“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 09 DE FEVEREIRO DE 2024
9 de fevereiro de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 11 DE FEVEREIRO DE 2024
11 de fevereiro de 2024SÁBADO – SANTA ESCOLÁSTICA VIRGEM E FUNDADORA
Concitamos que empregue especial empenho e dedicação em sorver o néctar espiritual potencializador da prática cristã no IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA), para sustento, remédio e fortalecimento espiritual. A leitura dos EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ e dos ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA complementam essa refeição espiritual. Sugerimos que, na medida das possibilidades, nos tempos livres do pensamento, escolha para assistir, conforme apetecer, como em um bufê, alguns dos vídeos disponibilizados, buscando aumentar a “ingestão” desses conteúdos e diminuir os “do mundo”. Que o Senhor derrame copiosas bênçãos sobre sua vida e seu organismo espiritual se fortaleça a cada dia mais para produzir preciosos frutos de vida cristã autêntica, com muita graça e unção!
Recomendamos efusivamente que ouça a oração da manhã disponibilizada no link abaixo:
https://youtu.be/-sGwUhZE1Ss?si=7VeHZHrb_WPd9k1j

SAUDAÇÃO
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

LITURGIA DIÁRIA
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4267-liturgia-de-10-de-fevereiro-de-2024>]
Antífona da entrada
– Como a oliveira verdejante na casa do Senhor, confio na clemência do meu Deus agora e para sempre (Sl 51,10).
Coleta
– Celebrando a memória da virgem santa Escolástica, nós vos pedimos, Senhor, a graça de imitá-la, para que a seu exemplo, vos sirvamos com sincera caridade e, alegres, obtenhamos os frutos de vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e conosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: 1Rs 12,26-32; 13,33-34
Salmo Responsorial: Sl 105,4.6-7.19-22
– Lembrai-vos, ó Senhor, de mim lembrai-vos; segundo o amor que demonstrais ao vosso povo.
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus (MT 4,4).
Aleluia, aleluia, aleluia.
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos: Mc 8,1-10.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)

Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz
As santas palavras da 1ª Leitura nos ensinam pelo escritor sagrado (1Rs 12,26-32; 13,33-34): E disse consigo mesmo [Jeroboão, a quem foi concedido pelo Senhor reinar sobre a maioria das tribos de Israel, exceto a de Judá e Benjamin]: Pode bem ser que o reino volte para a casa de Davi. 27. Se o povo subir a Jerusalém para oferecer sacrifícios no templo do Senhor, e o seu coração se voltar para o seu senhor, Roboão, rei de Judá, matar-me-ão e se voltarão para Roboão, rei de Judá. 28. Depois de ter refletido bem, o rei mandou fazer dois bezerros de ouro e disse ao povo: Basta de peregrinações a Jerusalém! Eis aqui, ó Israel, o teu Deus que te tirou do Egito. 29. Pôs um bezerro em Betel e outro em Dã. 30. Isso foi uma ocasião de pecado, porque o povo ia até Dã para adorar um desses bezerros. 31. Jeroboão construiu também templos em lugares altos, onde estabeleceu como sacerdotes homens tirados do meio do povo, e que não eram levitas. 32. Instituiu também uma festa no oitavo mês, no décimo quinto dia do mês, à semelhança da que se celebrava em Judá, e subiu ao altar. Fez o mesmo em Betel, sacrificando aos bezerros que tinha mandado fazer. Estabeleceu igualmente em Betel sacerdotes para os lugares altos que tinha edificado. […] Depois dessas coisas, Jeroboão não se converteu de sua péssima vida, mas continuou a tomar homens do meio do povo e constituí-los sacerdotes dos lugares altos: a todo o que desejasse, investia no cargo sacerdotal e o estabelecia nos lugares altos. 34. Isto tornou-se para a casa de Jeroboão um ocasião de pecado, que causou a sua perda e o seu extermínio da face da terra.
