Salmo Responsorial: Sl 102,13-15.16-18.19-21 (R: 20b)
20 de julho de 2024Leitura I Is 26, 7-9.12.16-19
21 de julho de 2024DOMINGO DA XVI SEMANA DO TEMPO COMUM
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu empregue especial empenho e dedicação em prosseguir na senda cristã, buscando, gradual e progressivamente, plenificar meu viver usufruindo os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual”: os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações da Liturgia das Horas: “Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”; a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor… Que eu me empenhe especialmente em extrair o néctar espiritual potencializador da prática cristã nas sessões: IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA – em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas. Que eu possa usufruir esses tesouros da melhor forma possível, em meio às atividades que me cumpre realizar como deveres inerentes ao meu estado de vida, à vocação para a qual fui chamado. Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
Início da Segunda Epístola de São Paulo aos Coríntios 1, 1-14
Ação de graças no meio das tribulações
Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo por vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à Igreja de Deus que está em Corinto e aos cristãos que vivem em toda a Acaia: A graça e a paz vos sejam dadas da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.
Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as nossas tribulações, para podermos consolar aqueles que estão atribulados, por meio da consolação que nós mesmos recebemos de Deus. Na verdade, assim como abundam em nós os sofrimentos de Cristo, também por Cristo abunda a nossa consolação. Se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação; se somos consolados, é para vossa consolação, a fim de suportardes com fortaleza os mesmos sofrimentos que nós suportamos. A nossa esperança a vosso respeito é firme, porque sabemos que, participando nos sofrimentos, também participareis na consolação.
Não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que tivemos na Ásia. Fomos oprimidos além das nossas forças, a tal ponto que chegamos a desesperar da própria vida. Sentimos dentro de nós a sentença de morte, para que já não confiemos em nós próprios, mas em Deus, que ressuscita os mortos. Foi ele que nos livrou e nos livra de morte tão cruel. Dele esperamos que ainda nos livrará, contribuindo também vós com a oração em nosso favor, para que esta graça, que nos foi concedida por intercessão de tantas pessoas, seja também para muitos um motivo de ação de graças a nosso respeito.
Porque esta é a nossa glória: o testemunho da nossa consciência, que nos diz que temos procedido para com todos, especialmente para convosco, segundo a simplicidade e a sinceridade que vêm de Deus, não com a sabedoria carnal, mas com a graça divina. Não vos escrevemos outra coisa senão o que podeis ler e compreender. Espero que o compreendereis inteiramente, como já compreendestes em parte: que somos a vossa glória, como também vós sereis a nossa, no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo.
RESPONSÓRIO Salmo 93 (94), 18-19; 2 Cor 1, 5
R. A vossa bondade, Senhor, me sustenta. * Quando se multiplicaram as angústias do meu coração, as vossas consolações confortaram a minha alma.
V. Assim como abundam em nós os sofrimentos de Cristo, também por Cristo abunda a nossa consolação. * Quando se multiplicaram as angústias do meu coração, as vossas consolações confortaram a minha alma.
Segunda Leitura
Início da Epístola de Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir, aos Magnésios
(Nn. 1, 1 – 5, 2: Funk 1, 191-195) (Sec. I)
Não basta ter o nome de cristão, é preciso sê-lo deveras
Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja de Magnésia do Meandro, abençoada pela graça de Deus Pai, em Jesus Cristo nosso Salvador, no qual a saúdo com votos de muita felicidade, em Deus Pai e em Jesus Cristo.
Ao saber que a vossa caridade está muito bem orientada, segundo Deus, senti uma grande alegria e resolvi dirigir-vos a palavra na fé de Jesus Cristo. Honrado com um nome de esplendor divino, por causa das cadeias que levo comigo por toda a parte, canto um hino de louvor às Igrejas, a quem desejo a perfeita união com a Carne e o Espírito de Jesus Cristo, nossa eterna vida, a união na fé e na caridade que se deve procurar acima de tudo, e principalmente a união com Jesus e com o Pai, no qual afrontamos e vencemos todos os ataques do príncipe deste mundo e alcançaremos a Deus.
