“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 21 DE SETEMBRO DE 2025
21 de setembro de 2025“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 23 DE SETEMBRO DE 2025
23 de setembro de 2025Segunda-feira da Semana XXV do Tempo Comum
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Da Profecia de Ezequiel 36, 16-36
Futura restauração do povo de Deus: um coração novo e um espírito novo
O Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: «Filho do homem, quando a casa de Israel habitava na sua terra, manchou-a com o seu proceder e as suas obras. Diante de Mim o seu procedimento era como o sangue impuro de uma mulher. Fiz-lhes então sentir a minha indignação, por causa do sangue que haviam derramado no país e dos ídolos com que o tinham profanado. Dispersei-os entre as nações, e eles espalharam-se entre os povos; julguei-os segundo o seu proceder e as suas obras. E entre as nações por onde se dispersaram, profanaram o meu santo nome; e por isso se dizia deles: ‘Estes são o povo do Senhor: tiveram de sair da sua terra’. Quis então salvar a honra do meu santo nome, que a casa de Israel profanara entre as nações para onde tinha ido.
Por isso, diz à casa de Israel: Assim fala o Senhor Deus: Não é por causa de vós que faço isto, casa de Israel, mas por causa do meu santo nome, que vós profanastes entre as nações para onde fostes. Manifestarei a santidade do meu grande nome, que foi profanado por vós entre as nações. E as nações reconhecerão que Eu sou o Senhor – diz o Senhor Deus –, quando a seus olhos Eu manifestar em vós a minha santidade.
Eu vos tirarei de entre as nações e vos reunirei de todos os países, para vos conduzir à vossa terra. Derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de todas as imundícies; purificar-vos-ei de todos os ídolos. Dar-vos-ei um coração novo e infundirei em vós um espírito novo; arrancarei do vosso peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Infundirei em vós o meu espírito e farei que vivais segundo os meus preceitos, que observeis e ponhais em prática as minhas leis. Habitareis na terra que dei a vossos pais; sereis o meu povo e Eu serei o vosso Deus.
Purificar-vos-ei de todas as vossas impurezas. Farei aparecer o trigo, multiplicá-lo-ei e nunca mais vos mandarei a fome. Multiplicarei os frutos das árvores e os produtos dos campos, para nunca mais sofrerdes a humilhação da fome no meio das nações. Então recordareis o vosso mau proceder e as vossas acções que não eram boas. Sentireis repugnância por vós mesmos, por causa das vossas próprias iniquidades e pecados. Ficai certos de que não é por causa de vós que assim procedo, diz o Senhor. Envergonhai-vos e corai por causa do vosso proceder, ó casa de Israel.
Assim fala o Senhor Deus: No dia em que Eu vos purificar de todas as vossas iniquidades, repovoarei as cidades, e as ruínas serão restauradas. A terra devastada voltará a cultivar-se, depois de ter sido uma desolação aos olhos dos que passavam.
Dir-se-á: ‘Esta terra, antes devastada, tornou-se um jardim do Éden. Estas cidades em ruínas, devastadas e destruídas, estão fortificadas e habitadas’. Então as nações que permanecem à vossa volta reconhecerão que Eu, o Senhor, reconstruí o que estava em ruínas e plantei o que estava devastado. Eu, o Senhor, digo e faço».
RESPONSÓRIO Ez 11, 19b-20.19a
R. Tirarei do seu peito o coração de pedra e dar-lhes-ei um coração de carne, para que sigam as minhas leis. * Serão o meu povo e Eu serei o seu Deus.
V. Dar-lhes-ei um coração novo e infundirei neles um espírito novo. * Serão o meu povo e Eu serei o seu Deus.
SEGUNDA LEITURA
Do Sermão de Santo Agostinho, bispo, sobre os Pastores
(Sermo 46, 18-19: CCL 41, 544-546) (Sec. V)
A Igreja cresce como a videira e propaga-se por toda a terra
Espalharam-se por todos os montes e colinas, dispersaram-se por toda a face da terra. Que significa: Dispersaram-se por toda a face da terra? Quer dizer que se deixaram atrair pelas coisas terrenas, por tudo o que brilha à face da terra; e só isso amam e procuram. Não querem morrer, não querem aquela morte em que a sua vida se esconde em Cristo. Dispersaram-se por toda a face da terra, porque amam os bens terrenos e andam errantes por toda a face da terra. Encontram-se em diversos lugares; uma só mãe, a soberba, os gerou a todos, como também uma só mãe, a nossa Igreja católica, gerou todos os fiéis cristãos, que vivem no mundo inteiro.
