“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 1 DE NOVEMBRO DE 2026
1 de novembro de 2026“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 3 DE NOVEMBRO DE 2026
3 de novembro de 2026Fiéis defuntos
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios 15, 12-34
A ressurreição de Cristo, esperança dos fiéis
Irmãos: Se pregamos que Cristo ressuscitou dos mortos, porque dizem alguns no meio de vós que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, então a nossa pregação é inútil e também é inútil a vossa fé. E nós aparecemos como falsas testemunhas de Deus, porque damos testemunho contra Deus, ao afirmar que Ele ressuscitou Jesus Cristo, quando de facto não ressuscitou, a ser verdade que os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, é inútil a vossa fé, ainda estais nos vossos pecados; e assim, os que morreram em Cristo também se perderam. Se é só para a vida presente que temos posta em Cristo a nossa esperança, somos os mais miseráveis de todos os homens.
Mas não. Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos; porque do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo todos serão restituídos à vida. Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias; a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus, seu Pai, depois de ter aniquilado toda soberania, autoridade e poder.
É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus «tudo submeteu debaixo dos seus pés». Mas quando se diz que tudo Lhe está submetido, é claro que se exceptua Aquele que tudo Lhe submeteu.
Quando todas as coisas Lhe forem submetidas, então também o próprio Filho Se há-de submeter Àquele que Lhe submeteu todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos.
Aliás, que resultado obteriam aqueles que se baptizam pelos mortos? Se realmente os mortos não ressuscitam, porque se baptizam por eles? E porque nos expomos nós ao perigo a toda a hora? Eu todos os dias me exponho à morte, pela glória que tenho de vós, irmãos, em Jesus Cristo, nosso Senhor. Se foi por motivos humanos que lutei com as feras em Éfeso, que proveito alcancei? Se os mortos não ressuscitam, «comamos e bebamos, que amanhã morreremos»! Não vos iludais: asmás companhias corrompem os bons costumes. Despertai, como deveis, dessa embriaguez e não continueis a pecar, pois alguns de vós vivem em total ignorância de Deus. Para vossa vergonha o digo.
RESPONSÓRIO 1 Cor 15, 25-26; cf. Ap. 20, 13.14
R. Cristo há-de reinar, até que Deus tenha posto a todos os seus inimigos debaixo dos seus pés. * E o último inimigo a ser aniquilado é a morte.
V. A morte e o abismo devolverão os mortos; a morte e o abismo serão precipitados no lago de fogo. * E o último inimigo a ser aniquilado é a morte.
Outras leituras à escolha no Ofício de Defuntos
SEGUNDA LEITURA
Do Livro de Santo Ambrósio, bispo, sobre a morte de seu irmão Sátiro
(Lib. 2, 40.41.46.47-132.133: CSEL 73, 270-274, 323-324) (Sec. IV)
Morramos com Cristo, para vivermos com Ele
Vemos que também a morte pode ser lucro e a vida ser castigo. Por isso Paulo afirma: Para mim, viver é Cristo e morrer é lucro. Que é Cristo, senão morte do corpo e espírito de vida? Morramos pois com Ele, para vivermos com Ele. Seja nosso exercício diário o amor da morte, a fim de que a nossa alma, pelo afastamento dos desejos corpóreos, aprenda a elevar-se para as alturas, onde o prazer terreno não pode chegar nem atraí-la a si, e assim receba a imagem da morte para não incorrer no castigo da morte. A lei da carne contradiz a lei do espírito e quer submetê-la à lei do erro. Qual será o remédio para isto? Quem me libertará do meu corpo mortal? A graça de Deus por Jesus Cristo Nosso Senhor.
Temos médico, apliquemos o remédio. O nosso remédio é a graça de Cristo, e o corpo mortal é o nosso próprio corpo. Por conseguinte, afastemo-nos do corpo para não nos afastarmos de Cristo. Embora vivamos no corpo, não sigamos o que é do corpo nem nos sujeitemos às exigências da natureza, mas prefiramos os dons da graça.
