“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 11 DE SETEMBRO DE 2026
11 de setembro de 2026“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 12 DE SETEMBRO DE 2026
12 de setembro de 2026Domingo XXIV do Tempo Comum (Ano A)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Início da Profecia de Ezequiel 1, 3-14.28
Visão da glória do Senhor na terra do exílio
A palavra do Senhor foi dirigida ao sacerdote Ezequiel, filho de Buzi, na Caldeia, nas margens do rio Quebar. Foi aí que a mão do Senhor poisou sobre mim.
Eu olhei e vi aproximar-se do norte um vento tempestuoso e uma grande nuvem com um clarão à volta e um fogo cintilante. Do meio do fogo irradiava uma espécie de metal resplandecente. No centro distinguia-se a imagem de quatro seres vivos que tinham aspecto humano. Cada um tinha quatro faces e quatro asas. As pernas eram direitas e as plantas dos pés assemelhavam-se às do boi, cintilantes como bronze polido. Sob as asas, nos quatro lados, apareciam mãos de homem; todos os quatro tinham as suas faces e as suas asas, e as asas tocavam uma na outra. Ao avançarem, não se voltavam; cada um seguia sempre em frente.
Quanto ao aspecto das faces, cada um dos quatro tinha uma face de homem, uma face de leão à direita, uma face de touro à esquerda, e uma face de águia. As suas asas estendiam-se para o alto; cada um tinha duas asas que se uniam e duas asas que lhes cobriam o corpo. Cada um seguia sempre em frente. Dirigiam-se para onde o espírito os impelia, e ao caminharem não se voltavam.
No meio dos Seres Vivos, via-se qualquer coisa semelhante a carvões em brasa, como tochas que circulavam entre os Seres Vivos. Deste fogo, que projectava um clarão ofuscante, saíam relâmpagos. Os Seres Vivos iam e vinham como relâmpagos.
Sobre as cabeças dos Seres Vivos havia uma espécie de abóbada cintilante como cristal, estendida sobre as suas cabeças. Por baixo da abóbada estendiam-se as asas voltadas umas para os outras, e cada um tinha duas asas que lhe cobriam o corpo.
Quando caminhavam, eu ouvia o ruído das suas asas, semelhante ao marulhar das torrentes caudalosas, à voz do Omnipotente, como o fragor da tempestade, como o tumulto dum campo de batalha. Mas quando paravam, recolhiam as asas. Ouvia-se uma voz por cima da abóbada que estava sobre as suas cabeças.
Sobre a abóbada que havia por cima das suas cabeças, estava uma espécie de pedra de safira em forma de trono e, sobre essa forma de trono, lá no alto, uma figura semelhante a um ser humano. Vi que irradiava como metal brilhante, tendo à volta uma espécie de auréola de fogo, desde o que parecia a cintura para cima. E desde o que parecia a cintura para baixo, vi uma espécie de fogo, irradiando um clarão a toda a volta. Como o arco-íris, que aparece nas nuvens em dia de chuva, assim era o esplendor que o cercava. Era a imagem da glória do Senhor.
RESPONSÓRIO cf. Ez 1, 26; 3, 12b; Ap 5, 13b
R. Vi sobre uma espécie de trono uma figura de aspecto semelhante ao de um homem, e ouvi o estrondo violento de uma voz que dizia: * Bendita seja a glória do Senhor na sua morada.
V. Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor, a honra, a glória e o poder pelos séculos dos séculos. * Bendita seja a glória do Senhor na sua morada.
SEGUNDA LEITURA
Início do Sermão de Santo Agostinho, bispo, sobre os Pastores
(Sermo 46, 1-2: CCL 41, 529-530) (Sec. IV)
Somos cristãos e bispos
Não é agora a primeira vez que ouvis dizer que toda a nossa esperança está em Cristo e que n’Ele está toda a nossa glória verdadeira e salutar. Esta é uma verdade evidente e familiar para vós que pertenceis ao rebanho d’Aquele que vigia e apascenta Israel. Mas porque há pastores a quem agrada o nome de pastores, mas não querem cumprir os deveres de pastores, consideremos o que lhes diz o Senhor pela boca do Profeta. Escutai vós com atenção, ouçamos nós com temor.