As santas palavras do Salmo Responsorial apresentam o louvor orante do salmista (Sl 105,4.6-7.19-22): Lembrai-vos de mim, Senhor, pela benevolência que tendes com o vosso povo. Assisti-me com o vosso socorro, 6. Como nossos pais, nós também pecamos, cometemos a iniquidade, praticamos o mal. 7. Nossos pais, no Egito, não prezaram os vossos milagres, esqueceram a multidão de vossos benefícios e se revoltaram contra o Altíssimo no mar Vermelho. 19. Fabricaram um bezerro de ouro no sopé do Horeb, e adoraram um ídolo de ouro fundido. 20. Eles trocaram a sua glória pela estátua de um touro que come feno. 21. Esqueceram a Deus que os salvara, que obrara prodígios no Egito, 22. maravilhas na terra de Cam, estupendos feitos no mar Vermelho.
O Santo Evangelho ensina-nos pelo Evangelista (Mc 8,1-10): Naqueles dias, como fosse novamente numerosa a multidão, e não tivessem o que comer, Jesus convocou os discípulos e lhes disse: 2. Tenho compaixão deste povo. Já há três dias perseveram comigo e não têm o que comer. 3. Se os despedir em jejum para suas casas, desfalecerão no caminho; e alguns deles vieram de longe! 4. Seus discípulos responderam-lhe: Como poderá alguém fartá-los de pão aqui no deserto? 5. Mas ele perguntou-lhes: Quantos pães tendes? Sete, responderam. 6. Mandou então que o povo se assentasse no chão. Tomando os sete pães, deu graças, partiu-os e entregou-os a seus discípulos, para que os distribuíssem e eles os distribuíram ao povo. 7. Tinham também alguns peixinhos. Ele os abençoou e mandou também distribuí-los. 8. Comeram e ficaram fartos, e dos pedaços que sobraram levantaram sete cestos. 9. Ora, os que comeram eram cerca de quatro mil pessoas. Em seguida, Jesus os despediu. 10. E embarcando depois com seus discípulos, foi para o território de Dalmanuta.

Compromisso – 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer
As santas palavras da liturgia do dia 09 de fevereiro de 2024 compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura, de nos impregnarmos da consciência do que revela e nos empenharmos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece em especial nesta perícope (1Rs 12,26-32; 13,33-34) que Jeroboão, a quem foi concedido pelo Senhor reinar sobre a maioria das tribos de Israel – exceto a de Judá e Benjamin – foi tomado por sentimento de insegurança, temendo que se os seus súditos subissem a Jerusalém para prestar homenagens ao Senhor Deus, poderiam sentir o coração se voltar para Roboão, filho de Salomão, rei de Judá. Temeroso de perder o poder, mandou fazer dois bezerros de ouro, proibiu as peregrinações a Jerusalém, pôs um bezerro em Betel e outro em Dã e determinou que o povo fosse a esses locais para adorá-los. Construiu templos em lugares altos e estabeleceu sacerdotes que não eram levitas – qualquer do povo que desejasse era por ele elevado ao cargo sacerdotal – e instituiu festas semelhantes às realizadas em Judá. Viveu, portanto, péssima vida, da qual não se converteu. Imersa no pecado, em especial o da idolatria, sua casa foi perdida e exterminada da face da terra. Cumpre-nos também em relação a Jeroboão tomar seu erros como lições para não incorrermos em semelhantes estultices. Mantenhamo-nos, pois, firmes na fé, confiantes no Senhor e fiéis aos seus desígnios, em que pese as adversidades que tenhamos que enfrentar. Jesus ensinou (Mt 7,24) que quem ouve a Palavra de Deus e a põe em prática é como o homem que constrói a sua casa sobre a rocha. O destino de Joroboão consiste em exemplo de homem insensato, que edificou sua casa sobre a areia do estribamento no próprio entendimento, face ao que ruiu deploravelmente.
As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista (Sl 105,4.6-7.19-22).
