“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 18 DE MARÇO DE 2026
18 de março de 2026“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 20 DE MARÇO DE 2026
20 de março de 2026São José, esposo da Virgem santa Maria
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Do Livro dos Números 12, 16 – 13, 1-3a. 17-33
São enviados exploradores a Canaã
Naqueles dias, o povo israelita partiu de Hacerot e foi acampar no deserto de Farã. O Senhor falou a Moisés, dizendo: «Manda alguns homens observar a terra de Canaã, que Eu vou dar aos filhos de Israel. Envia um homem por cada uma das vossas tribos paternas, e todos eles sejam dos principais de entre eles».
Moisés fez o que o Senhor lhe ordenara e enviou-os do deserto de Farã, segundo a ordem do Senhor. Todos esses homens eram príncipes dos filhos de Israel. Moisés enviou-os a explorar a terra de Canaã e disse-lhes: «Ide através do Negueb e subi a montanha. Observareis o aspecto do país e o povo que o habita: se é forte ou fraco, escasso ou numeroso; como é a terra em que ele habita: se é boa ou má; como são as cidades em que reside: se estão em campo aberto ou fortificadas; como é o terreno: se é fértil ou pobre, arborizado ou não. Sede corajosos e trazei frutos da terra».
Era o tempo das primeiras uvas. Eles subiram e exploraram a terra, desde o deserto de Cin até Reob, à entrada de Hamat. Subiram pelo Negueb e chegaram a Hebron, onde se encontravam Aimã, Chechai e Talmai, descendentes de Anac.
Hebron fora construída sete anos antes de Tânis, no Egipto. Foram até ao Vale de Escol, onde cortaram um ramo de videira com um cacho de uvas, que dois homens transportaram numa vara, bem como romãs e figos. Deram àquele lugar o nome de Vale de Escol, por causa do cacho que os filhos de Israel aí cortaram.
Passados quarenta dias, regressaram, depois de observarem a terra. Vieram ter com Moisés, Aarão e toda a comunidade dos filhos de Israel, ao deserto de Farã, em Cades. Fizeram-lhes então o seu relato, a eles e a toda a comunidade, e mostraram-lhes os frutos da terra. Eis o que eles contaram: «Entrámos no país ao qual nos enviaste; é de facto uma terra onde corre leite e mel, e aqui estão os seus frutos. Mas o povo que a habita é poderoso, as cidades são muito grandes e fortificadas, e até lá vimos descendentes de Anac. Amalec habita a região do Negueb; o hitita, o jebuseu e o amorreu vivem na serra; o cananeu junto do mar e à beira do Jordão».
Caleb procurou acalmar o povo, que começava a sublevar-se contra Moisés, e disse: «Subamos e conquistemos aquele país, porque certamente seremos vencedores». Mas os homens que tinham ido com ele disseram: «Não podemos avançar contra aquele povo, porque é mais forte do que nós». E diante dos filhos de Israel começaram a dizer mal da terra que tinham ido explorar: «A terra por onde passámos em exploração é um país que devora os seus habitantes, e toda a gente que ali vimos são homens de grande estatura. Vimos lá os gigantes, filhos de Anac, dessa raça gigantesca. Ao seu lado nós parecíamos gafanhotos, e era assim que eles também nos olhavam».
RESPONSÓRIO Cf. Deut 1, 31a. 32. 26. 27a
R. No deserto, o Senhor conduziu-vos como um pai conduz o seu filho. * E não acreditastes no Senhor vosso Deus.
V. Não quisestes entrar na terra prometida e, rebeldes às ordens do Senhor vosso Deus, começastes a murmurar. * E não acreditastes no Senhor vosso Deus.
SEGUNDA LEITURA
Dos Sermões de São Leão Magno, papa
(Sermo 15 De passione Domini, 3-4: PL 54, 366-367) (Sec. V)
Contemplação da paixão do Senhor
Aquele que deseja honrar verdadeiramente a paixão do Senhor, de tal modo deve olhar com os olhos do coração para Jesus crucifi cado, que reconheça na carne do Senhor a sua própria carne.
Estremeça a criatura perante o suplício do seu Redentor, quebrem-se as pedras dos corações infi éis, e saiam para fora, vencendo todos os obstáculos, aqueles que jaziam sob o peso mortal dos seus túmulos. Apareçam também agora na cidade santa, isto é, na Igreja de Deus, como sinais da ressurreição futura, e o que um dia se há-de realizar nos corpos, cumpra-se agora nos corações.
