“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 23 DE MAIO DE 2026
23 de maio de 2026Domingo de Pentecostes (Ano A)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos 8, 5-27
Os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus
Irmãos: Os que vivem segundo a carne desejam o que é carnal; os que vivem segundo o espírito desejam o que é espiritual. Os desejos da carne conduzem à morte, ao passo que os desejos do espírito conduzem à vida e à paz. Na verdade, os desejos da carne são revolta contra Deus, pois não se submetem nem podem submeter-se à lei de Deus. Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus.
Vós não estais sob o domínio da carne mas do espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas se alguém não tem o Espírito de Cristo, não Lhe pertence. Se Cristo está em vós, embora o vosso corpo seja mortal por causa do pecado, o espírito permanece vivo por causa da justiça. E se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós.
Assim, irmãos, já não somos devedores à carne para vivermos segundo a carne. Se viverdes segundo a carne, morrereis; mas se pelo Espírito fizerdes morrer as obras da carne, vivereis.
Porque todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Vós não recebestes um espírito de escravidão para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial pelo qual exclamamos: «Aba, Pai». O próprio Espírito Santo dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus. Se somos filhos, também somos herdeiros, herdeiros de Deus e herdeiros com Cristo; se sofrermos com Ele, também com Ele seremos glorificados.
Eu penso que os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que se há-de manifestar em nós. Na verdade, as criaturas esperam ansiosamente a revelação dos filhos de Deus. Elas estão sujeitas à vã situação do mundo, não por sua vontade, mas por vontade d’Aquele que as submeteu, com a esperança de que as mesmas criaturas sejam também libertadas da corrupção que escraviza, para receberem a gloriosa liberdade dos filhos de Deus.
Sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não só ela, mas também nós que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo. É em esperança que estamos salvos, pois ver o que se espera não é esperança. Quem espera o que já vê? Mas esperar o que não vemos é esperar com perseverança.
Também o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. E Aquele que vê no íntimo dos corações conhece as aspirações do Espírito, pois é em conformidade com Deus que o Espírito intercede pelos cristãos.
RESPONSÓRIO Gal 4, 6; 3, 26; 2 Tim 1, 7
R. Porque sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus, * Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. Aleluia.
V. Ele não nos concedeu um espírito de temor, mas um espírito de fortaleza, de caridade e de sabedoria. * Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. Aleluia.
SEGUNDA LEITURA
Do Tratado de Santo Ireneu, bispo, «Contra as heresias»
(Lib. 3, 17, 1-3: SC 34, 302-306) (Sec. II)
A vinda do Espírito Santo
O Senhor disse aos discípulos: Ide, ensinai todos os povos, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Com este mandato, o Senhor dava-lhes o poder de regenerar os homens em Deus.
Pelos Profetas tinha Deus prometido que nos últimos tempos derramaria o seu Espírito sobre os seus servos e servas, para que recebessem o dom da profecia. Por isso desceu o Espírito Santo sobre o Filho de Deus, que Se fez Filho do homem, habituando-Se com Ele a morar entre o género humano, a repousar sobre os homens e a habitar na criatura de Deus. Assim renovava os homens segundo a vontade do Pai, fazendo-os passar da sua antiga condição à vida nova de Cristo.
São Lucas diz que este Espírito, depois da ascensão do Senhor, desceu sobre os discípulos no dia de Pentecostes, com o poder de dar a vida nova a todos os povos e de os fazer participar na Nova Aliança; por isso se uniram naquele dia todas as línguas no mesmo louvor de Deus, enquanto o Espírito congregava na unidade as tribos mais distantes e oferecia ao Pai as primícias de todas as nações
O Senhor tinha prometido enviar-nos o Paráclito, que nos havia de preparar para receber a Deus. Assim como a farinha seca, sem a água, não se pode amassar para fazer um só pão, também nós, que somos muitos, não podíamos transformar-nos num só Corpo, em Cristo Jesus, sem a água que vem do Céu. E assim como a terra árida não dá fruto se não for regada, também nós, que éramos antes como uma árvore ressequida, nunca daríamos frutos de vida sem a chuva da graça que desce do alto.