Que mais ainda? O mundo foi resgatado pela morte de um só. Cristo podia não ter morrido, se quisesse; mas julgou que não devia fugir à morte, como se fosse inútil; antes, considerou-a como o melhor meio para nos salvar. A sua morte foi, portanto, a vida de todos. Recebemos o sinal sacramental da sua morte, anunciamos a sua morte na oração, proclamamos a sua morte na Eucaristia; a sua morte é vitória, é sacramento, é solenidade anual em todo o mundo.
Que diremos ainda da sua morte, depois de mostrarmos, com o exemplo divino, que só a morte conseguiu a imortalidade e se redimiu a si própria? Não devemos pois chorar a morte que é a causa da salvação universal; não devemos fugir à morte que o Filho de Deus não desprezou nem evitou.
Sem dúvida, a morte não fazia parte da natureza, mas tornou-se natural; porque Deus não instituiu a morte ao princípio, mas deu-a como remédio. Condenada pelo pecado a um trabalho contínuo e a lamentações insuportáveis, a vida dos homens começou a ser miserável. Deus teve de pôr fim a estes males, para que a morte restituísse o que a vida tinha perdido. Com efeito, a imortalidade seria mais penosa que benéfica, se não fosse promovida pela graça.
A nossa alma aspira a sair do estreito círculo desta vida, a libertar-se do peso deste corpo terreno e a caminhar para aquela assembleia eterna onde só chegam os santos, para aí cantar o louvor de Deus, como cantam, segundo a leitura profética, os celestes tocadores da cítara: Grandes e admiráveis são as vossas obras, Senhor Deus omnipotente; justos e verdadeiros são os vossos caminhos, ó Rei das nações. Quem não há-de temer e glorificar o vosso nome? Porque só Vós sois santo, e todos os povos virão adorar-Vos. A nossa alma deseja partir deste mundo para contemplar as vossas núpcias eternas, ó Jesus, nas quais, por entre o cântico jubiloso de todos os eleitos, a Esposa é acompanhada da terra ao Céu – a Vós acorrerão todos os homens – já não sujeita ao mundo, mas unida ao Espírito.
Era isto que o santo David desejava, acima de tudo, contemplar e admirar, quando dizia: Uma só coisa peço ao Senhor, por ela anseio: habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para viver na alegria do Senhor.
RESPONSÓRIO cf. 2 Mac 12, 45b; Mt 13, 43a
R. Os que morrem piedosamente no Senhor. * Terão no Céu uma grande recompensa.
V. Os justos brilharão como o sol no reino de seu Pai. * Terão no Céu uma grande recompensa.
Oração
Deus, Pai de misericórdia, escutai benignamente as nossas orações, para que, ao confessarmos a fé na ressurreição do vosso Filho Unigénito, se confirme em nós a esperança da ressurreição dos vossos servos. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
1 Tessalonicences 4, 14
Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem adormecido.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes.
R. Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes.
V. Convertestes em júbilo o meu pranto.
R. Porque me salvastes.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/fieis-defuntos/>]
Fiéis defuntos
A terra dos vivos
Em 1979, no livro Memória de Elefante, Lobo Antunes escrevia a dada altura: … o meu avô ficou transformado em cruz como acontece a todos os que desaparecem da aldeia”. Os batizados são marcados pela cruz e pertencem à cruz. É bom recordar que, aqueles que já partiram foram transformados na cruz, configurados com Cristo na cruz e na ressurreição.
LEITURA I Job 19, 1.23-27ª
Job tomou a palavra e disse:
«Quem dera que as minhas palavras fossem escritas num livro,
ou gravadas em bronze com estilete de ferro,
ou esculpidas em pedra para sempre!
Eu sei que o meu Redentor está vivo
e no último dia Se levantará sobre a terra.
Revestido da minha pele, estarei de pé;
na minha carne verei a Deus.
Eu próprio O verei,
meus olhos O hão de contemplar».
No meio da injustiça que é o sofrimento do justo, do abandono e desconfiança de todos em relação a ele, Job faz uma profissão de fé na justiça de Deus e na ressurreição depois da morte.
