“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 25 DE JANEIRO DE 2024
25 de janeiro de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 27 DE JANEIRO DE 2024
27 de janeiro de 2024SEXTA FEIRA – SANTOS TIMÓTEO E TITO BISPOS E DISCÍPULOS DE PAULO
Concitamos que empregue especial empenho e dedicação em sorver o néctar espiritual potencializador da prática cristã no IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA), para sustento, remédio e fortalecimento espiritual. A leitura dos EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ e dos ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA complementam essa refeição espiritual. Sugerimos que, na medida das possibilidades, nos tempos livres do pensamento, escolha para assistir, conforme apetecer, como em um bufê, alguns dos vídeos disponibilizados, buscando aumentar a “ingestão” desses conteúdos e diminuir os “do mundo”. Que o Senhor derrame copiosas bênçãos sobre sua vida e seu organismo espiritual se fortaleça a cada dia mais para produzir preciosos frutos de vida cristã autêntica, com muita graça e unção!
Recomendamos efusivamente que ouça a oração da manhã disponibilizada no link abaixo:
https://youtu.be/90HBNGaMCnw?si=uqk-B6wt5PFq-QOy

SAUDAÇÃO
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

LITURGIA DIÁRIA
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4250-liturgia-de-26-de-janeiro-de-2024>]
Antífona da entrada
– Velarei sobre as minhas ovelhas, diz o Senhor: chamarei um pastor que as conduza e serei o seu Deus (Ez 34,11.23).
Coleta
– Ó Deus, que ornastes os santos Timóteo e Tito com as virtudes dos apóstolos, concedei-nos, por sua intercessão, viver neste mundo com piedade e justiça, para merecermos chegar à pátria celeste. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: 2Tm 1,1-8
Salmo Responsorial: Sl 95,1-3.7-8a.10
– Anunciai entre as nações os grandes feitos do Senhor!
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– O Espírito do Senhor repousa sobre mim e enviou-me a anunciar aos pobres o Evangelho (Lc 4,18).
Aleluia, aleluia, aleluia.
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas: Lc 10,1-9.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)

Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz
As santas palavras da 1ª Leitura nos ensinam pelo escritor sagrado (2Tm 1,1-8): Paulo, apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus para anunciar a promessa da vida que está em Jesus Cristo, 2. a Timóteo, filho caríssimo: graça, misericórdia, paz, da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, nosso Senhor! 3. Dou graças a Deus, a quem sirvo com pureza de consciência, tal como aprendi de meus pais, e me lembro de ti sem cessar nas minhas orações, de noite e de dia .4. Quando me vêm ao pensamento as tuas lágrimas, sinto grande desejo de te ver para me encher de alegria. 5. Conservo a lembrança daquela tua fé tão sincera, que foi primeiro a de tua avó Lóide e de tua mãe Eunice e que, não tenho a menor dúvida, habita em ti também. 6. Por esse motivo, eu te exorto a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. 7. Pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de sabedoria. 8. Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem de mim, seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus.
As santas palavras do Salmo Responsorial apresentam o louvor orante do salmista (Sl 95,1-3.7-8a.10): Cantai ao Senhor um cântico novo. Cantai ao Senhor, terra inteira. 2. Cantai ao Senhor e bendizei o seu nome, anunciai cada dia a salvação que ele nos trouxe. 3. Proclamai às nações a sua glória, a todos os povos as suas maravilhas. (…) 7. Tributai ao Senhor, famílias dos povos, tributai ao Senhor a glória e a honra, 8. tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome. (…) 10. Dizei às nações: O Senhor é rei. E (a terra) não vacila, porque ele a sustém. Governa os povos com justiça.
O Santo Evangelho ensina-nos pelo Evangelista (Lc 10,1-9): Depois disso, designou o Senhor ainda setenta e dois outros discípulos e mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares para onde ele tinha de ir. 2. Disse-lhes: Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe. 3. Ide; eis que vos envio como cordeiros entre lobos. 4. Não leveis bolsa nem mochila, nem calçado e a ninguém saudeis pelo caminho. 5. Em toda casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa! 6. Se ali houver algum homem pacífico, repousará sobre ele a vossa paz; mas, se não houver, ela tornará para vós. 7. Permanecei na mesma casa, comei e bebei do que eles tiverem, pois o operário é digno do seu salário. Não andeis de casa em casa. 8. Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que se vos servir. 9. Curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: O Reino de Deus está próximo.

