“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 09 DE JANEIRO DE 2024 – TERÇA FEIRA – I SEMANA DO TEMPO COMUM
9 de janeiro de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 11 DE JANEIRO DE 2024
11 de janeiro de 2024QUARTA-FEIRA – I SEMANA DO TEMPO COMUM
Concitamos que empregue especial empenho e dedicação em sorver o néctar espiritual potencializador da prática cristã no IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA), para sustento, remédio e fortalecimento espiritual. A leitura dos EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ e dos ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA complementam essa refeição espiritual. Sugerimos que, na medida das possibilidades, nos tempos livres do pensamento, escolha para assistir, conforme apetecer, como em um bufê, alguns dos vídeos disponibilizados, buscando aumentar a “ingestão” desses conteúdos e diminuir os “do mundo”. Que o Senhor derrame copiosas bênçãos sobre sua vida e seu organismo espiritual se fortaleça a cada dia mais para produzir preciosos frutos de vida cristã autêntica, com muita graça e unção!
Recomendamos vivamente que ouça a oração da manhã disponibilizada abaixo:

SAUDAÇÃO
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

LITURGIA DIÁRIA
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4234-liturgia-10-de-janeiro-de-2024>]
Antífona da entrada
– Vi um homem sentado num trono excelso; a multidão dos anjos o adora, cantando a uma só voz: Eis aquele cujo nome e império permanecem eternamente.
Coleta
– Senhor, atendei com bondade paterna as preces do vosso povo suplicante, dai-lhe luz para ver o que deve ser feito e coragem para realizar o que viu. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: 1Sm 3,1-10.19-20
Salmo Responsorial: Sl 39,2.5.7-10
– Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor.
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem (Jo 10,27).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 1,29-39.
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)

Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz
As santas palavras da 1ª Leitura nos ensinam pelo escritor sagrado (1Sm 3,1-10.19-20): O jovem Samuel servia ao Senhor sob os olhos de Heli. a palavra do Senhor era rara naqueles dias, e as visões não eram frequentes. 2. Ora, aconteceu certo dia que Heli estava deitado (seus olhos tinham-se enfraquecido, e ele mal podia ver), 3. e a lâmpada de Deus ainda não se apagara. Samuel repousava no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus. 4. O Senhor chamou Samuel, o qual respondeu: Eis-me aqui. 5. Samuel correu para junto de Heli e disse: Eis-me aqui: chamaste-me. Não te chamei, meu filho, torna a deitar-te. Ele foi e deitou-se. 6. O Senhor chamou de novo Samuel. Este levantou-se e veio dizer a Heli: Eis-me aqui, tu me chamaste. Eu não te chamei, meu filho, torna a deitar-te. 7. Samuel ainda não conhecia o Senhor; a palavra do Senhor não lhe tinha sido ainda manifestada. 8. Pela terceira vez o Senhor chamou Samuel, que se levantou e foi ter com Heli: Eis-me aqui, tu me chamaste. Compreendeu então Heli que era o Senhor quem chamava o menino. 9. Vai e torna a deitar-te, disse-lhe ele, e se ouvires que te chamam de novo, responde: Falai, Senhor; vosso servo escuta! Voltou Samuel e deitou-se. 10. Veio o Senhor pôs-se junto dele e chamou-o como das outras vezes: Samuel! Samuel! Falai, respondeu o menino; vosso servo escuta! […] 19. Samuel crescia, e o Senhor estava com ele. Ele não negligenciava nenhuma de suas palavras. 20. Todo o Israel, desde Dã até Bersabéia, reconheceu que Samuel era um profeta do Senhor.
As santas palavras do Salmo Responsorial apresentam o louvor orante do salmista (Sl 39,2.5.7-10): Esperei no Senhor com toda a confiança. Ele se inclinou para mim, ouviu meus brados. […] 5. Feliz o homem que pôs sua esperança no Senhor, e não segue os idólatras nem os apóstatas. […] 7. Não vos comprazeis em nenhum sacrifício, em nenhuma oferenda, mas me abristes os ouvidos: não desejais holocausto nem vítima de expiação. 8. Então eu disse: Eis que eu venho. No rolo do livro está escrito de mim: 9. fazer vossa vontade, meu Deus, é o que me agrada, porque vossa lei está no íntimo de meu coração. 10. Anunciei a justiça na grande assembleia, não cerrei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.