Tive a honra de vos ver na pessoa do vosso bispo Damas, homem verdadeiramente digno de Deus, dos santos presbíteros Basso e Apolónio, e do diácono Sozião, meu companheiro no serviço do Senhor. Possa eu continuar a gozar da companhia de Sozião, porque está sujeito ao seu bispo como à graça de Deus e ao colégio presbiteral como à lei de Cristo.
Entretanto não deveis abusar da pouca idade do vosso bispo; tratai-o com toda a reverência, considerando a autoridade que lhe vem de Deus Pai. Sei que os vossos santos presbíteros não abusam da sua juventude que é manifesta, mas, como pessoas sensatas em Deus, se lhe submetem, não a ele, mas ao Pai de Jesus Cristo, que é o bispo de todos.
Em atenção Àquele que nos ama, devemos obedecer sem sombra de hipocrisia; porque, desobedecendo, não era a este bispo visível que tentaríamos enganar, mas ao bispo invisível; quer dizer, neste caso, não se trata já de ir contra um homem mortal, mas contra Deus que conhece o segredo de todas as coisas.
É necessário, portanto, não apenas ter o nome de cristão, mas sê-lo deveras. Alguns, de facto, mencionam continuamente o nome do bispo, mas fazem tudo sem ele. Não me parece que estes procedam em boa consciência, porque as suas assembleias não são legítimas, segundo o preceito do Senhor.
Todas as coisas têm fim e os dois termos que se nos apresentam são a vida e a morte. Cada um irá para o seu lugar. É como se houvesse duas moedas, uma de Deus e outra do mundo. Cada uma delas tem gravado o seu próprio cunho. Os infiéis têm a imagem do mundo; os que permanecem fiéis na caridade têm a imagem de Deus Pai, por intermédio de Jesus Cristo. Se não estivermos dispostos a morrer para imitarmos a sua paixão, também não teremos em nós a sua vida.
RESPONSÓRIO 1 Tim 4, 11.16.15
R. Sê o modelo dos fiéis na palavra, no comportamento, na caridade, na fé e na pureza. * Se procederes desse modo, salvar-te-ás a ti e àqueles que te ouvem.
V. Atende a estas coisas e ocupa-te nelas com todo o empenho, para que o teu progresso seja manifesto a todos. * Se procederes desse modo, salvar-te-ás a ti e àqueles que te ouvem.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
LEITURA BREVE
2 Tim 2, 8.11-13
Lembra-te de que Jesus Cristo, descendente de Davi, ressuscitou dos mortos. É digna de fé esta palavra: Se morremos com Cristo, também com ele viveremos; se sofremos com Cristo, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; se formos infiéis, ele permanecerá fiel, porque não pode negar-se a si mesmo.
MEDITAÇÕES DA PALAVRA DO SENHOR
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4430-liturgia-de-21-de-julho-de-2024>]
DOMINGO DA XVI SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde, glória, creio – IV semana do saltério)
Antífona
– Quem me protege e me ampara é meu Deus; é o Senhor quem sustenta a minha vida. Quero oferecer-vos o meu sacrifício de coração e muita alegria
(Sl 53,6.8).
Coleta
– Senhor, sede propício a vossos fieis e, benigno, multiplicai neles os dons da vossa graça, para que, fervorosos na fé, esperança e caridade, perseverem sempre vigilantes na observância dos vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Jr 23,1-6
Salmo Responsorial: Sl 23,1-3a.3b-4.5.6 (R: 1.6a)
– O Senhor é o pastor que me conduz; felicidade e todo bem hão de seguir-me!
R: O Senhor é o pastor que me conduz; felicidade e todo bem hão de seguir-me!
– O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças.
R: O Senhor é o pastor que me conduz; felicidade e todo bem hão de seguir-me!
– Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei; estais comigo com bastão e com cajado; eles me dão a segurança!
R: O Senhor é o pastor que me conduz; felicidade e todo bem hão de seguir-me!
– Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo, e com óleo vós ungis minha cabeça; o meu cálice transborda.
R: O Senhor é o pastor que me conduz; felicidade e todo bem hão de seguir-me!
