“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 10 DE DEZEMBRO DE 2023 – DOMINGO DA II SEMANA DO ADVENTO (ANO B)
10 de dezembro de 2023“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 12 DE DEZEMBRO DE 2023 – TERÇA FEIRA – NOSSA SENHORA DE GUADALUPE – PADROEIRA DA AMÉRICA LATINA (ANO B)
12 de dezembro de 2023Sugerimos que, na medida das possibilidades, nos tempos livres do pensamento, você vá escolhendo, conforme apetecer, como em um bufê, alguns os vídeos disponibilizados que puder assistir – buscando aumentar a “ingestão” desses conteúdos e diminuir os “do mundo”. Concitamos, porém, que empregue especial empenho e dedicação em sorver o néctar espiritual potencializador da prática cristã extraído do estudo orante desta Liturgia Diária (Lectio Divina), para sustento, remédio e fortalecimento espiritual.
Recomendamos vivamente que dedique um tempo para ouvir a oração da manhã que abrirá tocando nesse link:
https://youtu.be/7pM_5VXApkI?si=BVZvCvJzUvJI1JX3

SAUDAÇÃO
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

LITURGIA DIÁRIA
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4203-liturgia-de-11-de-dezembro-de-2023>]
Antífona da entrada
– Ó nações, escutai a palavra do Senhor; levai a até os confins da terra! Eis que chega o nosso salvador, não tenhais medo. (Jr 31,10; Is34,4).
Coleta
– Chegue à vossa presença, Senhor, a nossa oração suplicante, e possamos celebrar de coração purificado o grande mistério da encarnação do vosso Filho. Ele que convosco vive e reina e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Is 35,1-10
Salmo Responsorial: Sl 84
– Eis que vem o nosso Deus! Ele vem para salvar.
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Eis que o rei há de vir, Senhor da terra, ele mesmo de nós afastará o jugo de nosso cativeiro.
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 5,17-26.
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

LEITURA ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)

Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz
As santas palavras da 1ª Leitura nos ensinam pelo escritor sagrado (Is 35,1-10): O deserto e a terra árida regozijar-se-ão. A estepe vai alegrar-se e florir. Como o lírio 2. ela florirá, exultará de júbilo e gritará de alegria. A glória do Líbano lhe será dada, o esplendor do Carmelo e de Saron; será vista a glória do Senhor e a magnificência do nosso Deus. 3. Fortificai as mãos desfalecidas, robustecei os joelhos vacilantes. 4. Dizei àqueles que têm o coração perturbado: Tomai ânimo, não temais! Eis o vosso Deus! Ele vem executar a vingança. Eis que chega a retribuição de Deus: ele mesmo vem salvar-vos. 5. Então se abrirão os olhos do cego. E se desimpedirão os ouvidos dos surdos; 6. então o coxo saltará como um cervo, e a língua do mudo dará gritos alegres. Porque águas jorrarão no deserto e torrentes, na estepe. 7. A terra queimada se converterá num lago, e a região da sede, em fontes. No covil dos chacais crescerão caniços e papiros. 8. E haverá uma vereda pura, que se chamará o caminho santo; nenhum ser impuro passará por ele, e os insensatos não rondarão por ali. 9. Nele não se encontrará leão, nenhum animal feroz transitará por ele; mas por ali caminharão os remidos, 10. por ali voltarão aqueles que o Senhor tiver libertado. Eles chegarão a Sião com cânticos de triunfo, e uma alegria eterna coroará sua cabeça; a alegria e o gozo possuí-los-ão; a tristeza e os queixumes fugirão.
As santas palavras do Salmo Responsorial apresentam o louvor orante do salmista (Sl 84): Ao mestre de canto. Salmo dos filhos de Coré. 2. Fostes propício, Senhor, à vossa terra; restabelecestes a sorte de Jacó. 3. A iniquidade de vosso povo perdoastes, foram por vós cobertos seus pecados. 4. Aplacastes toda a vossa cólera, refreastes o furor de vossa ira. 5. Restaurai-nos, ó Deus, nosso salvador, ponde termo à indignação que tínheis contra nós. 6. Acaso será eterna contra nós a vossa cólera? Estendereis vossa ira sobre todas as gerações? 7. Não nos restituireis a vida, para que vosso povo se rejubile em vós? 8. Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia, e dai-nos a vossa salvação. 9. Escutarei o que diz o Senhor Deus, porque ele diz palavras de paz ao seu povo, para seus fiéis, e àqueles cujos corações se voltam para ele. 10. Sim, sua salvação está bem perto dos que o temem, de sorte que sua glória retornará à nossa terra. 11. A bondade e a fidelidade outra vez se irão unir, a justiça e a paz de novo se darão as mãos. 12. A verdade brotará da terra, e a justiça olhará do alto do céu. 13. Enfim, o Senhor nos dará seus benefícios, e nossa terra produzirá seu fruto. 14. A justiça caminhará diante dele, e a felicidade lhe seguirá os passos.