O Santo Evangelho (Mc 8,1-10) compele-nos em especial a impregnar-nos da consciência de que Jesus tem compaixão do povo em estado de necessidade. Naquela circunstância, havia fome material, pois a multidão há três dias o seguia e não tinham mais o que comer. Reunindo entre eles sete pães que ainda restavam, Jesus mandou que se assentassem no chão, tomou os pães, deu graças, partiu-os e entregou aos discípulos para que os distribuíssem. Fez o mesmo com alguns peixinhos. Todos comeram até se fartarem e ainda sobraram sete cestos. O número de comensais eram de aproximadamente quatro mil pessoas. Tudo o que Jesus fez ecoa para a eternidade e cumpre-nos buscar extrair o profundo significado dessa perícope para os nossos dias – e para sempre. Cientes da compaixão de Jesus face às nossas necessidades, cabe-nos nele confiar e reunir o nosso pouco, para que ele multiplique. O pouco que temos de mais precioso para ser multiplicado é nossa fé, cumprindo-nos apresentar-lhe nossas súplicas e empenhar os esforços que estiverem ao nosso alcance para resolver as situações adversas com que nos deparamos e nele confiar. Ao seu tempo e em conformidade com os desígnios divinos – por vezes intangíveis ao nosso entendimento – tudo se encaminhará conforme deve ser encaminhado.

Oração consolidadora do compromisso – 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência do que revela e nos empenhemos para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina que emana das santas palavras da liturgia do dia 10 de fevereiro de 2024, que esclarece em especial em 1 Reis 12,26-32; 13,33-34 que Jeroboão, a quem foi por vós concedido reinar sobre a maioria das tribos de Israel – exceto a de Judá e Benjamin – foi tomado por sentimento de insegurança, temendo que se os seus súditos subissem a Jerusalém para vos prestar homenagens, poderiam sentir o coração se voltar para Roboão, filho de Salomão, rei de Judá. Temeroso de perder o poder – ignorando que de vós o havieis recebido – mandou fazer dois bezerros de ouro, proibiu as peregrinações a Jerusalém, pôs um bezerro em Betel e outro em Dã e determinou que o povo fosse a esses locais para adorá-los. Construiu ainda templos em lugares altos e estabeleceu sacerdotes que não eram levitas – qualquer do povo que desejasse era por ele elevado ao cargo sacerdotal – e instituiu festas semelhantes às realizadas em Judá. Viveu, portanto, péssima vida, da qual não se converteu. Imersa no pecado, em especial o da idolatria, sua casa foi perdida e exterminada da face da terra. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que extraiamos as lições advindas dos erros Jeroboão, para não incorrermos em semelhantes estultices; que nos mantenhamos firmes na fé, confiantes em vós e fiéis aos vossos desígnios, em que pese as adversidades que tenhamos que enfrentar e as turbulências na Barca de Pedro, que é a Igreja de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos mantenhamos vigilantes e orantes, cientes de que Jesus ensinou (Mt 7,24) que quem ouve a Palavra de Deus e a põe em prática é como o homem que constrói a sua casa sobre a rocha. O destino de Joroboão consiste em exemplo de homem insensato, que edificou sua casa sobre a areia do estribamento no próprio entendimento, face ao que ruiu deploravelmente. Ao longo da história muitos outros caíram em tentação, promovendo cisões e heresias. Livrai de tal terrível mal! Fazemos coro com o louvor orante do salmista (Sl 105,4.6-7.19-22): Lembrai-vos de mim, Senhor, pela benevolência que tendes com o vosso povo. Assisti-me com o vosso socorro, 6. Como nossos pais, nós também pecamos, cometemos a iniquidade, praticamos o mal. 7. Nossos pais, no Egito, não prezaram os vossos milagres, esqueceram a multidão de vossos benefícios e se revoltaram contra o Altíssimo no mar Vermelho. 19. Fabricaram um bezerro de ouro no sopé do Horeb, e adoraram um ídolo de ouro fundido. 20. Eles trocaram a sua glória pela estátua de um touro que come feno. 21. Esqueceram a Deus que os salvara, que obrara prodígios no Egito, 22. maravilhas na terra de Cam, estupendos feitos no mar Vermelho. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que, a partir do que ilumina o Santo Evangelho de São Marcos (8,1-10), nos impregnemos da consciência de que Jesus tem compaixão do povo em estado de necessidade. Naquela circunstância, havia fome material, pois a multidão há três dias o seguia e não tinham mais o que comer. Reunindo entre eles sete pães que ainda restavam, Jesus mandou que se assentassem no chão, tomou os pães, deu graças, partiu-os e entregou aos discípulos para que os distribuíssem. Fez o mesmo com alguns peixinhos. Todos comeram até se fartarem e ainda sobraram sete cestos. O número de comensais eram de aproximadamente quatro mil pessoas. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência de que tudo o que Jesus fez ecoa para a eternidade e cumpre-nos buscar extrair o profundo significado dessa perícope para os nossos dias – e para sempre. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que, cientes da compaixão de Jesus face às nossas necessidades, nele confiemos e reunamos o nosso pouco, para que ele multiplique. O pouco que temos de mais precioso para ser multiplicado é nossa fé, cumprindo-nos apresentar-lhe nossas súplicas e empenhar os esforços que estiverem ao nosso alcance para resolver as situações adversas com que nos deparamos e nele confiar. Ao seu tempo e em conformidade com os desígnios divinos – por vezes intangíveis ao nosso entendimento – tudo se encaminhará conforme deve ser encaminhado. Cremos, Senhor, mas aumentai a nossa fé!

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo
Esse é um passo individual, sendo os anteriores base, estímulo e impulso para dá-lo da forma mais elevada possível. A participação na Santa Missa (ou, alternativamente, assisti-la por meio eletrônico), a récita do Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais nos sentimos particularmente tocados (em especial invocando a proteção e orientação dos anjos) são práticas de importância fundamental! Prosseguir nas leituras abaixo também contribui para elevar-se a esse quarto degrau. Elas dão a conhecer a história de vida dos santos com seus exemplos de prática cristã. Proporcionam ainda a compenetração no teor das leituras destacadas nas orações da Liturgia das Horas (recomendamos recitar ou pelo menos ouvir essas orações em seus respectivos horários) – que consistem em estímulos para a santificação do dia. Além disso, recomendamos usufruir os infinitos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual. Cumpre-nos, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades de cada um, avançar na prática de orações mentais meditando leituras recomendadas para tal, bem como avançar na busca de ampliar o conhecimento da fé, da doutrina cristã expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos. São tesouros de inimaginável valor que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41).
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 10 de Fevereiro
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/02/santos-do-dia-da-igreja-catolica-10-de-fevereiro/>]

Santa Escolástica
O nome de Santa Escolástica, irmã de São Bento, nos leva para o século V, para o primeiro mosteiro feminino ocidental, fundamentado na vida em comum, conceito introduzido na vida dos monges por ele. Foi o primeiro a orientar para servir a Deus não “fugindo do mundo” através da solidão ou da penitência itinerante, como os monges orientais, mas vivendo em comunidade duradoura e organizada, e dividindo rigorosamente o próprio tempo entre a oração, trabalho ou estudo e repouso.
Escolástica e Bento, irmãos gêmeos, nasceram em Nórcia, região central da Itália, em 480. Eram filhos de nobres, o pai Eupróprio ficou viúvo quando eles nasceram, pois a esposa morreu durante o parto. Ainda jovem Escolástica se consagrou a Deus com o voto de castidade, antes mesmo do irmão, que estudava retórica em Roma. Mais tarde, Bento fundou o mosteiro de Monte Cassino criando a Ordem dos monges beneditinos. Escolástica, inspirada por ele, fundou um mosteiro, de irmãs, com um pequeno grupo de jovens consagradas. Estava criada a Ordem das beneditinas, que recebeu este nome em homenagem ao irmão, seu grande incentivador e que elaborou as Regras da comunidade.