– Felicidade e todo bem hão de seguir-me por toda a minha vida; e na casa do Senhor habitarei pelos tempos infinitos.
R: O Senhor é o pastor que me conduz; felicidade e todo bem hão de seguir-me!
2ª Leitura: Ef 2,13-18
Aclamação ao santo Evangelho.
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Minhas ovelhas escutam minha voz, minha voz estão elas a escutar. Eu conheço, então, minhas ovelhas, que me seguem comigo a caminhar
(Jo 10,27).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 6,30-34
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-xvi-do-tempo-comum-7/>]
LEITURA I Jr 23, 1-6
Diz o Senhor: «Ai dos pastores que perdem e dispersam as ovelhas do meu rebanho!». Por isso, assim fala o Senhor, Deus de Israel, aos pastores que apascentam o meu povo: «Dispersastes as minhas ovelhas e as escorraçastes, sem terdes cuidado delas. Vou ocupar-Me de vós e castigar-vos, pedir-vos contas das vossas más ações – oráculo do Senhor. Eu mesmo reunirei o resto das minhas ovelhas de todas as terras onde se dispersaram e as farei voltar às suas pastagens, para que cresçam e se multipliquem. Dar-lhes-ei pastores que as apascentem, e não mais terão medo nem sobressalto; nem se perderá nenhuma delas – oráculo do Senhor. Dias virão, diz o Senhor, em que farei surgir para David um rebento justo. Será um verdadeiro rei e governará com sabedoria; há de exercer no país o direito e a justiça. Nos seus dias, Judá será salvo e Israel viverá em segurança. Este será o seu nome: ‘O Senhor é a nossa justiça’».
Através dos profetas, Deus denuncia a indiferença dos chefes de Israel que não pensam nas pessoas. Não agiram como pastores e dispersaram as ovelhas do seu rebanho. O Senhor promete mudar os pastores e enviar um descendente de David para estabelecer a paz e a segurança.
Salmo Responsorial Sl 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 1)
Deus é o pastor e o anfitrião dos que vivem a insegurança do caminho ou a perseguição dos inimigos. Com o seu cajado conduz, porque é um verdadeiro pastor, e cuida das suas ovelhas. Como um anfitrião senta na sua mesa e protege os perseguidos do seu povo.
LEITURA II Ef 2, 13-18
Irmãos: Foi em Cristo Jesus que vós, outrora longe de Deus, vos aproximastes d’Ele, graças ao sangue de Cristo. Cristo é, de facto, a nossa paz. Foi Ele que fez de judeus e gregos um só povo e derrubou o muro da inimizade que os separava, anulando, pela imolação do seu corpo, a Lei de Moisés com as suas prescrições e decretos. E assim, de uns e outros, Ele fez em Si próprio um só homem novo, estabelecendo a paz. Pela cruz reconciliou com Deus uns e outros, reunidos num só corpo, levando em Si próprio a morte à inimizade. Cristo veio anunciar a boa nova da paz, paz para vós, que estáveis longe, e paz para aqueles que estavam perto. Por Ele, uns e outros podemos aproximar-nos do Pai, num só Espírito.
Paulo recorda que em Cristo não há distinção entre judeus e pagãos. No sangue de Cristo uns e outros foram unidos num só povo e vivem na unidade de um só homem novo. Os de perto e os de longe estão em paz porque foram reconciliados com Deus na cruz de Jesus.
EVANGELHO Mc 6, 30-34
Naquele tempo, os Apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado. Então Jesus disse-lhes: «Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco». De facto, havia sempre tanta gente a chegar e a partir que eles nem tinham tempo de comer. Partiram, então, de barco para um lugar isolado, sem mais ninguém. Vendo-os afastar-se, muitos perceberam para onde iam; e, de todas as cidades, acorreram a pé para aquele lugar e chegaram lá primeiro que eles. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-Se de toda aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas.
Depois de cumprirem a missão confiada por Jesus os doze tornam-se o grupo dos apóstolos. Com a mesma missão do mestre, eles sabem que tudo começa e tudo termina em Jesus e é a ele que têm que dar contas de todos os trabalhos realizados. Só reconhecendo em Jesus o messias enviado pelo Pai, podem permanecer na verdade do evangelho que anunciam.
