1 de novembro de 2023
As santas palavras da liturgia deste dia compelem-nos em especial a assumir o compromisso - e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível - na 1ª Leitura (Rm 8,26-30), de impregnar-nos da consciência de que o Espírito Santo vem em nosso auxílio face às nossas fraquezas, intercedendo por nós com gemidos inefáveis quando estamos sinceramente imbuídos do propósito de fazer a vontade do Pai - muito embora sem saber o que devemos pedir e nem orar como convêm. O Pai Celestial, que perscruta os corações, sabe o que deseja o Espírito que intercede pelos que buscam viver conforme a sua vontade, os que cultivam o propósito de santificar cada instante do viver. Assim, tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, dos eleitos segundo os desígnios divinos, dos que acolhem o chamado que é estendido a todos, mas, infelizmente, nem todos atendem. Busquemos, pois, a cada dia mais, viver segundo os desígnios divinos, pois somos destinados a nos configurarmos à imagem do Filho de Deus, o primogênito entre uma multidão de irmãos. Vivamos, pois, cientes de que acolhendo este chamado divino pela fé, somos justificados e glorificados por aquele que nos chamou! As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista (Sl 12): Até quando, Senhor, de todo vos esquecereis de mim? Por quanto tempo ainda desviareis de mim os vossos olhares? Até quando aninharei a angústia na minha alma, e, dia após dia, a tristeza no coração? Até quando se levantará o meu inimigo contra mim? Olhai! Ouvi-me, Senhor, ó meu Deus! Iluminai meus olhos com vossa luz, para eu não adormecer na morte, para que meu inimigo não venha a dizer: Venci-o; e meus adversários não triunfem no momento de minha queda, eu que confiei em vossa misericórdia. Antes possa meu coração regozijar-se em vosso socorro! Então cantarei ao Senhor pelos benefícios que me concedeu. O Santo Evangelho (Lc 13,18-21) compele-nos a impregnar-nos da consciência de que Jesus, no decorrer de sua jornada, por onde passava ali ensinava. Inquirido a respeito da salvação, ensinou que cumpre-nos entrar pela porta estreita, mantendo-nos estritamente fiéis aos ensinamentos divinos e praticando o amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Amar a Deus sobre todas as coisas implica em renunciar ao orgulho e à soberba, mantendo a humildade e a obediência aos desígnios divinos. Para ensinar isso, Jesus se valeu da imagem da porta estreita. Aqueles que querem "reformar a porta", elastecer, esticar, manipular os ensinamentos das sagradas escrituras, a sã doutrina cristã para atender as suas conveniências, ainda que possam, a princípio, ser considerados os primeiros a serem acolhidos no Reino dos Céus, com tais atitudes serão levados aos últimos lugares - incorrendo seriamente no risco de não adentrar. Já os que se mantém humildes e obedientes, amoldando-se aos ensinamentos ao invés de "esticá-los", ainda que aparentemente pouco qualificados, serão os primeiros a acessar o Reino. Não compliquemos, pois, as coisas; mantenhamo-nos fiéis à sã doutrina cristã e conscientes do que Jesus ensinou sobre que os que se arrogam sábios e entendidos: pelo orgulho e soberba interpõem barreiras que tornam para eles inacessíveis as revelações divinas, com o que se fecham e se afastam da verdade. Por isso disse Jesus: "Eu te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos (Mt 11,25).”
