“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 7 DE FEVEREIRO DE 2026
7 de fevereiro de 2026Domingo V do Tempo Comum (Ano A)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Início da Epístola do apóstolo São Paulo aos Gálatas 1, 1-12
O Evangelho de S. Paulo
Paulo, apóstolo, não da parte dos homens, nem por intermédio de um homem, mas por mandato de Jesus Cristo e de Deus Pai, que O ressuscitou dos mortos, e todos os irmãos que estão comigo, às Igrejas da Galácia: A graça e a paz vos sejam dadas da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo, que Se entregou a Si mesmo pelos nossos pecados, a fim de nos arrancar à perversidade deste mundo presente e maligno, segundo a vontade de Deus, nosso Pai, ao qual seja dada glória pelos séculos dos séculos. Amen.
Surpreende-me que tão depressa tenhais abandonado Aquele que vos chamou pela graça de Cristo, para passar a outro evangelho. Não que haja outro evangelho; mas há pessoas que vos perturbam e pretendem mudar o Evangelho de Cristo. Mas se alguém – ainda que fosse eu próprio ou um Anjo do Céu – vos anunciar um evangelho diferente daquele que nós recebestes, seja anátema. Já o dissemos, mas repito uma vez mais: Se alguém vos anunciar um evangelho diferente daquele que recebestes, seja anátema.
Estarei eu agora a captar o favor dos homens ou o de Deus? Acaso procuro agradar aos homens? Se eu ainda pretendesse agradar aos homens, não seria servo de Cristo.
Eu vos declaro, irmãos: O Evangelho anunciado por mim não é de inspiração humana, porque não o recebi ou aprendi de nenhum homem, mas por uma revelação de Jesus Cristo.
RESPONSÓRIO Gal 1, 3-4a.10c
R. A graça e a paz vos sejam dadas da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo, * Que Se entregou pelos nossos pecados.
V. Se eu quisesse agradar aos homens, não seria servo de Cristo. * Que Se entregou pelos nossos pecados.
SEGUNDA LEITURA
Do Comentário de Santo Agostinho, bispo, sobre a Epístola aos Gálatas
(Prefatio: PL 35, 2105-2107) (Sec. V)
Compreender a graça de Deus
A intenção principal do Apóstolo, ao escrever a Epístola aos Gálatas, é esta: fazê-los compreender que a graça de Deus os libertara do jugo da Lei. Com efeito, depois de lhes ter sido anunciada a graça do Evangelho, não faltaram alguns, provenientes da circuncisão, que, embora cristãos de nome, não tinham compreendido ainda o dom da graça e por isso queriam continuar sujeitos à Lei. Ora o Senhor tinha imposto essa lei aos que estavam ao serviço do pecado e não da justiça; era uma lei justa em si mesma, dada por Deus a homens injustos, não para tirar os pecados, mas para os pôr de manifesto, porque só pode tirar o pecado a graça da fé, que actua pela caridade. Aqueles convertidos do judaísmo, porém, pretendiam que os gálatas, já beneficiários deste dom da graça, deviam submeter-se ao jugo da Lei, alegando que de nada lhes serviria o Evangelho, se não aceitassem a circuncisão e as outras observâncias da religião judaica.
Por esta razão, começaram a levantar suspeitas sobre o apóstolo Paulo, que pregara o Evangelho aos gálatas, acusando-o de não seguir a doutrina dos outros Apóstolos, que obrigavam os gentios às práticas judaicas. O apóstolo Pedro tinha cedido ao escândalo de tais homens, chegando a simular que também pensava ser inútil o Evangelho para os gentios que não cumprissem os preceitos da Lei; desta simulação o demoveu o próprio apóstolo Paulo, como se lê nesta epístola. O mesmo problema aparece também na Epístola aos Romanos. Mas parece que há uma diferença entre uma e outra: na Epístola aos Romanos, não tem dificuldade em solucionar a contenda e resolver a questão entre os fiéis que vinham dos judeus e os que vinham dos gentios; mas nesta Epístola aos Gálatas, escreve àqueles que já se tinham deixado perturbar pela autoridade dos que vinham do judaísmo e que os obrigavam a observar a Lei. Influenciados por eles, começaram a acreditar que a pregação do apóstolo Paulo não era autêntica, porque não queria que se circuncidassem. É por isso que ele começa assim a carta: Surpreende-me que tão depressa tenhais abandonado Aquele que vos chamou pela graça de Cristo, para passar a outro evangelho.
