domingo, todos os que participamos na celebração eucarística, somos convidados à humildade. A humildade permite reconhecer que tudo o que somos e temos vem de Deus e não há de servir para nos vangloriarmos, mas para reconhecer o que somos, filhos do Altíssimo. Há de servir para nos tornarmos mais humanos e aceitarmos o último lugar, deixando aos coxos, aos cegos, aos pobres e aos sem prestígio, o primeiro lugar, na disposição permanente de os servirmos a exemplo de Cristo, de quem nos aproximámos pela fé recebida no batismo.
Rezar a Palavra
Hoje, Senhor, sinto-me convidado para participar no banquete do Reino. As tuas palavras na casa do fariseu alertam-me para a ordem de entrada, primeiro os últimos e depois os primeiros. Não sou eu quem escolhe o lugar onde devo sentar-me, mas o Pai, é ele quem conhece o coração de cada um e sabe indicar o lugar certo para participar do teu banquete. Aprendo também que a ordem do Reino depende daqueles que eu convido para a minha mesa. Se escolho aqueles que me podem convidar já tenho a minha recompensa. Mas se escolho aqueles que não me podem retribuir, receberei no teu Reino a recompensa. Mostra-me, Senhor, o caminho da humildade, para chegar ao teu reino acompanhado daqueles que beneficiaram da minha dedicação e generosidade.
Compromisso semanal
Abro os olhos para aqueles que são invisíveis no mundo das importâncias.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2025/08/santos-do-dia-da-igreja-catolica-31-de-agosto/>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 31 de Agosto
Postado em: por: marsalima
São Raimundo Nonato
Raimundo nasceu em Portell, na Catalunha, Espanha, em 1200. Seus pais eram nobres, porém não tinham grandes fortunas. O seu nascimento aconteceu de modo trágico: sua mãe morreu durante os trabalhos de parto, antes de dar-lhe à luz. Por isso Raimundo recebeu o nome de Nonato, que significa não-nascido de mãe viva, ou seja, foi extraído vivo do corpo sem vida dela.
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Dotado de grande inteligência, fez com certa tranqüilidade seus estudos primários. O pai, percebendo os dotes religiosos do filho, tratou de mandá-lo administrar uma pequena fazenda de propriedade da família. Com isso, queria demovê-lo da idéia de ingressar na vida religiosa. Porém as coisas aconteceram exatamente ao contrário.
Raimundo, no silêncio e na solidão em que vivia, fortificou ainda mais sua vontade de dedicar-se unicamente à Ordem de Nossa Senhora das Mercês, fundada por seu amigo Pedro Nolasco, agora também santo. A Ordem tinha como principal finalidade libertar cristãos que caíam nas mãos dos mouros e eram por eles feitos escravos. Nessa missão, dedicou-se de coração e alma.
Apesar da dificuldade, conseguiu o consentimento do pai e, finalmente, em 1224, ingressou na Ordem, recebendo o hábito das mãos do próprio fundador. Ordenou-se sacerdote e seus dotes de missionário vieram à tona, dedicando-se nessa missão de coração e alma. Por isso foi mandado em missão à Argélia, norte da África, para resgatar cristãos das mãos dos muçulmanos. Conseguiu libertar cento e cinqüenta escravos e devolvê-los às suas famílias.
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Quando se ofereceu como refém, sofreu no cativeiro verdadeiras torturas e humilhações. Mas mesmo assim não abandonou seu trabalho. Levava o conforto e a Palavra de Deus aos que sofriam mais do que ele e já estavam prestes a renunciar à fé em Jesus. Muitas foram as pessoas convertidas por ele, o que despertou a ira dos magistrados muçulmanos, os quais mandaram que lhe perfurassem a boca e colocassem cadeados, para que Raimundo nunca mais pudesse falar e pregar a doutrina de Cristo.
Raimundo sofreu durante oito meses essa tortura até ser libertado, mas com a saúde abalada. Quando chegou à pátria, na Catalunha, em 1239, logo foi nomeado cardeal pelo papa Gregório IX, que o chamou para ser seu conselheiro em Roma. Empreendeu a viagem no ano seguinte, mas não conseguiu concluí-la. Próximo de Barcelona, na cidade de Cardona, já com a saúde debilitada pelos sofrimentos do cativeiro, Raimundo Nonato foi acometido de forte febre e acabou morrendo, em 31 de agosto de 1240, quando tinha, apenas, quarenta anos de idade.
Raimundo Nonato foi sepultado naquela cidade e o seu túmulo tornou-se local de peregrinação, sendo, então, erguida uma igreja para abrigar seus restos mortais. Seu culto propagou-se pela Espanha e pela Europa, sendo confirmado por Roma em 1681. São Raimundo Nonato, devido à condição difícil do seu nascimento, é venerado como Padroeiro das Parturientes, das Parteiras e dos Obstetras.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 31 DE AGOSTO DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 5, 1-2.5
Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
V. Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor
R. E para sempre proclamarei a sua fidelidade.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 26
O Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis.
V. A Vós, Senhor, se eleva a minha súplica:
R. Dai-me inteligência segundo a vossa palavra.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Cor 1, 21-22
Quem nos confirma em Cristo – a nós e a vós – é Deus. Foi Ele que nos concedeu a unção, nos marcou com um sinal e imprimiu em nossos corações o penhor do Espírito.
V. O Senhor é minha luz e salvação,
R. O Senhor é o protector da minha vida.
Oração
Deus do universo, de quem procede todo o dom perfeito, infundi em nossos corações o amor do vosso nome e, estreitando a nossa união convosco, dai vida ao que em nós é bom e protegei com solicitude esta vida nova. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Tes 2, 13-14
Devemos continuamente dar graças a Deus por vós, irmãos amados por Deus, porque Deus vos escolheu como primícias para serdes salvos pelo Espírito que santifica e pela fé na verdade. Foi para isso que Ele vos chamou por meio do Evangelho, para possuirdes a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
V. Infinita é a sua sabedoria.
R. Admirável é o seu poder.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.