A nenhum pecador é negada a vitória da cruz, a nenhum homem é recusado o auxílio da oração de Cristo. Se foi frutuosa para muitos dos que O perseguiam, quanto mais o não será para os que a Ele se convertem?
Foi eliminada a ignorância da incredulidade, foi suavizada a aspereza do caminho, e o sangue de Cristo extinguiu o fogo daquela espada que guardava as fronteiras da vida. A obscuridade da antiga noite deu lugar à verdadeira luz.
O povo cristão é convidado a gozar as riquezas do Paraíso, e para todos os baptizados está aberta a passagem de regresso à pátria perdida, desde que não queiram fechar para si próprios aquele caminho que se abriu também à fé do ladrão arrependido.
Não deixemos que as preocupações e a soberba desta vida presente se apoderem de nós e anulem o empenho de nos conformarmos de todo o coração com o nosso Redentor, na perfeita imitação dos seus exemplos. Tudo o que Ele fez ou padeceu foi para nossa salvação, de modo que todo o Corpo pudesse participar da virtude da sua Cabeça.
Aquela sublime união da nossa natureza à sua divindade, pela qual o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, a ninguém excluiu da sua misericórdia, a não ser aquele que se recusa a acreditar. Como poderá ficar fora da comunhão com Cristo quem recebe Aquele que assumiu a sua própria natureza e é regenerado pelo mesmo Espírito por obra do qual nasceu Jesus Cristo? Quem não há-de reconhecer n’Ele a nossa débil condição humana, sabendo-O sujeito ao uso dos alimentos, ao repouso, ao sono, à ansiedade, à tristeza, à compaixão e às lágrimas?
Foi precisamente para curar a nossa natureza das suas antigas feridas e purifi cá-la da corrupção do pecado, que o Filho Unigénito de Deus Se fez também Filho do homem, de modo que não Lhe faltasse nem a humanidade em toda a sua realidade, nem a divindade em toda a sua plenitude.
É verdadeiramente nosso o que esteve morto no sepulcro, o que ressuscitou ao terceiro dia, o que subiu à glória do Pai, no mais alto dos Céus. Por conseguinte, se percorrermos o caminho dos seus mandamentos e não nos envergonharmos de confessar tudo o que fez pela nossa salvação na humildade do seu Corpo, também nós teremos parte na sua glória. Então se cumprirá manifestamente o que prometeu: A todo aquele que der testemunho de Mim diante dos homens, também Eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos Céus.
RESPONSÓRIO 1 Cor 1, 18. 23
R. A linguagem da cruz é loucura para aqueles que estão no caminho da perdição; * Mas poder de Deus para aqueles que estão no caminho da salvação.
V. Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios. * Mas poder de Deus para aqueles que estão no caminho da salvação.
Oração
Senhor, que na vossa clemência infinita, nos purificais pela penitência e nos santificais pelas boas obras, fazei que perseveremos fielmente na observância dos vossos preceitos e cheguemos confiantes às festas pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
Ant. Cantai alegremente ao Senhor nosso Deus.
LEITURA BREVE Cf. 1 Reis 8, 51-53a
Nós somos, Senhor, o vosso povo e a vossa herança. Estejam os vossos olhos abertos às súplicas do vosso servo e do vosso povo de Israel, e ouvi-nos quando vos invocamos. Porque vós nos escolhestes entre todos os povos da terra para sermos a vossa herança.
RESPONSÓRIO BREVE
V. O Senhor me livrará do laço do caçador.
R. O Senhor me livrará do laço do caçador.
V. A sua fidelidade é escudo e couraça.
R. O Senhor me livrará do laço do caçador.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. O Senhor me livrará do laço do caçador.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <São José, esposo da Virgem santa Maria | A liturgia>]
São José, esposo da Virgem santa Maria
Solenidade
S. José, esposo da Santíssima Virgem Maria, homem justo, da descendência de David, exerceu a missão de pai do Filho de Deus, Jesus Cristo, o qual quis ser chamado filho de José e lhe foi submisso como um filho a seu pai. A Igreja venera com especial honra e como seu patrono aquele que o Senhor constituiu chefe da sua família. O seu nome foi inserido no Cânone Romano pelo papa S. João XXIII e o papa Francisco estendeu-o às outras Orações eucarísticas.
LEITURA I 2Sm 7, 4-5a.12-14a.16
Naqueles dias,
o Senhor falou a Natã, dizendo:
«Vai dizer ao meu servo David:
Assim fala o Senhor:
Quando chegares ao termo dos teus dias
e fores repousar com os teus pais,
estabelecerei em teu lugar um descendente que nascerá de ti
e consolidarei a tua realeza.
