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25 de dezembro de 2025Eis os significados do vocábulo desinteligência <Desinteligência – Dicio, Dicionário Online de Português>: substantivo feminino: Falta de concordância entre opiniões; falta de acordo entre pontos de vista; desentendimento.
[Por Extensão] Sem amizade; que apresenta hostilidade; malquerença.
Desprovido de inteligência; sem inteligência.
Etimologia (origem da palavra desinteligência). Des + inteligência.
Sinônimos de Desinteligência
Desinteligência é sinônimo de: desunião, divergência, desavença, dissídio, inimizade, atrito, quizília.
Antônimos de Desinteligência
Desinteligência é o contrário de: entendimento, concordância, acordo, aliança, concórdia.
Grandes e proveitosas lições podem ser extraídas da meditação a respeito de tais significados. Senti-me estimulado a me debruçar sobre esse termo a partir de uma afirmação de minha esposa em uma conversa familiar.
No referido diálogo ela revelou aos filhos que eu a havia feito entender ser melhor manter uma auxiliar doméstica mediana, que execute as tarefas básicas, ainda que não com tanta maestria, do que ficar desprovida de tal auxílio, tentando encontrar alguém que execute as tarefas com excelência e nesse meio tempo se vendo na contingência de ter que fazer sozinha todo o trabalho…
Ouvir tal comentário gerou para mim um lampejo de esperança: a de passar a conviver em harmonia no relacionamento conjugal, após mais de três décadas de convivência conflituosa, repleta de desinteligências de diversos matizes – algumas de intensidade tão expressiva que levaram a várias tentativas de separação, superadas por algo maior que sempre nos uniu; outras corriqueiras, geradas por motivos insignificantes…
Me chamou especial atenção o significado por extensão do termo desinteligência: “Desprovido de inteligência; sem inteligência.” Me causa rubor o quanto é verdadeira essa sentença, o quão falto de inteligência, o quão insensato fui ao longo de todo esse tempo…
Passei então, na convivência conjugal, a centrar os esforços em gerar o mesmo efeito relatado por minha esposa no referido diálogo familiar: fazer entender. Passei a dialogar, argumentar, persistir pacientemente – com a consciência de que gerar a compreensão é uma etapa imprescindível, que não pode ser “pulada” – ao invés de querer impor o meu entendimento, ou ficar indignado com a “lentidão mental” da outra pessoa em perceber o que para mim é óbvio… Com o tempo fui compreendendo que também eu tenho, muitas vezes, dificuldades em compreender obviedades que outros perceberam de pronto…
Essa dedicação, o cultivo de atitudes que corroborem para a geração de efeitos contrários aos da desinteligência, quais sejam: de entendimento, concordância, acordo, aliança, concórdia… consiste em um investimento de grande proveito. É o que cabe ser feito – cultivar tais atitudes – até que brote a compreensão desejada. E no decorrer desse processo a compreensão inicial de quem se propõe a contribuir para a compreensão do outro pode evoluir também, fruto do diálogo, da interação “parlamentar” entre ambos…
Mas o que fazer quando o entendimento de um é na direção X e o do outro na oposta? Um ponto importante é manter a serenidade, a partir da consciência de que as pessoas são diferentes e podem ter pontos de vista distintos, não sendo necessariamente por má vontade ou outros motivos pejorativos…
O que ocorre nesse sentido em relacionamentos familiares também pode ocorrer em níveis mais amplos – e certamente o sucesso nas interações íntimas corroboram decisivamente para que os níveis de concórdia se tornem mais elevados nas interações em outros grupos sociais. Se o padrão conflituoso for superado no micro, com muito mais facilidade o será no macro…
Quiçá essas reflexões possam vir a corroborar para a paz entre muitos, à medida que mais e mais pessoas passem a atuar com a consciência de que desinteligências com os circunstantes se constituem fruto de falta de inteligência, sinal de que as coisas não estão sendo bem conduzidas. Cumpre superar a ilusão de que, via de regra, “os outros estão erradas e eu estou certo.”
As Sagradas Escrituras são pródigas em ensinamentos que concitam à busca da sabedoria e da concórdia, alertando sobre as consequências de sua falta: (…) meu povo se perde por falta de conhecimento (Oséias 4,6); O povo insensato lança-se à perdição! (Oséias 4,14).
Em que pese todo o acima exposto revestir-se de profundo e valioso sentido, cumpre ressalvar que nem sempre o entendimento é possível, cumprindo discernir entre pontos de vista diversos (maneiras diferentes de entender as coisas) e concepções equivocadas (erros de apreciação, enganos, confusões, desatinos, disparates….).
Santo Tomás de Aquino ensina: “Não se opor ao erro é aprová-lo, e não defender a verdade é negá-la; e a nossa negligência em defender a verdade, quando podemos fazê-lo, é tão pecado quanto incentivar o erro.”
Portanto, quando se identifica algo errôneo cumpre, sim, combater, porém com discernimento para fazê-lo de modo assertivo, pois em muitos casos pode ocorrer que esse combate, ao invés de resolver, agrave ainda mais o problema.
O mesmo Santo Tomás inspira-nos a bem discernir com palavras que, assim o reputo, podem ser classificadas como oração para aprimorar o discernimento: “Dê-me, Senhor, agudeza para entender, capacidade para reter, método e faculdade para aprender, sutileza para interpretar, graça e abundância para falar. Dê-me, Senhor, acerto ao começar, direção ao progredir e perfeição ao concluir.”
Amém!