O Santo Evangelho ensina-nos pelo Evangelista (Lc 5,17-26): Um dia estava ele ensinando. Ao seu derredor estavam sentados fariseus e doutores da lei, vindos de todas as localidades da Galileia, da Judéia e de Jerusalém. E o poder do Senhor fazia-o realizar várias curas. 18. Apareceram algumas pessoas trazendo num leito um homem paralítico; e procuravam introduzi-lo na casa e pô-lo diante dele. 19. Mas não achando por onde o introduzir, por causa da multidão, subiram ao telhado e por entre as telhas o arriaram com o leito ao meio da assembleia, diante de Jesus. 20. Vendo a fé que tinham, disse Jesus: Meu amigo, os teus pecados te são perdoados. 21. Então os escribas e os fariseus começaram a pensar e a dizer consigo mesmos: Quem é este homem que profere blasfêmias? Quem pode perdoar pecados senão unicamente Deus? 22. Jesus, porém, penetrando nos seus pensamentos, replicou-lhes: Que pensais nos vossos corações? 23. Que é mais fácil dizer: Perdoados te são os pecados; ou dizer: Levanta-te e anda? 24. Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder de perdoar pecados (disse ele ao paralítico), eu te ordeno: levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa. 25. No mesmo instante, levantou-se ele à vista deles, tomou o leito e partiu para casa, glorificando a Deus. 26. Todos ficaram transportados de entusiasmo e glorificavam a Deus; e tomados de temor, diziam: Hoje vimos coisas maravilhosas.

Compromisso – 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer
As santas palavras da liturgia deste dia compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura, de nos impregnarmos da consciência do que revela e nos empenharmos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece em especial nesta perícope (Is 35,1-10) que Deus mesmo veio salvar-nos, sendo imensas as razões para nos alegrarmos e regozijar-nos, pois ele veio para fortificar as mãos desfalecidas e robustecer os joelhos vacilantes. Grande é a glória e magnificência de nosso Deus! Ele abre os olhos do cego, desimpede os ouvidos do surdo, cura os aleijados e faz o mudo gritar de alegria. Faz jorrar água no deserto e torrentes nas estepes, tornando a terra árida em região de fontes. O Senhor estabeleceu uma vereda pura, um caminho santo, resistente às interferências dos insensatos; por ele caminharão os remidos, os libertos pelo Senhor, que avançarão com cânticos de triunfo e uma alegria eterna. Tristezas e queixumes não terão mais razão de ser em suas vidas.
As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista (Sl 84).
O Santo Evangelho (Lc 5,17-26) compele-nos em especial a admirar e a nos empenhar para seguir o exemplo de solidariedade profunda, persistência e criatividade dos amigos do paralítico, que envidaram os mais expressivos esforços para levá-lo a Jesus (não podendo passar entre a multidão, içaram-no ao telhado e o fizeram descer diante de Jesus). Face a tal ato de fé, Jesus perdoou os pecados do homem enfermo, ordenando-lhe que levantasse, tomasse o leito e fosse para casa. Ele o fez, glorificando a Deus.
Esse feito constituiu-se em razão de grande entusiasmo, gerando temor de Deus e a atitude de reconhecimento de seu poder por parte dos integrantes da multidão, os quais afirmaram terem visto coisas maravilhosas. De outro norte, a perícope em tela concita-nos a evitar a atitude incrédula dos escribas e fariseus, que em sua dureza de coração, apegados à falsa sapiência, como habitualmente faziam, ignoravam as maravilhas operadas por Jesus pelo poder de Deus. Eles buscavam tão somente encontrar – sem o conseguir – eventuais brechas para desqualificar Jesus e suas obras.