Salmo 26 (27), 1.4.7 e 8b e 9a.13-14
A resposta à primeira leitura vem do salmo 26 e é também uma profissão de fé. O salmista tem a sua confiança posta no Senhor. Não admite que nada nem ninguém o afaste da casa do Senhor. A sua confiança dá-lhe força e impede o medo. Por isso não teme ser atacado nem abandonado, pois, o Senhor é o seu protetor, ele o acolherá e conduzirá por caminhos direitos. A sua confiança é uma fé inabalável na bondade do Senhor e na vida eterna: “Creio firmemente”.
LEITURA II 2 Cor 4, 14 – 5, 1
Como sabemos, irmãos,
Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus
também nos há de ressuscitar com Jesus
e nos levará convosco para junto d’Ele.
Tudo isto é por vossa causa,
para que uma graça mais abundante
multiplique as ações de graças de um maior número de cristãos
para glória de Deus.
Por isso, não desanimamos.
Ainda que em nós o homem exterior se vá arruinando,
o homem interior vai-se renovando de dia para dia.
Porque a ligeira aflição dum momento
prepara-nos, para além de toda e qualquer medida,
um peso eterno de glória.
Não olhamos para as coisas visíveis,
olhamos para as invisíveis:
as coisas visíveis são passageiras,
ao passo que as invisíveis são eternas.
Bem sabemos que,
se esta tenda, que é a nossa morada terrestre, for desfeita,
recebemos nos céus uma habitação eterna,
que é obra de Deus
e não é feita pela mão dos homens.
Para Paulo os sofrimentos vividos por causa da sua missão apostólica não podem comparar-se com a vida eterna que espera alcançar e que lhe será dada por aquele que ressuscitou Jesus. As realidades deste mundo, nas quais se inclui o corpo não têm comparação com a glória que nos será dada por Deus na eternidade.
EVANGELHO Mt 11, 25-30
Naquele tempo, Jesus exclamou:
«Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra,
porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes
e as revelaste aos pequeninos.
Sim, Pai, Eu Te bendigo,
porque assim foi do teu agrado.
Tudo Me foi dado por meu Pai.
Ninguém conhece o Filho senão o Pai
e ninguém conhece o Pai senão o Filho
e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
Vinde a Mim,
todos os que andais cansados e oprimidos,
e Eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo
e aprendei de Mim,
que sou manso e humilde de coração,
e encontrareis descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».
Só os humildes estão disponíveis para aprender de Jesus. Só eles conhecem o justo sentido, a medida certa de todas as coisas que surgem na vida. Só em Jesus podemos conhecer a Deus e só nele encontramos o descanso da alma e a paz interior.
Reflexão da Palavra
O livro de Job pertence ao conjunto dos livros sapienciais. Na Bíblia hebraica é o primeiro dos livros que compõem a secção dos Escritos. Escrito em forma de diálogo é essencialmente um texto poético. De autor anónimo, terá sido escrito entre os séculos VI e IV a. C. altura em que o sofrimento é uma provocação na vida de Israel. O exílio coloca de modo profundo a pergunta sobre o sofrimento. O tema geral do livro é mesmo o sofrimento do justo e a resposta de Deus a esse sofrimento.
O livro tem início com dois capítulos em prosa que fazem a apresentação geral do protagonista e a desgraça que se abate sobre ele, apesar de ser considerado justo aos olhos de Deus. Seguem-se os capítulos centrais (3-42) que incluem o lamento inicial de Job (cap. 3), três ciclos de discursos entre Job e os seus amigos Elifaz, Bildad e Zofar, os discursos de Eliú (um quarto interlocutor), e a resposta de Deus a Job “do meio da tempestade”. Culmina com a submissão de Job. O final, capítulo 42, conclui o livro com uma repreensão de Deus aos amigos de Job e a recuperação, em dobro, de todos os bem que ele possuía antes de passar pelo sofrimento.
O texto da primeira leitura pertence ao segundo diálogo com os amigos e configura a quinta resposta de Job. Enquanto os amigos traçam um veredito que põe em causa a inocência de Job, determinando que o sofrimento é fruto do seu pecado e em breve Deus lhe dará o último castigo, a morte, ele, serve-se das suas afirmações para se analisar e encontrar uma segunda hipótese que não é tida em conta pelos amigos, encarcerados como estão nas suas convicções.