A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel e diz aos pastores de Israel. Acabamos de ouvir esta leitura que nos foi proclamada, e por isso quero falar-vos um pouco sobre ela. Deus me ajude a dizer coisas verdadeiras, porque não pretendo expor ideias próprias. Porque se vos propusesse ideias pessoais, também eu seria daqueles pastores que, em vez de apascentar as ovelhas, se apascentam a si mesmos; mas se é d’Ele o que dizemos, então é Ele que vos apascenta por intermédio de mim. Eis o que diz o Senhor Deus: Ai dos pastores de Israel, que se apascentam a si mesmos! Porventura não é o seu rebanho que os pastores devem apascentar? É como se dissesse: «Os pastores não se devem apascentar a si, mas as ovelhas». Essa é a primeira acusação contra estes pastores: apascentam-se a si mesmos e não o rebanho. Quem são os que se apascentam a si mesmos? Aqueles de quem o Apóstolo afirma: Todos procuram os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo.
Ora bem. Nós, a quem o Senhor, pela sua misericórdia infinita e não por mérito nosso, colocou neste lugar de tão grande responsabilidade – e de que havemos de dar rigorosas contas – devemos distinguir claramente duas coisas: somos cristãos e somos bispos. Somos cristãos para nosso proveito, somos bispos para vosso proveito. Pelo facto de sermos cristãos, devemos pensar na nossa salvação; pelo facto de sermos bispos, devemos preocupar-nos com a vossa.
E há muitos que, sendo cristãos e não bispos, chegam até Deus, percorrendo um caminho mais fácil e progredindo nele tanto mais expeditamente quanto menor é o peso da responsabilidade que suportam. Nós, porém, devemos dar contas a Deus pela nossa própria vida, como cristãos; mas, além disso, devemos dar contas a Deus pelo exercício do nosso ministério, como pastores.
RESPONSÓRIO Salmo 22 (23), 1-2a.3b
R. O Senhor é o meu pastor: nada me falta. * Leva-me a descansar em verdes prados.
V. Ele me guia por sendas direitas, por amor do seu nome. * Leva-me a descansar em verdes prados.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
Esta última parte pode omitir-se.
Ou (em língua latina):
Te Deum laudámus, * te Dóminum confitémur.
Te aetérnum Patrem * omnis terra venerátur.
Tibi omnes ángeli, * tibi caeli et univérsae potestátes,
tibi chérubim et séraphim * incessábili voce proclámant:
Sanctus, * Sanctus, * Sanctus * Dóminus Deus Sábaoth.
Pleni sunt caeli et terra * maiestátis glóriae tuae.
Te gloriósus * Apostolórum chorus,
te prophetárum * laudábilis númerus,
te mártyrum candidátus * laudat exércitus,
Te per orbem terrárum * sancta confitétur Ecclésia,
Patrem * imménsae maiestátis;
venerándum tuum verum * et únicum Fílium;
Sanctum quoque * Paráclitum Spíritum.
Tu rex glóriae, * Christe.
Tu Patris * sempitérnus es Fílius.
Tu, ad liberándum susceptúrus hóminem, *
non horruísti Vírginis úterum.
Tu, devícto mortis acúleo, *
aperuísti credéntibus regna caelórum.
Tu ad déxteram Dei sedes, * in glória Patris.
Iudex créderis * esse ventúrus.
Te ergo, quaésumus, tuis fámulis súbveni, *
quos pretióso sánguine redemísti.
Aetérna fac cum sanctis tuis * in glória numerári.
Salvum fac pópulum tuum, Dómine, *
et bénedic haereditáti tuae.
Et rege eos * et extólle illos usque in aetérnum.
Per síngulos dies * benedícimus te;
et laudámus nomen tuum in saéculum, *
et in saéculum saéculi.
Dignáre, Dómine, die isto * sine peccáto nos custodíre.
Miserére nostri, Dómine, * miserére nostri.
Fiat misericórdia tua, Dómine, super nos, *
quemádmodum sperávimus, in te.
In te, Dómine, sperávi, * non cónfúndar in aetérnum.
Esta última parte pode omitir-se.
Oração
Deus, Criador e Senhor de todas as coisas, lançai sobre nós o vosso olhar; e para sentirmos em nós os efeitos do vosso amor, dai-nos a graça de Vos servirmos com todo o coração. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
2 Tim 2, 8.11-13
Lembra-te de que Jesus Cristo, descendente de David, ressuscitou dos mortos. É digna de fé esta palavra: Se morremos com Cristo, também com Ele viveremos; se sofremos com Cristo, também com Ele reinaremos; se O negarmos, também Ele nos negará; se formos infiéis, Ele permanecerá fiel, porque não pode negar-Se a Si mesmo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
V. Anunciamos as vossas maravilhas
R. E invocamos o vosso nome.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-xxiv-do-tempo-comum-ano-a/>]
Domingo XXIV do Tempo Comum (Ano A)
Quem não se sente não é filho de boa gente
Trazemos na nossa memória pessoal e coletiva afirmações contrárias ao Evangelho de Jesus, que nos impedem de agir de acordo com o coração de Deus na hora de perdoar.