Não é de admirar que a soberba gere a divisão, como a caridade gera a unidade. A nossa mãe, a Igreja católica, com o Pastor que nela vive, procura por toda a parte os que andam errantes, fortalece os débeis, cura os doentes, trata os feridos.
Vela por todos, embora eles não se conheçam directamente uns aos outros. Mas ela conhece-os a todos, porque está em todos.
Ela é como a videira que foi crescendo e se propagou por toda a parte; aqueles, porém, são como sarmentos inúteis, que a foice do agricultor tem de cortar por causa da sua esterilidade, não para amputar a videira mas apenas para a podar. Aqueles sarmentos ficaram no mesmo lugar onde caíram ao serem cortados. A videira, porém, vai crescendo por todo o lado e conhece não só os sarmentos que nela permaneceram, mas também os que foram cortados e ficaram junto dela.
No entanto a Igreja continua a chamar os que andam perdidos, porque também a estes ramos cortados se refere o Apóstolo ao dizer: Deus tem poder para os enxertar de novo. Portanto, quer lhes chames ovelhas que se desgarraram do rebanho, quer lhes chames sarmentos que foram cortados da videira, Deus é tão poderoso para reconduzir as ovelhas como para enxertar de novo os sarmentos, porque Ele é o pastor supremo e o verdadeiro agricultor. Dispersaram-se por toda a face da terra, e ninguém se interessa por elas, ninguém as procura. Quer dizer, nenhum daqueles maus pastores se interessa por elas, nenhum pastor humano as procura.
Por isso, pastores, escutai a palavra do Senhor: Pela minha vida, diz o Senhor Deus. Vede como começa. É como um juramento que faz o próprio Deus, tomando a sua vida por testemunho: Pela minha vida, diz o Senhor. Os pastores morreram mas as ovelhas estão seguras, pela vida do Senhor. Pela minha vida, diz o Senhor Deus. Quais foram os pastores que morreram? Os que procuravam os seus interesses e não os de Jesus Cristo. Mas haverá outros pastores, que não procurem os seus interesses mas os de Jesus Cristo? Há certamente. Eles encontram-se e não faltam nem faltarão.
RESPONSÓRIO cf. 2 Cor 3, 4.6.5.
R. Por meio de Cristo temos confiança diante de Deus, * Que nos fez ministros de uma nova aliança, não da letra mas do espírito.
V. Por nós próprios, nada podemos atribuir-nos como se viesse de nós; a nossa capacidade vem de Deus. * Que nos fez ministros de uma nova aliança, não da letra mas do espírito.
Oração
Senhor, que fizestes consistir a plenitude da lei no vosso amor e no amor do próximo, dai-nos a graça de cumprirmos este duplo mandamento, para alcançarmos a vida eterna. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
Romanos 13, 11b.12-13a
Chegou a hora de nos levantarmos do sono. A noite vai adiantada, aproxima-se o dia. Abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos dignamente, como convém em pleno dia.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Espero em Deus, minha fortaleza e meu refúgio.
R. Espero em Deus, minha fortaleza e meu refúgio.
V. Minha defesa e meu Salvador.
R. Minha fortaleza e meu refúgio.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Espero em Deus, minha fortaleza e meu refúgio.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/segunda-feira-da-semana-xxv-do-tempo-comum-9/>]
Segunda-feira da Semana XXV do Tempo Comum
Leitura I (anos ímpares) Esdr 1, 1-6
No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia,
para se cumprir a palavra do Senhor,
pronunciada pela boca de Jeremias,
o Senhor despertou o espírito de Ciro, rei da Pérsia,
que mandou publicar em todo o seu reino,
de viva voz e por escrito,
a seguinte proclamação:
«Assim fala Ciro, rei da Pérsia:
O Senhor, Deus do céu,
entregou-me todos os reinos da terra
e Ele próprio me encarregou
de Lhe construir um templo em Jerusalém, na terra de Judá.
Quem de entre vós faz parte do seu povo?
O seu Deus esteja com ele
e suba a Jerusalém de Judá,
para construir o templo do Senhor,
o Deus de Israel, que habita em Jerusalém.
E todos os sobreviventes do povo, onde quer que residam,
devem ser ajudados pelos habitantes do lugar,
com prata, ouro, bens e rebanhos,
e também com oferendas voluntárias,
para o templo de Deus, que habita em Jerusalém».
Então levantaram-se os chefes de família de Judá e de Benjamim,
os sacerdotes e os levitas,
enfim, todos os que o Senhor inspirou
para reconstruir o templo do Senhor em Jerusalém.
