“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 14 DE JANEIRO DE 2024
14 de janeiro de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 16 DE JANEIRO DE 2024
16 de janeiro de 2024SEGUNDA FEIRA DA II SEMANA DO TEMPO COMUM
Concitamos que empregue especial empenho e dedicação em sorver o néctar espiritual potencializador da prática cristã no IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA), para sustento, remédio e fortalecimento espiritual. A leitura dos EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ e dos ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA complementam essa refeição espiritual. Sugerimos que, na medida das possibilidades, nos tempos livres do pensamento, escolha para assistir, conforme apetecer, como em um bufê, alguns dos vídeos disponibilizados, buscando aumentar a “ingestão” desses conteúdos e diminuir os “do mundo”. Que o Senhor derrame copiosas bênçãos sobre sua vida e seu organismo espiritual se fortaleça a cada dia mais para produzir preciosos frutos de vida cristã autêntica, com muita graça e unção!
Recomendamos efusivamente que ouça a oração da manhã disponibilizada no link abaixo:

SAUDAÇÃO
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

LITURGIA DIÁRIA
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4239-liturgia-de-15-de-janeiro-de-2024>]
Antífona da entrada
– Que toda a terra vos adore com respeito e proclame o louvor do vosso nome, ó Altíssimo! (Sl 65,4)
Coleta
– Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai clemente as súplicas de vosso povo e dai ao nosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e conosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: 1Sm 15,16-23
Salmo Responsorial: Sl 49,8-9.16-17.21.23
– A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– A palavra do Senhor é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e intenções do coração (H 4,12).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 2,18-22.
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)

Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz
As santas palavras da 1ª Leitura nos ensinam pelo escritor sagrado (1Sm 15,16-23): Samuel disse-lhe: Basta! vou cientificar-te do que o Senhor me disse esta noite. Fala, disse Saul. 17. E Samuel: Por pequeno que foste aos teus próprios olhos, acaso não te tornaste o chefe das tribos de Israel, e não te consagrou o Senhor, rei de Israel? 18. O Senhor te havia dado uma ordem, e te havia dito que votasses ao interdito esses pecadores, os amalecitas, combatendo-os até o completo extermínio. 19. Por que não ouviste a sua voz? Por que te lançaste sobre os despojos fazendo o mal aos olhos do Senhor.? 20. Mas eu obedeci à voz do Senhor, replicou Saul; fui pelo caminho que ele me traçou, trouxe Agag, rei de Amalec, e votei ao interdito os amalecitas. 21. O povo somente tomou dos despojos algumas ovelhas e bois, à guisa de primícias do interdito, para os sacrificar ao Senhor, teu Deus, em Gálgala. 22. Samuel replicou-lhe: Acaso o Senhor se compraz tanto nos holocaustos e sacrifícios como na obediência à sua voz? A obediência é melhor que o sacrifício e a submissão vale mais que a gordura dos carneiros. 23. A rebelião é tão culpável quanto a superstição; a desobediência é como o pecado de idolatria. Pois que rejeitaste a palavra do Senhor, também ele te rejeita e te despoja da realeza!
As santas palavras do Salmo Responsorial apresentam o louvor orante do salmista (Sl 49,8-9.16-17.21.23): Não te repreendo pelos teus sacrifícios, pois teus holocaustos estão sempre diante de mim. 9. Não preciso do novilho do teu estábulo, nem dos cabritos de teus apriscos […] 16. Ao pecador, porém, Deus diz: Por que recitas os meus mandamentos, e tens na boca as palavras da minha aliança? 17. Tu que aborreces meus ensinamentos e rejeitas minhas palavras? […] 21. Eis o que fazes, e eu hei de me calar? Pensas que eu sou igual a ti? Não, mas vou te repreender e te lançar em rosto os teus pecados. […] 23. Honra-me quem oferece um sacrifício de louvor; ao que procede retamente, a este eu mostrarei a salvação de Deus.
O Santo Evangelho ensina-nos pelo Evangelista (Mc 2,18-22): Ora, os discípulos de João e os fariseus jejuavam. Por isso, foram-lhe perguntar: “Por que jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam?” 19. Jesus respondeu-lhes: “Podem porventura jejuar os convidados das núpcias, enquanto está com eles o esposo? Enquanto têm consigo o esposo, não lhes é -possível jejuar. 20. Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, e então jejuarão. 21. “Ninguém prega retalho de pano novo em roupa velha; do contrário, o remendo arranca novo pedaço da veste usada e torna-se pior o rasgão. 22. E ninguém põe vinho novo em odres velhos; se o fizer, o vinho os arrebentará e perder-se-á juntamente com os odres mas para vinho novo, odres novos.”

