“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 13 DE SETEMBRO DE 2025
13 de setembro de 2025“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 15 DE SETEMBRO DE 2025
15 de setembro de 2025EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ (Domingo XXIV do Tempo Comum)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Início da Profecia de Ezequiel 1, 3-14.28
Visão da glória do Senhor na terra do exílio
A palavra do Senhor foi dirigida ao sacerdote Ezequiel, filho de Buzi, na Caldeia, nas margens do rio Quebar. Foi aí que a mão do Senhor poisou sobre mim.
Eu olhei e vi aproximar-se do norte um vento tempestuoso e uma grande nuvem com um clarão à volta e um fogo cintilante. Do meio do fogo irradiava uma espécie de metal resplandecente. No centro distinguia-se a imagem de quatro seres vivos que tinham aspecto humano. Cada um tinha quatro faces e quatro asas. As pernas eram direitas e as plantas dos pés assemelhavam-se às do boi, cintilantes como bronze polido. Sob as asas, nos quatro lados, apareciam mãos de homem; todos os quatro tinham as suas faces e as suas asas, e as asas tocavam uma na outra. Ao avançarem, não se voltavam; cada um seguia sempre em frente.
Quanto ao aspecto das faces, cada um dos quatro tinha uma face de homem, uma face de leão à direita, uma face de touro à esquerda, e uma face de águia. As suas asas estendiam-se para o alto; cada um tinha duas asas que se uniam e duas asas que lhes cobriam o corpo. Cada um seguia sempre em frente. Dirigiam-se para onde o espírito os impelia, e ao caminharem não se voltavam.
No meio dos Seres Vivos, via-se qualquer coisa semelhante a carvões em brasa, como tochas que circulavam entre os Seres Vivos. Deste fogo, que projectava um clarão ofuscante, saíam relâmpagos. Os Seres Vivos iam e vinham como relâmpagos.
Sobre as cabeças dos Seres Vivos havia uma espécie de abóbada cintilante como cristal, estendida sobre as suas cabeças. Por baixo da abóbada estendiam-se as asas voltadas umas para os outras, e cada um tinha duas asas que lhe cobriam o corpo.
Quando caminhavam, eu ouvia o ruído das suas asas, semelhante ao marulhar das torrentes caudalosas, à voz do Omnipotente, como o fragor da tempestade, como o tumulto dum campo de batalha. Mas quando paravam, recolhiam as asas. Ouvia-se uma voz por cima da abóbada que estava sobre as suas cabeças.
Sobre a abóbada que havia por cima das suas cabeças, estava uma espécie de pedra de safira em forma de trono e, sobre essa forma de trono, lá no alto, uma figura semelhante a um ser humano. Vi que irradiava como metal brilhante, tendo à volta uma espécie de auréola de fogo, desde o que parecia a cintura para cima. E desde o que parecia a cintura para baixo, vi uma espécie de fogo, irradiando um clarão a toda a volta. Como o arco-íris, que aparece nas nuvens em dia de chuva, assim era o esplendor que o cercava. Era a imagem da glória do Senhor.
RESPONSÓRIO cf. Ez 1, 26; 3, 12b; Ap 5, 13b
R. Vi sobre uma espécie de trono uma figura de aspecto semelhante ao de um homem, e ouvi o estrondo violento de uma voz que dizia: * Bendita seja a glória do Senhor na sua morada.
V. Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor, a honra, a glória e o poder pelos séculos dos séculos. * Bendita seja a glória do Senhor na sua morada.
SEGUNDA LEITURA
Início do Sermão de Santo Agostinho, bispo, sobre os Pastores
(Sermo 46, 1-2: CCL 41, 529-530) (Sec. V)
Somos cristãos e bispos
Não é agora a primeira vez que ouvis dizer que toda a nossa esperança está em Cristo e que n’Ele está toda a nossa glória verdadeira e salutar. Esta é uma verdade evidente e familiar para vós que pertenceis ao rebanho d’Aquele que vigia e apascenta Israel. Mas porque há pastores a quem agrada o nome de pastores, mas não querem cumprir os deveres de pastores, consideremos o que lhes diz o Senhor pela boca do Profeta. Escutai vós com atenção, ouçamos nós com temor.