Certos ditados populares afetam as nossas relações e impedem o cumprimento do princípio básico do perdão. Ou ganhamos o irmão que nos ofende, ou ficamos ressentidos perante a ofensa apenas porque se diz que «quem não se sente não é filho de boa gente». Na lógica de Cristo, porém, a verdadeira nobreza não reside no ressentimento, mas na capacidade de reconciliação.
LEITURA I Sir 27, 30 – 28, 9
O rancor e a ira são coisas detestáveis,
e o pecador é mestre nelas.
Quem se vinga sofrerá a vingança do Senhor,
que pedirá minuciosa conta de seus pecados.
Perdoa a ofensa do teu próximo
e, quando o pedires, as tuas ofensas serão perdoadas.
Um homem guarda rancor contra outro
e pede a Deus que o cure?
Não tem compaixão do seu semelhante
e pede perdão para os seus próprios pecados?
Se ele, que é um ser de carne, guarda rancor,
quem lhe alcançará o perdão das suas faltas?
Lembra-te do teu fim e deixa de ter ódio;
pensa na corrupção e na morte,
e guarda os mandamentos.
Recorda os mandamentos
e não tenhas rancor ao próximo;
pensa na aliança do Altíssimo
e não repares nas ofensas que te fazem.
O homem que forma a sua consciência a partir dos mandamentos do Senhor e aprofunda a sua vida na escuta da sua vontade, adquire um coração semelhante ao coração de Deus. Assim formado, não centra a sua atenção na ofensa que lhe é provocada pela maldade dos homens, mas no perdão que é chamado a conceder de todo o coração.
Salmo 102 (103), 1-2.3-4.9-10.11-12
O salmista reconhece que foi alvo de uma profunda misericórdia por parte de Deus. Aprendeu, por experiência própria, que o Senhor não guarda ressentimento e afasta o pecado da sua presença «como o Oriente dista do Ocidente». Esta vivência da graça é o motivo para uma solene e profunda ação de graças.
LEITURA II Rom 14, 7-9
Irmãos:
Nenhum de nós vive para si mesmo
e nenhum de nós morre para si mesmo.
Se vivemos, vivemos para o Senhor,
e se morremos, morremos para o Senhor.
Portanto, quer vivamos quer morramos,
pertencemos ao Senhor.
Na verdade, Cristo morreu e ressuscitou
para ser o Senhor dos vivos e dos mortos.
Paulo orienta a atenção da comunidade cristã de Roma para o essencial: a nossa pertença ao Senhor. Quer vivamos, quer morramos, pertencemos sempre ao Senhor. Por isso, as questões secundárias, as opiniões, as ideias ou os procedimentos de cada um não podem servir para nos afastar de Cristo, nem para dividir a sua Igreja.
EVANGELHO Mt 18, 21-35
Naquele tempo,
Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe:
«Se meu irmão me ofender,
quantas vezes deverei perdoar-lhe?
Até sete vezes?».
Jesus respondeu:
«Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei
que quis ajustar contas com os seus servos.
Logo de começo,
apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos.
Não tendo com que pagar,
o senhor mandou que fosse vendido,
com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía,
para assim pagar a dívida.
Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo:
‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’.
Cheio de compaixão, o senhor daquele servo
deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida.
Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros
que lhe devia cem denários.
Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo:
‘Paga o que me deves’.
Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo:
‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’.
Ele, porém, não consentiu e mandou-o prender,
até que pagasse tudo quanto devia.
Testemunhas desta cena,
os seus companheiros ficaram muito tristes
e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido.
Então, o senhor mandou-o chamar e disse:
‘Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias,
porque mo pediste.
Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro,
como eu tive compaixão de ti?’.
E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos,
até que pagasse tudo o que lhe devia.
Assim procederá convosco meu Pai celeste,
se cada um de vós não perdoar a seu irmão
de todo o coração».
Para Jesus, o perdão não está sujeito a nenhuma condição. O perdão divino é total, imediato e permanente. Os discípulos são chamados a aprender com Deus, que perdoa sempre, a todos e sem reservas, para que, ao experimentarem a misericórdia do Senhor, encontrem na compaixão divina o impulso para responderem do mesmo modo para com o próximo.