De facto, os nossos corpos receberam pela água do Baptismo aquela unidade que os leva à incorrupção, e as nossas almas receberam-na pelo Espírito.
O Espírito de Deus desceu sobre o Senhor como Espírito de sabedoria e de inteligência, Espírito de conselho e de fortaleza, Espírito de ciência e de piedade, Espírito do temor de Deus. E é este mesmo Espírito que o Senhor por sua vez deu à Igreja, enviando lá do Céu o Paráclito sobre toda a terra, do Céu, de onde também Satanás fora precipitado como um relâmpago, segundo a palavra do Senhor.
Por isso temos necessidade deste orvalho de Deus, para que dêmos fruto e não sejamos lançados ao fogo, e para que tenhamos também um Advogado onde temos um acusador.
Efectivamente, o Senhor encomenda ao Espírito Santo o cuidado da sua criatura, daquele homem que caíra nas mãos dos ladrões e a quem Ele, cheio de compaixão, vendou as feridas, entregando dois denários reais, para que nós, recebendo pelo Espírito a imagem e inscrição do Pai e do Filho, façamos frutificar esse denário que nos foi confiado e o restituamos com bons rendimentos ao Senhor.
RESPONSÓRIO Actos 2, 1-2
R. Ao chegar o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar, * E receberam o Espírito Santo, Aleluia.
V. De repente, fez-se ouvir do céu uma forte rajada de vento que encheu toda a casa. * E receberam o Espírito Santo. Aleluia.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
Atos dos Apóstolos 5, 30-32
O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós destes a morte, suspendendo-o no madeiro. Deus exaltou-o pelo seu poder como Chefe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e o perdão dos pecados. E nós somos testemunhas destes fatos, juntamente com o Espírito Santo que Deus tem concedido àqueles que lhe obedecem.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Todos ficaram cheios do Espírito Santo. Aleluia. Aleluia.
R. Todos ficaram cheios do Espírito Santo. Aleluia. Aleluia.
V. E proclamaram as maravilhas de Deus.
R. Aleluia. Aleluia.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Todos ficaram cheios do Espírito Santo. Aleluia. Aleluia.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-de-pentecostes-ano-a/>]
Domingo de Pentecostes (Ano A)
Se o fogo me devorar viverei no Espírito
Mesmo sem querer, a minha boca abre-se para dizer “Pai”. Não sabe a nada. Abre-se novamente a minha boca para dizer “Pai”. Não sabe a nada. Insiste a minha boca em dizer “Pai”. E, não querendo ainda, descubro alguém. Continua a minha boca a dizer “Pai” e acende-se um fogo que me devora e faz viver. Um fogo que não se apaga, um vento que não se deixa prender, um ruído interminável que, vindo dos céus, me faz ouvir a voz que diz: “filho… tu és meu filho”. E querendo sem querer digo “Pai” e um fogo que cai do céu faz-me viver… como filho.
LEITURA I At 2, 1-11
Quando chegou o dia de Pentecostes,
os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar.
Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu,
um rumor semelhante a forte rajada de vento,
que encheu toda a casa onde se encontravam.
Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo,
que se iam dividindo,
e poisou uma sobre cada um deles.
Todos ficaram cheios do Espírito Santo
e começaram a falar outras línguas,
conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem.
Residiam em Jerusalém judeus piedosos,
procedentes de todas as nações que há debaixo do céu.
Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se
e ficou muito admirada,
pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua.
Atónitos e maravilhados, diziam:
«Não são todos galileus os que estão a falar?
Então, como é que os ouve cada um de nós
falar na sua própria língua?
Partos, medos, elamitas,
habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia,
do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília,
do Egito e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene,
colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos,
cretenses e árabes,
ouvimo-los proclamar nas nossas línguas
as maravilhas de Deus».