Reflexão da Palavra
Entre os oráculos dirigidos ao povo encontramos no livro de Jeremias, um oráculo específico para os pastores. Os chefes do povo são chamados pelo profeta com a imagem tradicional de “pastores”. O modelo é o rei David, ele que anteriormente era pastor sentou-se no trono de Israel. Sendo um grande pastor para o seu povo, sobre ele caiu a promessa messiânica e tornou-se modelo de comparação para todos os seus sucessores.
No tempo do profeta Jeremias não se pode dizer que os chefes tenham sido um grande exemplo, por diversas razões. Desde logo as lutas internas pelo poder tornaram-se fratricidas após o reinado de Salomão.
O oráculo, que lemos na primeira leitura desta liturgia dominical, apresenta um esquema linear. Primeiro o profeta faz a denúncia, depois apresenta o castigo, em seguido revela a substituição dos chefes e finalmente faz uma promessa.
A denúncia revela que os chefes, em vez de apascentar “perdem e dispersam as ovelhas do meu rebanho”. O Senhor afirma claramente “dispersastes as minhas ovelhas e as escorraçastes, sem terdes cuidado delas”. No castigo as palavras são determinantes “vou ocupar-Me de vós e castigar-vos, pedir-vos contas das vossas más ações”.
Em consequência desta culpa o Senhor vai realizar duas ações. A primeira, “eu mesmo reunirei o resto das minhas ovelhas de todas as terras onde se dispersaram e as farei voltar às suas pastagens, para que cresçam e se multipliquem”. A segunda é a substituição dos maus pastores por outros “dar-lhes-ei pastores que as apascentem e não mais terão medo nem sobressalto”.
Finalmente vem a promessa. Não basta ao Senhor substituir os pastores por outros, ele vai fazer “surgir para David um rebento justo. Será um verdadeiro rei e governará com sabedoria; há de exercer no país o direito e a justiça”. Só assim “Judá será salvo e Israel viverá em segurança” e desta forma todo o povo reconhecerá que “o Senhor é a nossa justiça”.
O salmo 22, tantas vezes meditado nas nossas celebrações, revela a confiança do salmista. A estruturado tem duas partes, uma a partir da imagem do pastor e outra do banquete no qual o salmista participa como convidado daquele que o protege. Significa isto que, o Senhor é o Pastor e o guarda, protege e cuida, salva e liberta, de todos os perigos, de todos os males e de todos os inimigos.
Toda a ação do Senhor, como pastor ou como anfitrião, é dirigida ao salmista “leva-me”, “conduz-me”, “reconforta-me”, “guia-me”, “enche-me”. Tudo o que o Senhor faz é “para mim”. Diante desta atenção o salmista ganha sentimentos próprios, adequados a uma tão grande proteção, “nada me falta”, “não temerei”, sente-se acompanhado pela “bondade e a graça”, como dois anjos protetores, e compromete-se a viver na “casa do Senhor para todo o sempre”.
O texto da carta aos efésios é o anúncio da realização da promessa de Jeremias e a concretização da paz e segurança que proclama o salmo.
Paulo recorda aos efésios que em Cristo há unidade e não divisão. Se antes de conhecerem Cristo havia circuncisos e incircuncisos, havia os de perto e os de longe, agora, em Cristo há um só povo, um só corpo, porque pelo sangue de Cristo foi destruído o muro da inimizade, foi realizada a promessa destinada a todos, que de todos, judeus e pagãos, constituiu um só povo e criou um homem novo que vive na paz, os que “estáveis longe” e os que “estavam perto”. Agora, uns e outros, têm acesso ao Pai e vivem em paz porque já não são dois, mas um só povo.
Como dissemos no domingo anterior, após o envio dos apóstolos, Marcos, narra a morte de João batista e com ela o fim da sua missão. A liturgia guarda esse relato para outra ocasião e segue, este domingo com o texto do regresso dos apóstolos a Jesus.