A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel e diz aos pastores de Israel. Acabamos de ouvir esta leitura que nos foi proclamada, e por isso quero falar-vos um pouco sobre ela. Deus me ajude a dizer coisas verdadeiras, porque não pretendo expor ideias próprias. Porque se vos propusesse ideias pessoais, também eu seria daqueles pastores que, em vez de apascentar as ovelhas, se apascentam a si mesmos; mas se é d’Ele o que dizemos, então é Ele que vos apascenta por intermédio de mim. Eis o que diz o Senhor Deus: Ai dos pastores de Israel, que se apascentam a si mesmos! Porventura não é o seu rebanho que os pastores devem apascentar? É como se dissesse: «Os pastores não se devem apascentar a si, mas as ovelhas». Essa é a primeira acusação contra estes pastores: apascentam-se a si mesmos e não o rebanho. Quem são os que se apascentam a si mesmos? Aqueles de quem o Apóstolo afirma: Todos procuram os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo.
Ora bem. Nós, a quem o Senhor, pela sua misericórdia infinita e não por mérito nosso, colocou neste lugar de tão grande responsabilidade – e de que havemos de dar rigorosas contas – devemos distinguir claramente duas coisas: somos cristãos e somos bispos. Somos cristãos para nosso proveito, somos bispos para vosso proveito. Pelo facto de sermos cristãos, devemos pensar na nossa salvação; pelo facto de sermos bispos, devemos preocupar-nos com a vossa.
E há muitos que, sendo cristãos e não bispos, chegam até Deus, percorrendo um caminho mais fácil e progredindo nele tanto mais expeditamente quanto menor é o peso da responsabilidade que suportam. Nós, porém, devemos dar contas a Deus pela nossa própria vida, como cristãos; mas, além disso, devemos dar contas a Deus pelo exercício do nosso ministério, como pastores.
RESPONSÓRIO Salmo 22 (23), 1-2a.3b
R. O Senhor é o meu pastor: nada me falta. * Leva-me a descansar em verdes prados.
V. Ele me guia por sendas direitas, por amor do seu nome. * Leva-me a descansar em verdes prados.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente .
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
2 Timóteo 2, 8.11-13
Lembra-te de que Jesus Cristo, descendente de Davi, ressuscitou dos mortos. É digna de fé esta palavra: se morremos com Cristo, também com ele viveremos; se sofremos com Cristo, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; se formos infiéis, ele permanecerá fiel, porque não pode negar-se a si mesmo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Nós vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
R. Nós vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
V. Anunciamos as vossas maravilhas
R. E invocamos o vosso nome.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Nós vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ (Domingo XXIV do Tempo Comum) | A liturgia>]
EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ (Domingo XXIV do Tempo Comum)
Olhar para ti
De braços abertos em cruz, misturado no azul do céu, com o mar a beijar-me os pés e, sinto o abraço arrebatador do vento. Fecho os olhos e deixa-se levar, rendendo-me à sensação livre de ser um só com o infinito. Os raios de sol dançam no meu rosto, iluminando cada traço. E por dentro, o coração, como um vulcão em erupção, arde de um amor que me dá a certeza inabalável do momento.
Olhar para Ti é quanto basta, porque és a luz que me impele a arriscar tudo o que posso perder, porque em Ti ganho tudo o que o meu coração, na sua mais louca esperança, poderia desejar.
LEITURA I Num 21, 4b-9
Naqueles dias,
o povo de Israel impacientou-se
e falou contra Deus e contra Moisés:
«Porque nos fizeste sair do Egito,
para morrermos neste deserto?
Aqui não há pão nem água
e já nos causa fastio este alimento miserável».
Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas
que mordiam nas pessoas
e morreu muita gente de Israel.
O povo dirigiu-se a Moisés, dizendo:
«Pecámos, ao falar contra o Senhor e contra ti.
Intercede junto do Senhor,
para que afaste de nós as serpentes».
E Moisés intercedeu pelo povo.
Então o Senhor disse a Moisés:
«Faz uma serpente de bronze e coloca-a sobre um poste.
Todo aquele que for mordido e olhar para ela
ficará curado».
Moisés fez uma serpente de bronze e fixou-a num poste.