São muito poucos os dados da vida de Escolástica, e foram escritos quarenta anos depois de sua morte, pelo o santo papa Gregório Magno, que era um beneditino. Ele recolheu alguns depoimentos de testemunhas vivas para o seu livro “Diálogos” e escreveu sobre ela apenas como uma referência na vida de Bento, mais como uma sombra do grande irmão, pai dos monges ocidentais.
Nesta página expressiva contou que, mesmo vivendo em mosteiros próximos, os dois irmãos só se encontravam uma vez por ano, para manterem o espírito de mortificação e elevação da experiência espiritual. Isto ocorria na Páscoa e numa propriedade do mosteiro do irmão. Certa vez, Escolástica foi ao seu encontro acompanhada por um pequeno grupo de irmãs, quando Bento chegou também acompanhado por alguns discípulos. Passaram todo o dia conversando sobre assuntos espirituais e sobre as atividades da Igreja.
Quando anoiteceu, Bento, muito rigoroso às Regras disse à irmã que era hora de se despedirem. Mas Escolástica pediu que ficasse para passarem a noite, todos juntos, conversando e rezando. Bento se manteve intransigente dizendo que deveria ir para suas obrigações. Neste momento ela se pôs a rezar com tal fervor que uma grande tempestade se formou com raios e uma chuva forte caiu a noite toda, e ele teve de ficar. Os dois irmãos puderam conversar a noite inteira. No dia seguinte o sol apareceu, eles se despediram e cada grupo voltou para o seu mosteiro. Essa seria a última vez que os dois se veriam.
Três dias depois, em seu mosteiro Bento recebeu a notícia da morte de Escolástica, enquanto rezava olhando para o céu, viu a alma de sua irmã, penetrar no paraíso em forma de pomba. Bento mandou buscar o seu corpo e o colocou na sepultura que havia preparado para si. Ela morreu em 10 de fevereiro de 547, quarenta dias antes que seu venerado irmão Bento. Escolástica foi considerada a primeira monja beneditina e Santa, pela Igreja que escolheu o dia de sua morte para as homenagens litúrgicas.

Santo Guilherme de Malavale
Guilherme era de origem nobre, nasceu em 1071, na França. Era um duque da Aquitânia, que se dedicou até o final da juventude às artes militares e mundanas, afastado do cristianismo. A sua conversão foi atribuída a são Bernardo, que o inspirou a desejar viver a experiência do retiro espiritual, num bosque afastado. Quando saiu do isolamento, alguns meses depois, procurou o papa Urbano II para pedir perdão dos pecados. Após receber sua benção, seguiu em peregrinação para Jerusalém.
Guilherme ficou nove anos na Terra Santa, praticando obras de penitência e piedade e, quando voltou, se juntou a uma comunidade de ermitãos, próximo de Pisa, na Itália. Dois anos depois foi para a Toscana, onde, na floresta de Malavale construiu o seu derradeiro retiro. E deste momento em diante começou a fama de sua santidade.
Em Malavale, tinha como única companhia às feras selvagens, dormia no chão duro e se alimentava de plantas e raízes. Os habitantes aprenderam a estima-lo. Não raro, as crianças eram socorridas por ele, quando se perdiam no bosque. A tradição conta que, certa vez, um grande dragão tentou atacar um menino, quando o ermitão apareceu e com o seu bastão ordenou que a fera se afastasse. Porém o animal ficou em pé sobre as patas traseiras e, soltando fumaça pelas ventas, se voltou contra ele. Prodigiosamente, Guilherme foi se elevando, até chegar na altura da cabeça da fera, aí o golpeou com o bastão e o dragão caiu morto. Por isto, passou a ser chamado de Guilherme, “o grande”.
Já idoso, acolheu dois discípulos, Alberto e Reinaldo, que o acompanharam até a morte. Nos últimos meses Alberto escreveu sua biografia, onde registrou sua disciplina de vida reclusa e espiritual. Aos 10 de fevereiro de 1157, Guilherme morreu, mas antes, fez algumas profecias e vários prodígios testemunhados que foram registrados.
