“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 18 DE JANEIRO DE 2024
18 de janeiro de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 20 DE JANEIRO DE 2024
20 de janeiro de 2024SEXTA-FEIRA DA II SEMANA DO TEMPO COMUM
Concitamos que empregue especial empenho e dedicação em sorver o néctar espiritual potencializador da prática cristã no IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA), para sustento, remédio e fortalecimento espiritual. A leitura dos EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ e dos ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA complementam essa refeição espiritual. Sugerimos que, na medida das possibilidades, nos tempos livres do pensamento, escolha para assistir, conforme apetecer, como em um bufê, alguns dos vídeos disponibilizados, buscando aumentar a “ingestão” desses conteúdos e diminuir os “do mundo”. Que o Senhor derrame copiosas bênçãos sobre sua vida e seu organismo espiritual se fortaleça a cada dia mais para produzir preciosos frutos de vida cristã autêntica, com muita graça e unção!
Recomendamos vivamente que ouça a oração da manhã disponibilizada no link abaixo:
https://youtu.be/HkMQc6VzHgc?si=_cmV74Fwnn_SS51W

SAUDAÇÃO
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

LITURGIA DIÁRIA
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4243-liturgia-de-19-de-janeiro-de-2024>]
Antífona da entrada
– Que toda a terra vos adore com respeito e proclame o louvor do vosso nome, ó Altíssimo! (Sl 65,4)
Coleta
– Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai clemente as súplicas de vosso povo e dai ao nosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: 1Sm 24,3-21
Salmo Responsorial: Sl 56,2-4.6.11
– Piedade, Senhor, tende piedade.
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Em Cristo, Deus reconciliou consigo mesmo a humanidade; e a nós ele entregou esta reconciliação (2Cor 5,19).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 3,13-19.
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)

Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz
As santas palavras da 1ª Leitura nos ensinam pelo escritor sagrado (1Sm 24,3-21): Tomou então Saul três mil israelitas de escol e foi em busca de Davi com sua gente nos rochedos dos Cabritos Monteses. 4. Chegando perto dos apriscos de ovelhas que havia ao longo do caminho, entrou Saul numa gruta para satisfazer suas necessidades. Ora, no fundo dessa mesma gruta se encontrava Davi com seus homens, 5. os quais disseram-lhe: Eis o dia anunciado pelo Senhor, que te prometeu entregar o teu inimigo à tua discrição. Davi, arrastando-se de mansinho, cortou furtivamente a ponta do manto de Saul. 6. E logo depois o seu coração bateu-lhe, porque tinha ousado fazer aquilo. 7. E disse aos seus homens: Deus me guarde de jamais cometer este crime, estendendo a mão contra o ungido do Senhor, meu senhor, pois ele é consagrado ao Senhor! 8. Davi conteve os seus homens com estas palavras e impediu que agredissem Saul. O rei levantou-se, deixou a gruta e prosseguiu o seu caminho. 9. Então Davi saiu por sua vez e bradou atrás de Saul: Ó rei, meu senhor! Saul voltou-se para ver, e Davi inclinou-se, prostrando-se até a terra. 10. E disse ao rei: Por que dás ouvidos aos que te dizem: Davi procura fazer-te mal? 11. Viste hoje com os teus olhos que o Senhor te entregou a mim na gruta. (Meus homens) insistiam comigo para que te matasse, mas eu te poupei, dizendo: Não levantarei a mão contra o meu senhor, porque é o ungido do Senhor. 12. Olha, meu pai, vê a ponta de teu manto em minha mão. Se eu cortei este pano do teu manto e não te matei, reconhece que não há perversidade nem revolta em mim. Jamais pequei contra ti, e tu procuras matar-me. 13. Que o Senhor julgue entre mim e ti! O Senhor me vingará de ti, mas eu não levantarei minha mão contra ti. 14. O mal vem dos malvados, como diz o provérbio; por isso não te tocará a minha mão. 15. Afinal, contra quem saiu o rei de Israel? A quem persegues? Um cão morto! Uma pulga! 16. Pois bem! O Senhor julgará e pronunciará entre mim e ti. Que ele olhe e defenda a minha causa, fazendo-me justiça contra ti! 17. Acabando Davi de falar, Saul disse-lhe: É esta a tua voz, ó meu filho Davi? E pôs-se a chorar. 18. Tu és mais justo do que eu, replicou ele; fizeste-me bem pelo mal que te fiz. 19. Provaste hoje a tua bondade para comigo, pois o Senhor tinha-me entregue a ti e não me mataste. 20. Qual é o homem que, encontrando o seu inimigo, o deixa ir embora tranquilamente? Que o Senhor te recompense o que hoje me deste! 21. Agora eu sei que serás rei, e que nas tuas mãos será firmada a realeza.
