“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 07 DE FEVEREIRO DE 2024
7 de fevereiro de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 09 DE FEVEREIRO DE 2024
9 de fevereiro de 2024QUINTA-FEIRA DA V SEMANA DO TEMPO COMUM
Concitamos que empregue especial empenho e dedicação em sorver o néctar espiritual potencializador da prática cristã no IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA), para sustento, remédio e fortalecimento espiritual. A leitura dos EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ e dos ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA complementam essa refeição espiritual. Sugerimos que, na medida das possibilidades, nos tempos livres do pensamento, escolha para assistir, conforme apetecer, como em um bufê, alguns dos vídeos disponibilizados, buscando aumentar a “ingestão” desses conteúdos e diminuir os “do mundo”. Que o Senhor derrame copiosas bênçãos sobre sua vida e seu organismo espiritual se fortaleça a cada dia mais para produzir preciosos frutos de vida cristã autêntica, com muita graça e unção!
Recomendamos efusivamente que ouça a oração da manhã disponibilizada no link abaixo:
https://youtu.be/Xmvznn-7YCY?si=1IqAqHYAw1XsdoSc

SAUDAÇÃO
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

LITURGIA DIÁRIA
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4265-liturgia-de-08-de-fevereiro-de-2024>]
Antífona da entrada
– Vinde, adoremos e prostremo-nos por terra, e ajoelhemo-nos ante o Deus que nos criou. Porque ele é o nosso Deus, nosso pastor (Sl 94,6).
Coleta
– Velai, Senhor, nós vos pedimos, com incansável amor, sobre vossa família; e, porque só em vós coloca sua esperança, defendei-a sempre com a vossa proteção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: 1Rs 11,4-13
Salmo Responsorial: Sl 105,3-4.35-37.40
– Lembrai-vos, ó Senhor, de mim lembrai-vos, segundo o amor que demonstrais ao vosso povo!
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Acolhei docilmente a Palavra semeada em vós, meus irmãos; ela pode salvar vossas vidas! (Tg 1,21)
Aleluia, aleluia, aleluia.
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos: Mc 7,24-30.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)

Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz
As santas palavras da 1ª Leitura nos ensinam pelo escritor sagrado (1Rs 11,4-13): Sendo já velho, elas seduziram o seu coração para seguir outros deuses. E o seu coração já não pertencia sem reservas ao Senhor, seu Deus, como o de Davi, seu pai. 5. Salomão prestou culto a Astarte, deusa dos sidônios, e a Melcom, o abominável ídolo dos amonitas. 6. Fez o mal aos olhos do Senhor, não lhe foi inteiramente fiel como o fora seu pai Davi. 7. Por esse tempo edificou Salomão no monte, que está a oriente de Jerusalém, um lugar alto a Camos, deus de Moab, e a Moloc, abominação dos amonitas. 8. E o mesmo fez para todas as suas mulheres estrangeiras, que queimavam incenso e sacrificavam aos seus deuses. 9. O Senhor irritou-se contra Salomão, por se ter seu coração desviado do Senhor, Deus de Israel, que lhe aparecera por duas vezes, 10. e lhe tinha proibido expressamente que se unisse a deuses estranhos. Mas não seguira as ordens do Senhor. 11. O Senhor disse-lhe então: Já que procedeste assim, e não guardaste a minha aliança, nem as leis que te prescrevi, vou tirar-te o reino e dá-lo ao teu servo. 12. Todavia, em atenção ao teu pai Davi, não o farei durante a tua vida. Tirá-lo-ei, sim, mas da mão de teu filho. 13. Não lhe tirarei o reino todo, mas deixarei ao teu filho uma tribo, por amor de meu servo Davi, e por amor de Jerusalém, a cidade que escolhi.
