“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 4 DE JULHO DE 2026
4 de julho de 2026“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 06 DE JULHO DE 2026
6 de julho de 2026Domingo XIV do Tempo Comum (Ano A)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Do Segundo Livro de Samuel 12, 1-25
Arrependimento de David
Naqueles dias, o Senhor enviou a David o profeta Natã. O profeta foi ter com ele e disse-lhe: «Em certa cidade havia dois homens; um era rico e o outro era pobre. O rico tinha grande quantidade de ovelhas e bois. O pobre possuía apenas uma ovelhinha que tinha comprado. Foi-a criando, e ela cresceu junto dele com os seus filhos. Comia do seu pão, bebia do seu copo, dormia ao seu colo: era como se fosse filha. Chegou então um hóspede a casa do rico, mas este não quis tocar nas suas ovelhas nem nos seus bois, para dar de comer ao hóspede que chegara. Tomou a ovelha do pobre e mandou-a preparar para o seu hóspede». David inflamou-se de cólera contra aquele homem e disse a Natã: «Tão certo como o Senhor estar vivo, aquele assim procedeu é digno de morte. Pagará quatro vezes a ovelha, por ter feito semelhante coisa e por não ter tido coração».
Então Natã disse a David: «Esse homem és tu. Assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘ungi-te como rei de Israel e livrei-te das mãos de Saul. Entreguei-te a casa do teu senhor e pus-te nos braços as suas mulheres. Dei-te a casa de Israel e de Judá e, se isto ainda fosse pouco, dar-te-ia muito mais. Como ousaste desprezar a palavra do Senhor, fazendo o que é mal a seus olhos? Mataste à espada urias, o hitita; tomaste como esposa a sua mulher, depois de o teres feito passar à espada pelos amonitas. Agora a espada nunca mais se afastará da tua casa, porque Me desprezaste e tomaste a mulher de urias, o hitita, para fazeres dela tua esposa’. Assim fala o Senhor: ‘Da tua própria família farei vir a desgraça sobre ti. Tomarei as tuas mulheres diante dos teus olhos e dá-las-ei a outro que se deitará com elas à luz do sol. Tu procedeste às ocultas, mas Eu farei tudo isto na presença de todo o Israel e à luz do dia’».
Então David disse a Natã: «Pequei contra o Senhor». E Natã respondeu-lhe: «O Senhor perdoou o teu pecado. Não morrerás. Mas porque tanto ofendeste o Senhor com esta acção, o filho que te nasceu vai morrer». E Natã voltou para sua casa.
O Senhor atingiu o menino que a mulher de urias dera a David, e ele caiu gravemente doente. David orou a Deus pela criança; jejuava rigorosamente, isolava-se e passava as noites deitado no chão. Os anciãos da sua casa insistiram com ele para que se levantasse, mas David recusou e não quis tomar alimento com eles. Ao sétimo dia a criança morreu. Os servos de David tinham receio de lhe anunciar que o menino tinha morrido, pois diziam consigo: «Enquanto a criança foi viva, nós falámos-lhe e ele não quis escutar as nossas palavras. Como vamos dizer-lhe que o menino morreu? Faria alguma loucura». Ao notar que os servos trocavam palavras em voz baixa, David compreendeu que a criança tinha morrido e perguntou: «O menino morreu?». E eles responderam: «Morreu».
Então David levantou-se do chão, lavou-se, ungiu-se, mudou de roupa, entrou na Casa do Senhor e prostrou-se. Depois regressou ao palácio, pediu que lhe dessem de comer, e comeu. Disseram-lhe os servos: «Que maneira de proceder é a tua? Pelo menino vivo, jejuavas e choravas; e agora que ele morreu, levantas-te e tomas alimento!». Ele respondeu: «Enquanto o menino foi vivo, eu jejuei e chorei, pois dizia comigo: ‘Quem sabe? Talvez o Senhor se compadeça de mim e o menino possa viver’. Mas agora que ele morreu, porque hei-de jejuar? Poderei fazê-lo voltar à vida? Sou eu que vou para junto dele e não ele que vem para junto de mim.
Entretanto, David consolou betsabé, sua esposa, procurou-a e dormiu com ela. Ela concebeu e teve um filho, a quem pôs o nome de Salomão. O Senhor amou-o e assim o deu a conhecer por intermédio de Natã, que lhe pôs o nome de Jedidia, segundo a palavra do Senhor.