Ele construirá um palácio ao meu nome
e Eu consolidarei para sempre o seu trono real.
Serei para ele um pai e Ele será para Mim um filho.
A tua casa e o teu reino
permanecerão diante de Mim eternamente
e o teu trono será firme para sempre».
compreender a palavra
O texto do segundo livro de Samuel está tirado do contexto que refere o desejo que o rei David tem de construir uma casa para o Senhor. O rei edificou uma casa para si mesmo e instalou-se nela. Depois mandou chamar o profeta, Natã e manifestou-lhe o seu desejo, ao qual o profeta anuiu reconhecendo como boa essa intenção. No entanto, o Senhor, falou a Natã nessa noite e recusou a oferta do rei declarando “És tu que me vais construir uma casa?… o Senhor faz hoje saber que será Ele próprio quem edificará uma casa para ti… manterei depois de ti a descendência que nascerá de ti e consolidarei o teu reino”. Este é um texto claramente messiânico. O “descendente que nascerá de ti” é claramente Jesus, filho de Maria e de José. José descendente de David coloca Jesus na linhagem de David. Ele, o Messias, “será para mim um filho”. José a quem a Igreja celebra hoje, situa-se, deste modo, na história da salvação, na promessa de Deus, como um marco imprescindível que é necessário reconhecer.
meditar a palavra
As palavras do livro de Samuel que servem à reflexão de hoje, colocam diante de nós uma figura que está profundamente ligada a Jesus. José é o descendente de David que coloca Jesus como aquele em quem se cumpre a promessa de manter viva para sempre a casa de David. A casa que David queria construir para Deus era de madeira, a casa que Deus prometeu a David era a casa real. A casa de que fala este pequeno texto, que será construída para Deus pelo descendente de David, é o seu próprio corpo como Jesus dirá “Derrubai este templo e eu o reconstruirei em três dias… falava do seu corpo”. Para nós, hoje, este texto há de fazer referência à presença de Deus em cada casa, em cada família. Deus não desampara aquele que dá nome a uma casa, a uma família, o pai. Como José, que deu a Jesus, a estabilidade de uma casa e a capacidade de se compreender a si mesmo como lugar onde Deus habita, os pais, que têm hoje o seu dia, compreendem que Deus está na sua casa, assegura a sua descendência, mantém o seu lugar na família, garante o seu futuro e dá continuidade a esta família nos filhos, lugar onde Deus habita. José é o justo amado por Deus e, do mesmo modo, os pais, podem ser os justos a quem Deus ama.
rezar a palavra
Peço-te, hoje Senhor, por todos os pais. A sua missão imprescindível, está rodeada de muitas incertezas. Levantam-se grandes tempestades à missão que lhes confiaste e precisam da tua ajuda. Ampara cada pai, aproxima os pais dos filhos e os filhos dos pais. Que o amor não permita que nenhum pai seja abandonado, mesmo na velhice, e que o mesmo amor faça permanecer os pais junto dos filhos como garantes da tua presença ao longo de toda a vida.
compromisso
Hoje é dia de honrar o pai com gestos e com palavras.
LEITURA II Rm 4, 13.16-18.22
Irmãos:
Não foi por meio da Lei,
mas pela justiça da fé,
que se fez a Abraão ou à sua descendência
a promessa de que receberia o mundo como herança.
Portanto a herança vem pela fé,
para que seja dom gratuito de Deus
e a promessa seja válida para toda a descendência,
não só para a descendência segundo a Lei,
mas também para a descendência segundo a fé de Abraão.
Ele é o pai de todos nós, como está escrito:
«Fiz de ti o pai de muitos povos».
Ele é o nosso pai diante d’Aquele em quem acreditou,
o Deus que dá vida aos mortos
e chama à existência o que não existe.
Esperando contra toda a esperança,
Abraão acreditou,
tornando-se pai de muitos povos,
como lhe tinha sido dito:
«Assim será a tua descendência».
