“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 15 DE AGOSTO DE 2026
15 de agosto de 2026Domingo XX do Tempo Comum (Ano A)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Do Livro de Isaías 6, 1-13
Vocação do profeta Isaías
No ano em que morreu Ozias, vi o Senhor, sentado num trono alto e sublime; a fímbria do seu manto enchia o templo. À sua volta estavam serafins de pé, que tinham seis asas cada um: com duas asas cobriam o rosto, com outras duas cobriam os pés e com as outras duas voavam. E clamavam alternadamente, dizendo: «Santo, Santo, Santo é o Senhor do Universo. A sua glória enche toda a terra».
Com estes brados as portas oscilavam nos seus gonzos e o templo enchia‑se de fumo. Então exclamei: «Ai de mim, que estou perdido, porque sou homem de lábios impuros. Moro no meio de um povo de lábios impuros, e os meus olhos viram o Rei, Senhor do Universo». Um dos serafins voou ao meu encontro, tendo na mão um carvão ardente que tirara do altar com uma tenaz. Tocou‑me com ele na boca e disse‑me: «Isto tocou os teus lábios: desapareceu o teu pecado, foi perdoada a tua culpa». Ouvi então a voz do Senhor, que dizia: «Quem enviarei? Quem irá por Nós?». Eu respondi: «Eis‑me aqui; podeis enviar‑me ». Ele ordenou: «Vai dizer a esse povo: ‘Escutai, sem chegar a compreender; olhai, sem chegar a ver’. Endurece o coração desse povo, ensurdece‑lhe os ouvidos, cega‑lhe os olhos, de modo que não veja com os olhos, não oiça com os ouvidos, não compreenda com o coração, nem se converta e seja curado». E eu perguntei: «Até quando, Senhor?». Ele respondeu‑me: «Até que as cidades fiquem devastadas e sem habitantes, as casas sem ninguém e os campos desertos. O Senhor desterrará os homens e aumentará a desolação dentro do país. E se restar a décima parte, será também lançada ao fogo como o terebinto e o carvalho, que só deixam um cepo quando são cortados. Mas este cepo será a semente santa».
RESPONSÓRIO Ap 4, 8c; Is 6, 3
R. Santo, Santo, Santo, Senhor Deus Omnipotente, Aquele que era, que é e que há‑de vir. * Toda a terra está cheia da sua glória.
V. Os serafins clamavam alternadamente: Santo, Santo, Santo é o Senhor, Deus do Universo. * Toda a terra está cheia da sua glória.
SEGUNDA LEITURA
Das Homilias de São João Crisóstomo, bispo, sobre o Evangelho de São Mateus
(Hom. 15, 6.7: PG 57, 231-232) (Sec. IV)
Sal da terra e luz do mundo
Vós sois o sal da terra. A palavra que vos é confiada, diz o Senhor, não se destina só a vós mas ao mundo inteiro. Nem vos envio a duas, a dez ou a vinte cidades, nem a um só povo, como no tempo dos Profetas, mas à terra, ao mar e ao mundo inteiro, a este mundo tão pervertido. Ao dizer: Vós sois o sal da terra, o Senhor declara que toda a natureza humana perdeu o sabor e está corrompida pelo pecado. Por isso exige dos discípulos as virtudes que são mais necessárias e úteis para a salvação dos outros homens. Quem é manso, humilde, misericordioso e justo não possui estas virtudes só para seu proveito, mas faz com que essas fontes excelentes corram também para utilidade dos outros. E quem é puro de coração, amante da paz e da verdade, dedica a sua vida ao bem de todos. Não penseis, parece dizer, que sois chamados a pequenas lutas ou a empreendimentos insignificantes: Vós sois o sal da terra. Que significa isto? Que eles tornaram são o que tinha apodrecido? De modo algum. De nada serve deitar sal ao que já está podre. Não foi esta a função dos Apóstolos; o que eles fizeram foi deitar sal e conservar em bom estado os corações que o Senhor lhes confiara depois de os ter renovado e libertado da corrupção. Libertar da corrupção do pecado foi obra do poder de Cristo; mas não recair no precedente estado de corrupção é fruto da diligência e solicitude dos Apóstolos. Repara como Ele vai mostrando gradualmente que estes são