As santas palavras do Salmo Responsorial apresentam o louvor orante do salmista (Sl 56,2-4.6.11): Tende piedade de mim, ó Deus, tende piedade de mim, porque a minha alma em vós procura o seu refúgio. Abrigo-me à sombra de vossas asas, até que a tormenta passe. 3. Clamo ao Deus Altíssimo, ao Deus que me cumula de benefícios. 4. Mande ele do céu auxílio que me salve, cubra de confusão meus perseguidores; envie-me Deus a sua graça e fidelidade. 6. Elevai-vos, ó Deus, no mais alto dos céus, e sobre toda a terra brilhe a vossa glória. 11. porque aos céus se eleva a vossa misericórdia, e até as nuvens a vossa fidelidade.
O Santo Evangelho ensina-nos pelo Evangelista (Mc 3,13-19): Depois, subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram a ele.14. Designou doze dentre eles para ficar em sua companhia. 15. Ele os enviaria a pregar, com o poder de expulsar os demônios. 16. Escolheu estes doze: Simão, a quem pôs o nome de Pedro; 17. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais pôs o nome de Boanerges, que quer dizer Filhos do Trovão. 18. Ele escolheu também André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Tadeu, Simão, o Zelador; 19. e Judas Iscariotes, que o entregou.

Compromisso – 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer
As santas palavras da liturgia do dia 19 de janeiro de 2024 compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura, de nos impregnarmos da consciência do que revela e nos empenharmos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece em especial nesta perícope (1Sm 24,3-21) que o rei Saul saiu com seu exército com o objetivo de matar Davi, por inveja e insegurança, temendo que para ele perderia o trono, ao qual se apegara miseravelmente. Entrou Saul sozinho em uma gruta, sem saber que Davi e seu companheiros ali estavam. Sem suspeitar da presença deles, demorou-se distraidamente e Davi cortou a orla de seu manto. Assim que saiu, Davi chamou-o e quando ele se virou, Davi prostrou-se e disse-lhe que jamais iria lhe fazer mal, pois era um ungido do Senhor, mostrando-lhe então o pedaço do manto. Davi afirmou que nele não havia revolta, nem perversidade e que jamais fizera nada que pudesse prejudicar Saul, afirmando: “O mal vem dos malvados, como diz o provérbio; por isso não te tocará a minha mão.” Saul pôs-se a chorar, reconhecendo que Davi pagou com o bem o mal que lhe havia feito. E então desejou que o Senhor recompensasse Davi pela atitude que tomou em relação a ele. Cumpre-nos aprender com essa perícope a evitar apegos, reconhecendo que tudo recebemos do Senhor e tudo a ele pertence, cabendo nos submeter aos seus desígnios, pois caso nos apeguemos a algo, tendemos a cometer erros e a cair em situações vexatórias. E aprender com Davi a reagir com atitude nobre diante das ações impróprias que nos sejam direcionadas.
As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista (Sl 56,2-4.6.11).
O Santo Evangelho (Mc 3,13-19) compele-nos em especial a impregnar-nos da consciência de que Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis para permanecerem mais próximos dele, e também para enviá-los a pregar, com poder para expulsar demônios. Cumpre-nos manter-nos vigilantes e orantes para discernir os chamados que o Senhor tem para nós, cientes de que nos investirá com o necessário para cumprir a missão que nos designar. Que atuemos sempre com fidelidade e obediência, evitando ceder a qualquer tentação que possa contaminar-nos com atitudes de revolta e malevolência.

