“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 28 DE FEVEREIRO DE 2024
28 de fevereiro de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 29 DE FEVEREIRO DE 2024
29 de fevereiro de 2024Jesus ensinava predominantemente por parábolas, abrangendo comparações extraídas da realidade, da natureza, do dia a dia… como por exemplo na parábola do semeador. Essa pedagogia se configura altamente eficaz, pois evoca uma clareza inequívoca, gerando um aprendizado que se assimila de forma profunda.
Nesse diapasão, buscando seguir também nesse sentido o Mestre dos mestres – cientes de que desde tempos imemoriais nossos antepassados se guiavam pelas estrelas e cumpre-nos buscar sempre mais as inspirações do alto para guiar nossas vidas – apresentamos uma analogia que nos parece altamente apropriada e sumamente útil.
Valemo-nos de um caso vivenciado entre um pai e um filho adolescente ávido por dirigir, tendo o episódio em tela ocorrido um ano antes de o rapaz completar a idade para se habilitar a dirigir.
Em certa ocasião, estando a família em uma área particular, o filho disse ao pai: “O senhor falou que eu não posso dirigir em auto estradas antes de ter a idade e a habilitação. Eu aprendi a dirigir com meus amigos e hoje estamos em uma área particular. Posso dar umas voltas com seu carro?”
O pai ponderou a situação e, tendo em vista a área ser particular e não vislumbrar riscos significativos, aquiesceu, recomendando atenção e cuidado. O garoto, feliz da vida, lançou-se ao intento.
No retorno, disse ao pai: “Eu não vi umas pedras que tinham no caminho, danifiquei um pouco o para-choque. Eu ajudo a pagar o concerto.” O pai respondeu: “A gente conversa oportunamente sobre isso.”
Examinando com calma a situação, observando a posição em que estava colocado o banco do veículo, o pai constatou que o filho havia dado as suas voltas com o assento expressivamente reclinado para trás. No dia seguinte, dirigiu-se ao menino e disse: “Filho, qual é a tua prioridade quando está dirigindo? A segurança ou o conforto.” A resposta do garoto foi: “Os dois.”
Disse-lhe então o pai: “Não pode ser assim. Quando estiver no volante, a prioridade é a segurança e o conforto precisa ser condicionado à segurança – não pode diminuí-la.” Explicou-lhe então: “Você com o banco muito reclinado, o teto solar aberto, olhando um pouco para cima e um pouco para a frente, se expõe a muitos riscos.”
O menino compreendeu: se estivesse com o assento semi-ereto (poderia ter uma breve inclinação), teria o campo de visão ampliado. Teria então visualizado as pedras e o dano ao para-choque teria sido evitado. O pai explicou-lhe que, caso dirigisse em uma auto estrada procedido de forma similar, poderia se envolver em acidentes graves, colocando em risco a própria vida e também as vidas de terceiros.
Passemos agora à questão que intitula essa reflexão: “Como estamos dirigindo as nossas vidas?” Cumpre fazermos as mesmas perguntas feitas pelo pai no episódio retro mencionado, adaptadas ao contexto: qual tem sido a prioridade que temos adotado ao dirigirmos nossas vidas? A segurança ou o conforto?
Eis a questão: cumpre-nos impregnar-nos da consciência de que o seguimento das orientações divinas é o que nos proporciona a segurança na condução de nossas vidas. Quando negligenciamos os desígnios divinos, quando prevaricamos, deixamos de cumprir com nossos deveres de cristãos, abandonando-nos aos confortos, aos prazeres, às facilidades… do mesmo modo que ocorreu com o menino, tendemos a incorrer em deslizes e a causar danos – a nós mesmos e aos nossos circunstantes.
Quando cumprimos com nossos deveres cristãos com esmero, quando nos postamos com humildade frente às orientações divinas, até podemos enfrentar percalços e provações, porém as tribulações são suportadas com paz e não nos desesperamos. Seguindo as orientações divinas, colocando Deus em primeiro lugar, não deixamos “brechas” para o maligno aumentar cada vez mais as proporções das dificuldades. Caso nos descuidemos, “deixemos pra lá” as coisas de Deus, o que poderia ser um breve percalço tende a se transformar em grande tragédia.
Do mesmo modo que o veículo retro mencionado ficou danificado, conforme as imagens colacionadas, quando negligenciamos a “segurança divina”, quando não buscamos nos inteirar da Palavra de Deus e colocá-la em prática – bem como os preceitos da sã doutrina da Igreja – nos machucamos muito e machucamos também os que nos cercam.
Diante das maravilhas da criação, do micro ao macrocosmo, constata-se que, desde a menor célula à mais grandiosa estrela até as miríades de galáxias que compõem o Universo, tudo é regido por uma ordem harmônica que a razão nos concita a inferir ser estabelecida e sustentada por uma inteligência infinita: o nosso bom Deus tudo provê para que a harmonia se estabeleça e se consolide.
Dentre tais maravilhas, a prodigiosa maravilha do ser humano tem um traço distintivo: o livre arbítrio. Temos a liberdade, a faculdade de escolher, porém a tal privilégio corresponde a respectiva responsabilidade: de acordo com as escolhas realizadas, colhemos as consequências do que escolhemos.
Porém o Senhor Deus não nos deixou ao léu. De forma semelhante à nuvem (durante o dia) e à coluna de fogo (durante a noite) que direcionavam o povo de Deus no deserto (Conforme Êxodo 13,21), temos à disposição segura orientação para fazer as escolhas certas e marchar com segurança nas estradas da vida: não é por acaso que a Santa Madre Igreja estabeleceu a Liturgia Diária e requer que seus membros mais dedicados rezem também a Liturgia das Horas.
Se as temos à disposição, para orientar de modo divinizante nosso viver, abriremos mão desse alimento espiritual essencial, para nos dedicarmos a trivialidades? Lembremos da precisa orientação de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo (Mt 6,33).”
Do mesmo modo que pai orientou o filho no episódio acima: “Não pode ser assim. Quando estiver no volante, a prioridade é a segurança e o conforto precisa ser condicionado à segurança – não pode diminuí-la”, também em nossas vidas, em todas as nossas ações, os gozos precisam ser condicionados à segurança de se estar realizando a vontade de Deus; tudo o que fizermos precisa ser “filtrado” pelo amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós próprios.
Se nos direcionarmos em conformidade com os desígnios divinos, a jornada será o máximo possível proveitosa, as verdadeiras satisfações se farão presentes e sobrelevarão sobejamente as ilusões com que o maligno nos tenta para distrair-nos e que, mais cedo ou mais tarde, conduzem a “acidentes existenciais” que precarizam, degradam e aviltam o viver que o Senhor destinou a ser pleno!
Cremos, Senhor, mas aumentai a nossa fé!
*Via Contardo Ferrini – fé, ciência e benevolência. [Para saber mais sobre a autoria, acesse: catolicospraticantes.com.br/viacontardoferrini. Esse conteúdo é protegido por direitos autorais, tendo sido publicado originalmente no sítio eletrônico catolicospraticantes.com.br/dassombrasaoesplendor. Pode ser livremente compartilhado, desde que citada a fonte.]