Com este exórdio, delineou em poucas palavras o estado da questão. Mas já na própria saudação inicial, quando afirma que é apóstolo, não da parte dos homens, nem por mediação dos homens – afirmação que não se encontra em nenhuma outra epístola – dá claramente a entender que tais insinuadores não falavam da parte de Deus, mas dos homens, e que, no que se referia à autoridade do testemunho evangélico, era tão apóstolo como os outros, porque sabia muito bem que a sua missão apostólica não vinha dos homens nem por mediação dos homens, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai.
RESPONSÓRIO Gal 3, 24-25.23
R. A Lei serviu-nos de guia até à vinda de Cristo, para sermos então justificados pela fé. * Mas depois que veio a fé, já não estamos sob o domínio desse guia.
V. Antes que viesse a fé, estávamos sob a protecção da Lei, prisioneiros dela na expectativa da fé que havia de ser revelada.* Mas depois que veio a fé, já não estamos sob o domínio desse guia.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
Apocalipse 7, 10b.12
Louvor ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro. A bênção, a glória, a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém!
RESPONSÓRIO BREVE
V. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
V. Vós que estais sentado à direita do Pai.
R. Tende piedade de nós.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-v-do-tempo-comum-ano-a/>]
Domingo V do Tempo Comum (Ano A)
Quando os pobres cuidarem de nós
Os gestos e as palavras que ao longo da história, desde tempos antigos até hoje, diminuíram e marginalizaram os pobres, revelam a pequenez de quem é rico. Revelam a pobreza de coração que mata lenta e impiedosamente o outro, só porque não lhe coube a mesma sorte que a alguns privilegiados.
A notícia soou há poucos dias “um terço da riqueza produzida pela pandemia teve como destino apenas um por cento da população mundial”. A pobreza de uns, a miséria de outros, a desgraça de muitos, faz, e sempre fez, a riqueza de uns quantos aproveitadores da situação. Riqueza que podia, mas nunca é distribuída.
A Palavra de Deus denuncia, revela e alerta para a possibilidade de se cair facilmente na armadilha da linguagem ardilosa dos aproveitadores da desgraça alheia e de nos tornarmos, nós também, os habilidosos aproveitadores e exploradores dos pobres.
LEITURA I Is 58, 7-10
Eis o que diz o Senhor:
«Reparte o teu pão com o faminto,
dá pousada aos pobres sem abrigo,
leva roupa ao que não tem que vestir
e não voltes as costas ao teu semelhante.
Então a tua luz despontará como a aurora,
e as tuas feridas não tardarão a sarar.
Preceder-te-á a tua justiça
e seguir-te-á a glória do Senhor.
Então, se chamares, o Senhor responderá,
se O invocares, dir-te-á: ‘Aqui estou’.
Se tirares do meio de ti a opressão,
os gestos de ameaça e as palavras ofensivas,
se deres do teu pão ao faminto
e matares a fome ao indigente,
a tua luz brilhará na escuridão
e a tua noite será como o meio-dia».
Dominados ainda pelos persas, os israelitas que tinham sido deportados para Babilónia puderam regressar à sua terra. Encontraram tudo destruído. A reconstrução previa também a restauração do culto ao Deus único, o Deus de seus pais. Surge, então, a preocupação pelo cumprimento da lei, do jejum e dos sacrifícios. No entretanto, cometiam-se muitas injustiças para com os pobres. O profeta denuncia estas injustiças em nome de Deus.
SALMO RESPONSORIAL Sl 111 (112), 4-5.6-7.8a e 9
O salmo 111 aparece como uma bem-aventurança. “Ditoso”, feliz ou bem-aventurado aquele que imita o Senhor na sua generosidade porque só Deus é verdadeiramente misericordioso, compassivo e justo. Aquele que pratica estas qualidades é feliz porque procura ser santo como Deus é santo.