Compreender a Palavra
– O diplomata culto, Ben Sira, que viveu preocupado com a formação dos jovens de Israel, em perigo de se desviarem da Lei do Senhor, desenvolve no capítulo 28 uma reflexão sobre a vingança. De acordo com a sua visão, não compete ao homem exercer a justiça sobre o mal provocado pelo outro; a reparação de uma ofensa compete apenas a Deus.
O homem mau exercita-se no rancor, na ira e na vingança, pagando o mal com o mal, tal como sugeria a Lei de Talião: «Olho por olho, dente por dente». Jesus virá revelar que esta forma de pensar não está de acordo com o pensamento de Deus. Contudo, Ben Sira revela já estar além da teoria da retribuição; ele propõe o perdão, a misericórdia e a compaixão que encontraremos plenamente em Jesus e que está espelhada na oração do Pai nosso: «perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos…».
– O Salmo 102 (103) convida, desde o início, a elevar uma ação de graças porque o Senhor perdoa. O salmista faz a experiência da misericórdia de Deus, tanto através do perdão dos pecados como da cura das suas enfermidades, e reconhece que o Senhor o cumula de benefícios.
Esta experiência revela um Deus que se preocupa com o homem e não centra a sua atenção sobre o pecado, mas deseja a salvação do pecador, de tal modo que não castiga conforme as nossas culpas nem guarda ressentimento.
– Paulo reage, na Carta aos Romanos, contra a possibilidade de quebra da fraternidade na comunidade cristã. No capítulo 14, ele fala dos que são «fracos» e dos que são «fortes», querendo com isso dizer que há na comunidade pessoas que vivem a sua experiência cristã sem necessidade de recorrer ao cumprimento de preceitos legais, enquanto outras necessitam de os cumprir para se manterem fiéis.
Trata-se de questões como a abstenção de certos alimentos e outras práticas que alguns consideram essenciais e outros entendem como desnecessárias. A discussão sobre a prática ou não destes preceitos gera mal-estar e provoca divisão. Paulo entende que não devem «cair em discussões sobre as suas maneiras de pensar», pois, questiona ele: «quem és tu para julgares?».
Em última análise, não pertencemos a nós próprios: «vivemos para o Senhor, e morremos para o Senhor… pertencemos ao Senhor» e «todos havemos de comparecer diante do tribunal de Deus». O que importa, portanto, não é o cumprimento de normas externas, mas a nossa pertença comum ao Cristo.
– No Evangelho, Jesus responde a uma pergunta de Pedro. A questão é direta e não espera outra resposta senão um número, lançando logo uma proposta: «Senhor, se o meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?».
Esta pergunta surge na sequência do discurso de Jesus sobre o perdão na comunidade cristã, desenvolvido no capítulo 18 de Mateus. A dúvida de Pedro torna-se uma oportunidade para o Senhor aprofundar o mistério da misericórdia. À primeira vista, o Apóstolo parece não ter compreendido que Jesus defende um perdão sem condições nem reservas. Para Pedro, um perdão ilimitado parece excessivo, e a sua pergunta aponta para um limite legal: até quantas vezes é razoável ou obrigatório perdoar? A resposta de Jesus volta a insistir na ausência de limites: «não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete». Segundo o texto de Mateus, Jesus não exige aqui nenhum tipo de arrependimento prévio para que este perdão seja concedido.
Para explicar o fundamento deste perdão sem medida, Jesus conta uma parábola sobre dois devedores. Ambos são chamados a prestar contas e ambos enfrentam a ameaça da prisão para si e para as suas famílias. Nenhum deles tem como pagar; ambos pedem tempo e suplicam compaixão prostrados por terra. O que difere nas duas cenas é o coração daquele diante de quem se prostram.
O primeiro devedor tem uma dívida colossal, mas encontra no Rei um coração capaz de se comover e obtém o perdão total. O segundo tem uma dívida pequena, mas não encontra compaixão por parte do seu semelhante, aquele mesmo a quem o Rei acabara de perdoar. Este último, tendo recebido uma misericórdia infinita, não agiu da mesma maneira para com o seu companheiro.
A intenção de Jesus é fazer-nos refletir sobre o nosso comportamento diante da ofensa dos irmãos. Por isso, a conclusão é clara: «não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como Eu tive compaixão de ti?».
A parábola termina de modo dramático para o homem que não se compadeceu. O objetivo não é apenas salientar o castigo, mas valorizar a grandeza do perdão. É tão grave não perdoar ao outro, tendo sido perdoado ou esperando o perdão para si mesmo, que Jesus afirma: «assim procederá convosco Meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração».
