“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 19 DE JANEIRO DE 2024
19 de janeiro de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 21 DE JANEIRO DE 2024
21 de janeiro de 2024SÁBADO DA II SEMANA DO TEMPO COMUM
Concitamos que empregue especial empenho e dedicação em sorver o néctar espiritual potencializador da prática cristã no IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA), para sustento, remédio e fortalecimento espiritual. A leitura dos EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ e dos ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA complementam essa refeição espiritual. Sugerimos que, na medida das possibilidades, nos tempos livres do pensamento, escolha para assistir, conforme apetecer, como em um bufê, alguns dos vídeos disponibilizados, buscando aumentar a “ingestão” desses conteúdos e diminuir os “do mundo”. Que o Senhor derrame copiosas bênçãos sobre sua vida e seu organismo espiritual se fortaleça a cada dia mais para produzir preciosos frutos de vida cristã autêntica, com muita graça e unção!
Recomendamos vivamente que ouça a oração da manhã disponibilizada no link abaixo:
https://youtu.be/5fpC8YXi8yQ?si=gk3p52JBbNgLk5Se

SAUDAÇÃO
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

LITURGIA DIÁRIA
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4244-liturgia-de-20-de-janeiro-de-2024>]
Antífona da entrada
– Que toda a terra vos adore com respeito e proclame o louvor do vosso nome, ó Altíssimo! (Sl 65,4)
Coleta
– Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai clemente as súplicas de vosso povo e dai ao nosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: 2Sm 1,1-4.11-12.19.23-27
Salmo Responsorial: Sl 79,2-7
– Resplandecei a vossa face, e nós seremos salvos!
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Abri-nos, ó Senhor, o coração, para ouvirmos a palavra de Jesus! (At 16,14)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 3,20-21.
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)

Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz
As santas palavras da 1ª Leitura nos ensinam pelo escritor sagrado (2Sm 1,1-4.11-12.19.23-27): Depois da morte de Saul, Davi voltou da derrota dos amalecitas, e esteve dois dias em Siceleg. 2. Ao terceiro dia, apareceu um homem que vinha do acampamento de Saul; trazia as vestes rasgadas e a cabeça coberta de pó. Chegando perto de Davi, jogou-se por terra, prostrando-se. 3. Davi disse-lhe: De onde vens? Salvei-me do acampamento de Israel, respondeu ele. 4. Que aconteceu?, perguntou Davi. Conta-mo! Ele respondeu: As tropas fugiram do campo de batalha, e muitos homens do exército tombaram. Saul também, e seu filho Jônatas, pereceram! 11. Então tomou Davi as suas vestes e rasgou-as, imitando-o nesse gesto todos os que estavam com ele. 12. Estiveram em pranto, choraram e jejuaram até a tarde por causa de Saul, de seu filho Jônatas, do exército do Senhor e da casa de Israel, que haviam caído sob a espada. 19. Tua flor, Israel, pereceu nas alturas! Como tombaram os heróis? 23. Saul e Jônatas, amáveis e encantadores, nunca se separaram, nem na vida nem na morte, mais velozes do que as águias, mais fortes do que os leões! 24. Filhas de Israel, chorai por Saul, que vos vestia de púrpura suntuosa, e ornava de ouro vossos vestidos. 25. Como caíram os heróis? Em pleno combate Jônatas tombou sobre as tuas colinas. 26. Jônatas, meu irmão, por tua causa meu coração me comprime! Tu me eras tão querido! Tua amizade me era mais preciosa que o amor das mulheres. 27. Como caíram os heróis? Como pereceram os artilheiros de guerra?
As santas palavras do Salmo Responsorial apresentam o louvor orante do salmista (Sl 79,2-7): Escutai, ó pastor de Israel, vós que levais José como um rebanho. 3. Vós que assentais acima dos querubins, mostrai vosso esplendor em presença de Efraim, Benjamim e Manassés. Despertai vosso poder, e vinde salvar-nos. 4. Restaurai-nos, ó Senhor; mostrai-nos serena a vossa face e seremos salvos. 5. Ó Deus dos exércitos, até quando vos irritareis contra o vosso povo em oração? 6. Vós o nutristes com o pão das lágrimas, e o fizestes sorver um copioso pranto. 7. Vós nos tornastes uma presa disputada dos vizinhos: os inimigos zombam de nós.