RESPONSÓRIO Oração de Manassés 9, 10.12; Salmo 50 (51), 5-6a
R. Os meus pecados são mais numerosos que as areias do mar; pela multidão das minhas culpas, não sou digno de olhar para o Céu. * Provoquei a vossa ira, porque fiz o mal diante dos vossos olhos.
V. Reconheço os meus pecados e tenho sempre diante de mim as minhas culpas; pequei contra Vós, só contra Vós. * Provoquei a vossa ira, porque fiz o mal diante dos vossos olhos.
SEGUNDA LEITURA
Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo
(Sermo 19, 2-3: CCL 41, 252-254) (Sec. V)
O sacrifício agradável a Deus é o espírito arrependido
Reconheço a minha culpa, diz David. Se eu a reconheço, dignai-Vos perdoá-la.
Não presumamos de modo nenhum que vivemos rectamente e sem pecado. Será louvável a nossa vida, se não esquecemos a necessidade de pedir perdão. Mas os homens sem esperança, quanto menos preocupados estão com os seus pecados, tanto mais curiosos são sobre os pecados alheios. Não procuram corrigir, mas criticar. E como não podem escusar-se a si mesmos, estão sempre prontos para acusar os outros. Não é isso que nos ensina o salmista, quando orava e queria dar uma satisfação a Deus, dizendo: Eu reconheço a minha culpa, e o meu pecado está sempre diante de mim. O que assim ora não atende aos pecados alheios, mas examina-se a si mesmo; e não se vê só exteriormente, mas entra em si e desce ao mais profundo de si próprio. Não se perdoa a si mesmo, e por isso ousa confiadamente pedir perdão.
Queres reconciliar-te com Deus? Repara como procedes para contigo, para que Deus te seja propício. Considera o que diz o mesmo salmo: Não é o sacrifício que Vos agrada; e se eu oferecer um holocausto, não o aceitareis. Então ficarás sem apresentar sacrifício algum? Poderás aplacar a Deus sem nenhuma oblação? Que diz o salmo? Não é o sacrifício que Vos agrada; e se eu oferecer um holocausto, não o aceitareis. Mas continua e ouve o que ele diz: Sacrifício agradável a Deus é o espírito arrependido; Deus não despreza o coração contrito e humilhado. Deus rejeita os antigos sacrifícios, mas mostra-te o que hás-de oferecer. Os nossos antepassados ofereciam vítimas do seu rebanho, e era este o seu sacrifício. Não é o sacrifício que Vos agrada. Não aceitais aqueles sacrifícios, mas quereis um sacrifício.
Diz o salmista: Se eu oferecer um holocausto, não o aceitareis. Então, se não aceitais holocaustos, ficareis sem sacrifício? Longe disso. Sacrifício agradável a Deus é o espírito arrependido; Deus não despreza o coração contrito e humilhado. Aí tens o sacrifício que hás-de oferecer. Não lances o olhar para o rebanho; não prepares navios para ir em busca de perfumes até às mais longínquas terras. Procura no teu coração uma oferenda agradável a Deus. É o coração que deve ser atribulado. Receias que morra atribulado? Ouve ainda o salmo: Criai em mim, ó Deus, um coração puro. Portanto deve ser atribulado o coração impuro, para que seja criado um coração puro.
Sintamos desgosto de nós mesmos quando pecamos, porque os pecados causam desgosto a Deus. E já que somos pecadores, sejamos semelhantes a Deus ao menos nisto, desgostando-nos com o que desgosta a Deus. Assim a tua vontade coincide em certo modo com a de Deus, porque te desagrada aquilo que também desagrada Àquele que te criou.
RESPONSÓRIO cf. Salmo 37 (38), 3.16.23; 50 (51), 12
R. Por causa dos meus pecados, cravaram-se em mim as vossas setas: Em Vós espero, Senhor; socorrei-me e salvai-me.
V. Criai em mim, ó Deus, um coração puro, e fazei nascer dentro de mim um espírito firme. Em Vós espero, Senhor; socorrei-me e salvai-me.
Oração
Deus de bondade infinita, que, pela humilhação do vosso Filho, levantastes o mundo decaído, dai aos vossos fiéis uma santa alegria, para que, livres da escravidão do pecado, possam chegar à felicidade eterna. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
Ezequiel 36, 25-27
Derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de todas as imundícies; purificar-vos-ei de todos os vossos deuses. Dar-vos-ei um coração novo e infundirei em vós um espírito novo; arrancarei do vosso peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Infundirei em vós o meu espírito e farei que vivais segundo os meus preceitos, que observeis e ponhais em prática as minhas leis.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Nós vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
R. Nós vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
V. Anunciamos as vossas maravilhas.
R. E invocamos o vosso nome.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Nós vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <Domingo XIV do Tempo Comum (Ano A) | A liturgia>]
Domingo XIV do Tempo Comum (Ano A)
Habitados pelo Espírito ou cansados e oprimidos?
