“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 14 DE DEZEMBRO DE 2023 – QUINTA FEIRA – SÃO JOÃO DA CRUZ PRESBÍTERO E DOUTOR DA IGREJA (ANO B)
14 de dezembro de 2023“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 16 DE DEZEMBRO DE 2023 – SÁBADO DA II SEMANA DO ADVENTO (ANO B)
16 de dezembro de 2023
Concitamos que empregue especial empenho e dedicação em sorver o néctar espiritual potencializador da prática cristã no IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA), para sustento, remédio e fortalecimento espiritual. A leitura dos EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ e dos ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA complementam essa refeição espiritual. Sugerimos que, na medida das possibilidades, nos tempos livres do pensamento, escolha para assistir, conforme apetecer, como em um bufê, alguns dos vídeos disponibilizados, buscando aumentar a “ingestão” desses conteúdos e diminuir os “do mundo”. Que o Senhor derrame copiosas bênçãos sobre sua vida e seu organismo espiritual se fortaleça a cada dia mais para produzir preciosos frutos!
Recomendamos vivamente que ouça a oração da manhã disponibilizada no link abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=d1JDwIZIu_A

SAUDAÇÃO
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

LITURGIA DIÁRIA
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4207-liturgia-de-15-de-dezembro-de-2023>]
Antífona da entrada
– O Senhor descerá com esplendor, para visitar o seu povo na paz e comunicar-lhe a vida eterna.
Coleta
– Ó Deus todo poderoso, dai ao vosso povo esperar vigilante a vinda do vosso Filho unigênito, para que, como ensinou o autor da nossa salvação, possamos correr vigilantes ao seu encontro com lâmpadas acesas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Is 48, 17-19
Salmo Responsorial: Sl 1
– Senhor, quem vos seguir terá a luz da vida.
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– O Senhor há de vir, acorrei-lhe ao encontro; é o príncipe da paz.
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 11,16-19.
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)

Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz
As santas palavras da 1ª Leitura nos ensinam pelo escritor sagrado (Is 48, 17-19): Eis o que diz o Senhor, teu Redentor, o Santo de Israel: eu sou o Senhor teu Deus, que te dá lições salutares, que te conduz pelo caminho que deves seguir. 18. Ah! Se tivesses sido atento às minhas ordens! Teu bem-estar assemelhar-se-ia a um rio, e tua felicidade às ondas do mar; 19. tua posteridade seria como a areia, e teus descendentes, como os grãos de areia; nada poderia apagar nem abolir teu nome de diante de mim.
As santas palavras do Salmo Responsorial apresentam o louvor orante do salmista (Sl 1): Feliz o homem que não procede conforme o conselho dos ímpios, não trilha o caminho dos pecadores, nem se assenta entre os escarnecedores. 2. Feliz aquele que se compraz no serviço do Senhor e medita sua lei dia e noite. 3. Ele é como a árvore plantada na margem das águas correntes: dá fruto na época própria, sua folhagem não murchará jamais. Tudo o que empreende, prospera. 4. Os ímpios não são assim! Mas são como a palha que o vento leva. 5. Por isso não suportarão o juízo, nem permanecerão os pecadores na assembleia dos justos. 6. Porque o Senhor vela pelo caminho dos justos, ao passo que o dos ímpios leva à perdição.
O Santo Evangelho ensina-nos pelo Evangelista (Mt 11,16-19): A quem hei de comparar esta geração? É semelhante a meninos sentados nas praças que gritam aos seus companheiros: 17. Tocamos a flauta e não dançais, cantamos uma lamentação e não chorais. 18. João veio; ele não bebia e não comia, e disseram: Ele está possesso de um demônio. 19. O Filho do Homem vem, come e bebe, e dizem: É um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e dos devassos. Mas a sabedoria foi justificada por seus filhos.

