“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 22 DE FEVEREIRO DE 2024
22 de fevereiro de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 24 DE FEVEREIRO DE 2024
24 de fevereiro de 2024SEXTA FEIRA – I SEMANA DA QUARESMA
Concitamos que empregue especial empenho e dedicação em sorver o néctar espiritual potencializador da prática cristã no IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA), para sustento, remédio e fortalecimento espiritual. A leitura dos EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ e dos ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA complementam essa refeição espiritual. Sugerimos que, na medida das possibilidades, nos tempos livres do pensamento, escolha para assistir, conforme apetecer, como em um bufê, alguns dos vídeos disponibilizados, buscando aumentar a “ingestão” desses conteúdos e diminuir os “do mundo”. Que o Senhor derrame copiosas bênçãos sobre sua vida e seu organismo espiritual se fortaleça a cada dia mais para produzir preciosos frutos de vida cristã autêntica, com muita graça e unção!
Recomendamos efusivamente que ouça a oração da manhã disponibilizada no link abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=Qb9nP7Qfshg

SAUDAÇÃO
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

LITURGIA DIÁRIA
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4280-liturgia-de-23-de-fevereiro-de-2024>]
Antífona da entrada
– Livrai-me, Senhor, de minhas aflições, vede minha pequenez e minha fadiga e perdoai todos os meus pecados (Sl 24,17).
Coleta
– Concedei, Senhor, que vossos fieis se preparem dignamente para a festa da Páscoa, de modo que a mortificação corporal que assumimos traga frutos e renove nosso espírito. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e conosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Ez 18,21-28
Salmo Responsorial: Sl 129,1-8
– Se levardes em conta nossas faltas, quem haverá de subsistir?
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 5,20-26
Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai.
Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai.
– Lançai para bem longe toda a vossa iniquidade! Criai em vós um novo espírito e um novo coração! (Ex 18,31)
Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai.
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)

Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz
As santas palavras da 1ª Leitura nos ensinam pelo escritor sagrado (Ez 18,21-28): Se, no entanto, o mau renuncia a todos os seus erros para praticar as minhas leis e seguir a justiça e a equidade, então ele viverá decerto, e não há de perecer. 22. Não lhe será tomada em conta qualquer das faltas cometidas: ele há de viver por causa da justiça que praticou.23. Terei eu prazer com a morte do malvado? – oráculo do Senhor Javé. – Não desejo eu, antes, que ele mude de proceder e viva?24. E, se um justo abandonar a sua justiça, se praticar o mal e imitar todas as abominações cometidas pelo malvado, viverá ele? Não será tido em conta qualquer dos atos bons que houver praticado. É em razão da infidelidade da qual se tornou culpado e dos pecados que tiver cometido que deverá morrer.25. Dizeis: não é justo o modo de proceder do Senhor. Escutai-me então, israelitas: o meu modo de proceder não é justo? Não será o vosso que é injusto?26. Quando um justo renunciar à sua justiça para cometer o mal e ele morrer, então é devido ao mal praticado que ele perece.27. Quando um malvado renuncia ao mal para praticar a justiça e a equidade, ele faz reviver a sua alma.28. Se ele se corrige e renuncia a todas as suas faltas, certamente viverá e não perecerá.
As santas palavras do Salmo Responsorial apresentam o louvor orante do salmista (Sl 129,1-8): Cântico das peregrinações. Do fundo do abismo, clamo a vós, Senhor; 2. Senhor, ouvi minha oração. Que vossos ouvidos estejam atentos à voz de minha súplica. 3. Se tiverdes em conta nossos pecados, Senhor, Senhor, quem poderá subsistir diante de vós? 4. Mas em vós se encontra o perdão dos pecados, para que, reverentes, vos sirvamos. 5. Ponho a minha esperança no Senhor. Minha alma tem confiança em sua palavra. 6. Minha alma espera pelo Senhor, mais ansiosa do que os vigias pela manhã. 7. Mais do que os vigias que aguardam a manhã, espere Israel pelo Senhor, porque junto ao Senhor se acha a misericórdia; encontra-se nele copiosa redenção. 8. E ele mesmo há de remir Israel de todas as suas iniquidades.