A manifestação do Espírito Santo na manhã de Pentecostes provoca nos apóstolos, reunidos em oração, uma mudança que significa um verdadeiro milagre. O fogo do Espírito que os preenche, leva-os para fora e começam a falar.
Salmo responsorial Sl 103 (104), 1abc.24ac.29bc-30.31.34
Todas as criaturas que os nossos olhos podem contemplar, são obra das mãos de Deus e a sua existência depende do sopro de divino. É o Espírito do Senhor que lhes dá vida e se este Espírito falta tudo volta ao pó, tudo morre. Viver segundo o Espírito é a única garantia para que a vida não se extinga.
LEITURA II 1Cor 12, 3b-7.12-13
Irmãos:
Ninguém pode dizer «Jesus é o Senhor»
a não ser pela ação do Espírito Santo.
De facto, há diversidade de dons espirituais,
mas o Espírito é o mesmo.
Há diversidade de ministérios,
mas o Senhor é o mesmo.
Há diversas operações,
mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.
Em cada um se manifestam os dons do Espírito
para o bem comum.
Assim como o corpo é um só e tem muitos membros
e todos os membros, apesar de numerosos,
constituem um só corpo,
assim também sucede com Cristo.
Na verdade, todos nós
– judeus e gregos, escravos e homens livres –
fomos batizados num só Espírito,
para constituirmos um só Corpo.
E a todos nos foi dado a beber um único Espírito.
O Espírito atua em cada crente dispondo-o a dizer que “Jesus é o Senhor” e a colocar os dons de Deus ao serviço da comunidade para constituir, em Cristo, um só corpo.
EVANGELHO Jo 20, 19-23
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,
estando fechadas as portas da casa
onde os discípulos se encontravam,
com medo dos judeus,
veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes:
«A paz esteja convosco».
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado.
Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.
Jesus disse-lhes de novo:
«A paz esteja convosco.
Assim como o Pai Me enviou,
também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes:
«Recebei o Espírito Santo:
àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados;
e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».
O primeiro dia da semana torna-se para os apóstolos no dia do encontro com Jesus ressuscitado. Neste dia são transformados em enviados. E no mesmo dia recebem o Espírito Santo para transformarem o coração dos homens pelo perdão.
Reflexão da Palavra
A manhã daquele dia de Pentecostes é descrita por Lucas nos Atos dos Apóstolos com fenómenos extraordinários que se configuram como milagres. Primeiro refere que “estavam todos reunidos no mesmo lugar”. Trata-se da reunião de oração habitual entre os apóstolos. Depois assinala os fenómenos extraordinários: o milagre do ruído “que encheu toda a casa”, as línguas de fogo que se dividiam e “poisou uma sobre cada um deles” e “todos ficaram cheios do Espírito Santo”, finalmente, o efeito desta manifestação, talvez o maior dos milagres, “começaram a falar”.
A manifestação do ruído e do fogo evocam o acontecimento do Sinai onde Deus entrega a Lei a Moisés e faz ouvir a sua voz no meio dos trovões e do fogo (Ex 19, 11-19). Pode recordar-se ainda a manifestação do Senhor a Elias numa brisa suave, depois de lhe ter enviado um vento impetuoso, um tremor de terra e o fogo (1Rs 19, 11s).
O lugar em que se encontram todos reunidos é a casa de oração que, após receberem o Espírito Santo, se torna o lugar de encontro para “todas as nações”, podendo entender-se uns aos outros, apesar de falarem línguas diferentes. É precisamente o contrário do que acontece em Babel, onde os homens estão todos reunidos no mesmo lugar, mas entre eles não atua o Espírito, gerando-se, por isso, a confusão (Gn 11,1-9).
A comunidade, reunida para celebrar o Pentecostes, pode fazer, hoje, a mesma experiência que os apóstolos reunidos na casa de oração.