Compromisso – 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer
As santas palavras da liturgia do dia 15 de janeiro de 2024 compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura, de nos impregnarmos da consciência do que revela e nos empenharmos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece em especial nesta perícope (1Sm 15,16-23) que assim como o rei Saul foi consagrado pelo Senhor Deus de Israel, cumpria-lhe e cumpre a nós, que fomos batizados, atuar com gratidão e reconhecimento de que tudo o que temos é devido ao Senhor; para que tudo corra bem, cumpre seguir fielmente as orientações divinas. Porém o rei Saul não o fez, não seguiu as orientações do Senhor em relação aos amalecitas, tendo prevaricado, negligenciado, ignorado, feito ouvidos moucos diante das instruções do Senhor. Foi também ganancioso, lançando-se indevidamente sobre os despojos, descumprindo o que o Senhor lhe havia dito. Face à admoestação do profeta Samuel, Saul improvisou desculpas e tentou justificar seu proceder por ter cumprido parcialmente as orientações divinas e fantasiou outra parte, alegando falsamente que os despojos das ovelhas e bois foram destinados a sacrifícios ao Senhor. Samuel foi incisivo: Acaso o Senhor se compraz tanto nos holocaustos e sacrifícios como na obediência à sua voz? A obediência é melhor que o sacrifício e a submissão vale mais que a gordura dos carneiros. 23. A rebelião é tão culpável quanto a superstição; a desobediência é como o pecado de idolatria. Pois que rejeitaste a palavra do Senhor, também ele te rejeita e te despoja da realeza! Cumpre-nos impregnar-nos da consciência de que o tentador, busca permanentemente “brechas” para imiscuir-se em nossas mentes com pensamentos dissonantes das orientações divinas (conforme esclarece São Paulo em Efésios 6,12), face ao que precisamos nos manter em estado de constante vigilância e oração para não nos desvirtuarmos – com o que nos afastamos da graça e atraímos sobre nós a desgraça, como ocorreu com o rei Saul.
As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista (Sl 49,8-9.16-17.21.23).
O Santo Evangelho (Mc 2,18-22) compele-nos em especial a atuar com reto discernimento, fazendo o que é apropriado para cada tempo e circunstância. Cumpre-nos, pois, empenhar-nos para viver em estreita intimidade com o Pai, o Filho e o Espírito Santo, cumprindo um programa diário de orações, um “protocolo santo”, incluindo momentos de silêncio destinados a dialogar com a divindade, auscultando seus desígnios para nossas vidas, com papel e caneta à disposição para anotar o que é inspirado e desse modo tornar o viver cada vez mais intensamente sintonizado com os desígnios divinos e colocado a serviço do Reino de Deus!

Oração consolidadora do compromisso – 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência do que revela e nos empenhemos para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina que emana das santas palavras da liturgia do dia 15 de janeiro de 2024, que esclarece em especial em 1 Samuel 15,16-23 que assim como o rei Saul foi por vós consagrado, cumpria-lhe e cumpre a nós, que fomos batizados, atuar com gratidão e reconhecimento de que tudo o que temos devemos a vós e, para que tudo corra bem, cumpre-nos seguir fielmente as orientações divinas. Porém o rei Saul não o fez, não seguiu as vossas orientações em relação aos amalecitas, tendo prevaricado, negligenciado, ignorado, feito ouvidos moucos diante das vossas instruções. Foi também ganancioso, lançando-se indevidamente sobre os despojos, descumprindo o que vós havieis ordenado. Face à admoestação do profeta Samuel, Saul improvisou desculpas e tentou justificar seu proceder por ter cumprido parcialmente as orientações divinas e fantasiou outra parte, alegando falsamente que os despojos das ovelhas e bois foram destinados a sacrifícios ao Senhor. Samuel foi incisivo: Acaso o Senhor se compraz tanto nos holocaustos e sacrifícios como na obediência à sua voz? A obediência é melhor que o sacrifício e a submissão vale mais que a gordura dos carneiros. 23. A rebelião é tão culpável quanto a superstição; a desobediência é como o pecado de idolatria. Pois que rejeitaste a palavra do Senhor, também ele te rejeita e te despoja da realeza! Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência de que o tentador busca permanentemente “brechas” para imiscuir-se em nossas mentes com pensamentos dissonantes das orientações divinas (conforme esclarece São Paulo em Efésios 6,12), face ao que precisamos nos manter em estado de constante vigilância e oração para não nos desvirtuarmos – com o que nos afastamos da graça e atraímos sobre nós a desgraça, como ocorreu com o rei Saul. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que atuemos a cada dia mais como vos compraz: obedientes, fiéis cumpridores de vossa santa vontade! Fazemos coro com o louvor orante do salmista (Sl 49,8-9.16-17.21.23): Não te repreendo pelos teus sacrifícios, pois teus holocaustos estão sempre diante de mim. 9. Não preciso do novilho do teu estábulo, nem dos cabritos de teus apriscos […] 16. Ao pecador, porém, Deus diz: Por que recitas os meus mandamentos, e tens na boca as palavras da minha aliança? 17. Tu que aborreces meus ensinamentos e rejeitas minhas palavras? […] 21. Eis o que fazes, e eu hei de me calar? Pensas que eu sou igual a ti? Não, mas vou te repreender e te lançar em rosto os teus pecados. […] 23. Honra-me quem oferece um sacrifício de louvor; ao que procede retamente, a este eu mostrarei a salvação de Deus. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que atuemos com reto discernimento, conforme inspira o Evangelho de São Marcos 2,18-22, fazendo o que é apropriado para cada tempo e circunstância, empenhando-nos para viver em estreita intimidade convosco, cumprindo um programa diário de orações, um “protocolo santo”, incluindo momentos de silêncio destinados a dialogar com a divindade, auscultando vossos desígnios para nossas vidas, com papel e caneta à disposição para anotar o que é inspirado e desse modo tornar o viver cada vez mais intensamente sintonizado com os desígnios divinos e colocando-nos a serviço do Reino de Deus! Cremos, Senhor, mas aumentai a nossa fé!