O Santo Evangelho ensina-nos pelo Evangelista (Mc 3,20-21): Dirigiram-se em seguida a uma casa. Aí afluiu de novo tanta gente, que nem podiam tomar alimento. 21. Quando os seus o souberam, saíram para o reter; pois diziam: “Ele está fora de si.”

Compromisso – 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer
As santas palavras da liturgia do dia 20 de janeiro de 2024 compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura, de nos impregnarmos da consciência do que revela e nos empenharmos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece em especial nesta perícope (2Sm 1,1-4.11-12.19.23-27) sobre o pesar de Davi com a notícia da morte de Saul e Jônatas, com especial ênfase sobre a compressão de seu coração pela perda do fiel amigo Jônatas, cuja amizade lhe era mais preciosa que o amor das mulheres. Cumpre-nos impregnar-nos da consciência de que estamos sujeitos a perdas dolorosas e de modo especial a compreender a realidade expressa por Davi, de que uma amizade sincera é mais preciosa que a fonte dos mais elevados prazeres da carne- ainda que usufruídos licitamente, sob as bênçãos do sacramento do matrimônio, sendo tal perícope esclarecedora do quanto a amizade de Jesus é preciosa para os que optam pela vida consagrada com o voto de castidade.
As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista (Sl 79,2-7).
O Santo Evangelho (Mc 3,20-21) compele-nos em especial a impregnar-nos da consciência de que, após escolher seus apóstolos no monte onde estava orando, Jesus os chamou, os instruiu e em seguida se dirigiram a uma casa, para onde afluiu tanta gente que não conseguiam mais nem tomar alimento. Quando os parentes de Jesus souberam disso, se dirigiram para lá com o propósito de retê-lo, considerando que ele estava fora de si. Cumpre-nos impregnar-nos da consciência de que a missão cristã implica desafios, momentos de intensa atividade e também incompreensões dos que não conseguem perceber os significados divinos que subjazem tais momentos, bem como a missão como um todo. Sobre a impressão dos que consideraram que Jesus estava fora de si, a história que se sucedeu revela o quão enganados estavam, pois os frutos gerados pela atuação de Jesus e seus apóstolos revelam o quão saudável e divinamente provida de razoabilidade é a árvore da cristandade – e de quão amargos são os frutos produzidos pelas árvores que intentam substituí-la na condução dos destinos do gênero humano!

Oração consolidadora do compromisso – 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência do que revela e nos empenhemos para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina que emana das santas palavras da liturgia do dia 20 de janeiro de 2024, que esclarece em especial em 2 Samuel 1,1-4.11-12.19.23-27 sobre o pesar de Davi com a notícia da morte de Saul e Jônatas, com especial ênfase sobre a compressão de seu coração pela perda do fiel amigo Jônatas, cuja amizade lhe era mais preciosa que o amor das mulheres. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência de que estamos sujeitos a perdas dolorosas e compreendamos com profundidade a realidade expressa por Davi, de que uma amizade sincera é mais preciosa que a fonte dos mais elevados prazeres da carne- ainda que usufruídos licitamente, sob as bênçãos do sacramento do matrimônio – sendo tal perícope esclarecedora do quanto a amizade de Jesus é preciosa para os que optam pela vida consagrada com o voto de castidade. Fazemos coro com o louvor orante do salmista (Sl 79,2-7): Escutai, ó pastor de Israel, vós que levais José como um rebanho. 3. Vós que assentais acima dos querubins, mostrai vosso esplendor em presença de Efraim, Benjamim e Manassés. Despertai vosso poder, e vinde salvar-nos. 4. Restaurai-nos, ó Senhor; mostrai-nos serena a vossa face e seremos salvos. 5. Ó Deus dos exércitos, até quando vos irritareis contra o vosso povo em oração? 6. Vós o nutristes com o pão das lágrimas, e o fizestes sorver um copioso pranto. 7. Vós nos tornastes uma presa disputada dos vizinhos: os inimigos zombam de nós. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos profundamente da consciência do significado deste salmo; elevamos nossa súplica em uníssono com o salmista para que tenhais piedade de nós diante da zombaria que o mundo faz dos que vos são fiéis. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência de que, após escolher seus apóstolos no monte onde estava orando, Jesus os chamou, os instruiu e em seguida se dirigiram a uma casa, para onde afluiu tanta gente que não conseguiam mais nem tomar alimento. Quando os parentes de Jesus souberam disso, se dirigiram para lá com o propósito de retê-lo, considerando que ele estava fora de si. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência de que a missão cristã implica desafios, momentos de intensa atividade e também incompreensões dos que não conseguem perceber os significados divinos que subjazem tais momentos, bem como a missão como um todo. Sobre a impressão dos que consideraram que Jesus estava fora de si, a história que se sucedeu revela o quão enganados estavam, pois os frutos gerados pela atuação de Jesus e seus apóstolos revelam o quão saudável e divinamente provida de razoabilidade é a árvore da cristandade – e de quão amargos são os frutos produzidos pelas árvores que intentam substituí-la na condução dos destinos do gênero humano! Cremos, Senhor, mas aumentai a nossa fé!

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo
Esse é um passo individual, sendo os anteriores base, estímulo e impulso para dá-lo da forma mais elevada possível. A participação na Santa Missa (ou, alternativamente, assisti-la por meio eletrônico), a récita do Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais nos sentimos particularmente tocados (em especial invocando a proteção e orientação dos anjos) são práticas de importância fundamental! Prosseguir nas leituras abaixo também contribui para elevar-se a esse quarto degrau. Elas dão a conhecer a história de vida dos santos com seus exemplos de prática cristã. Proporcionam ainda a compenetração no teor das leituras destacadas nas orações da Liturgia das Horas (recomendamos recitar ou pelo menos ouvir essas orações em seus respectivos horários) – que consistem em estímulos para a santificação do dia. Além disso, recomendamos usufruir os infinitos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual. Cumpre-nos, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades de cada um, avançar na prática de orações mentais meditando leituras recomendadas para tal, bem como avançar na busca de ampliar o conhecimento da fé, da doutrina cristã expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos. São tesouros de inimaginável valor que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41).
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 20 de Janeiro
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/01/santos-do-dia-da-igreja-catolica-20-de-janeiro/>]

São Sebastião
A reprodução do martírio de São Sebastião, amarrado a uma árvore e atravessado por flechas é uma imagem milhares de vezes retratada em quadros, pinturas e esculturas, por artistas de todos os tempos. Entretanto, nem todos sabem que o destemido Santo não morreu daquela maneira. O suplício das flechas não lhe tirou a vida, resguardada pela fé em Cristo. Vejamos como tudo aconteceu.
Sebastião nasceu em Narbônia, na Gália, atual França, mas foi criado por sua mãe em Milão, na Itália, de acordo com os registros de Santo Ambrósio. Pertencente a uma família cristã, foi batizado ainda pequenino. Mais tarde, tomou a decisão de engajar-se nas fileiras romanas e chegou a ser considerado um dos oficiais prediletos do imperador Diocleciano. Contudo, nunca deixou de ser um cristão convicto e protetor ativo dos cristãos.
Ele fazia tudo para ajudar os irmãos na fé, procurando revelar o Deus verdadeiro aos soldados e aos prisioneiros. Secretamente, Sebastião conseguiu converter muitos pagãos ao cristianismo. Até mesmo o governador de Roma, Cromácio, e seu filho Tibúrcio foram convertidos por ele. Em certa ocasião, Sebastião foi denunciado, pois estava contrariando o seu dever de oficial da lei. Teve então, que comparecer ante ao imperador para dar satisfações sobre o seu procedimento.
