“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 04 DE JANEIRO DE 2024 – QUINTA FEIRA – TEMPO DO NATAL
4 de janeiro de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 06 DE JANEIRO DE 2024 – SÁBADO – ANTES DA EPIFANIA.
6 de janeiro de 2024
Concitamos que empregue especial empenho e dedicação em sorver o néctar espiritual potencializador da prática cristã no IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA), para sustento, remédio e fortalecimento espiritual. A leitura dos EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ e dos ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA complementam essa refeição espiritual. Sugerimos que, na medida das possibilidades, nos tempos livres do pensamento, escolha para assistir, conforme apetecer, como em um bufê, alguns dos vídeos disponibilizados, buscando aumentar a “ingestão” desses conteúdos e diminuir os “do mundo”. Que o Senhor derrame copiosas bênçãos sobre sua vida e seu organismo espiritual se fortaleça a cada dia mais para produzir preciosos frutos de vida cristã autêntica, com muita graça e unção!
Recomendamos vivamente que ouça a oração da manhã disponibilizada no link abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=XEmrTFeBWm0

SAUDAÇÃO
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

LITURGIA DIÁRIA
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4229-liturgia-de-05-de-janeiro-de-2024>]
Antífona da entrada
– Para os retos de coração surgiu nas trevas uma luz: o Senhor cheio de compaixão, justo e misericordioso (Sl 111,4).
Coleta
– Nós vos pedimos, Senhor, iluminai benigno os vossos fiéis e acendei seus corações com o esplendor da vossa glória, para reconhecerem sempre o seu Salvador e a ele aderirem fielmente. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e conosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: 1 Jo 3,11-21
Salmo Responsorial: Sl 99
– Aclamai o Senhor, ó terra inteira!
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Um dia sagrado brilhou para nós: nações vinde todas adorar o Senhor, pois hoje desceu grande luz sobre a terra.
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 1,43-51.
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)

Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz
As santas palavras da 1ª Leitura nos ensinam pelo escritor sagrado (1 Jo 3,11-21): Pois esta é a mensagem que tendes ouvido desde o princípio: que nos amemos uns aos outros. 12. Não façamos como Caim, que era do Maligno e matou seu irmão. E por que o matou? Porque as suas obras eram más, e as do seu irmão, justas. 13. Não vos admireis, irmãos, se o mundo vos odeia. 14. Nós sabemos que fomos trasladados da morte para a vida, porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte. 15. Quem odeia seu irmão é assassino. E sabeis que a vida eterna não permanece em nenhum assassino. 16. Nisto temos conhecido o amor: (Jesus) deu sua vida por nós. Também nós outros devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos. 17. Quem possuir bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como pode estar nele o amor de Deus? 18. Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas por atos e em verdade. 19. Nisto é que conheceremos se somos da verdade, e tranquilizaremos a nossa consciência diante de Deus, 20. caso nossa consciência nos censure, pois Deus é maior do que nossa consciência e conhece todas as coisas. 21. Caríssimos, se a nossa consciência nada nos censura, temos confiança diante de Deus (…)
As santas palavras do Salmo Responsorial apresentam o louvor orante do salmista (Sl 99): Salmo de ação de graças. Aclamai o Senhor, por toda a terra. 2.Servi o Senhor com alegria. Vinde, entrai exultantes em sua presença. 3.Sabei que o Senhor é Deus: ele nos fez, e a ele pertencemos. Somos o seu povo e as ovelhas de seu rebanho. 4.Entrai cantando sob seus pórticos, vinde aos seus átrios com cânticos; glorificai-o e bendizei o seu nome, 5.porque o Senhor é bom, sua misericórdia é eterna e sua fidelidade se estende de geração em geração.
