“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 14 DE AGOSTO DE 2024
14 de agosto de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 16 DE AGOSTO DE 2024
15 de agosto de 2024QUINTA-FEIRA – XIX SEMANA DO TEMPO COMUM
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu prossiga com diligência na senda cristã, buscando, gradual e progressivamente, plenificar meu viver usufruindo os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual”: os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”), bem como a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Que eu possa usufruir esses tesouros da melhor forma possível, em meio às atividades que me cumpre realizar como deveres inerentes ao meu estado de vida, à vocação para a qual fui chamado. Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA
Da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios 1,16–2,10
Deus fez-nos tomar lugar nos Céus junto de Cristo Jesus
Irmãos: Não cesso de dar graças por vós, ao lembrar-me de vós nas minhas orações. O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de luz para O conhecerdes plenamente e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória da sua herança entre os santos e a incomensurável grandeza do seu poder para nós, os crentes. Assim o mostra a eficácia da poderosa força que exerceu em Cristo, quando O ressuscitou dos mortos e O sentou à sua direita nos Céus, acima de todo o Principado, Potestade, Virtude e Soberania, e acima de todo o nome que é pronunciado não só neste mundo mas também no mundo que há-de vir. Deus tudo submeteu aos pés de Cristo e exaltou-O acima de todas as coisas como Cabeça da Igreja, que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos.
Vós estáveis mortos pelas faltas e pecados em que vivestes outrora, segundo o espírito deste mundo, de acordo com o príncipe que impera nos ares, esse espírito que exerce agora a sua acção nos homens rebeldes. Todos nós, que éramos também como eles, vivíamos outrora segundo os desejos da nossa carne, satisfazendo as inclinações da carne e os seus impulsos, e éramos por natureza filhos da ira como os outros.
Mas Deus, que é rico em misericórdia, pela grande caridade com que nos amou, a nós que estávamos mortos por causa dos nossos pecados, restituiu-nos à vida com Cristo – é pela graça que fostes salvos – e com Ele nos ressuscitou e nos fez sentar nos Céus com Cristo Jesus. Assim quis mostrar nos séculos futuros a extraordinária riqueza da sua graça, pela bondade que teve para connosco em Cristo Jesus.
De facto, é pela graça que estais salvos, por meio da fé. A salvação não vem de vós: é dom de Deus. Não se deve às obras, de modo que ninguém se pode gloriar. Nós somos obra de Deus, criados em Cristo Jesus, a fim de praticarmos as boas obras que Deus de antemão nos preparou, como caminho que devemos seguir.
RESPONSÓRIO
R. Como é bela e formosa a Virgem Maria, que partiu deste mundo ao encontro de Cristo. * brilha entre os coros dos Santos, como o sol em todo o seu esplendor.
V. Alegram-se os Anjos, exultam os Arcanjos ao con- templar a excelsa glória da Virgem Maria. * brilha entre os coros dos Santos, como o sol em todo o seu esplendor.
SEGUNDA LEITURA
Da constituição Apostólica Munificentissimus Deus, do Papa Pio XII
(AAS 42 [1950] 760-762.767-769 (Sec. XX)
Santidade, esplendor e glória do corpo da Virgem Maria
Os santos Padres e os grandes Doutores da Igreja, nas homilias e sermões dirigidos ao povo na solenidade da assunção da Mãe de Deus, falaram deste facto como já conhecido e aceite pelos fiéis; expuseram-no com mais clareza e explicaram mais profundamente o sentido e importância desta festa, procurando especialmente esclarecer que o objecto da festa não era apenas a incorrupção do corpo mortal da bem-aventurada Virgem Maria, mas também o seu triunfo sobre a morte e a sua glorificação celeste à semelhança de Jesus Cristo, seu Filho unigénito.
Assim São João Damasceno, que entre todos se distingue como testemunha exímia desta tradição, considerando a assunção corporal da Santa Mãe de Deus à luz dos seus outros privilégios, exclama com vigorosa eloquência: «Era necessário que Aquela que no parto tinha conservado ilesa a sua virgindade conservasse também sem nenhuma corrupção o seu corpo depois da morte. Era necessário que Aquela que trouxera no seio o Criador feito menino fosse habitar nos divinos tabernáculos. Era necessário que a Esposa que o Pai desposara fosse morar com o Esposo celeste. Era necessário que Aquela que tinha visto o seu Filho na cruz e recebera no coração a espada de dor de que tinha sido preservada ao dá-l’O à luz, O contemplasse sentado à direita do Pai. Era necessário que a Mãe de Deus possuísse o que pertence ao Filho e que todas as criaturas a honrassem como Mãe e Serva de Deus».