superiores aos Profetas. Não diz que são mestres da Palestina, mas de todo o mundo. «Não vos admireis, portanto – parece dizer‑lhes Jesus – se vos falo a vós de preferência a tantos outros e vos chamo para enfrentar tão graves dificuldades. Considerai o número e a grandeza das cidades, povos e nações a que vou enviar‑vos. Por isso quero que não vos limiteis a ser prudentes para vós mesmos, mas que torneis os outros semelhantes a vós. Se assim não for, nem sequer a vós podereis ser úteis. Na verdade, se os outros perderem o sabor, podem recuperá‑lo pelo vosso ministério; mas se sois vós que vos tornais insípidos, arrastareis também os outros com a vossa ruína. Quanto mais importantes são os encargos, tanto maior deve ser a vossa solicitude». Por isso diz Jesus: Se o sal perde o seu sabor, com que o havemos de salgar? Não serve para mais nada senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. E para que não temam lançar‑se para o combate, ao ouvirem aquelas palavras: Quando vos insultarem e perseguirem e disserem toda a espécie de mal contra vós, diz‑lhes de modo equivalente: «Se não estais dispostos a estas provas, em vão fostes escolhidos. São certamente inevitáveis estas maledicências; mas em vez de vos prejudicarem, serão testemunhas da vossa firmeza. Contudo, se o temor das afrontas vos leva à simulação e cobardia, então será maior o vosso sofrimento: todos falarão mal de vós e sereis para toda a gente objecto de censura e escárnio. É isto que quer dizer ser pisado pelos homens». Depois continua com uma analogia mais elevada: Vós sois a luz do mundo. Novamente se refere ao mundo: não a um só povo nem a vinte cidades, mas a todo o orbe da terra; e a luz, como o sal de que antes falou, deve entender‑se em sentido espiritual, luz mais esplendorosa que os raios do sol que nos alumia. Fala primeiro do sal, depois fala da luz, para mostrar a grande eficácia que tem uma pregação vigorosa e uma doutrina exigente e luminosa. Deste modo nos obriga a seguir uma certa norma na pregação, sem divagações inconvenientes, para que ela possa iluminar a vista de quem nos rodeia: Não se pode ocultar uma cidade situada sobre um monte, nem se acende uma lâmpada para a colocar sob um alqueire. Com estas palavras insiste o Senhor na perfeição de vida que hão‑de levar os seus discípulos, estimulando‑os à vigilância e à solicitude pela própria santificação, porque estão expostos ao olhar de todos os homens e travam o seu combate diante de toda a terra.
RESPONSÓRIO Actos 1, 8; Mt 5, 16
R. Recebereis a fortaleza do Espírito Santo que descerá sobre vós; * E sereis minhas testemunhas até aos confins da terra.
V. Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus. * E sereis minhas testemunhas até aos confins da terra.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
Esta última parte pode omitir-se.
Ou (em língua latina):
Te Deum laudámus, * te Dóminum confitémur.
Te aetérnum Patrem * omnis terra venerátur.
Tibi omnes ángeli, * tibi caeli et univérsae potestátes,
tibi chérubim et séraphim * incessábili voce proclámant:
Sanctus, * Sanctus, * Sanctus * Dóminus Deus Sábaoth.
Pleni sunt caeli et terra * maiestátis glóriae tuae.
Te gloriósus * Apostolórum chorus,
te prophetárum * laudábilis númerus,
te mártyrum candidátus * laudat exércitus,
Te per orbem terrárum * sancta confitétur Ecclésia,
Patrem * imménsae maiestátis;
venerándum tuum verum * et únicum Fílium;
Sanctum quoque * Paráclitum Spíritum.
Tu rex glóriae, * Christe.
Tu Patris * sempitérnus es Fílius.
Tu, ad liberándum susceptúrus hóminem, *
non horruísti Vírginis úterum.
Tu, devícto mortis acúleo, *
aperuísti credéntibus regna caelórum.
Tu ad déxteram Dei sedes, * in glória Patris.
Iudex créderis * esse ventúrus.
Te ergo, quaésumus, tuis fámulis súbveni, *
quos pretióso sánguine redemísti.