Quando alguém, era mordido por uma serpente,
olhava para a serpente de bronze e ficava curado.
No deserto, a impaciência do povo de Israel atingiu o limite quando acusou Deus de o ter tirado do Egito para o deixar morrer à fome no deserto. Deus, porém, caminha no meio do seu povo partilhando com ele alegrias e tristezas e, manifestando sempre a sua capacidade de perdoar.
Salmo 77 (78), 1-2.34-35.36-37.38 (R. cf. 7c)
O salmo 77 através do relato das maravilhas realizadas por Deus no passado, convida à fidelidade. A história do povo eleito está repleta de infidelidades e desconfianças do povo para com Deus. Apesar disso, Deus nunca renunciou à sua misericórdia perdoando sempre o pecado do seu povo.
LEITURA II Flp 2, 6-11
Cristo Jesus, que era de condição divina,
não Se valeu da sua igualdade com Deus,
mas aniquilou-Se a Si próprio.
Assumindo a condição de servo,
tornou-Se semelhante aos homens.
Aparecendo como homem,
humilhou-Se ainda mais,
obedecendo até à morte
e morte de cruz.
Por isso Deus O exaltou
e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes,
para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem
no céu, na terra e nos abismos,
e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor,
para glória de Deus Pai.
Através de um hino que se rezava na liturgia das primeiras comunidades, Paulo, na carta aos Filipenses, revela o mistério de Cristo como a humilhação da qual brota a salvação do homem porque a sua obediência na morte encontra no amor de Deus o poder da exaltação gloriosa.
EVANGELHO Jo 3, 13-17
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos:
«Ninguém subiu ao céu
senão Aquele que desceu do céu: o Filho do homem.
Assim como Moisés elevou a serpente no deserto,
também o Filho do homem será elevado,
para que todo aquele que acredita
tenha n’Ele a vida eterna.
Deus amou tanto o mundo
que entregou o seu Filho unigénito,
para que todo o homem que acredita n’Ele
não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo
para condenar o mundo,
mas para que o mundo seja salvo por Ele».
Jesus revela a Nicodemos que a cruz de Jesus é o lugar da manifestação do amor de Deus que quer que todo o homem se salve. Ele que desceu do céu indica-nos a cruz como caminho para subir ao céu.
Reflexão da Palavra
A saída do Egito foi tudo menos um processo fácil. O povo que durante quatrocentos anos viveu em escravatura, está a aprender a viver em liberdade. Os escravos têm vida difícil, suportando o peso do trabalho de sol a sol, mas os seus donos dão-lhes o alimento de que necessitam para continuarem a trabalhar. Em liberdade, este povo, experimenta desafios que não está acostumado. É preciso procurar água e muitas vezes passam sede. É necessário procurar alimento e muitas vezes passam fome. Têm necessidade de descanso mas não podem parar porque é preciso vencer o deserto para chegar à terra prometida. Ao longo do caminho são diversos os perigos e medos, desconfianças e desânimos que é preciso enfrentar.
Por diversas vezes, em situações difíceis, o modo de reagir do povo surge em forma de revolta contra Deus e contra Moisés. As cebolas que no Egito provocavam enjoo, são recordadas como um grande banquete. “Porque nos fizeste sair do Egito?” Questionam. No meio do desânimo é fácil cair na tentação da desconfiança foi “para morrermos no deserto”.
Com esta desconfiança põem em causa da pior maneira a bondade de Deus, o seu amor pelo povo, a mais genuína intenção do seu coração. É imperdoável esta acusação. Quando surgem as serpentes, este povo que ainda não compreende quem Deus é, recebe-as como um castigo de Deus pelo seu pecado, “pecámos, ao falar contra o Senhor e contra ti”. Moisés atende o seu pedido e intercede junto de Deus. Só Deus pode curar o povo depois de mordido pelas serpentes.
O remédio surge em forma de serpente de bronze que Moisés levanta no meio do acampamento, pois, como disse o Senhor, “todo aquele que for mordido e olhar para ela ficará curado”. A cura não vem da serpente, mas do Senhor, como mais tarde virá dizer o livro da Sabedoria 16,7, “quem se voltava para ele era curado, não pelo que via (a serpente), mas por ti, salvador de todos”.