São Germano de Constantinopla afirmava que a incorrupção e a assunção do corpo da Virgem Mãe de Deus condiziam não só com a sua maternidade divina, mas também com a peculiar santidade desse corpo virginal: «Vós, como está escrito, apareceis em beleza; e o vosso corpo virginal todo ele é santo, todo ele casto, todo ele morada de Deus, de modo que, até por este motivo, ficou isento de ser reduzido ao pó da terra; foi, sim, transformado, enquanto era humano, para a vida excelsa da incorruptibilidade; mas é o mesmo, vivo e gloriosíssimo, incólume e participante da vida perfeita».
Outro escritor antiquíssimo afirma por sua vez: «Como Mãe gloriosíssima de Cristo, nosso Deus e Salvador, dispensador da vida e da imortalidade, é por Ele vivificada, revestida de um corpo semelhante na eterna incorruptibilidade, já que Ele a ressuscitou do sepulcro e a levou para Si, pelo modo que só Ele conhece».
Todos estes argumentos e considerações dos Santos Padres têm como último fundamento a sagrada Escritura, que nos apresenta a santa Mãe de Deus estreitamente unida ao seu divino Filho e sempre participante da sua sorte.
Acima de tudo deve recordar-se que, desde o século segundo, a Virgem Maria é apresentada pelos Santos Padres como a nova Eva, estreitamente unida ao novo Adão, embora a Ele sujeita. Mãe e Filho aparecem intimamente unidos na luta contra o inimigo infernal, luta essa que, como foi preanunciado no Protoevangelho, havia de terminar na vitória completa sobre o pecado e a morte, que o Apóstolo das gentes sempre associa nos seus escritos. Por isso, assim como a gloriosa ressurreição de Cristo foi uma parte essencial e o último troféu desta vitória, também para a Santíssima Virgem Maria a luta comum com a de seu Filho havia de completar-se com a glorificação do corpo virginal, segundo as afirmações do Apóstolo: Quando este corpo mortal se revestir da imortalidade, então se realizará a palavra da Escritura: A morte foi absorvida pela vitória.
Assim a augusta Mãe de Deus, unida de modo misterioso a Jesus Cristo desde toda a eternidade pelo mesmo e único decreto de predestinação, imaculada desde a sua conceição, sempre virgem na sua divina maternidade, generosa companheira do divino Redentor, que triunfou plenamente sobre o pecado e suas consequências, como suprema coroa dos seus privilégios foi por fim preservada da corrupção do sepulcro e, tendo vencido a morte como seu Filho, foi elevada em corpo e alma à glória do Céu, onde resplandece como Rainha à direita do seu Filho, Rei imortal dos séculos.
RESPONSÓRIO
R. Eis o dia glorioso em que a Virgem Mãe de Deus subiu ao Céu. Cantando os seus louvores, dizemos todos: * bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre.
V. Sois ditosa, ó Virgem Santa Maria, sois digníssima de todos os louvores. De Vós nasceu o Sol da justiça, Cristo, nosso Deus. * bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
LEITURA BREVE
Is 61, 10
Exulto de alegria no Senhor, minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de justiça, como noiva que se adorna com suas jóias.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Hoje a Virgem Maria foi elevada ao Céu.
R. Hoje a Virgem Maria foi elevada ao Céu.
V. E triunfa com Cristo para sempre.
R. Hoje a Virgem Maria foi elevada ao Céu.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Hoje a Virgem Maria foi elevada ao Céu.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária
[Fonte: <http://novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4456-liturgia-de-15-de-agosto-de-2024>]
QUINTA FEIRA – XIX SEMANA DO TEMPO COMUM
Antífona
– Levantai-vos, Senhor, vossa aliança e não esqueças a vida dos vossos pobres. Levantai-vos, Senhor, e julgai vossa causa, e não fecheis o ouvido ao clamor dos que vos procuram (Sl 73,20.19.22s).
Coleta
– Deus eterno e todo-poderoso, a quem inspirados pelo Espírito Santo, ousamos chamar de Pai, fazei crescer em nossos corações o espirito de adoção filial, para merecermos entrar um dia na posse da herança prometida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Ez 12,1-12
Salmo Responsorial: Sl 78,56-57.58-59.61-62 (R: 7c)
– Das obras do Senhor não se esqueçam.
R: Das obras do Senhor não se esqueçam.
– Mesmo assim, eles tentaram o Altíssimo, recusando-se a guardar os seus preceitos. Como seus pais, se transviaram, e o traíram como um arco enganador que volta atrás;
R: Das obras do Senhor não se esqueçam.