Job atingiu o auge do sofrimento e está no limite das suas forças humanas e espirituais. Sente que o sofrimento que o domina é injusto, que está a ser incompreendido pelos amigos e abandonado por Deus e pela família. No meio deste desalento, Job faz a mais bela profissão de fé e de esperança.
Ele está convencido do que diz e, por isso, quer que todos leiam as suas palavras, gravadas em pedra ou em bronze. Ele está inocente e, se for arrastado para a morte sem que se faça justiça, ele espera ser justificado no futuro, pelo reconhecimento póstumo da sua inocência. A sua convicção leva-o a dizer “Eu sei”, com certeza inabalável. Olhando para ele no meio do sofrimento, ninguém vê inocência, ninguém dirá que é inocente. Mas ele vê dentro de si a verdade e vê que alguém o vai resgatar daquela injustiça e repor o seu bom nome. O seu redentor não é um parente próximo, é o próprio Deus, no presente pode parecer o seu adversário por causa do sofrimento, mas será o seu defensor. Este Deus está vivo e, se não faz nem diz nada em sua defesa, ele agirá no último dia, quando Job estiver de pé, ainda que já não tenha pele nem carne. Nesse dia, Job verá, com os seus próprios olhos, não através da experiência de outros, o próprio Deus, o seu redentor. Ele lhe fará justiça.
O salmo 26, construído em três partes bem definidas: começa com uma afirmação de confiança, expõe em seguida a súplica no meio da perseguição e conclui com uma nova afirmação de confiança. A confiança do salmista vem do Senhor, ele é “luz” e “salvação”, é “protetor da minha vida”. Confiado nesta proteção, o salmista não tem medo, não teme nada nem ninguém: “de quem hei de ter medo?”. Mesmo que a sua vida seja levada ao extremo, “ainda que um exército me cerque” ele manterá a confiança.
É nesta confiança que o salmista faz a sua súplica ao Senhor. É uma súplica confiante, pois o que ele já viu é suficiente para confiar que o Senhor o fará sempre que necessário, a seu favor. O seu grande desejo é “habitar na casa do Senhor” e não quer que nenhuma circunstância o impeça de “saborear” o encanto do Senhor. Para isso, ele “deseja ardentemente”, “anseia”, “murmura”, “procura” a face do Senhor. A sua confiança é tal que “ainda que meu pai e minha mãe me abandonem, o Senhor há de acolher-me”.
No final o salmista faz uma profissão de fé semelhante à de Job: “Creio, firmemente, vir a contemplar a bondade do Senhor na terra dos vivos” e diz a si mesmo: “Confia no Senhor! Sê forte e confia no Senhor!”.
A segunda leitura é tirada do capítulo quarto, da segunda carta aos coríntios no qual Paulo fala sobre as grandes dificuldades do ministério apostólico. O apóstolo é como um vaso de barro que transporta um tesouro. Ele próprio experimentou a aflição, as perseguições e enfrentou a morte por causa de Jesus. No texto de hoje, o apóstolo explica porque é que não desanima no meio de tanta adversidade: “Por isso, não desanimamos”. Porque “Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há de ressuscitar com Jesus e nos levará convosco para junto d’Ele”. Para Paulo as dificuldades por que tem passado por causa do evangelho não são sinal de um abandono de Deus mas consequência de um serviço aos outros. Como servidor ele tudo suporta, “é por vossa causa, para que uma graça mais abundante multiplique as ações de graças de um maior número de cristãos para glória de Deus”.
Paulo não deixa de dizer que esta verdade é conhecida de todos, “como sabemos”, diz ele logo de início. Esta verdade é mais importante do que preservar a própria vida, pois vive desta certeza: “ainda que em nós o homem exterior se vá arruinando, o homem interior vai-se renovando de dia para dia”. As dificuldades corporais são “uma ligeira aflição” comparadas com a glória eterna. A “leve aflição” não se compara com “o peso eterno de glória”. É preciso saber escolher entre o que é “passageiro” e o que é “eterno”, entre o “visível” e o “invisível”.