Compromisso – 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer
As santas palavras da liturgia do dia 25 de janeiro de 2024 compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura, de nos impregnarmos da consciência do que revela e nos empenharmos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece em especial nesta perícope (2Tm 1,1-8) sobre o exemplo de amor fraterno dado por Paulo ao se dirigir a Timóteo, apresentando-se como apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus para anunciar a promessa da vida que está em Jesus Cristo. Desejou-lhe graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, nosso Senhor, a quem serve com pureza de consciência, como aprendeu com seus pais a servir a Deus. Manifestou lembrar de Timóteo nas orações diárias e da alegria que sentia ao lembrar dele, mantendo na memória a fé sincera que recebeu da avó e da mãe. Exortou-o a reavivar a chama do dom de Deus que recebeu pela imposição de suas mãos – que o ordenaram Bispo – afirmando que Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e sabedoria, cumprindo, portanto, dar testemunho de Jesus e de seus santos, ainda que o anúncio do Evangelho enseje sofrimento, com confiança de que o poder de Deus dará as forças necessárias para tudo suportar. Cumpre-nos apropriar-nos das profundas lições de fé concentradas nessas palavras: a clareza que nos proporcionam de que há uma outra vida em Cristo – a vida verdadeira, plena, que nos proporciona a paz divina; a servir o Senhor com pureza de consciência, cultivando a fé que recebemos de quem nos ama; a lembrar com alegria dos amigos nas orações diárias; a reavivar a chama dos dons de Deus que recebemos nos sacramentos, superando a timidez e testemunhando com fortaleza, amor e sabedoria Jesus e os seus santos, ainda que o anúncio do Evangelho gere sofrimento pelas incompreensões dos obstinados no erro, com confiança de que Deus tudo proverá aos que lhe são fiéis.
As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista (Sl 95,1-3.7-8a.10).
O Santo Evangelho (Lc 10,1-9) compele-nos em especial a aprender com o exemplo de delegação de atribuições dado por Jesus, designando setenta e dois outros discípulos para atuar missionariamente pelos lugares onde tinha de ir. Afirmou que a messe é grande e são poucos os operários, cumprindo-nos rogar ao Senhor da messe para que mande operários para ela. Advertiu-os de que eram enviados como ovelhas entre lobos, aconselhando-os a se hospedarem onde fossem bem recebidos e a aceitarem o que lhes fosse oferecido para comer e beber, exercendo a missão de curar os enfermos e anunciar a proximidade do Reino de Deus.

Oração consolidadora do compromisso – 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência do que revela e nos empenhemos para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina que emana das santas palavras da liturgia do dia 25 de janeiro de 2024, que esclarece em especial em 2 Timóteo 1,1-8 sobre o exemplo de amor fraterno dado por Paulo ao se dirigir a Timóteo, apresentando-se como apóstolo de Jesus Cristo, pela vossa vontade, para anunciar a promessa da vida que está em Jesus Cristo. Desejou-lhe graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, nosso Senhor, a quem serve com pureza de consciência, como aprendeu com seus pais a servir a Deus. Manifestou lembrar de Timóteo nas orações diárias e da alegria que sentia ao lembrar dele, mantendo na memória a fé sincera que recebeu da avó e da mãe. Exortou-o a reavivar a chama do dom de Deus que recebeu pela imposição de suas mãos – que o ordenaram Bispo – afirmando que vós não nos destes um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e sabedoria, cumprindo, portanto, dar testemunho de Jesus e de seus santos, ainda que o anúncio do Evangelho enseje sofrimento, com confiança de que o vosso poder nos dará as forças necessárias para tudo suportar. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para apropriar-nos das profundas lições de fé concentradas nessas palavras: a clareza que nos proporcionam de que há uma outra vida em Cristo – a vida verdadeira, plena, que nos proporciona a paz divina; a servir-vos com pureza de consciência, cultivando a fé que recebemos de quem nos ama; a lembrar com alegria dos amigos nas orações diárias; a reavivar a chama dos vossos dons que recebemos nos sacramentos, superando a timidez e testemunhando com fortaleza, amor e sabedoria Jesus e os seus santos, ainda que o anúncio do Evangelho gere sofrimento pelas incompreensões dos obstinados no erro – com confiança de que vós tudo provereis aos que vos são fiéis. Fazemos coro com o louvor orante do salmista (Sl 95,1-3.7-8a.10): Cantai ao Senhor um cântico novo. Cantai ao Senhor, terra inteira. 2. Cantai ao Senhor e bendizei o seu nome, anunciai cada dia a salvação que ele nos trouxe. 