“O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, o coração do homem não pressentiu, isso Deus preparou para aqueles que o amam” (1Cor 2,9).
Insondável a profundidade de um Deus que atravessa a história da humanidade a levantar os cansados e os oprimidos.
Como poderei conhecer-te se o teu Espírito não me habitar e não me levar às profundidades do abismo do teu ser? Como conhecer-te se o teu filho não me fizer filho, recriado no teu ser, adotado pelo amor?
Vem habita-me, ergue-me do nada e faz-se descansar em teu amor.
LEITURA I Zac 9, 9-10
Eis o que diz o Senhor:
«Exulta de alegria, filha de Sião,
solta brados de júbilo, filha de Jerusalém.
Eis o teu rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro,
humildemente montado num jumentinho, filho duma jumenta.
Destruirá os carros de combate de Efraim
e os cavalos de guerra de Jerusalém;
e será quebrado o arco de guerra.
Anunciará a paz às nações:
o seu domínio irá de um mar ao outro mar
e do Rio até aos confins da terra».
Zacarias anuncia a chegada o Senhor. Ele mesmo vem salvar o seu povo, castigar aqueles que o oprimem, purificar dos ídolos, acabar com a guerra. Tudo por iniciativa de Deus e de forma humilde e justa. O profeta não diz quando vai acontecer, mas convida Sião a alegrar-se desde já porque a chegada do Senhor é certa.
Salmo 144 (145), 1-2.8-9.10-11.13cd-14
A fidelidade do Senhor para com o seu povo e para com todos os seres vivos é motivo de louvor para o homem. Todo aquele que se depara com a riqueza interior de Deus e reconhece a sua grandeza e fidelidade não pode ficar indiferente e eleva até ele o mais genuíno louvor. Diante de Deus todos fazemos a experiência do vacilante e do oprimido a quem Deus levanta com a sua mão.
LEITURA II Rom 8, 9.11-13
Irmãos:
Vós não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito,
se é que o Espírito de Deus habita em vós.
Mas se alguém não tem o Espírito de Cristo, não Lhe pertence.
Se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos
habita em vós,
Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos,
também dará vida aos vossos corpos mortais,
pelo seu Espírito que habita em vós.
Assim, irmãos, não somos devedores à carne,
para vivermos segundo a carne.
Se viverdes segundo a carne, morrereis;
mas se pelo Espírito fizerdes morrer as obras da carne,
vivereis.
A inclinação do homem para o pecado, assim como a inutilidade da lei para libertar o homem de si mesmo, foram ultrapassadas pela paixão de Cristo que libertou o homem do domínio da carne e lhe concedeu uma existência no Espírito. O Espírito liberta e não escraviza, o seu domínio sobre o homem eleva-o à experiência de uma vida nova e configura-o como filho de Deus. Nesta condição, a carne, o pecado, a lei e a morte já não têm domínio sobre o cristão. Mas, vivemos já segundo o Espírito ou ainda estamos sob o domínio da carne?
EVANGELHO Mt 11, 25-30
Naquele tempo, Jesus exclamou:
«Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra,
porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes
e as revelaste aos pequeninos.
Sim, Pai, Eu Te bendigo,
porque assim foi do teu agrado.
Tudo Me foi dado por meu Pai.
Ninguém conhece o Filho senão o Pai
e ninguém conhece o Pai senão o Filho
e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
Vinde a Mim,
todos os que andais cansados e oprimidos,
e Eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo
e aprendei de Mim,
que sou manso e humilde de coração,
e encontrareis descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».
Num desabafo transformado em oração, Jesus, revela que o conhecimento de Deus e do seu mistério é feito aos pequeninos, aos humildes e simples e não aos sábios e inteligentes. Do mesmo modo que afasta aqueles que recusam a revelação de Deus, Jesus, acolho os que andam cansados e oprimidos e mostra-lhes o verdadeiro rosto do Pai.
Reflexão da Palavra
O texto da primeira leitura pertence à segunda parte do livro atribuído ao profeta Zacarias. Atribuído porque, a partir do capítulo 9, o conteúdo não parece ser de Zacarias, mas de outro ou outros profetas e de redação mais tardia. É esta a opinião geral que aqui aceitamos. O texto insere-se, portanto, na parte do livro que não terá Zacarias por autor.