Após a missão os “doze” são chamados de apóstolos, porque agora são os “enviados” e entraram no seguimento da missão de Jesus. Ao regressarem eles “contaram-Lhe tudo”, naturalmente o bom e o mau, os sucessos e insucessos, as alegrias e os desalentos. Voltar para junto de Jesus significa, também, que a missão é de Jesus em primeiro lugar, nele começa e nele acaba e aqueles que ele envia devem dar-lhe contas do que realizaram, para não ser perderem dele, para não ficarem agarrados aos lugares nem às pessoas aonde foram enviados.
Jesus convida, então, o grupo de enviados a descansar. Vir a Jesus significa sempre descanso, alívio, recuperar de forças. O descanso proposto num lugar isolado, mais do que um lugar físico, é um estar com Jesus. É no barco, que eles estão na intimidade, a sós, com Jesus e é ali que eles descansam.
No final do texto abre-se a cena seguinte, da multiplicação dos pães, com a chegada de Jesus e dos discípulos a terra. A multidão que chegou primeiro, provoca em Jesus sentimentos de compaixão, porque “eram como ovelhas sem pastor”. Exatamente como o povo referido na primeira leitura, que, por causa dos chefes que não agiam como pastores, andavam perdidos e dispersos.
Jesus é o pastor prometido, o messias, “farei surgir para David um rebento justo. Será um verdadeiro rei e governará com sabedoria”, por isso, se senta a cuidar das ovelhas com a sua palavra e com o pão repartido.
Meditação da Palavra
O evangelho apresenta Jesus nos sentimentos mais profundos da compaixão, em primeiro lugar pelos discípulos regressados da missão e a precisarem de descanso e depois pelas pessoas, formando uma multidão, que acorrem a ele como ovelhas sem pastor.
Desta forma, Marcos adianta que, aquele Jesus que já conhecemos como sendo o Filho de Deus, é também o “rebento justo”, descendente de David, prometido por Deus para os tempos messiânicos, como “um verdadeiro rei” que “governará com sabedoria”, exercendo “no país o direito e a justiça”. O mesmo que, como profetizava Jeremias, salva Judá e dá segurança a Israel.
Conscientes de que a missão que receberam começa e termina em Jesus, e compreendendo que, misturados na multidão de gente, “havia sempre tanta gente a chegar e a partir que eles nem tinham tempo de comer”, se podiam perder do essencial, seduzidos por um ativismo sem alma ou pela ilusão do êxito alcançado, os doze, agora chamados apóstolos, regressam para intimidade de Jesus. Ele é o verdadeiro descanso para as almas, o lugar onde recuperam forças os que andam cansados, assim como recuperam do desalento os que sentiram o poder esmagador do fracasso.
Junto de Jesus contam tudo o que experienciaram, sem deixar nada, do bom ou do mau, por iluminar diante do olhar de Jesus. No diálogo com o mestre aprendem os verdadeiros sentimentos do pastor que dá a vida pelas suas ovelhas, sempre disponível e sempre pronto para se oferecer pela unidade do seu rebanho e atraindo novas ovelhas para o redil.
É no barco, navegando lentamente ao redor do lago da Galileia, que se dá o encontro a sós com Jesus. O tempo é pouco, mas suficiente para recomeçar. Diante deles está uma multidão. São as pessoas do tempo de Jesus, iguais às de hoje e semelhantes às do tempo de Jeremias. Todas, umas e outras, vivem uma experiência de abandono, andam perdidas e tresmalhadas, “como ovelhas sem pastor”, por causa dos chefes que não sabem apascentar e vivem centrados em si próprios e nos seus interesses e problemas.
Agora, porém, o Messias anunciado, está ali para as cuidar ensinando demoradamente e repartindo o pão por todos, a fim de que recuperem as forças do corpo e da alma. Também hoje Jesus se torna presente e disponível para acolher, ensinar e cuidar todos os que, desalentados, se sentem como ovelhas perdidas, filhos pródigos, ou pecadores marginalizados.
É através da missão dos apóstolos de hoje, aqueles que ele chama a si e envia ao mundo, que Jesus continua a cuidar, para que ninguém ande perdido, disperso, tresmalhado e todos recebam o pedaço de pão que lhes corresponde na partilha espiritual da vida renovada na cruz de Jesus.