Oração consolidadora do compromisso – 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência do que revela e nos empenhemos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece em especial nesta perícope (Is 35,1-10) que vós mesmo viestes nos salvar, sendo imensas as razões para nos alegrarmos e regozijar-nos, pois viestes para fortificar as mãos desfalecidas e robustecer os joelhos vacilantes. Grande é a vossa glória e magnificência! Vós abris os olhos do cego, desimpedis os ouvidos do surdo, curais os aleijados e fazeis o mudo gritar de alegria. Fazeis jorrar água no deserto e torrentes nas estepes, tornando a terra árida em região de fontes.
Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos mantenhamos percorrendo a vereda pura que estabelecestes, o caminho santo, que leva a resistir as interferências dos insensatos; por ele caminham os remidos, os que foram por vós libertos, no qual avançamos com cânticos de triunfo e uma alegria eterna, não tendo mais razão de ser em nossas vidas tristezas e queixumes.
Fazemos coro com o louvor orante do salmista (Sl 84): Ao mestre de canto. Salmo dos filhos de Coré. 2. Fostes propício, Senhor, à vossa terra; restabelecestes a sorte de Jacó. 3. A iniquidade de vosso povo perdoastes, foram por vós cobertos seus pecados. 4. Aplacastes toda a vossa cólera, refreastes o furor de vossa ira. 5. Restaurai-nos, ó Deus, nosso salvador, ponde termo à indignação que tínheis contra nós. 6. Acaso será eterna contra nós a vossa cólera? Estendereis vossa ira sobre todas as gerações? 7. Não nos restituireis a vida, para que vosso povo se rejubile em vós? 8. Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia, e dai-nos a vossa salvação. 9. Escutarei o que diz o Senhor Deus, porque ele diz palavras de paz ao seu povo, para seus fiéis, e àqueles cujos corações se voltam para ele. 10. Sim, sua salvação está bem perto dos que o temem, de sorte que sua glória retornará à nossa terra. 11. A bondade e a fidelidade outra vez se irão unir, a justiça e a paz de novo se darão as mãos. 12. A verdade brotará da terra, e a justiça olhará do alto do céu. 13. Enfim, o Senhor nos dará seus benefícios, e nossa terra produzirá seu fruto. 14. A justiça caminhará diante dele, e a felicidade lhe seguirá os passos.
Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que sigamos o admirável exemplo de solidariedade profunda, persistência e criatividade dos amigos do paralítico (Lc 5,17-26), que envidaram os mais expressivos esforços para levá-lo a Jesus (não podendo passar entre a multidão, içaram-no ao telhado e o fizeram descer diante de Jesus). Diante de tal ato de fé, Jesus perdoou os pecados do homem enfermo, ordenando-lhe que levantasse, tomasse o leito e fosse para casa. Ele o fez glorificando a Deus, sendo tal feito razão de grande entusiasmo, gerando temor de Deus e a atitude de reconhecimento de seu poder por parte dos integrantes da multidão, afirmando terem visto coisas maravilhosas.
Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência de que os nossos pecados são perdoados no sacramento da penitência e assim é curada nossa paralisia espiritual: podemos andar celeremente no caminho do Senhor, sem óbices, sem bloqueios, sem interferências… Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que evitemos a atitude incrédula dos escribas e fariseus, que em sua dureza de coração, apegados à falsa sapiência, como habitualmente faziam, ignoraram as maravilhas operadas por Jesus pelo poder de Deus e buscaram tão somente encontrar – sem o conseguir – eventuais brechas para desqualificar Jesus e suas obras. Livrar-nos, Senhor, de tal armadilha do maligno! Cremos, Senhor, mas aumentai nossa fé!

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo
Esse é um passo individual, sendo os anteriores base, estímulo e impulso para dá-lo da forma mais elevada possível. A participação na Santa Missa (ou, alternativamente, assisti-la por meio eletrônico), a récita do Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais nos sentimos particularmente tocados (em especial invocando a proteção e orientação dos anjos) são práticas de importância fundamental! Prosseguir nas leituras abaixo também contribui para elevar-se a esse quarto degrau. Elas dão a conhecer a história de vida dos santos com seus exemplos de prática cristã. Proporcionam ainda a compenetração no teor das leituras destacadas nas orações da Liturgia das Horas (recomendamos recitar ou pelo menos ouvir essas orações em seus respectivos horários) – que consistem em estímulos para a santificação do dia. Além disso, recomendamos usufruir os infinitos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual. Cumpre-nos, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades de cada um, avançar na prática de orações mentais meditando leituras recomendadas para tal, bem como avançar na busca de ampliar o conhecimento da fé, da doutrina cristã expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos. São tesouros de inimaginável valor que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41).
EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 11 de Dezembro
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2023/12/santos-do-dia-da-igreja-catolica-11-de-dezembro/> ]

São Dâmaso I
Dâmaso era espanhol, mas não se descarta que ele possa ter nascido em Roma, no ano 305. Culto e instruído, ocupou o trono da Igreja de 366 a 384. Foi considerado um dos mais firmes e valentes sucessores de Pedro. Sem temer as ameaças e protecionismos imperiais, demitiu de uma só vez todos os bispos que mantinham vínculo com a heresia ariana, trazendo estabilidade à Igreja através da unidade, da obediência e respeito ao papa de Roma.
Sua eleição foi tumultuada por causa da oposição. Houve até luta armada entre as facções, vitimando cento e trinta e sete pessoas. Mas, ao assumir, o então papa Dâmaso I trouxe de volta a tradição da doutrina à Igreja, havendo um florescimento de ritos, orações e pregações durante seu mandato. Devem-se a ele, por exemplo, os estudos para a revisão dos textos da Bíblia e a nova versão em latim feita por São Jerônimo, seu secretário.
Em seu governo, a Igreja adotou uma nova postura e conquistou o respeito na sua participação na vida pública civil. Os bispos podiam escrever, catequizar, advertir e condenar. Esse papa sabia como ninguém fazer-se entender com os impérios e reinados e conseguia paz para que a Igreja se autogerisse. Foi uma figura digna do seu tempo, pois conviveu com grandes destaques do cristianismo, como os santos: Ambrósio, Agostinho e Jerônimo, só para citar alguns.
Além de administrador, era também um poeta inspirado pelas orações e cânticos antigos, além de excelente arqueólogo. Graças a ele as catacumbas foram recuperadas, com o próprio papa percorrendo-as para identificar os túmulos dos mártires e dar-lhes as devidas honras. Nesse mesmo local exaltou os mártires em seus famosos “Títulos”, ou seja, epigramas talhados nas pedras pelo calígrafo Dionísio Filocalo, com os lindos poemas que escrevia especialmente para cada um.
Dâmaso I escolheu, pessoalmente, o túmulo no qual gostaria que fossem depositados seus restos mortais. Na cripta dos papas, localizada nas Catacumbas de São Calisto, ao término dos seus escritos em honra deles, deixou registrado: “Aqui, eu, Dâmaso, gostaria que fossem depositados meus espólios. Mas temo perturbar as piedosas cinzas dos mártires”.
Ao morrer, em 384, com quase oitenta anos, foi sepultado num solitário e humilde túmulo na via Andreatina, que ele, discreto, preparara para si. O Santo Papa Dâmaso I é venerado no dia 11 de dezembro.

São Sabino
Sabina era como se chamava, antigamente, a região nordeste da cidade de Roma, fecunda de cristãos exemplares. Em alguns lugares, adotou-se a variação de Saviana, porque a letra “b” do latim tende a ser suavisada com a “v” do idioma italiano. Foi assim que surgiu esse nome que se perpetuou através do povo europeu.
Em meados do século IV, temos um Sabino como bispo de Piacenza, cidade próxima a Milão, na Itália. Segundo consta da tradição, ele nasceu naquela cidade e era diácono da Igreja. O papa Dâmaso I, que agora é santo como ele, o enviou, em 372, ao Concílio do Oriente, no qual seria discutida a doutrina ariana.
Ele retornou para a Itália com várias cartas para os bispos do Ocidente, e pouco depois foi investido com a mitra episcopal e com o bastão pastoral. Foi o bispo de Piacenza por quarenta e cinco anos e, também pela tradição, teve uma longa vida, morrendo próximo dos cento e dez anos.
