Tais santas palavras e ensinamentos concitam em especial a assumir o compromisso - e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na primeira leitura (Ez 18,25-28), de postar-nos com humildade perante a sabedoria e a justiça divinas, que compelem os que são conhecedores da Palavra de Deus à responsabilidade no sentido de se manterem perseverantes na sua prática, sendo o abandono da busca sincera de praticar a justiça divina estabelecida nos mandamentos do Senhor motivo claro e justo de condenação. De outra parte, aqueles que vivem de modo errante, distantes dos desígnios divinos, caso se convertam e abandonem suas vidas de pecados, passando a praticar a justiça e a equidade, corrigindo-se e renunciando as práticas incompatíveis com os desígnios divinos, não serão alvo de condenação, visto que se converteram e emendaram suas condutas. As santas palavras do Salmo Responsorial (Sl 24) compelem-nos a elevar a alma ao Senhor - confiantes de que nenhum dos que nele esperam serão confundidos - clamando-lhe para que nos dirija em sua verdade e nos ensine o caminho da salvação, colocando nele a esperança, pois sua bondade e misericórdia são eternas. [...] Cumpre-nos, pois, pedir perdão dos pecados, por maior que sejam, colocando-nos humildemente diante do Senhor, rogando-lhe que ensine os caminhos que devemos seguir, com o que viveremos na felicidade e nossa posteridade possuirá a terra. Tais santas palavras concitam-nos ainda à consciência de que o Senhor se torna íntimo dos que o temem e lhes manifesta sua aliança, cumprindo estarmos com os olhos sempre fixos no Senhor, buscando realizar seus desígnios; essa é a melhor forma de livrar-nos das armadilhas que nos rondam na jornada da vida. [...] roguemos pois ao Senhor para que nos alivie de nossas angústias e livre das aflições, peçamos-lhe perdão por nossas faltas e a proteção de nossa inocência, de modo que nos mantenhamos no bom caminho, fazendo o que é certo, vivendo com integridade, com plena confiança no Senhor! As santas palavras da 2ª Leitura (Fl 2,1-11) compelem-nos à gratidão pela clareza da alegria que proporciona a unidade cristã. São Paulo concita-nos a cultivar o mesmo amor, como que com uma só alma e cultivando os mesmos pensamentos. Insta-nos a nada fazer por espírito de partido - atitude em que se consolida a partição, a fragmentação, com o que se quebra a unidade. Do mesmo modo cumpre-nos evitar a vanglória, que realmente se constitui em uma vã glória, pois é a humildade que nos mantém em estado de paz, visto que, se por alguns momentos brilhamos, logo em seguida falhamos e não é de modo algum sensato termos a nós mesmos em alta consideração, pois tal atitude se constitui traiçoeira ilusão. Cumpre-nos, pois, tratar os outros como superiores a nós mesmos, visto que ensinou Jesus (Mateus 25,40): "[…] todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes." Se o que fazemos para com os nossos circunstantes, desde o menor, conforme ensinou o Mestre, o fazemos para o próprio Jesus, resta alguma dúvida de que o mais sensato a fazer seja considerar os outros como superiores a nós mesmos? Em tal espírito de serviço ao próximo e cientes dessa dimensão sublime da convivência, em que estando em relação com os que nos rodeiam estamos servindo o próprio Cristo, cabe-nos indubitavelmente ter em vista antes os interesses deles do que os nossos próprios, cumprindo-nos, assim, dedicar-nos mutuamente alta estima uns aos outros - do mesmo modo que estimamos o próprio Jesus. Se Jesus, sendo Deus, aniquilou-se em todos os aspectos, por amor de nós, obedeceu humildemente, chegando ao extremo da morte na cruz, o que se há de esperar de um cristão, de um seguidor de Cristo, que não o empenho sincero para conformar-se às orientações que São Paulo Apóstolo nos proporciona nessa epístola? O Santo Evangelho (Mt 21,28-32) compele-nos a atuar com clareza de que os que se convertem de suas vidas marcadas pela negação em cumprir a vontade de Deus, passando a fazer o que Deus deseja, são tidos em melhor conta pelo Senhor do que aqueles em relação aos quais afirmou (Izaías 29,13): “Esse povo vem a mim apenas com palavras e me honra só com os lábios, enquanto seu coração está longe de mim e o temor que ele me testemunha é convencional e rotineiro[…]." Cumpre-nos, pois, juntar-nos aos que se convertem - dentre os quais se encontram pessoas que foram dadas aos mais degradantes hábitos e as mais aviltantes atitudes. Que atuemos tocados de arrependimento e emendemos nossas condutas, empenhando-nos de forma cada vez mais intensa e efetiva no adentramento na senda do Senhor, laborando denodadamente em sua divina messe.