LEITURA II 1Cor 2, 1-5
Quando fui ter convosco, irmãos,
não me apresentei com sublimidade de linguagem
ou de sabedoria
a anunciar-vos o mistério de Deus.
Pensei que, entre vós, não devia saber nada
senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado.
Apresentei-me diante de vós cheio de fraqueza e de temor
e a tremer deveras.
A minha palavra e a minha pregação
não se basearam na linguagem convincente da sabedoria humana,
mas na poderosa manifestação do Espírito Santo,
para que a vossa fé não se fundasse na sabedoria humana,
mas no poder de Deus.
Paulo, continuando a despertar os coríntios para o mistério de Cristo, recorda que eles chegaram à fé por um dom de Deus e pela ação do Espírito Santo. Não foi nem a sua sabedoria nem a sua eloquência nem a convicção das suas palavras, mas uma “poderosa manifestação do Espírito Santo” que os fez aderir à fé em Cristo crucificado.
EVANGELHO Mt 5, 13-16
Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Vós sois o sal da terra.
Mas se ele perder a força, com que há de salgar-se?
Não serve para nada,
senão para ser lançado fora e pisado pelos homens.
Vós sois a luz do mundo.
Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte;
nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire,
mas sobre o candelabro,
onde brilha para todos os que estão em casa.
Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens,
para que, vendo as vossas boas obras,
glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus».
Após a proclamação das bem-aventuranças, Jesus surpreende os discípulos com as palavras que escutamos nesta celebração. A luz deve brilhar para todos. Que luz é esta? A luz que brota das boas obras. São elas que fazem a diferença no mundo, são elas que dão sabor, como o sal faz na comida. Jesus revela que essa luz e esse sal são eles, somos nós, se praticarmos boas obras.
Reflexão da Palavra
Mateus não tem apenas a preocupação de apresentar as palavras de Jesus, ele tem diante de si uma comunidade cristã, a quem quer apresentar Jesus e a força das suas palavras: “Vós sois o sal”, “vós sois a luz”. Este “vós”, propositadamente plural, é dirigido aqueles que se reúnem em nome de Jesus e que, pela fé, se apresentam ao mundo como a comunidade dos seus discípulos.
O sal e a luz são imagens que Jesus utiliza para classificar a vida e as obras dos seus discípulos, enquanto membros de uma comunidade. O sal não pode perder o sabor e a luz não deve esconder-se, bem como a cidade não pode ocultar-se. Do mesmo modo, os discípulos de Jesus não podem ser pessoas insonsas, sem obras, porque seriam inúteis, nem podem esconder-se do mundo porque é o lugar onde são chamados a iluminar, para que os homens, “vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus”.
Definitivamente, para Jesus, o sal e a luz são as boas obras e Mateus chama a atenção para isso. As obras de cada um dos discípulos de ontem e de hoje, assim como as obras da comunidade, que não existe para estar reunida, mas reúne-se para salgar o mundo, devem levar os homens a dar glória a Deus.
Isaías descreve as boas obras que estão em causa e que, sendo vistas pelos homens, podem levar a que todos louvem o Senhor. Mateus vai fazer referência a estas obras no capítulo 25, a propósito do Juízo final.
As boas obras são: “Reparte o teu pão com o faminto, dá pousada aos pobres sem abrigo, leva roupa ao que não tem que vestir e não voltes as costas ao teu semelhante… Se tirares do meio de ti a opressão, os gestos de ameaça e as palavras ofensivas, se deres do teu pão ao faminto e matares a fome ao indigente”. São obras concretas que o salmo 111 também menciona “o homem que se compadece e empresta e dispõe das suas coisas com justiça… reparte com largueza pelos pobres”.
Isaías fala para os Israelitas regressados de Babilónia, que assumiram uma postura de falsidade, querendo que Deus se mostre favorável por causa dos seus jejuns rituais, quando depois exploram os pobres e não respeitam ninguém na busca do lucro fácil, a fim de enriquecerem rapidamente.