Oração consolidadora do compromisso – 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência do que revela e nos empenhemos para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina que emana das santas palavras da liturgia do dia 19 de janeiro de 2024, que esclarece em especial em 1 Samuel 24,3-21 que o rei Saul saiu com seu exército com o objetivo de matar Davi, por inveja e insegurança, temendo que para ele perderia o trono, ao qual se apegara miseravelmente. Entrou Saul sozinho em uma gruta, sem saber que Davi e seu companheiros ali estavam. Sem suspeitar da presença deles, demorou-se distraidamente e Davi cortou a orla de seu manto. Assim que saiu, Davi chamou-o e quando ele se virou, Davi prostrou-se e disse-lhe que jamais iria lhe fazer mal, pois era um ungido do Senhor, mostrando-lhe então o pedaço do manto. Davi afirmou que nele não havia revolta, nem perversidade e que jamais fizera nada que pudesse prejudicar Saul, afirmando: “O mal vem dos malvados, como diz o provérbio; por isso não te tocará a minha mão.” Saul pôs-se a chorar, reconhecendo que Davi pagou com o bem o mal que lhe havia feito. E então desejou que o Senhor recompensasse Davi pela atitude que tomou em relação a ele. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que evitemos apegos, reconhecendo que tudo recebemos de vós e que tudo a vós pertence, cabendo nos submeter aos vossos desígnios, pois caso nos apeguemos a algo, tendemos a cometer erros e a cair em situações vexatórias. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para seguir o exemplo de Davi, reagindo com atitude nobre diante das ações impróprias que nos sejam direcionadas. Fazemos coro com o louvor orante do salmista (Sl 56,2-4.6.11): Tende piedade de mim, ó Deus, tende piedade de mim, porque a minha alma em vós procura o seu refúgio. Abrigo-me à sombra de vossas asas, até que a tormenta passe. 3. Clamo ao Deus Altíssimo, ao Deus que me cumula de benefícios. 4. Mande ele do céu auxílio que me salve, cubra de confusão meus perseguidores; envie-me Deus a sua graça e fidelidade. 6. Elevai-vos, ó Deus, no mais alto dos céus, e sobre toda a terra brilhe a vossa glória. 11. porque aos céus se eleva a vossa misericórdia, e até as nuvens a vossa fidelidade. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência de que Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis para permanecerem mais próximos dele, e também para enviá-los a pregar, com poder para expulsar demônios. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos mantenhamos vigilantes e orantes para discernir os chamados que vós tendes para nós, cientes de que nos investireis com o necessário para cumprir a missão que nos designardes. Que atuemos sempre com fidelidade e obediência, evitando ceder a qualquer tentação que possa contaminar-nos com atitudes de revolta e malevolência. Cremos, Senhor, mas aumentai a nossa fé!

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo
Esse é um passo individual, sendo os anteriores base, estímulo e impulso para dá-lo da forma mais elevada possível. A participação na Santa Missa (ou, alternativamente, assisti-la por meio eletrônico), a récita do Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais nos sentimos particularmente tocados (em especial invocando a proteção e orientação dos anjos) são práticas de importância fundamental! Prosseguir nas leituras abaixo também contribui para elevar-se a esse quarto degrau. Elas dão a conhecer a história de vida dos santos com seus exemplos de prática cristã. Proporcionam ainda a compenetração no teor das leituras destacadas nas orações da Liturgia das Horas (recomendamos recitar ou pelo menos ouvir essas orações em seus respectivos horários) – que consistem em estímulos para a santificação do dia. Além disso, recomendamos usufruir os infinitos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual. Cumpre-nos, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades de cada um, avançar na prática de orações mentais meditando leituras recomendadas para tal, bem como avançar na busca de ampliar o conhecimento da fé, da doutrina cristã expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos. São tesouros de inimaginável valor que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41).
