“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 23 DE AGOSTO DE 2024
23 de agosto de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 25 DE AGOSTO DE 2024
25 de agosto de 2024SÁBADO – SÃO BARTOLOMEU – APÓSTOLO
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu prossiga com diligência na senda cristã, buscando, gradual e progressivamente, plenificar meu viver usufruindo os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual”: os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”), bem como a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Que eu possa usufruir esses tesouros da melhor forma possível, em meio às atividades que me cumpre realizar como deveres inerentes ao meu estado de vida, à vocação para a qual fui chamado. Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA
Da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios 4, 1-16
Sejamos imitadores do Apóstolo, como ele o foi de Cristo
Irmãos: Todos nos devem considerar como servos de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. Ora o que se requer nos administradores é que sejam fiéis. Quanto a mim, pouco me importa ser julgado por vós ou por um tribunal humano; nem sequer me julgo a mim próprio. De nada me
acusa a consciência, mas não é por isso que estou justificado; quem me julga é o Senhor. Portanto, não façais qualquer juízo antes de tempo, até que venha o Senhor, que há-de iluminar o que está oculto nas trevas e manifestar os desígnios dos corações. E então cada um receberá da parte de Deus o louvor que merece.
Foi por vossa causa, irmãos, que apliquei estas coisas a mim e a Apolo, a fim de aprenderdes de nós a sentença: «não se deve ir além do que está escrito», para que nenhum de vós se encha de orgulho, tomando o partido de um contra o outro. Pois quem te considera superior aos demais? Que possuis que
não tenhas recebido? E, se o recebeste, porque te orgulhas, como se não o tivesses recebido?
Já estais saciados, já estais ricos! Sem nós vos tornastes reis! Quem dera que vos tornásseis reis, para nós reinarmos também convosco! Na verdade, parece-me que Deus nos expôs a nós, os Apóstolos, no último lugar, como homens condenados à morte, porque nos tornámos espectáculo para o mundo, para os Anjos e para os homens.
Nós somos loucos por causa de Cristo, vós sábios em Cristo; nós somos fracos, vós sois fortes; vós sois honrados, nós desprezados. Ainda agora, suportamos a fome e a sede, andamos mal vestidos, somos maltratados, não temos morada certa e cansamo-nos a trabalhar com as nossas próprias mãos. Insultam-nos e abençoamos; perseguem-nos e suportamos; somos difamados e respondemos com bondade. Temos sido considerados até ao presente como o lixo deste mundo, como a escória da humanidade.
Não é para vos envergonhar que vos escrevo estas palavras, mas para vos advertir como a filhos caríssimos. Na verdade, podeis ter dez mil tutores em Cristo, mas não tendes muitos pais; e fui eu que vos fiz nascer, por meio do Evangelho, como membros de Cristo Jesus. Por isso vos peço: sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo.
RESPONSÓRIO Jo 15, 15; Mt 13, 11.16
R. Já vos não chamo servos, mas amigos. * Porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai.
V. A vós foi concedido conhecer os mistérios do reino dos Céus; felizes os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. * Porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai.
SEGUNDA LEITURA
Das Homilias de São João Crisóstomo, bispo,
sobre a Primeira Epístola aos Coríntios
(Hom. 4, 3.4: PG 61, 34-36) (Sec. IV)
A fraqueza de Deus é mais forte que os homens
A mensagem da cruz, anunciada por homens sem cultura, teve tal poder de persuasão que se estendeu a todo o orbe da terra; não o conseguiu por meio de argumentos vulgares, mas falando sobre Deus e a verdadeira religião, sobre a moral evangélica e o juízo futuro; e deste modo converteu em grandes sábios os que eram homens rudes e ignorantes. Vede como a loucura e a fraqueza de Deus vence a sabedoria e a força dos homens.