O salmista é um contemplativo. Ele observa a obra da criação e vai tecendo um hino de louvor por tudo o que os seus olhos veem e saiu das mãos de Deus. Curiosamente, ao contrário do que acontece com outros salmos, o autor não convida a criação a louvar o Senhor. É ele quem louva o Senhor por toda a criação, “bendiz, ó minha alma, o Senhor”. As criaturas revelam, aos olhos contemplativos do salmista, o Deus criador que está por detrás da sua existência, e continua presente, como um Deus próximo e ativo que se ocupa da obra das suas mãos. O homem faz parte desta criação e realiza, com o seu trabalho, o que necessita para a sua subsistência. Ao contrário do resto da criação, o homem, não tem tudo feito.
Os poucos versículos que são recolhidos para esta celebração acentuam a grandeza de Deus e das suas obras e a dependência de todas as criaturas do alento divino. “Se lhes tirais o alento, morrem e voltam ao pó donde vieram. Se mandais o vosso espírito, retomam a vida”. A alegria do homem é agradar ao Senhor”.
Paulo reconhece a presença do Espírito Santo na vida da comunidade e de cada membro da comunidade. É pelo Espírito que cada um pode dizer “Jesus é o Senhor” e é o Espírito quem capacita individualmente para realizar os ministérios e os carismas necessários à vida e crescimento da comunidade. Os dons e carismas despertados pelo Espírito não são para prestígio e satisfação daquele que os recebe, mas para o bem comum. Paulo deixa claro que “todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos batizados num só Espírito, para constituirmos um só corpo”. Por isso, os carismas do Espírito não podem ser usados para criar cristãos de primeira e cristãos de segunda, mas para formar um só corpo onde todos são iguais em Cristo.
O texto evangélico deste domingo já foi escutado no segundo domingo da Páscoa. Ali, recolhiam-se os versículos 19-31 e aqui apenas os versículos 19-23. Recordemos que estamos na tarde do primeiro dia da semana, o dia da ressurreição. Pela manhã, ainda cedo, Maria Madalena vai ao sepulcro e encontra-se com Jesus ressuscitado. Pela tarde, Jesus, aparece aos discípulos. O texto descreve que os discípulos estão reunidos e com medo, pelo que, têm as portas e as janelas fechadas. A estes homens, condicionados pelo medo, Jesus constitui como enviados, concede-lhes o Espírito Santo e o poder de perdoar. O modelo dos apóstolos é Jesus, o enviado do Pai, assim como o Espírito que os anima é o mesmo que animou Jesus. A missão que lhes é confiada consiste em levar, pelo perdão, o coração dos homens ao coração de Deus, tal como o fez Jesus.
Meditação da Palavra
O domingo de Pentecostes concentra a atenção no Espírito Santo. Termina o Tempo Pascal e começa o tempo da Igreja. Os primeiros discípulos são encontrados no mesmo lugar, como referem a primeira leitura e o evangelho. Estando juntos, vivem sentimentos contraditórios como escutámos no domingo passado perante a ascensão de Jesus: “quando O viram, adoraram-n’O; mas alguns ainda duvidaram”.
Estavam dominados pelo medo, como avança o evangelho de João, que não os deixa sair de casa, não lhes permite responder ao desafio deixado pelo ressuscitado, “ide e ensinai todas as nações” e também não lhes permite a possibilidade de abrir as portas e as janelas. Os outros, os de fora, são todos inimigos que ameaçam as suas frágeis vidas, mutiladas pela partida do mestre. Ele sim, era a força e o poder de Deus em erupção na frágil humanidade. Eles estão presos na cobardia gerada pelo medo. Era esta, e pode continuar a ser, a atitude da Igreja no meio das inseguranças do tempo presente. Portas e janelas fechadas com medo dos “judeus”.
Como os discípulos também a Igreja de hoje pode tornar-se a Igreja dos desanimados do Espírito. É bom recordar aqui as palavras do salmo “se lhes tirais o alento, morrem e voltam ao pó donde vieram. Se mandais o vosso espírito, retomam a vida e renovais a face da terra”. Quanto mais frágil estiver a Igreja mais necessidade tem de homens e mulheres conscientes do poder do Espírito e da sua força transformadora.