As santas palavras do Salmo Responsorial apresentam o louvor orante do salmista (Sl 105,3-4.35-37.40): Felizes aqueles que observam os preceitos, aqueles que, em todo o tempo, fazem o que é reto. 4. Lembrai-vos de mim, Senhor, pela benevolência que tendes com o vosso povo. Assisti-me com o vosso socorro, 35. mas se misturaram com as nações pagãs e aprenderam seus costumes. 36. Prestaram culto aos seus ídolos, que se tornaram um laço para eles. 37. Imolaram os seus filhos e suas filhas aos demônios. 40. Então se inflamou contra seu povo a cólera divina, e Deus teve aversão de sua herança.
O Santo Evangelho ensina-nos pelo Evangelista (Mc 7,24-30): Em seguida, deixando aquele lugar, foi para a terra de Tiro e de Sidônia. E tendo entrado numa casa, não quis que ninguém o soubesse. Mas não pôde ficar oculto, 25. pois uma mulher, cuja filha possuía um espírito imundo, logo que soube que ele estava ali, entrou e caiu a seus pés. 26. (Essa mulher era pagã, de origem siro-fenícia.) Ora, ela suplicava-lhe que expelisse de sua filha o demônio. 27. Disse-lhe Jesus: Deixa primeiro que se fartem os filhos, porque não fica bem tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cães. 28. Mas ela respondeu: É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos debaixo da mesa comem das migalhas dos filhos. 29. Jesus respondeu-lhe: Por causa desta palavra, vai-te, que saiu o demônio de tua filha.30. Voltou ela para casa e achou a menina deitada na cama. O demônio havia saído.

Compromisso – 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer
As santas palavras da liturgia do dia 08 de fevereiro de 2024 compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura, de nos impregnarmos da consciência do que revela e nos empenharmos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece em especial nesta perícope (1Rs 11,4-13) que Salomão, sendo já velho, foi seduzido pelas mulheres com que se envolveu a seguir outros deuses (conforme 1Rs 11,3, Salomão teve setecentas esposas de classe principesca e 300 concubinas). Caiu em idolatria, prestando culto a Astarte, deusa dos sidônios, e a Melcon, o abominável ídolo dos amonitas – pois seu coração já não mais pertencia sem reservas ao Senhor, seu Deus, como o de Davi, seu pai. Edificou ainda a oriente de Jerusalém templos a Camos, deus de Moab, e a Moloc, abominação dos amonitas, cedendo também ao que lhe pediam todas as suas mulheres estrangeiras, que queimavam incenso e sacrificavam aos seus deuses. O Senhor Deus de Israel lhe aparecera duas vezes, proibindo-lhe expressamente que se unisse a deuses estranhos, porém Salomão não obedeceu. Em decorrência de tal desobediência e desvio de rota, tendo rompido a aliança com o Senhor, este determinou que o seu reino lhe seria retirado e dado a um servo seu. Porém, em atenção a Davi, que havia sido fiel, o Senhor somente o fez após a morte de Salomão, deixando porém que o filho que o sucedeu – ainda em consideração a Davi – reinasse somente sobre uma tribo, a partir de Jerusalém, perdendo as outas onze. Cumpre-nos aprender com os erros de Salomão, redobrando os cuidados para manter-nos vigilantes e orantes, pois o maligno está à espreita, conforme nos alertou São Pedro (1Pe 5,8): “Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar.” Com todas as bênçãos que o Senhor concedeu a Salomão, ainda assim ele cedeu, por ter perdido a sobriedade. Que não caiamos no mesmo erro!
As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista (Sl 105,3-4.35-37.40).