O corpo com que vivemos neste mundo não se compara com o corpo com que viveremos no céu. Aquele é passageiro, feito pelas mãos humanas, é uma tenda que se desfaz, ao passo que este é eterno porque é obra de Deus.
Mateus reúne as palavras da oração de Jesus depois de ele ter desmascarado a incredulidade das cidades da Galileia: “Corazim, Betsaida, Cafarnaum”. Para que os apóstolos, continuadores da sua missão, não se deixem vencer pelo aparente fracasso da missão, quando este suceder, Jesus recorda que o evangelho é revelado aos humildes, “aos pequeninos”, porque os “sábios e inteligentes” não estão disponíveis para o receber. O evangelho é sabedoria de Deus e não sabedoria dos homens. Não se chega à sabedoria de Deus com a inteligência mas com o coração, só um coração humilde está disponível para os desafios do evangelho anunciado por Jesus.
Este conhecimento é a profundidade do coração de Deus, ou seja, a relação que existe entre o Pai e o Filho, o seu mistério que não cabe na inteligência humana mas cabe no coração dos simples que acolhem a revelação de Jesus.
No final Jesus faz um convite claro e determinado: “Vinde a mim”, como a Sabedoria faz no Antigo Testamento (Provérbios 9,5; Sirácides 24,19). Jesus é a sabedoria divina encarnada. A ele podem acorrer todos os que estão cansados, aqueles para quem a vida é um fardo pesado, todos os que não conseguem suportar mais o sofrimento, o pecado e as contradições da vida. Em Jesus encontram-se o alívio e o descanso da alma, mas também com ele se aprende a encontrar paz interior, a medir com verdade e justiça todas as coisas, a descobrir o sentido e razão de tudo o que acontece na vida.
Meditação da Palavra
A Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos é um dia de silêncio, de memória e de uma profunda saudade. Os nossos corações voltam-se para os rostos, as vozes e os abraços daqueles que amamos e que já partiram. A liturgia de hoje não nos pede para ignorar o peso dessa ausência. Pelo contrário, acolhe a nossa dor e, com delicadeza, ilumina-a com a luz da esperança cristã, transformando o luto numa vigília de expectativa.
Nenhuma outra figura bíblica encarna o sofrimento humano como Job. Despojado de tudo, com o corpo coberto de chagas e o coração em pedaços, ele representa a humanidade nas suas mais dolorosas experiências. E é precisamente desse profundo abismo de dor que ressoa a mais intensa profissão de fé de toda a Escritura: “Eu sei que o meu Redentor está vivo!“.
A esperança de Job não é uma ideia. É uma certeza vivida na primeira pessoa: “Eu próprio O verei, meus olhos o hão de contemplar“. Ele anseia por um encontro real, onde a justiça e o amor de Deus restaurarão a sua carne ferida. O grito de Job é o grito de todo o homem que se depara com o corpo sem vida de um ente querido, a fé ousa proclamar que aquela pessoa, na sua identidade única e intransferível, verá a Deus. É, confiados nesta promessa, que nos mantemos firmes na oração por eles.
Se Job nos dá o grito da fé, Paulo, na sua carta aos Coríntios, oferece-nos a sua razão teológica. Ele ensina-nos a ver para além das aparências. É verdade que “o homem exterior se vai arruinando” – a fragilidade, a doença e a morte são realidades visíveis, mas, ao mesmo tempo, “o homem interior vai-se renovando de dia para dia”.
A morte, na visão cristã, não é um fatalismo, mas uma passagem. Paulo usa a imagem da nossa vida terrena como uma “tenda”, uma morada provisória. A morte é o momento em que esta tenda é desfeita para recebermos “nos Céus uma habitação eterna, que é obra de Deus”. Esta verdade de fé convida-nos a reorientar o nosso olhar: a não nos fixarmos no visível, que é passageiro, mas a projetarmo-nos no invisível, que é eterno. A nossa saudade é real, mas a vida para a qual os nossos defuntos foram chamados é infinitamente mais real e duradoura.