Por este motivo é que isto «lhe foi atribuído como justiça».
compreender a palavra
Paulo preocupa-se em mostrar que a lei não é garantia de salvação para ninguém. Não é pelo cumprimento da lei nem pela realização de ritos exteriores que se alcança a salvação. A salvação vem de Cristo, pela sua morte, pelo seu sangue derramado. É a fé em Cristo que nos traz a salvação. A fé é a garantia de todos os bens. Paulo apresenta, neste contexto, a fé de Abraão. Foi pela fé que ele se tornou o Pai de todos os povos. Pela fé recebeu a promessa, pela fé viu a realização dessa promessa e pela fé tornou-se modelo para toda a sua descendência.
meditar a palavra
Esta passagem da carta aos romanos exalta a fé de Abraão. Uma fé que surge a despropósito, de onde não há razão, do sem sentido, da desesperança. Abraão arranca a fé da luta com a esperança. “Esperando contra toda a esperança, acreditou”. Neste dia de S. José, esposo da Virgem Santa Maria, podemos reportar esta fé para este homem, silencioso, que viveu ao lado de Maria e de Jesus, acolhendo em seu coração o mistério de Deus que se revela contra toda a esperança. Na mesma fé em que Abraão se tornou pai de todos os povos, José tornou-se pai de Jesus. Na mesma luta calibrou a fé esperando contra toda a esperança. Do mesmo modo se pede hoje aos pais que sejam para seus filhos modelos de fé.
rezar a palavra
Senhor Jesus, tiveste a teu lado o silêncio como pai previdente e solícito que te ensinou o caminho do encontro com o mistério do Pai que está nos céus. José foi esse silêncio e esse pai que te abriu perspetivas de eternidade por entre as realidades passageiras deste mundo. Peço-te pelos pais para que sejam presença divina juntos dos filhos.
compromisso
Rezo pelo meu pai e por todos os pais.
Evangelho Mt 1, 16.18-21.24a
Jacob gerou José, esposo de Maria,
da qual nasceu Jesus, chamado Cristo.
O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo:
Maria, sua Mãe, noiva de José,
antes de terem vivido em comum,
encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo.
Mas José, seu esposo,
que era justo e não queria difamá-la,
resolveu repudiá-la em segredo.
Tinha ele assim pensado,
quando lhe apareceu num sonho o anjo do Senhor,
que lhe disse:
«José, filho de David,
não temas receber Maria, tua esposa,
pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo.
Ela dará à luz um filho
e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus,
porque Ele salvará o povo dos seus pecados».
Quando despertou do sono,
José fez como lhe ordenara o anjo do Senhor.
compreender a palavra
O texto de Mateus vem na continuação da genealogia que apresenta Jesus como um membro do seu povo, mas, simultaneamente, mostra-o como aquele que vem de Deus. Está connosco porque Deus assim o quis e o realizou pelo seu Espírito e não por qualquer ação dos homens. O Espírito, que tem já uma ação importante na criação, está presente na vida de Jesus desde o início, dando início a uma nova criação. Pode ver-se, ainda, como a intervenção de Deus na história dos homens afeta a humanidade em geral, mas afeta algumas pessoas em particular. O nascimento de uma criança, filho de uma mãe solteira, vai interferir com a norma estabelecida entre os homens, mas interfere particularmente na vida de Maria e de José. Maria vê alterada a sua atitude diante de Deus e diante dos homens e José vê posta em causa toda a sua arquitetura existencial. Deus, porém, não abandona o homem à sua sorte, revela-se, mostrando os seus desígnios de salvação e revelando de que modo cada um pode colaborar com Ele na salvação do mundo.
meditar a palavra
A história de Deus com os homens é uma história de salvação, que começa na criação e não termina nunca. Em Cristo, com o seu nascimento, muda radicalmente a forma de o homem se relacionar com Deus e mudam os critérios pelos quais os homens são chamados a ler a realidade. Em José podemos ver como, mesmo que seja difícil, é possível mudar a nossa análise, para ver como Deus vê e de que modo Ele se serve das pessoas concretas para se tornar presente e realizar a salvação dos homens. Cada um de nós é chamado a ser José, no silêncio do seu coração, onde podem ser acolhidos todos os que à primeira vista parecem estar fora da lei dos homens e da lei de Deus. Amados, todos os homens podem tornar-se lugar de esperança e de vida como Maria.
rezar a palavra
Senhor Jesus, Deus connosco, que em Maria te fizeste próximo de cada homem e em José nos mostras o silêncio como lugar onde cada um se pode encontrar com o teu plano de salvação, dá-nos a coragem de acolher as circunstâncias da vida para as transformar em sinais de Deus para o mundo. Faz-nos compreender o mistério da tua ação nas entrelinhas da nossa vida e transforma em nós os critérios de observação da realidade para podermos ver e amar como tu vês e amas.
compromisso
Quero olhar os acontecimentos e as pessoas com os olhos de Deus salvador.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <Santos do Dia da Igreja Católica – 19 de Março – Sagrada Missão>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 19 de Março
Postado em: por: marsalima
São José
Do esposo de Maria sabemos somente aquilo que nos dizem os evangelistas Mateus e Lucas, mas é o que basta para colocar esse incomparável “homem justo” na mais alta cátedra de santidade e de nossa devoção, logo abaixo da Mãe de Jesus.