– Irritaram-no com seus lugares altos, provocaram-lhe o ciúme com seus ídolos. Deus ouviu e enfureceu-se contra eles, e repeliu com violência a Israel.
R: Das obras do Senhor não se esqueçam.
– Entregou a sua arca ao cativeiro, e às mãos do inimigo a sua glória; fez perecer seu povo eleito pela espada, e contra a sua herança enfureceu-se.
R: Das obras do Senhor não se esqueçam.
Aclamação ao santo Evangelho.
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos! (Sl 118,135).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 18,21-19,1
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/assuncao-da-virgem-santa-maria-8/>]
Missa da vigília
LEITURA I 1Cr 15, 3-4.15-16; 16, 1-2
Naqueles dias, David reuniu em Jerusalém todo o povo de Israel, a fim de trasladar a arca do Senhor para o lugar que lhe tinha preparado. Convocou também os descendentes de Aarão e os levitas. Os levitas transportaram então a arca de Deus, por meio de varas que levavam aos ombros, conforme tinha ordenado Moisés, segundo a palavra do Senhor. David ordenou aos chefes dos levitas que dispusessem os seus irmãos cantores, para que, acompanhados por instrumentos de música – cítaras, harpas e címbalos – entoassem as suas alegres melodias. Assim trasladaram a arca de Deus e colocaram-na no meio da tenda que David mandara levantar para ela. Depois ofereceram, diante de Deus, holocaustos e sacrifícios de comunhão. Quando David acabou de oferecer os holocaustos e os sacrifícios de comunhão, abençoou o povo em nome do Senhor.
Compreender a palavra
A Arca da Aliança foi, desde Moisés, o lugar da presença de Deus no meio do seu povo. Com ela o povo travou grandes batalhas e venceu. Sem ela, viveu momentos de amargura. David Manda construir uma tenda na cidade de Jerusalém e convoca o povo e de entre o povo os levitas para transportarem a Arca da Aliança. Encheram-se de festa e de júbilo, cantaram e dançaram e ofereceram holocaustos. O Senhor estava com eles e a Arca, dentro da cidade, colocada na tenda que David tinha mandado construir, era sinal da sua presença.
Meditar a palavra
Ao celebrar a Assunção da Virgem Maria escutamos este pequeno texto do livro das Crónicas e com ele queremos perceber em Maria a Arca da Nova Aliança. Ela é o lugar onde Deus habita pela encarnação do Verbo. Nela e por ela o Senhor tornou-se presente no meio do seu povo, montou a sua tenda e habitou entre nós. Por ela teve início o cumprimento das promessas e a chegada do Reino de Deus. Ao chegar o final dos seus dias neste mundo, ela, como a Arca da Aliança, foi introduzida na Jerusalém do alto, na cidade de Deus, no céu, como sinal da enorme condescendência de Deus que, com o sim que dela recebeu, a tornou participante na salvação dos homens.
Rezar a palavra
Maria, tu és a Arca da Nova Aliança, tu és a porta do céu, tu és caminho para Jesus. Neste dia em que louvamos o misterioso desígnio de Deus que te chamou a ser mãe do seu filho e te introduziu no santuário celeste, na cidade Santa de Jerusalém, louvamos o sim que deste a Deus e a misteriosa manifestação de Deus em ti. Que nos guie sempre o teu olhar e teu amor de mãe.
Compromisso
Deus espera o meu sim para habitar em mim como num templo.
LEITURA II 1Cor 15, 54b-57
Irmãos: Quando este nosso corpo mortal se tornar imortal, então se realizará a palavra da Escritura: «A morte foi absorvida na vitória. Ó morte, onde está a tua vitória? Ó morte, onde está o teu aguilhão?». O aguilhão da morte é o pecado e a força do pecado é a Lei. Mas dêmos graças a Deus, que nos dá esta vitória por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Compreender a palavra
Paulo explica o mistério da morte no mistério de Cristo. A morte, temida pelo homem, perdeu o poder diante de Cristo que a venceu com a sua própria morte. O poder da morte era o pecado que enfraquecia o homem diante de si mesmo, dos outros e de Deus. Na morte de Cristo o pecado foi absolvido e a morte foi vencida. Em Cristo o homem não tem medo da morte porque sabe que este corpo mortal pode tornar-se imortal na ressurreição de Cristo.
Meditar a palavra
A morte foi vencida e não tem já poder sobre nós. Na morte de Cristo encontramos a vitória sobre a morte e o perdão dos pecados. Já não faz sentido ter medo da morte porque a vida nos é oferecida em Cristo. Nele podemos encontrar o caminho do homem novo que é caminho de vida eterna. Este corpo, em Cristo, torna-se imortal e pode habitar com ele nos céus. Maria, a primeira redimida, mostra na sua assunção, que o corpo mortal não é impedimento para alcançar o corpo imortal e viver para sempre em Deus.