Compromisso – 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer
As santas palavras da liturgia deste dia compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura, de nos impregnarmos da consciência do que revela e nos empenharmos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece em especial nesta perícope (Is 48, 17-19) que o Senhor é nosso redentor e nos dá lições salutares, conduzindo-nos pelo bom caminho. Cumpre manter-nos atentos às suas ordens, como o que, seguindo dia a dia as orientações divinas, estas vão formando como que pequenas nascentes de graça divina, que acumuladas ao longo do tempo formam um grande rio de graças, proporcionando indizível bem-estar a quem assim proceder, tornando o viver intensamente feliz, pujante, de grande vigor, inabalável, como as ondas do mar. Com isso o viver adquire um sentido divino, impregnado de plenitude, que nos torna geradores de uma posteridade salutar, que honra o nome do Senhor Deus e transforma a história, fazendo com que o divino se torne cada vez mais presente no humano. Como se diz na oração de invocação do Espírito Santo: “[…] Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra”! Portanto, os que ouvem a Palavra do Senhor e a colocam em prática se tornam dóceis à ação do Espírito Santo e instrumentos dessa renovação da face da terra.
As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista (Sl 1).
O Santo Evangelho (Mt 11,16-19) compele-nos em especial a a nos mantermos em alerta para não nos tornarmos indiferentes e céticos com a Palavra de Deus, com os sinais divinos expressos de tantas formas… Tal indiferença e ceticismo se tornam barreira para usufruir a plenitude da graça em que se constituem os ensinamentos divinos proferidos por Jesus, que são o ápice de tudo o que contém as Sagradas Escrituras, estando os demais ensinamentos nela contidos em sintonia com eles. Cumpre-nos, pois, atuar com humildade, para que não se tornem escondidas de nós tais maravilhas por nos arrogarmos sábios e entendidos (Mateus 11,25).

Oração consolidadora do compromisso – 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência do que revela e nos empenhemos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece em especial nesta perícope (Is 48, 17-19) que vós sois nosso redentor e nos dais lições salutares, conduzindo-nos pelo bom caminho.
Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos mantenhamos atentos às vossas ordens, seguindo dia a dia vossas orientações divinas, formando assim como que pequenas nascentes de graça divina, que acumuladas ao longo do tempo formam um grande rio de graças, proporcionando indizível bem-estar a quem assim proceder, tornando o viver intensamente feliz, pujante, de grande vigor, inabalável, como as ondas do mar.
Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que atuemos com a consciência de que assim procedendo o viver adquire um sentido divino, impregnado de plenitude, que nos torna geradores de uma posteridade salutar, que honra o nome do Senhor Deus e transforma a história, fazendo com que o divino se torne cada vez mais presente no humano. Como se diz na oração de invocação do Espírito Santo: “[…] Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra!” Portanto, os que ouvem a vossa Palavra e a colocam em prática se tornam dóceis à ação do Espírito Santo e instrumentos dessa renovação da face da terra.
Fazemos coro com o louvor orante do salmista (Sl 1): Feliz o homem que não procede conforme o conselho dos ímpios, não trilha o caminho dos pecadores, nem se assenta entre os escarnecedores. 2. Feliz aquele que se compraz no serviço do Senhor e medita sua lei dia e noite. 3. Ele é como a árvore plantada na margem das águas correntes: dá fruto na época própria, sua folhagem não murchará jamais. Tudo o que empreende, prospera. 4. Os ímpios não são assim! Mas são como a palha que o vento leva. 5. Por isso não suportarão o juízo, nem permanecerão os pecadores na assembleia dos justos. 6. Porque o Senhor vela pelo caminho dos justos, ao passo que o dos ímpios leva à perdição.
Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos mantenhamos em alerta para não nos tornarmos indiferentes e céticos com a Palavra de Deus, com os sinais divinos expressos de tantas formas… Tal indiferença e ceticismo se tornam barreira para usufruir a plenitude da graça em que se constituem os ensinamentos divinos proferidos por Jesus, que são o ápice de tudo o que contém as Sagradas Escrituras, estando os demais ensinamentos nela contidos em sintonia com eles. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para atuar com humildade, para que não se tornem escondidas de nós tais maravilhas, por nos arrogarmos sábios e entendidos (Mateus 11,25). Cremos, Senhor, mas aumentai nossa fé!