Ao longo de cinco secções, o salmo 77 apresenta uma reflexão com base na história da salvação. O povo de Deus, pela sua infidelidade, desconfiança e falta de fé atraiu para si diversas provações. Apesar dos maravilhosos prodígios que o Senhor fez em seu favor, o povo afastou-se com o seu pecado daquele que o pode salvar. “Apesar de tudo isto, persistiram no pecado, não acreditaram nas suas maravilhas”. E Deus sempre encontrava um meio de manifestar ao povo a sua misericórdia e o trazer de novo, “muitas vezes conteve a sua ira, e não deixou que o seu furor se avivasse. Lembrou-se de que eles eram humanos”.
Os factos contidos no salmo foram transmitidos pelos antigos “o que ouvimos e aprendemos e os nossos antepassados nos transmitiram”, servem de reflexão às novas gerações para que permaneçam fiéis ao Senhor. O salmo mantém viva a ação de Deus em favor do seu povo bem como a sua misericórdia diante do pecado, para animar os que receberam esta herança a viver na fidelidade.
O texto da carta de Paulo aos Filipenses é um conhecido hino cristológico usado na liturgia das primeiras comunidades. Nele encontramos um concentrado do mistério de Cristo: a sua divindade e preexistência, a encarnação, a humilhação da cruz e a exaltação.
Antes da encarnação Jesus já existia e era Deus, “era de condição divina”. Na encarnação não reivindicou a sua condição divina, nem usufruiu de nenhum privilégio a seu favor, “não Se valeu da sua igualdade com Deus”. Pelo contrário, levou até ao extremo a sua condição humana esvaziando-se de todos os privilégios divinos e fazendo-se servo. E como servo, viveu a obediência ao ponto de descer ao mais profundo que o homem pode descer, a humilhação pela morte na cruz como condenação.
Em conclusão deste despojamento total “Deus O exaltou”. Não se trata de uma retribuição como recompensa pelo que fez ou merecimento pela sua entrega, mas como caminho natural de todo aquele que se humilha, “quem se humilha será exaltado”. Assumindo a condição humana Cristo entra no plano de salvação de Deus para toda a humanidade e, por isso, não fica na morte, mas é chamado à vida pela força do amor de Deus que não recompensa, ama simplesmente, e o seu amor é fonte gratuita de vida.
É tudo o contrário de Adão que, sendo homem desconfiou da bondade de Deus quando este o preveniu quanto ao fruto da árvore proibida e entendeu ser Deus de si mesmo desrespeitando a ordem com a desobediência. Jesus, sendo Deus, não reclamou para si esta condição e assumiu a condição humana por inteiro. Adão exaltou-se desobedecendo e foi humilhado, como Israel no deserto. Jesus humilhou-se obedecendo até à morte na cruz. Por isso ele é exaltado, como Senhor, cujo nome “está acima de todos os nomes” e diante dele “todos se ajoelham no céu, na terra e nos abismos”.
O evangelho de João culima a reflexão da Festa da Exaltação da Santa Cruz, com um olhar novo sobre o suplício que a cruz representa enquanto lugar onde se cumpre a condenação dos criminosos.
O texto faz parte do diálogo de Jesus com Nicodemos. Jesus fala de si mesmo como “o Filho do Homem, o único que desceu do céu e pode subir ao céu. Depois, Jesus estabelece uma comparação entre o acontecimento do deserto em que “Moisés elevou a serpente” e o que vai acontecer com ele “o Filho do homem será elevado”.
Curiosamente, a serpente do deserto, como vimos na reflexão da primeira leitura, não é apresentada como um símbolo mágico, mas como um instrumento que conduz à fé em Deus, o único que pode curar. Do mesmo modo, Jesus é elevado “para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna”, a cura espiritual.
No deserto a serpente é sinal da misericórdia de Deus para com o seu povo que tinha pecado revoltando-se e pondo em causa a intenção de Deus ao libertá-lo do Egito. Aqui, Jesus é elevado, é entregue, porque “Deus amou tanto o mundo” e não quer a morte do homem, mas que ele se salve e viva “para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna”. Ao contrário da desconfiança de Adão e do povo no deserto, as intenções de Deus são boas.