O Santo Evangelho ensina-nos pelo Evangelista (Jo 1,43-51): No dia seguinte, tinha Jesus a intenção de dirigir-se à Galiléia. Encontra Filipe e diz-lhe: Segue-me. 44. (Filipe era natural de Betsaida, cidade de André e Pedro.) 45. Filipe encontra Natanael e diz-lhe: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei e que os profetas anunciaram: é Jesus de Nazaré, filho de José. 46. Respondeu-lhe Natanael: Pode, porventura, vir coisa boa de Nazaré? Filipe retrucou: Vem e vê. 47. Jesus vê Natanael, que lhe vem ao encontro, e diz: Eis um verdadeiro israelita, no qual não há falsidade. 48. Natanael pergunta-lhe: Donde me conheces? Respondeu Jesus: Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas debaixo da figueira. 49. Falou-lhe Natanael: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel .50. Jesus replicou-lhe: Porque eu te disse que te vi debaixo da figueira, crês! Verás coisas maiores do que esta. 51. E ajuntou: Em verdade, em verdade vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.

Compromisso – 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer
As santas palavras da liturgia deste dia compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura, de nos impregnarmos da consciência do que revela e nos empenharmos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece em especial nesta perícope (1 Jo 3,11-21) que cumpre-nos amar-nos uns aos outros, realizando obras de justiça, cientes de que fomos resgatados da morte para a vida pelo amor de Deus e cabe-nos amar nossos irmãos, pois caso contrário permaneceremos na morte. Cumpre-nos impregnar-nos da consciência de que aquele que odeia o seu irmão é assassino e a vida eterna não permanece em nenhum assassino. Conhecemos o verdadeiro amor, que foi dado a conhecer por Jesus, que deu a vida por nós. Cumpre-nos, pois, também dar a vida por nossos irmãos. E, sendo possuidores de bens neste mundo, cumpre-nos abrir o coração aos irmãos necessitados e assim estará conosco o amor de Deus, pois mais que com palavras e com a língua, cumpre-nos amar por atos e em verdade e assim viver com a consciência tranquila diante de Deus.
As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista (Sl 99).
O Santo Evangelho (Jo 1,43-51) compele-nos em especial a impregnar-nos da consciência de que Jesus de Nazaré, filho de José, é aquele de quem Moisés escreveu na lei e que os profetas anunciaram. Jesus percebeu a resistência de Natanael em crer nele e lhe disse ser uma pessoa em quem não se encontrava falsidade. Diante das palavras de Jesus Natanael afirmou: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel . Em seguida Jesus lhe disse que ele seria uma das testemunhas que veria o céu aberto e os anjos de Deus descendo e subindo sobre ele.
Oração consolidadora do compromisso – 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, iIluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência do que revela e nos empenhemos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece em especial nesta perícope (1 Jo 3,11-21) que cumpre-nos amar-nos uns aos outros, realizando obras de justiça, cientes de que fomos resgatados da morte para a vida pelo vosso amor e cabe-nos amar nossos irmãos, pois caso contrário permaneceremos na morte. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência de que aquele que odeia o seu irmão é assassino e a vida eterna não permanece em nenhum assassino. Conhecemos o verdadeiro amor, que foi dado a conhecer por Jesus, que deu a vida por nós. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência de que cumpre-nos também dar a vida por nossos irmãos e, sendo possuidores de bens neste mundo, abrir o coração aos irmãos necessitados, pois assim estará conosco o amor de Deus. Mais que com palavras e com a língua, cumpre-nos amar por atos e em verdade e assim viver com a consciência tranquila diante de Deus. Fazemos coro com o louvor orante do salmista (Sl 99): Salmo de ação de graças. Aclamai o Senhor, por toda a terra. 2. Servi o Senhor com alegria. Vinde, entrai exultantes em sua presença. 3. Sabei que o Senhor é Deus: ele nos fez, e a ele pertencemos. Somos o seu povo e as ovelhas de seu rebanho. 4. Entrai cantando sob seus pórticos, vinde aos seus átrios com cânticos; glorificai-o e bendizei o seu nome, 5. porque o Senhor é bom, sua misericórdia é eterna e sua fidelidade se estende de geração em geração. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência de que, conforme disse Felipe a Natanael, Jesus de Nazaré, filho de José, é aquele de quem Moisés escreveu na lei e que os profetas anunciaram. Jesus percebeu a resistência de Natanael em crer nele e lhe disse ser uma pessoa em quem não se encontrava falsidade. Diante das palavras de Jesus Natanael afirmou: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel . Em seguida Jesus lhe disse que ele seria uma das testemunhas que veria o céu aberto e os anjos de Deus descendo e subindo sobre ele. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que sejamos anunciadores eficazes da vossa santa Palavra, fiéis seguidores de Cristo, gradual e progressivamente mais unidos a ele em sua missão de fazer a ponte entre o Céu e a Terra, de modo que o divino interpenetre cada vez mais o humano! Cremos, Senhor, mas aumentai a nossa fé!