Rezar a palavra
Na tua assunção, Maria, vejo o caminho da vida. Unido a Cristo desde o batismo e pela fé vivida no sim de cada dia, posso como tu, aspirar às coisas do alto. Como tu quero viver a minha união com Cristo e como tu espero viver com ele eternamente. Maria, Mãe de Jesus, na tua assunção leva-me até ao Pai para que chegue um dia a contemplá-lo com os meus próprios olhos.
Compromisso
Deixo que a luz de Deus brilhe em mim como esperança de vida eterna.
EVANGELHO Lc 11, 27-28
Naquele tempo, enquanto Jesus falava à multidão, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e disse: «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito». Mas Jesus respondeu: «Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática».
Compreender a palavra
As palavras da mulher surgem da espontaneidade de quem escuta entusiasmada as palavras de Jesus. Ao ouvir Jesus, aquela mulher não foi capaz de se conter e elogiou Maria, a Mãe. Também ela sentiu desejo de ser a mãe de Jesus. Sentiu o desejo de ter um filho como o de Maria. Mas Jesus esclareceu que, a grandeza de Maria não está no facto de ser sua Mãe, mas no facto de ela escutar a palavra de Deus e responder sempre com um sim que lhe arrasta a vida toda no mesmo projeto de amor.
Meditar a palavra
Por vezes ficamos admirados com algumas pessoas. Desde logo nos admiramos com Jesus e com sua Mãe. O seu sim, a sua disponibilidade para Deus e para os outros, parecem-nos uma atitude incrível. Gostávamos de ser assim. No entanto, estas vidas estão marcadas pela dor, pelo sofrimento, pela entrega que é dádiva, renúncia, por uma decisão radical. Estas vidas são caminho que passa pela morte. Queremos o êxito e esquecemos o sacrifício. Na sua assunção, Maria, revela-nos o céu como destino, mas não nos diz que o caminho para o céu é o êxito, a fama, a riqueza, o prestígio ou o poder. Muito pelo contrário, os últimos são os primeiros. Escutar, como Maria, a palavra de Deus é escolher o último lugar, é decidir abraçar a cruz para viver. É descer para subir.
Rezar a palavra
Penso a minha felicidade a partir da satisfação que as coisas me provocam. O que me agrada, o que me alegre, o que me dá prazer é caminho de felicidade. Tudo o que me traz sacrifício, dor, lágrimas. Tudo o que exige sacrifício, esforço, renúncia não me mostra a felicidade. Sei, Senhor, que a felicidade que me propões não passa pela minha satisfação sensorial. Não passa pelo comodismo de uma vida tranquila. Para chegar à verdadeira felicidade, àquela felicidade que não se acaba, para chegar ao céu tenho que perder tudo e não ganhar o mundo. Sei que não chego se não levar a cruz, a minha e a dos outros. Sei que só posso alcançar se seguir, como Maria, atrás de ti, Senhor.
Compromisso
Olho o céu e gasto os pés e as mãos cuidando dos meus irmãos mais pequeninos.
Missa do dia
LEITURA I Ap 11, 19a; 12, 1-6a.10ab
O templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança foi vista no seu templo. Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse. Ela teve um filho varão, que há de reger todas as nações com cetro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono e a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido».
Compreender a palavra
João vê o céu aberto. No céu vê uma mulher coroada e prestes a dar à luz. Vê também um dragão que pretende devorar o menino assim que ele nascer. A mulher grita com as dores de parte enquanto o dragão lança as estrelas do céu sobre a terra. Tudo parece adivinhar uma desgraça. No entanto, no momento certo, o menino foi levado para junto de Deus e a mulher protegida por Deus num lugar previamente preparado. A voz de Deus ecoa, então, manifestando a chegada da salvação. Maria é esta mulher intocada pelo dragão e Jesus é o menino levado por Deus. Ela é a arca da aliança protegida por Deus em lugar seguro, na Jerusalém celeste. Ele é o ungido, aquele por quem vem a salvação e se manifesta o poder de Deus.
Meditar a palavra
No contexto da celebração da Assunção da Virgem Santa Maria, percebemos a mulher do apocalipse como figura de Maria, aquela que Deus escolheu para ser a mãe do ungido. O nascimento do salvador incomoda os impérios do mal representados no dragão. Por momentos parece que o dragão é mais forte que a mulher que geme as dores de parto. Mas no final o poder é de Deus e do seu ungido. Com esta mulher a salvação chegou para todos os homens. Ela é, agora, a arca da nova aliança no templo santo da Jerusalém do alto. Ela habita no lugar de antemão preparado por Deus para ela. Ao contemplá-la na sua assunção percebemos que, também a nós, o Senhor chama para habitarmos no seu santuário, como cidadãos do céu. Aspiremos, pois, às coisas do alto onde Maria e Cristo se encontram.