Zacarias, cujo nome significa mensageiro, seria filho de Beraquías e neto de Idó, terá exercido o seu ministério ainda no tempo de Esdras e no reinado de Darío, 500 anos antes de Cristo.
O livro, dividido em duas partes, começa por apresentar as oito visões do profeta, para depois, continuar na segunda parte com os oráculos. Esta segunda parte (9,1-14,21), de onde é tirado o texto desta leitura dominical, tem duas secções e começa com o anúncio do castigo que o Senhor há de dar aos inimigos e opressores do seu povo. Porque ao Senhor pertencem todos os povos e toda a terra e porque o Senhor está “junto da sua casa, como uma sentinela contra os vadios; vigio com os meus próprios olhos”.
Na sequência surge o texto que lemos neste domingo, afirmando a salvação do povo escolhido pelo próprio Senhor que vem como um rei “justo, vitorioso, humilde, montado num jumentinho”. (Esta referência é captada pelos evangelistas e aplicada na entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, que se lê no domingo de Ramos). O Senhor vem salvar, vem defender a sua cidade, purificar da guerra e dos ídolos, fazer regressar os cativos do seu povo e instaurar a paz em Jerusalém. O Senhor vai salvar o seu povo com a sua mão, não usará armas, ele desarmará os que confiam nas armas, não vai fazer alianças com os chefes das nações, fez uma aliança com o seu povo, não vai entrar em Jerusalém, como os reis depois de uma batalha, mas humildemente.
O Salmo 145, construído em forma alfabética, pode designar-se como um hino de louvor. O autor fala na primeira pessoa e tece um louvor ao Senhor a quem começa por chamar “meu Deus”. A razão do louvor parece ser geral, porque o Senhor, como rei, governa, sustenta e protege o seu povo e como rei universal sacia todos os seres e recebe de todos o louvor do seu nome. O Senhor é clemente, compassivo, paciente, piedoso e bom, as suas ações são libertadoras e a sua palavra é fiel. Pode identificar-se este Rei e Senhor com o rei anunciado por Zacarias.
Fruto do amor de Deus revelado na morte e ressurreição de Cristo, o cristão, que passou pelo batismo, pode viver uma vida nova, uma vida em Deus e para Deus. Esta vida é iniciativa de Deus e dinamismo do Espírito que nos liberta do “corpo que pertence à morte” (7,24). Agora, justificado por Cristo, libertado do pecado, da morte e da lei, o cristão pode viver segundo o Espírito. Filho de Deus, renascido no batismo e animado na esperança da vida eterna, está livre de qualquer condenação porque tem em si o dinamismo da vida nova que é o próprio Espírito. Assim, já não está dominado pelo corpo do pecado, mas livre no Espírito, pois o Espírito não escraviza como o fazem a carne e a lei.
Jesus anda a “ensinar e pregar”, diz Mateus no início do capítulo 11, dedicado ao mistério do Reino. Logo de início surge a grande questão sobre a identidade de Jesus, colocada na boca de João Batista: “és tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?”, em contraponto com a incapacidade de algumas cidades o reconhecerem como messias. Na sequência surge o texto que se escuta este domingo.
Perante a recusa por parte das cidades de Corozaim, Betsaida e Cafarnaum, Jesus faz uma oração, na qual, bendiz a Deus Pai pelos humildes, porque acolhem a revelação de Deus e convida todos os que são oprimidos a vir a ele.
O texto desta oração apresenta duas partes. Na primeira coloca-se em confronto a atitude dos sábios e dos humildes distinguindo-os através dos termos esconder-revelar, conhecer-revelar, Pai-filho. O Pai está no centro da oração e é ele quem esconde aos sábios e revela aos pequeninos. Por outro lado, o conhecimento do mistério do Reino implica a revelação do Pai e do Filho.
Na segunda parte do texto, Jesus apresenta-se como “manso e humilde de coração” e, por isso, todos podem descansar nele. E reforça a ideia afirmando que o seu “jugo é leve”, porque Jesus não é pesado para ninguém e a sua proposta de vida é “alívio”. Vir a Jesus é encontrar nele e na revelação de Deus o mistério do Reino e o descanso para a alma.