O imperador da época era ninguém menos que o sanguinário Diocleciano, que lhe dispensara admiração e confiara nele, esperando vê-lo em destacada posição no seu exército, numa brilhante carreira e por isso considerou-se traído. Levado à sua presença, Sebastião não negou sua fé. O imperador lhe deu ainda uma chance para que escolhesse entre sua fé em Cristo e o seu posto no exército romano. Ele não titubeou, ficou mesmo com Cristo. A sentença foi imediata: deveria ser amarrado a uma árvore e executado a flechadas.
Após a ordem ser executada, Sebastião foi dado como morto e ali mesmo abandonado, pela mesma guarda pretoriana que antes chefiara. Entretanto, quando uma senhora cristã foi até o local à noite, pretendendo dar-lhe um túmulo digno, encontrou-o vivo! Levou-o para casa e tratou de suas feridas até vê-lo curado.
Depois, cumprindo o que lhe vinha da alma, ele mesmo se apresentou àquele imperador anunciando o poder de Nosso Senhor Jesus Cristo e censurando-o pelas injustiças cometidas contra os cristãos, acusando-o de inimigo do Estado. Perplexo e irado com tamanha ousadia, o sanguinário Diocleciano o entregou à guarda pretoriana após condená-lo, desta vez, ao martírio no circo. Sebastião foi executado então com pauladas e boladas de chumbo, sendo açoitado até a morte, no dia 20 de janeiro de 288.
Os algozes cumpriram a ordem e, para evitar a sua veneração, foi jogado numa fossa, de onde a piedosa cristã Santa Luciana o tirou, para sepultá-lo junto de São Pedro e São Paulo. Posteriormente, em 680, as relíquias foram transportadas solenemente para a Basílica de São Paulo, fora dos muros, construída pelo imperador Constantino. Naquela ocasião em Roma a peste vitimava muita gente, mas a terrível epidemia desapareceu na hora daquela transladação. Em outras ocasiões foi constatado o mesmo fato; em 1575 em Milão, e em 1599 em Lisboa, ambas ficando livres da peste pela intercessão do glorioso mártir São Sebastião.
No Brasil, diz a tradição, que no dia da festa do padroeiro, em 1565, ocorreu a batalha final que expulsou os franceses que ocupavam a cidade do Rio de Janeiro, quando São Sebastião foi visto de espada na mão entre os portugueses, mamelucos e índios, lutando contra os invasores franceses calvinistas.
Ele é o protetor da humanidade contra a fome, a peste e a guerra e é claro do cartão postal do Brasil, a cidade maravilhosa de São Sebastião do Rio de Janeiro.

São Fabiano
Fabiano era um fazendeiro cristão nascido em Roma. Era um laico, quer dizer, não era um sacerdote, mas mesmo assim foi escolhido pelo povo e pelo clero para ocupar a cátedra de São Pedro. Tudo aconteceu devido a um fato ocorrido quando a assembleia cristã estava tentando escolher o novo pastor da Igreja de Roma. Num determinado momento uma pomba, símbolo do Espírito Santo, pousou sobre sua cabeça e eles entenderam isto como um sinal de Deus. Foi eleito e ordenado diácono, presbítero e bispo no mesmo dia, 10 de janeiro de 236. Depois de ser consagrado o vigésimo sacerdote a ocupar a Cátedra da Igreja de Roma, o então papa Fabiano se dirigiu ao túmulo de São Pedro para rezar.
Administrador nato, realizou o censo do povo de Cristo presente na cidade de Roma. Depois dividiu a cidade em sete distritos eclesiásticos, ou paróquias, e delegou a cada uma os seus paroquianos, seu clero e suas catacumbas, como eram chamados os cemitérios. O papa Fabiano, que era um quase desconhecido antes da eleição, foi muito apreciado também por suas intervenções doutrinais, especialmente nas controvérsias da Igreja da África. Sob seu pontificado de catorze anos houve paz e desenvolvimento interno e externo da Igreja.
Segundo são Cipriano, bispo de Cartago, capital romana da África do norte, o próprio imperador Décio admitia a sua competência e teria dito que preferia um rival no império a um bispo como Fabiano em Roma. O soberano estava com problemas no seu governo, os domínios romanos diminuíam devido às constantes rebeliões. Ele atribuiu a culpa aos cristãos e desencadeou uma ferrenha perseguição contra toda a Igreja.