Rezar a palavra
Senhora da assunção, de olhos postos em vós queremos saudar-vos como rainha e mãe. Em nós habita o desejo de estar junto de vós, no santuário divino, diante do Deus poderoso e forte, misericordioso e santo. Levai-nos convosco no vosso manto maternal e abrigai-nos à sobra do vosso amor.
Compromisso
Rezo a Maria confiando-lhe as minhas horas de dor e a hora da minha morte.
LEITURA II 1Cor 15, 20-27
Irmãos: Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos; porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias; a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder. É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés. Mas quando se diz que tudo Lhe está submetido é claro que se excetua Aquele que Lhe submeteu todas as coisas.
Compreender a palavra
Paulo fala da morte redimida na morte de Cristo. A humanidade herdeira da condição de Adão padece o drama da morte. Em Adão todos os homens morrem. Mas pela morte de Cristo, um novo capítulo e uma nova ordem se instaurara. Agora todos os homens são restituídos à vida porque a morte foi vencida e todos ressuscitam com Cristo. Na dinâmica da ressurreição há uma ordem, primeiro Cristo, depois os que pertencem a Cristo e depois é o fim. Tudo será submetido a Cristo.
Meditar a palavra
Ao refletir sobre esta passagem da carta aos coríntios percebemos Cristo como o centro da humanidade. Adão, foi substituído por Cristo na ordem da prioridade. Todos estávamos marcados pela fragilidade de “adam”, aquele que é da terra. Pó da terra destinado a voltar irremediavelmente ao pó. De olhos postos no chão vivíamos para as coisas da terra. Com Cristo, o homem escravo pelo drama da morte, ficou livre e pode olhar para o céu. Na ressurreição de Cristo encontrámos um novo centro para a nossa existência, Cristo, que nos chama a olhar para o alto de onde nos vem a salvação. Na festa da assunção de Maria, maior é a força que nos eleva. Agora o que nos atrai não são os bens deste mundo, mas os bens eternos que podemos possuir ressuscitando com Cristo. Levada em corpo e alma para o céu, Maria, mostra que o nosso destino não é a sepultura, mas o templo santo do Senhor.
Rezar a palavra
Elevo-me contigo, Maria, no desejo de ressuscitar com Cristo. Os meus olhos querem ver mais longe. Olhando o teu rosto na imagem, vejo a beleza do céu. No teu olhar acolho o dom de Deus infinitamente Pai e peço a benevolência do amor misericordioso, oferecido ao pródigo que regressa a casa. No íntimo da minha pobreza desejo a riqueza do eterno que me salva na ressurreição de Cristo, teu filho.
Compromisso
Levanto os meus olhos para vós que habitais nos céus.
EVANGELHO Lc 1, 39-56
Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor». Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-poderoso fez em mim maravilhas, Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre». Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.
Compreender a palavra
Este texto, muito conhecido de todos, encanta logo de início porque as pessoas implicadas, Zacarias, Isabel e Maria, foram alvo da manifestação de Deus de modos diferentes e em lugares diferentes, mas aparecem aqui reunidas no mesmo momento e lugar. O texto começa por nos querer dizer que todos concorrem, à sua maneira, para a realização do Plano de salvação que Deus tem para o homem, porque estão de coração aberto ao Espírito que vem sobre eles. É nesta linha que devem ser entendidas as palavras da saudação e as palavras do Cântico de Maria. São palavras do Espírito que as ensina a ler os acontecimentos e a entender o que está para vir. Veem a ação de Deus a favor dos humildes e isso enche-as de alegria até ao ponto de proclamarem em voz alta os louvores de Deus. Hoje, Maria canta o seu Magnificat desde o mistério da sua assunção, dizendo-nos o quanto Deus foi benevolente para com ela ao olhá-la desde toda a eternidade para ser a mãe do seu filho.
Meditar a palavra
Maria consegue ver na simplicidade das palavras e dos gestos a presença de um Deus que olhou para a sua humilde serva e a elevou ao mais alto dos céus para ser proclamada bem-aventurada por todas as gerações. Nos gestos simples e nas palavras de bondade comunica-se a ação de Deus em nós, para a nossa salvação e para a salvação do mundo. Deus comunica-se na minha vida para o bem de todos. Eu experimento o amor de Deus que vem a mim na força do Espírito Santo, para que o dê a conhecer como salvação para os pobres, os humildes, os famintos. Em nós e nos outros podemos experimentar a salvação que Deus nos oferece. Isto compromete-nos nas palavras e nos gestos quotidianos. Tudo em nós há de falar de um Deus que salva. Tudo em nós há de ser manifestação da esperança que está reservada nos céus.