Meditação da Palavra
Quando Nicodemos foi ter com Jesus de noite, ele não imaginava que ia experimentar a maior luz que algum homem pode experimentar. No meio da sua insensatez foi iluminado pela luz que vem da morte e ressurreição de Jesus, num anúncio antecipado que ele não compreendeu senão quando o viu, no Calvário, entre o céu e a terra, entre a humilhação e a exaltação, no ponto certo que atrai o olhar de todos os homens, onde a fé se torna esperança e onde toda a língua proclama sem palavras que o crucificado é Senhor e diante de quem todos se ajoelham no céu e na terra.
Ao celebrar a Festa da Exaltação da Santa Cruz, a Igreja propõe um olhar para o mistério de Cristo, exposto de modo singular no hino cristológico da carta de Paulo aos Filipenses. Aquele que desceu do céu, o único que pode subir ao céu, é o mesmo que existe desde sempre, o mesmo que antes de ser homem já era Deus “era de condição divina”, mas como homem não reclamou como fez Adão, desconfiado da bondade de Deus ao preveni-lo da possibilidade da morte se comesse o fruto da árvore do jardim. Nem como o povo saído do Egito, cansado da aridez do deserto, sedento e faminto de esperança. Ele, que “era de condição divina” em nenhum momento pensou em aproveitar-se dessa condição para usufruir de uma vida humana privilegiada, livre das limitações e longe do flagelo da morte que tão dramaticamente atinge a humanidade.
Pelo contrário, para manifestar o amor de Deus pelos homens, “Deus amou tanto o mundo”, “aniquilou-se a si próprio”, assumiu “a condição de servo”, “humilhou-Se …, obedecendo até à morte e morte de cruz”, “para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna”.
Tornou-se, assim, o verdadeiro sinal pelo qual todo o homem se encontra com Deus e nele encontra a salvação. Foi abolido o sinal de Moisés que servia de intermediário para alcançar de Deus a cura contra o veneno das serpentes. Pela morte na cruz, Jesus é apresentado pelo Pai como o “nome que está acima de todos os nomes” diante do qual “todos se ajoelham no céu na terra e nos abismos” e no qual se encontra o antidoto contra o aguilhão da morte. Onde está ó morte a tua vitória.
A vitória já não pertence à morte, mas àquele que desceu na obediência “até à morte de cruz” e no amor incondicional de Deus venceu a morte foi exaltado na ressurreição retomando o seu lugar no céu.
Este é o verdadeiro anúncio que deve passar de geração em geração, de modo que todos conheçam as maravilhas realizadas por Deus na morte de ressurreição de Cristo e, reconhecendo o mistério pelo qual somos salvos, permaneçam fiéis ao amor de Deus que “não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele”.
Os que participam na celebração da Eucaristia aprendem, através da palavra proclamada, a olhar para a cruz como sinal do amor de Deus e a firmar a fé no mistério de Cristo como mistério de vida eterna. Aprendem a viver do amor que salva o mundo. Um amor que liberta e não oprime, que salva e não esmaga, que enriquece e não domina.
Rezar a Palavra
Levanto os meus olhos para ti que te elevas acima da terra e revelas a cruz como caminho para o céu. Aprendo contigo a humilhação, o aniquilamento da minha vontade, a morte de cruz, como lugar da verdadeira glorificação. Ensina-me o despojamento e a confiança para que livre de todas as amarras do tempo presente, acredite que Deus quer que, por ti, eu viva eternamente.
Compromisso semanal
Assumo a cruz como compromisso de vida.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <Santos do Dia da Igreja Católica – 14 de Setembro – Sagrada Missão>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 14 de Setembro
Postado em: por: marsalima
São Materno de Colônia
É conhecido apenas como o primeiro bispo da história cristã da cidade de Colônia, na Alemanha. Desde o século IV, criou-se uma tradição cristã, na cidade de Trier, na Alemanha, segundo a qual Materno teria vindo da Palestina. E não é só isso: o próprio apóstolo Pedro é que o teria enviado para divulgar o Evangelho ao mundo germânico.
Essa tradição fazia de Trier a primeira sede episcopal cristã da Alemanha, portanto dotada de jurisprudência sobre as demais, por uma questão de antigüidade.