Aetérna fac cum sanctis tuis * in glória numerári.
Salvum fac pópulum tuum, Dómine, *
et bénedic haereditáti tuae.
Et rege eos * et extólle illos usque in aetérnum.
Per síngulos dies * benedícimus te;
et laudámus nomen tuum in saéculum, *
et in saéculum saéculi.
Dignáre, Dómine, die isto * sine peccáto nos custodíre.
Miserére nostri, Dómine, * miserére nostri.
Fiat misericórdia tua, Dómine, super nos, *
quemádmodum sperávimus, in te.
In te, Dómine, sperávi, * non cónfúndar in aetérnum.
Esta última parte pode omitir-se.
Oração
Deus de bondade infinita, que preparastes bens invisíveis para aqueles que Vos amam, infundi em nós o vosso amor, para que, amando‑Vos em tudo e acima de tudo, alcancemos as vossas promessas, que excedem todo o desejo. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
2 Tim 2, 8.11-13
Lembra-te de que Jesus Cristo, descendente de David, ressuscitou dos mortos. É digna de fé esta palavra: Se morremos com Cristo, também com Ele viveremos; se sofremos com Cristo, também com Ele reinaremos; se O negarmos, também Ele nos negará; se formos infiéis, Ele permanecerá fiel, porque não pode negar-Se a Si mesmo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
V. Anunciamos as vossas maravilhas
R. E invocamos o vosso nome.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-xx-do-tempo-comum-ano-a/>]
Domingo XX do Tempo Comum (Ano A)
Uma casa aberta a todos
Levantaram-se muros invisíveis mas eficazes entre os homens da aldeia. Ninguém sabe porquê, nem quando tudo começou, mas as barreiras tornaram-se tão altas que os olhares já não se cruzam. As mãos fecharam-se em indiferença e os corações, trancados em mágoas antigas, deixaram de se procurar. Não se conhecem, não se falam, apenas se temem. As casas fecham-se por dentro, a desconfiança é a lei e o preconceito a norma. Podia ser diferente? Podia!
LEITURA I Is 56, 1.6-7
Eis o que diz o Senhor:
«Respeitai o direito, praticai a justiça,
porque a minha salvação está perto,
e a minha justiça não tardará a manifestar-se.
Quanto aos estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor
para O servirem, para amarem o seu nome e serem seus servos,
se guardarem o sábado, sem o profanarem,
se forem fiéis à minha aliança,
hei de conduzi-los ao meu santo monte,
hei de enchê-los de alegria na minha casa de oração.
Os seus holocaustos e os seus sacrifícios
serão aceites no meu altar,
porque a minha casa
será chamada ‘casa de oração para todos os povos’».
Deus declara que a sua Casa será uma «casa de oração para todos os povos». Desta forma antecipa a universalidade da salvação, convidando-nos a acolher a alegria de um Deus que não exclui ninguém e que faz da oração o lugar de encontro de toda a humanidade. Os critérios para pertencer ao povo do Senhor e entrar na casa de Deus são a retidão de vida: respeitar o direito, praticar a justiça e guardar a fidelidade à Aliança no serviço amoroso ao Senhor.
Salmo 66 (67), 2-3.5.6.8 (R. 4)
O salmista apresenta Deus como o justo juiz que governa as nações com equidade, transformando o louvor num convite para que todos os povos se alegrem e exultem sob o seu olhar providente. Pelo olhar do salmista unimo-nos à esperança de que a face de Deus brilhe sobre a humanidade, para que a terra dê o seu fruto e o mundo inteiro reconheça a fonte de toda a vida e santidade.
LEITURA II Rm 11, 13-15.29-32
Irmãos:
É a vós, os gentios, que eu falo:
Enquanto eu for Apóstolo dos gentios,
procurarei prestigiar o meu ministério,
a ver se provoco o ciúme dos homens da minha raça
e salvo alguns deles.
Porque, se da sua rejeição resultou a reconciliação do mundo,
o que será a sua reintegração
senão uma ressurreição de entre os mortos?
Porque os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis.
Vós fostes outrora desobedientes a Deus
e agora alcançastes misericórdia,
devido à desobediência dos judeus.
Assim também eles desobedecem agora,
de modo que, devido à misericórdia obtida por vós,
também eles agora alcancem misericórdia.