Para onde nos leva esta esperança? Qual o rosto do nosso Redentor? O Evangelho dá-nos a resposta na oração emocionada de Jesus. Ele, que conhece o Pai, revela-nos o Seu coração. E a seguir, lança o convite mais consolador de toda a Escritura: “Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei”.
Neste dia, quem está mais “cansado e oprimido” do que aqueles que sentem o peso da perda, mais recente ou mais distante? Jesus é o destino daqueles que partiram e o descanso dos que ficaram. Com a sua palavra Jesus alivia o sofrimento e a saudade, dando-nos a certeza de que o “jugo é suave” e a “carga é leve”. O encontro final com Deus não é um tribunal temível, mas a chegada a casa, ao colo de um Pai que nos acolhe através do seu Filho “manso e humilde de coração”.
É confiados nesta certeza que nos unimos aos que partiram através da oração, porque sabemos que é na comunhão da fé que nos encontramos uns com os outros. A nossa oração não é falar para o vazio, mas acompanhar com o nosso amor e a nossa fé aqueles que nos precederam na viagem para o Pai. Ao rezar por eles, afirmamos a nossa fé na ressurreição e a nossa esperança de, um dia, nos reunirmos com eles na “terra dos vivos”, como espera o salmista.
Rezar a Palavra
Neste dia em que recordamos os nossos defuntos, sentimos que a oração nos une a eles e as tuas palavras confortam-nos na dor e na saudade. Sabemos que o Pai nos espera a todos com um abraço capaz de nos refazer na nossa identidade curando todas as nossas feridas. Não permitas que o sofrimento nos faça cair no desânimo que leva a desacreditar do teu amor.
Compromisso semanal
Hoje visito um cemitério, acendo uma vela em casa e recordo diante de Deus os meus familiares que já partiram ou, simplesmente, faço uma profissão de fé na ressurreição.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://franciscanos.org.br/vidacrista/santo-do-dia/#gsc.tab=0>]
Todos os FinadosSão Francisco de Assis, segundo o seu biógrafo Tomas de Celano, chegava a convidar para louvor até a própria morte, que todos temem e abominam. Para ele, a morte não era a negação total da vida, mas a passagem para o modo de vida em Deus, novo e definitivo, imortal e pleno.É assim também que os cristãos veem a morte. Dando sua vida em sacrifício e experimentando a morte, e morte na cruz, Cristo ressuscitou e salvou toda a humanidade. Esse é o mistério pascal de Cristo: morte e ressurreição. Ele nos garantiu que, para quem crê, for batizado e seguir seus ensinamentos, a morte é apenas a porta de entrada para desfrutar com ele a vida eterna no Reino do Pai. Por isso, São Francisco chama a morte de “Irmã Morte” no Cântico do Irmão Sol.Encontramos a celebração da missa pelos mortos desde o século V. Santo Isidoro de Sevilha, que presidiu dois concílios importantes, confirmou o culto no século VII. Tempos depois, em 998, por determinação do abade santo Odilo, abade de Cluny, todos os conventos beneditinos passaram, oficialmente, a celebrar “o dia de todas as almas”, que já ocorria na comunidade no dia seguinte à festa de Todos os Santos. A partir de então, a data ganhou expressão em todo o mundo cristão.Em 1311, Roma incluiu, definitivamente, o dia 2 de novembro no calendário litúrgico da Igreja para celebrar “Todos os Finados”. Neste dia, a Igreja autoriza cada sacerdote a celebrar três Missas especiais pelos fiéis defuntos. Essa prática remonta ao ano de 1915, quando, durante a Primeira Guerra Mundial, o Papa Bento XV julgou oportuno estender a toda Igreja esse privilégio de que gozavam a Espanha, Portugal e a América Latina desde o séc. XVIII.Acompanhe a reflexão do Papa Bento XVI:Depois de ter celebrado a Solenidade de Todos os Santos, hoje a Igreja convida-nos a comemorar todos os fiéis defuntos, a dirigir o nosso olhar para os numerosos rostos que nos precederam e que concluíram o caminho terreno. A realidade da morte para nós, cristãos, é iluminada pela Ressurreição de Cristo, e para renovar a nossa fé na vida eterna.Nestes dias vamos ao cemitério para rezar pelas pessoas queridas que nos deixaram; é quase como ir visitá-las para lhes manifestar, mais uma vez, o nosso carinho, para