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo
Esse é um passo individual, sendo os anteriores base, estímulo e impulso para dá-lo da forma mais elevada possível. A participação na Santa Missa (ou, alternativamente, assisti-la por meio eletrônico), a récita do Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais nos sentimos particularmente tocados (em especial invocando a proteção e orientação dos anjos) são práticas de importância fundamental! Prosseguir nas leituras abaixo também contribui para elevar-se a esse quarto degrau. Elas dão a conhecer a história de vida dos santos com seus exemplos de prática cristã. Proporcionam ainda a compenetração no teor das leituras destacadas nas orações da Liturgia das Horas (recomendamos recitar ou pelo menos ouvir essas orações em seus respectivos horários) – que consistem em estímulos para a santificação do dia. Além disso, recomendamos usufruir os infinitos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual. Cumpre-nos, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades de cada um, avançar na prática de orações mentais meditando leituras recomendadas para tal, bem como avançar na busca de ampliar o conhecimento da fé, da doutrina cristã expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos. São tesouros de inimaginável valor que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41).
EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – de Dezembro
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2023/12/santos-do-dia-da-igreja-catolica-15-de-dezembro/> ]

Santa Virgínia Centurione Bracelli
Virgínia, riquíssima, filha de um doge (governante) da República de Gênova, nasceu em 2 de abril de 1587. O pai, Jorge Centurioni, era um conselheiro da República. A mãe, Leila Spinola, era uma dama da sociedade, católica fervorosa e atuante nas obras de caridade aos pobres. Propiciou à filha uma infância reservada, pia e voltada aos estudos. Mesmo com vocação para a vida religiosa, Virgínia teve de casar, aos quinze anos, por vontade paterna, com Gaspar Grimaldi Bracelli, nobre também muito rico. Teve duas filhas, Leila e Isabela. Esposa dedicada, cuidou do marido na longa enfermidade que o acometeu, a tuberculose. Levou-o para a Alexandria, em busca da cura para a doença, o que não aconteceu. Gaspar morreu em 1607, feliz por ter sido sempre assistido por ela.
Ficou viúva aos vinte anos de idade. Assim jovem, entendeu o fato como um chamado direto de Deus para que ela o servisse através dos mais pobres. Por isso conciliou os seus deveres do lar, de mãe e de administradora com essa sua particular motivação. O objeto de sua atenção, e depois sua principal atividade, era a organização de uma rede completa de serviços de assistência social aos marginalizados. O intuito era que não tivessem qualquer possibilidade de ofender a Deus, dando-lhes condições para o trabalho e o sustento com suas próprias mãos.
Desenvolvia e promovia as “Obras das Paróquias Pobres” das regiões rurais, para as quais conseguia doações em dinheiro e roupas. Mais tarde, com as duas filhas já casadas, passou a dedicar-se também ao atendimento dos menores carentes abandonados, dos idosos e dos doentes. Fundou uma escola de treinamento profissional para os jovens pobres. Numa fria noite de inverno, quando à sua porta bateu uma menina abandonada pedindo acolhida, sentiu uma grande inspiração, que só pôs em prática após alguns anos de amadurecimento.
Finalmente, em 1626, doou todos os seus bens aos pobres, fundou as “Cem Damas da Misericórdia, Protetoras dos Pobres de Jesus Cristo” e entrou para a vida religiosa. Enquanto explicava o catecismo às crianças, pregava o Evangelho. As inúmeras obras fundadas encontravam um ponto de encontro nas chamadas “Obras de Nossa Senhora do Refúgio”, que instalou num velho convento do monte Calvário. Logo o local ficou pequeno para as “filhas” com hábito e as “filhas” sem hábito, todas financiadas pelas ricas famílias genovesas. Ela, então, fundou outra Casa, depois mais outra e, assim, elas se multiplicaram.