A sua herança , como ocorreu com outros grandes ermitãos e padres do deserto, foi apenas a modesta cela de Malavale, como exemplo de uma vida espiritual contemplativa, de afastamento e austeridade, e não um compromisso de dar vida a uma nova congregação. Entretanto, ela floreceu ao redor de sua sepultura, só com o legado do seu exemplo de severa renuncia ao mundo, que continuou ainda atraindo ao local jovens desejosos de seguir suas pegadas. Os dois discípulos Alberto e Reinaldo fundaram a Ordem dos Guilhermitas e escreveram as Regras, seguindo a biografia, aprovada pela Santa Sé. Tempos depois, a nova congregação já alcançava a França, Itália, Alemanha e Holanda.
Em 1202, o papa Inocêncio III declarou Guilherme de Malavale, Santo e manteve a festa no dia 10 de fevereiro. Seus restos mortais foram guardados na catedral de Buriano, onde foi colocada a estátua de são Guilherme com dragão a seus pés. Desde 1255, os Guilhermitas fazem parte da Ordem dos agostinianos, que assimilou o pensamento deste santo. O dia de São Guilherme o Grande ou de Malavale, como também é chamado, integra o calendário dos santos agostinianos desde o século XIII, sendo reverenciado como exemplo de vida de santidade a ser seguido.

ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 10/02/2023
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Da Epístola aos Gálatas 5, 25 – 6, 18
Conselhos sobre a caridade e o zelo
Irmãos: Se vivemos pelo Espírito, caminhemos também segundo o Espírito. Não procuremos a vanglória; não haja provocações nem invejas entre nós.
Se algum homem for surpreendido nalguma falta, vós, os espirituais, admoestai-o com espírito de mansidão; e tu, examina-te a ti mesmo, para que não venhas também a ser tentado. Levai os fardos uns dos outros e deste modo cumprireis a lei de Cristo. Se alguém julga ser alguma coisa, quando na realidade não é nada, ilude-se a si mesmo. Avalie cada um a sua atividade, e então terá motivo de glória somente em si mesmo e não nos outros. Cada um deve levar o seu próprio fardo.
Aquele que se instrui na fé faça participar em todos os seus bens quem o ensina. Não vos iludais: de Deus não se escarnece. Cada um recolhe o que tiver semeado: quem semeia na carne colherá da carne a corrupção; quem semeia no Espírito colherá do Espírito a vida eterna.
Não nos cansemos de fazer o bem, porque se não desfalecermos, colheremos no tempo oportuno. Portanto, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos, mas principalmente para com os irmãos na fé.
Vede as grandes letras com que vos escrevi pelo meu próprio punho. Aqueles que pretendem fazer boa figura pela carne obrigam-vos à circuncisão, só para não sofrerem perseguição pela cruz de Cristo. Porque nem os próprios que se circuncidam observam a Lei; mas querem que vos circuncideis, para se gloriarem com a vossa carne. Longe de mim gloriar-me, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo, pois nem a circuncisão nem a incircuncisão valem alguma coisa: o que tem valor é a nova criatura. Paz e misericórdia para quantos seguirem esta norma, bem como para o Israel de Deus.
Doravante ninguém me importune, porque eu trago no meu corpo os estigmas de Jesus.
Irmãos, a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com o vosso espírito. Amém.
SEGUNDA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Dos Diálogos de São Gregório Magno, papa
(Liv. 2, 33: PL 66, 194-196) (Sec. VI)
Pôde mais quem mais amou
Escolástica, irmã de São Bento, consagrada ao Senhor desde a infância, costumava visitar o irmão uma vez por ano. O homem de Deus vinha encontrar-se com ela num local próximo do mosteiro.
Um dia veio ela como costumava todos os anos, e ao seu encontro veio seu venerável irmão, com alguns discípulos. Passaram todo o dia no louvor de Deus e em santa conversação, de tal modo que já se aproximavam as trevas da noite quando se sentaram à mesa para comer.