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 19 de Janeiro
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/01/santos-do-dia-da-igreja-catolica-19-de-janeiro/>]

Santo Odilo
Odilo nasceu em 962, na cidade francesa de Auvergne. Seu pai era Beraldo, da nobre família Mercoeur e sua mãe Gerberga. Narra a tradição que a sua vida espiritual começou na infância, aos quatro anos de idade. Era portador de uma deficiência nas pernas que o impedia de andar. Certa vez, sua governanta o deixou sentado na porta da igreja, enquanto foi falar com o padre. Odilo aproveitou para rezar e se arrastou até o altar, onde pediu à Virgem Maria que lhe concedesse a graça de poder caminhar. Neste instante, sentiu uma força invadir as pernas, ficou de pé e andou até onde estava a empregada, que, junto com o vigário, constatou o prodígio.
Assim que terminou os estudos ingressou no Mosteiro beneditino de Cluny, em 991. Tão exemplar e humilde foi seu trabalho que, quando o abade e santo Maiolo sentiu que sua hora era chegada, elegeu-o seu sucessor, em 994. Este cargo, Odilo ocupou até a morte.
Ele era um homem de estatura pequena e aparência comum, mas possuía uma força de caráter imensa. Soube unir suas qualidades inatas de liderança e diplomacia, com a austeridade da vida monástica e o desejo de fazer reinar Cristo sobre a terra. Desta maneira conseguiu, num período difícil de conflitos entre a Igreja e o império, realizar a doutrina de paz e fraternidade pregadas no Evangelho. Exerceu sua influência sobre os dois, de modo que se estabeleceu a célebre “trégua de Deus”, conseguida, grande parte, por seu empenho.
Como alto representante da Igreja que se tornara, era procurado e consultado tanto pelos ilustres da corte como pelos pobres do povo, atendendo a todos com a mesma humildade de um servo de Cristo. A sua caridade era ilimitada, tanto que, para suprir as necessidades dos famintos e abandonados, chegava a doar as despensas do mosteiro. Até a valiosa coroa, presenteada pelo imperador Henrique II, e os objetos sagrados da Abadia foram vendidos, quando a população se viu assolada pela peste, em 1006. Mesmo assim os recursos foram insuficientes, então, Odilo se fez um mendigo entre os mendigos, passando a pedir doações aos príncipes e à aristocracia rica, repassando para a população flagelada.
No trabalho religioso, aumentou a quantidade dos mosteiros filiados à Abadia de Cluny, que de trinta e sete passaram a ser sessenta e cinco. Naquela época, Cluny se tornou a capital de uma verdadeira reforma monástica, que se difundiu por toda a Europa e, pode-se dizer que Odilo, quinto abade de Cluny, era considerado o verdadeiro chefe da cristandade, porque o papado teve de se envolver com os problemas políticos da anarquia romana.
Em 998, por sua determinação, todos os conventos beneditinos passaram a celebrar “o dia de todas as almas”, data que Roma implantou para todo o mundo católico em 1311, com o nome de “dia de finados”. Foi ainda eleito Arcebispo de Lion pelo povo e pelo clero, chegando a ser nomeado pelo Papa João XIX, mas recusou o cargo.
Em 31 de dezembro de 1049, morreu com fama de santidade, no mosteiro de Souvigny, França. O seu culto foi reconhecido pela Igreja e incluído no calendário dos beneditinos de todo o mundo, cuja comemoração passou do dia 2 de janeiro para 19 de janeiro.

Santo Canuto IV
Canuto nasceu no ano 1040. Era o filho primogênito do rei Estevão II, da Dinamarca, portanto, o sucessor direito e legal ao trono. Mas, quando seu pai morreu, Canuto foi traído por um irmão ambicioso, que lhe usurpou o reino.
Criado e educado com sabedoria e nobreza, o santo desde pequeno mostrou dotes de piedade e caridade. Encontrou desde cedo paz e serenidade na oração e na fé. Casou-se com uma cristã, princesa de Flandres, e com ela teve um filho, Carlos, que também se tornaria santo. Com toda essa formação, Canuto não reagiu com violência à traição do irmão, aventureiro e ingrato. Confiou e esperou.
