“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 23 DE OUTUBRO DE 2026
24 de outubro de 2026Domingo XXX do Tempo Comum (Ano A)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Início do Livro da Sabedoria 1, 1–15
Louvor da Sabedoria de Deus
Amai a justiça, vós que governais a terra,
tende para com o Senhor sentimentos perfeitos
e procurai-O com simplicidade de coração;
porque Ele deixa-Se encontrar pelos que não O tentam
e revela-Se aos que n’Ele confiam.
Os pensamentos perversos afastam de Deus,
e o Omnipotente, posto à prova, confunde os insensatos.
A sabedoria não entra numa alma maliciosa,
nem habita num corpo sujeito ao pecado.
Porque o espírito sagrado, nosso educador, foge da hipocrisia,
afasta-se dos pensamentos insensatos
e retira-se quando chega a iniquidade.
A sabedoria é um espírito amigo dos homens,
mas não deixa sem castigo as palavras do blasfemo;
porque Deus é testemunha dos seus pensamentos,
observa o mais íntimo do seu coração e ouve as suas palavras.
Porque o espírito do Senhor enche o universo;
ele, que abrange todas as coisas, sabe tudo o que se diz.
Por isso aquele que profere palavras iníquas
não poderá esconder-se nem fugir à justiça vingadora.
Os pensamentos do ímpio serão examinados
e o eco das suas palavras chegará ao Senhor,
para castigo dos seus pecados.
Porque o ouvido ciumento ouve tudo
e o rumor das murmurações não lhe passa despercebido.
Acautelai-vos das murmurações inúteis
e guardai a vossa língua da maledicência,
porque a palavra mais secreta não ficará sem castigo
e a boca mentirosa mata a alma.
Não procureis a morte com a vossa vida desregrada,
nem provoqueis a ruína com as obras das vossas mãos.
Não foi Deus quem fez a morte,
nem Ele Se alegra com a perdição dos vivos.
Tudo criou para que subsista
e são salutares as criaturas do mundo.
Não há nelas veneno de morte,
nem o poder do Abismo reina sobre a terra,
porque a justiça é imortal.
RESPONSÓRIO Prov 3, 13a.15a.17; Tg 3, 17
R. Feliz o homem que encontrou a sabedoria: ela é mais preciosa do que as pérolas. * Os seus caminhos são agradáveis e as suas sendas são de paz.
V. A sabedoria que vem do alto é pura, pacífica, compreensiva, cheia de misericórdia e de boas obras. * Os seus caminhos são agradáveis e as suas sendas são de paz.
SEGUNDA LEITURA
Da Carta de São Clemente I, papa, aos Coríntios
(Cap. 19, 2 – 20, 12: Funk 1, 87-89) (Sec. I)
Providenciando o bem de todos,
Deus ordena o mundo em harmonia e concórdia
Fixemos atentamente o nosso olhar no Pai e Criador do universo e reconheçamos gratamente os seus magníficos dons de paz e todos os seus incomparáveis benefícios. Contemplemo-l’O com o nosso pensamento e vejamos com os olhos da alma a magnanimidade dos seus desígnios; consideremos como é grande a sua benignidade para com todas as criaturas.
Os céus obedecem-Lhe em seus movimentos, com ordem e paz; o dia e a noite completam o curso por Ele estabelecido sem qualquer conflito; o sol e a lua bem como as constelações das estrelas mantêm-se nas órbitas por Ele assinaladas, sem qualquer erro e em perfeita harmonia. A terra fecunda, dócil à sua vontade, produz com abundância nas estações favoráveis o alimento para os homens, para as feras e para todos os seres vivos que nela habitam, sem transgredir nem alterar a ordem por Ele estabelecida.
Obedecem também às suas leis os abismos profundos e impenetráveis do mundo subterrâneo. A imensa vastidão do mar, concentrada em seu leito pela Sabedoria criadora, não ultrapassa os limites que lhe foram assinalados, observando o que Deus lhe ordenou. Disse Ele ao mar: Chegarás até aqui e não irás mais além; aqui se quebrarão as tuas vagas. O oceano que os homens não podem atravessar e os outros mundos que se encontram para além dele são governados pelas mesmas ordens do Senhor.
