6 de outubro de 2023
Tais santas palavras e ensinamentos concitam em especial a assumir o compromisso - e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na primeira leitura, de reconhecer que o Senhor nosso Deus é justo, porém as terríveis consequências que colhemos em nossas vidas e coletivamente, em sociedade, são decorrentes dos pecados cometidos contra o Senhor, pela nossa desobediência, pela nossa recusa em ouvir sua voz e seguir os seus mandamentos. [...] Cumpre-nos refletir e reconhecer que não somos dignos das bênçãos do Senhor, pois tendemos a praticar até a própria religião seguindo nossas inclinações, fazendo do nosso jeito, ao invés de fazer do jeito que Deus deixou para ser; caímos, ainda que inconscientemente, em armadilhas que nos levam a nos comportar como idólatras… Consultemos com sinceridade nossas consciências: se não é o caso nesse momento, mas em alguns momentos de nossas vidas não priorizamos jogos de futebol e programas televisivos, colocando isso na frente da récita do santo rosário e da frequência à santa missa? [...] Cabe-nos refletir com profundidade e reconhecer que, mesmo os que se pensam e se dizem cristãos, em sua maioria, estão distantes de Deus, caídos nessas e em outras armadilhas similares… Oremos e nos empenhemos no anúncio do Reino de Deus para que nossa semeadura seja diferente, ensejando uma colheita diversa da que temos merecido por nossa insensatez! As santas palavras do Salmo Responsorial (Sl 78) nos instam à tomar consciência das terríveis realidades que se abateram sobre o povo de Deus por ocasião da tomada de Jerusalém e a deportação dos israelitas para a Babilônia [...]. Concitam-nos ainda a refletir sobre as desgraças que nos assolam em nossos tempos e a seguir o exemplo do salmista, clamando: Até quando, Senhor?… Será eterna vossa cólera? Será como um braseiro ardente o vosso zelo? [...] vossa misericórdia venha logo ao nosso encontro, porque estamos reduzidos a extrema miséria [se não física, mas espiritual]. Ajudai-nos, ó Deus salvador, pela glória de vosso nome; livrai-nos e perdoai-nos os nossos pecados pelo amor de vosso nome. Quanto a nós, vosso povo e ovelhas de vosso rebanho, glorificaremos a vós perpetuamente; de geração em geração cantaremos os vossos louvores. Cumpre-nos, pois, voltarmo-nos para Deus, clamar-lhe misericórdia e nos empenharmos denodadamente em emendar nossas condutas, convertendo-nos e tornando-nos a cada dia mais vigilantes e orantes. O Santo Evangelho (Lc 10,13-16) concita-nos a refletir sobre o quão aplicáveis seriam essas palavras - ditas por Jesus em relação àquelas cidades - às nossas povoações, à nossa nação... Cumpre, pois contextualizá-las à nossa realidade, sendo razoável afirmar: ai de ti, Brasil, porque sendo terra tão prodigamente abençoada pela natureza; tendo nós, povo brasileiro, tido a maravilhosa graça de recebermos a herança cristã; tendo tido a oportunidade de recebermos os ensinamentos da fé católica… porque não colocamos em prática com efetivo amor e devoção os ensinamentos do Senhor, por que não fazemos penitência e não nos convertemo? Porque levianamente nos deixamos seduzir por tantas trivialidades, caindo tão facilmente em comportamentos levianos e promíscuos, priorizando banalidades como carnaval, futebol, novelas... ao invés de nos dedicarmos denodadamente às práticas da fé e assim realizar a nossa vocação de Terra da Santa Cruz? [...] A parte final dessa perícope compele-nos ainda a refletir: temos atuado com plena consciência de que quem ouve os enviados de Jesus a ele ouvem; e quem os rejeita a ele rejeita - e que quem rejeita Jesus rejeita o Pai Celeste, que o enviou? Tais reflexões não se prestam a "apontar o dedo", no sentido de julgamento, mas servem como amorosa exortação para emendarmos nossas condutas, nos convertermos, de modo a semear melhores sementes para merecer colher melhores frutos.
