“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 30 DE NOVEMBRO DE 2023 – QUINTA FEIRA – SANTO ANDRÉ, APÓSTOLO (ANO A)
30 de novembro de 2023“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 01 DE DEZEMBRO DE 2023 – SEXTA FEIRA – XXXIV SEMANA DO TEMPO COMUM(ANO A)
1 de dezembro de 2023
Que vantagem diremos, pois, que conseguiu Abraão, nosso pai segundo a carne? Porque, se Abraão foi justificado em virtude de sua observância, tem que se gloriar; mas não diante de Deus. Ora, que diz a Escritura? Abraão creu em Deus e isso lhe foi imputado em conta de justiça (Gn 15,6). Ora, o salário não é gratificação, mas uma dívida ao trabalhador. Mas aquele que sem obra alguma crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada em conta de justiça. É assim que Davi proclama bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente das obras: Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades foram perdoadas e cujos pecados foram cobertos! Bem-aventurado o homem ao qual o Senhor não imputou o seu pecado (Sl 31,1s).
Essas santas palavras e ensinamentos compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura (Rm 4,1-8), de impregnar-nos da consciência de que Abraão, nosso pai na fé, creu em Deus e isso lhe foi imputado em conta de justiça. O autor sagrado proporciona-nos a plena clareza de que tal justificação não se deu a modo de salário – não foi um pagamento recebido em virtude de uma obra realizada. Com toda a clareza: não foi contrapartida a um mérito, não se trata de uma relação de reciprocidade em que o merecimento enseja a recompensa. Tal justificação pela fé consistiu em uma liberalidade, uma benesse, uma dádiva divina que o Senhor Deus concedeu a Abraão e a estende a todo aquele que crê. É tão somente crer o que o Senhor Deus requer de nós para nos justificar, sendo a fé imputada em conta de justiça, independentemente das obras.
Tal extrema generosidade divina nos faz bem-aventurados, pois nossas iniquidades são perdoadas e nossos pecados cobertos; o senhor não mais no-los imputa, requerendo para isso tão somente que tenhamos fé, que acreditemos, que creiamos em Jesus, naquilo que ele ensina – e também nos desdobramentos de seus ensinamentos na atuação dos Apóstolos, na Igreja…
Importa, porém, discernir com claro entendimento: o ato da fé, além desse aspecto neutralizante, qual seja, o de “zerar” nossas dívidas, livrar-nos dos pesados fardos do pecado, libertar-nos da escravidão do maligno e das consequências dessa terrível sujeição, tem também um aspecto portentosamente dinâmico: abre-nos as portas para usufruir de tesouros de inestimável valor!
O ato de fé inicial pode ser comparado à atitude de levantar a cabeça, de parar de olhar para baixo – de trocar a direção do olhar que leva a derrocar o viver cada vez mais nas profundezas abissais da imundície a que o maligno nos insta permanentemente a afundar-nos. Na atitude inicial da fé, na decisão de aderir a Cristo, opera-se simbolicamente um levantar a cabeça e um estender os braços para Jesus que nos estende amorosamente os seus, para resgatar-nos e elevar-nos a alturas inimaginadas!
Assim, a partir do ato inicial da fé, recebemos a dádiva da justificação divina e acessamos uma base segura – somos como que resgatados em uma “plataforma”, retirados do pântano de areia movediça em que nos encontrávamos. Então paramos de descer; rompe-se o processo de “afundamento” no lamaçal do pecado.
A partir do acessar dessa base de apoio – com a liquidação das dívidas, a libertação dos pecados e o desvencilhar-se da carga sobre os ombros que pressionava para nos enterrarmos, nos degradarmos, nos rebaixarmos de abismo em abismo – somos convidados a subir, com Jesus, apoiados em seus ensinamentos que nos orientam para subir com segurança o “monte santo do Senhor”.
Ou seja: perdoados, justificados, acolhidos pela graça divina a partir desse primeiro ato de fé, paramos de descer. Essa é a primeira etapa – necessária, imprescindível, de sumo valor. Porém somos convidados a prosseguir, para o que a fé precisa ser cultivada, tornar-se ativa: paramos de afundar, fomos resgatados, agora precisamos caminhar!
A etapa seguinte implica, portanto, em uma adesão séria, comprometida e efetiva, pois a generosidade divina não se esgota nesse perdão. O ato da fé – a decisão de aderir a Jesus, comprometer-se a segui-lo, além do referido “zeramento”, se constitui, na sequência, com a sua manutenção, em instrumento hábil para a tomada de posse de um tesouro sem igual: o usufruto das delícias inefáveis que são proporcionadas no processo de conhecer e colocar em prática a Palavra de Deus que nos é brindada pelas Sagradas Escrituras e pela sã doutrina da Igreja.
Nesse caminho divino nos são apresentados tesouros maravilhosos e somos orientados, passo a passo, a galgar os píncaros, os pontos mais elevados da felicidade possível neste mundo, em um processo que leva também a estarmos preparados da melhor forma possível para a vida futura, a vida eterna.
*Via Contardo Ferrini – fé, ciência e benevolência. [Para saber mais sobre a autoria, acesse: catolicospraticantes.com.br/viacontardoferrini. Esse conteúdo é protegido por direitos autorais, tendo sido publicado originalmente no sítio eletrônico catolicospraticantes.com.br/dassombrasaoesplendor. Pode ser livremente compartilhado, desde que citada a fonte.]