As estações da Primavera, Verão, Outono e Inverno sucedem-se harmoniosamente umas às outras. Os ventos executam, livres de qualquer impedimento, a sua própria função em tempos determinados. Igualmente as fontes inesgotáveis, destinadas ao bem-estar e à saúde, fornecem continuamente a abundância das suas águas para sustentar a vida humana. Também os mais pequeninos animais cooperam mutuamente em paz e concórdia.
Tudo isto é obra do Senhor, criador do mundo, que dispôs todas as coisas em paz e concórdia, comunicando os seus bens a todas as criaturas, mas com maior abundância a nós que recorremos à sua misericórdia por Nosso Senhor Jesus Cristo. A Ele a honra e a glória pelos séculos dos séculos. Amen.
RESPONSÓRIO cf. Judite 9, 12; 6, 19a
R. Senhor do céu e da terra, Criador das águas, Rei de toda a criação. * Escutai a oração dos vossos servos.
V. Senhor Deus, Rei do céu e da terra, vede a humilhação do vosso povo. * Escutai a oração dos vossos servos.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
¶ Esta última parte pode omitir-se.
Ou (em língua latina):
Te Deum laudámus, * te Dóminum confitémur.
Te aetérnum Patrem * omnis terra venerátur.
Tibi omnes ángeli, * tibi caeli et univérsae potestátes,
tibi chérubim et séraphim * incessábili voce proclámant:
Sanctus, * Sanctus, * Sanctus * Dóminus Deus Sábaoth.
Pleni sunt caeli et terra * maiestátis glóriae tuae.
Te gloriósus * Apostolórum chorus,
te prophetárum * laudábilis númerus,
te mártyrum candidátus * laudat exércitus,
Te per orbem terrárum * sancta confitétur Ecclésia,
Patrem * imménsae maiestátis;
venerándum tuum verum * et únicum Fílium;
Sanctum quoque * Paráclitum Spíritum.
Tu rex glóriae, * Christe.
Tu Patris * sempitérnus es Fílius.
Tu, ad liberándum susceptúrus hóminem, *
non horruísti Vírginis úterum.
Tu, devícto mortis acúleo, *
aperuísti credéntibus regna caelórum.
Tu ad déxteram Dei sedes, * in glória Patris.
Iudex créderis * esse ventúrus.
Te ergo, quaésumus, tuis fámulis súbveni, *
quos pretióso sánguine redemísti.
Aetérna fac cum sanctis tuis * in glória numerári.
¶ Salvum fac pópulum tuum, Dómine, *
et bénedic haereditáti tuae.
Et rege eos * et extólle illos usque in aetérnum.
Per síngulos dies * benedícimus te;
et laudámus nomen tuum in saéculum, *
et in saéculum saéculi.
Dignáre, Dómine, die isto * sine peccáto nos custodíre.
Miserére nostri, Dómine, * miserére nostri.
Fiat misericórdia tua, Dómine, super nos, *
quemádmodum sperávimus, in te.
In te, Dómine, sperávi, * non cónfúndar in aetérnum.
¶ Esta última parte pode omitir-se.
Oração
Deus eterno e omnipotente, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade; e para merecermos alcançar o que prometeis, fazei-nos amar o que mandais. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
Ez 36, 25-27
Derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de todas as imundícies; purificar-vos-ei de todos os vossos deuses. Dar-vos-ei um coração novo e infundirei em vós um espírito novo; arrancarei do vosso peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Infundirei em vós o meu espírito e farei que vivais segundo os meus preceitos, que observeis e ponhais em prática as minhas leis.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
V. Anunciamos as vossas maravilhas.
R. E invocamos o vosso nome.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-xxx-do-tempo-comum-ano-a-2/>]
Domingo XXX do Tempo Comum (Ano A)
O amor não distingue, abraça
Distinguir para classificar entre o que se ama e o que se despreza, é uma grande tentação que atravessa a história. Distingue-se entre homens e mulheres, bons e maus, ricos e pobres, amigos e inimigos, numa lista que não termina, carregada de efeitos secundários.