O Santo Evangelho ensina-nos pelo Evangelista (Mc 1,29-39): Assim que saíram da sinagoga, dirigiram-se com Tiago e João à casa de Simão e André. 30. A sogra de Simão estava de cama, com febre; e sem tardar, falaram-lhe a respeito dela. 31. Aproximando-se ele, tomou-a pela mão e levantou-a; imediatamente a febre a deixou e ela pôs-se a servi-los. 32. À tarde, depois do pôr-do-sol, levaram-lhe todos os enfermos e possessos do demônio. 33. Toda a cidade estava reunida diante da porta. 34. Ele curou muitos que estavam oprimidos de diversas doenças, e expulsou muitos demônios. Não lhes permitia falar, porque o conheciam. 35. De manhã, tendo-se levantado muito antes do amanhecer, ele saiu e foi para um lugar deserto, e ali se pôs em oração. 36. Simão e os seus companheiros saíram a procurá-lo. 37. Encontraram-no e disseram-lhe: “Todos te procuram.” 38. E ele respondeu-lhes: “Vamos às aldeias vizinhas, para que eu pregue também lá, pois, para isso é que vim.” 39. Ele retirou-se dali, pregando em todas as sinagogas e por toda a Galiléia, e expulsando os demônios.

Compromisso – 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer
As santas palavras da liturgia do dia 10 de janeiro de 2024 compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura, de nos impregnarmos da consciência do que revela e nos empenharmos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece em especial nesta perícope (1Sm 3,1-10.19-20) sobre o chamado divino de Samuel. Que a seu exemplo, digamos também: “Falai, Senhor; vosso servo escuta!” – e cresçamos em sabedoria, buscando a presença de Deus, não negligenciando nenhuma de suas palavras!
As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista (Sl 39,2.5.7-10).
O Santo Evangelho (Mc 1,29-39) compele-nos em especial a confiar em Jesus, pois ele pode curar de toda enfermidade e libertar de todos os males e infestações demoníacas. Que em conformidade com seu exemplo, nos disponhamos a recolher-nos para pôr-nos em oração e a sairmos de nosso comodismo, indo avante, por todos os lugares que o Espírito Santo inspirar, falando de Jesus e de seu Evangelho, contribuindo para que mais e mais pessoas possam acessar o conhecimento de Deus e usufruir os seus maravilhosos efeitos!

Oração consolidadora do compromisso – 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência do que revela e nos empenhemos para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina que emana das santas palavras da liturgia do dia 10 de janeiro de 2024, que esclarece em especial em 1 Samuel 3,1-10.19-20 sobre o chamado divino de Samuel. Que a seu exemplo, digamos também: “Falai, Senhor; vosso servo escuta!” – e cresçamos em sabedoria, buscando a vossas presença, não negligenciando nenhuma de vossas palavras! Fazemos coro com o louvor orante do salmista (Sl 39,2.5.7-10): Esperei no Senhor com toda a confiança. Ele se inclinou para mim, ouviu meus brados. […] 5. Feliz o homem que pôs sua esperança no Senhor, e não segue os idólatras nem os apóstatas. […] 7. Não vos comprazeis em nenhum sacrifício, em nenhuma oferenda, mas me abristes os ouvidos: não desejais holocausto nem vítima de expiação. 8. Então eu disse: Eis que eu venho. No rolo do livro está escrito de mim: 9. fazer vossa vontade, meu Deus, é o que me agrada, porque vossa lei está no íntimo de meu coração. 10. Anunciei a justiça na grande assembleia, não cerrei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que a cada dia mais façamos a vossa vontade e não calemos frente às injustiças, mas sejamos anunciadores da vossa justiça! Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que, conforme inspira o Evangelho de Marcos 1,29-39, a cada dia mais confiemos em Jesus, pois ele pode curar de toda enfermidade e libertar de todos os males e infestações demoníacas. Que em conformidade com seu exemplo, nos disponhamos a recolher-nos para pôr-nos em oração e a sairmos de nosso comodismo, indo avante, por todos os lugares que o Espírito Santo inspirar, falando de Jesus e de seu Evangelho, contribuindo para que mais e mais pessoas possam acessar o conhecimento de Deus e usufruir os seus maravilhosos efeitos! Cremos, Senhor, mas aumentai a nossa fé!