A cruz invadiu a terra inteira, conquistou todos os povos. Quando tudo se conjugava para extinguir o nome do Crucificado, aconteceu o contrário. Este nome brilhou e difundiu se cada vez mais, enquanto os seus inimigos caíam e desapareciam: homens vivos, que declararam guerra a um morto, não puderam vencê lo! Por isso, quando um pagão me declara morto, está a mostrar ainda a sua loucura; quando me considera louco, então se torna manifesto que a minha sabedoria ultrapassa a dos sábios; quando me chama enfermo, então revela a sua própria fraqueza. Na verdade, aquilo que por graça de Deus conseguiam realizar os publicanos e os pecadores, nunca puderam sequer imaginá los os filósofos, nem os monarcas, nem todas as forças do universo.
Pensando nisto, Paulo dizia: A fraqueza de Deus é mais forte do que todos os homens. Assim se revela que esta mensagem é divina. Como se explica que doze homens apenas, sem instrução alguma, cuja vida decorria junto aos lagos e aos rios, em locais desertos, empreendessem uma obra de tão grandes proporções? Talvez eles nunca tivessem vindo à cidade e ao foro; como ousaram entrar em luta contra todo o mundo? Além disso, sabemos que eram tímidos e pusilânimes, como demonstra quem escreveu a respeito deles, sem nada dissimular dos seus defeitos, o que constitui a maior prova da sua veracidade. Que diz ele então a respeito desses homens? Que quando Cristo foi preso, eles fugiram e o principal de todos O negou, apesar dos inúmeros milagres que tinham presenciado.
Como se explica então que aqueles homens não tenham resistido ao ataque dos judeus enquanto Cristo vivia e, depois de Cristo morto, sepultado e, como dizem os incrédulos, não ressuscitado, e portanto sem poder falar lhes, d’Ele tenham recebido coragem para enfrentar o mundo inteiro? Porventura não diriam de si para si: «Que é isto? Se Ele não pôde salvar Se a Si mesmo, como poderá proteger nos a nós? Se quando estava vivo não conseguiu defender Se, como poderá, depois de morto, estender nos a mão para nos ajudar? Se Ele, enquanto vivia, não convenceu um só povo, como havemos nós de convencer o mundo inteiro invocando o seu nome? Não seria certamente contra a razão não só fazer isso, mas até pensá lo?».
É evidente, portanto, que, se não O tivessem visto ressuscitado e não tivessem garantias seguras do seu poder, não se teriam lançado a tão grande aventura.
RESPONSÓRIO 1 Jo 1, 2.1.3a
R. A Vida manifestou-Se e nós vimos e damos testemunho e vos anunciamos * A Vida eterna que estava junto do Pai e nos foi manifestada.
V. O que vimos com os nossos olhos, o que tocámos com as nossas mãos acerca do Verbo da Vida, o que vimos e ouvimos, é o que nós vos anunciamos. * A Vida eterna que estava junto do Pai e nos foi manifestada.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
LEITURA BREVE
Ef 2, 19-22
Já não sois estrangeiros nem hóspedes, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o alicerce dos Apóstolos e dos Profetas, que tem Cristo Jesus como pedra angular. Em Cristo, toda a construção, bem ajustada, cresce para formar um templo santo do Senhor. E, em união com Ele, também vós sois integrados na construção, para vos tornardes, no Espírito Santo, morada de Deus.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Vós os fareis príncipes sobre toda a terra.
R. Vós os fareis príncipes sobre toda a terra.
V. E recordarão o vosso nome, Senhor.
R. Sobre toda a terra.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Vós os fareis príncipes sobre toda a terra.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4465-liturgia-de-24-de-agosto-de-2024>]
SÁBADO – SÃO BARTOLOMEU – APÓSTOLO
(vermelho, glória, pref. dos Apóstolos, ofício da festa)
Antífona
– Proclamar todos os dias a salvação de Deus, anunciai entre às nações a glória do Senhor (Sl 95,2s).