O amor não distingue. O amor não tem efeitos secundários. O amor abraça e aproxima. Conhecido pelo amor nada é estranho, ninguém é diferente, todos são amáveis. Aproximar no amor para abraçar e transformar em amigos os que se têm por inimigos.
O milagre do amor a Deus transforma em amáveis todos e tudo o que pertence a Deus.
LEITURA I Ex 22, 20-26
Eis o que diz o Senhor:
«Não prejudicarás o estrangeiro, nem o oprimirás,
porque vós próprios fostes estrangeiros na terra do Egito.
Não maltratarás a viúva nem o órfão.
Se lhes fizeres algum mal e eles clamarem por Mim,
escutarei o seu clamor;
inflamar-se-á a minha indignação
e matar-vos-ei ao fio da espada.
As vossas mulheres ficarão viúvas, e órfãos os vossos filhos.
Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo,
ao pobre que vive junto de ti,
não procederás com ele como um usurário,
sobrecarregando-o com juros.
Se receberes como penhor a capa do teu próximo,
terás de lha devolver até ao pôr do sol,
pois é tudo o que ele tem para se cobrir,
é o vestuário com que cobre o seu corpo.
Com que dormiria ele?
Se ele Me invocar, escutá-lo-ei,
porque sou misericordioso».
Prejudicar o estrangeiro, maltratar a viúva e o órfão e tirar partido da necessidade dos mais desprotegidos, significa atrair para si a ira de Deus que, por ser misericordioso, se coloca sempre do lado dos mais fracos.
Salmo responsorial Sl 17 (18), 2-3.7.47.51ab (R. 2)
O rei louva o Senhor reconhecendo que ele é a sua força, a sua fortaleza e refúgio. O Senhor é o seu auxílio e protetor em todas as circunstâncias. Por isso, pode invocar o Senhor nas suas aflições porque Deus escuta. Com o auxílio do Senhor a vitória do rei pode ser cantada.
LEITURA II 1Ts 1, 5c-10
Irmãos:
Vós sabeis como procedemos no meio de vós, para vosso bem.
Tornastes-vos imitadores nossos e do Senhor,
recebendo a palavra no meio de muitas tribulações,
com a alegria do Espírito Santo;
e assim vos tornastes exemplo
para todos os crentes da Macedónia e da Acaia.
Porque, partindo de vós, a palavra de Deus ressoou
não só na Macedónia e na Acaia,
mas em toda a parte se divulgou a vossa fé em Deus,
de modo que não precisamos de falar sobre ela.
De facto, são eles próprios que relatam
o acolhimento que tivemos junto de vós
e como dos ídolos vos convertestes a Deus,
para servir ao Deus vivo e verdadeiro
e esperar dos Céus o seu Filho,
a quem ressuscitou dos mortos:
Jesus, que nos livrará da ira que há de vir.
O exemplo dos tessalonicenses espalhou-se por toda a parte. O seu exemplo consiste em acolher a palavra com alegria e permanecer nela apesar de viverem momentos de tribulação. Agora todos falam da forma como eles se converteram e servem o Senhor.
EVANGELHO Mt 22, 34-40
Naquele tempo,
os fariseus, ouvindo dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus,
reuniram-se em grupo,
e um doutor da Lei perguntou a Jesus, para O experimentar:
«Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?».
Jesus respondeu:
«‘Amarás o Senhor, teu Deus,
com todo o teu coração, com toda a tua alma
e com todo o teu espírito’.
Este é o maior e o primeiro mandamento.
O segundo, porém, é semelhante a este:
‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’.
Nestes dois mandamentos se resumem
toda a Lei e os Profetas».