Efetivamente, Deus encerrou a todos na desobediência,
para usar de misericórdia para com todos.
Paulo defende que os «dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis», assegurando que a eleição de Israel permanece viva mesmo diante da sua resistência, pois os planos divinos são capazes de transformar a própria desobediência em caminho para a misericórdia universal. Ao contemplarmos este desígnio, somos confrontados com a pedagogia de um Deus que «encerrou a todos na desobediência» para que ninguém se glorie por mérito próprio, mas todos se reconheçam necessitados de uma graça que reconcilia o mundo inteiro.
EVANGELHO Mt 15, 21-28
Naquele tempo,
Jesus retirou-Se para os lados de Tiro e Sidónia.
Então, uma mulher cananeia, vinda daqueles arredores,
começou a gritar:
«Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim.
Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio».
Mas Jesus não lhe respondeu uma palavra.
Os discípulos aproximaram-se e pediram-Lhe:
«Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós».
Jesus respondeu:
«Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel».
Mas a mulher veio prostrar-se diante d’Ele, dizendo:
«Socorre-me, Senhor».
Ele respondeu:
«Não é justo que se tome o pão dos filhos
para o lançar aos cachorrinhos».
Mas ela insistiu:
«É verdade, Senhor;
mas também os cachorrinhos
comem das migalhas que caem da mesa de seus donos».
Então Jesus respondeu-lhe:
«Mulher, é grande a tua fé.
Faça-se como desejas».
E, a partir daquele momento, a sua filha ficou curada.
O encontro entre Jesus e a mulher cananeia representa a vitória da universalidade do reino de Deus sobre a fronteira erguida pela inimizade entre o povo eleito e os pagãos. Jesus que, inicialmente se mostra focado na missão em Israel, deixa que a mulher o confronte diretamente através de uma fé sólida, que não exige um direito, mas aguarda a abundância da misericórdia divina. Ao exaltar a «grande fé» desta mulher, o Evangelho ensina que a salvação não é um privilégio, mas um dom acessível a todos os que se aproximam de Deus com confiança absoluta e desarmada.
compreender a Palavra
No capítulo 56 do Livro de Isaías, começa uma nova etapa da profecia, que a exegese bíblica classifica como Trito-Isaías (ou Terceiro Isaías). O contexto é o recente regresso de Babilónia e a reconstrução do Templo e da identidade do povo. Está sobre a mesa a definição de «povo» e os seus limites: para uns, as fronteiras devem estar abertas a todos; para outros, privilegia-se o nacionalismo judaico.
O texto defende a primeira posição, permitindo que os estrangeiros se unam ao Senhor para «o servirem, para amarem o seu nome e serem seus servos». Ficam, contudo, obrigados a «guardarem o Sábado» e a serem «fiéis à Minha Aliança». Se assim fizerem, terão lugar no monte do Senhor, o Sião, experimentarão a alegria do encontro com o Senhor e os seus holocaustos serão aceites.
O texto proclama que a salvação do Senhor «está perto» e é destinada a todos os povos da terra; do mesmo modo que o Templo, a Casa do Senhor, é proclamada como «casa de oração para todos os povos».
O salmista faz-se voz daqueles que compreendem o universalismo da fé. Ele está convencido de que, se todos os povos virem a luz do rosto de Deus, hão de louvar o Senhor.
Israel é o povo escolhido; e, se for abençoado por Deus, pode tornar-se o lugar onde todos os povos veem o Senhor, a sua justiça e a sua salvação. Seguindo os passos de Israel, todas as nações temerão o Senhor ao contemplarem a sua santidade. Por isso, o salmista repete: «Que todos te louvem, ó Deus! Que todos os povos te louvem!».
Na continuação do último domingo, Paulo reafirma aos cristãos de Roma, especialmente aos de origem pagã, a sua esperança na conversão dos judeus, ao verem a bênção de Deus manifestar-se nos gentios. Com isto, Paulo vive a convicção de que a recusa inicial de Israel não é um fracasso, mas um caminho pelo qual a graça do Evangelho chegou a todas as nações.