Rezar a palavra
Hoje, faço das palavras de Maria a minha oração. “A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. (…)
Compromisso
Hoje faço a minha profissão de fé na ressurreição, na vida do mundo que há de vir.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. E que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários – ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 15 de Agosto
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/08/santos-da-igreja-catolica-15-de-agosto/>
Santos do Dia da Igreja Católica – 15 de Agosto
Postado em: por: marsalima
São Tarcísio
Tarcísio foi um mártir da Igreja dos primeiros séculos, vítima da perseguição do imperador Valeriano, em Roma, Itália. A Igreja de Roma contava, então, com cinqüenta sacerdotes, sete diáconos e mais ou menos cinqüenta mil fiéis no centro da cidade imperial. Ele era um dos integrantes dessa comunidade cristã romana, quase toda dizimada pela fúria sangrenta daquele imperador.
Tarcísio era acólito do papa Xisto II, ou seja, era coroinha na igreja, servindo ao altar nos serviços secundários, acompanhando o santo papa na celebração eucarística.
Durante o período das perseguições, os cristãos eram presos, processados e condenados a morrer pelo martírio. Nas prisões, eles desejavam receber o conforto final da eucaristia. Mas era impossível entrar. Numa das tentativas, dois diáconos, Felicíssimo e Agapito, foram identificados como cristãos e brutalmente sacrificados. O papa Xisto II queria levar o Pão sagrado a mais um grupo de mártires que esperavam a execução, mas não sabia como.
Foi quando Tarcísio pediu ao santo papa que o deixasse tentar, pois não entregaria as hóstias a nenhum pagão. Ele tinha doze anos de idade. Comovido, o papa Xisto II abençoou-o e deu-lhe uma caixinha de prata com as hóstias. Mas Tarcísio não conseguiu chegar à cadeia. No caminho, foi identificado e, como se recusou a dizer e entregar o que portava, foi abatido e apedrejado até morrer. Depois de morto, foi revistado e nada acharam do sacramento de Cristo. Seu corpo foi recolhido por um soldado, simpatizante dos cristãos, que o levou às catacumbas, onde foi sepultado.
Essas informações são as únicas existentes sobre o pequeno acólito Tarcísio. Foi o papa Dâmaso quem mandou colocar na sua sepultura uma inscrição com a data de sua morte: 15 de agosto de 257.
Tarcísio foi, primeiramente, sepultado junto com o papa Stefano nas catacumbas de Calisto, em Roma. No ano 767, o papa Paulo I determinou que seu corpo fosse transferido para o Vaticano, para a basílica de São Silvestre, e colocado ao lado dos outros mártires. Mas em 1596 seu corpo foi transferido e colocado definitivamente embaixo do altar principal daquela mesma basílica.
A basílica de São Silvestre é a mais solene do Vaticano. Nela, todos os papas iniciam e terminam seus pontificados. Sem dúvida, o lugar mais apropriado para o comovente protetor da eucaristia: o mártir e acólito Tarcísio. Ele foi declarado Padroeiro dos Coroinhas ou Acólitos, que servem ao altar e ajudam na celebração eucarística.
Assunção da Virgem Maria
Não há maior glória do que a que recebeu Maria, escolhida para ser a mãe de Jesus, o Filho de Deus. De seu ventre virginal nasceu o Salvador da humanidade. Por isso, Deus lhe reservou a melhor das recompensas. Terminado seu tempo de vida terrestre, Maria foi “assunta”, isto é, levada ao céu em corpo e alma. O que a tradição cristã diz é que Ela nem mesmo morreu, apenas “dormiu”. Narra também que foram os anjos Gabriel e Miguel que A levaram ao céu. Deus queria conservar a integridade do corpo daquela que gerou seu Filho.
A solenidade da Assunção da Virgem Maria existe desde os primórdios do catolicismo. No início era celebrada a Dormição de Nossa Senhora. Esta festa veio a ser oficializada para os católicos orientais no século VII com um edito do imperador bizantino Maurício. No mesmo século a festa da Dormição foi introduzida também em Roma pelo Papa Sérgio I, de origem oriental. Foi em 687, quando, em procissão, foi até a basílica de Santa Maria Maior, celebrar o Santo Ofício. Mas foi preciso transcorrer um outro século para que o nome “dormição” cedesse o lugar àquele mais explicito de assunção”, usado até os nossos dias.