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo
Esse é um passo individual, sendo os anteriores base, estímulo e impulso para dá-lo da forma mais elevada possível. A participação na Santa Missa (ou, alternativamente, assisti-la por meio eletrônico), a récita do Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais nos sentimos particularmente tocados (em especial invocando a proteção e orientação dos anjos) são práticas de importância fundamental! Prosseguir nas leituras abaixo também contribui para elevar-se a esse quarto degrau. Elas dão a conhecer a história de vida dos santos com seus exemplos de prática cristã. Proporcionam ainda a compenetração no teor das leituras destacadas nas orações da Liturgia das Horas (recomendamos recitar ou pelo menos ouvir essas orações em seus respectivos horários) – que consistem em estímulos para a santificação do dia. Além disso, recomendamos usufruir os infinitos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual. Cumpre-nos, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades de cada um, avançar na prática de orações mentais meditando leituras recomendadas para tal, bem como avançar na busca de ampliar o conhecimento da fé, da doutrina cristã expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos. São tesouros de inimaginável valor que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41).
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 15 de Janeiro
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/01/santos-do-dia-da-igreja-catolica-15-de-janeiro/>]

Santo Paulo – o Ermitão
São Jerônimo escreveu em 400, um livro rico em detalhes sobre a vida de Paulo, a quem chamou de “príncipe da vida eremita”. Ele a conheceu narrada pelo amigo são Atanásio, discípulo de santo Antônio do Deserto.
Paulo nasceu no ano 228, em Tebaia, uma região próxima do rio Nilo, no Egito, cuja capital era Tebas. Foi educado pelos pais que eram da nobreza e cristãos. Porém aos catorze anos ficou órfão. Era bondoso, piedoso e amava a sua fé. Em 250 começou a perseguição do imperador Décio. Foi uma perseguição curta, mas dura e contundente, porque ordenava aos cristãos que renegassem a fé e participassem dos ritos pagãos, como sinal de lealdade ao Estado. Quem aceitasse podia viver tranquilo. Muitos aceitavam, para salvar a vida. Paulo não rendeu homenagens aos deuses, preferiu se esconder, mostrando prudência.
Porém, foi denunciado e fugiu para o deserto. Lá, encontrou umas cavernas onde, séculos atrás, os escravos da rainha Cleópatra fabricavam moedas. Escolheu uma, perto de uma fonte de água e de umas palmeiras, para ser sua moradia. Com as folhas da palmeira fazia a roupa. Os frutos eram seu alimento. E a água da fonte sua bebida.
Em 251 o imperador Décio morreu num combate e a perseguição cessou. Mas Paulo nunca mais voltou. O deserto, a solidão e a proximidade com Deus o haviam conquistado. Sentiu que sua missão era ajudar o mundo não com negócios e palavras, mas com penitências e orações, para a conversão dos pecadores. Disse são Jerônimo que quando a palmeira não tinha frutos, vinha um corvo trazendo meio pão no bico e com isso vivia o santo monge.
Depois de muitos anos, foi descoberto por Antônio do Deserto, ou Antão, o qual foi avisado em sonho, que no deserto existia um monge mais velho do que ele. Paulo estava na caverna, quando se encontraram. Conversavam sobre assuntos espirituais, quando um corvo pousou carregando no bico a ração dobrada: um pão inteiro. Paulo, então, contou a ele sua vida e a experiência dos noventa anos de solidão no deserto. Depois rezaram a noite toda. Pela manhã, Paulo pediu que Antônio fosse buscar o manto que recebera de Atanásio, pois pressentiu que seu fim estava próximo. Antônio ficou emocionado, porque nada havia contado sobre o manto, que ganhara do discípulo. Partiu e quando voltou, não o encontrou mais.