Um dia, também os judeus serão plenamente chamados à fé. Deus não recusa a ninguém a possibilidade aberta por Jesus para todos os homens. Paulo sustenta esta certeza: «Os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis». Quando Israel aderir ao projeto de Cristo, será como uma ressurreição. Deus salva a todos, judeus e gentios, da desobediência, por meio da Misericórdia que está sempre disponível para uns e outros, de modo que ninguém se possa gloriar.
Jesus dirige-se a um lugar onde, para a mentalidade da época, todos os homens eram impuros por serem pagãos. Ele tinha acabado de discutir com os fariseus e doutores da Lei sobre a impureza, devido ao facto de os discípulos não realizarem os rituais de lavagem das mãos antes das refeições. Jesus esclarece que a impureza vem de dentro, das intenções, e não da prática ritual ou do cumprimento de preceitos humanos. O ritual em questão prendia-se com a suposta contaminação na praça pública pelo contacto com os pagãos. Na região de Tiro e Sidónia, habitavam os cananeus, antigos habitantes de Canaã e adversários históricos dos israelitas, sendo, por isso, considerados gente impura.
A cena apresenta uma mulher deste povo, uma cananeia, que reconhece em Jesus o «Senhor» e o «Filho de David», precisamente quando os fariseus e doutores da Lei tinham dificuldade em aceitar esta verdade. As súplicas da cananeia, que clama «Tem piedade de mim!», obtêm da parte de Jesus um silêncio que poderia parecer indiferença para com aquela mãe que intercede pela sua filha: «A minha filha está cruelmente atormentada por um demónio». O silêncio de Jesus, porém, serve um propósito pedagógico: fortalecer a fé daquela mulher e ensinar os discípulos.
De facto, os discípulos insistiam com Jesus para que a atendesse, pois ela vinha a gritar atrás deles. Jesus chama a atenção para o facto de ela ser cananeia e de que, em primeiro lugar, estão os «filhos da Aliança». As palavras de Jesus não pretendem excluir, mas esclarecer o espírito dos doze, que ainda não compreendiam a universalidade da sua missão. Indiferente às questões de prioridade, a mulher insiste novamente, ao que Jesus responde com as palavras mais difíceis de ouvir: «não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». Ainda assim, ela não desiste e dá a resposta que, para Jesus, seria definitiva: «mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos».
Deste diálogo, tiramos várias conclusões. Em primeiro lugar, os «filhos» representam os israelitas, enquanto os «cachorrinhos» representam os pagãos. Teoricamente, não seria correto dar aos segundos o pão dos primeiros, mas estamos numa dimensão diferente: aqui, o Pai é Deus, e as migalhas do Pão de Deus dado aos judeus são suficientes para salvar os pagãos, que também são filhos. A cananeia, apesar de pagã, revela-se uma mulher que não desiste da convicção de que Jesus pode atender o seu pedido, tal como ele ensinara nas parábolas do amigo que pede pão e da viúva que pede justiça. Ao mesmo tempo, revela um coração generoso, como generoso é o coração de Deus, pois o que pede não é para si, mas para a filha, do mesmo modo que o pão dado aos filhos da promessa se destina a ser distribuído por toda a humanidade.
Meditar a Palavra
Diante da Palavra de Deus proclamada neste domingo, somos chamados a examinar a nossa fé, a alargar a tenda para que todos caibam à mesa do Senhor e a superar os preconceitos que nos impedem de ver a fé daqueles sobre quem levantamos alguma desconfiança.
Em todas as leituras, proclama-se a universalidade da salvação e a fé como condição para nela participar. Isaías diz que a Casa de Deus será «casa de oração para todos os povos», incluindo os estrangeiros. O Salmo proclama a alegria das nações porque a salvação chega até elas. Mateus ensina que a fé da cananeia rompe a barreira de exclusão dos pagãos do projeto messiânico ao alcançar de Jesus a cura da filha. Paulo fala do misterioso desígnio de Deus que, na sua misericórdia, não privilegia ninguém, mas a todos, judeus e gentios, revela a salvação como dom gratuito, porque todos estão encerrados na mesma desobediência.
A Palavra derruba as barreiras que preconceituosamente levantamos, separando e catalogando os homens de acordo com parâmetros que não passam de definições humanas sem sentido. Deus não é como o homem; para ele não há distinção de pessoas e, se escolhe uns, não é em detrimento de outros, mas para que todos colaborem para o pleno conhecimento da sua misericórdia.