A sua atividade era incrível, só explicável pela fé e total confiança em Deus. Virgínia foi uma grande mística, mas diferente; agraciada com dons especiais, como êxtases, visões, conversas interiores – assimilava as mensagens divinas e as concretizava em obras assistenciais. No seu legado, não incluiu obras escritas. Morreu no dia 15 de dezembro de 1651, com sessenta e quatro anos de idade, com fama de santidade, na Casa-mãe de Carignano, em Gênova. A devoção aumentou em 1801, quando seu túmulo foi aberto e seu corpo encontrado intacto, como se estivesse apenas dormindo. Reavivada a fé, as graças por sua intercessão intensificaram-se em todo o mundo.
Duas congregações distintas e paralelas caminham pelo mundo, projetando o carisma de sua fundadora: a Congregação das Irmãs de Nossa Senhora do Refúgio no Monte Calvário, com sede em Gênova; e a Congregação das Filhas de Nossa Senhora do Monte Calvário, com sede em Roma.
Virgínia foi beatificada em 1985. O mesmo papa que a beatificou, João Paulo II, declarou-a santa em 2003. O seu corpo é venerado na capela da Casa-Mãe da Congregação, em Gênova, com uma festa especial no dia de sua morte. Mas suas “irmãs” e “filhas” também a homenageiam no dia 7 de maio, data em que santa Virgínia Centurione Bracelli vestiu hábito religioso.

Santa Nina ou Cristiana
No século IV, vivia, nas terras pagãs entre o Mar Negro e o Mar Cáspio – hoje território da Geórgia – uma jovem escrava cristã chamada Nina ou Nuné. Era o tempo do imperador Constantino, ela havia nascido na Capadócia, atual Turquia, e fora aprisionada por ocasião da invasão dos bárbaros nos confins orientais do Império Romano. Nina era uma escrava que demonstrava toda sua fé em Cristo, na alegria com que enfrentava as dificuldades e os sofrimentos.
Esse fato chamou a atenção dos pagãos com quem convivia. Assim, teve a oportunidade de ensinar a palavra de Cristo a todos os que a cercavam. Tornou-se tão conhecida que passaram a chamá-la de “Cristiana”, a serva cristã.
A antiga tradição russa narra que, certa vez, uma senhora procurou-a, pedindo que solicitasse a intervenção de Deus para que seu filho, gravemente enfermo, não morresse. Nina se ajoelhou aos pés da cama onde estava a criança e rezou com tanto fervor que o menino abriu os olhos, sorriu e levantou-se na frente de todos. Foi o bastante para que toda a região mostrasse interesse pela religião da serva de Cristo. Quanto mais prodígios ela promovia, mais catequizava e convertia os pagãos.
Até que um dia a rainha desse povo, chamada Nana, adoeceu gravemente e nenhum remédio conseguia fazê-la melhorar. Tentaram de tudo, nada resolvia. Então, alguém se lembrou dos chamados “poderes” da serva cristã. Como último recurso, foram sugeridos à rainha, que mandou chamá-la. Assim, essa humilde escrava foi ao palácio atender a rainha, levando consigo apenas a certeza de sua fé e a confiança de suas orações. Logo intercedeu e conseguiu de Deus a cura da soberana.
Enquanto ela se recuperava, seu marido, o rei Mirian, certo dia, saiu em comitiva para uma caçada. Mas o grupo acabou isolado no bosque devido a uma violentíssima tempestade. A situação era crítica, com trovões e raios incendiando árvores, pedras rolando e o forte vento movendo objetos que atingiam as pessoas. O pavor tomou conta de todos, clamaram por seus deuses, mas nada acontecia. Lembrando-se da rainha, o rei decidiu rezar para o Deus de Cristiana. Uma luz, então, foi vista saindo do céu, a tempestade cessou – e todos puderam regressar sãos e salvos à Corte. Nesse instante, o rei sentiu a fé invadir seu coração.