Coleta
– Senhor, fortalecei em nós aquela fé, com a qual o apóstolo são Bartolomeu se entregou de coração sincero ao vosso Filho; concedei por suas preces, que a vossa Igreja se torne sacramento da salvação para todos os povos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Ap 21,9b-14
Salmo Responsorial: 145,10-11.12-13ab.17-18 (R:12a)
– Ó Senhor, vossos amigos anunciem vosso Reino glorioso!
R: Ó Senhor, vossos amigos anunciem vosso Reino glorioso!
– Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos Santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!
R: Ó Senhor, vossos amigos anunciem vosso Reino glorioso!
– Para espalhar vossos prodígios entre os homens, e o fulgor de vosso reino esplendoroso. O vosso reino é um reino para sempre, vosso poder, de geração em geração!
R: Ó Senhor, vossos amigos anunciem vosso Reino glorioso!
– É justo o Senhor em seus caminhos, é Santo em toda obra que ele faz. Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele que o invoca lealmente.
R: Ó Senhor, vossos amigos anunciem vosso Reino glorioso!
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Mestre, tu és o Filho de Deus, és rei de Israel! (Jo 1,49).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 1,45-51
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/sao-bartolomeu-apostolo-3/>]
LEITURA I Ap 21, 9b-14
O Anjo falou-me, dizendo: «Vou mostrar-te a noiva, a esposa do Cordeiro». Transportou-me em espírito ao cimo de uma alta montanha e mostrou-me a cidade santa de Jerusalém, que descia do Céu, da presença de Deus, resplandecente da glória de Deus. O seu esplendor era como o de uma pedra preciosíssima, como uma pedra de jaspe cristalino. Tinha uma grande e alta muralha, com doze portas e, junto delas, doze Anjos; tinha também nomes gravados, os nomes das doze tribos dos filhos de Israel: três portas ao oriente, três portas ao norte, três portas ao sul e três portas ao ocidente. A muralha da cidade tinha na base doze reforços salientes e neles doze nomes: os dos doze Apóstolos do Cordeiro.
Compreender a palavra
O texto escolhido, do Apocalipse apresenta a Igreja como a noiva, a esposa do Cordeiro. É identificada também com a cidade santa de Jerusalém. Está na presença de Deus e resplandece com a sua glória. É uma cidade forte, com portas para todos os lados. Nela estão gravados os nomes das doze tribos de Israel, mas é sustentada por doze reforços onde se inscrevem os nomes dos apóstolos, os escolhidos por Jesus para andarem com ele e para serem enviados em missão. Estes, não só cumpriram a missão que lhes foi confiada, como também se identificaram com o Cordeiro no mistério da paixão, sofrendo o martírio pelo nome de Jesus, por isso, são chamados apóstolos do Cordeiro.
Meditar a palavra
Ao olhar para a Igreja, vemos muitas vezes a sua configuração exterior, tal qual aparece aos nossos olhos e se mostra ao mundo na cúria romana. A Igreja, porém, é muito mais do que o que os nossos olhos podem ver. Podemos até dizer que, ela é mesmo outra coisa que os nossos olhos não veem. Ela é a esposa do Cordeiro, nascida do amor de Deus e do lado aberto de Cristo na cruz, purificada, lavada no sangue do Cordeiro para ser apresentada sem mancha nem ruga àquele que a desposou. O martírio está na sua origem e configura-a continuamente na sua história. Começa no martírio de Cristo, continua no martírio dos apóstolos e é mantida na sua graça original através do sangue dos mártires de todos os tempos, também daqueles que hoje continuam a dar a vida pelo evangelho. Ver apenas o exterior, a riqueza do Vaticano ou as liturgias cheias de beleza que se celebram pelo mundo fora, é ver apenas uma pequena parte deste mistério. Os nossos olhos devem abrir-se para o mistério que as celebrações da Igreja revelam, feito de vidas que se dão até à morte.