Envolto em mistério e encantamento, ao que tudo indica, Paulo morreu com cento e doze anos em 340, sozinho e em lugar ignorado. Foi um santo singular: não deixou escritos ou palavras memoráveis. Segundo a tradição, no século VI, foi erguido no Egito um mosteiro, em frente ao Monte Sinai, que conserva a sua antiga morada na caverna. Nada mais temos que se ligue, materialmente, a este monge do silêncio, também conhecido como Paulo de Tebas.
Cerca de oito séculos depois de sua morte, nasceu uma comunidade religiosa com o nome de “Ordem de São Paulo Primeiro Eremita” ou “Eremitas de São Paulo”. Uma comunidade que, no início do terceiro milênio, ainda permanece viva e conhecida, tendo sua casa mãe perto do Santuário Mariano de Czestochowa, na Polônia. A Igreja o celebra em 15 de janeiro, data indicada no livro de são Jerônimo.

Santo Mauro (Amaro)
Amaro é o nome pelo qual santo Mauro também é conhecido e festejado. Ele nasceu na cidade de Roma, filho único do senador Eutíquio e de Júlia, uma rica fidalga, no ano de 512. Aos doze anos, teve um sonho, onde uma voz lhe dizia para entregar sua vida a serviço de Cristo, e assim seria conduzido para o caminho da santidade. Interpretou como um chamado de Deus e comunicou aos pais seu desejo de ingressar num mosteiro.
Eutíquio era amigo do abade Bento de Núrsia, venerado pela Igreja como o “pai dos monges ocidentais”, e conhecia o seu trabalho com os jovens que desejavam estudar e se aprofundar na fé, por isto decidiu que o filho iria para lá. Amaro foi confiado a São Bento, juntamente com seu primo Plácido, de sete anos, que também foi canonizado. Os meninos ingressaram no mosteiro de Subiaco, onde estudaram e aprofundaram sua fé em Deus.
Certo dia, o santo abade estava rezando e Amaro executando suas tarefas diárias, quando São Bento teve uma visão do menino Plácido se afogando no riacho onde fôra buscar água. Imediatamente, São Bento chamou Amaro e o avisou que seu primo estava se afogando, mandou que ele corresse para lá e tentasse salvar Plácido, de qualquer forma. Amaro se concentrou de tal maneira e agiu tão rapidamente, que nem percebeu que andava sobre as águas daquele riacho, depois puxou o primo pelos cabelos e o levou para a terra firme. Assim aconteceu o primeiro prodígio de Amaro, que salvou o primo, andando sobre as águas, como fez São Pedro para atender o chamado do Mestre Jesus, andando no mar da Galileia.
Amaro se tornou o discípulo predileto de São Bento e o acompanhou para o mosteiro de Montecassino, quando lá se fixaram, sendo nomeado o primeiro superior e administrador. Sobre Amaro, os registros mostram que era um homem virtuoso, modelo de obediência, humildade e caridade.
Em 535, quando São Bento recebeu o convite para abrir um mosteiro sob as suas Regras na Gália, atual França, o escolhido para a missão foi Amaro, que o chefiou com outros quatro monges, inclusive Fausto, que escreveu a “Vida de Amaro, abade”. O trabalho frutificou tanto que o mosteiro francês deu origem a uma cidade com o seu nome. Muitos anos depois, ele também foi dado à Congregação Beneditina Francesa de Saint Maur, uma das mais importantes instituições católicas pela formação de seus monges, que se expandiu por toda a Europa.
O monge Fausto, no seu livro, narrou que Amaro, aos setenta e dois anos, contraiu a peste, epidemia que havia se instalado no mosteiro, levando à morte uma centena de religiosos. Ele agonizou durante cinco meses, morrendo santamente em 15 de janeiro de 584. Foi sepultado na igreja de São Martinho, a mesma em que costumava ir rezar. Atualmente suas relíquias estão na Cripta da Capela do mosteiro de Montecassino, na Itália. A Igreja o canonizou e a festa de Santo Amaro acontece no dia de sua morte. A partir de 1962, o seu primo passou a ser celebrado junto com ele. O culto de Santo Amaro é muito vigoroso em todo o mundo, principalmente na Europa e na França.

Santo Arnaldo Janssen
Arnaldo Janssen nasceu em Goch, na Baixa Renânia, Alemanha, em 05 de novembro de 1837. Ele era o segundo filho de uma família numerosa de cristãos fervorosos de classe média e se tornou um gigante por sua obra de fundador e pela atividade fecunda do seu apostolado, junto aos pobres, migrantes, clérigos e fiéis.
Após concluir o estudo colegial na diocese de Gaesdonck em 1855, seguiu para Munster , ingressando na real academia da Prússia para estudar matemática, ciências naturais e filosofia. Dois anos depois seguiu para a universidade de Bonn, na Alemanha, onde se diplomou e obteve a habilitação para lecionar todas as matérias do colegial. Assim, tendo apenas 20 anos, já era professor.