O Santo Evangelho ensina-nos pelo Evangelista (Mt 5,20-26): Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus. 21. Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal. 22. Mas eu vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes. Aquele que disser a seu irmão: Raca, será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: Louco, será condenado ao fogo da geena. 23. Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24. deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta. 25. Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. 26. Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo.

Compromisso – 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer
As santas palavras da liturgia do dia 23 de fevereiro de 2024 compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura, de nos impregnarmos da consciência do que revela e nos empenharmos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece em especial nesta perícope (Ez 18,21-28) de que cumpre-nos revestir-nos de humildade perante a sabedoria e a justiça divinas, que concitam enfaticamente à responsabilidade os que são conhecedores da Palavra de Deus no sentido de manterem-se perseverantes na sua prática, sendo o abandono da prática da justiça divina estabelecida nos mandamentos do Senhor motivo claro e justo de condenação. De outra parte, aqueles que vivem de modo errante, distantes dos desígnios divinos, caso se convertam e abandonem suas vidas de pecados, passando a praticar a justiça e a equidade, corrigindo-se e renunciando as práticas incompatíveis com os desígnios divinos, não serão alvo de condenação, visto que se converteram e emendaram suas condutas.
As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista (Sl 129,1-8).
O Santo Evangelho (Mt 5,20-26) compele-nos em especial a impregnar-nos da consciência de que cumpre-nos superar os padrões convencionais de justiça para entrar no Reino dos céus – para vivenciar o Reino, as delícias inefáveis que emanam do viver em estreita sintonia com a vontade divina. Tendo Jesus vindo não para abolir os mandamentos da lei divina e os ensinamentos dos profetas, mas para aperfeiçoar a sua prática (conforme Mateus 5,17), ensina-nos nessa perícope que do preceito divino de não matar emana o preceito aperfeiçoado de nem sequer irar-se contra o irmão, nem dirigir-lhe palavras malevolentes e muito menos execrações (palavras duras, denotadoras de odiosidade). Admoesta-nos Jesus que tais práticas condenam ao fogo do geena, ou seja, a tormentosos sofrimentos. Cumpre-nos, pois, não ferir ninguém com maus sentimentos e com palavras que os manifestem, sendo os ensinamentos do Evangelho e seus consectários (em especial as cartas apostólicas, bem como todo o conjunto da sã doutrina da Igreja) fontes pródigas de ensinamentos que nos levam a viver o amor divino, impregnando o viver com as delícias do Reino de Deus, o qual se torna antecipado já nesta vida para quem conhece e pratica tais ensinamentos – ao mesmo tempo que preparam para a feliz esperança da vida eterna. Cabe-nos ainda, conforme ensinou Jesus, reconciliar-nos, colocar a vida em ordem no que concerne à lei do amor, sendo isso requisito fundamental para bem praticar a religiosidade.

Oração consolidadora do compromisso – 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência do que revela e nos empenhemos para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina que emana das santas palavras da liturgia do dia 23 de fevereiro de 2024, que esclarece em especial em Ezequiel 18,21-28 que cumpre-nos revestir-nos de humildade perante a sabedoria e a justiça divinas, que concitam enfaticamente à responsabilidade os que são conhecedores da Palavra de Deus no sentido de manterem-se perseverantes na sua prática, sendo o abandono da prática da justiça divina estabelecida nos vossos mandamentos motivo claro e justo de condenação. De outra parte, aqueles que vivem de modo errante, distantes dos desígnios divinos, caso se convertam e abandonem suas vidas de pecados, passando a praticar a justiça e a equidade, corrigindo-se e renunciando as práticas incompatíveis com os desígnios divinos, não serão alvo de condenação, visto que se converteram e emendaram suas condutas.