4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo
Esse é um passo individual, sendo os anteriores base, estímulo e impulso para dá-lo da forma mais elevada possível. A participação na Santa Missa (ou, alternativamente, assisti-la por meio eletrônico), a récita do Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais nos sentimos particularmente tocados (em especial invocando a proteção e orientação dos anjos) são práticas de importância fundamental! Prosseguir nas leituras abaixo também contribui para elevar-se a esse quarto degrau. Elas dão a conhecer a história de vida dos santos com seus exemplos de prática cristã. Proporcionam ainda a compenetração no teor das leituras destacadas nas orações da Liturgia das Horas (recomendamos recitar ou pelo menos ouvir essas orações em seus respectivos horários) – que consistem em estímulos para a santificação do dia. Além disso, recomendamos usufruir os infinitos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual. Cumpre-nos, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades de cada um, avançar na prática de orações mentais meditando leituras recomendadas para tal, bem como avançar na busca de ampliar o conhecimento da fé, da doutrina cristã expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos. São tesouros de inimaginável valor que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41).
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 05de Janeiro
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/01/santos-do-dia-da-igreja-catolica-05-de-janeiro/>]

Santo João Nepomuceno Neuman
João Nepomuceno nasceu na Boêmia, atual Eslováquia, no dia 28 de março de 1811, filho de Felipe Neumann e Agnes Lebis. Freqüentou a escola em sua cidade natal e entrou para o seminário em 1831. Era autodidata, por isto, sua educação acadêmica foi aprimorada com o domínio e fluência de vários idiomas.
João completou a preparação para o sacerdócio em 1835. Desejava ser padre logo, porém o bispo suspendeu as ordenações, pelo excesso de padres nas dioceses da Boêmia. Mas João não desistiu. Aprendeu inglês trabalhando, e escreveu aos bispos dos Estados Unidos. A resposta veio do bispo de Nova Iorque. João abandonou a família e cruzou o oceano para ser sacerdote, atendendo ao chamado de Deus, numa terra nova e distante.
A diocese nova-iorquina possuía apenas três dúzia de padres para mais de duzentos mil católicos. Padre João recebeu uma paróquia onde a igreja não tinha torre e o chão era de terra. Mas isso não o preocupava muito, pois ele passava o seu tempo visitando doentes, ensinando e evangelizando.
Padre João tinha a intenção de participar de uma congregação, por isto procurou padres redentoristas, que se dedicavam aos pobres e abandonados. Foi aceito e ingressou na Congregação e se tornou o primeiro padre ordenado no novo continente a professar as Regras dos redentoristas na América, em 1842. Sua fluência de idiomas o qualificou para o trabalho na sociedade americana composta de muitas línguas, no século dezenove.
Em 1847 foi eleito pela Congregação o superior geral dos redentoristas nos Estados Unidos. João ocupou o cargo durante dois anos, quando a fundação americana passava por um período difícil de adaptação. Deixou a função com os padres redentoristas bem preparados para serem uma congregação autônoma, o que ocorreu em 1850.
O Padre Neumann foi nomeado Bispo de Filadélfia em 1852. Sua diocese era muito grande e se desenvolvia com muita rapidez. Por isto, decidiu introduzir no país a educação católica. Organizou um sistema diocesano de escolas católicas, fundou a congregação das Irmãs da Ordem Terceira de São Francisco para ensinarem nas escolas, que na sua diocese em pouco tempo duplicaram. Padre João construiu mais de oitenta igrejas durante o seu bispado, dentre elas iniciou a catedral de São Pedro e São Paulo.