Diante da tendência, hoje ainda mais visível, de discriminação, racismo e xenofobia, faz todo o sentido a visão inclusiva de Isaías. Iluminados pelo rosto de Deus que brilha sobre nós, podemos ver um caminho novo para a humanidade, em que os estrangeiros são acolhidos na Casa de Deus, aberta a todos os que o procuram com um coração sincero. Esta é também a visão de Jesus que, se inicialmente se mostra pedagogicamente indiferente para com a mulher cananeia, com as suas palavras finais derruba o muro que impede o reconhecimento da fé naqueles que pertencem a outra cultura, religião ou nacionalidade, estabelecendo a fé como o único requisito para a salvação. Na atitude daquela mulher, percebe-se a consciência clara de que a salvação não é um direito, mas um dom; e que saber esperar o tempo de Deus é um sinal de humildade que confia no Dono da Casa e aguarda o momento em que as portas se abrem para entrar e sentar-se à mesa como filho.
O Evangelho ensina ainda que, tal como Paulo refere na Carta aos Romanos, as portas se abrem para uns a fim de que outros percebam que ninguém fica excluído. A mulher cananeia serve para que os fariseus, os doutores da Lei e os discípulos entendam que o Reino lhes é oferecido em primeiro lugar; mas, se eles não o aceitarem por se julgarem superiores, as portas estão abertas e outros entrarão à sua frente.
Não valorizar a generosidade de Deus, que não dá apenas o pão aos filhos, mas oferece generosamente as «migalhas», remédio suficiente para curar a cegueira da fé, é ficar fechado na bolha da própria importância. É impedir que outros conheçam o caminho do Senhor e permanecer na tristeza de não ter espaço para que outros se abriguem, como irmãos, na tenda comum que é a Casa de Deus.
Que o Senhor, que se deixou «vencer» pela fé de uma estrangeira, nos conceda uma fé assim: uma fé que não conhece fronteiras, que não desiste perante os obstáculos e que se alimenta da certeza de que a mesa do Senhor é tão abundante que as suas migalhas bastam para salvar o mundo. Que ele nos ensine que a nossa meritocracia não salva ninguém; apenas nos impede de ver a gratuidade do Dom de Deus.
Rezar a Palavra
Senhor, ensina-nos a alargar a tenda do nosso coração, para que a tua casa seja, verdadeiramente, uma casa de oração para todos os povos e culturas. Derruba os muros do nosso preconceito e da indiferença, para que aprendamos com a fé da mulher cananeia que a tua misericórdia é um dom gratuito e sem fronteiras. Concede-nos a humildade de reconhecer que não somos donos da tua graça, mas servos que aguardam com confiança as migalhas de amor que bastam para salvar o mundo. Que as nossas comunidades sejam um reflexo da tua bondade, onde a inclusão e a fraternidade superem qualquer divisão, celebrando a alegria de sermos todos filhos do mesmo Pai. Ámen.