as sentir ainda próximas, recordando também, deste modo, um artigo do Credo: na comunhão dos Santos há um vínculo estreito entre nós que ainda caminhamos nesta terra e muitos irmãos e irmãs que já alcançaram a eternidade.Desde sempre, o homem preocupou-se pelos seus mortos e procurou conferir-lhes uma espécie de segunda vida, através da atenção, do cuidado e do carinho. De certa maneira, deseja-se conservar a sua experiência de vida; e, paradoxalmente, como eles viveram, o que amaram, o que temeram e o que detestaram, nós descobrimo-lo precisamente a partir dos túmulos, diante dos quais se apinham recordações. Estas são como que um espelho do seu mundo.Por que é assim? Porque, não obstante a morte seja com frequência um tema quase proibido na nossa sociedade, e haja a tentativa contínua de eliminar da nossa mente até o pensamento da morte, ela diz respeito a cada um de nós, refere-se ao homem de todos os tempos e de todos os espaços. E diante deste mistério todos, também inconscientemente, procuramos algo que nos convide a esperar, um sinal que nos dê consolação, que abra algum horizonte, que ofereça ainda um futuro. Na realidade, o caminho da morte é uma senda da esperança, e percorrer os nossos cemitérios, como também ler as inscrições sobre os túmulos é realizar um caminho marcado pela esperança de eternidade.Mas perguntamo-nos: por que sentimos medo diante da morte? Por que motivo uma boa parte da humanidade nunca se resignou a acreditar que para além dela não existe simplesmente o nada? Diria que as respostas são múltiplas: temos medo diante da morte, porque temos medo do nada, este partir rumo a algo que não conhecemos, que nos é desconhecido. E então em nós existe um sentido de rejeição, porque não podemos aceitar que tudo quanto de belo e grande foi realizado durante uma existência inteira seja repentinamente eliminado e precipite no abismo no nada. Sobretudo, nós sentimos que o amor evoca e exige a eternidade, e não é possível aceitar que ele seja destruído pela morte num só instante.Além disso, temos medo diante da morte porque, quando nos encontramos próximos do fim da existência, há a percepção de que existe um juízo sobre as nossas obras, sobre o modo como conduzimos a nossa vida, principalmente sobre aqueles pontos de sombra que, com habilidade, muitas vezes sabemos anular ou tentamos remover da nossa consciência. Diria que precisamente a questão do juízo está com frequência subjacente ao cuidado do homem de todos os tempos pelos finados, a atenção pelas pessoas que foram significativas para ele e que não estão mais ao seu lado no caminho da vida terrena. Num certo sentido, os gestos de carinho e de amor que circundam o defunto constituem um modo para o proteger, na convicção de que eles não permaneçam sem efeito na hora do juízo. Podemos ver isto na maior parte das culturas que caracterizam a história do homem.Hoje, o mundo tornou-se, pelo menos aparentemente, muito mais racional, ou melhor, difundiu-se a tendência a pensar que cada realidade deve ser enfrentada com os critérios da ciência experimental, e que também à grandiosa interrogação da morte é necessário responder não tanto com a fé, mas a partir de conhecimentos experimentais, empíricos. Porém, não nos damos conta de modo suficiente, de que precisamente desta maneira terminamos por cair em formas de espiritismo, na tentativa de manter algum contato com o mundo para além da morte, quase imaginando que existe uma realidade que, no final, seria uma réplica da vida presente.A Solenidade de Todos os Santos e a Comemoração de todos os fiéis defuntos dizem-nos que somente quem pode reconhecer uma grande esperança na morte, pode também levar uma vida a partir da esperança. Se nós reduzirmos o homem exclusivamente à sua dimensão horizontal, àquilo que se pode sentir de forma empírica, a própria vida perde o seu profundo sentido. O homem tem necessidade de eternidade, e para ele qualquer outra esperança é demasiado breve, é demasiado limitada. O homem só é explicável, se existir um Amor que supere todo o isolamento, também o da morte, numa totalidade que transcenda até o espaço e o tempo. O homem