Padre João Neumann era um homem de estatura pequena e de saúde frágil, mas sempre se manteve muito ativo. Além das obrigações pastorais, achou tempo para a atividade literária. Ele escreveu inúmeros artigos em revistas e jornais católicos; publicou dois catecismos e uma história da Bíblia para as escolas.
Ele morreu de repente enquanto caminhava pela rua de sua cidade episcopal. Era 5 de janeiro de 1860. O papa Paulo VI o beatificou em 1963 e foi canonizado pelo mesmo papa no dia 17 de junho de 1977, em Roma. Na cerimônia, assistida por uma multidão de fiéis americanos que fizeram a mesma rota marítima do Santo João Nepomuceno Neumann, só que em sentido inverso, o Papa decretou o dia 5 de janeiro para seu culto litúrgico.

São Simeão
Simeão nasceu em 390, na cidade de Cilícia, atual Síria. Sua família era humilde e muito religiosa. Até a adolescência trabalhou como ajudante de seu pai no trato do gado. Era um jovem muito inteligente e perspicaz, possuía um temperamento dramático e as vezes exagerado, mesmo preferindo a vida solitária. Tinha o hábito de ler o Evangelho, enquanto cuidava do rebanho, depois ia pedir explicações a um velho sacerdote que já percebera a vocação monástica de Simeão.
Certo dia, durante o sermão de uma missa, o sacerdote falou sobre a vida dos santos e fiéis. Explicou que a oração contínua, a vigília, o jejum, a humilhação e o sofrimento eram o caminho para a verdadeira felicidade, junto ao Pai Eterno. Simeão neste momento, sentiu que queria se devotar completamente a Deus.
Seguindo o seu íntimo, se dirigiu para o mosteiro mais próximo e, depois de passar alguns dias jejuando na porta, foi admitido pelos monges. Não ficou muito tempo porque até os monges acostumados às penitencias mais severas, ficaram assustados com os castigos que Simeão se impunha. No final de dois anos foi dispensado da comunidade.
Então, foi para o severo mosteiro de Heliodoro, onde aumentou ainda mais suas penitências. Alí permaneceu durante dez anos. O seu exemplo preocupava o superior da comunidade. Entretanto, Simeão decidiu amarrar uma corda áspera no corpo todo, para aumentar ainda mais o seu sofrimento. Esta atitude começou a chamar a atenção dos outros religiosos. Por isto, o superior o convidou a deixar o mosteiro, para impedir que outros monges resolvessem seguir o exemplo desta penitência.
Simeão decidiu ser um ermitão. Seguiu rumo ao topo do Monte Tesalissa, onde existia uma comunidade de pessoas que viviam isoladas e rezando. Morou ali, fazendo abstinência total durante quarenta dias, não apenas na Quaresma. Depois, de três anos foi para o ponto mais alto e construiu um claustro com pedras sem teto e se acorrentou no pescoço e no pé direito, prendendo a outra ponta da pesada corrente numa rocha. Ao saber da situação o vigário, o aconselhou a apenas alimentar sua força de vontade e deixar o exagero de lado, no que Simeão obedeceu.
A partir de então, Simeão era chamano de “o estilista”, que vem da palavra grega sytilos e que significa coluna. Seus atos atraiam muitos fiéis ao local, que desejavam ouvir seus conselhos, seus discursos sobre o Evangelho e pedir por seus prodígios. Por sete anos converteu muitos pagãos, mas precisava de mais isolamento. Então Simeão decidiu construir uma coluna alta com uma base em cima para morar. De tempo em tempo, ele aumentava a altura da coluna, que atingiu a altura de dezoito metros no final dos vinte e sete anos vividos ali.
Simeão morreu sobre o local em posição de oração, no dia 5 de janeiro de 453. Sua festa acontece neste dia, desde o ano em que morreu, e se propagou por todo o mundo católico com muita rapidez. A Igreja o canonizou e manteve a data da sua comemoração.