3. Proclamai às nações a sua glória, a todos os povos as suas maravilhas. (…) 7. Tributai ao Senhor, famílias dos povos, tributai ao Senhor a glória e a honra, 8. tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome. (…) 10. Dizei às nações: O Senhor é rei. E (a terra) não vacila, porque ele a sustém. Governa os povos com justiça. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que aprendamos em especial com o exemplo de delegação de atribuições dado por Jesus, designando setenta e dois outros discípulos para atuar missionariamente pelos lugares onde tinha de ir – e a esses se sucederam milhares e milhares ao longo da história da Igreja. Afirmou que a messe é grande e são poucos os operários, cumprindo-nos rogar ao Senhor da messe para que mande operários para ela. Advertiu-os de que eram enviados como ovelhas entre lobos, aconselhando-os a se hospedarem onde fossem bem recebidos e a aceitarem o que lhes fosse oferecido para comer e beber, exercendo a missão de curar os enfermos e anunciar a proximidade do Reino de Deus. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que enfrentemos com fortaleza os desafios que as missões que recebemos encerram e aumentemos dia-a-dia, a exemplo de São Paulo, o zelo em fazer da melhor forma possível o que vós quereis que façamos, contribuindo desse modo para a cura das maiores enfermidade que o mundo padece, que são as de origem espiritual. Que possamos contribuir para que a vida em Cristo se torne pujante em muitos e o Reino de Deus se torne realidade cada vez mais proeminente nas vidas individuais, nas famílias, nas comunidades, nas localidades, nos países e em todo o mundo! Cremos, Senhor, mas aumentai a nossa fé!

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo
Esse é um passo individual, sendo os anteriores base, estímulo e impulso para dá-lo da forma mais elevada possível. A participação na Santa Missa (ou, alternativamente, assisti-la por meio eletrônico), a récita do Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais nos sentimos particularmente tocados (em especial invocando a proteção e orientação dos anjos) são práticas de importância fundamental! Prosseguir nas leituras abaixo também contribui para elevar-se a esse quarto degrau. Elas dão a conhecer a história de vida dos santos com seus exemplos de prática cristã. Proporcionam ainda a compenetração no teor das leituras destacadas nas orações da Liturgia das Horas (recomendamos recitar ou pelo menos ouvir essas orações em seus respectivos horários) – que consistem em estímulos para a santificação do dia. Além disso, recomendamos usufruir os infinitos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual. Cumpre-nos, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades de cada um, avançar na prática de orações mentais meditando leituras recomendadas para tal, bem como avançar na busca de ampliar o conhecimento da fé, da doutrina cristã expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos. São tesouros de inimaginável valor que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41).
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 26 de Janeiro
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/01/santos-do-dia-da-igreja-catolica-26-de-janeiro/>]

São Timóteo
O calendário da Igreja volta a homenagear Timóteo, agora juntamente com Tito, por terem ambos vivenciado toda a experiência de São Paulo, escolhendo por este motivo, o dia após a celebração da conversão do apóstolo. Os dois têm suas páginas individuais, destacando suas vidas.
Um santo muito antigo, venerado há muitos e muitos séculos, morreu no ano de 97, Timóteo era o “braço direito” do apóstolo Paulo, seu grande amigo e companheiro, sendo considerado, ao lado do mestre, como o primeiro e corajoso pregador do cristianismo. Quase sempre evangelizaram juntos, mas por várias vezes, Paulo o mandou como representante, em quase todos os lugares importantes daquela época, enquanto ele próprio abria novos caminhos.
Timóteo nasceu em Listra, Ásia. Seu pai era grego e pagão, a mãe se chamava Eunice e era judia. Foi educado dentro do judaísmo. Assim, quando o apóstolo Paulo esteve naquela cidade, tanto sua avó, mãe e ele próprio, então com vinte anos, se converteram. A partir daí, Timóteo decidiu que o seguiria e nunca mais se afastou do santo apóstolo.
Fiel colaborador de Paulo, o acompanhou em suas viagens a Filipos, Tessalônica, Atenas, Corinto, Éfeso e Roma, não o acompanhando somente quando ele o enviava para algumas missões nas igrejas que tinham fundado, com o objetivo de corrigir erros e manter a paz. Como fez em Tessalônica, com o seu aspecto de rapaz frágil. Porém “que ninguém despreze a tua jovem idade”, lhe escreveu Paulo na primeira das duas cartas pessoais. E aos cristãos de Corinto o apresenta assim: “Estou lhes mandando Timóteo, meu filho dileto e fiel no Senhor: manterá em suas memórias os caminhos que lhes ensinei”.