Pouco depois, entrou no Seminário de Munster e se consagrou sacerdote em 05 de agosto de 1861. Por quase doze anos, se dedicou ao ensino na escola pública e ao Apostolado da Oração como diretor na diocese, em Munster. Neste período amadureceu a ideia de se dedicar exclusivamente a obra missionária. Decidiu e renunciou aos cargos de professor e diretor. Este foi o derradeiro passo para o início de sua atividade de fundador.
Em 1873 fundou uma revista mensal chamada de “O pequeno mensageiro do Sagrado Coração”, com o objetivo de informar os fiéis da necessidade de missionários no país e no exterior. Em 1874, conheceu o bispo de Hong Kong , percebendo que suas angústias eram as mesmas, teve então a inspiração de fundar uma congregação missionária que pudesse suprir as necessidades dos clérigos e dos fiéis.
No ano seguinte, instituiu na cidade de Steyl, Holanda, a primeira comunidade missionária de origem alemã, para a formação de sacerdotes e irmãos, que recebeu o nome de Sociedade do Verbo Divino. Padre Arnaldo resolveu que a base de formação sacerdotal teria a Regra da Terceira Ordem Dominicana. Nos anos que se sucederam, as obras e o apostolado se expandiram para o Extremo Oriente, América e África.
Depois, fundou a Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo, em 1889, e a das Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua, em 1896, em Steyl. As três congregações foram fundadas na Holanda, porque ali os cristãos eram menos perseguidos e as chances de um possível fechamento das casas seria menor.
Mais tarde, este foi o motivo que levou o Padre Arnaldo Janssen a se refugiar no território holandês, e naquela cidade permaneceu, se dedicando à sua esplêndida obra de fundador e aos migrantes e pobres.
Morreu em 15 de janeiro de 1909, consumido pelo trabalho. A Igreja o canonizou em 2003 e o proclamou pioneiro do movimento missionário moderno nos países de língua alemã, holandesa e eslava. Seu culto litúrgico foi indicado para o dia de sua morte.

Santo Plácido
A vida de Plácido está ligada à do seu primo Mauro, também chamado de Amaro, por várias circunstâncias. Primeiro, porque ambos aos sete anos de idade foram entregues, pelos pais, ao amigo Bento de Núrsia, celebrado pela Igreja como o “pai dos monges ocidentais”, para serem oblatos à Cristo. Depois, porque Amaro o salvou da morte, na infância. Nesta ocasião, Bento teve uma visão onde Plácido se afogava dentro de um lago, por isto mandou o pequeno Amaro correr para impedir o acidente. De fato, ele o salvou prodigiosamente, andando sobre as águas e o retirando com vida. Porém, após se tornarem sacerdotes, suas vidas se separam, e de maneira distinta cada um testemunhou sua fé em Cristo. Vejamos a trajetória de Plácido.
Plácido nasceu no ano de 514, em Roma. Os pais, nobres e ricos, eram Tertulo e Faustina, e os irmãos se chamavam Eutíquio, Flávia e Vitório. Plácido foi entregue a São Bento, que o tomou como discípulo e lhe dispensou um afeto paterno. O menino cresceu bondoso e assimilou os ensinamentos do Evangelho e o espírito ecumênico da mensagem beneditina. Tornou-se sacerdote e foi enviado para a cidade italiana de Messina, na Sicília, para construir um mosteiro, do qual foi eleito o abade. Plácido o construiu fora dos muros da cidade. Ao lado do mosteiro ele também construiu uma igreja, dedicada a São João Batista.
Plácido, certa vez, recebeu a visita de seus irmãos; os três, saudosos, decidiram ir para Messina, onde ficaram por um longo período, hospedados no mosteiro. Até que em setembro de 541, os árabes sarracenos invadiram o mosteiro, destruindo tudo e matando os monges que encontravam pela frente. Depois, se voltaram contra os quatro irmãos, que seriam poupados se renegassem o seu Deus. Plácido falou por todos: “jamais trairemos a fé em Cristo e por isto estamos prontos para morrer”. Foram arrastados até a praia vizinha e brutamente mortos, tendo as cabeças decepadas. Os corpos foram recolhidos pelos monges sobreviventes e sepultados na igreja semidestruída.
Este mosteiro e a igreja foram destruídos e reconstruídos várias vezes por conta destes bárbaros. Só em 1099 a paz voltou a reinar na Sicília, com a sua expulsão definitiva . O então imperador Rugero, católico, mandou reconstruir tudo. No final da construção do grande edifício, o mosteiro foi elevado à condição de Priorado Geral. Mas um fato sensacional ocorreu em 1588, quando o superior do mosteiro, vendo que o interior da igreja não tinha ventilação nem luz, mandou abrir três grandes portas. Para isto, tiveram que deslocar o altar maior, e foi aí que encontraram as relíquias dos quatro irmãos. A festa foi grande, porque ao retirarem o corpo de São Plácido, surgiu de improviso uma fonte de água puríssima, que os devotos atribuíram ser milagrosa.