O Santo Evangelho (Mc 7,24-30) compele-nos em especial a seguir o exemplo da mulher de origem sírio-fenícia que foi em busca de Jesus e caiu a seus pés, suplicando-lhe a libertação da filha que estava possuída por um espírito imundo. Jesus relutou, dando a entender que cumpria-lhe primeiro atender as necessidades do povo hebreu, fazendo a comparação do pai de família que prioriza dar o pão aos filhos, em detrimento dos cachorrinhos, ao que ela replicou: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos debaixo da mesa comem das migalhas dos filhos.” Jesus, admirado com sua humilde persistência, atendeu seu pedido. Cumpre-nos, com humildade e persistência, suplicar a Jesus pelas curas e libertações que identificarmos necessárias, não nos omitindo jamais em fazê-lo – em especial pela libertação de nossos filhos sequestrados pela mundaneidade, pelo paganismo, pelos hábitos de consumo que vão desde álcool a lixo sonoro dos mais degradantes, bem como toda uma gama de conteúdos videográficos de baixo calão, incluindo jogos eletrônicos que fazem apologia explícita à violência e à prática de crimes de diversas modalidades. Valei-nos, Senhor, para que em nossos lares nos mantenhamos firmes na exigência de um ambiente espiritualmente saudável, não permitindo jamais a veiculação de lixo sonoro e demais abominações impregnadas na cultura vigente. Que nos mantenhamos firmes no vosso seguimento e possamos dar bom testemunho, para que gradual e progressivamente nossos lares e o mundo se tornem ambientes espiritualmente salubres, onde reine a paz que vem da justiça que somente corações sintonizados à vontade divina podem estabelecer.

Oração consolidadora do compromisso – 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência do que revela e nos empenhemos para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina que emana das santas palavras da liturgia do dia 08 de fevereiro de 2024, que esclarece em especial em 1 Reis 11,4-13 que Salomão, sendo já velho, foi seduzido pelas mulheres com que se envolveu a seguir outros deuses (conforme 1Rs 11,3, Salomão teve setecentas esposas de classe principesca e 300 concubinas). Caiu em idolatria, prestando culto a Astarte, deusa dos sidônios, e a Melcon, o abominável ídolo dos amonitas – pois seu coração já não mais pertencia sem reservas a vós, como o de Davi, seu pai. Edificou ainda a oriente de Jerusalém templos a Camos, deus de Moab, e a Moloc, abominação dos amonitas, cedendo também ao que lhe pediam todas as suas mulheres estrangeiras, que queimavam incenso e sacrificavam aos seus deuses. Ainda que vós tenhais lhe aparecido duas vezes, proibindo-lhe expressamente que se unisse a deuses estranhos, Salomão não obedeceu. Em decorrência de tal desobediência e desvio de rota, tendo ele rompido a aliança convosco, determinastes que o seu reino lhe seria retirado e dado a um servo seu. Porém, em atenção a Davi, que vos havia sido fiel, somente o fizestes após a morte de Salomão, deixando porém que o filho que o sucedeu – ainda em consideração a Davi – reinasse somente sobre uma tribo, a partir de Jerusalém, perdendo as outas onze. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que aprendamos com os erros de Salomão, redobrando os cuidados para manter-nos vigilantes e orantes, pois o maligno está à espreita, conforme nos alertou São Pedro (1Pe 5,8): “Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar.” Com todas as bênçãos que o Senhor concedeu a Salomão, ainda assim ele cedeu, por ter perdido a sobriedade. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que não caiamos no mesmo erro, mas nos mantenhamos perseverantes na fé e na obediência aos desígnios divinos! Fazemos coro com o louvor orante do salmista (Sl 105,3-4.35-37.40): Felizes aqueles que observam os preceitos, aqueles que, em todo o tempo, fazem o que é reto. 4. Lembrai-vos de mim, Senhor, pela benevolência que tendes com o vosso povo. Assisti-me com o vosso socorro […] 35. mas se misturaram com as nações pagãs e aprenderam seus costumes. 36. Prestaram culto aos seus ídolos, que se tornaram um laço para eles. 37. Imolaram os seus filhos e suas filhas aos demônios. 40. Então se inflamou contra seu povo a cólera divina, e Deus teve aversão de sua herança. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que, conforme ilumina o Santo Evangelho de São Marcos (7,24-30), sigamos o exemplo da mulher de origem sírio-fenícia que foi em busca de Jesus e caiu a seus pés, suplicando-lhe a libertação da filha que estava possuída por um espírito imundo. Jesus relutou, dando a entender que cumpria-lhe primeiro atender as necessidades do povo hebreu, fazendo a comparação do pai de família que prioriza dar o pão aos filhos, em detrimento dos cachorrinhos, ao que ela replicou: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos debaixo da mesa comem das migalhas dos filhos.” Jesus, admirado com sua humilde persistência, atendeu seu pedido. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que, com humildade e persistência, supliquemos a Jesus pelas curas e libertações que identificarmos necessárias, não nos omitindo jamais em fazê-lo – em especial pela libertação de nossos filhos sequestrados pela mundaneidade, pelo paganismo, pelos hábitos de consumo que vão desde álcool a lixo sonoro dos mais degradantes, bem como toda uma gama de conteúdos videográficos de baixo calão, incluindo jogos eletrônicos que fazem apologia ao pecado, à violência explícita e a práticas de crimes de diversas modalidades. Valei-nos, Senhor, para que em nossos lares nos mantenhamos firmes na exigência de um ambiente espiritualmente saudável, não permitindo jamais a veiculação de lixo sonoro e demais abominações impregnadas na cultura vigente. Que nos mantenhamos sóbrios e firmes no vosso seguimento, dando bom testemunho, para que gradual e progressivamente nossos lares e o mundo se tornem ambientes espiritualmente salubres, onde reine a paz que vem da justiça que somente corações sintonizados à vontade divina podem estabelecer. Cremos, Senhor, mas aumentai a nossa fé!

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo
Esse é um passo individual, sendo os anteriores base, estímulo e impulso para dá-lo da forma mais elevada possível. A participação na Santa Missa (ou, alternativamente, assisti-la por meio eletrônico), a récita do Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais nos sentimos particularmente tocados (em especial invocando a proteção e orientação dos anjos) são práticas de importância fundamental! Prosseguir nas leituras abaixo também contribui para elevar-se a esse quarto degrau. Elas dão a conhecer a história de vida dos santos com seus exemplos de prática cristã. Proporcionam ainda a compenetração no teor das leituras destacadas nas orações da Liturgia das Horas (recomendamos recitar ou pelo menos ouvir essas orações em seus respectivos horários) – que consistem em estímulos para a santificação do dia. Além disso, recomendamos usufruir os infinitos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual. Cumpre-nos, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades de cada um, avançar na prática de orações mentais meditando leituras recomendadas para tal, bem como avançar na busca de ampliar o conhecimento da fé, da doutrina cristã expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos. São tesouros de inimaginável valor que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41).
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – de Fevereiro
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/02/santos-do-dia-da-igreja-catolica-08-de-janeiro/>]

São Jerônimo Emiliano
Jerônimo Emiliani, de nobre família, nasceu em Veneza, Itália, em 1486. Sua juventude foi bastante tumultuada, com comportamentos mundanos e desregrados. Desde os quinze anos serviu como soldado e durante muito tempo foi mantido como prisioneiro pelo exército imperial de Treviso. Neste período, ele foi envolvido numa forte experiência de conversão. Atormentado pela memória de seus pecados, reconheceu em Cristo Crucificado o amor misericordioso do Pai.
Quando saiu em liberdade, se desfez de toda a fortuna e se consagrou a uma missão muito especial, baseada na revelação da paternidade divina: compartilhar e viver em comunidade com os órfãos, os pobres e os doentes. Assim, em 1531 fundou um instituto de religiosos na cidade de Somasca, Itália. Logo foram chamados de “padres Somascos”. Jerônimo Emiliani permaneceu leigo e dedicou sua existência a Deus e à caridade. Seus trabalhos solidários se estendiam aos doentes e miseráveis como também as crianças órfãs e às prostitutas.