Meditar a Palavra
Aquele que se deixa instruir pelos mandamentos de Deus, pela sua Palavra, e se dedica a pô-los em prática, vence os sentimentos de rancor, ira e vingança perante a ofensa do irmão. Aprender de Deus não significa apenas o conhecimento intelectual das suas palavras ou leis, mas adquirir os sentimentos que se encontram no coração de Deus.
Neste sentido, Ben Sira ensina que o homem vingativo atrai sobre si a própria vingança; de nada lhe serve querer fazer justiça aplicando castigos, pois esse sentimento acabará por dominá-lo e impedi-lo de receber o perdão da parte do Senhor: «um homem guarda rancor contra outro e pede a Deus que o cure? Não tem compaixão do seu semelhante e pede perdão para os seus próprios pecados?». A compaixão, o amor transformado em perdão, atrai a bondade de Deus sobre a nossa fragilidade. Esta mensagem é plenamente desenvolvida por Jesus no Evangelho de Mateus.
Se, no domingo passado, Jesus dizia: «se o teu irmão te ofender…», neste domingo é Pedro quem pergunta: «Se o meu irmão me ofender…?». Jesus falava em «ganhar o irmão», mas Pedro tenta impor limites a essa possibilidade, acreditando que existe um ponto a partir do qual é justo desistir de alguém. A resposta de Jesus, «setenta vezes sete», aponta para uma misericórdia sem fronteiras. A proposta do Mestre, exposta na parábola, fala do perdão para todas as ofensas, graves ou leves, e em todas as circunstâncias, pois o mais importante é sempre recuperar o irmão.
Na parábola, Jesus revela que, diante de Deus, somos todos devedores. Portanto, não podemos proceder como o homem que não teve coração para se compadecer do seu semelhante, daquele que partilha a mesma fragilidade. A sua insensibilidade revelou a indiferença com que ele próprio recebeu o perdão da sua dívida colossal.
Esta experiência de compaixão deve ser a grande preocupação de todos os membros da comunidade cristã. Paulo, na Carta aos Romanos, insiste que, em Cristo, todos pertencemos ao Senhor e todos compareceremos diante do tribunal divino. Por isso, na Igreja, ninguém tem autoridade para julgar os irmãos, nem pelas suas ideias nem pelas suas ações. Devem, antes, acolher-se uns aos outros, pois, como diz o Salmo: «O Senhor não está sempre a repreender nem guarda ressentimento». E Jesus questiona-nos: «não devias fazer tu o mesmo?».
Rezar a Palavra
Senhor, tu não guardas ressentimento e afastas de ti todo o pecado, porque sabes perdoar e não permites que a ofensa feita num momento afete a vida inteira ou condene todas as relações. A tua palavra revela o teu desejo de perdão universal. Tanta gente que se perdeu na vida por falta de perdão; tantas vidas foram transformadas em tristeza pela ausência de misericórdia. Tantas amizades desfeitas e tantas famílias mutiladas por faltou a coragem de perdoar. Senhor, ensina-nos a perdoar tudo e sempre, para que a tua paz habite em nós. Ámen.