Compromisso semanal
Vou derrubar os muros que o meu coração levanta quando faz distinção de pessoas.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://franciscanos.org.br/vidacrista/santo-do-dia/#gsc.tab=0>]
Santo Estêvão da HungriaNo final do primeiro milênio, a Europa foi invadida pelos bárbaros nômades vindos da Ásia, que acabaram dominados pelos reis da Alemanha e da França. As tribos magiares, como eram chamadas, instalaram-se na região da Panônia, atual Hungria, e lá conheceram o cristianismo. A partir desse contato, aos poucos foram se convertendo e abraçaram a religião católica.O duque Gesa, casando com uma princesa cristã, permitiu que os filhos fossem educados no seguimento de Cristo. O seu primogênito, Vaik, que nascera em 969, ao completar dez de idade, foi batizado e recebeu o nome Estêvão. Na cerimônia, o futuro herdeiro do trono teve a felicidade de ver seu pai, convertido, recebendo o mesmo sacramento.Mas o velho rei morreu sem conseguir o que mais desejava, unir seu povo numa única nação cristã. Esse mérito ficou para seu filho Estêvão I, que passou para a história da humanidade como um excelente estadista, pois unificou as trinta e nove tribos, até então hostis entre si, fundando o povo húngaro. Ele também consolidou o cristianismo como única religião deste povo e ingressou para o elenco dos “reis apostólicos”.Casou-se com a piedosa e culta princesa Gisela, irmã do imperador da Baviera, Henrique II, agora todos venerados pela Igreja. Tendo como orientador espiritual e conselheiro o bispo de Praga, Adalberto, confiou aos monges beneditinos de Cluny a missão de ensinar ao povo a doutrina cristã.Depois, conseguiu do papa Silvestre II a fundação de uma hierarquia autônoma para a Igreja húngara. Para tanto, enviou a Roma o monge Astric, que o papa consagrou bispo com a função de consagrar outros bispos húngaros.Com o auxílio da rainha Gisela, Estêvão I fundou muitos mosteiros e espalhou inúmeras igrejas pelas dioceses que foram surgindo. Caridoso e generoso, fundou hospitais, asilos e creches para a população pobre, atendendo, especialmente, os abandonados e marginalizados. Humilde, fazia questão de tratar pessoalmente dos doentes, tendo adquirido o dom da cura. Corajoso e diplomático, soube consolidar as relações com os países vizinhos, mesmo mantendo vínculos com o imperador de Bizâncio, adquirindo também o dom da sabedoria. Assim, transformou a nação próspera e o povo húngaro num dos mais fervorosos seguidores da Igreja Católica.No dia da Assunção de Maria, em 15 de agosto de 1038, o rei Estêvão I morreu. Logo passou a ser venerado pelo povo húngaro, que fez do seu túmulo local de intensa peregrinação de fiéis, que iam agradecer ou pedir sua intercessão para graças e milagres. A fama de sua santidade ganhou força no mundo cristão, sendo incluído no livro dos santos, em 1083, pelo papa Gregório VII. A festa de santo Estêvão da Hungria, após a reforma do calendário da Igreja de Roma, passou as ser celebrada no dia 16 de agosto, um dia após a sua morte.A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Roque e Alsácio.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 16 DE AGOSTO DE 2026
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Cor 6, 19-20
Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus? Não vos pertenceis a vós mesmos: fostes resgatados por grande preço. Glorificai a Deus no vosso corpo.
V. A minha alma suspira pelos átrios do Senhor,
R. O meu coração e a minha carne exultam no Deus vivo
Oração
Fazei, Senhor, que os acontecimentos do mundo decorram para nós segundo os vossos desígnios de paz e a Igreja Vos possa servir na tranquilidade e na alegria. Por Nosso Senhor.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Deut 10, 12
Agora, Israel, que te pede o Senhor teu Deus? Que respeites o Senhor teu Deus, que sigas todos os seus caminhos, que O ames e sirvas com todo o teu coração e com toda a tua alma.
V. Quem habitará, Senhor, no vosso santuário?
R. O que vive sem mancha e diz a verdade que tem no coração.
Oração
Fazei, Senhor, que os acontecimentos do mundo decorram para nós segundo os vossos desígnios de paz e a Igreja Vos possa servir na tranquilidade e na alegria. Por Nosso Senhor.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Cant 8, 6b-7
O amor é forte como a morte, e a paixão é violenta como o abismo. É uma chama ardente, um fogo divino. As águas torrenciais não conseguem apagar o amor, nem os rios o podem submergir.
V. Eu Vos amo, Senhor, minha fortaleza,
R. Meu protector, minha defesa e meu salvador.
Oração
Fazei, Senhor, que os acontecimentos do mundo decorram para nós segundo os vossos desígnios de paz e a Igreja Vos possa servir na tranquilidade e na alegria. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Hebr 12, 22-24
Vós aproximastes-vos do monte Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celeste, de muitos milhares de Anjos em reunião festiva; de uma assembleia dos primogénitos cujos nomes estão inscritos no Céu; de Deus, juiz do universo; dos espíritos dos justos que atingiram a perfeição; de Jesus, Mediador da Nova Aliança, e do Sangue de aspersão que fala mais eloquentemente que o sangue de Abel.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
V. Infinita é a sua sabedoria
R. Admirável é o seu poder.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