Em 1950 foi solenemente definido este dogma de Maria, pelo Papa Pio XII. Pela singular importância de Sua missão como Mãe de Jesus, Maria não só foi proclamada Rainha do céu, quando levada para viver ao lado de Deus, mas proclamada Mãe da Igreja, portanto de todos nós.
Na Assunção da Virgem Maria, vemos a nossa esperança de ressurreição já realizada. Nela a Igreja atinge a plenitude do triunfo final, a vitória definitiva sobre a morte e o mal. Por isto esta festa é uma das solenidades mais comemoradas pelos católicos. Depois da Assunção, Nossa Senhora com maternal benevolência participa com Sua oração e intercessão na obra de seu Filho: a salvação da humanidade. Ela que é a mediadora de todas as graças.
Vicente Soler (Bem-Aventurado)
A guerra civil da Espanha, em 1936, por divergências de ideais políticos e intolerância à fé, provocou perseguições com massacres de milhares de inocentes: civis e religiosos.
Nesse período, sete religiosos do Convento agostiniano-recoleto de Motril, Granada, também foram presos e condenados à morte. Todos foram fuzilados. Eles eram homens simples, provenientes de regiões e famílias de forte tradição cristã, que tinham professado a Regra de Santo Agostinho e se mantinham distantes das discussões políticas, dedicados somente ao ministério sacerdotal, ao confessionário, às penitências, aos pobres e doentes abandonados.
O último a morrer foi o padre Vicente Soler. Era um religioso exemplar. Iniciou o ministério sacerdotal nas Filipinas, onde experimentou o rigor da perseguição político-religiosa ficando preso durante dezenove anos. Depois, passou pelas Américas, de onde retornou para sua pátria.
Durante seis anos, dirigiu a comunidade da Ordem em Andaluzia. Em 1926, foi eleito para ser o superior. Ao aceitar o cargo, consagrou a Ordem a Nossa Senhora. Mas sentindo o avançar da idade, padre Soler decidiu retirar-se para o Convento da cidade de Motril. Lá também se manteve ativo, renovou a Associação de Santa Rita, fundou o Círculo dos Trabalhadores Católicos e abriu uma escola noturna. A sua vida e o seu apostolado foram de zelo apostólico e de amor à Virgem, a são José e ao Sagrado Coração de Jesus.
No dia 25 de julho, o convento foi invadido pelos soldados, que fuzilaram cinco religiosos. Eram eles: Deogracias Palácios, Leon Inchausti, José Rada, Julian Moreno e José Ricardo Díez. Dois padres conseguiram despistar os soldados. O hospital da cidade abrigou um deles. Era Vicente Pinilla, que foi descoberto no dia seguinte, 26 de julho, e fuzilado na mesma hora. O outro era o padre Soler, que se refugiou na casa de uma família cristã. Mas foi encontrado no dia 29 de julho e levado como prisioneiro.
Na prisão, ele rezava com os prisioneiros, administrava o sacramento da penitência, tendo até mesmo convertido alguns. Por ter sobrevivido à prisão nas Filipinas, mantinha-se alegre e distraia-os contando fatos engraçados de sua vida missionária.
No dia 15 de agosto, festa da Assunção de Nossa Senhora, todos os prisioneiros foram chamados para a execução. Naquele dia seriam fuzilados apenas dezoito. Ao ver o desespero de um pobre pai de oito filhos, padre Soler pediu para substituí-lo. Porém seu pedido foi negado, porque o seu nome já se encontrava na lista. No décimo lugar. E a sua caridade não se limitou a esse gesto heróico. Ele dava a absolvição àqueles que seguiam para a morte. Também deu a absolvição ao décimo primeiro condenado, antes de ele próprio ser fuzilado. O prisioneiro era um jovem que pertencia à Ação Católica, e, apesar de ter sido atingido com três tiros, fez-se de morto, sobrevivendo à execução. Foi ele que contou todos os detalhes sobre o período na prisão e a morte do padre Vicente Soler.
Os sete religiosos recoletos mártires de Motril, vítimas do ódio à fé, foram beatificados pelo papa João Paulo II em 1999. O culto litúrgico foi decretado para o dia de suas respectivas mortes. A celebração do bem-aventurado Vicente Soler ocorre no dia 15 de agosto.
Isidoro Bakanja (Bem-Aventurado)
Presume-se que o jovem congolês de pele negra, futuro mártir do escapulário, de nome Isidoro Bakanja, nasceu entre 1885 e 1890, em Bokendela, no seio de uma família da tribo Boangi. Na época, o seu país era domínio exclusivo do rei Leopoldo II, da Bélgica, fazia parte de seu patrimônio pessoal. Mais tarde, a propriedade foi transformada na colônia chamada Congo Belga, atual República Democrática do Congo.