Jesus dedica-se a ensinar a partir das armadilhas em que saduceus e fariseus o querem apanhar. Hoje a questão é sobre o maior mandamento. Para Jesus, amar a Deus significa amar-se a si mesmo e amar na mesma medida de dignidade a todos, sem distinção de pessoas.
Reflexão da Palavra
No contexto da Aliança do Sinai, Moisés recebe de Deus os dez mandamentos, acontecimento que o livro do êxodo apresenta no capítulo 19 e início do capítulo 20. A partir do versículo 22 do capítulo 20, tem início o chamado Código da Aliança que se prolonga até ao capítulo 25, onde inicia o Código Sacerdotal. Do Código da Aliança fazem parte uma série de leis que regulam o culto, a propriedade, as relações entre os israelitas e com outras pessoas não israelitas, como podem ser os escravos e os estrangeiros.
O texto da primeira leitura faz parte deste Código da Aliança e diz respeito às relações sociais. Em concreto, trata-se de proteger três classes de pessoas: os estrangeiros, as viúvas e os órfãos, considerados os menos privilegiados de todos e incentivar a hospitalidade no povo de Deus. Para isso, serve-se de vários argumentos: no primeiro, relativamente aos estrangeiros, refugiados, fugitivos de conflitos e guerras, ou da fome, o argumento é este “vós próprios fostes estrangeiros na terra do Egito”; no segundo, relativo às viúvas e aos órfãos, o argumento usado diz “se lhes fizeres algum mal… inflamar-se-á a minha indignação”; e no terceiro, a favor dos desprotegidos e contra o aproveitamento dos mais favorecidos, exige-se não cobrar juros pelo dinheiro emprestado nem guardar como caução aquilo que lhe é necessário para sobreviver, como pode ser a capa com que se protege do frio durante a noite, porque “se ele Me invocar, escutá-lo-ei, porque sou misericordioso”.
O salmo 18, tal como aparece no texto desta liturgia, reúne os versículos da introdução ao salmo (v. 2 e 3), o versículo 7 que faz parte da descrição do primeiro quadro onde o autor revela os perigos de que está rodeado, sendo neste o versículo que se revela também a sua atitude diante de Deus que o atende, e no final surgem os versículos 47 e 51, precisamente o início e o fim da doxologia com que o autor termina o salmo.
Deus é força, fortaleza, auxílio, protetor, defesa e salvador para todo aquele que se encontra em aflição. Ele é um Deus que escuta o pobre, o fraco, o que é maltratado pela sorte ou pelos inimigos. Perante o auxílio recebido, o homem, neste caso o rei, exalta e bendiz o Senhor pela vitória obtida.
Depois de uma pequena saudação de introdução, Paulo, na carta que escreve aos cristãos de Tessalónica, continua a elogiar aquela comunidade pela fé demonstrada e conhecida por todos.
Paulo elogia em primeiro lugar a forma como eles acolheram a palavra. Foi com alegria, uma alegria que vem do Espírito e que permanece neles, apesar de terem recebido o evangelho no meio de tribulações. Foi essa também a experiência de Paulo, Silvano e Timóteo e de todos os que acolheram e anunciam o evangelho, dos quais eles se tornaram imitadores.
A forma como receberam e vivem o evangelho tornou-os missionários e fez deles exemplo “para todos”, de modo que a palavra, “partindo de vós”, “ressoou… em toda a parte” e, agora, já não precisam de falar da sua fé, porque todos falam de como os tessalonicenses se converteram. Uma conversão que se revela no serviço “ao Deus vivo e verdadeiro” e na esperança, pois esperam “Jesus, que nos livrará da ira que há de vir”.
No evangelho, Mateus, coloca Jesus perante os fariseus. O evangelho salta 10 versículos em relação ao escutado no domingo anterior. Nestes versículos, 22,23-33, os Saduceus que não acreditam na ressurreição, questionam Jesus sobre a vida depois da morte. Na sua resposta Jesus calou os saduceus. Por isso o evangelho deste domingo começa por fazer referência à passagem anterior.