O apóstolo Paulo, escreveu a segunda carta a Timóteo estando de novo na prisão, a espera de sua morte: “Procure vir para junto de mim”. Muitos, de fato, o haviam abandonado; o fiel Tito estava na Dalmácia; o frio o fazia sofrer e ele recomenda a Timóteo; “Traga-me o manto que deixei em Trôade”.
Quando Paulo retornou, por volta do ano 66, Timóteo era o bispo de Éfeso e, com este cargo, foi nomeado pelo apóstolo para liderar a Igreja da Ásia Menor. As epístolas de Paulo, a ele endereçadas, viraram pura literatura cristã e se tornaram documentos preciosos de todos os tempos, como leme e bússola para a Igreja.
A sua morte nos ilustra muito bem o que era ser cristão e apóstolo naquela época. Durante uma grande festa onde era adorada a deusa Diana, Timóteo se colocou no centro dos pagãos e, tentando convertê-los, iniciou um severo discurso criticando e repreendendo o culto herege. Como resposta, os pagãos o mataram a pedradas e pauladas.
Na Palestina, o apóstolo ficou preso durante dois anos e tudo indica que Timóteo foi seu companheiro nessa situação também. Mas ao final deste período, ele foi colocado em liberdade, enquanto Paulo era levado para Roma.

Santo Tito
Tito veio do mundo pagão e Timóteo veio do mundo judeu. Trabalharam com o apóstolo Paulo, que os liderou sem lhes tirar o brilho. E deu à eles “a glória de uma perene lembrança”, como disse Eusébio de Cesareia no primeiro milênio, e será ainda assim nos outros que se seguirão: toda a Igreja os venera juntos. Mas suas trajetórias foram distintas, sendo relatadas em páginas individuais.
As únicas informações concretas nos são dadas pelas cartas do apóstolo Paulo. Tito era grego e pagão. Ainda jovem se converteu ao cristianismo e se tornou companheiro e inestimável colaborador do apóstolo. Quando Paulo disse a Tito: “Isto deves ensinar, recomendar e reprovar com toda autoridade”, fez surgir um outro grande evangelizador, que permaneceu trabalhando ao seu lado.
Encarregado pelo apóstolo para executar importantes missões, foi uma vez a Jerusalém para entregar a importância duma coleta em favor dos cristãos pobres. . “Meu companheiro e colaborador” como escreveu o apóstolo na segunda carta aos Coríntios. Companheiro dos momentos importantes, como a famosa reunião do concílio de Jerusalém, que tratou da necessidade de renovação e diversificação dos ritos devido a evangelização no mundo pagão. Tito, porém, foi também um mediador persuasivo, e entusiasmou Paulo resolvendo uma grave crise entre ele e os Coríntios.
Segundo a tradição mais antiga, Tito permaneceu como bispo de Creta até sua morte, que ocorreu em idade avançada, por causa natural e não por martírio. Ele teria conservado a virgindade até a morte. São Paulo o chama repetidamente “meu companheiro e colaborador”, e na segunda carta aos Coríntios, num momento de especial amargura, diz: “Deus me consolou com a chegada de Tito”.

Santa Paula Romana
Paula nasceu no ano de 347 em Roma, descendia de tradicional família da nobreza desta corte. Aos quinze anos casou-se com Taxozio, que embora pagão, tolerava os cristãos. Ela era riquíssima e vivia no esplendor da opulência da aristocracia romana. Porém esta condição social não afetou seu caráter, não era uma pessoa orgulhosa, o que a fazia ser amada e respeitada por todos, ricos ou pobres.
Teve cinco filhos, todos educados dentro da religião cristã. Sua vocação religiosa sempre foi muito forte, sentindo-se atraída pelo ideal ascético de outras damas da corte que, em Aventino, viviam em comunidade na casa de Marcela, hoje Santa. Ela transformara sua moradia quase num convento, onde se dedicavam às orações, caridade, penitência e a aprenderem a Palavra de Deus.
Em 379, Paula ficou viúva . Ao lado da filha Eutóquio (cujo nome escreve-se assim mesmo), decidiu ingressar na comunidade de Marcela, que então já era orientada por Jerônimo, Bispo de Hipona, que depois se tornou um Santo e Doutor da Igreja e cujo pensamento continua a influenciar o rumo da Igreja de Roma.