No meio da sua santa conversação foi passando o tempo e fez-se muito tarde; a santa religiosa implorou-lhe então com estas palavras: «Peço-te irmão, que não me deixes esta noite, para que possamos continuar até de manhã a falar sobre as alegrias da vida celeste». Mas ele respondeu-lhe: «Que dizes tu, irmã? De maneira nenhuma posso passar a noite fora da minha cela».
Então Escolástica, ouvindo a recusa do irmão, pousou sobre a mesa as mãos com os dedos entrelaçados, inclinou a cabeça sobre elas e implorou o Senhor Omnipotente. Quando levantou a cabeça da mesa, rebentou uma grande tempestade, com tão fortes relâmpagos, trovões e aguaceiros, que nem o venerável Bento nem os irmãos que com ele se encontravam podiam pensar em sair do lugar onde estavam reunidos.
Então o homem de Deus, vendo que não podia regressar ao mosteiro, começou a lamentar-se, dizendo: «Deus te perdoe, irmã. Que foste fazer?». Ao que ela respondeu: «Vê, eu pedi-te e não me quiseste ouvir. Pedi ao meu Deus e Ele ouviu-me. Agora, se podes, vai-te embora; despede-te de mim e volta para o mosteiro».
E Bento, que não quisera ficar ali espontaneamente, teve de ficar contra vontade. E assim passaram toda a noite em vigília, animando-se um ao outro com santos colóquios sobre a vida espiritual.
Não nos admiremos que aquela mulher tenha tido mais poder do que ele: se na verdade, como diz João, Deus é amor, é razoável sentença que tenha tido mais poder aquela que mais amou.
Três dias mais tarde, encontrando-se o homem de Deus na sua cela com os olhos levantados ao céu, viu a alma da sua irmã, liberta do corpo, em figura de pomba, dar entrada no interior da morada celeste. Então, contente com a glória tão grande que a ela tinha sido concedida, deu graças ao Deus Omnipotente com hinos e cânticos de louvor, e enviou alguns irmãos a buscar o corpo e trazê-lo para o mosteiro, onde ficou depositado no túmulo que ele tinha preparado para si.
E assim, nem o túmulo separou aqueles que sempre tinham estado unidos em Deus.
LEITURA BREVE
Cant 8, 7
As águas caudalosas não podem apagar o amor, nem os rios o podem submergir. Se alguém oferecesse toda a riqueza da sua casa em troca do amor, seria desprezado.
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Reis 8, 60-61
Todos os povos da terra reconhecerão que o Senhor é Deus e que não há outro além dele. E o vosso coração será todo, sem reserva, para o Senhor nosso Deus, praticando as suas leis e observando os seus preceitos.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Jer 17, 9-10
O coração é o que há de mais astucioso e incompreensível. Quem pode entendê-lo? Eu, o Senhor, penetro os corações e aprofundo os sentimentos de todos os homens, para retribuir a cada um segundo o seu modo de proceder, conforme o fruto das suas ações.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Sab 7, 27a; 8,1
A Sabedoria de Deus, sendo única, tudo pode, e, imutável em si mesma, renova todas as coisas. Estende o seu vigor de um extremo ao outro da terra e tudo governa excelentemente.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Col1,2b-6a
A graça e a paz de Deus nosso Pai e de Jesus Cristo nosso Senhor estejam convosco. Damos graças a Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, e oramos continuamente por vós. De fato, temos ouvido falar da vossa fé em Cristo Jesus e da caridade que tendes para com todos os cristãos, por causa da esperança que vos está reservada nos Céus e de que tivestes conhecimento pela pregação da palavra da verdade, o Evangelho, que chegou até vós e ao mundo inteiro, onde frutifica e se desenvolve, como no meio de vós.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Deut 6, 4-7
Escuta, Israel. O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. As palavras que hoje te prescrevo ficarão gravadas no teu coração. Hás de recomendá-las a teus filhos, e nelas meditarás, quer estando sentado em casa quer andando pelos caminhos, quando te deitas e quando te levantas.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