Sabino se distinguiu pelo seu saber, pelo zelo pastoral e pelas suas exímias virtudes, que foram enaltecidas mais tarde pelo futuro grande papa Gregório Magno, o qual narrou um comovente milagre que Sabino realizou para salvar a cidade, por ocasião de uma enchente do rio Pó. Além disso, Sabino sempre se manteve muito próximo dos fiéis. Foi por eles considerado um pai caridoso, penitente e humilde, andando pelas ruas com roupas simples e, às vezes, sem sapatos.
Foi contemporâneo e amigo do bispo Ambrósio, outro ilustre santo da Igreja, com quem manteve numerosa correspondência. Sabino foi um natural e zeloso defensor da doutrina católica contra os erros dos arianos. Em sua extensa trajetória de vida religiosa, a Igreja assinalou a sua presença em vários sínodos, como o de Aquiléia, em 381; de Milão, em 387; e de Roma, em 390.
Várias cidades do centro da Itália consideravam Sabino seu bispo, talvez por ele ter vivido um pouco em cada uma delas, mas sempre como o bispo de Piacenza. A pedido da Santa Sé, tinha de ficar longos período em outras cidades, preparando e corrigindo os bispos mais jovens, para que a verdadeira doutrina católica não se perdesse no meio dos erros e excessos dos arianos, que eram os maiores perigos que ameaçavam a Igreja na época.
O bispo Sabino morreu no dia 11 de dezembro de 420. Foi canonizado pela Igreja, que escolheu essa data para a homenagem litúrgica. Mas a cidade de Piacenza o celebra também, com uma grande festa solene, no dia 17 de janeiro, porque nessa data suas relíquias foram transferidas para a Igreja dos Apóstolos, que naquela ocasião foi dedicada ao santo.

ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE /12/2023
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/opzioni.php>]
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA
Do Livro de Isaías 24, 1-18
Manifestação do Senhor no seu dia
O Senhor vai devastar e saquear a terra, vai transtornar a sua face e dispersar os seus habitantes. O sacerdote ficará como o povo, o senhor como o escravo, a senhora como a serva, o vendedor como o comprador, o que empresta como quem pede emprestado, o credor como o devedor. A terra ficará totalmente devastada, completamente despojada, tal como o Senhor o decretou. A terra está de luto e desfalece, o mundo desfalece e definha, com a terra desfalecem as alturas. A terra foi contaminada pelos seus habitantes, porque transgrediram as leis, desprezaram os preceitos, romperam a aliança eterna. Por isso a maldição devora a terra, e os seus habitantes sofrem a pena dos seus crimes. Por isso os habitantes da terra são exterminados e reduzidos a um pequeno número. O vinho novo está de luto, a videira definha, suspiram os corações outrora jubilosos. Cessou a alegria dos tamborins, acabaram as manifestações de contentamento, calou‑se o som alegre da harpa. Já não se bebe vinho a cantar; a bebida forte tem sabor amargo para os que a bebem. A cidade do caos está arruinada, todas as casas estão fechadas. Nas ruas há lamentos por causa do vinho, desapareceu toda a alegria, o júbilo foi banido do país. Na cidade só resta a desolação, e a Porta, despedaçada, está em ruínas. Isto sucederá no país e no meio dos povos, como no varejo da azeitona, como no rebusco da videira depois da vindima. Eles levantam a voz e cantam alegremente, a partir do poente aclamam a majestade do Senhor; nos alvores do oriente glorificam o Senhor, nas ilhas do mar celebram o nome do Senhor, Deus de Israel. Dos confins da terra ouvimos cantar: «Glória ao Justo!». Mas eu disse: «Infeliz de mim, infeliz de mim! Ai de mim! Os traidores atraiçoam, os traidores cometem traição. O terror, a cova e a armadilha te perseguem, habitante do país. Quem fugir para escapar ao terror cairá na cova, quem escapar da cova será apanhado pela armadilha. Estão abertas as comportas do alto e vacilam os fundamentos da terra».
SEGUNDA LEITURA
Do Tratado de São João da Cruz, presbítero, “A subida ao monte Carmelo”
(Lib. 2, cap. 22) (Sec. XVI)
Deus falou-nos por meio de seu Filho
A razão principal por que na Lei antiga eram lícitas as perguntas que se faziam a Deus – e era justo que os profetas e sacerdotes quisessem visões e revelações de Deus – é porque ainda não estava bem fundamentada a fé nem estabelecida a lei evangélica, e assim era mister que perguntassem a Deus e que ele respondesse com palavras ou com visões e revelações, ou em figuras e comparações, ou por muitos outros modos de comunicação. Com efeito, tudo o que respondia, falava e revelava, eram mistérios da nossa santa fé ou verdades que a ela se referiam ou a ela conduziam.