Ocorreu um grande êxodo de cristãos de Roma, que se deslocaram para o oriente à procura das comunidades religiosas dos desertos, um pouco mais protegidas das perseguições. Este foi o início para a vida eremita, com os “anacoretas”, mais conhecidos como os padres do deserto. Entretanto, o papa Fabiano permaneceu no seu posto e não renegou a fé, sendo decapitado no dia 20 de janeiro de 250.
Assim escreveu sobre ele São Cipriano na Carta que enviou ao clero romano: “Quando era ainda incerta entre nós a notícia da morte desse homem justo, meu companheiro no episcopado, a carta que me enviastes […] por ela fiquei a par da sua gloriosa morte. Muito me alegrei, porque a integridade do seu governo foi coroada com um fim tão nobre.”
Depois do seu martírio, a Cátedra de Pedro ficou desocupada por mais de um ano, até que o clero e o povo de Roma pudessem eleger um novo bispo, devido à intensa perseguição ao catolicismo.

Maria Cristina (Brando) da Imaculada Conceição (Bem-Aventurada)
Adelaide Brando nasceu no dia primeiro de maio de 1856, numa família com boa situação financeira. O pai, João, homem muito respeitado, ocupava um importante cargo num banco da cidade. Aos doze anos, na noite de Natal, ajoelhada diante do Menino Jesus, ela se consagrou a Deus com um voto de perpétua virgindade. Quando desejou ser uma sacramentina, encontrou oposição do seu pai, que depois a abençoou e permitiu que se juntasse à sua irmã Maria Pia, uma clarissa do mosteiro das fiorentinas, em Nápoles.
Mas uma grave doença a fez regressar para casa duas vezes. Uma vez curada, em 1875, ingressou na Congregação das Sacramentinas, e depois de um ano tomou o hábito e mudou o nome para o de Maria Cristina da Imaculada Conceição. Porém tornou a adoecer e foi forçada a deixar o caminho que havia iniciado com tanto fervor.
A esta altura pôde perceber que tinha chegado o momento de criar uma família religiosa. Assim, no ano de 1878, enquanto morava no pensionato junto às teresianas de Torre del Greco, lançou os fundamentos da Congregação das Irmãs Vítimas Expiadoras de Jesus Sacramentado, que cresceu rapidamente, apesar das escassas economias e das oposições, sem falar da precária saúde da fundadora.
Depois de ter passado por várias sedes, a comunidade, seguindo os conselhos dos seus diretores espirituais, padre Michelangelo de Marigliano e beato Ludovico de Casoria, se transferiu para Casoria, não muito distante de Nápolis. A nova congregação encontrou muitas dificuldades mas conseguiu se manter com a ajuda da Divina Providência e de muitos benfeitores e sacerdotes, dentre os quais se sobressai o padre Domenico Maglione. A congregação se enriqueceu com novos membros e casas; sempre testemunhou uma grande devoção para com a Eucaristia e primou pelo constante empenho e cuidado na educação de meninos e meninas – carisma desta família de religiosas.
No ano de 1897, Maria Cristina emitiu os votos temporários; no dia 20 de julho de 1903 a congregação obteve a aprovação canônica da Santa Sé e no dia 2 de novembro do mesmo ano, a Fundadora, junto com muitas irmãs, emitiu a profissão perpétua.
Ela viveu com generosidade, com perseverança e alegria espiritual na sua consagração e assumiu o encargo de superiora geral com humildade, prudência e amabilidade, dando exemplos contínuos de fidelidade a Deus e à vocação, trilhando o caminho da santidade. No dia 20 de janeiro de 1906, entrou na vida eterna que sempre desejou, no Reino de Deus.
Assim como viveu, morreu, sem marcas de prodígios, mas com um semblante sereno que significava a vontade de Jesus Cristo totalmente cumprida. A congregação por ela fundada em Nápolis se espalhou pela Itália e muitos outros países, com suas filhas empenhadas hoje como ontem no árduo caminho da virtude, sendo guiadas na luminosidade do seu exemplo.