Quatro anos mais tarde o usurpador morreu. Pôde, então, se tornar rei, Canuto IV, assumindo a coroa que lhe pertencia. Nesta ocasião a Dinamarca assistiu a um dos reinados mais enérgicos, piedosos e corretos de toda sua História. Canuto foi, segundo todos os registros, sem nenhuma voz discordante, um rei que deixou em todos os seus atos a marca da justiça e da caridade, com uma política inteiramente voltada em benefício dos necessitados. Além disso, favoreceu grandemente o cristianismo, fazendo construir dezenas de igrejas, conventos, escolas e hospitais.
Mas sua política de favorecimento aos pobres desagradou a nobreza. Esta se articulou contra ele de forma que fosse mal sucedido em uma guerra contra a Inglaterra, em 1075. Novamente atraiçoado e mais uma vez por um irmão, Canuto foi perseguido, procurando refúgio na Igreja de Santo Albano em Odense, onde foi assassinado. Era o dia 19 de janeiro de 1086 e ele morreu ajoelhado defronte ao altar. Tinha apenas quarenta e seis anos.
Sua morte foi considerada como martírio, milagres foram registrados em seu túmulo e ele passou a ser venerado como santo pelo povo. Em 1100, os emissários do rei Eric III entregaram o processo de canonização ao papa Pascoal II. No ano seguinte, seu culto foi autorizado e o rei São Canuto IV declarado o padroeiro da Dinamarca.

Santo Mário
Na metade do século terceiro, em 251, houve um novo reflorecer de toda a Igreja, do oriente e do ocidente, inclusive o papa Cornélio pôde presidir um sínodo de sessenta bispos. Entre 268 e 270, o imperador era Cláudio II, que não decretou oficialmente nenhuma perseguição ao cristianismo. Entretanto, na maioria dos antigos calendários litúrgicos foram fixados, ao longo desses dois anos, os martírios de Mário, Marta, Audifax, Ábaco e do sacerdote Valentim. Este último, morto porque continuava unindo os casais em matrimonio, contrariando o decreto do imperador.
Os cinco testemunhos foram narrados cerca de um século depois dos fatos, de maneira que se confundiram entre si e a presença do padre Valentim serviu para reforçar ainda mais esta antiga tradição. Ela conta que Mário, Marta, Audifax e Ábaco vieram em peregrinação da Pérsia até Roma, para venerar os túmulos dos apóstolos, Pedro e Paulo. Nos arredores da cidade acabaram ajudando um sacerdote, Valentim, a enterrar os corpos de duzentos e sessenta mártires, que jaziam decapitados e abandonados ao lado de uma estrada. Eles foram flagrados no cemitério, em Salária e presos.
A partir deste ponto a tradição passou a citar Mário e Marta como um possível casal, qualificando Aldifax e Ábaco como seus filhos ou irmãos de Mário. A dúvida sobre se eram ou não um casal vem do forte carisma do sacerdote Valentim, já existente neste século, cuja veneração se fortaleceu tanto, alcançando o terceiro milênio e atingindo todos os recantos do mundo.
Todos morreram, mas não renegaram a fé e se recusaram a prestar culto ao imperador. Os homens foram decapitados na Via Cornélia. Primeiro Mário, seguido por Aldifax e Ábaco, exceto o sacerdote Valentim, martirizado quase um mês depois. Marta, mesmo informando que ainda não havia recebido o batismo, também morreu, afogada num poço há treze milhas fora dos muros de Roma.
Mais tarde, uma cristã conseguiu levar seus corpos para um túmulo situado em seu terreno, na própria Via Cornélia. Nesse local, na propriedade de Boccea, surgiu uma igreja, cujas ruínas existem ainda hoje. Treze séculos depois, em 1590, os corpos foram descobertos e as relíquias guardadas em igrejas da Itália e Alemanha.