só é explicável, só encontra o seu sentido mais profundo, se Deus existir. E nós sabemos que Deus saiu do seu afastamento e fez-se próximo, entrou na nossa vida e diz-nos: «Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá» (Jo 11, 25-26).Pensemos por um momento na cena do Calvário e voltemos a ouvir as palavras que Jesus, do alto da Cruz, dirige ao malfeitor crucificado à sua direita: «Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso» (Lc 23, 43). Pensemos nos dois discípulos no caminho de Emaús quando, depois de terem percorrido um trecho da estrada com Jesus Ressuscitado, O reconhecem e, sem hesitar, partem rumo a Jerusalém para anunciar a Ressurreição do Senhor (cf. Lc 24, 13-35). Voltam à mente com clareza renovada as palavras do Mestre: «Jesus continuou dizendo: «Não fique perturbado o coração de vocês. Acreditem em Deus e acreditem também em mim. 2 Existem muitas moradas na casa de meu Pai. Se não fosse assim, eu lhes teria dito, porque vou preparar um lugar para vocês» (Jo 14, 1-2). Deus revelou-se verdadeiramente, tornou-se acessível e amou de tal modo o mundo, «que lhe deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16), e no supremo gesto de amor da Cruz, mergulhando no abismo da morte, venceu-a, ressuscitou e abriu também para nós as portas da eternidade. Cristo sustém-nos através da noite da morte que Ele mesmo atravessou; é o Bom Pastor, a cuja guia podemos confiar sem qualquer temor, porque Ele conhece bem o caminho, até através da obscuridade.Cada domingo, recitando o Credo, nós confirmamos esta verdade. E visitando os cemitérios para rezar com afeto e com amor pelos nossos defuntos, somos convidados, mais uma vez, a renovar com coragem e com força a nossa fé na vida eterna, aliás, a viver com esta grande esperança e testemunhá-la ao mundo: por detrás do presente não existe o nada. E é precisamente a fé na vida eterna que confere ao cristão a coragem de amar ainda mais intensamente esta nossa terra e de trabalhar para lhe construir um futuro, para lhe dar uma esperança verdadeira e segura.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 2 DE NOVEMBRO DE 2026
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Mac 7, 9b
O Rei do universo nos ressuscitará para a vida eterna, se morrermos fiéis às suas leis.
V. Porque estás triste, minha alma, e desfaleces?
R. Espera em Deus, que ainda O hei-de louvar.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Sab 1, 13-14a.15
Não foi Deus quem fez a morte, nem Ele se alegra com a perdição dos vivos. Pela criação deu o ser a todas as coisas. A justiça é eterna e imortal.
V. Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos, nada temo;
R. Porque Vós estais comigo, Senhor.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Is 25, 8
O Senhor destruirá a morte para sempre, enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira oopróbrio que pesa sobre o seu povo.
V. Escutai, ó Deus, a minha oração,
R. Porque a Vós acorre todo o ser humano.
Oração
Deus, Pai de misericórdia, escutai benignamente as nossas orações, para que, ao confessarmos a nossa fé na ressurreição do vosso Filho Unigénito, se confirme em nós a esperança da ressurreição dos vossos servos. Por Nosso Senhor.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
1 Cor 15, 55-57
Ó morte, onde está a tua vitória? Ó morte, onde está o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado e a força do pecado é a Lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por Nosso Senhor Jesus Cristo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em Vós, Senhor, me refugio: jamais serei confundido.
R. Em Vós, Senhor, me refugio: jamais serei confundido.
V. Exultarei de alegria com a vossa misericórdia.
R. Jamais serei confundido.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em Vós, Senhor, me refugio: jamais serei confundido.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
1 Tess 5, 9-10
Deus destinou-nos para alcançarmos a salvação por Nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós, a fim de que, velando ou dormindo, vivamos unidos a Ele.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
