“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 26 DE JANEIRO DE 2026
26 de janeiro de 2026“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 27 DE JANEIRO DE 2026
27 de janeiro de 2026A literatura possui um potencial de aprendizagem que vai muito além do que a princípio pode aparentar.
Há uma peça literária singela que apresenta profundas reflexões sobre a verdadeira amizade que sempre considerei um tanto quanto “esquisita”, não me parecia fazer muito sentido… Até que o correu algo que me obrigou a recorrer a essa peça literária para compreender em profundidade o ocorrido e tentar resgatar uma amizade especialíssima, mas que eu prejudiquei incorrendo em grande falha cometida contra um precioso amigo.
Eis a lenda, da qual não se sabe o autor, mas é atribuída ao povo árabe:
Diz uma linda lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto e em um determinado ponto da viagem discutiram. O amigo ofendido, sem nada dizer, escreveu na areia:
HOJE, MEU MELHOR AMIGO ME BATEU NO ROSTO.
Seguiram e chegaram a um oásis onde resolveram banhar-se. O que havia sido esbofeteado começou a afogar-se, sendo salvo pelo amigo. Ao recuperar-se pegou um estilete e escreveu numa pedra:
HOJE, MEU MELHOR AMIGO SALVOU-ME A VIDA.
Intrigado, o amigo perguntou:
Por que depois que te bati, você escreveu na areia e agora que te salvei, escrevestes na pedra?
Sorrindo, o outro amigo respondeu:
Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever na areia onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregam de apagar. Porém quando nos faz algo grandioso, devemos gravar na pedra da memória e do coração; onde vento nenhum do mundo poderá apagar. (Disponível em: <https://www.pensador.com/frase/NDE0Njk/>)
Uma circunstância delicada me levou a fazer algumas considerações em um grupo de whatsapp, objetivando auxiliar no encaminhamento de uma situação prática, com o sincero propósito de contribuir.
Porém ao fazer um comentário eu lembrei de uma terceira pessoa e “misturei as coisas”, escrevi uma frase pejorativa, que consistiu em uma grande injustiça.
Esse amigo é motivo de orgulho para seus pais, uma pessoa esforçada, dedicada, laboriosa… Mas uma pessoa simples que optou por permanecer em uma cidade menor e seu patrimônio, embora significativo e notável para os padrões de sua pequena cidade, é bem menor do que o de um irmão que foi residir em uma cidade maior.
Na ocasião, percebendo a necessidade de incentivar o dotado do patrimônio elevado a assumir uma fatia maior para poder atender as necessidade da mãe acamada, cometi a falha de esquecer que estava falando no grupo… Desejando persuadir o irmão abastado a contribuir com mais, tive a infelicidade de referir que era necessário atuar com realismo, ciente de que não era possível esperar que o irmão menos abastado contribuísse com mais…
Porém o fiz com palavras inapropriadas, infelizes… Muito embora não o tenha feito com essa intenção, aquelas palavras denotaram um certo desdém pela realidade econômica desse amigo.
Não foi justo, não foi apropriado, não foi sensato… Ele não merece isso, pois toda a sua vida foi um exemplo de dedicação e não merece de forma alguma ser tratado como alguém que não faz a sua parte. Ele faz, sim, o melhor que pode, porém ninguém tem o direito de exigir mais do que a pessoa consegue… Espero que um dia ele possa me perdoar, possa compreender que minha intenção foi boa, mas a forma como fiz foi desastrosa…
Tenho esperança de que ele poderá, sendo uma pessoa de coração de ouro como é, inspirar-se na lenda da amizade verdadeira e perdoar esse seu amigo que, apesar de atrapalhado, tem por ele um profundo e sincero apreço, uma amizade genuína e sincera!