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo
Esse é um passo individual, sendo os anteriores base, estímulo e impulso para dá-lo da forma mais elevada possível. A participação na Santa Missa (ou, alternativamente, assisti-la por meio eletrônico), a récita do Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais nos sentimos particularmente tocados (em especial invocando a proteção e orientação dos anjos) são práticas de importância fundamental! Prosseguir nas leituras abaixo também contribui para elevar-se a esse quarto degrau. Elas dão a conhecer a história de vida dos santos com seus exemplos de prática cristã. Proporcionam ainda a compenetração no teor das leituras destacadas nas orações da Liturgia das Horas (recomendamos recitar ou pelo menos ouvir essas orações em seus respectivos horários) – que consistem em estímulos para a santificação do dia. Além disso, recomendamos usufruir os infinitos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual. Cumpre-nos, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades de cada um, avançar na prática de orações mentais meditando leituras recomendadas para tal, bem como avançar na busca de ampliar o conhecimento da fé, da doutrina cristã expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos. São tesouros de inimaginável valor que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41).
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – de Janeiro
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/01/santos-do-dia-da-igreja-catolica-10-de-janeiro/>]

Santa Léonie Françoise de Sales Aviat
Léonie Aviat nasceu no dia 16 de setembro de 1844 na cidade francesa de Sézanne. Seus pais eram católicos praticantes e honestos comerciantes. Ao completar dez anos eles a enviaram para o colégio das Madres da Visitação da cidade de Troyes. Léonie ficou durante seis anos, onde recebeu a Primeira Eucaristia e a Crisma e sob a sábia orientação do capelão Luiz Brisson e da superiora, recebeu uma educação humanística, uma profunda formação religiosa e moral e foi iniciada na doutrina salesiana de abandono à Divina Providência.
Em 1866 Léonie rejeitou um vantajoso matrimônio expressando o desejo sincero de dedicar sua vida a Jesus Cristo. Com autorização dos pais, ela foi visitar o padre Brisson a fim de se aconselhar. A cidade de Troyes nesta época tinha se tornado um polo de indústrias têxteis que atraíam a mão de obra do campo para o centro urbano. Atento a esta situação e sensível às necessidades das adolescentes camponesas, que deixavam suas famílias em busca de trabalho promissor, o padre Brisson, desde 1858, havia fundado a Obra São Francisco de Sales: uma casa-família que acolhia e assegurava a assistência e educação cristã àquelas jovens operárias. Porém, como era difícil encontrar, para esta casa-família, uma diretora estável, padre Brisson havia decidido fundar uma congregação religiosa.
Durante a visita de Léonie, o experiente padre expôs esta situação e encontrou nos anseios da jovem um sinal de Deus. Colocou Léonie na direção da casa-família. Em 1868 ele fundou a congregação para continuar de forma organizada a sua obra para as operárias e Léonie vestiu o véu religioso adotando o nome de Madre Léonie Francisca de Sales Aviat. Em 1872 foi eleita a superiora da nova congregação colocada sob a proteção e guia do santo bispo de Genebra, de quem adotaram completamente as regras espirituais e pedagógicas. Isto explica o nome adotado: “Madres Oblatas de São Francisco de Sales”.
Desde então, Madre Aviat se dedicou ao apostolado entre as jovens operárias, estabilizando a congregação e as casas-famílias de Troyes. As Oblatas de São Francisco de Sales passam então a abrir escolas básicas nas paróquias. Em Paris, abriram o primeiro pensionato para moças de famílias ricas, que Madre Aviat dirigiu por oito anos. Assim elas estenderam seu apostolado às diversas classes sociais. Depois retornou para a Casa Mãe da Congregação, onde residiu por mais quinze anos, assumindo o posto de superiora até sua morte.
As oblatas foram enviadas para a África, Europa e América do Sul, abrindo pensionatos, escolas e obras assistenciais. No ano de 1903 as leis anticlericais francesas decretaram a dissolução das congregações e o fechamento de suas casas, apoderando-se de todos os seus bens. As oblatas se refugiam em Perúgia, mas Madre Aviat não esmoreceu e continuou a atividade da congregação, que recebeu a aprovação canônica em 1911, por parte do papa Pio X.
Morreu em Perúgia, Itália, no dia 10 de janeiro de 1914, onde foi sepultada. Mais tarde, seu corpo foi transladado para a cripta da Casa Mãe da Congregação em Troyes, França.

Santo Aldo
Muito interessante a trajetória deste singelo e tradicional santo de nome Aldo. Dele não se encontrou nada escrito no Calendário Universal da Igreja, e em nenhum martirológio local. Apenas os jesuítas belgas, que catalogaram a vida dos santos da Europa do norte em uma obra publicada em 1.600 citaram neste dia o nome de santo Aldo, sozinho e solitário.