É através dos pastores que hoje servem a Igreja, padres e muitos leigos, homens e mulheres que vivem segundo o coração misericordioso do Pai, que Deus, faz de todos um só povo, como recorda Paulo na carta aos efésios. De facto, antes havia incircuncisos e circuncisos, havia judeus e pagãos, uns estavam longe e outros pertos, uns tinham a lei de Moisés e outros não tinham lei. Agora, porém, pela cruz, “graças ao sangue de Cristo”, “pela imolação do seu corpo”, “pela cruz”, fomos todos reconciliados com Deus, somos todos “um só homem novo”, formamos todos “judeus e gregos um só povo”, “reunidos num só corpo”. Podemos viver todos em paz porque ele “derrubou o muro da inimizade” que nos separava, anulou a lei e estabeleceu a paz. Agora, como um único povo, todos podemos “aproximar-nos do Pai, num só Espírito”.
Nesta altura do ano, é importante que todos aqueles que trabalham habitualmente na missão evangelizadora da Igreja, padres, diáconos, leigos, jovens e adultos, todos, encontrem tempo para estar com Jesus, mesmo deixando algumas tarefas habituais por fazer, e descansar para recuperar as forças e o entusiasmo pela missão.
Rezar a Palavra
Quanta riqueza se esconde no mistério da tua cruz, Senhor, e no teu sangue derramado. Em ti e no mistério da tua compaixão por nós renovam-se todas as coisas. Principalmente nós, os homens, com tantas inimizades, tantos interesses próprios, que nos impedem a verdadeira fraternidade, o verdadeiro amor, a vida partilhada que eleva os homens à mesma dignidade. Por isso, vivemos com inimizades, indiferenças, distanciamentos, desconfianças, muros que nos separam e impedem a paz e não permitem o descanso interior. Em ti, Senhor, encontramos o evangelho vivo que nos reconcilia com Deus, nos faz irmãos, membros do único povo que tem o mesmo Pai. Senhor, Jesus, pastor de Israel, rebento novo da casa de David, dá-nos a tua paz. Sê tu a nossa segurança. Sê o lugar do nosso descanso.
Compromisso semanal
Vou a Jesus e encontro nele o meu descanso e a minha paz.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. E que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários – ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 21 de Julho
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/07/santos-do-dia-da-igreja-catolica-21-de-julho/>]
São Lourenço de Brindisi
Geralmente, as chamadas “crianças superdotadas”, aquelas que demonstram um dom excepcional para alguma especialidade, quando crescem, parecem “perder os poderes” e nivelam-se com as demais pessoas. São poucas as exceções que merecem ser recordadas. Mas, com certeza, uma delas foi Júlio César Russo, que nasceu no dia 22 de julho de 1559, em Brindisi, na Itália.
Seu nome de batismo mostrava, claramente, a ambição dos pais, que esperavam para ele um futuro brilhante, como o do grande general romano. Realmente, anos depois, lá estava ele à frente das forças cristãs lutando contra a invasão dos turcos muçulmanos, que ameaçava chegar ao coração da Europa depois de ter dominado a Hungria. Só que não empunhava uma espada, mas sim uma cruz de madeira. Nessa ocasião, já vestia o hábito franciscano, respondia pelo nome de Lourenço e era o capelão da tropa, além de conselheiro do chefe do exército romano, Filipe Emanuel de Lorena.
Vejamos como tudo aconteceu. Aos seis anos de idade, o então menino Júlio César encantava a todos com o extraordinário dom de memorizar as páginas de livros, em poucos minutos, para depois declamá-las em público. E cresceu assim, brilhante nos estudos. Quando ficou órfão, aos quatorze anos de idade, foi acolhido por um tio, que residia em Veneza. Nessa megalópole, pôde desenvolver muito mais os seus talentos para os estudos.
Mas a religião o atraia de forma irresistível. Dois anos após chegar a Veneza, ele atendeu ao chamado e ingressou na Ordem dos Frades Menores de São Francisco de Assis. Em seguida, juntou-se aos capuchinhos de Verona, onde recebeu a ordenação e assumiu o novo nome, em 1582. Depois, completou sua formação na Universidade de Pádua. Voltou para Veneza em 1586, como professor dos noviços da Ordem, sempre evidenciando os mesmos dotes da infância.