Ao voltar, procurou a escrava Nina e lhe pediu que falasse tudo o que sabia sobre sua religião. Acabou catequizado e convertido. Contudo os reis Mirian e Nana não podiam ser batizados, pois na Corte não havia nenhum bispo. Seguindo a orientação de Cristiana, o rei enviou esse pedido ao imperador Constantino. Nesse meio tempo, mandou construir a primeira igreja cristã, de acordo com uma planta feita sob orientação de Nina, já liberta. Quando chegou o primeiro bispo da Geórgia, acompanhado de um grupo de sacerdotes missionários, encontraram o povo já abraçando a doutrina cristã ensinados por Santa Nina – assim os fiéis já a chamavam, por força de sua piedade e prodígios de fé. Com facilidade, converteram a nação inteira, a partir da grande solenidade do batismo do casal real.
Depois, junto com o bispo, o rei Mirian e a rainha Nana construíram o Mosteiro Samtavro, anexo àquela igreja, onde mais tarde foram sepultados. Nele também viveu alguns anos santa Nina, que morreu no ano 330.
Venerada pelos fiéis como padroeira da Geórgia, suas relíquias estão guardadas na Catedral da Metiskreta, antiga capital do país. Seu culto foi confirmado, sendo realizado, no Oriente, em 14 de janeiro, enquanto a Igreja de Roma a comemora no dia 15 de dezembro.

Carlo Steeb (Bem-Aventurado)
Carlo nasceu na antiga cidade alemã de Tubingen em 18 de dezembro de 1773, numa família de luteranos convictos e praticantes. O pai era um administrador de empresas conceituado e muito competente, gerenciava os bens do duque de Wurttenberg, de quem a cidade herdou o nome atual.
A família lhe deu uma sólida instrução, numa boa e tradicional escola da cidade. Depois completou sua formação profissional em duas viagens ao exterior. Aos dezesseis anos foi para Paris aprender francês. Após dois anos, seguiu para Verona, onde aprendeu italiano e prática comercial.
Carlo era um rapaz reservado, amadurecido para a idade, que se dedicava totalmente aos estudos e ao trabalho. Era um protestante devoto e praticante, como todos na família, mas aos poucos foi apreciando as conversas profundas que mantinha com os sacerdotes e leigos católicos. Aprofundou-se na doutrina e se converteu, em 1792. Quatro anos depois, recebeu a ordenação sacerdotal, mas foi deserdado pela família.
Desde então, dedicou-se, com fé inabalável à Virgem Maria, no auxilio aos católicos enfermos vitimados durante a guerra que ocorria naquele tempo. Organizou grupos missionários para atender a população, promoveu exercícios espirituais aos irmãos leigos e sacerdotes e estabeleceu centros catequizadores. Assumiu com zelo a tarefa de reconduzir para a Igreja Católica os que seguiam outras doutrinas.
Dedicou sua vida ao alívio dos sofrimentos dos enfermos, sendo sempre encontrado no hospital, ou no asilo, onde residia com eles. Foi exatamente no Hospital dos Militares que padre Carlo teve a inspiração para fundar uma Congregação de religiosas, destinadas a servir nos hospitais.
Em 1840, contraiu o tifo. Nessa época, havia recuperado toda a herança paterna, com a morte de sua irmã Guilhermina; assim, resolveu fazer seu testamento. Recuperou-se, segundo ele, pela generosa intercessão da Virgem Maria. Naquele mesmo ano, fundou a Congregação das Irmãs da Misericórdia, destinada ao atendimento de qualquer tipo de doenças do físico e da alma, em hospitais e casas de saúde.
A Obra começou com apenas dois quartos, sustentada por ele com seu capital, e com o auxílio de Luisa Poloni, depois irmã Vincenza, de quem padre Carlo era confessor. Aliás, ele era o confessor de todos os habitantes de Verona, que o amavam como se fosse a “mãe dos doentes”. Depois, a Congregação se espalhou por quase toda a Europa, América Latina e África.
Padre Carlo morreu em 15 de dezembro de 1856. Foi sepultado na igreja da casa-mãe da Congregação, em Verona, Itália. O papa Paulo VI proclamou bem-aventurado Carlo Steeb em 1975, sendo homenageado no dia de sua morte.

Maria Vitória de Fornari Strata (Bem-Aventurada)
Maria Vitória não foi uma simples mulher. Filha, esposa, mãe, viúva e religiosa, ela atravessou todos os caminhos que lhe foram possíveis orientando-se nos preceitos do cristianismo.