Sozinho, porque é o único santo com este nome, e solitário, como foi e continua sendo difundido, porque era um devoto ermitão. Ele se tornou monge do mosteiro fundado pelo irlandês São Columbano, na cidade de Bobbio, vizinha de Pavia, onde permanecem guardadas suas relíquias. Aldo foi sepultado primeiro na capela de são Columbano e depois transferido para a Basílica de são Miguel, daquela cidade, na Itália.
Não sabemos a data e o lugar do seu nascimento. Parece que viveu no século VIII, mas foi num destes períodos que a história definiu como “obscuros”. Santo Aldo não deixou transparecer nada sobre a sua vida e sua pessoa; deixou apenas uma atmosfera de santidade.
A tradição nos apresenta Aldo como um simples carvoeiro de carbonária e um ermitão. Um monge de mãos calejadas e rosto enegrecido pela fuligem das carvoarias. Isto parece correto, porque os monges de sua comunidade construíam uma cabana para si, de madeira ou de pedra, onde se retiravam nas horas dedicadas à oração e à contemplação. Depois saíam para o trabalho diário, onde ganhavam o pão com o suor do rosto.
Não é por acaso que suas relíquias estão em Pávia, cidade que durante um período foi a capital do Reino da Europa do Norte, conhecido como Lombardo. Provavelmente corria nas veias deste santo ermitão o sangue deste povo, senão, pelo menos assim nos faz pensar a origem do seu nome. “Ald” é uma palavra da Europa do Norte que significa “velho”, compatível com o santo Aldo “ancião”, ou melhor “homem maduro”.
Velhice e maturidade são, em geral, garantia de sabedoria, portanto podemos dizer que Aldo mereceu o próprio nome, quando escolheu a sabedoria mais elevada, a da santidade, alcançada através do caminho mais invisível, o da solidão e do silêncio, da quietude interior e exterior, da contemplação e da oração. Ele se afastava temporariamente das pessoas para dar mais espaço à oração e povoar a solidão exterior com a agradável presença de Deus. Não se evadia da comunidade, mas contribuía para sua edificação com o exemplo de uma vida santa e uma caridade ativa.
Santo Aldo é considerado um feliz exemplo do espírito beneditino. Um santo silencioso, mas que fala diretamente às almas sem precisar de palavras, com o exemplo de sua vida retirada do mundo e inserida em Deus. Foi canonizado e seu culto é muito vigoroso nos países da Europa do Norte, especialmente na Irlanda. A Igreja o declarou “Padroeiro dos Trabalhadores”, e o celebra neste dia, indicado como o da sua morte.

Santo Guilherme de Bourges
Guilherme, era filho dos condes de Nervers e neto de Pedro, o eremita. Sua educação foi muito religiosa. Desde a infância mostrou o desejo de dedicar a sua vida ao serviço de Cristo. Mais tarde, com a vocação definida, se consagrou sacerdote e foi nomeado o vigário geral de Soissons e depois de Paris.
Entretanto, assim como seu avô, decidiu deixar a vida da sociedade para se retirar à solidão santa. A princípio foi para o mosteiro de Gradmont, mas depois ingressou para a Ordem de Cister e se tornou um monge. Muito preparado espiritualmente e com uma imensa bagagem cultural, foi sucessivamente abade de Pontigny, de Fontaine-Jean, na diocese de Soissons, e finalmente em Chaalis.
Entretanto a morte o arcebispo de Bourges em setembro de 1200 ocasionou uma grande contestação para se saber quem seria designado como sucessor. Para acabar com as divergências foi chamado o bispo de Paris, Otto, o qual, depois de haver rezado ao Senhor, resolveu sortear o cargo e o vencedor foi Guilherme.
Guilherme aceitou mesmo contra a vontade esta designação, se tornando assim o bispo de Bourges. Como novo pastor, se ocupou ativamente da sua diocese, dando provas de piedade, firmeza, bondade e humanidade. Foi sob todos os pontos de vista um modelo para o seu rebanho. A sua fama era tal que a nação francesa – e a universidade de Paris – o escolheram como patrono.
Combateu a heresia dos albigenses, que pregavam uma doutrina contrária à do cristianismo, através das orações. Durante o pontificado de Inocêncio III, pediu para participar e seguir com a sua cruzada, sendo prontamente autorizado por ele. Quando se preparava para partir ficou muito doente, morrendo no dia 10 de janeiro de 1209.