Rezar a palavra
O apóstolo Bartolomeu, à semelhança dos seus companheiros, deu a vida por ti, Senhor, depois de incansavelmente anunciar o evangelho que lhe confiaste. Ele é hoje, para nós, o desafio a anunciar com palavras e com a vida a verdade do teu amor e da tua salvação. Dá-nos a coragem de avançar pelo mundo com o mesmo entusiasmo e a mesma decisão de viver para ti e para o evangelho, em favor dos irmãos que não te conhecem e não te amam e, por isso, não vivem na esperança que vem do teu amor.
Compromisso
Quero ser sinal de uma Igreja que dá a vida pela salvação dos homens.
EVANGELHO Jo 1, 45-51
Naquele tempo, Filipe encontrou Natanael e disse-lhe: «Encontrámos Aquele de quem está escrito na Lei de Moisés e nos Profetas. É Jesus de Nazaré, filho de José». Disse-lhe Natanael: «De Nazaré pode vir alguma coisa boa?». Filipe respondeu-lhe: «Vem ver». Jesus viu Natanael, que vinha ao seu encontro, e disse: «Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento». Perguntou-lhe Natanael: «De onde me conheces?». Jesus respondeu-lhe: «Antes que Filipe te chamasse, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira». Disse-lhe Natanael: «Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel!». Jesus respondeu: «Porque te disse: ‘Eu vi-te debaixo da figueira’, acreditas. Verás coisas maiores do que estas». E acrescentou: «Em verdade, em verdade vos digo: Vereis o Céu aberto e os Anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem».
Compreender a palavra
O evangelho de João relata a missão de Filipe que anuncia a Natanael o seu encontro com Jesus de Nazaré. A atitude de Natanael perante o anúncio de Jesus não é entusiasta, muito pelo contrário, mostra-se renitente em reconhecer que o Messias possa vir de Nazaré. No entanto, perante a insistência de Filipe que lhe diz: “vem ver”, ele foi e encontrou-se com Jesus. Este encontro foi determinante para ele. O homem resistente e duro, tornou-se dócil ao olhar e às palavras de Jesus. A verdade encontrou-se com a verdade. Natanael não tinha nada a esconder e Jesus mostrou-lhe o que tinha para lhe revelar e abriu-lhe o caminho para ver coisas ainda maiores.
Meditar a palavra
“Eu vi-te”. Esta afirmação é o centro deste episódio que narra a vocação de Bartolomeu (Natanael). Aquele que não queria acreditar, que não aceitava o testemunho de Filipe, foi convidado a ver, e acabou sendo visto por aquele a quem ia ver. O segredo de Jesus é projetar sobre mim o seu olhar e me fazer ver o que eu julgo poder ver por mim mesmo. Ele prepara tudo para que eu possa chegar ao conhecimento da sua pessoa e faz-me acreditar que é por mim, com as minhas capacidades, pelas minhas forças que chego a conhecer. Jesus também me mostra que, antes de eu o conhecer, antes de o ver, antes de o amar, já Ele me vê, me conhece e me ama.
Rezar a palavra
Quem és tu para mim, Senhor? Faço esta pergunta, perante a minha incapacidade de te conhecer e seguir entusiasmado como Filipe. Faço esta pergunta quando olho a transparência de Natanael. Na minha vida falta a verdade necessária para te poder ver. Falta-me a transparência para poder ser visto por ti. Faz-me ver, Senhor. Mostra-me o caminho pelo qual posso ver coisas ainda maiores que tudo o que já tive oportunidade de ver.
Compromisso
Quero deixar-me ver por Jesus no silêncio da oração.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. E que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários – ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/08/santos-do-dia-da-igreja-catolica-24-de-agosto/>
Santos do Dia da Igreja Católica – 24 de agosto
Postado em: por: marsalima
São Bartolomeu
Bartolomeu, também chamado Natanael, foi um dos doze primeiros apóstolos de Jesus. É assim descrito nos evangelhos de João, Mateus, Marcos e Lucas, e também nos Atos dos Apóstolos.