Não demorou muito tempo para Paula e a filha transformarem sua casa num mosteiro. Nela hospedou Epifânio, Bispo de Constança, que junto com Jerônimo e Paulino, Bispo da Antioquia chegaram em Roma para o sínodo de 382. Com ele, Paula pode conhecer melhor a vida monástica dos eremitas egípcios. Depois, os dois bispos partiram e Jerônimo ficou em Roma como secretário do Papa Dâmaso. Então ele passou a guiar pessoalmente o mosteiro de Marcela, orientando espiritualmente as religiosas e formulando as regras da nova comunidade.
Mais tarde, com a morte do Papa, Jerônimo voltou para sua diocese no Oriente, acompanhado por Paula, Eutóquio e outras religiosas. Elas foram peregrinar na cidade santa da Palestina e por todos os outros lugares Santos. Quando chegaram em Belém, Paula decidiu fixar sua residência ali.
Logo ela construiu dois mosteiros, um hospital e uma pousada para peregrinos, dedicando-se ao ensinamento litúrgico e ao estudo da Palavra de Deus. A vida era rústica e Paula se tornou exemplo na oração, penitência e caridade, executando os serviços mais humildes e atendendo os pobres e doentes. Para estes, ela dispôs de todos os seus bens e sua vida. Patrocinou inclusive muitos religiosos, especialmente Jerônimo, que graças à Paula pôde completar sua grandiosa obra de comentários e versões.
Ela morreu no ano 404 em Belém, e foi sepultada na Gruta de São Jerônimo, na Igreja da Natividade, nesta cidade, na Palestina. Seu culto se difundiu por todo o mundo católico, graças à São Jerônimo que escreveu sua biografia. A igreja confirmou a festa de Santa Paula Romana que se realiza no dia 26 de janeiro.

ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 26/01/2023
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Do Livro do Deuteronômio 31, 1-15.23
Últimas palavras de Moisés
Naqueles dias, Moisés dirigiu ainda estas palavras a todo o Israel:
«Tenho hoje cento e vinte anos, já não posso ir e vir. Além disso, o Senhor disse-me: ‘Não passarás o Jordão’. É o Senhor teu Deus que há de passá-lo à tua frente, Ele é que destruirá as nações que tens diante de ti e as conquistará. Josué irá à tua frente, como disse o Senhor. O Senhor tratará essas nações como tratou os reis amorreus Sicon e Og e as suas terras que arrasou. O Senhor vo-las entregará nas vossas mãos, e vós as tratareis em tudo segundo as ordens que vos dei. Sede fortes, sede valorosos; não receeis nem tremais diante deles. O Senhor vosso Deus avançará convosco e não vos desamparará nem abandonará».
Depois Moisés chamou Josué e disse-lhe na presença de todo o Israel: «Sê forte e valoroso, porque hás de entrar com este povo na terra que o Senhor jurou dar a seus pais; és tu que o introduzirás nessa herança. O Senhor avançará à tua frente e estará contigo; não te desamparará nem te abandonará. Não temas nem te assustes».
Moisés escreveu esta lei e deu-a aos sacerdotes, filhos de Levi, que transportavam a Arca da Aliança do Senhor, bem como a todos os anciãos de Israel. Moisés deu-lhes também esta ordem: «Todos os sete anos, na altura do ano do perdão, na Festa dos Tabernáculos, quando todo o Israel vier à presença do Senhor teu Deus, ao lugar que Ele tiver escolhido, proclamarás esta Lei diante de todo o Israel, para que os seus ouvidos a escutem. Reunirás o povo, homens, mulheres e crianças, bem como o imigrante que viver nas tuas cidades, para que ouçam e aprendam a temer o Senhor vosso Deus e procurem cumprir todas as palavras desta Lei. Então os filhos deles que ainda não a conheçam, hão de escutá-la e aprenderão a temer o Senhor vosso Deus, todos os dias que viverdes sobre a terra da qual ides tomar posse, depois de passardes o Jordão».
O Senhor disse a Moisés: «Está próximo o dia da tua morte. Chama Josué; apresentai-vos na Tenda da Reunião e Eu lhe darei as minhas ordens». Moisés e Josué apresentaram‑se ambos na Tenda da Reunião, e o Senhor apareceu numa coluna de nuvem que parou à entrada da Tenda.
O Senhor deu as suas ordens a Josué, filho de Nun, dizendo: «Sê forte e valoroso, porque hás de introduzir os filhos de Israel na terra que lhes prometi com juramento. E Eu estarei contigo».