Santa Emiliana
Emiliana era uma das tias paternas de Gregório Magno, que foi papa entre 590 a 604. As outras eram Tarsila e Jordâna. Elas pertenciam a uma das famílias mais ilustres de Roma. Entre seus avós estão o imperador Olívio, o papa São Félix III. O senador Jordão era seu irmão e pai de Gregório Magno.
Porém de Emiliana se tem pouquíssima informação. Muito menos do que se conhece sobre sua irmã Tarsila e talvez um pouco mais que Jordâna. O seu nome foi encontrado no século onze, no Martirologio local e depois do Concílio de Trento, foi inserido no oficial da Igreja. A única fonte genuína sobre sua vida foi os relatos do seu sobrinho, o papa Gregório Magno. Mas, ele registrava a vida dos parentes com muito poucos dados e apenas quando lhe serviam como exemplos concretos, para tornar mais eficiente o seu ensinamento.
Emiliana e as irmãs ajudaram a cunhada Sílvia no nascimento do pequeno Gregório, que sempre teve saúde frágil. Depois, enquanto viveram, o acompanharam nos estudos e nos trabalhos. Gregório, ainda jovem, se tornou chefe da administração civil de Roma. Mais tarde, se tornou embaixador do papa Pelágio II e ao mesmo tempo monge, guia de uma pequena comunidade religiosa, recolhida em sua residência na cidade de Célio. De lá Gregório saiu para ser papa.
Neste período Tarsila havia se tornado uma freira voltada para a vida reclusa e Jordâna se casou. Emiliana também se tornou freira, seguiu a linha das religiosas ocidentais, ou seja, não isolada na reclusão espiritual, mas dedicada à vida comunitária de ajuda aos doentes e necessitados, voltada para a castidade e as orações contínuas.
Neste terrível século VI, cheio de sobressaltos da natureza, com terremotos, pestes, guerras, invasões e um contínuo afluir de miseráveis em Roma; a caridade se tornava tarefa habitual também para as irmãs freiras. Trabalhavam em dupla, Tarsila reclusa guiando e comandando, enquanto Emiliana atuava junto à população pobre e aos doentes.
Emiliana, segundo registrou o papa Gregório Magno, foi uma das mais atuantes religiosas e de quem os exemplos à dedicação a Cristo deviam ser copiados, pois amava o próximo verdadeiramente através da caridade evangélica e tendo Jesus como seu eterno esposo.
Existiu apenas um fato prodigioso na sua vida relatado por Gregório Magno. Ele afirmou que dias após a morte da irmã, a tia Emiliana ouviu a voz dela dizendo: “Passei o Natal sem voce, mas quero que venha festejar comigo a Epifania”. De fato, Emiliana, morreu no dia 5 de janeiro, sucessivo à morte de Tarsila, na véspera da comemoração dos Reis Magos.
Conforme consta do calendário litúrgico da Igreja, o culto de Santa Emiliana foi mantido no dia 5 de janeiro, que com o tempo se tornou mais intenso que o de sua irmã Tarsila.

Santa Amélia
Amélia viveu no século IV e seu nome tem uma origem incerta. Pode ter vindo do germânico Amelberga, que significa amiga protetora; ou derivar do grego Amalh (amále), cujo sinônimo é terna, delicada, sensível. E se nos deixarmos levar apenas pelo som do nome, veremos nos remete ao amor.
Amélia pertence a um numeroso grupo de mártires cristãos, que são fervorosamente lembrados pela Igreja. De sua vida não se sabe praticamente nada. Ela morreu no dia 5 de janeiro na cidade de Gerona, na Catalunha, Espanha.
Esta notícia foi trazida para a tradição católica, de um antigo Breviário de Gerona que possibilitou sua localização no período entre os anos de 243 a 313, do governo do imperador romano Diocleciano, que patrocinou a implacável perseguição aos cristãos.
Em 1336, o bispo de Gerona, descobriu as relíquias mortais dos mártires e dedicou à eles um altar na catedral da cidade. Depois através dos séculos estes mártires, elencados naquela longa lista conhecida como Martirológio Geronimiano, passaram a ser celebrados em vários grupos e em datas diferentes.