A grande difusão do nome Mário vem precisamente deste santo. No antigo idioma céltico ele é o sinônimo de macho, mas popularmente se diz que é considerado o masculino de Maria. Mais um motivo da devoção do primeiro dos mártires da via Cornélia ter se mantido, de forma constante e tenaz, em todos os calendários litúrgicos da Igreja, até os nossos dias.

ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 19/01/2023
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Do Livro do Deuteronômio 10, 12 – 11, 9.26-28
Segui o caminho de Deus
Naqueles dias, Moisés falou ao povo, dizendo:
«Agora, Israel, que te pede o Senhor teu Deus? Que temas o Senhor teu Deus e o sigas em todos os seus caminhos; que ames e sirvas o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração e com toda a tua alma, observando os mandamentos e leis do Senhor que hoje te confio para tua felicidade. Ao Senhor teu Deus pertencem os céus e os céus dos céus, a terra e tudo o que ela contém. Mas foi só aos vossos pais que o Senhor dedicou o seu amor; depois deles, escolheu-vos a vós, seus descendentes, de preferência a todos os povos, como hoje se verifica.
Circuncidai o vosso coração e não sejais de dura cerviz, porque o Senhor, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, forte e terrível, que não faz acepção de pessoas nem aceita presentes. Ele faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, a quem dá pão e vestuário. Amai, portanto, o estrangeiro, porque vós também fostes estrangeiros na terra do Egito. É ao Senhor teu Deus que deves temer e servir, é a Ele que deves seguir, é pelo seu nome que hás de jurar. É a Ele que deves louvar, porque é o teu Deus, que realizou por ti maravilhas e prodígios terríveis que os teus olhos contemplaram. Quando desceram ao Egito, os teus antepassados eram setenta pessoas; e o Senhor teu Deus tornou-te agora numeroso como as estrelas do céu.
Amarás o Senhor teu Deus e guardarás sempre as suas determinações: as suas leis, os seus preceitos e os seus mandamentos.
Vós conheceis por experiência, e os vossos filhos não. Eles não viram as lições do Senhor vosso Deus, a sua grandeza, a sua mão poderosa e o seu braço estendido, os sinais e obras admiráveis que realizou no Egito contra o faraó e toda a sua nação; como tratou o exército egípcio, os seus cavalos e carros, fazendo refluir sobre eles as águas do Mar Vermelho, quando eles vos perseguiam, e o Senhor os aniquilou até ao dia de hoje; o que fez por vós no deserto, até à vossa chegada a este lugar; o que fez a Datã e Abirão, filhos de Eliab, filho de Rúben, quando a terra se abriu e diante de todo o Israel os engoliu, com as famílias, as tendas e quanto lhes pertencia.
Com os vossos próprios olhos vistes a obra grandiosa que o Senhor realizou. Guardai todos os mandamentos que hoje vos entrego, para serdes fortes e conquistardes a terra de que ides tomar posse, para viverdes longos dias na terra que o Senhor jurou dar a vossos pais e à sua descendência, uma terra onde corre leite e mel.
Ponho hoje diante de vós a bênção e a maldição: a bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor ,vosso Deus, que hoje vos prescrevo; a maldição, se não obedecerdes aos mandamentos do Senhor, vosso Deus, afastando-vos do caminho que hoje vos indico, para seguirdes outros deuses que não conhecestes».
SEGUNDA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Dos Capítulos de Diádoco de Foticeia, bispo, sobre a perfeição espiritual
(Cap. 12.13.14: PG 65, 1171-1172) (Sec. V)
Só a Deus se deve amar
Quem se ama a si mesmo não pode amar a Deus; aquele que, movido pela riqueza superior do amor divino, não se ama a si mesmo, esse ama a Deus. E como consequência, tal homem nunca busca a própria glória, mas a glória de Deus. Quem se ama a si mesmo procura a sua glória; quem ama a Deus procura a glória do seu Criador.