Tornou-se especialista em línguas e sua erudição levou-o a ocupar altos postos em sua Ordem e também a serviço do sumo pontífice. Foi provincial em Toscana, Veneza, Gênova e Suíça e comissário no Tirol e na Baviera, pregando firmemente a ortodoxia católica contra a Reforma Protestante, além de animar as autoridades e o povo na luta contra a dominação dos turcos muçulmanos. Lourenço foi, mesmo, o superior-geral da sua própria Ordem e embaixador do papa Paulo V, com a missão de intermediar príncipes e reis em conflito.
Lourenço de Brindisi morreu no dia do seu aniversário, em 1619, durante sua segunda viagem à Península Ibérica, na cidade de Lisboa, em Portugal. Foi canonizado em 1881 e recebeu o título de doutor da Igreja em 1959, outorgado pelo papa João XXIII. A sua festa é celebrada um dia antes do aniversário de sua morte, dia 21 de julho.
Irmã Dolores Baldi
Ser missionária era seu sonho. E este sonho ela o realizou no Brasil. Em outubro de 1931, deixou a Itália e veio viver a aventura missionária em nosso país.
Quero falar-lhes de irmã Dolores Baldi, primeira missionária da Congregação das Irmãs Paulinas. Ela não era, nem é ainda, muito conhecida, contudo foi o instrumento dócil e forte nas mãos de Deus e a mola propulsora que fez acontecer, no Brasil, a instituição e todas as obras das Irmãs Paulinas.
A Congregação das Irmãs Paulinas foi fundada pelo padre Tiago Alberione com a colaboração de irmã Tecla Merlo, em 1915, na Itália, e teve, no Brasil, sua primeira expansão no exterior. E irmã Dolores Baldi foi a escolhida para iniciá-la. Quem foi irmã Dolores Baldi? Ela mesma nos conta sua história:
“Não conheci minha mãe. Ela morreu dois meses depois de me haver dado a luz. Fui confiada aos cuidados de uma ama, que me amamentou, de meu pai e de minha irmã mais velha, então com quinze anos. Éramos cinco irmãos: três mulheres e dois homens.
Cresci num ambiente familiar unido, cristão, sereno e alegre. Aos doze anos, porém, após breve tempo de doença, meu pai faleceu e, logo depois, minha irmã, vítima de uma epidemia. E como minha outra irmã já havia se casado coube a mim os deveres de uma dona-de-casa: comprar, vender e cuidar de meus dois irmãos.
Aos quatorze anos, comecei a sentir o desejo de ser missionária, para dedicar-me à catequese. Aos dezessete anos, esse apelo se tornou mais forte. Falei com meu pároco e ele me aconselhou a pensar melhor e entregar o meu futuro nas mãos de Deus. Ele saberia abrir-me o caminho missionário. Com o casamento de meu irmão, pensei que estivesse livre, mas com a morte prematura de minha cunhada tive de cuidar de meus dois sobrinhos pequenos.
Após um ano, a convite de meu pároco, participei de um retiro orientado pelo padre Tiago Alberione. Entusiasmei-me com a espiritualidade e missão da Família Paulina, conversei com padre Alberione, que me aconselhou a entrar na Congregação, ainda não aprovada, mas já em plena atividade. Ingressei, sempre, porém, com o desejo de ir às missões. Esperançosa de um dia ser missionária, como me prometiam, comecei o noviciado. E antes mesmo de professar os votos religiosos a superiora me chamou e disse que o fundador havia me destinado para a missão no Brasil. Apesar de algumas preocupações, vibrei de alegria. Tinha, então, vinte e um anos. Comigo iriam uma irmã das Discípulas do Divino Mestre e um seminarista dos Paulinos.