Isto porque, de alguns deles, além do referido Martirológio, outros documentos e as inscrições das lápides, revelaram o nome e mais alguma informação. Ao que parece todos seriam africanos, mas também não se tem certeza. A exceção de São Paolino e Sicio, com festa no dia 31 de maio, que eram antíoques.
Assim, o nome de Santa Amélia, nos reporta em todos os sentidos ao amor. Ela serve de exemplo para todos os peregrinos que procuram a igreja da catedral de Gerona, para reverenciar sua memória, agradecendo as graças alcançadas por sua intercessão. Aos devotos, ela lembra que na vocação cristã o martírio aparece como uma possibilidade pré anunciada na Revelação, que nunca deve ser esquecida durante a própria vida.
O mártir, sem dúvida, é o sinal daquele amor maior que contém em si todos os outros valores. A sua existência reflete a palavra suprema, pronunciada por Cristo na cruz: “Perdoa-lhes, ó Pai, porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34).
O culto litúrgico à Santa Amélia, no dia 5 de janeiro, foi mantido como indica o Martirológio. Ela que com o seu testemunho mostrou o que é o verdadeiro amor cristão, pois anunciou o Evangelho, dando a vida por amor.

ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 05/01/2023
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Da Epístola aos Colossenses 4, 2-18
Conclusão da epístola
Irmãos: Sede perseverantes na oração; ela vos mantenha vigilantes, em ação de graças. Orai também por nós, para que Deus abra caminho à nossa pregação, a fim de anunciarmos o mistério de Cristo, por causa do qual estou preso, a fim de que eu possa manifestá-lo falando como devo.
Procedei com sabedoria com os de fora, aproveitando bem o tempo presente. A vossa linguagem seja sempre agradável, temperada com sal, de modo que saibais como responder a cada um.
O caríssimo irmão Tíquico, fiel auxiliar e companheiro de serviço no Senhor, vos dará a conhecer tudo o que me diz respeito. Eu vo-lo envio, para vos dar notícias minhas e para confortar os vossos corações; vai com Onésimo, meu fiel e caríssimo irmão, que é vosso conterrâneo. Eles vos informarão de tudo o que aqui se passa.
Saúda-vos Aristarco, meu companheiro de prisão, bem como Marcos, primo de Barnabé, sobre o qual recebestes instruções; se for ter convosco, dai-lhe bom acolhimento. Também vos saúda Jesus, que é chamado Justo. Dos da circuncisão, são estes os únicos que trabalham comigo para o reino de Deus; têm sido a minha consolação.
Saúda-vos Epafras, que é vosso compatriota, servo de Jesus Cristo, sempre solícito por vós nas suas orações, para que permaneçais firmes, perfeitos e plenamente decididos a cumprir toda a vontade de Deus. Posso dar acerca dele o seguinte testemunho: tem trabalhado muito por vós, pelos de Laodiceia e pelos de Hierápoles. Saúdam-vos Lucas, o querido médico, e Demas.
Saudai os irmãos de Laodiceia, bem como Ninfas e a Igreja que se reúne em sua casa. Quando tiverdes lido esta carta, fazei que se leia igualmente na Igreja de Laodiceia; e vós procurai ler também a que vier de Laodiceia. Dizei ainda a Arquipo: «Cuida de cumprir bem o ministério que recebeste do Senhor».
A saudação é do meu punho: Paulo. Lembrai-vos das minhas algemas. A graça esteja convosco.
SEGUNDA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo
(Sermo 194, 3-4 PL 38, 1016-1017) (Sec. V)
Seremos saciados com a visão do Verbo
Quem poderá conhecer todos os tesouros de sabedoria e de ciência ocultos em Cristo e escondidos na pobreza da sua carne? Ele, sendo rico, por nós Se fez pobre, a fim de que nos tornássemos ricos com a sua pobreza. Quando assumiu a condição mortal e experimentou a morte, manifestou-Se na pobreza da condição humana; mas com isso garantiu-nos a promessa das suas riquezas, que tinha deixado mas não perdido.
Como é grande a riqueza da sua bondade, que reserva para aqueles que O temem e comunica aos que n’Ele esperam!