A igreja e o mosteiro foram totalmente destruídos, em 1918, quando ocorreu o maior terremoto de Messina. Mas as relíquias de são Plácido já estavam guardadas pelos beneditinos na cripta da capela do mosteiro de Montecassino, onde também estão as de seu primo.
A Igreja, em 1962, determinou que os dois primos sejam festejados no mesmo dia 15 de janeiro. Entretanto, o culto a são Plácido é muito intenso e os devotos o celebram também em 5 de outubro, data que lhe era dedicada anteriormente.

Santo Romédio
Romédio pertencia a uma rica família dos primeiros nobres do norte da Itália. Ele era o jovem senhor do castelo de Thaur, no vale do Trento. Jovem poderoso, tinha nas mãos o poder econômico e político. Era proprietário das ricas salinas daquele vale e possuía muitos homens a seu serviço. Com a morte dos pais sua fortuna aumentou, entretanto, nada o satisfazia. Foi procurar seu amigo Virgílio, bispo de Trento, que mais tarde se tornou santo, e doou tudo para a sua igreja. Alguns dias depois, voltou, com uns poucos amigos, pedindo sua benção e aprovação para uma peregrinação com destino a Roma. O grupo seguiu a pé, levando um documento do bispo para o papa, que os recebeu e abençoou.
Voltando para Trento, juntos decidiram prosseguir a experiência religiosa comunitária vivida durante a peregrinação. Foram para um velho castelo em ruínas, situado no pico de um penhasco rochoso. Neste ambiente pitoresco, Romédio viveu em estimulante confronto com Deus, com suas criaturas e consigo mesmo; através da austeridade, penitência e oração. Quando era rico, Romédio não vivia nesta plenitude, pois explorava a terra e os homens a seu serviço. Vivendo na pobreza, ele se reencontrou em plena comunhão com Deus e com as suas criaturas.
Os montanheses do vale aprenderam a conhecê-lo e a estimá-lo, paravam para rezar junto à cruz que Romédio tinha colocado dentro de uma gruta e conversavam com ele. A sua fama de ermitão se espalhou, bem como os seus prodígios. Romédio fez muitos discípulos, dentre eles havia um chamado Davi, que a tradição lembra por uma passagem singular. Contam que Romédio, velho e cansado, desejava encontrar com o amigo bispo Virgílio, por isto mandou o seu jovem discípulo Davi selar o cavalo. Ele foi, mas encontrou um urso esfomeado estraçalhando o cavalo. Quando soube, Romédio disse ao jovem: “Não tenha medo! Coloque a sela no urso. Ele me servirá de cavalo”. Davi obedeceu. Receoso, se aproximou da fera bravia, mas para sua surpresa o urso mansamente se deixou selar. Com a cabeça baixa, como se pedisse perdão por ter comido o cavalo, o urso foi até Romédio e este o acariciou e montou sobre a sela, concluindo o seu prodígio na cidade, onde foi recebido por Virgílio e pela população surpresa.
Quando Romédio morreu, com a idade bem avançada, foi sepultado dentro da gruta onde costumava rezar, e o local se tornou meta de peregrinação. Assim, por volta do ano 1000, foi construída uma igreja, onde se iniciou o culto a São Romédio; com o tempo se tornou um santuário belíssimo erguido sobre rochas. Dois séculos depois, o culto, já consolidado, foi reconhecido oficialmente pelo bispo de Trento e se ampliou com a distribuição das relíquias para as igrejas de toda a região do Trento e dos alpes austríacos, alemães e suíços. O papa Pio X confirmou, em 1907, o seu culto.

Luis Variara (Bem-Aventurado)
Luis Variara nasceu em 15 de janeiro de 1875 na cidade de Variagi, na Itália. Ainda criança viu e ouviu Dom Bosco na celebração de uma missa. Mais tarde, seu pai o mandou para o Seminário de Turim, que era dirigido por aquele santo. Quatro meses depois, Dom Bosco morreria, mas esta curta convivência o marcou por toda a vida.
Decidiu se tornar salesiano: entrou no noviciado e o concluiu em 1892, recebendo os votos perpétuos das mãos de outro santo, Miguel Rua. Depois, seguiu os estudos de filosofia. Neste período tomou conhecimento do trabalho missionário do Padre Unia na América do Sul. Em 1894 viajou para a Colômbia, resolvido a se juntar ao célebre missionário, que iniciava seu trabalho entre os leprosos da aldeia Água de Deus.