Nasceu em Gênova, em 1562. Era a sétima dos nove filhos do casal Jerônimo e Bárbara, cristãos de vida bem austera. Embora quando criança acalentasse o sonho de tornar-se religiosa, teve de se casar aos dezessete anos. O noivo foi escolhido pela família, como de costume da época. Chamava-se Ângelo Strata e tiveram uma união feliz e muito harmoniosa. Mas o infortúnio chegou oito anos depois, com a morte de Ângelo.
Maria Vitória ficou viúva aos vinte e cinco anos de idade, com cinco filhos e mais um que nasceu um mês depois da fatalidade. Embora a tivesse deixado em boa situação financeira, ela passou imensas dificuldades. Essa crise a fez várias vezes desejar a morte, porém encontrou forças na fé, na oração e na penitência.
Mais tarde, quando as filhas já haviam ingressado num mosteiro e os filhos entraram para a Ordem dos Frades Mínimos de São Francisco de Assis, ela se entregou, definitivamente, à religião. Juntou-se com as damas Vicentina Lomellini Centurione, Maria Tacchini, Chiara Spinola e Cecília Pastori para fundar a Ordem das Irmãs da Anunciação Celeste.
O mosteiro foi preparado para elas num castelinho de Gênova por Bernardino Zanoni, marido de Vicentina. As Regras da Ordem determinavam às religiosas uma vida de íntima devoção à Virgem da Anunciação, com votos à piedade e caridade, em clausura absoluta.
Quando professou os votos e vestiu o hábito, como fundadora da nova Ordem, foi eleita superiora. Depois, por desejo próprio, entregou o cargo para exercer somente os trabalhos mais humildes.
Viveu nessa simplicidade e penitência mais cinco anos, até morrer em 15 de dezembro de 1617. O papa Leão XII declarou-a bem-aventurada em 1828.

ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 15/12/2023
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/opzioni.php>]
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA
Do Livro de Isaías 27, 1-13
A vinha do Senhor novamente cultivada
Naquele dia, o Senhor castigará, com a sua dura, grande e forte espada, Leviatã, a serpente fugidia, Leviatã, a serpente tortuosa, e matará o dragão que habita no mar. Naquele dia, entoai este cântico à vinha deliciosa: «Eu o Senhor, sou o seu guardião e rego-a a todo o momento; para que não a danifiquem, guardo-a noite e dia. Eu não estou indignado. Se houver silvas e cardos, hei de lutar contra eles e queimá-los-ei a todos. A não ser que procurem refúgio em mim e façam as pazes comigo; sim, que façam as pazes comigo». No futuro, Jacó lançará raízes, Israel produzirá rebentos e flores que encherão de frutos a superfície do globo. Porventura o feriu ele, como o fez aos que o feriam? Ou matou-o, como o fez aos que o matavam? Ele castigou-o com o desterro e a dispersão; repeliu-o com o seu sopro impetuoso, como em dia de vento leste. Assim será expiado o crime de Jacó, e este será o preço para a remissão do seu pecado: tratará todas as pedras dos seus altares como as pedras de cal que se pulverizam, e jamais hão de ressurgir os estacas e estelas. A cidade está solitária, é uma estância vazia e abandonada como um deserto. Aí vem pastar o vitelo, aí se deita e destrói as ramagens. Quando os ramos secam, são quebrados, e vêm as mulheres e deitam-nos ao fogo. Na verdade, este povo não tem discernimento, e por isso o seu Criador não terá compaixão dele, não lhe será favorável aquele que o formou. Naquele dia, o Senhor debulhará o trigo, desde o curso do rio até à torrente do Egito. E vós, filhos de Israel, sereis recolhidos um por um. Naquele dia, soará a grande trombeta e regressarão os que andaram dispersos pela terra da Assíria e os exilados na terra do Egito, e adorarão o Senhor no seu monte santo de Jerusalém.