Agora o nosso conhecimento é ainda imperfeito e incompleto, até que chegue o que é completo e perfeito. Para nos tornar capazes desta perfeição futura, Ele, que era igual ao Pai na forma de Deus, fez-Se semelhante a nós na forma de servo, a fim de nos renovar à semelhança de Deus; Ele, Filho Unigénito de Deus, fez-Se Filho do homem, para converter muitos filhos dos homens em filhos de Deus; e, promovendo a nossa condição de servos com a sua forma visível de servo, tornou-nos livres e capazes de contemplar a forma de Deus.
Somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos como Ele é. Que são aqueles tesouros de sabedoria e de ciência, para que servem aquelas riquezas divinas, senão para satisfazer a nossa pobreza? Para quê aquela imensa riqueza de bondade, senão para nos saciar?
Portanto: Mostrai-nos o Pai e isso nos basta. E em certo salmo, é um de nós, ou em nós, ou por nós, que diz ao Senhor: Serei saciado, quando se manifestar a vossa glória. Ele e o Pai são um só e quem O vê vê o Pai. Portanto, Ele é o Senhor dos Exércitos, o Rei da glória. Voltando-Se para nós, Ele nos mostrará o seu rosto e seremos salvos e saciados; e isso nos bastará.
Enquanto isto não acontece, enquanto não nos mostrar o que nos basta, enquanto não pudermos beber e saciar-nos daquela fonte da vida que é Ele mesmo, enquanto caminhamos na fé, como peregrinos, longe d’Ele, enquanto temos fome e sede de justiça e anelamos com ardor inefável contemplar a beleza de Cristo na forma de Deus, celebremos com devoção o nascimento de Cristo na forma de servo.
Se não podemos ainda contemplar Aquele que foi gerado pelo Pai antes da aurora, festejemos o seu nascimento da Virgem em plena noite. Se não podemos ainda compreender Aquele cujo nome é eterno e permanece acima do sol, reconheçamos como levantou a sua tenda no sol.
Se não podemos ainda contemplar o Unigénito que permanece no Pai, recordemos o Esposo saindo do seu tálamo. Se não estamos ainda preparados para o banquete do nosso Pai, reconheçamos o presépio de nosso Senhor, Jesus Cristo.
LEITURA BREVE
Sab 7, 26-27
Sabedoria é o esplendor da luz eterna, o espelho puríssimo da atividade de Deus, a imagem da sua bondade. Sendo única, tudo pode; imutável em si mesma, renova todas as coisas. Ela comunica-se, de geração em geração, pelas almas santas e forma os amigos de Deus e os profetas.
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Ez 20, 41-42a
Hei de receber-vos como perfume agradável, quando vos tiver tirado de entre os povos e vos reunir dos países por onde andáveis dispersos. Manifestarei em vós a minha santidade e sabereis que Eu sou o Senhor.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Ez 34, 11-12
Eu próprio irei em busca das minhas ovelhas e hei de encontrá-las. Como o pastor que vigia o rebanho, quando estiver no meio das ovelhas que andavam tresmalhadas, assim Eu guardarei as minhas ovelhas, para as tirar de todos os sítios em que andavam desgarradas.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Miq 2, 12
Eu hei de reunir-te, Jacó; hei de congregar os teus sobreviventes, Israel. Vou reuni-los como ovelhas no aprisco, como rebanho no seu redil.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
1 Jo 5, 20
Sabemos que veio o Filho de Deus e nos deu inteligência para conhecermos o Verdadeiro. Nós estamos no Verdadeiro, por seu Filho, Jesus Cristo, que é o Deus verdadeiro e a Vida eterna.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Jer 14, 9
Estais no meio de nós, Senhor, e sobre nós foi invocado o vosso nome. Não nos abandoneis, Senhor nosso Deus.
confraria@catolicospraticantes.com.br
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos.
** O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária. Nestes estudos apresentamos o Salmo completo, a não ser que seja excessivamente extenso, e eventualmente inserimos algumas passagens suprimidas que reputamos importantes para a melhor compreensão e compenetração no ensinamento bíblico). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
*** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
**** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
***** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