Os milagres que se verificaram por sua intercessão logo após o seu falecimento o levaram à canonização, que foi concedida após oito anos de sua morte, em 17 de maio de 1218, pelo papa Honório III.
O seu corpo foi colocado em uma urna de ouro e transferido para a sepultura em frente do altar maior da catedral de Bourges. Algumas relíquias foram doadas à abadia de Chaalis e à igreja de São Leodegário, em Alvernia. Depois, com a perseguição dos calvinistas, elas foram jogadas e dispersadas, mas em seguida, recolhidas pela população alverniense, porém, em 1793, serem novamente dispersadas. Os huguenotes haviam queimado as remanescentes da catedral de Bourges e de Chaalis e jogado as cinzas ao vento.
São Guilherme de Bourges, como ficou conhecido, é festejado no dia 10 de janeiro, o mesmo em que morreu.

ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 10/01/2023
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Do Livro do Eclesiástico 24, 1b-33
A Sabedoria na obra da criação e na história de Israel
A sabedoria faz o seu próprio elogio, honra-se em Deus, gloria-se no meio do seu povo. Ela abre a boca na assembleia do Altíssimo, gloria-se diante dos exércitos do Senhor, é exaltada no meio do seu povo, e admirada na assembleia santa. Entre a multidão dos eleitos, recebe louvores, e bênçãos entre os abençoados de Deus. Ela diz: Saí da boca do Altíssimo; nasci antes de toda criatura. Eu fiz levantar no céu uma luz indefectível, e cobri toda a terra como que de uma nuvem. Habitei nos lugares mais altos: meu trono está numa coluna de nuvens. Sozinha percorri a abóbada celeste, e penetrei nas profundezas dos abismos. Andei sobre as ondas do mar, e percorri toda a terra. Imperei sobre todos os povos e sobre todas as nações. Tive sob os meus pés, com meu poder, os corações de todos os homens, grandes e pequenos. Entre todas as coisas procurei um lugar de repouso, e habitarei na moradia do Senhor. Então a voz do Criador do universo deu-me suas ordens, e aquele que me criou repousou sob minha tenda. E disse-me: Habita em Jacó, possui tua herança em Israel, estende tuas raízes entre os eleitos. Desde o início, antes de todos os séculos, ele me criou, e não deixarei de existir até o fim dos séculos; e exerci as minhas funções diante dele na casa santa. Assim fui firmada em Sião; repousei na cidade santa, e em Jerusalém está a sede do meu poder. Lancei raízes no meio de um povo glorioso, cuja herança está na partilha de meu Deus; e fixei minha morada na assembleia dos santos. Elevei-me como o cedro do Líbano, como o cipreste do monte Sião; cresci como a palmeira de Cades, como as roseiras de Jericó. Elevei-me como uma formosa oliveira nos campos, como um plátano no caminho à beira das águas. Exalo um perfume de canela e de bálsamo odorífero, um perfume como de mirra escolhida; como o estoraque, o gálbano, o ônix e a mirra, como a gota de incenso que cai por si própria, perfumei minha morada. Meu perfume é como o de um bálsamo sem mistura. Estendi meus galhos como um terebinto, meus ramos são de honra e de graça. Cresci como a vinha de frutos de agradável odor, e minhas flores são frutos de glória e abundância. Sou a mãe do puro amor, do temor (de Deus), da ciência e da santa esperança, em mim se acha toda a graça do caminho e da verdade, em mim toda a esperança da vida e da virtude. Vinde a mim todos os que me desejais com ardor, e enchei-vos de meus frutos; pois meu espírito é mais doce do que o mel, e minha posse mais suave que o favo de mel. A memória de meu nome durará por toda a série dos séculos. Aqueles que me comem terão ainda fome, e aqueles que me bebem terão ainda sede. Aquele que me ouve não será humilhado, e os que agem por mim não pecarão. Aqueles que me tornam conhecida terão a vida eterna. Tudo isso é o livro da vida, a aliança do Altíssimo, e o conhecimento da verdade. Moisés deu-nos a lei com os preceitos da justiça, a herança da casa de Jacó e as promessas feitas a Israel.