Meditação da Palavra
Jesus é o Messias anunciado pelos profetas e esperado por Israel. Zacarias é um dos profetas que animaram o povo na esperança, porque o rei, libertador, está a chegar. A primeira leitura recolhe esta profecia “eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro”. O profeta já adivinha que este Rei será diferente de todos os reis de Israel, que defendiam o povo e a cidade com armas e entravam triunfantes nas muralhas de Jerusalém entre as aclamações do povo. O Rei salvador de que fala Zacarias destrói as armas e vence pela paz. É um rei humilde, montado num jumentinho.
O povo que esperava o Messias, tem dificuldade em reconhecer Jesus como o Rei libertador anunciado pelos profetas, porque aguarda uma libertação humana, política e à custa de guerras sangrentas e batalhas ferozes. Sobretudo as autoridades do povo, Escribas, doutores da lei e fariseus, têm dificuldade em ver o Messias prometido no Jesus humano, pobre, humilde e simples que têm diante deles. Como pode alguém como Jesus, exercer o “seu domínio de um mar ao outro mar e do rio até aos confins da terra”?
É esta a dificuldade dos sábios e dos inteligentes, das cidades de Corozaim, Betsaida e Cafarnaúm em oposição aos humildes e pequeninos e às cidades Tiro e Sídon. Jesus reconhece esta dificuldade e eleva a sua voz numa oração de bênção, na qual salienta a dificuldade dos chefes do povo, fariseus, doutores da Lei e escribas, em acolher a revelação do Pai.
Jesus reza, em voz alta, revelando o mistério de Deus que é Pai e Filho, a sua relação e conhecimento mútuos e revelando a sua identidade como filho que recebeu o conhecimento diretamente do Pai, e na qualidade de Filho está hoje diante dos homens como aquele que melhor o pode revelar.
Na oração Jesus mostra compreender que nem todos estão disponíveis para receber o conhecimento de Deus nem para reconhecer aquele que Deus enviou e, no qual, “ampara os que vacilam e levanta os oprimidos” e dá alívio às almas dos que andam cansados. Este conhecimento vem de Deus e não dos homens.
Quem são os sábios e os inteligentes que têm tanta dificuldade em acolher a revelação e em reconhecer em Jesus o enviado do Pai? São os doutores da lei, os fariseus e os escribas. Eles conhecem as Escrituras e, no entanto, este seu conhecimento não está ao serviço de Deus de modo a reconhecerem em Jesus os sinais evidentes de que ele é o Messias, o Filho de Deus, o Rei justo e libertador, humilde e cheio de bondade, que traz a paz a Jerusalém.
Os pequeninos são as pessoas humildes do povo que, nos gestos de Jesus, veem os sinais do Reino que já está a realizar-se no meio deles e, por isso, o aclamam e seguem na esperança de encontrar nele o alívio para as almas.
Este conhecimento vem de Deus, como Jesus diz a Pedro quando ele responde à pergunta “quem dizeis que eu sou?”, “não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu”.
O conhecimento de Deus é vida no Espírito, de acordo com o que Paulo diz aos romanos. Os cristãos, que passaram pelo batismo, já não estão sob o domínio da carne, mas vivem segundo o Espírito. vivem uma vida nova, a mesma vida de Cristo, porque habita neles o mesmo Espírito que ressuscitou Jesus de entre os mortos. Mas, pode acontecer que mesmo os cristãos, em vez da liberdade do Espírito, prefiram o domínio da carne. Paulo na sua exortação deixa isso claro quando afirma “se é que o Espírito de Deus habita em vós. Se alguém não tem o Espírito de Deus, não lhe pertence”. Ora, só quem pertence ao Pai, como o Filho, recebe do Pai a revelação, o conhecimento de Deus que liberta, que levanta do chão, que dá descanso às almas.
Rezar a Palavra
Também eu te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque apesar da minha incapacidade me revelaste o mistério do teu amor pelos pequenos, pelos simples e humildes, pelos oprimidos e cansados. Eu te bendigo, ó Pai, porque mesmo sendo pouco o que posso reconhecer do teu mistério libertador, para mim é já grandiosa a tua ação na minha vida. Eu te bendigo, ó Pai, porque me convidas continuamente à alegria da tua salvação.