Todos os seus vizinhos os ajudaram em tudo,
com prata, ouro, bens, rebanhos e objetos preciosos,
e também com toda a espécie de ofertas voluntárias.
compreender a palavra
Depois de anos de cativeiro em Babilónia, longe da pátria, longe da cidade santa, sem templo onde celebrar as festas em honra do Senhor, eis que Deus desperta o coração de Ciro, rei da Pérsia, para deixar o povo regressar à cidade santa a fim de reconstruir o templo ao Senhor, Deus do céu. As palavras do rei, inspirados pelo Senhor, caíram bem no coração dos Israelitas e no coração de todos os que viviam junto deles, de modo que aceitaram o desafio do rei e ofereceram voluntariamente prata, outro e toda a espécie de objetos preciosos para a reconstrução do templo.
meditar a palavra
Deus não está fechado num credo, numa fé, numa religião, nem numa expressão religiosa. Deus está no coração de cada homem e livremente atua, de modo a que o homem o encontre e se deixe inspirar por ele. Ciro sentiu-se tocado pelo Deus de Israel que habita em Jerusalém, mas também muitos homens e mulheres anónimos se deixaram tocar pelo mesmo Deus, de modo a colaborar, volutaria e generosamente, para a reconstrução do templo. Muitos deles nunca foram a Jerusalém, não tiveram a possibilidade de ver o templo reconstruído e de entrar ali para rezar ao Senhor, Deus do céu. Mas, no coração, não foram insensíveis ao apelo de reconstruir um templo para o Senhor. Deixaram-se tocar por aquele que habita no templo mais belo e rico, que não foi feito pelas mãos dos homens, mas pelo amor de Deus, o coração de cada homem. Nós temos muitos templos, muitas igrejas, capelas e santuários. Teremos coração para acolher a Deus? Muitos homens nunca entram num templo ou num santuário, não conseguem perceber o seu interesse ou a necessidade. No entanto, podem perceber que são visitados pelo mesmo Senhor a quem nós construímos os templos e isso é quanto basta para se deixar inspirar, até conseguir ir mais longe, até à cidade santa.
rezar a palavra
Dá-me coração para ti Senhor. Dá-me coração inspirado para acolher a tua vontade e responder positivamente ao teu desejo de nele habitar para sempre. Inspira-me para trazer os homens à experiência gratuita do teu amor que enche os corações.
compromisso
Vou reconstruir o templo do meu coração para que seja lugar onde Deus habita.
Evangelho Lc 8, 16-18
Naquele tempo,
disse Jesus à multidão:
«Ninguém acende uma lâmpada para a cobrir com uma vasilha
ou a colocar debaixo da cama,
mas coloca-a num candelabro,
para que os que entram vejam a luz.
Não há nada oculto que não se torne manifesto,
nem secreto que não seja conhecido à luz do dia.
Portanto, tende cuidado com a maneira como ouvis.
Pois àquele que tem, dar-se-á;
mas àquele que não tem,
até o que julga ter lhe será tirado».
compreender a palavra
O texto apresenta três ideias muito claras relativamente à Palavra de Deus. A primeira ideia é a da luz: A Palavra é luz e é para se colocar em lugar onde todos tenham luz. A segunda ideia é a do segredo, do oculto: os mistérios de Deus, revelados pela Palavra, devem ser proclamados por cima dos telhados, para que sejam conhecidos. E finalmente, a exigência do escutar bem: a Palavra pode ser escutada por ouvidos e por corações distorcidos que não buscam a verdade, mas justificações para as suas próprias ideias.
meditar a palavra
Jesus fala comigo, hoje, para me dizer que a sua Palavra deve tornar-se luz para os meus passos e não apenas uma palavra bonita que guardo como qualquer outro conhecimento. Não posso esconder a Palavra e a verdade que nela me é comunicada, mas torná-la evidente para todos os que entram na “minha casa”. Deus revela-se a mim e revela-me os seus mistérios ocultos desde sempre e agora revelados em Cristo. Eu sou, pela minha vida, lugar onde Deus se revela a todos. Não posso ofuscar a verdade de modo que os outros em vez da revelação de Deus encontrem caminhos de engano e de mentira. A Palavra que Deus me revela, é para ser entendida com a inteligência e com o coração, para não ensinar aos outros a minha opinião, mas a verdade revelada por Deus.
rezar a palavra
Tu és a minha luz, Senhor. A tua Palavra é luz para os meus passos e revela-me os teus caminhos de verdade e de vida. Preenche, Senhor, o meu coração com a tua verdade para que não sacie a minha vida com as palavras enganosas com que o mundo me seduz para viver longe de ti. Que eu saiba preservar em mim, a verdade que desde pequeno me foi transmitida como verdade de fé e seja exigente comigo para não inventar justificações. Que eu não fique satisfeito com palavras bonitas que encantam, mas não saciam, que brilham, mas não iluminam.