Os dados concretos revelam que, como todos os africanos de sua tribo, conheceu a pobreza logo cedo. Ainda na infância, precisava trabalhar para o sustento próprio, como pedreiro ou como lavrador no campo. Na adolescência, conheceu a religião cristã por meio dos dois religiosos trapistas que foram, em missão, converter essa tribo africana.
Totalmente convertido e devoto de Maria, Isidoro foi batizado no dia 6 de maio de 1906. Na ocasião, recebeu de presente um rosário e o escapulário de Nossa Senhora do Carmo, que nunca mais deixou de usar. Ele conheceu a história do escapulário e contava-a a todos os irmãos africanos que, interessados no cristianismo, procuravam os dois missionários, os quais, por sua vez, chamavam Isidoro de o “leigo do escapulário”, pela vocação ao apostolado.
Mais tarde, Isidoro foi trabalhar num seringal, em Ikiri, pertencente a um colonizador belga, ateu, que não suportava os africanos cristãos e menos ainda os missionários. Preferia a população africana como estava, era mais fácil para ser explorada como mão-de-obra quase gratuita. Não gostava de ter africanos convertidos trabalhando na plantação, “perdiam tempo rezando”, dizia. Isidoro, no entanto, nunca escondeu que era cristão, usava o escapulário com fé e devoção. Trabalhava duro e produzia bem, mas era cada vez mais perseguido.
Quando foi impedido de rezar em voz alta enquanto trabalhava, resolveu deixar o seringal. Mas foi proibido de voltar para casa, e ordenaram que jogasse fora o escapulário de Nossa Senhora do Carmo, sinal de sua fé. Como Isidoro recusou, foi chicoteado pelo próprio belga ateu até ter suas costas transformadas em uma grande chaga. A ferida infeccionou e, ao longo de seis meses, Isidoro viveu um calvário de sofrimentos. Sua agonia foi muito mais dolorosa que o açoitamento. Durante esse período, foi solidário com seu povo e outros sofredores, repartindo com eles a sua fé e os alimentos que recebia.
Morreu entre seus irmãos africanos, com o rosário nas mãos e o escapulário de Nossa Senhora do Carmo em seu pescoço. Perdoou e prometeu rezar pelo seu algoz ao ingressar no céu. Foi o que disse antes de entregar sua alma ao Pai, envolto em seu pequeno “hábito de carmelita”, em 15 de agosto de 1909.
O papa João Paulo II beatificou esse jovem africano cristão, que chamou de o “mártir do escapulário”, em 1994. O bem-aventurado Isidoro Bakanja é celebrado no dia de sua morte. O seu testemunho fez florescer muitas obras de caridade promovidas pelos leigos carmelitas e devotos do escapulário de Nossa Senhora do Carmo em todos os continentes.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 15 de Agosto de 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Judite 13, 17-18
Todo o povo ficou maravilhado e, inclinando-se em adoração a Deus, disse numa só voz: «Bendito sejais, nosso Deus, que hoje aniquilastes os inimigos do vosso povo. E Osias disse a Judite: Bendita sejas, minha filha, pelo Deus Altíssimo, mais que todas as mulheres da terra.
V. Maria foi elevada ao Céu: alegram-se os Anjos,
R. Louvando e bendizendo o Senhor.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Ap 12, 1
Um sinal grandioso apareceu no Céu: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça.
V. A Santa Mãe de Deus foi exaltada,
R. Acima dos Anjos e dos Santos no reino dos Céus.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Cor 5, 1
Nós sabemos que, se esta tenda, que é a nossa morada terrestre, for desfeita, receberemos nos Céus uma habitação eterna, que é obra de Deus e não é feita pela mão dos homens.
V. A Virgem Maria foi eleveda ao Céu,
R. Onde o Rei dos reis está sentado num trono de estrelas.
Oração
Deus eterno e omnipotente, que elevastes à glória do Céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria, Mãe de vosso Filho, concedei-nos a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos participar da sua glória. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
1 Cor 15, 22-23
Assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão restituídos à vida; cada qual, porém, na sua ordem: primeiramente Cristo, como primícias; a seguir, os que pertencem a Cristo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. A Virgem Maria foi exaltada sobre os coros dos Anjos.
R. A Virgem Maria foi exaltada sobre os coros dos Anjos.
V. Bendito seja o Senhor, que a exaltou.
R. A Virgem Maria foi exaltada sobre os coros dos Anjos.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. A Virgem Maria foi exaltada sobre os coros dos Anjos.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.