O Espírito, como um sopro que sai da boca do ressuscitado ou avassalador como um vento impetuoso, tem poder para abrir as janelas e as portas, se não forem colocadas teimosamente as trancas da recusa obstinada pelo medo de ver o dia, de ver o mundo, de ver os outros. E para lançar a pequena e frágil Igreja na rota da missão, fazendo ouvir em todas as nações a palavra do evangelho, única palavra capaz de esbater as diferenças e unir os corações no mesmo louvor “Bendiz, ó minha alma, o Senhor”.
Insuflados pelo princípio de vida nova da ressurreição, os discípulos são lançados para lá do medo, para a vida em plenitude, gerando vida eterna no coração de quem escuta o evangelho e provocando, pela ação deslumbrante do Espírito, a alegria que falta às suas vidas: “e eu terei alegria no Senhor”.
Ir para lá do medo é entender nos sinais do crucificado, agora ressuscitado, os sinais da plenitude do amor que continua a dar-se, a arriscar morrer continuadamente pelo outro. Porque as chagas de Jesus, curadas pelo Espírito Santo, venceram o ódio, a violência, a vingança, o mal e transformaram-se em amor.
Os crentes individualmente, e a Igreja no seu todo, percebem as marcas do crucificado no rosto, nas mãos e no peito de cada irmão e no seu próprio corpo e deixam-se curar, curando, no mesmo Espírito. E, porque “em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum”, usam os dons recebidos para edificar o corpo de Cristo, sem fazer distinção entre “judeus e gregos, escravos e homens livres” porque “é o mesmo Deus que opera tudo em todos”.
A comunidade celebrante pode encontrar-se neste domingo com o Espírito Santo, dom de Deus, e experimentar, uma vez mais, abrir as portas e as janelas da casa onde se reúne e começar a falar a linguagem do Espírito, que todos entendem, com o desassombro daqueles que perderam o medo ao contemplar as maravilhas realizadas pelo Senhor.
Rezar a Palavra
Vem Espírito Santo! Vem! E cura as minhas feridas, as chagas das minhas mãos e dos meus pés, do meu coração partido. Vem Espírito Santo e ensina-me a curar com a palavra da verdade as mãos e o lado dos meus irmãos crucificados. Vem Espírito Santo e transforma os meus pequenos gestos de cada dia em sinais do amor divino.
Compromisso semanal
Ao longo da semana vou continuar a experimentar a presença santificadora do Espírito e a servir os irmãos como missão recebida de Jesus.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://franciscanos.org.br/vidacrista/santo-do-dia/#gsc.tab=0>]
Santo do dia
maio/2026
São Vicente de LérinsAs notícias que temos sobre o religioso Vicente são poucas. Ele viveu no mosteiro de Lérins, onde foi ordenado sacerdote no século V. Os dados sobre sua vida antes desse período também não são muitos. Tudo indica que ele era um soldado do exército romano e que sua origem seria o norte da França, hoje território da Bélgica.Alguns registros encontrados em Lérins, escritos por ele mesmo, induzem a crer que seu irmão seria o bispo de Troyes. E ele decidira abandonar a vida desregrada e combativa do exército para “espantar a banalidade e a soberba de sua vida e para dedicar-se somente a Deus na humildade cristã”. Vicente, então, optou pela vida monástica e nela despontou como teólogo e escritor famoso, grande reformador do mosteiro de Lérins.Ingressou nesse mosteiro, fundado por santo Honorato, na ilha francesa localizada defronte a Cannes, já em idade avançada. Ali se ordenou sacerdote e foi eleito abade, pela retidão de caráter e austeridade de vida religiosa.Transformou o local num florescente centro de cultura e de espiritualidade, verdadeiro celeiro de bispos e santos para a Igreja. Em 434, escreveu sua obra mais famosa, o “Comnitorium”, também conhecido como “manual de advertência aos hereges”. Mais tarde, são Roberto Belarmino definiu essa obra como “um livro de ouro”, porque estabelece alguns critérios básicos para viver integralmente a