Fazemos coro com o louvor orante do salmista (Sl 129,1-8): Cântico das peregrinações. Do fundo do abismo, clamo a vós, Senhor; 2. Senhor, ouvi minha oração. Que vossos ouvidos estejam atentos à voz de minha súplica. 3. Se tiverdes em conta nossos pecados, Senhor, Senhor, quem poderá subsistir diante de vós? 4. Mas em vós se encontra o perdão dos pecados, para que, reverentes, vos sirvamos. 5. Ponho a minha esperança no Senhor. Minha alma tem confiança em sua palavra. 6. Minha alma espera pelo Senhor, mais ansiosa do que os vigias pela manhã. 7. Mais do que os vigias que aguardam a manhã, espere Israel pelo Senhor, porque junto ao Senhor se acha a misericórdia; encontra-se nele copiosa redenção. 8. E ele mesmo há de remir Israel de todas as suas iniquidades.
Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que, conforme ilumina o Santo Evangelho (Mt 5,20-26) nos impregnemos da consciência de que cumpre-nos superar os padrões convencionais de justiça para entrar no Reino dos céus – para vivenciar o Reino, as delícias inefáveis que emanam do viver em estreita sintonia com a vontade divina. Tendo Jesus vindo não para abolir os mandamentos da lei divina e os ensinamentos dos profetas, mas para aperfeiçoar a sua prática (conforme Mateus 5,17), ensina-nos nessa perícope que do preceito divino de não matar emana o preceito aperfeiçoado de nem sequer irar-se contra o irmão, nem dirigir-lhe palavras malevolentes e muito menos execrações (palavras duras, denotadoras de odiosidade). Admoesta-nos Jesus que tais práticas condenam ao fogo do geena, ou seja, a tormentosos sofrimentos.
Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para não ferir ninguém com maus sentimentos nem com palavras que os manifestem, cientes de que os ensinamentos do Evangelho e seus consectários (em especial as cartas apostólicas, bem como todo o conjunto da sã doutrina da Igreja) são fontes pródigas de ensinamentos que nos levam a viver o amor divino, impregnando o viver com as delícias do vosso Reino, o qual se torna antecipado já nesta vida para quem conhece e pratica tais ensinamentos – ao mesmo tempo que preparam para a feliz esperança da vida eterna. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que, conforme ensinou Jesus, reconciliemo-nos, coloquemos a vida em ordem no que concerne à lei do amor, cumprindo esse requisito fundamental para bem praticar a religiosidade. Cremos, Senhor, mas aumentai a nossa fé!

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo
Esse é um passo individual, sendo os anteriores base, estímulo e impulso para dá-lo da forma mais elevada possível. A participação na Santa Missa (ou, alternativamente, assisti-la por meio eletrônico), a récita do Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais nos sentimos particularmente tocados (em especial invocando a proteção e orientação dos anjos) são práticas de importância fundamental! Prosseguir nas leituras abaixo também contribui para elevar-se a esse quarto degrau. Elas dão a conhecer a história de vida dos santos com seus exemplos de prática cristã. Proporcionam ainda a compenetração no teor das leituras destacadas nas orações da Liturgia das Horas (recomendamos recitar ou pelo menos ouvir essas orações em seus respectivos horários) – que consistem em estímulos para a santificação do dia. Além disso, recomendamos usufruir os infinitos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual. Cumpre-nos, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades de cada um, avançar na prática de orações mentais meditando leituras recomendadas para tal, bem como avançar na busca de ampliar o conhecimento da fé, da doutrina cristã expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos. São tesouros de inimaginável valor que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41).
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 23 de Fevereiro
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/02/santos-do-dia-da-igreja-catolica-23-de-fevereiro/>]

São Policarpo de Esmirna
Nascido em uma família cristã da alta burguesia no ano 69, em Esmirna, Ásia Menor, atual Turquia. Os registros sobre sua vida nos foram transmitidos pelo seu biógrafo e discípulo predileto, Irineu, venerado como o “Apóstolo da França” e sucessor de Timóteo em Lion. Policarpo foi discípulo do apóstolo João, e teve a oportunidade de conhecer outros apóstolos que conviveram com o Mestre. Ele se tornou um exemplo íntegro de fé e vida, sendo respeitado inclusive pelos adversários. Dezesseis anos depois, Policarpo foi escolhido e consagrado para ser o bispo de Esmirna para a Ásia Menor, pelo próprio apóstolo João, o Evangelista.