O papa João Paulo II a beatificou no ano 2003, em Roma, indicando sua festa para o dia de sua morte.

ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 20/01/2023
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Do Livro do Deuteronômio 16, 1-17
As festas que Israel deve celebrar
Naqueles dias, Moisés falou ao povo, dizendo:
«Tem cuidado em comemorar o mês de Abib em que celebrarás a Páscoa em honra do Senhor teu Deus, porque foi no mês de Abib que o Senhor teu Deus te fez sair do Egito durante a noite. Imolarás ao Senhor, teu Deus, como vítima pascal o melhor das tuas manadas e dos teus rebanhos, no lugar que o Senhor tiver escolhido para aí estabelecer o seu nome.
Não comerás com a vítima pão fermentado: durante sete dias comerás pães ázimos, o pão da angústia, porque deixaste à pressa a terra do Egito; e assim, durante toda a vida, recordarás aquele dia em que saíste da terra do Egito. Não se veja fermento durante os sete dias em tua casa nem em todo o teu território; e da carne que tiveres imolado na tarde do primeiro dia, nada deve restar à noite para a manhã seguinte. Não poderás oferecer o sacrifício da Páscoa em nenhuma das cidades que o Senhor teu Deus te vai dar, mas apenas no lugar que o Senhor teu Deus tiver escolhido para aí estabelecer o seu nome; e aí imolarás a vítima pascal, à tarde, ao sol-posto, à hora em que saíste do Egito. Mandá-la-ás cozer e comê-la‑ás no lugar que o Senhor teu Deus tiver escolhido, e na manhã seguinte voltarás para a tua tenda. Durante seis dias, comerás pães ázimos, e ao sétimo dia haverá reunião festiva em honra do Senhor teu Deus. Não farás nenhum trabalho.
Contarás sete semanas: a partir do dia em que se mete a foice à seara, começa a contar as sete semanas. Depois celebrarás a Festa das Semanas em honra do Senhor teu Deus, na qual as tuas mãos hão de apresentar a oferta voluntária, na proporção das bênçãos que o Senhor teu Deus te tiver concedido. Regozijar-te-ás diante do Senhor teu Deus com o teu filho e a tua filha, o teu escravo e a tua escrava, o levita que habitar na tua cidade, o estrangeiro, o órfão e a viúva que viverem contigo, no lugar que o Senhor teu Deus tiver escolhido para aí estabelecer o seu nome. Lembrar-te-ás que foste escravo no Egito e procurarás guardar diligentemente estes mandamentos.
Celebrarás a Festa dos Tabernáculos durante sete dias, depois de teres recolhido o produto da tua eira e do teu lagar. Alegrar-te-ás na tua festa, com o teu filho e a tua filha, o teu escravo e a tua escrava, o levita, o estrangeiro, o órfão e a viúva que viverem na tua cidade. Celebrarás a festa durante sete dias em honra do Senhor teu Deus no lugar que o Senhor tiver escolhido, porque o Senhor teu Deus abençoará todas as tuas colheitas e todos os trabalhos das tuas mãos, para que sejas verdadeiramente feliz.
Três vezes por ano, todos os varões da tua casa irão à presença do Senhor teu Deus, ao lugar que Ele tiver escolhido, na Festa dos Ázimos, na Festa das Semanas e na Festa dos Tabernáculos. Não se apresentarão de mãos vazias diante do Senhor: cada qual levará uma oferta, na medida da bênção que o Senhor, teu Deus, lhe tiver concedido».