A motivação da sua vida espiritual foi o desejo de devolver a Igreja ao estado de santidade das primeiras comunidades cristãs. Este mesmo ideal determinou o modo de organizar a vida das casas que acolhiam os órfãos. O grupo religioso se destacou por proporcionar educação gratuita aos menores abandonados e órfãos. Dos muitos colaboradores que se aproximaram dele, alguns tomaram a decisão de seguir o seu estilo de vida. Assim nascia a Companhia dos Servos dos Pobres.
Prestes a morrer, Jerônimo Emiliani transmitiu a seus discípulos um testamento que sintetizava sua experiência espiritual e representava, ao mesmo tempo, um itinerário de vida cristã: “Segui o caminho do Crucificado, desprezai a iniquidade, amai-vos uns aos outros e servi aos pobres”.
Jerônimo Emiliani faleceu na cidade de Somasca, Itália, no dia 8 de fevereiro de 1537, vitimado pela peste que contraiu servindo aos doentes durante uma epidemia que se alastrou na cidade. Apesar disso cuidou dos enfermos até os últimos momentos de sua vida.
O papa Santo Pio V, em 1568 oficializou a Ordem dos Religiosos de Somasca. Jerônimo Emiliani foi canonizado em 1767 e o dia 8 de Fevereiro escolhido para a sua homenagem. Em 1928, o Papa Pio XI o declarou Padroeiro dos órfãos e das crianças abandonadas.

Santa Josefina Bakhita
Bakhita nasceu no Sudão, África, em 1869. Este nome, que significa “afortunada”, não recebeu de seus pais ao nascer, lhe foi imposto por seus raptores. Esta flor africana conheceu as humilhações, os sofrimentos físicos e morais da escravidão, sendo vendida e comprada várias vezes. A terrível experiência e o susto, provado naquele dia, causaram profundos danos em sua memória, inclusive o esquecimento do próprio nome.
Na capital do Sudão, Bakhita foi finalmente comprada por um cônsul italiano, que depois a levou consigo para a Itália. Durante a viagem, ele a entregou para viver com a família de um amigo, que residia em Veneza, e cuja esposa, havia se afeiçoado à ela.Depois, com o nascimento da filha do casal, Bakhita se tornou sua babá e amiga.
Os negócios desta família, na África, exigiam que retornassem. Mas, aconselhado pelo administrador, o casal confiou as duas, às irmãs da congregação de Santa Madalena de Canossa, em Schio, também em Veneza. Alí, Bakhita, conheceu o Evangelho. Era 1890 e ela tinha vinte e um anos quando foi batizada recebendo o nome de Josefina.
Após algum tempo, quando vieram buscá-las, Bakhita ficou. Queria se tornar uma irmã canossiana, para servir a Deus que lhe havia dado tantas provas do seu amor. Depois de sentir muita clareza do chamado para a vida religiosa, em 1896, Josefina Bakhita se consagrou para sempre a Deus, que ela chamava com carinho “o meu Patrão!”.
Por mais de cinqüenta anos, esta humilde Filha da Caridade, se dedicou às diversas ocupações na congregação, sendo chamada por todos de “Irmã Morena”. Ela foi cozinheira, responsável do guarda-roupa, bordadeira, sacristã e porteira. As irmãs a estimavam pela generosidade, bondade e pelo seu profundo desejo de tornar Jesus conhecido. “Sejam boas, amem a Deus, rezem por aqueles que não O conhecem. Se soubésseis que grande graça é conhecer a Deus!”.
A sua humildade, a sua simplicidade e o seu constante sorriso, conquistaram o coração de toda população. Com a idade, chegou a doença longa e dolorosa. Ela continuou a oferecer o seu testemunho de fé, expressando com estas simples palavras, escondidas detrás de um sorriso, a odisséia da sua vida: “Vou devagar, passo a passo, porque levo duas grandes malas: numa vão os meus pecados, e na outra, muito mais pesada, os méritos infinitos de Jesus. Quando chegar ao céu abrirei as malas e direi a Deus: Pai eterno, agora podes julgar. E a São Pedro: fecha a porta, porque fico”.