Foi amigo de fé e pessoal de Inácio Antioquia, que esteve em sua casa durante seu trajeto para o martírio romano em 107. Este escreveu cartas para Policarpo e para a Igreja de Esmirna, antes de morrer, enaltecendo as qualidades do zeloso bispo. No governo do papa Aniceto, Policarpo visitou Roma, representando as igrejas da Ásia para discutirem sobre a mudança da festa da Páscoa, comemorada em dias diferentes no Oriente e Ocidente. Apesar de não chegarem a um acôrdo, se despediram celebrando juntos a liturgia, demonstrando união na fé, que não se abalou pela divergência nas questões disciplinares.
Ao contrário de Inácio, Policarpo não estava interessado em administração eclesiástica, mas em fortalecer a fé do seu rebanho. Ele escreveu várias cartas, porém a única que se preservou até hoje foi a endereçada aos filipenses no ano 110. Nela, Policarpo exaltou a fé em Cristo, a ser confirmada no trabalho diário e na vida dos cristãos. Também citou a Carta de Paulo aos filipenses, o Evangelho, e repetiu as muitas informações que recebera dos apóstolos, especialmente de João. Por isto, a Igreja o considera “Padre Apostólico”, como foram classificados os primeiros discípulos dos apóstolos.
Durante a perseguição de Marco Aurélio, Policarpo teve uma visão do martírio que o esperava, três dias antes de ser preso. Avisou aos amigos que seria morto pelo fogo. Estava em oração quando foi preso e levado ao tribunal. Diante da insistência do pro cônsul Estácio Quadrado para que renegasse a Cristo, Policarpo disse: “Eu tenho servido Cristo por 86 anos e ele nunca me fez nada de mal. Como posso blasfemar contra meu Redentor? Ouça bem claro: eu sou cristão”! Foi condenado e ele mesmo subiu na fogueira e testemunhou para o povo: “Sede bendito para sempre, ó Senhor; que o vosso nome adorável seja glorificado por todos os séculos”. Mas a profecia de Policarpo não se cumpriu: contam os escritos que, mesmo com a fogueira queimando sob ele e à sua volta, o fogo não o atingiu.
Os carrascos foram obrigados a matá-lo à espada, depois quando o seu corpo foi queimado exalou um odor de pão cosido. Os discípulos recolheram o restante de seus ossos que colocaram numa sepultura apropriada. O martírio de Policarpo foi descrito um ano depois de sua morte, em uma carta datada de 23 de fevereiro de 156,enviada pela igreja de Esmirna à igreja de Filomélio. Trata-se do registro mais antigo do martirológio cristão existente.

Rafaela Ybarra (Bem-Aventurada)
Rafaela nasceu no dia 16 de janeiro de 1843, em Bilbao, Espanha, no seio da tradicional família cristã Ybarra, da alta burguesia local. De personalidade serena e afável teve a infância e adolescência felizes, recebendo uma sólida formação humana e religiosa, de acordo com os costumes da época.
Aos dezoito anos se casou com o engenheiro João Vilallonga, com quem teve sete filhos. Mas, a morte trágica da sua irmã e do cunhado, fez o casal assumir os cinco sobrinhos como seus próprios filhos. Rafaela soube conciliar sua obrigação familiar com uma vida cheia de caridade e riqueza espiritual.
Em pleno século XIX, a Espanha vivia um período conturbado, com o povo sofrendo severas privações provocadas pela Revolução Industrial, que se desencadeara no mundo. A grande população rural, principalmente a de jovens, se sentia acuada e era seduzida pelos novos pólos industriais que surgiam. Bilbao não foi uma exceção, atraindo uma legião deles, que buscavam uma melhor condição de vida. A este fato, Rafaela se manteve alerta. Sua situação social não foi um obstáculo para esta sensibilidade, ao contrário, tinha consciência dos perigos que a capital produzia, como a privação, exploração e marginalização.
Com esta preocupação e neste campo realizou seu apostolado, de modo tão amplo, que nem mesmo depois de sua morte se sabia exatamente até onde poderia ter chegado. Colocou à distribuição das obras assistenciais todo o seu dinheiro e suas energias: recolhia as jovens que buscavam trabalho e depois de arranjar-lhes as colocações, as mantinham abrigadas sob seus cuidados até que tivessem uma profissão, com emprego e moradia dignos.