Bartolomeu nasceu em Caná, na Galiléia, uma pequena aldeia a quatorze quilômetros de Nazaré. Era filho do agricultor Tholmai. No Evangelho, ele também é chamado de Natanael. Em hebraico, a palavra “bar” que dizer “filho” e “tholmai” significa “agricultor”. Por isso os historiadores são unânimes em afirmar que Bartolomeu-Natanael trata-se de uma só pessoa. Seu melhor amigo era Filipe e ambos eram viajantes. Foi o apóstolo Filipe que o apresentou ao Messias.
Até esse seu primeiro encontro com Jesus, Bartolomeu era cético e, às vezes, irônico com relação às coisas de Deus. Porém, depois de convertido, tornou-se um dos apóstolos mais ativos e presentes na vida pública de Jesus. Mas a melhor descrição que temos de Bartolomeu foi feita pelo próprio Mestre: “Aqui está um verdadeiro israelita, no qual não há fingimento”.
Ele teve o privilégio de estar ao lado de Jesus durante quase toda a missão do Mestre na terra. Compartilhou seu cotidiano, presenciou seus milagres, ouviu seus ensinamentos, viu Cristo ressuscitado nas margens do lago de Tiberíades e, finalmente, assistiu sua ascensão ao céu.
Depois de Pentecostes, Bartolomeu foi pregar a Boa-Nova. Encerradas essas narrativas dos evangelhos históricos, entram as narrativas dos apócrifos, isto é, das antigas tradições. A mais conhecida é da Armênia, que conta que Bartolomeu foi evangelizar as regiões da Índia, Armênia Menor e Mesopotâmia.
Superou dificuldades incríveis, de idioma e cultura, e converteu muitas pessoas e várias cidades à fé do Cristo, pregando segundo o evangelho de são Mateus. Foi na Armênia, depois de converter o rei Polímio, a esposa e mais doze cidades, que ele teria sofrido o martírio, motivado pela inveja dos sacerdotes pagãos, os quais insuflaram Astiages, irmão do rei, e conseguiram uma ordem para matar o apóstolo. Bartolomeu foi esfolado vivo e, como não morreu, foi decapitado. Era o dia 24 de agosto de 51.
A Igreja comemora são Bartolomeu Apóstolo no dia de sua morte. Ele se tornou o modelo para quem se deixa conduzir pelo outro ao Senhor Jesus Cristo.
Santa Joana Antida Thouret
Joana Antida Thouret nasceu numa cidade chamada Sancey-le-Long, próxima de Besançon, na França, no dia 27 de novembro de 1765. Francisco e Cláudia eram seus pais, tiveram quatro filhos e ela foi a primeira. Joana cresceu muito bonita, de natureza melancólica, tinha a saúde delicada, um caráter gentil e era muito caridosa. Desde a infância, manifestou sua vocação religiosa.
Aos dezesseis anos, sua mãe morreu. Ficou tão abalada que só encontrou amparo na imensa devoção que dedicava à Virgem Maria. Assim, teve de assumir as responsabilidades da casa e da família, da qual cuidou com muito amor e determinação. Porém a vocação falava mais alto no seu coração, que já havia entregue a Jesus. Chorou muito até que seu pai permitisse seu ingresso definitivo no convento. Tinha vinte e dois anos de idade quando foi fazer seu noviciado no Convento das Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo, em Paris.
Naquela época, era normal a noviça ser submetida aos trabalhos pesados da comunidade. Assim foi com Joana, que, em função da mudança de clima e do grande esforço físico, acabou adoecendo gravemente. Temendo ser enviada de volta para a casa paterna, rezou muito pedindo a Deus que a curasse. Foi atendida por meio de uma dedicada enfermeira, que a tratou com medicação especial. Em 1788, recebeu o hábito religioso das vicentinas.