É próprio da alma que sente o amor de Deus procurar sempre a glória de Deus em todos os preceitos que cumpre e deleitar-se na submissão à vontade divina, pois a glória pertence à magnificência de Deus, enquanto ao homem convém a submissão, que o leva a formar parte da família de Deus. Quando procedemos assim, a nossa felicidade está na glória do Senhor e não nos cansamos de repetir, a exemplo de João Baptista: É necessário que Ele cresça e eu diminua.
Sei de alguém que sofre por ainda não amar a Deus como deseja; e contudo ama-o de tal modo que o maior desejo da sua alma é ver a Deus glorificado nele e ver-se a si mesmo como se nada fosse. Tal homem não se deixa impressionar por palavras elogiosas, porque sabe quem é na realidade; ao contrário, no seu grande desejo de humilhação, não pensa na própria dignidade; entrega-se ao serviço divino como a lei prescreve aos sacerdotes, mas o seu ardente desejo de amar a Deus fá-lo esquecer a própria dignidade e ocultar a própria glória nas profundidades do amor de Deus; pelo seu espírito de humildade, não pensa em si mesmo e apenas se considera como servo inútil. Assim devemos proceder nós também, evitando as honras e a glória, atraídos pela superior riqueza do amor de Deus que tanto nos amou.
Deus conhece aqueles que o amam de coração sincero; esses são de fato amigos de Deus na medida em que sentem na alma a caridade divina. Quem atinge essa perfeição deseja ardentemente que a luz do conhecimento divino penetre até ao mais íntimo do seu ser, a ponto de se esquecer de si mesmo e de se transformar totalmente no amor divino.
Assim transformado, vive no mundo como se não vivesse; vive no corpo, mas a sua alma encontra-se numa permanente peregrinação para Deus; o seu coração, inflamado pelo fogo da caridade, está tão unido a Deus e tão livre do amor próprio, que pode dizer com o Apóstolo: Se estamos fora de nós, é por Deus; se somos sensatos, é por vós.
LEITURA BREVE
Ef 2, 13-16
Foi em Cristo Jesus que vós, outrora longe de Deus, vos aproximastes d’Ele, graças ao Sangue de Cristo. Cristo é, de fato, a nossa paz. Foi Ele que fez de judeus e gentios um só povo, e derrubou o muro da inimizade que os separava, anulando, pela imolação do seu Corpo, a Lei de Moisés com as suas prescrições e decretos. E assim, de uns e outros ele fez em si próprio um só homem novo, estabelecendo a paz. Pela cruz, reconciliou com Deus uns e outros, reunidos num só Corpo, levando em si próprio a morte à inimizade.
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Deut 1, 31b
O Senhor conduziu-vos, como um pai conduz o seu filho, por todo o caminho por onde andastes até chegar a este lugar.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Bar 4, 28-29
Quisestes apartar-vos de Deus: ponde agora dez vezes mais zelo em procurá-lo. Aquele que sobre vós fez cair a catástrofe, dar-vos-á, com a libertação, a alegria eterna.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Sab 1, 13-15
Não foi Deus quem fez a morte, nem ele se alegra com a perdição dos vivos. Pela criação deu o ser a todas as coisas, e o que nasce no mundo destina-se ao bem. Em nada existe o veneno que mata, nem o poder da morte reina sobre a terra, porque a justiça é imortal.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
1Cor 2, 7-10a
Nós falamos da sabedoria de Deus, misteriosa e oculta, que já antes dos séculos Deus tinha destinado para a nossa glória. Nenhum dos príncipes deste mundo a conheceu; porque, se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória. Mas, como está escrito: «Nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pelo pensamento do homem o que Deus preparou para aqueles que o amam». Mas a nós, Deus o revelou por meio do Espírito Santo.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Jer 14, 9
Estais no meio de nós, Senhor, e sobre nós foi invocado o vosso nome. Não nos abandoneis, Senhor nosso Deus.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos.
** O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária. Nestes estudos apresentamos o Salmo completo, a não ser que seja excessivamente extenso, e eventualmente inserimos algumas passagens suprimidas que reputamos importantes para a melhor compreensão e compenetração no ensinamento bíblico). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
*** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
**** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
***** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