O pequeno povoado possuía dois mil habitantes, dos quais oitocentos eram leprosos. Luis mergulhou totalmente na sua missão. Possuindo aptidão e conhecimentos musicais, organizou uma banda, formando um ambiente festivo na “cidade das dores”, como era conhecida. Após quatro anos, Luis foi ordenado sacerdote, se revelando um ótimo diretor espiritual. Entre as suas penitentes estavam também os membros da Associação das Filhas de Maria, um grupo de cerca de duzentas moças, dentre elas muitas leprosas. Diante da constatação de que moças acometidas pela lepra participavam da associação, lhe ocorreu a ideia de fundar uma congregação que abrigasse também jovens leprosas.
Em 1905, a Congregação das “Filhas dos Santíssimos Corações de Jesus e de Maria” teve início. Ele se sentia cada vez mais entusiasmado com a sua missão. Haviam transcorrido dez anos desde a sua chegada em Água de Deus. Uma década feliz e rica de realizações. Dentre elas, o término da construção do Asilo “Dom Miguel Unia”, que apesar dos retardos provocados pela Guerra dos mil dias, pôde ser inaugurado.
Porém, começava um longo período de sofrimentos e de incompreensões para o generoso missionário. O bispo, que inicialmente havia dado sua aprovação, começou a retirar seu apoio. Por isso, durante algum tempo, Padre Luis foi enviado para trabalhar nas paróquias de outras dioceses. Suspeitando que ele tivesse contraído a lepra, diagnóstico que depois resultou errado, foi enviado de volta para Água de Deus.
Em 1921, em obediência, Padre Luis aceitou sua transferência para Tariba, uma cidadezinha venezuelana. Ali adoeceu gravemente. O médico aconselhou, por motivos climáticos, que fosse para a cidade de Cucuta, na Colômbia. Viajou para lá. Mas a situação se precipitou rapidamente e ele morreu em 1° de fevereiro de 1923 com quarenta e nove anos de idade.
Foi sepultado em Cucuta. Em 1932, suas relíquias foram transportadas para a capela da Congregação das suas filhas em Água de Deus, onde ainda se encontram. Atualmente as Irmãs estão espalhadas em onze nações da América, Europa e África, dedicadas de modo especial à pastoral da saúde. Padre Luis Variara foi beatificado pelo Papa João Paulo II em 2002 e sua festa deve ser celebrada no dia do seu nascimento.

ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 15/01/2023
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Do Livro do Deuteronômio 4, 1-8.32-40
Discurso de Moisés ao povo
Naqueles dias, Moisés falou ao povo, dizendo: «Agora escuta, Israel, as leis e os preceitos que vos dou a conhecer e ponde-os em prática, para que vivais e entreis na posse da terra que vos dá o Senhor, Deus de vossos pais. Não acrescentareis nada ao que vos ordeno, nem suprimireis coisa alguma, mas guardareis os mandamentos do Senhor vosso Deus, tal como eu vo-los prescrevo hoje. Vistes com os vossos próprios olhos o que o Senhor fez com baal-Peor: o Senhor teu Deus eliminou do meio de ti a quantos tinham seguido baal-Peor, enquanto vós, que permanecestes fiéis ao Senhor vosso Deus, estais hoje todos vivos.
Ensinei-vos estas leis e preceitos como o Senhor meu Deus me ordenara, a fim de os praticardes na terra de que ides tomar posse: observai-os e ponde-os em prática.
Eles serão a vossa sabedoria e a vossa prudência aos olhos dos povos, que, ao ouvirem falar de todas essas leis, dirão: ‘Que povo tão sábio e tão prudente é esta grande nação!’. Qual é, na verdade, a grande nação que tem a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor nosso Deus, sempre que O invocamos? E qual é a grande nação que tem mandamentos e decretos tão justos como esta lei que hoje vos apresento?
Interroga os tempos antigos que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra. Dum extremo ao outro dos céus, sucedeu alguma vez coisa tão prodigiosa? Ouviu-se porventura palavra semelhante? Que povo escutou como tu a voz de Deus a falar do meio do fogo e continuou a viver? Qual foi o deus que formou para si uma nação no seio de outra nação, por meio de provações, sinais, prodígios e combates, com mão forte e braço estendido, juntamente com tremendas maravilhas, como fez por vós o Senhor vosso Deus no Egito diante dos vossos olhos? Foi-te concedido presenciar estes fatos, para reconheceres que o Senhor é Deus e não há outro além d’Ele.
Do céu fez ouvir a sua voz para te ensinar; na terra mostrou-te o seu grande fogo, e do meio do fogo tu ouviste as suas palavras. Pelo amor que teve a teus pais, escolheu a sua descendência depois deles, fez-te sair do Egito pela sua presença e pelo seu poder, despojando à tua frente nações maiores e mais fortes do que tu, para te introduzir na sua terra e conceder-ta como herança, como hoje se verifica.