Depois disso, Joana andou pelo mundo pregando a Palavra de Deus, fazendo caridade, tratando dos doentes, mas principalmente sendo perseguida. Havia estourado a Revolução na França, o clima anticlerical tornava a vida dos religiosos um verdadeiro terror. Muitos sacerdotes, religiosos e fiéis da Igreja foram denunciados, perseguidos, torturados e condenados à morte por guilhotina. Tinha vinte e oito anos quando se viu atirada à rua junto com outras religiosas. Joana ficou sem ter para onde ir. Junto com outras companheiras, foi para a Suíça e, depois, para a Alemanha, voltando novamente para a Suíça.
Em 1797, fixou-se em Besançon, onde fundou uma escola para meninas, mas sem deixar de cuidar dos enfermos. Entretanto os revolucionários descobriram-na e teve de esconder-se por dois anos. Em 1799, pôde retornar e, junto com quatro religiosas, fundou outra escola com farmácia, formando o primeiro núcleo do Instituto das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo. Logo as discípulas de Joana Antida aumentaram e a nova congregação expandiu-se pela França, Suíça, Sabóia e Nápoles.
Depois disso, em 1810, foi enviada para assumir a direção de um grande hospital de Nápoles, onde Joana Antida passou a última etapa de sua vida, empreendendo intensa atividade, abrindo muitos institutos, desenvolvendo sua congregação. A fundadora morreu no dia 24 de agosto de 1826, no seu convento de Nápoles, rodeada por suas religiosas. O papa Pio XI proclamou-a santa em 1934, e indicou sua celebração para o dia de sua morte.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 24 de Agosto de 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Cor 5, 19b-20
Deus confiou-nos a palavra da reconciliação. Nós somos, portanto, embaixadores de Cristo; é Deus quem vos exorta por nosso intermédio. Nós vos pedimos em nome de Cristo: Reconciliai-vos com Deus.
V. O eco da sua voz ressoou por toda a terra
R. E a sua mensagem até aos confins do mundo.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Atos 5, 12a.14
Realizavam-se pelas mãos dos Apóstolos muitos milagres e prodígios entre o povo. E aumentava cada vez mais o número de homens e mulheres que acreditavam no Senhor.
V. Guardavam as ordens de Deus
R. E cumpriam os seus preceitos.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Atos 5, 41-42
Os Apóstolos saíram, cheios de alegria, da presença do Sinédrio, porque tinham merecido ser ultrajados por causa do nome de Jesus. E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar e anunciar a Boa Nova de Cristo Jesus.
V. Alegrai-vos e exultai, diz o Senhor,
R. Porque os vossos nomes estão escritos nos Céus.
Oração
Senhor, fortalecei em nós a fé pela qual o apóstolo São Bartolomeu se consagrou de coração sincero a Cristo vosso Filho e concedei, por sua intercessão, que a vossa Igreja seja o sacramento de salvação para todos os povos. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Demos graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Rom 11, 33-36
Como é profunda a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus! Como são insondáveis os seus juízos e incompreensíveis os seus caminhos! Quem conheceu o pensamento do Senhor? Quem foi o seu conselheiro? Quem Lhe deu primeiro para que tenha de receber retribuição? D’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas. Glória a Deus para sempre. Amen.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Como são grandes, Senhor, as vossas obras.
R. Como são grandes, Senhor, as vossas obras.
V. Tudo fizestes com sabedoria.
R. Como são grandes, Senhor, as vossas obras.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Como são grandes, Senhor, as vossas obras.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Deut 6, 4-7
Escuta, Israel. O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. As palavras que hoje te prescrevo ficarão gravadas no teu coração. Hás-de recomendá-las a teus filhos, e nelas meditarás, quer estando sentado em casa quer andando pelos caminhos, quando te deitas e quando te levantas.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador. R.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. R.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.