Compromisso semanal
Procuro as pessoas com quem não falo há muito tempo para me reconciliar com elas.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://franciscanos.org.br/vidacrista/santo-do-dia/#gsc.tab=0>]
São João CrisóstomoJoão Crisóstomo foi um grande orador do seu tempo. Todos os escritos dizem que multidões se juntavam ao redor do púlpito onde estivesse discursando. Tinha o dom da oratória e muita cultura, uma soma muito valiosa para a pregação do cristianismo.João nasceu no ano 309, em Antioquia, na Síria, Ásia Menor, procedente de família muito rica considerada pela sociedade e pelo Estado. Seu pai era comandante de tropas imperiais no Oriente, um cargo que cedo causou sua morte. Mas a sua mãe, Antusa, piedosa e caridosa, agora santa, providenciou para o filho ser educado pelos maiores mestres do seu tempo, tanto científicos quanto religiosos, não prejudicando sua formação.O menino, desde pequeno, já demonstrava a vocação religiosa, grande inteligência e dons especiais. Só não se tornou eremita no deserto por insistência da mãe. Mas, depois que ela morreu, já conhecido pela sabedoria, prudência e pela oratória eloquente, foi viver na companhia de um monge no deserto durante quatro anos. Passou mais dois anos retirado numa gruta sozinho, estudando as Sagradas Escrituras e, então, considerou-se pronto. Voltou para Antioquia e ordenou-se sacerdote.Sua cidade vivia a efervescência de uma revolta contra o imperador Teodósio I. O povo quebrava estátuas do imperador e de membros de sua família. Teodósio, em troca, agia ferozmente contra tudo e contra todos. Membros do senado estavam presos, famílias inteiras tinham fugido e o povo só encontrava consolo nos discursos e pregações de João, chamado por eles de Crisóstomo, isto é,: “boca de ouro”. Tanto que foi o incumbido de dar à população a notícia do perdão imperial.Alguns anos se passaram, a fama do santo só crescia e, quando morreu o bispo de Constantinopla, João foi eleito para sucedê-lo. Constantinopla era a grande capital do Império Romano, que havia transferido o centro da economia e cultura do mundo de então para a Ásia Menor. Entretanto para João era apenas um local onde o clero estava mais preocupado com os poderes e luxos terrenos do que os espirituais. Lá reinavam a ambição, a avareza, a política e a corrupção moral. Como bispo, abandonou, então, os discursos e dispôs-se a enfrentar a luta e, como consequência, a perseguição.Arrumou inimigos tanto entre o clero quanto na Corte. Todos, liderados pela imperatriz Eudóxia, conseguiram tirar João Crisóstomo do cargo, que foi condenado ao exílio. Mas essa expulsão da cidade provocou revolta tão intensa na população que o bispo foi trazido de volta para reassumir seu cargo. Entretanto, dois meses depois, foi exilado pela segunda vez. Agora, já com a saúde muito debilitada, ele não resistiu e morreu. Era 14 de setembro de 407.Sua honra só foi limpa quando morreu a família imperial e voltou a paz entre o clero na Igreja. O papa ordenou o restabelecimento de sua memória. O corpo de João Crisóstomo foi trazido de volta a Constantinopla em 438, num longo cortejo em procissão solene. Mais tarde, suas relíquias foram trasladadas para Roma, onde repousam no Vaticano. Dos seus numerosos escritos destacasse o pequeno livro “Sobre o sacerdócio”, um clássico da espiritualidade monástica. São João Crisóstomo é venerado um dia antes da data de sua morte, em 13 de setembro, com o título de doutor da Igreja, sendo considerado um modelo para os oradores clérigos.A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Maurílio e Ligório


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 13 DE SETEMBRO DE 2026
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Cor 6, 19-20
Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus? Não vos pertenceis a vós mesmos: fostes resgatados por grande preço. Glorificai a Deus no vosso corpo.
V. A minha alma suspira pelos átrios do Senhor,
R. O meu coração e a minha carne exultam no Deus vivo
Oração
Fazei, Senhor, que os acontecimentos do mundo decorram para nós segundo os vossos desígnios de paz e a Igreja Vos possa servir na tranquilidade e na alegria. Por Nosso Senhor.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Deut 10, 12
Agora, Israel, que te pede o Senhor teu Deus? Que respeites o Senhor teu Deus, que sigas todos os seus caminhos, que O ames e sirvas com todo o teu coração e com toda a tua alma.
V. Quem habitará, Senhor, no vosso santuário?
R. O que vive sem mancha e diz a verdade que tem no coração.
Oração
Fazei, Senhor, que os acontecimentos do mundo decorram para nós segundo os vossos desígnios de paz e a Igreja Vos possa servir na tranquilidade e na alegria. Por Nosso Senhor.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Cant 8, 6b-7
O amor é forte como a morte, e a paixão é violenta como o abismo. É uma chama ardente, um fogo divino. As águas torrenciais não conseguem apagar o amor, nem os rios o podem submergir.
V. Eu Vos amo, Senhor, minha fortaleza,
R. Meu protector, minha defesa e meu salvador.
Oração
Fazei, Senhor, que os acontecimentos do mundo decorram para nós segundo os vossos desígnios de paz e a Igreja Vos possa servir na tranquilidade e na alegria. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Hebr 12, 22-24
Vós aproximastes-vos do monte Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celeste, de muitos milhares de Anjos em reunião festiva; de uma assembleia dos primogénitos cujos nomes estão inscritos no Céu; de Deus, juiz do universo; dos espíritos dos justos que atingiram a perfeição; de Jesus, Mediador da Nova Aliança, e do Sangue de aspersão que fala mais eloquentemente que o sangue de Abel.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
V. Infinita é a sua sabedoria.
R. Admirável é o seu poder.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