As obras que Jesus exige aos seus discípulos, não são atitudes pontuais, mas um estilo de vida que pensa nos outros ao ponto de cuidar, com gestos e palavras, aqueles que se encontram em situação desfavorável. Uma atitude como a de Paulo quando revela aos coríntios, que não se apresentou diante deles “com sublimidade de linguagem”, para os convencer e dominar pela sabedoria, mas “cheio de fraqueza e de temor e a tremer deveras” para lhes revelar o poder de Deus.
Meditação da Palavra
A Palavra deste domingo desperta alguns sentimentos que podem fazer-nos reagir interiormente. A palavra mexe mesmo com a nossa vida, as nossas atitudes e sentimentos, as opções que fazemos perante a realidade humana que nos rodeia e as circunstâncias concretas em que temos necessariamente que tomar uma posição.
O que move as nossas atitudes e decisões? Somos movidos pelos nossos interesses ou pela preocupação em relação aos mais desprotegidos e abandonados? Move-nos o sentimento de misericórdia, caridade e compaixão ou o egoísmo de quem nunca está disponível para responder às necessidades dos outros?
Isaías denuncia aqueles que cumpriam a lei, praticavam os jejuns prescritos e participavam no culto, mas depois, engavam o pobre e exploravam os humildes e os indigentes. Isaías denuncia estas atitudes frequentes entre os judeus regressados de Babilónia e incita-os a repartir com os pobres. É que eles, queixavam-se de o Senhor não atender as suas orações nem prestar atenção aos seus jejuns.
As palavras de Isaías são claras, “reparte o teu pão com o faminto, dá pousada aos pobres sem abrigo, leva roupa ao que não tem que vestir e não voltes as costas ao teu semelhante” e ainda “se tirares do meio de ti a opressão, os gestos de ameaça e as palavras ofensivas, se deres do teu pão ao faminto e matares a fome ao indigente” a tua sorte mudará porque “se chamares, o Senhor responderá, se O invocares, dir-te-á: ‘Aqui estou’”. São as escolhas egoístas que impedem que a oração e os jejuns cheguem à presença de Deus.
É esta, a mesma razão pela qual Jesus fala aos discípulos desafiando-os a ser Sal e Luz no mundo. As imagens usadas são muito fortes. O sal não pode nunca deixar de salgar, mas um discípulo de Jesus pode tornar-se inútil. Uma cidade situada no cimo de um monte não pode esconder-se, mas a comunidade dos discípulos de Jesus pode tornar-se invisível. A luz deve colocar-se em lugar que possa iluminar todos os que estão em casa e um discípulo de Jesus pode estar na comunidade em atitude que provoca sombras e trevas à sua volta.
O que é que faz com que os discípulos sejam como o sal e como a luz? As suas obras. Se elas são boas eles são sal e luz, os homens que veem essas boas obras percebem-nas como obras que vêm de Deus e não apenas dos homens e dão glória a Deus. Desta forma cumpre-se a vida do discípulo que é viver de modo que Deus seja louvado.
Se o discípulo não pratica boas obras ou até pratica obras que põem em causa o nome de Deus, então torna-se trevas, perde o sabor e o seu destino é “ser lançado fora e pisado pelos homens”.
Dizemos muitas vezes e ouvirmos dizer aos discípulos de Jesus: “Eu faço o bem sempre que posso”, este sempre significa quando? Muitas vezes nem nos lembramos quando foi a última vez em que fizemos o bem e, “sempre que posso”, pode significar que nunca posso e torna-se uma desculpa ridícula. Ouvimos e dizemos também, “eu faço o bem a toda a gente”. “Toda a gente”, quem é? Quem foi a última pessoa a quem conscientemente fiz o bem? Também dizemos e ouvimos dizer “não faço mal a ninguém”. Será mesmo verdade que podemos dizer com toda a certeza que não prejudicamos nunca ninguém?
Afirmamo-nos com muita facilidade “boas pessoas”, mas não é possível ser boa pessoa sem obras. Os tempos em que vivemos é mesmo um tempo de aparências como o tempo de Isaías, em que queremos apresentar-nos diante de Deus como bons, mas nem sempre agimos como discípulos de Jesus nas nossas relações humanas, familiares, profissionais e civis. Fugimos facilmente aos nossos compromissos e esquecemos rapidamente as imagens de pobreza e abandono que nos comovem. Queremos ser boas pessoas sem obras.