Cultivando o contato com Deus, através da oração, no amor ao próximo e na caridade para com todos; despertou e alicerçou as bases para a fundação de um novo instituto religioso. Ao mesmo tempo em que não descuidou da sua vida familiar, se dedicou a uma vida intensa de apostolado, atuando em todas as obras assistenciais que eram criadas em Bilbao. Entretanto, nunca abandonou seu sonho, ao contrário, solidificou muito bem o fundamento e elaborou as Regras, sob a orientação do bispo de sua diocese.
No final de1894, junto com três jovens religiosas, assumiram o trabalho de “mães e educadoras” das meninas e jovens que necessitavam de ajuda naqueles anos tão difíceis. A missão se assemelhou a dos “Anjos da Guarda”, cujo nome tomou para sua fundação e cujas atitudes foram imitadas. Em 1897, a Congregação dos Santos Anjos da Guarda estava criada e dois anos depois aprovada pelo Vaticano, sendo a Casa Mãe em Bilbao, o modelo. Nesta ocasião, tentou se tornar uma religiosa, mas graves problemas a impediram.
Depois de padecer uma longa enfermidade, morreu em 23 de fevereiro de 1900, aos cinquenta e sete anos. A santidade de sua vida foi reconhecida pela Igreja. O Papa João Paulo II, a beatificou em 1984, nesta ocasião as Irmãs se encontravam em toda a Espanha, Itália e América Latina. A fundadora recebe as homenagens no dia de sua morte.

ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 23 de Fevereiro de 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Do Livro do Êxodo 12, 21-36
A morte dos primogénitos
Naqueles dias, Moisés mandou chamar todos os anciãos de Israel e disse-lhes: «Escolhei uma rês do rebanho por cada família e imolai a Páscoa. Tomai um ramo de hissope, mergulhai-o no sangue recolhido numa bacia e aspergi com esse sangue a padieira e os dois umbrais da porta. Nenhum de vós saia fora da porta de sua casa até de manhã. O Senhor passará para ferir o Egito; mas, ao ver o sangue na padieira e nos dois umbrais da porta, passará adiante e não deixará que o Exterminador entre nas vossas casas para ferir. Guardareis esta lei como obrigação perpétua para cada um de vós e para vossos filhos.
Ao entrardes na terra que o Senhor vai dar-vos, como prometeu, haveis de observar este rito sagrado. E quando os vossos filhos vos perguntarem: ‘Que significa esta cerimônia?’, respondereis: ‘É o sacrifício da Páscoa do Senhor: Ele passou diante das casas dos filhos de Israel, quando feriu o Egito e poupou as nossas casas’». Então, o povo inclinou-se e prostrou-se por terra. Os filhos de Israel retiraram-se e procederam conforme o Senhor ordenara a Moisés e a Aarão.
A meio da noite, o Senhor feriu de morte todo o primogénito da terra do Egito, desde o primogénito do Faraó, que deveria sentar-se no seu trono, até ao primogénito do prisioneiro, que estava na prisão, e ao primogénito dos animais. O Faraó ergueu-se de noite, com os seus servos e todos os egípcios. E ouviu-se no Egito um grande clamor, pois não se encontrava casa onde não houvesse um morto.
O Faraó mandou chamar Moisés e Aarão, de noite, e disse-lhes: «Ide. Saí do meio do meu povo, vós e os filhos de Israel. Ide prestar culto ao Senhor, como dizeis. Levai também os vossos rebanhos e manadas como pedistes; segui o vosso caminho e implorai também para mim a bênção». Os egípcios instavam com o povo, para que saísse depressa do país, pois diziam: «Vamos morrer todos».
O povo teve de levar a massa ainda por fermentar, com as masseiras aos ombros envolvidas nos seus mantos. Entretanto, os filhos de Israel tinham cumprido a ordem de Moisés, pedindo aos egípcios objetos de prata e de ouro e peças de vestuário. O Senhor fez que o povo fosse bem acolhido pelos egípcios, os quais anuíram aos seus pedidos. E assim despojaram os egípcios.