SEGUNDA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Das Homilias de São João Crisóstomo, bispo
(Hom. 2 sobre os louvores de São Paulo: PG 50, 480-484) (Sec. IV)
Combati o bom combate
Enclausurado no cárcere, Paulo sentia-se habitar no Céu. Recebia os açoites e as feridas com mais alegria do que aqueles que recebem as palmas do triunfo; e não estimava as dores menos do que os prêmios, porque considerava as próprias dores como os prêmios que desejava, e amava-as como uma graça. Considerai com atenção o sentido disto: o prêmio, para ele, era ser libertado da carne e estar com Cristo, ao passo que permanecer na carne significava o combate. Mas, por causa de Cristo, sobrepunha ao desejo do prêmio a ânsia de prosseguir o combate, porque considerava ser isto o mais necessário.
Estar afastado de Cristo representava para ele o combate e o sofrimento, mais ainda, o máximo combate e o maior sofrimento; estar com Cristo, pelo contrário, era o prêmio único; e no entanto, por amor de Cristo, Paulo prefere o combate ao prêmio.
Talvez diga algum de vós: «Mas ele dizia sempre que tudo lhe era suave por amor de Cristo». Isso também eu o afirmo, porque as coisas que são para nós causa de tristeza eram para ele enorme prazer. Porque recordarei então os perigos e tribulações que sofreu? Na verdade, o seu profundo desgosto fazia-o exclamar: Qual de vós está doente, sem que eu o esteja também? Qual de vós é escandalizado, sem que eu não me consuma?
Mas peço-vos que não vos limiteis a admirar este tão ilustre exemplo da virtude: imitai-o. Só assim poderemos ser participantes da sua glória.
E se algum de vós se admira por eu dizer que aquele que imitar os méritos de Paulo participará da sua recompensa, ouça o que ele próprio afirma: Combati o bom combate, terminei a minha carreira, permaneci na fé; de resto, está guardada para mim a coroa da justiça que o Senhor, justo juiz, me entregará naquele dia; e não só a mim, mas a todos os que esperam a sua vinda. Vedes como ele nos chama a todos à mesma comunhão na glória?
Ora uma vez que a todos é oferecida a mesma coroa de glória, esforcemo-nos todos por ser dignos dos bens prometidos.
E não consideremos em Paulo apenas a grandeza e a excelência das virtudes, o ânimo sempre pronto e a decisão forte, pelos quais mereceu chegar a tão grande graça; mas pensemos também que a sua natureza era em tudo igual à nossa. E assim, também a nós, as coisas que são muito difíceis parecerão fáceis e leves; e, suportando-as valorosamente neste breve espaço de vida, obteremos aquela coroa incorruptível e imortal, por graça e misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Ele a glória e o poder agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!
LEITURA BREVE
Hebr 13, 7-9a
Lembrai-vos dos vossos chefes, que vos anunciaram a palavra de Deus. Considerai o êxito da sua carreira e imitai a sua fé. Jesus Cristo é sempre o mesmo, ontem, hoje e por toda a eternidade. Não vos deixeis transviar por doutrinas incertas e estranhas.
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 1, 16b-17
O Evangelho é força de Deus para a salvação de todo o crente. Porque no Evangelho se revela a justiça de Deus, que tem origem na fé e conduz à fé, conforme está escrito: «O justo viverá pela fé».
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 3, 21-22a
Independentemente da lei de Moisés, manifestou-se agora a justiça de Deus, de que dão testemunho a Lei e os Profetas; porque a justiça de Deus vem pela fé em Jesus Cristo, para todos os crentes.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Ef 2, 8-9
É pela graça que fostes salvos, por meio da fé. A salvação não vem de nós: é dom de Deus. Não se deve às obras: ninguém se pode gloriar.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
1 Pedro 5, 1-4
Recomendo aos anciãos que estão entre vós, eu que sou ancião como eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo e também participante da glória que há de ser revelada: Apascentai o rebanho de Deus que vos foi confiado, velando por ele, não constrangidos mas de boa vontade, segundo Deus, não por ganância mas por dedicação, nem como dominadores sobre aqueles que vos foram confiados mas tornando-vos modelos do rebanho. E quando aparecer o supremo Pastor, recebereis a coroa eterna de glória.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Jer 14, 9
Estais no meio de nós, Senhor, e sobre nós foi invocado o vosso nome. Não nos abandoneis, Senhor nosso Deus.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