Jesus desafia-nos, hoje, a repensar a vida, de modo que ela manifeste o poder de Deus por palavras e obras, para que todos, contemplando a Deus em nós, desejem também dar glória a Deus. Então, se o chamarmos ele responderá, se o invocarmos ele dirá: “estou aqui”.
Rezar a Palavra
Ensina-me, Senhor, a descobrir o teu rosto no pobre e no indigente, para que o meu coração se comova e as minhas mãos se apressem a cuidar. Que o meu jejum seja o amor e a minha oração o pão repartido pelos pobres. Que a minha fé seja palavra de conforto e abraço fraterno. Que a minha esperança seja um mundo onde todos se sentam à mesma mesa e não se cansam de servir.
Compromisso semanal
Há homens, mulheres, crianças, jovens e idosos que experimentam o abandono e eu não posso ser cego nem indiferente.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2025/02/santos-do-dia-da-igreja-catolica-08-de-janeiro/>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 08 de Fevereiro
Postado em: por: marsalima
Santo Jerônimo Emiliano
Jerônimo Emiliani, de nobre família, nasceu em Veneza, Itália, em 1486. Sua juventude foi bastante tumultuada, com comportamentos mundanos e desregrados. Desde os quinze anos serviu como soldado e durante muito tempo foi mantido como prisioneiro pelo exército imperial de Treviso. Neste período, ele foi envolvido numa forte experiência de conversão. Atormentado pela memória de seus pecados, reconheceu em Cristo Crucificado o amor misericordioso do Pai.
Quando saiu em liberdade, se desfez de toda a fortuna e se consagrou a uma missão muito especial, baseada na revelação da paternidade divina: compartilhar e viver em comunidade com os órfãos, os pobres e os doentes. Assim, em 1531 fundou um instituto de religiosos na cidade de Somasca, Itália. Logo foram chamados de “padres Somascos”. Jerônimo Emiliani permaneceu leigo e dedicou sua existência a Deus e à caridade. Seus trabalhos solidários se estendiam aos doentes e miseráveis como também as crianças órfãs e às prostitutas.
A motivação da sua vida espiritual foi o desejo de devolver a Igreja ao estado de santidade das primeiras comunidades cristãs. Este mesmo ideal determinou o modo de organizar a vida das casas que acolhiam os órfãos. O grupo religioso se destacou por proporcionar educação gratuita aos menores abandonados e órfãos. Dos muitos colaboradores que se aproximaram dele, alguns tomaram a decisão de seguir o seu estilo de vida. Assim nascia a Companhia dos Servos dos Pobres.
Prestes a morrer, Jerônimo Emiliani transmitiu a seus discípulos um testamento que sintetizava sua experiência espiritual e representava, ao mesmo tempo, um itinerário de vida cristã: “Segui o caminho do Crucificado, desprezai a iniqüidade, amai-vos uns aos outros e servi aos pobres”.
Jerônimo Emiliani faleceu na cidade de Somasca, Itália, no dia 8 de fevereiro de 1537, vitimado pela peste que contraiu servindo aos doentes durante uma epidemia que se alastrou na cidade. Apesar disso cuidou dos enfermos até os últimos momentos de sua vida.
O papa Santo Pio V, em 1568 oficializou a Ordem dos Religiosos de Somasca. Jerônimo Emiliani foi canonizado em 1767 e o dia 8 de Fevereiro escolhido para a sua homenagem. Em 1928, o Papa Pio XI o declarou Padroeiro dos órfãos e das crianças abandonadas.
Santa Josefina Bakhita
Bakhita nasceu no Sudão, África, em 1869. Este nome, que significa “afortunada”, não recebeu de seus pais ao nascer, lhe foi imposto por seus raptores. Esta flor africana conheceu as humilhações, os sofrimentos físicos e morais da escravidão, sendo vendida e comprada várias vezes. A terrível experiência e o susto, provado naquele dia, causaram profundos danos em sua memória, inclusive o esquecimento do próprio nome.