SEGUNDA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Do «Espelho da Caridade», do Beato Aelredo, abade
(Lib. 3, 5: PL 195, 582) (Sec. XII)
O amor fraterno, à imitação de Cristo
Nada nos anima tanto ao amor dos inimigos – e é nisso que consiste a perfeição da caridade fraterna – como a consideração da admirável paciência de Cristo: o mais belo dos filhos dos homens apresentou o seu formoso rosto aos ultrajes dos ímpios; deixou que os malfeitores velassem aqueles olhos, a cujo sinal se regem todas as coisas; expôs o seu corpo aos açoites; sujeitou à cruel agudeza dos espinhos a sua cabeça, que faz tremer principados e potestades; entregou-Se aos opróbrios e injúrias; finalmente, suportou a cruz, os cravos, a lança, o fel e o vinagre, conservando-Se inalteravelmente sereno, amável e benigno.
Numa palavra, como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha emudecida ante aqueles que a tosquiam, Ele não abriu a boca.
Ao ouvir esta palavra admirável, cheia de doçura, cheia de amor, cheia de imutável tranquilidade: Perdoa-lhes, ó Pai, quem não correrá a abraçar com todo o afeto os seus inimigos? Perdoa-lhes, ó Pai, disse Jesus. Poderá haver oração que exprima maior mansidão e caridade?
Mas Jesus não Se contentou com pedir; quis também desculpar, e acrescentou: Perdoa-lhes, ó Pai, porque não sabem o que fazem. São, na verdade, grandes pecadores, mas não sabem avaliar a gravidade do seu pecado; por isso, Perdoa-lhes, ó Pai. Crucificam-Me, mas não sabem a quem crucificam, pois se o soubessem, não teriam crucificado o Senhor da glória; por isso, Perdoa-lhes, ó Pai. Julgam-Me transgressor da lei, usurpador da divindade, sedutor do povo. Ocultei-lhes a minha face, e não reconheceram a minha majestade; por isso, Perdoa-lhes, ó Pai, porque não sabem o que fazem.
Portanto, se o homem quer amar-se a si mesmo com amor autêntico, não se deixe corromper por nenhum prazer da carne. E para não sucumbir à concupiscência da carne, dirija todo o seu afeto à admirável humanidade do Senhor. Enfim, para mais perfeita e suavemente repousar na alegria da caridade fraterna, abrace também com verdadeiro amor os seus inimigos.
Mas, para que este fogo divino não arrefeça diante das injúrias, contemple sem cessar, com os olhos do espírito, a serena paciência do seu amado Senhor e Salvador.
LEITURA BREVE
Is 53, 11b-12
Pela sua sabedoria, o Justo, meu servo, justificará a muitos e tomará sobre Si as suas iniquidades. Por isso, Eu lhe darei as multidões como prémio e terá parte nos despojos no meio dos poderosos. Porque Ele próprio entregou a sua vida à morte e foi contado entre os malfeitores. Tomou sobre si as culpas das multidões e intercedeu pelos pecadores.
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Is 55, 3
Prestai-Me atenção e vinde a mim; escutai, e vivereis. Firmarei convosco uma aliança eterna, com as graças prometidas a David.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Jer 3, 12b. 14a
Voltai, diz o Senhor, e não vos mostrarei um rosto severo; porque Eu sou benigno e não Me irrito para sempre. Voltai, filhos rebeldes, diz o Senhor.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Tg 1, 27
A religião pura e sem mancha, aos olhos de Deus, nosso Pai, consiste em visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e conservar-se limpo do contágio do mundo.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Tg 5, 16.19-20
Confessai uns aos outros os vossos pecados e orai uns pelos outros, para que sejais curados. A oração persistente do justo tem muito poder. Meus irmãos, se algum de vós se afastar da verdade e outro o converter, saiba que aquele que reconduz um pecador do erro à verdade, salvará a sua alma da morte e obterá o perdão de muitos pecados.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Jer 14, 9
Estais no meio de nós, Senhor, e sobre nós foi invocado o vosso nome. Não nos abandoneis, Senhor nosso Deus.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