Na agonia reviveu os terríveis anos de escravidão e foi a Santa Virgem que a libertou dos sofrimentos. As suas últimas palavras foram: “Nossa Senhora!”. Irmã Josefina Bakhita faleceu no dia 8 de fevereiro de 1947, na congregação em Schio, Itália. Muitos foram os milagres alcançados por sua intercessão. Em 1992, foi beatificada pelo Papa João Paulo II e elevada à honra dos altares em 2000, pelo mesmo Sumo Pontífice. O dia para o culto de “Santa Irmã Morena” foi determinado o mesmo de sua morte.

ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 08/02/2023
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Da Epístola aos Gálatas 4, 8-31
Herança divina e liberdade da Nova Aliança
Irmãos: Outrora, quando não conhecíeis a Deus, servistes àqueles que na realidade não são deuses. Agora, porém, que conheceis a Deus, ou melhor, que sois conhecidos de Deus, como quereis voltar outra vez a esses elementos sem força e sem valor, aos quais quereis servir de novo? Celebrais os dias, os meses, as estações e os anos. Receio que o meu trabalho entre vós tenha sido inútil.
Sede como eu, irmãos, eu vo-lo peço, pois também eu me fiz como vós. Em nada me ofendestes. Como sabeis, foi por ocasião de uma doença que vos anunciei o Evangelho pela primeira vez. E, apesar disso, não me desprezastes nem rejeitastes por causa daquela enfermidade, que era para vós uma dura prova. Pelo contrário, recebestes-me como a um anjo de Deus, como a Cristo Jesus.
Onde está agora essa vossa alegria? Porque eu posso testemunhar que, se fosse possível, teríeis arrancado os vossos olhos para nos dar. E agora, tornei-me vosso inimigo por vos ter dito a verdade? O interesse que aí mostram por vós não é sincero. O que eles querem é separar-vos de mim, a fim de vos interessardes por eles. É bom ser-se objeto de afeição, mas sempre, e não só quando estou no meio de vós. Meus filhinhos, por quem sinto novamente as dores da maternidade, até que Cristo Se forme em vós, bem quisera estar agora convosco e dar outro tom à minha voz, porque me sinto perplexo a vosso respeito.
Dizei-me, vós que quereis estar sujeitos à Lei: porventura não escutais a Lei? Está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava, outro da mulher livre. O da escrava nasceu segundo a natureza, e o da mulher livre em virtude da promessa.
Há nisto uma alegoria. As mulheres representam as duas alianças. A primeira, concluída no Monte Sinai, gera escravos: é Agar. Ora o Sinai é um monte da Arábia e corresponde à atual Jerusalém, que de facto é escrava juntamente com seus filhos. Mas a Jerusalém do alto é livre: é nossa mãe. Porque está escrito:
«Alegra-te, ó estéril, que não dás à luz, rejubila e canta de alegria, tu que não conheces as dores da maternidade, porque os filhos da abandonada são mais numerosos que os daquela que tem marido».
E vós, irmãos, sois filhos da promessa, como Isaac. Mas assim como o que outrora nasceu segundo a natureza perseguia o que nasceu segundo o espírito, assim também sucede agora. E que diz a Escritura? Expulsa a escrava e o seu filho, porque o filho da escrava não será herdeiro com o filho da mulher livre». Por isso, irmãos, não somos filhos da escrava, mas da mulher livre.
SEGUNDA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Do Comentário de Santo Agostinho, bispo, sobre a Epístola aos Gálatas
(Nn. 37.38: PL 35, 2131-2132) (Sec. V)
Até que Cristo Se forme em vós
Diz o Apóstolo: Sede como eu, que, sendo judeu de nascimento, segui um critério espiritual e abandonei as considerações exclusivamente materiais. Porque também eu sou como vós, isto é, sou homem. Depois, com discrição e
delicadeza, recorda-lhes a sua afeição por eles, para que não o considerem como inimigo. E adianta: Irmãos, em nada me ofendestes; como se dissesse: «Por isso, não penseis que eu vos queira ofender».