SEGUNDA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Do Tratado de Santo Ireneu, bispo, «Contra as heresias»
(L.4, 6, 3.5.6.7: SC 100, 442.446.448-454) (Sec. II)
O Pai é conhecido pela manifestação do Filho
Ninguém pode conhecer o Pai sem que o Verbo de Deus, isto é, sem que o Filho o revele; e ninguém pode conhecer o Filho sem o beneplácito do Pai. É o Filho que cumpre este beneplácito do Pai: o Pai envia, e o Filho é enviado e vem. O Pai, embora seja para nós invisível e inefável, é conhecido pelo seu próprio Verbo; e, embora seja inexplicável, o Verbo no-l’O dá a conhecer. Reciprocamente, só o Pai conhece o seu Verbo. Foi o Senhor quem nos revelou esta dupla verdade. Assim, o Filho revela o conhecimento do Pai pela manifestação de Si mesmo, pois que o Pai é conhecido pela manifestação do Filho: tudo é revelado por meio do Verbo.
Foi para isto que o Pai revelou o Filho, isto é, para Se dar a conhecer a todos por meio d’Ele e para que merecessem ser recebidos no lugar da incorruptibilidade e da consolação eterna os que n’Ele acreditassem (acreditar n’Ele é fazer a sua vontade).
De fato, já pela criação, o Verbo revela Deus Criador; pela existência do mundo, o Senhor que o fabricou; pela matéria modelada, o Artífice que a modelou; e pelo Filho, o Pai que o gerou. Sobre isto, todos falam de maneira semelhante, mas nem todos crêem de maneira semelhante. O Verbo anunciava-Se a Si mesmo e ao Pai através da Lei e dos Profetas; e todo o povo o ouviu de maneira semelhante, mas nem todos acreditaram de maneira semelhante. E o Pai manifestou-Se a Si mesmo, por meio do Verbo feito visível e palpável, e nem todos acreditaram de maneira semelhante; mas todos viram o Pai no Filho, porque a realidade invisível que viam no Filho era o Pai, e a realidade visível em que viam o Pai era o Filho.
É o Filho que, servindo o Pai, leva à perfeição todas as coisas do princípio ao fim, e sem Ele ninguém pode conhecer Deus. O conhecimento do Pai é o Filho, e o conhecimento do Filho está no Pai e é revelado pelo Filho. Neste sentido dizia o Senhor: Ninguém conhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho O revelar. A palavra revelar não diz respeito apenas ao futuro, como se o Verbo só tivesse começado a manifestar o Pai quando nasceu de Maria; antes, de um modo geral, diz respeito a todo o tempo. De fato, o Pai é revelado pelo Filho, presente desde o princípio na sua obra da criação, a quem o Pai quer, quando quer e como quer. E assim, em todas as coisas e através de todas as coisas, há um só Deus Pai, e um só Verbo, o Filho, e um só Espírito, como há também uma só salvação para todos os que crêem n’Ele.
LEITURA BREVE
Tob 4, 14-15a.16ab.19
Presta atenção, filho, a todas as tuas obras e sê prudente nas tuas palavras. Não faças a ninguém o que não queres que te façam a ti. Reparte o teu pão com os famintos e os indigentes; e agasalha com as tuas vestes os que não têm com que se cobrir. Dá esmola de tudo o que tens em abundância. Bendiz o Senhor em todo o tempo e pede-Lhe que oriente os teus caminhos, para que cheguem a bom termo todos os teus projetos.
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Pedro 1, 13-14
Tende o vosso espírito alerta e sede vigilantes. Ponde toda a vossa esperança na graça que vos será concedida, quando Jesus Cristo se manifestar. Como filhos obedientes, não vos conformeis com os desejos de outrora, quando vivíeis na ignorância.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Pedro 1, 15-16
À semelhança do Deus santo que vos chamou, sede santos, vós também, em todas as vossas ações, como está escrito: «Sede santos, porque Eu sou santo».
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Tg 4, 7-8a. 10
Submetei-vos a Deus. Resisti ao demônio e ele fugirá de vós. Aproximai-vos de Deus e Ele aproximar-Se-á de vós. Humilhai-vos diante do Senhor e Ele vos exaltará.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Tg 1, 22.25
Sede cumpridores da palavra, não apenas ouvintes, pois seria enganar-vos a vós mesmos. Aquele que se aplica atentamente a considerar a lei perfeita, que é a lei da liberdade, e nela persevera, sem ser um ouvinte que se esquece mas que efetivamente a cumpre, esse encontrará a felicidade no seu modo de viver.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ef 4, 26-27
Não pequeis. Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento. Não deis lugar ao demônio.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos.
** O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária. Nestes estudos apresentamos o Salmo completo, a não ser que seja excessivamente extenso, e eventualmente inserimos algumas passagens suprimidas que reputamos importantes para a melhor compreensão e compenetração no ensinamento bíblico). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
*** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
**** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
***** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