SEGUNDA LEITURA
Do Tratado de Santo Ireneu, bispo, «Contra as heresias»
(Lib. 5, l9, 1; 20, 2; 21, 1: SC 153, 248-250. 260-264) (Sec. II)
Eva e Maria
O Senhor abraçou a condição humana e manifestou-se no mundo que era seu; a natureza humana sustentava o Verbo de Deus, mas era o Verbo que sustentava a natureza humana. Cristo veio recapitular a desobediência cometida junto à árvore do paraíso terrestre, mediante a sua obediência na árvore da Cruz. As consequências da maldita sedução com que foi enganada Eva, a virgem destinada ao primeiro homem, foram anuladas por meio da mensagem bendita da verdade que o Anjo trouxe a Maria, também ela virgem desposada com um homem.
E assim, enquanto Eva, seduzida pela mensagem de um anjo, desobedeceu à palavra divina e se afastou de Deus, Maria, ao contrário, guiada pela anunciação de outro anjo, obedeceu à palavra divina e mereceu trazer a Deus em seu seio. Aquela, portanto, deixou-se seduzir para não obedecer a Deus, e esta deixou-se persuadir a obedecer-lhe. Deste modo, a Virgem Maria tornou-se advogada da virgem Eva.
Recapitulando em si mesmo todas as coisas, o Senhor declarou guerra contra o nosso inimigo e venceu aquele que no princípio, por meio de Adão, havia feito de nós todos seus prisioneiros; e esmagou a sua cabeça, segundo estas palavras de Deus à serpente que se lêem no Gênesis: Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela; esta esmagará a tua cabeça enquanto tu tentarás ferir o seu calcanhar.
Com tais palavras, se proclama de antemão que aquele que havia de nascer da Mulher Virgem, feito homem como Adão, esmagaria a cabeça da serpente. É deste descendente que fala o Apóstolo na Epístola aos Gálatas: Subsistiu a Lei até chegar o descendente para quem tinha sido feita a promessa. Exprime-se ainda com mais clareza o Apóstolo na mesma Epístola, ao dizer: Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher. O inimigo não teria sido derrotado com justiça, se o seu vencedor não tivesse sido um homem nascido de mulher, pois que desde o princípio ele se tinha oposto ao homem, dominando-o por meio da mulher.
É por isso que o Senhor afirma ser o Filho do homem, recapitulando em si aquele primeiro homem de que foi plasmada a primeira mulher e, por meio dela, a humanidade; deste modo, se o gênero humano tinha sido precipitado na morte por causa de um homem vencido, agora ascendemos à vida por um homem vencedor.
ORAÇÃO DE LAUDES (NO INÍCIO DA MANHÃ)
LEITURA BREVE
Jer 30, 21.22
Assim fala o Senhor: Dos filhos de Jacó sairá um chefe, do meio deles sairá o seu soberano. Chamá-lo-ei, e ele se aproximará de mim. Vós sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus.
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Jer 29, 11.13
Eu conheço bem os desígnios que tenho sobre vós – diz o Senhor – desígnios de paz e não de aflição, de vos garantir um futuro de esperança. Buscar-me-eis e haveis de encontrar-me, se me buscardes de todo o coração.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Jer 30, 18
Eis o que diz o Senhor: Restaurarei as tendas de Jacó e terei compaixão das suas moradas.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Bar 3, 5-6a
Não recordeis, Senhor, as iniquidades dos nossos pais. Lembrai-vos agora do vosso poder e do vosso nome, porque sois o Senhor, nosso Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Pedro 3, 8b-9
Um dia diante do Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia. O Senhor não tardará em cumprir a sua promessa, como pensam alguns. Mas usa de paciência para convosco, e não quer que ninguém pereça, mas que todos possam arrepender-se.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Jer 14, 9
Estais no meio de nós, Senhor, e sobre nós foi invocado o vosso nome. Não nos abandoneis, Senhor nosso Deus.
confraria@catolicospraticantes.com.br
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos.
** O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária. Nestes estudos apresentamos o Salmo completo, a não ser que seja excessivamente extenso, e eventualmente inserimos algumas passagens suprimidas que reputamos importantes para a melhor compreensão e compenetração no ensinamento bíblico). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
*** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
**** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
***** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