A figura de Materno, o bispo de Colônia, é, de fato, muito importante para a história da Igreja, que já estava liberta das perseguições externas, graças ao imperador Constantino. Mas a Igreja continuava exposta às divisões internas dos cristãos, que, insistentemente, prejudicavam a si próprios.
Materno é um de seus pacificadores, convocado a deixar a Alemanha para resolver um grande conflito nascido no norte da África: o cisma donatista. Liderados pelo bispo Donato, esse grupo de radicais tinha uma visão extremamente elitista, era totalmente contrário às indulgências e pregava a segregação dos bons cristãos daqueles infiéis e traidores. Os donatistas consideravam traidores os cristãos que, por medo, durante a perseguição do imperador Diocleciano, haviam renegado a fé e entregado os livros sagrados às autoridades romanas. Até mesmo negavam-se a aceitar a re-inclusão dos sacerdotes que haviam agido dessa maneira, bom como a inclusão de novos sacerdotes, caso também tivessem sido considerados, anteriormente, indignos. E por isso os donatistas de Cartago não reconheciam o novo bispo, Ceciliano, porque um dos bispos que o consagraram havia renegado à fé, durante as perseguições.
Chamado para arbitrar, o imperador Constantino, em 313, escreve ao papa Melquior, de origem africana, para convocar o bispo Ceciliano, bem como outros, favoráveis ou não à sua questão, para uma decisão final, imparcial. E ainda o informa que os bispos Materno, da Alemanha, Retício e Martino, da França, já estavam a caminho de Roma. O imperador Constantino, obedecendo às suas conveniências políticas, promoveu um ato incisivo no colegiado eclesiástico, afiançando o caso africano também aos bispos da Alemanha e da França.
Mais nada se sabe de Materno depois dessa importante missão em Roma, que se concluiu com a sentença favorável ao bispo Ceciliano. Mas o cisma não terminou, mesmo contando, também, com a notável presença de santo Agostinho, bispo de Hipona.
Entretanto, em Trier, a fama de santidade de seu primeiro bispo fez a figura de Materno tomar vulto e a população começa a venerá-lo. Ao longo dos séculos, a catedral de Trier, que abriga as relíquias de são Materno, foi reconstruída e, hoje, podemos ver o grau de devoção dos fiéis estampado nos vitrais desse templo. Seu culto foi autorizado pelo Vaticano, em conseqüência dessa devoção secular e ainda presente nos fiéis. A data de sua tradicional festa litúrgica, no dia 14 de setembro, foi mantida.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE DE SETEMBRO DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Cor 6, 19-20
Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus? Não vos pertenceis a vós mesmos: fostes resgatados por grande preço. Glorificai a Deus no vosso corpo.
V. A minha alma suspira pelos átrios do Senhor,
R. O meu coração e a minha carne exultam no Deus vivo
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Deut 10, 12
Agora, Israel, que te pede o Senhor teu Deus? Que respeites o Senhor teu Deus, que sigas todos os seus caminhos, que O ames e sirvas com todo o teu coração e com toda a tua alma.
V. Quem habitará, Senhor, no vosso santuário?
R. O que vive sem mancha e diz a verdade que tem no coração.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Cant 8, 6b-7
O amor é forte como a morte, e a paixão é violenta como o abismo. É uma chama ardente, um fogo divino. As águas torrenciais não conseguem apagar o amor, nem os rios o podem submergir.
V. Eu Vos amo, Senhor, minha fortaleza,
R. Meu protector, minha defesa e meu salvador.
Oração
Deus de bondade infinita, que preparastes bens invisíveis para aqueles que Vos amam, infundi em nós o vosso amor, para que, amando‑Vos em tudo e acima de tudo, alcancemos as vossas promessas, que excedem todo o desejo. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Hebr 12, 22-24
Vós aproximastes-vos do monte Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celeste, de muitos milhares de Anjos em reunião festiva; de uma assembleia dos primogénitos cujos nomes estão inscritos no Céu; de Deus, juiz do universo; dos espíritos dos justos que atingiram a perfeição; de Jesus, Mediador da Nova Aliança, e do Sangue de aspersão que fala mais eloquentemente que o sangue de Abel.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
V. Infinita é a sua sabedoria
R. Admirável é o seu poder.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.