SEGUNDA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Do Tratado de Santo Ireneu, bispo, «Contra as heresias»
(L. 4, 18, 1-2.4.5: SC 100, 596-598.606.610-612) (Sec. II)
A oblação pura da Igreja
O sacrifício puro e agradável a Deus é a oblação da Igreja, que o Senhor mandou que se oferecesse em todo o mundo, não porque Deus tenha necessidade do nosso sacrifício, mas porque aquele que oferece é ele mesmo glorificado no que oferece, se a oferenda é aceitável. A oferta que fazemos ao rei é uma demonstração de honra e de afeto; e o Senhor nos ensinou que devemos apresentar as oferendas com toda a sinceridade e inocência, quando disse: Se estás para apresentar a tua oferenda ao altar e te recordas que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferenda diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão, e depois volta para apresentar a tua oferenda. Devemos oferecer a Deus as primícias da sua criação, como declara Moisés: Não te apresentes de mãos vazias diante do Senhor teu Deus; deste modo, mostrando-se agradecido por meio daquilo mesmo com que foi gratificado, o homem recebe a honra que vem de Deus.
Não foi portanto abolido todo o gênero de oblações. De fato, havia oblações então [no Antigo Testamento], como também as há agora [no Novo]: o povo oferecia sacrifícios, e a Igreja também os oferece. O que mudou foi a espécie de oblação: não são já escravos mas livres os que oferecem agora o sacrifício. O Senhor é um só e o mesmo; mas é diverso o carácter da oblação, conforme é oferecida por escravos ou por homens livres, porque nas oblações se manifesta o sinal distintivo da liberdade. Para Deus nada há sem sentido, sem significado ou razão de ser. Por isso, os antigos consagravam os dízimos dos seus bens, mas os que alcançaram a liberdade põem ao serviço do Senhor todos os seus bens e dão com alegria e liberalidade o que é de maior valor para si, pois o que esperam vale mais que todos eles, imitando aquela pobre viúva do Evangelho, que deitava todo o seu sustento no tesouro de Deus.
Devemos apresentar a nossa oblação a Deus e testemunhar em tudo a gratidão ao Criador, oferecendo-Lhe com espírito sincero, fé sem hipocrisia, esperança e amor ardente, as primícias da sua criação. Só a Igreja pode oferecer ao Criador, com sincera ação de graças, esta oferenda pura que provém da sua criação.
Oferecemos-lhe, portanto, o que é seu, testemunhando a comunhão, a unidade e a ressurreição da carne e do espírito. Assim como o pão, que é fruto da terra, depois da invocação de Deus já não é pão ordinário e corrente, mas Eucaristia, composta de dois elementos, o terrestre e o celeste, também os nossos corpos, recebendo a Eucaristia, já não são corruptíveis, porque têm a esperança da ressurreição.
LEITURA BREVE
Rom12,14-16a
Bendizei aqueles que vos perseguem, abençoai-os e não os amaldiçoeis. Alegrai-vos com os que estão alegres, chorai com os que choram. Tende os mesmos sentimentos uns para com os outros. Não aspireis às grandezas, mas conformai-vos com o que é humilde.
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Deut 8, 5b-6
Assim como um homem corrige o seu filho, assim te corrige o Senhor teu Deus. Guardarás os mandamentos do Senhor teu Deus e andarás com temor em seus caminhos.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Reis 2, 2b-3
Tem coragem e porta-te como um homem. Guardarás os mandamentos do Senhor teu Deus, seguirás os seus caminhos, cumprirás as suas leis, preceitos, regulamentos e estatutos, conforme o disposto na lei de Moisés, e assim serás bem sucedido em tudo o que fizeres.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Jer 6, 16
Detende vossos passos e observai. Informai-vos sobre os caminhos de outrora, vede qual é a senda da salvação. Segui-a e encontrareis o descanso para as vossas almas.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Hbr 13,20-21
O Deus da paz, que ressuscitou dos mortos aquele que, pelo sangue de uma aliança eterna, é o grande pastor das ovelhas, Nosso Senhor Jesus Cristo, vos torne aptos para cumprir a sua vontade em toda a espécie de boas obras e realize em nós o que lhe é agradável, por Jesus Cristo, a quem seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém!
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Deut 6, 4-7
Escuta, Israel. O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. As palavras que hoje te prescrevo ficarão gravadas no teu coração. Hás de recomendá-las a teus filhos, e nelas meditarás, quer estando sentado em casa quer andando pelos caminhos, quando te deitas e quando te levantas.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