Compromisso semanal
Coloco a minha esperança no Senhor, meu salvador e descanso em Cristo a minha alma.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://franciscanos.org.br/vidacrista/santo-do-dia/#gsc.tab=0>]
Santo Antônio Maria ZaccariaAntônio Maria nasceu na rica família Zaccaria, da tradicional nobreza italiana, na cidade de Cremona, em 1502. Era o filho único de Lázaro e Antonieta, e seu pai morreu quando ele tinha apenas dois anos de idade. Nessa ocasião não faltaram os pretendentes à mão da jovem viúva, que contava com dezoito anos de idade. Mas Antonieta preferiu afastar-se de todos. Tornou-se exemplo de vida austera, séria e voltada para a fé, dedicando-se exclusivamente à educação e formação do filho. E seu empenho ilustra a alma do homem que preparou para o mundo e para a Igreja.Em pouco tempo, Antônio Maria era conhecido por sua inteligência precoce e, ao mesmo tempo, pela disposição à caridade e humildade. Contam os escritos que era comum chegar do colégio sem seu caro manto de lã, pois o deixava sobre os ombros de algum mendigo que estava exposto ao rigor do frio.Ao completar dezoito anos de idade, doou toda sua herança para sua mãe, e foi estudar filosofia em Pávia e medicina em Pádua. Ao contrário dos demais estudantes, que pouco aprendiam e mais se dedicavam à vida de diversões das metrópoles, como em todas as épocas, Antônio Maria usava todo o seu tempo para estudar e meditar. Em vez de vestir-se como fidalgo, preferia as roupas simples e comportava-se com humildade.Depois de formado, exerceu a medicina junto ao povo, cuidando principalmente dos que não tinham recursos. Conta a tradição que, além de curar os males do corpo, ele confortava as tristezas da alma de seus pobres pacientes.Distribuía os remédios científicos juntamente com o conforto, a esperança e a paz de espírito. Finalmente, sua espiritualidade venceu a ciência e, em 1528, Antônio Maria ordenou-se sacerdote.Com as bênçãos da mãe, que ficou feliz, mas sozinha, ele foi exercer seu apostolado em Milão. Ali, na companhia de Tiago Morigia e Bartolomeu Ferrari, fundou a Congregação dos Clérigos Regulares de São Paulo, cujos membros ficaram conhecidos como “barnabitas”, pois a primeira Casa da Ordem foi erguida ao lado da igreja de São Barnabé, em Milão. Depois, com apoio da condessa de Guastalla, Ludovica Torelli, fundou também a Congregação feminina das Angélicas de São Paulo e criou o Grupo de Casais, para os leigos. Toda a sua Obra se voltou à reforma do clero e dos leigos, reaproximando-os dos legítimos preceitos cristãos.Tendo como modelo são Paulo, era também um devoto extremado da santa eucaristia. Foi o padre Antônio Maria que instituiu as “quarenta horas de adoração ao Santíssimo Sacramento”, e também o soar dos sinos às quinze horas para indicar a Paixão de Jesus na cruz.Durante uma de suas numerosas missões de oração e pregação que efetuava na Itália meridional, foi acometido pela epidemia que se alastrava na região. Não tinha ainda completado os trinta e sete anos de idade quando isto aconteceu. Como médico que era, sabia que a morte se aproximava, voltou então para os braços da dedicada mãe Antonieta.Ele morreu, sob o teto da mesma casa onde nasceu, em 5 de julho de 1539, e foi canonizado em 1897. Tendo em vista a criação do Grupo de Casais, santo Antônio Maria Zacarias é considerado o pioneiro da Pastoral Familiar na história da Igreja.A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Filomena e Agatão


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 05 JUNHO DE 2026
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 5, 1-2.5
Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
V. Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor
R. E para sempre proclamarei a sua fidelidade.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 26
O Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis.
V. A Vós, Senhor, se eleva a minha súplica:
R. Dai-me inteligência segundo a vossa palavra.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Cor 1, 21-22
Quem nos confirma em Cristo – a nós e a vós – é Deus. Foi Ele que nos concedeu a unção, nos marcou com um sinal e imprimiu em nossos corações o penhor do Espírito.
V. O Senhor é minha luz e salvação,
R. O Senhor é o protector da minha vida.
Oração
Deus de bondade infinita, que, pela humilhação do vosso Filho, levantastes o mundo decaído, dai aos vossos fiéis uma santa alegria, para que, livres da escravidão do pecado, possam chegar à felicidade eterna. Por Nosso Senho
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Tes 2, 13-14
Devemos continuamente dar graças a Deus por vós, irmãos amados por Deus, porque Deus vos escolheu como primícias para serdes salvos pelo Espírito que santifica e pela fé na verdade. Foi para isso que Ele vos chamou por meio do Evangelho, para possuirdes a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
V. Infinita é a sua sabedoria.
R. Admirável é o seu poder.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