compromisso
Num momento de oração vou pedir a Jesus que ilumine o meu coração para conhecer a verdade que me revela na sua palavra.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2025/09/santos-do-dia-da-igreja-catolica-22-de-setembro/>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 22 de Setembro
Postado em: por: marsalima
São Maurício e companheiros
Diocleciano, assim que foi aclamado imperador, no ano 284, imediatamente nomeou Maximiano Hercúleo governador do Ocidente, com a incumbência de entrar em combate contra os gálios, agora chamados franceses, os quais já haviam dado início à luta armada para vingarem-se da morte de Carino, filho do até então imperador, que fora assassinado pelo sanguinário Diocleciano por ocasião da sua tomada do poder.
No alto Egito, foi recrutado um batalhão de soldados cristãos, conhecidos como “a legião de soldados cristãos da Tebaida”, chefiados pelo comandante Maurício. Apesar do ódio que Maximiano nutria pelos cristãos, a incorporação de tais soldados em seu exército não era nenhum acontecimento especial ou extraordinário, uma vez que o próprio imperador Diocleciano, na época, era simpatizante confesso deles. Até mesmo confiava-lhes cargos administrativos importantíssimos no Império. Nesse período, ele ainda não via ou citava os cristãos como uma ameaça ao Império Romano.
Depois de muitas batalhas, durante um período de descanso de três dias em Octodorum, por ordem do imperador haveria três dias de comemorações e grandes festas religiosas, nas quais os deuses pagãos seriam homenageados pela vitória conseguida sobre o inimigo. É claro que os soldados cristãos da legião tebaica recusaram-se a participar de tal festa.
Então, decidiram levantar acampamento e seguiram para Agaunum, uma aldeia a cinco quilômetros de distância da cidade. Esse ato irritou o governador Maximiano, que ordenou o retorno imediato do batalhão cristão, para que se aliassem ao restante do exército, nas solenidades aos deuses.
Comandados por Maurício e com o apoio, principalmente, de Exupério, Cândido, Vitor, Inocêncio e Vital, todos os soldados da tropa de Tebaida recusaram-se, novamente, a participar dos festejos. A irritação de Maximiano aumentou ainda mais, e a tal ponto, que imediatamente deu ordem a seu exército para marchar contra eles.
Maurício e seus companheiros foram, então, massacrados pelos soldados pagãos. O campo ficou forrado de sangue e cadáveres. Naquele lugar e naquela época, foi erguida uma igreja em honra e culto a esses santos mártires do cristianismo, encontrada somente por volta do ano 1893. A maioria das relíquias dos corpos dos soldados cristãos da legião tebaica, atualmente, são veneradas no Convento de São Mauricio de Agaunum, na região do Valese, atual Suíça. Especialmente no dia 22 de setembro, determinado pelo calendário oficial da Igreja de Roma.
Inácio de Santhiá (Bem-Aventurado)
Lourenço Maurício nasceu no dia 5 de junho de 1686, em Santhiá, província de Vercelli, Itália. Era o quarto de seis filhos, da rica família dos Belvisotti, cristã, bem posicionada e muito conceituada socialmente. Aos sete anos, ficou órfão de pai, mas a sua mãe cuidou para que os filhos recebessem uma excelente instrução por meio de um sacerdote piedoso. Assim, além de uma formação literária invejável, ele cresceu na oração e amadureceu a sua vocação sacerdotal.
Completou os estudos teológicos em Vercelli, no ano de 1710. Depois de seis anos de frutuoso ministério sacerdotal, entrou na Ordem dos Frades Capuchinhos, emitindo os votos religiosos em 1717 e tomando o nome de frei Inácio. Desde então, foi enviado para vários conventos, sempre obediente e honrado por poder servir os irmãos da Ordem com a sua humilde pessoa.
Inácio de Santhiá foi enviado para Turim-Monte, em 1727, para ser: prefeito de sacristia e confessor dos padres seculares e dos fiéis paroquianos, tarefa que desempenhou também nos últimos vinte e quatro anos de vida. Nesse ministério, demonstrou toda sua caridade paterna, sabedoria e ciência, adquiridas nos livros e por meio das orações contemplativas. Dedicava os seus dias inteiramente ao serviço do confessionário. Com isso, a sua fama de bom conselheiro espiritual difundiu-se rapidamente, trazendo para a paróquia uma grande quantidade de religiosos, sacerdotes e fiéis desejosos de uma verdadeira orientação no caminho da santidade. A todos recebia com a maior caridade, porque os pecadores eram os filhos mais doentes e necessitados de acolhida e compreensão. Passou a ser chamado de “padre dos pecadores e dos desesperados”.