É interessante perceber que os fariseus, juntamente com os príncipes dos sacerdotes e os anciãos não conseguiram calar Jesus, depois enviaram os seus discípulos com os herodianos e também não conseguiram apanhá-lo em falso, vieram os saduceus que ficaram sem resposta e, agora, os fariseus voltam de novo, mas trazem um escriba, conhecedor da lei, para debater com ele sobre os mandamentos.
A questão apresentada é simples: “qual é o maior mandamento da Lei?”. Não há mandamentos mais importantes que outros, e não há mandamentos que possam não ser cumpridos. No evangelho de Mateus já tinha ficado claro que Jesus não veio mudar a lei mas fazer com que se cumpra toda a lei (Mt 5,17-19). O escriba questiona sobre qual é o maior, quer dizer, o mandamento central, aquele que não pode ficar por cumprir.
A resposta de Jesus faz parte integrante do Shema (escuta Israel), “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito’”. Um amor com estas dimensões significa um amor que compreende a totalidade da pessoa, o afeto orientado para o amado, uma comunhão íntima com o amado, e o desejo de conhecer o amado.
Um amor nunca está só, por isso, Jesus acrescenta, não um segundo mandamento, mas o conteúdo do primeiro que pode ficar esquecido. Aquele que ama, ama o amado, ama-se a si no amado e ama todos aqueles que são amados pelo amado. Amar a Deus implica amar-se e amar do mesmo modo os que Deus ama, ou seja, o próximo, todos os homens, mesmo os estrangeiros e os inimigos.
Meditação da Palavra
Quando os discípulos dos fariseus chegaram junto de Jesus, disseram “sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem te deixares influenciar por ninguém, pois não fazes aceção de pessoas”. Está nesta afirmação a concentração do que define o amor: a sinceridade, a verdade, a retidão e a abertura a todos. Jesus é esta transparência no amor, tanto em palavras como em obras. Ninguém fica de fora e ninguém tem poder de o influenciar ao ponto de retirar a proximidade necessária ao amor.
Quando confrontado com a questão sobre qual é o maior mandamento, Jesus responde com a mesma frontalidade e liberdade de sempre. A frontalidade e liberdade que lhe vem da segurança do amor. Compreende os segredos dos mandamentos, dos preceitos, das normas e das leis, aquele que ama e não aquele que as estuda, porque percebe a origem e a função de todos os mandamentos, o amor.
Sem amor a lei é letra morta e torna-se veneno de consequências incalculáveis. Os efeitos secundários da lei sem amor são irreversíveis. Gera distinção de pessoas, permitem a falsidade, a mentira, a corrupção e a desconfiança. Produz distância entre as pessoas e classifica-as de acordo com o aspeto exterior e segundo a caraterística das circunstâncias. Aparecem os estrangeiros, as viúvas, os órfãos, os pagãos, os adversários, os inimigos, porque aparecem também os interesses pessoais, os critérios de grupo, as caraterísticas da classe social, as ideologias dominadoras e os poderes instituídos.
O amor não permite esta distinção porque abraça, não separa. O amor não tem efeitos secundários. O único efeito do amor é o próprio amor multiplicado.
A resposta de Jesus compreende o que está dito por Isaías na primeira leitura, Deus, o Amor, escuta o estrangeiro, a viúva, o órfão e o pobre e não permite situações de injustiça, de exclusão, ou de aproveitamento dos fracos.
O mandamento afirmado por Jesus como o maior “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito” abarca todas as realidades existenciais. Amar a Deus com todo o ser, não é amar um ser etéreo que não se vê e está longe e inacessível, mas é amar tudo o que pertence a Deus, todas as suas coisas e toda a sua família.
Jesus podia não ter afirmado a existência de um segundo mandamento, pois o primeiro já implica o segundo que fala do amor a si mesmo e do amor ao próximo. Quem ama a Deus com toda a verdade da sua alma, do seu coração, da sua inteligência, não pode não amar tudo o que Deus criou, particularmente a si mesmo e aos outros.