Considera hoje e medita em teu coração que o Senhor é o único Deus, no alto dos céus e cá em baixo na terra, e não há outro. Cumprirás as suas leis e os seus mandamentos, que hoje te prescrevo, para seres feliz, tu e os teus filhos depois de ti, e teres longa vida na terra que o Senhor teu Deus te vai dar para sempre».
SEGUNDA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Da Carta de Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir, aos Efésios
(Nn. 13-18: Funk 1, 183-187) (Sec. I)
Na fé e na caridade de Cristo
Procurai reunir-vos com mais frequência para celebrar a ação de graças e o louvor de Deus. Quando vos reunis com frequência, abatem-se as forças de Satanás e o seu poder destruidor é aniquilado pela concórdia da vossa fé. Nada há mais precioso do que a paz, que desarma todo o inimigo celeste ou terrestre.
Nada disto vos ficará escondido, se mantiverdes de modo perfeito em Jesus Cristo a fé e a caridade, que são o princípio e o fim da vida: a fé é o princípio e a caridade é o fim. Ambas unidas são o próprio Deus; delas derivam todas as outras virtudes que conduzem à perfeição. Quem professa a fé não peca; e quem possui a caridade não odeia ninguém. Pelo fruto se conhece a árvore; do mesmo modo, os que professam ser de Cristo reconhecem-se pelas suas obras. O que interessa agora, não é apenas fazer profissão de fé, mas perseverar na prática da fé até ao fim.
Melhor é calar-se e ser, do que falar e não ser. É bom ensinar, desde que se pratique o que se ensina. um só é o mestre que disse e foi feito; mas também é digno do Pai o que Ele fez em silêncio. O que possui a palavra de Jesus é capaz de perceber também o seu silêncio e chegar à perfeição, agindo segundo a sua palavra e fazendo-se reconhecer pelo seu silêncio. Nada se pode ocultar ao Senhor, e até os mais íntimos segredos estão na sua presença. Portanto, façamos tudo com a consciência de que Ele habita em nós, para que sejamos realmente seus templos e Ele seja o nosso Deus em nós. Assim é, de fato, e assim se há de manifestar aos nossos olhos, se o amarmos perfeitamente.
Não vos iludais, meus irmãos. Os que perturbam as famílias não terão como herança o reino de Deus. Se aqueles que o fazem segundo a carne são réus de morte, quanto mais não deverão ser punidos aqueles que pelo seu ensino perverso corrompem a fé que vem de Deus, pela qual Cristo foi crucificado? Tais homens, manchados com tal delito, seguirão para o fogo inextinguível, juntamente com aqueles que lhes dão ouvidos.
Se o Senhor recebeu a unção sobre a cabeça, foi para infundir sobre a Igreja a incorruptibilidade. Não vos deixeis ungir com o repugnante odor do ensino do príncipe deste mundo, para que ele não vos conduza à escravidão, para longe da vida que vos é proposta. Porque não nos tornamos todos prudentes, aceitando o conhecimento de Deus, que é Jesus Cristo? Porque havemos de nos perder insensatamente, desconhecendo o dom que o Senhor verdadeiramente nos enviou?
O meu espírito é vítima destinada à cruz, que é escândalo para os incrédulos, mas para nós é salvação e vida eterna.
LEITURA BREVE
Jer 15, 16
Quando apareciam as vossas palavras, eu tomava-as como alimento: a vossa palavra era o encanto e a alegria do meu coração, porque fui chamado com o vosso nome, Senhor Deus dos Exércitos.
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Jer 31, 33
Esta é a aliança que estabelecerei com a casa de Israel, diz o Senhor: Hei de imprimir a minha lei no íntimo da sua alma e gravá-la no seu coração. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Jer 32, 40
Estabelecerei com eles uma aliança eterna e nunca mais deixarei de lhes fazer bem. E infundirei o meu temor no seu coração, para que não voltem a afastar-se de Mim.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Ez 34, 31
Vós, ovelhas do meu rebanho, sois homens; e Eu sou o vosso Deus, diz o Senhor.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
1 Tes 2, 13
Damos graças a Deus sem cessar, porque, depois de terdes recebido a palavra de Deus por nós pregada, vós a acolhestes, não como palavra humana, mas como ela é realmente, palavra de Deus, que permanece ativa em vós os crentes.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
1 Tes 5, 9-10
Deus destinou-nos para alcançarmos a salvação por Nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós, a fim de que, velando ou dormindo, vivamos unidos a Ele.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos.
** O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária. Nestes estudos apresentamos o Salmo completo, a não ser que seja excessivamente extenso, e eventualmente inserimos algumas passagens suprimidas que reputamos importantes para a melhor compreensão e compenetração no ensinamento bíblico). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
*** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
**** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
***** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