Venerado desde os primeiros séculos no Oriente, seu culto se difundiu no Ocidente somente no século IX, mas num crescendo não igual ao de outros santos. Em 1621, Gregório XV declarou de preceito a festa litúrgica deste dia; Pio IX elegeu são José padroeiro da Igreja, e os papas sucessivos o enriqueceram de outros títulos, instituindo uma segunda comemoração no dia 1º de maio, ligada a seu modesto e nobre ofício de artesão.
O privilégio de ser pai adotivo do Messias constitui o título mais alto concedido a um homem.
O extraordinário evento da Anunciação e da divina maternidade de Maria – da qual foi advertido pelo anjo depois da sofrida decisão de repudiar a esposa – coloca são José sob uma luz de simpatia humana, em razão do papel de devoto defensos da incolumidade da Virgem Mãe, mistério prenunciado pelos profestas, mas acima da inteligência humana.
Resolvido o angustiante dilema, José não se questiona. Cumpre as prescrições da lei: dirige-se a Belém para rescenseamento, assiste Maria no parto, acolhe os pastores e os reis Magos com útil disponibilidade, conduz a salvo Maria e o Menino para subtraí-lo do sanguinário Herodes, depois volta à laboriosa quietude da casinha de Nazaré, partilhando alegrias e dores comuns a todos os pais de família que deviam ganhar o pão com o suor de sua fronte. Nós o revemos na ansiosa procura de Jesus, que ele conduz ao templo por ter cumprido os 12 anos de idade.
Enfim, o Evangelho se despede dele com uma imagem rica de significado, que coloca mais de um tema para nossa reflexão: Jesus, o filho de Deus, o Messias esperado, obedece a ele e a Maria, crescendo em sabedoria, idade e graça.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE . DE MARÇO DE 2026
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
Ant. Chegaram os dias de penitência: expiemos nossos pecados e salvaremos nossas almas.
LEITURA BREVE Is 55, 6-7
Procurai o Senhor enquanto se pode encontrar, invocai-O enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem perverso os seus pensamentos. Converta-se ao Senhor que terá compaixão dele, ao nosso Deus que é generoso em perdoar.
V. Criai em mim, ó Deus, um coração puro,
R. Renovai em mim a firmeza de alma.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
Ant. Por minha vida, diz o Senhor, Eu não quero a morte do pecador, mas antes que se converta e viva.
LEITURA BREVE Deut 30, 2-3a
Quando voltares para o Senhor teu Deus e obedeceres aos seus mandamentos, tu e teus filhos, com todo o teu coração e toda a tua alma, como hoje te ordeno, o Senhor teu Deus te fará voltar do cativeiro e terá compaixão de ti.
V. Desviai o vosso rosto das minhas culpas,
R. Purificai-me de todos os meus pecados.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
Ant. Com as armas da justiça e do poder de Deus, dêmos provas de confiança e fortaleza nas adversidades.
LEITURA BREVE Hebr 10, 35-36
Não queirais perder a vossa confiança, que terá uma grande recompensa. Vós tendes necessidade de perseverança, para cumprir a vontade de Deus e alcançar os bens prometidos.
V. Sacrifício agradável a Deus é um espírito arrependido,
R. Não desprezareis, Senhor, o espírito humilhado e contrito.
Oração
Senhor, que na vossa clemência infinita, nos purificais pela penitência e nos santificais pelas boas obras, fazei que perseveremos fielmente na observância dos vossos preceitos e cheguemos confiantes às festas pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
Tg 4, 7-8. 10
Submetei-vos a Deus. Resisti ao diabo e ele fugirá de vós. Aproximai-vos de Deus e Ele aproximar-se-á de vós. Lavai as vossas mãos, pecadores; purificai os vossos corações, homens indecisos. Humilhai-vos diante do Senhor e Ele vos exaltará.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Tende compaixão de mim, Senhor.
R. Tende compaixão de mim, Senhor.
V. Salvai-me, porque pequei contra Vós.
R. Tende compaixão de mim, Senhor.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Tende compaixão de mim, Senhor.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
1 Tes 5, 23
O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser – espírito, alma e corpo – se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.