Pelo contrário, aquele que ama a Deus com todas as forças ama-se a si mesmo e ama todos os homens, pois todos são amados por Deus. Este amor ao próximo abraça todos os homens independentemente das suas condições, situação de vida, opções e critérios existenciais. Quem ama a Deus não faz distinção de pessoas, ama simplesmente, mesmo aquele que não é amável, porque ele é amado por Deus.
No primeiro mandamento está, pois, contido o segundo, como um só mandamento. A distinção que Jesus faz, previne a possibilidade inversa de amar o próximo sem amar a Deus. De facto, o amor a Deus inclui o amor ao próximo, mas o amor ao próximo pode excluir o amor a Deus.
O amor a Deus contém o amor ao próximo e o amor a si mesmo. Amar-se no amor de Deus e amar os outros no mesmo amor é não amar nada nem ninguém fora do amor a Deus, é a proposta de Jesus. Não se deixar enganar pela possibilidade estéril de amar sem o Amor.
Como podem amar, então, os descrentes? No mesmo amor de Deus que se manifesta e atua até naqueles que não creem. E o amor verdadeiro e sincero pode levar o descrente a um autêntico encontro com Deus através dos irmãos a quem ama sem distinções.
Amar a Deus significa estabelecer com ele um vínculo pessoal e emocional e cuidar desse vínculo assumindo a relação numa intimidade cada vez mais profunda. Amar o próximo é um desafio de reconhecer o outro como alguém igual a mim, com a mesma dignidade, os mesmos direitos e deveres, sem escolher quem pode ou não ser o meu próximo. O amor não pode ser uma imposição, mas uma atitude que brota do mais profundo do ser, da raiz da liberdade de estar ao dispor do outro para lhe proporcionar o que ele necessita e que sem o meu amor não consegue alcançar.
Foi assim que os tessalonicenses acolheram a palavra de Deus, como quem se abre a um amor maior e foi assim que acolheram Paulo, tendo em conta o que este diz na segunda leitura.
Rezar a Palavra
Antes de todas as coisas tu, Senhor, és o Amor criador. E assim te apresentas aos homens em cada aliança. Os teus mandamentos, os preceitos e leis brotam do teu coração como guia para os nossos caminhos. Perante os nossos passos mal andados não te afirmas castigando, mas falando ao coração. E a tua palavra transforma a nossa fraqueza em força, ilumina a nossa escuridão e dá sentido aos gestos com que cuidamos uns dos outros. Ensina-nos o verdadeiro amor, aquele no qual amamos em ti e nos sabemos infinitamente amados em cada entrega.
Compromisso semanal
Procuro o amor de Deus naqueles que não sabem amar, naqueles que não são amáveis e naqueles que não se deixam amar.
Rezo hoje com mais atenção e vigio sobre as minhas atitudes para não me perder.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://franciscanos.org.br/vidacrista/santo-do-dia/#gsc.tab=0>]


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 25 DE OUTUBRO DE 2026
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 5, 1-2.5
Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
V. Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor
R. E para sempre proclamarei a sua fidelidade.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 26
O Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis.
V. A Vós, Senhor, se eleva a minha súplica:
R. Dai-me inteligência segundo a vossa palavra.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Cor 1, 21-22
Quem nos confirma em Cristo – a nós e a vós – é Deus. Foi Ele que nos concedeu a unção, nos marcou com um sinal e imprimiu em nossos corações o penhor do Espírito.
V. O Senhor é minha luz e salvação,
R. O Senhor é o protector da minha vida.
Oração
Deus eterno e omnipotente, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade; e para merecermos alcançar o que prometeis, fazei-nos amar o que mandais. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Tes 2, 13-14
Devemos continuamente dar graças a Deus por vós, irmãos amados por Deus, porque Deus vos escolheu como primícias para serdes salvos pelo Espírito que santifica e pela fé na verdade. Foi para isso que Ele vos chamou por meio do Evangelho, para possuirdes a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
V. Infinita é a sua sabedoria.
R. Admirável é o seu poder.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