Mas agora que está fundada a fé em Cristo e promulgada a lei evangélica, nesta era da graça, não há razão para o interpelar daquela maneira, nem para que ele agora fale ou responda como então. Porque ao dar-nos, como nos deu, o seu Filho, que é a sua Palavra — e não tem outra — disse‑nos tudo ao mesmo tempo e de uma só vez nesta Palavra única, e nada mais tem a revelar. É este o sentido daquela autoridade com que São Paulo quer levar os hebreus a abandonar aqueles primitivos modos e tratos com Deus previstos na Lei de Moisés e a dirigir os olhos somente para Cristo, dizendo: Muitas vezes e de muitos modos falou Deus outrora a nossos pais pelos Profetas; nos últimos tempos falou-nos por seu próprio Filho.
É como se dissesse: O que antigamente Deus disse pelos Profetas a nossos pais de muitos modos e de muitas maneiras, agora, por último, nestes dias, nos falou pelo Filho tudo de uma só vez. Com isso o Apóstolo nos dá a entender que Deus ficou como mudo e não tem mais que falar, porque o que antes disse parcialmente pelos Profetas, revelou‑o totalmente, dando-nos o todo que é o seu Filho.
E por isso, quem agora quisesse consultar a Deus ou pedir‑lhe alguma visão ou revelação, não só cometeria um disparate, mas faria agravo a Deus, por não pôr os olhos totalmente em Cristo e buscar fora dele outra realidade ou novidade.
Poderia Deus responder-lhe deste modo: Este é o meu Filho amado, no qual pus toda a minha complacência; escutai-o. Se já te falei todas as coisas na minha Palavra, que é o meu Filho — e não tenho outra — que mais te posso Eu responder agora ou revelar? Põe os olhos só n’Ele, porque n’Ele tudo disse e revelei, e acharás ainda mais do que pedes e desejas.
Desde o dia em que desci com o meu Espírito sobre ele no monte Tabor, dizendo: Este é o meu Filho amado, no qual pus a minha complacência; escutai-o, abandonei todas essas maneiras de ensinamentos e respostas, e tudo confiei a ele. Porque, se falava antes, era prometendo a Cristo; e se me perguntavam, eram as perguntas orientadas à petição e esperança de Cristo, no qual haviam de encontrar o bem total, como agora o dá a conhecer toda a doutrina dos Evangelistas e Apóstolos.
ORAÇÃO DE LAUDES (NO INÍCIO DA MANHÃ)
LEITURA BREVE
Is 2, 3
Vinde, subamos à montanha do Senhor, ao templo do Deus de Jacó. Ele nos ensinará os seus caminhos e andaremos pelas suas veredas. Porque de Sião sairá a lei e de Jerusalém a palavra do Senhor.
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Is 10, 20-21
Naquele dia, o resto de Israel e os sobreviventes de Jacó hão de colocar sinceramente toda a sua confiança no Senhor, o Santo de Israel. Voltará um resto, um resto de Jacó, ao Deus forte.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Is 10, 24.27
Eis o que diz o Senhor Deus do Universo: Meu povo que habitas em Sião, não temas. Naquele dia será tirado o fardo dos teus ombros e será arrancado o jugo do teu pescoço.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Is 14, 1
A sua hora está prestes a chegar e os seus dias não tardarão. O Senhor terá compaixão de Jacó e Israel será salvo.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Filip 3, 20b-21
Esperamos o Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador, que há de transformar o nosso corpo mortal para o tornar semelhante ao seu corpo glorioso, pelo poder que tem de sujeitar a si todo o universo.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
1 Tes 5, 9-10
Deus destinou-nos para alcançarmos a salvação por Nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós, a fim de que, velando ou dormindo, vivamos unidos a Ele.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos.
** O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária. Nestes estudos apresentamos o Salmo completo, a não ser que seja excessivamente extenso, e eventualmente inserimos algumas passagens suprimidas que reputamos importantes para a melhor compreensão e compenetração no ensinamento bíblico). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
*** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
**** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
***** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