mensagem evangélica.Profundo conhecedor das Sagradas Escrituras e dotado de uma grande cultura humanística, os seus escritos são notáveis pelo vigor e estilo apurado, e pela clareza e precisão de pensamento. As obras possuem grande relevância contra a doutrina herética, e outros textos cristológicos e trinitários. Sua obra, em especial a “Advertência aos hereges” teve uma grande difusão e repercussão, atingindo os nossos dias.Enaltecido pelos católicos e protestantes, porque traz toda a doutrina dos Padres analisadas nas fontes da fé cristã e todos os critérios da doutrina ortodoxa, Vicente era um grande polemista, respeitado até mesmo por são Jerônimo, futuro doutor da Igreja, seu contemporâneo. Os dois travaram grandes debates através de uma rica corresponderia, trazendo luz sobre muitas divergências doutrinais.Vicente de Lérins teve seu reconhecimento exaltado pelo próprio antagonista, que fez questão de incluí-lo num capítulo da sua famosa obra “Homens ilustres”. Morreu no mosteiro no ano 450. A Igreja católica dedica o dia 24 de maio a são Vicente de Lérins, celebrado na mesma data também no Oriente.A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Nossa Senhora Auxiliadora e Rogaciano.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE . DE MAIO DE 2026
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Cor 12, 13
Todos nós – judeus ou gregos, escravos ou homens livres – fomos baptizados num só Espírito para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito.
V. O Espírito Santo vos ensinará, Aleluia,
R. Tudo o que Eu vos disse. Aleluia.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
Ant. Aumentai, Senhor, a nossa fé, e acendei em nós a luz do Espírito Santo. Aleluia.
LEITURA BREVE Tito 3, 5b-7
Deus salvou-nos pelo Baptismo da regeneração e renovação do Espírito Santo, que Ele derramou abundantemente sobre nós por meio de Jesus Cristo nosso Salvador, para que, justificados pela sua graça, nos tornássemos, em esperança, herdeiros da vida eterna.
V. Os discípulos exultaram de alegria, Aleluia,
R. Quando viram o Senhor. Aleluia.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Ant. Não sois vós que falais. O Espírito do vosso Pai falará em vós. Aleluia.
LEITURA BREVE 2 Cor 1, 21-22
Quem nos confirma em Cristo – a nós e a vós – é Deus. Foi Ele que nos concedeu a unção, nos marcou com o seu sinal e imprimiu em nossos corações o penhor do Espírito.
V. Os Apóstolos proclamavam em várias línguas, Aleluia,
R. As maravilhas de Deus. Aleluia.
Oração
Brilhe sobre nós, Deus omnipotente, o esplendor da vossa glória, e a luz da vossa luz confirme, com os dons do Espírito Santo, o coração daqueles que por vossa graça renasceram. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
Ant. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e proclamaram as maravilhas de Deus. Aleluia.
LEITURA BREVE Ef 4, 3-6
Empenhai-vos em manter a unidade de espírito pelo vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, como há uma só esperança na vida a que fostes chamados. Há um só Senhor, uma só fé, um só Baptismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, actua em todos e em todos Se encontra.
RESPONSÓRIO BREVE
V. O Espírito do Senhor encheu o universo. Aleluia, Aleluia.
R. O Espírito do Senhor encheu o universo. Aleluia, Aleluia.
V. Ele, que tudo abrange, conhece toda a palavra.
R. Aleluia, Aleluia.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. O Espírito do Senhor encheu o universo. Aleluia, Aleluia.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito. Aleluia, Aleluia.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito. Aleluia, Aleluia.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Aleluia, Aleluia.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Aleluia, Aleluia.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito. Aleluia, Aleluia.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