Acrescenta ainda: Meus filhos, para que o imitem como a um pai. Por quem sinto novamente as dores da maternidade até que Cristo Se forme em vós. Isto o dizia personificando a Igreja, nossa mãe; de facto, noutra passagem, afirma: Fiz-me generoso para convosco, como a mãe que alimenta os seus filhos.
Cristo forma-Se, pela fé, naquele que acredita, no homem interior, chamado à liberdade da graça, manso e humilde de coração, que não se envaidece com os méritos das suas ações, que nada valem, mas atribui todo o mérito à graça divina. A este pode chamar um dos seus pequenos irmãos e identificá-lo consigo mesmo Aquele que disse: Tudo o que fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes. Cristo é formado naquele que recebe a forma de Cristo; e recebe a forma de Cristo quem se une a Ele com amor espiritual.
O resultado deste amor espiritual é a imitação perfeita de Cristo, na medida em que isto lhe é possível. Quem diz que está em Cristo, afirma São João, deve viver como Ele viveu.
Como os seres humanos são concebidos por suas mães e nelas se vão formando e, uma vez formados, se dão à luz e nascem, pode surpreender-nos a afirmação citada: Por quem sinto novamente as dores da maternidade, até que Cristo Se forme em vós. A não ser que entendamos estas dores da maternidade como referência às angústias e cuidados com que o Apóstolo os formou até nascerem em Cristo; e novamente sente as dores da maternidade por causa dos perigos da sedução com que os vê perturbados. Esta solicitude que lhe causa tantos cuidados a respeito deles, e que ele compara com as dores da maternidade, pode durar até que eles cheguem à medida da estatura de Cristo na sua plenitude, de modo que já não se deixem arrastar por qualquer vento de doutrina.
Por conseguinte, quando diz: Por quem sinto novamente as dores da maternidade, até que Cristo Se forme em vós, não se refere ao início da fé, pela qual já tinham nascido, mas ao fortalecimento e aperfeiçoamento na fé. A estas dores da maternidade se refere também noutra passagem, com palavras diferentes, quando diz: E, além de tudo isto, a minha preocupação de cada dia, o cuidado solícito de todas as Igrejas. Quem é fraco, sem que eu também o seja? Quem se escandaliza, sem que eu não me consuma?
LEITURA BREVE
Is 66, 1-2
Eis o que diz o Senhor: O céu é o meu trono, e a terra escabelo dos meus pés. Que casa podereis construir-me? Qual será o lugar do meu repouso? Pela minha mão foram feitas todas as coisas e tudo me pertence, diz o Senhor. O meu olhar volta-se para os humildes e os corações contritos, para aqueles que temem as minhas palavras.
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Am 4, 13
Aquele que formou os montes e criou os ventos, Aquele que revela ao homem os seus próprios pensamentos, que faz a aurora e as trevas e caminha sobre as alturas da terra, o seu nome é Senhor Deus dos Exércitos.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Am 5, 8
Aquele que criou as Plêiades e o Orionte, Aquele que muda as trevas em aurora e transforma o dia em noite, que chama as águas do mar e as derrama sobre a face da terra, o seu nome é Senhor.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Am 9, 6
Aquele que constrói no céu a sua morada e firma sobre a terra a abóbada celeste, aquele que chama as águas do mar e as derrama sobre a face da terra, o seu nome é Senhor.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
1 Pedro 1, 6-9
A esperança vos enche de alegria, embora talvez vos seja preciso ainda, por pouco tempo, passar por diversas provações, para que a prova a que é submetida a vossa fé – muito mais preciosa que o ouro perecível, que se prova pelo fogo – seja digna de louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo Se manifestar. Sem o terdes visto, vós o amais; sem o ver ainda, acreditais nele. E isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque conseguis o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
1 Tess 5, 23
O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser – espírito, alma e corpo – se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