No dia 6 de outubro de 1931, diante dos fundadores e de minha formadora, pronunciei a fórmula da profissão religiosa prometendo, com a ajuda divina, entregar-me a Deus e à missão conforme o carisma paulino. Foi então que recebi o nome de Dolores, pois o meu nome de batismo era Tersila. Entregando-me o livro do Evangelho, um crucifixo e um terço, o fundador deu-me as últimas recomendações: “Nossa Senhora das Dores, ao pé da cruz, colaborou para a salvação de todas as pessoas. Santifica-te e os brasileiros se santificarão. O arcebispo de São Paulo não quer as Paulinas. Vocês fiquem escondidas por algum tempo, vistam-se de branco ou de vermelho – isso não tem importância – e esperem”.
Esse foi o início de uma caminhada de mais de setenta anos no Brasil, vivendo e partilhando, na Igreja local, uma evangelização inculturada a serviço do Evangelho e com os meios de comunicação social.
Em 1966, quando a Congregação das Irmãs Paulinas no Brasil já contava com duas centenas de membros, muitas obras iniciadas, muitas casas construídas, irmã Dolores foi chamada para a Itália e mais tarde para Portugal, deixando em todos os lugares sua marca de missionária exemplar.
Em 1976, a pedido das irmãs brasileiras, ela voltou ao Brasil, dedicando-se, então, não mais à direção da província, mas às atividades comuns nas comunidades. Mais tarde, transferiu-se para a casa das irmãs idosas, dedicando-se a pequenas tarefas. Em todo lugar e sempre, irmã Dolores foi exemplo de oração, entusiasmo apostólico, humildade e acolhimento. Sempre atenta, participava e alegrava-se com os progressos na missão.
Por ocasião dos sessenta anos de consagração a Deus, entre outras coisas dizia:
“Os fundadores me entregaram o que tinham de mais precioso: o Evangelho, o crucifixo e o terço. Os fundamentos foram sólidos e minha tarefa era construir com simplicidade e aos poucos, com erros e falhas, mas sem desanimar, na obediência e com amor. A semente foi lançada no Brasil, brotou e cresceu pela sua força íntima que é Deus.
Após breves dias hospitalizada, com oitenta e nove anos, no dia 21 de julho de 1999, transferiu-se para a casa do Pai Celeste a fim de continuar intercedendo por nós e apostando na eficácia da missão de anunciar o Evangelho com os meios de comunicação social.
Irmã Dolores tinha um carisma pessoal, uma personalidade forte e caráter marcante. Seu modo de ser e de viver traçou o estilo de vida e de missão de muitas pessoas. Abriu caminhos novos, com fé e coragem, para uma geração que viria mais tarde.
Um dos centros da missão das irmãs Paulinas traz com muita gratidão o nome “Casa Irmã Dolores Baldi”. Ela está aí, apontando para todos sua norma de vida missionária: “Confiança absoluta em Deus e ir em frente com coragem”.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 21 de Julho de 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Cor 6, 19-20
Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus? Não vos pertenceis a vós mesmos: fostes resgatados por grande preço. Glorificai a Deus no vosso corpo.
V. A minha alma suspira pelos átrios do Senhor,
R. O meu coração e a minha carne exultam no Deus vivo
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Deut 10, 12
Agora, Israel, que te pede o Senhor teu Deus? Que respeites o Senhor teu Deus, que sigas todos os seus caminhos, que O ames e sirvas com todo o teu coração e com toda a tua alma.
V. Quem habitará, Senhor, no vosso santuário?
R. O que vive sem mancha e diz a verdade que tem no coração.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Cant 8, 6b-7
O amor é forte como a morte, e a paixão é violenta como o abismo. É uma chama ardente, um fogo divino. As águas torrenciais não conseguem apagar o amor, nem os rios o podem submergir.
V. Eu Vos amo, Senhor, minha fortaleza,
R. Meu protetor, minha defesa e meu salvador.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Hebr 12, 22-24
Vós aproximastes-vos do monte Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celeste, de muitos milhares de Anjos em reunião festiva; de uma assembleia dos primogénitos cujos nomes estão inscritos no Céu; de Deus, juiz do universo; dos espíritos dos justos que atingiram a perfeição; de Jesus, Mediador da Nova Aliança, e do Sangue de aspersão que fala mais eloquentemente que o sangue de Abel.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
V. Infinita é a sua sabedoria
R. Admirável é o seu poder.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