Em 1731, o seu bom conceito de guia experiente e sábio levou-o a ocupar os cargos de mestre dos noviços e vigário do Convento de Mondoví, onde também a sua fama de santidade se espalhou entre a população, entusiasmando especialmente os jovens. Durante quatorze anos Inácio ficou na direção do noviciado de Mondoví. Sua única intenção era formar os jovens para a vida, a mortificação, a penitência, e instruía, corrigia e encorajava com atenção e palavras amorosas, fazendo o caminho difícil tornar-se ameno. A sua função de mestre dos noviços só foi interrompida devido a uma grave doença nos olhos, que quase o cegou. Por isso regressou a Turim, no final de 1744, para receber o tratamento adequado.
Foi assim que o frei Inácio retomou o seu apostolado do confessionário, exercido até os seus últimos dias. Morreu com sua fama de santidade no dia 21 de setembro de 1770, em admirável tranqüilidade. A notícia espalhou-se rapidamente e uma multidão de fiéis de todas as classes sociais acorreu para saudar pela última vez o “santinho do Monte”, como era chamado. Os milagres atribuídos à sua intercessão logo surgiram e o seu culto ganhou vigor entre os devotos. Até que, em 1966, o papa Paulo VI declarou bem-aventurado Inácio de Santhiá, para ser venerado no dia seguinte à data de sua morte.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE DE SETEMBRO DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Jer 17, 7-8
Feliz de quem confia no Senhor e põe no Senhor a sua esperança. Semelhante a uma árvore plantada à beira da água, estende as suas raízes para a corrente. Nada tem a temer quando vem o calor, e as suas folhas mantêm-se sempre verdes. Em ano de estiagem não se inquieta, nem deixa de produzir sempre os seus frutos.
V. O Senhor não recusa os seus bens aos que procedem com rectidão:
R. Senhor dos Exércitos, feliz daquele que em Vós confia.
Oração
Deus eterno e omnipotente, que à hora de Tércia enviastes o vosso Espírito Santo sobre os Apóstolos, derramai também sobre nós o mesmo Espírito de caridade, para que dêmos aos homens o testemunho fiel do vosso amor. Por Nosso Senhor.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Prov 3, 13-15
Feliz de quem encontrou a sabedoria, de quem adquiriu a inteligência. Porque vale mais este lucro que o da prata, e o fruto que se obtém é melhor que o ouro fino. Ela é mais preciosa que as pérolas: jóia alguma a pode igualar.
V. Senhor, Vós amais a sinceridade de coração
R. E ensinais a sabedoria no íntimo da alma.
Oração
Senhor, que revelastes ao apóstolo São Pedro o desejo de salvar todos os povos, fazei que as nossas acções sejam agradáveis a vossos olhos e se integrem no vosso plano de amor e salvação. Por Nosso Senhor.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Pedro 1, 17-19
Vivei com temor, durante o tempo de exílio neste mundo. Lembrai-vos que não foi por coisas corruptíveis, como prata e ouro, que fostes resgatados da vã maneira de proceder, herdada de vossos pais, mas pelo Sangue precioso de Cristo, Cordeiro sem defeito e sem mancha.
V. Salvai-me, Senhor, e tende piedade de mim:
R. Nas assembleias bendirei o Senhor.
Oração
Senhor, que nos reunistes na vossa presença à mesma hora em que os Apóstolos subiam ao templo para orar, ouvi as súplicas que vos dirigimos em nome de Cristo e concedei a salvação a quantos O invocam. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Col 1, 9b-11
Procurai conhecer plenamente a vontade de Deus, com toda a sabedoria e inteligência espiritual, para viverdes de maneira digna do Senhor e agradar-Lhe inteiramente, realizando toda a espécie de boas obras e progredindo no conhecimento de Deus.
Sereis fortalecidos pelo seu poder glorioso, para que se confirme a vossa constância, longanimidade e alegria a toda a prova.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Salvai-me, Senhor, porque sou pecador.
R. Salvai-me, Senhor, porque sou pecador.
V. Tende piedade de mim, Senhor.
R. Porque sou pecador.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Salvai-me, Senhor, porque sou pecador.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
1 Tess 5, 9-10
Deus destinou-nos para alcançarmos a salvação por Nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós, a fim de que, velando ou dormindo, vivamos unidos a Ele.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.