Na capital do Sudão, Bakhita foi finalmente comprada por um cônsul italiano, que depois a levou consigo para a Itália. Durante a viagem, ele a entregou para viver com a família de um amigo, que residia em Veneza, e cuja esposa, havia se afeiçoado à ela.Depois, com o nascimento da filha do casal, Bakhita se tornou sua babá e amiga.
Os negócios desta família, na África, exigiam que retornassem. Mas, aconselhado pelo administrador, o casal confiou as duas, às irmãs da congregação de Santa Madalena de Canossa, em Schio, também em Veneza. Alí, Bakhita, conheceu o Evangelho. Era 1890 e ela tinha vinte e um anos quando foi batizada recebendo o nome de Josefina.
Após algum tempo, quando vieram buscá-las, Bakhita ficou. Queria se tornar uma irmã canossiana, para servir a Deus que lhe havia dado tantas provas do seu amor. Depois de sentir muita clareza do chamado para a vida religiosa, em 1896, Josefina Bakhita se consagrou para sempre a Deus, que ela chamava com carinho “o meu Patrão!”.
Por mais de cinqüenta anos, esta humilde Filha da Caridade, se dedicou às diversas ocupações na congregação, sendo chamada por todos de “Irmã Morena”. Ela foi cozinheira, responsável do guarda-roupa, bordadeira, sacristã e porteira. As irmãs a estimavam pela generosidade, bondade e pelo seu profundo desejo de tornar Jesus conhecido. “Sejam boas, amem a Deus, rezem por aqueles que não O conhecem. Se soubésseis que grande graça é conhecer a Deus!”.
A sua humildade, a sua simplicidade e o seu constante sorriso, conquistaram o coração de toda população. Com a idade, chegou a doença longa e dolorosa. Ela continuou a oferecer o seu testemunho de fé, expressando com estas simples palavras, escondidas detrás de um sorriso, a odisséia da sua vida: “Vou devagar, passo a passo, porque levo duas grandes malas: numa vão os meus pecados, e na outra, muito mais pesada, os méritos infinitos de Jesus. Quando chegar ao céu abrirei as malas e direi a Deus: Pai eterno, agora podes julgar. E a São Pedro: fecha a porta, porque fico”.
Na agonia reviveu os terríveis anos de escravidão e foi a Santa Virgem que a libertou dos sofrimentos. As suas últimas palavras foram: “Nossa Senhora!”. Irmã Josefina Bakhita faleceu no dia 8 de fevereiro de 1947, na congregação em Schio, Itália. Muitos foram os milagres alcançados por sua intercessão. Em 1992, foi beatificada pelo Papa João Paulo II e elevada à honra dos altares em 2000, pelo mesmo Sumo Pontífice. O dia para o culto de “Santa Irmã Morena” foi determinado o mesmo de sua morte.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE DE JANEIRO DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Jo 4, 16
Nós conhecemos e acreditámos no amor de Deus para connosco. Deus é amor e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele.
V. Inclinai o meu coração para as vossas ordens,
R. Fazei-me viver segundo a vossa palavra.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Gal 6, 7-8
Cada um recolherá o que tiver semeado. Quem semeia na carne, colherá da carne a corrupção; quem semeia no Espírito, colherá do Espírito a vida eterna.
V. A vossa palavra, Senhor, é eterna,
R. A vossa fidelidade permanece de geração em geração.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Gal 6, 9-10
Não nos cansemos de fazer o bem, porque se não desfalecermos, colheremos no tempo oportuno. Portanto, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos, mas principalmente para com os irmãos na fé.
V. De todo o coração eu clamo, ouvi-me, Senhor:
R. Quero observar os vossos decretos.
Oração
Guardai, Senhor, com paternal bondade a vossa família; e, porque só em Vós põe a sua confiança, defendei-a sempre com a vossa protecção. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Cor 1, 3-4
Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as tribulações, para podermos também confortar aqueles que sofrem qualquer tribulação, por meio da consolação que nós próprios recebemos de Deus.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
V. A Vós o louvor e a glória para sempre.
R. No firmamento dos céus.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.


